Capítulo 28 - O encontro (parte II)
Gostava de São Paulo, mas ficava um pouco cansada dos excessos da cidade. Tudo era muito, inclusive o trabalho, 8h de aulas seguidas, uma verdadeira odisseia. Estava louca para voltar para casa, morta de fome, parecia uma retirante fracassada na busca da terra prometida. Fui comprar uma coca-cola e… não é que a noite fez-se dia?
Não podia ser. Era ela. De novo. Pensei em surpreendê-la de forma positiva, dessa vez, romântica, quem sabe. Fui lá e tapei seus olhos, questionando-a quanto à minha identidade. Em vão. Ela não se lembrava de mim e ainda fez questão de reiterar seu mau humor do encontro anterior. Mas nada tiraria a magia daquele reencontro.
Eis, que de repente, ela lembrou meu nome. Citou-me nominalmente e ainda deu início a um diálogo não propriamente amistoso, mas, ao menos, com algumas informações relevantes.
Agora já sabia que o nosso destino era o mesmo. Quero dizer o destino geográfico e não o destino astrológico. Ambas íamos para Recife e, ao que parecia, no mesmo voo. Ainda descobri, meio a contra gosto, o nome dela. Luísa, como a música de Tom Jobim.
Para completar o cenário, chovia copiosamente em São Paulo e não demorou para o espaço aéreo local ser fechado para pousos e decolagens. No check-in da companhia, fui informada que seríamos levados para um hotel em um ônibus e o voo remarcado para o dia seguinte.
O que não tem remédio, remediado está. Procurei Luisa dentro do ônibus, mas não a encontrei. Para a minha surpresa, fui encontrada por ela logo depois, no saguão do hotel.
Ela tentou puxar conversa, mas resolvi dar um gelo nela, enquanto jogava candy crush:
– Está ocupada jogando candy crush? – cutucou ela.
– Isso. Cada um com suas ocupações – rebati.
– Atrapalho sua concentração se ficar aqui do seu lado? – amenizou.
– À vontade – respondi.
Ela sentou quieta, como uma menina mimada que acaba de ser contrariada.
A recepcionista do hotel nos chamou na mesma hora. Recebemos chaves de quartos praticamente vizinhos. Nesse momento, já comecei a articular alguma forma de diminuir essa distância ainda mais. Subimos juntas no elevador, mas a mulher era dura na queda, nem me deu trela. Bom, pelo menos me desejou boa noite. Já era uma vitória a ser celebrada naquele dia.
Fim do capítulo
Comentar este capítulo:
Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook:
[Faça o login para poder comentar]