Prólogo
O pequeno mercado estava aglomerado de pessoas, já passava das cinco horas da tarde. No centro daquela aglomeração havia um senhor muito exaltado, fazendo gestos incessantes e apontando o dedo para uma pequenina criança.
Olavo observando toda aquela movimentação não pode conter a curiosidade e resolveu aproximar-se.
- Essa ladrazinha! – Exclamou o senhor furioso – Tentou roubar minhas mercadorias! – O homem estava mais que irritado. – Essa raça de mendigos deveria ser extirpada da face da terra!
A pequenina nada respondeu, mas em momento algum desviou os olhos do comerciante.
Olavo assim que baixou os olhos pode ver que ela segurava uma bela maçã nas mãos, quase maior que a menina. Ele caminhou na direção dela pegando-a no colo. Assim que pode fitar os belos olhinhos, sabia que não poderia ter outra atitude...
- Aqui está você filha... Eu estava preocupado! – A menina pareceu compreender na hora o homem que lhe ajudava – Nunca mais saia de perto de mim!
- Essa ladra é sua filha? – Perguntou ao mesmo tempo em que procurava semelhanças entre eles, que possuíam a mesma cor escura nos cabelos, mas os olhos eram completamente diferentes. Enquanto Olavo possuía os olhos tão negros quanto o cabelo a pequenina tinha eles em um tom muito claro de azul.
- Claro que és! Não está vendo a semelhança? – Olavo o desafiou, deixando o homem confuso.
- Ela roubou minha loja! – Disse parecendo ter criado coragem, para o homem que era o dobro de sua altura.
- É? E o que ela roubou? – Perguntou altivo para o velho que cauteloso apontou para a maçã. Só nesse momento o senhor notou o quanto tinha sido mesquinho. – Meu amor eu já lhe expliquei que não deve pegar as coisas sem minha presença?
- Desculpa papai... – Pareceu soar tão natural – Mas é que eu queria lhe dar! – E esticou a maçã que ele prontamente segurou. As pessoas que nada sabiam sobre eles acreditaram nas palavras meigas da pequenina.
- Então quanto lhe devo pela maçã? – Olhou sério para o comerciante.
- Nada... – Respondeu num sussurro, sentindo-se mal por ter agido tão estupidamente.
- Faço questão! – Prontamente largou uma nota de cinco no balcão e com a menina ainda em seus braços saiu do mercado.
Olavo foi com ela até uma simpática pracinha sentando-se ao lado da menina em um banco envernizado. Era difícil não se apaixonar por aquele par de olhos enigmáticos. Curioso por saber mais daquele pequenino ser, começou a investigar.
- E então, tem algo a me dizer? – Perguntou fingindo-se de sério.
- Obrigada por me ajudar... Não queria lhe trazer problemas, nem para o senhorzinho do mercado. – Falou sem tirar os olhinhos dele.
- E onde estão seus pais? – Estava cada vez mais envolvido por aquele pequenino ser.
- Eu não sei... Fui abandonada na porta de uma igreja. Então eu cresci no orfanato junto com outras crianças, mas eu fugi... – O homem estava surpreso com a destreza e perspicácia da pequenina. – Você não vai me entregar pra elas... Vai?
- Por que você fugiu de lá?
- As freirinhas são muito chatas... Não me deixam fazer minha arte!
- Arte? – Pensou alto ao mesmo tempo em que sorriu com a resposta.
- Sim! Sou uma profissional no ramo da pintura, mas como não temos telas eu uso suportes alternativos... – Disse com cara de sapeca.
- E que suporte seria esse? – Tentou conter o riso.
- As paredes do orfanato, é claro! – Olavo não estava acreditando na cena que via, era como se a pequenina estivesse atuando para refazer á história. – Olha... Eu só peguei a maçã porque estava com fome... Mas um dia eu ia voltar lá e pagar!
Olavo via verdade e determinação naqueles olhos claros, tinha certeza que ela iria... Um dia.
- Bom, nesse exato momento estou com uma vontade incontrolável de ir comer uma pizza, mas como não gosto de lanchar sozinho, você gostaria de me acompanhar? – O convite foi feito com um lindo sorriso meigo nos lábios.
- Vai ter um pedaço com bacon? – Olhou-o curiosa.
- Vai ser inteirinha de bacon! – Respondeu feliz para ela.
- Então vamos logo! – Bateu palmas, em um gesto divertido.
O homem achou linda a espontaneidade da menina, que aparentava ter uns sete anos de idade.
No decorrer do longo lanche, entre muitas brincadeiras e risadas, aos poucos foram se conhecendo melhor. Pareciam pai e filha. Olavo apaixonou-se por aquela linda menininha, já não conseguia imaginar um por do sol sem que pudesse olhar para aqueles lindos e enigmáticos olhos azuis.
- Você tem filhos? – Perguntou curiosa.
- Não... – A resposta foi carregada de tristeza, mas sem tirar o sorriso do rosto.
- Se um dia tiver uma menina você poderia colocar o meu nome nela... Assim você iria se lembrar de mim para sempre! – A forma como ela falou surtiu como um soco no estômago de Olavo, que umedeceu seus olhos.
- E qual é seu nome? – Estavam tão conectados que nem as apresentações haviam sido feitas.
- Theodora! – Respondeu fazendo pirraça.
- A pronuncia dele é tão lindo quanto esse par de olhos azuis... Pode me chamar de Olavo! – Esticou a mão para formalizar o encontro.
E naquele momento um belíssimo sentimento de carinho mútuo foi selado pelos dois.
Fim do capítulo
Espero que gostem, moças!!
hehehhe
Daqui a pouco posto mais um.
Bjao e até!
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rhina
Em: 10/02/2018
Olá
Boa tarde
Gostei.....mas em pensar .....que uma amizade futura terá uma desavença tão triste. ...já me dói o coração
Rhna
Resposta do autor:
Oii Rhina
Bom dia, heheh
Essa parte da amizidade, quando escrevi o confronto delas, me cortou o coração...
Bjaoo e até mais!!
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Kim93
Em: 31/01/2018
Noossaaa. Muito ansiosa... comecei a lê hj e ja estou amando S2.
Vc escreve mt bem. Parabens
Resposta do autor:
Oi Kim...
Espero que essa ansiedade passe logo!!
heheheheh
Obrigada!! É sempre gostoso saber que nossa escrita é legall
Bjaooo e até mais!!
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