Capítulo 24 - O outro dia
Comecei o dia com uma xícara de café forte, esperando que aquilo fosse suficiente para me manter de olhos abertos. O objetivo era enfrentar a correção dos trabalhos dos alunos, que me esperavam empilhados em cima da mesa da sala, o que fazia parecer que meu apartamento, um simpático estúdio de 30 metros quadrados, era ainda menor.
Passei o dia inteiro absorvida pelo trabalho e à base de café, interrompida apenas, vez por outra, pela sensação de Bob se esfregando em minhas pernas. Meu telefone tocou já no final da tarde. Era Beatriz, minha ex e mãe de Bob, convidando-me para tomar um café. Convite o qual neguei pelos motivos óbvios. Sugeri prontamente a substituição da bebida por uma cerveja.
Bia não era uma ex típica. Tivemos um casamento de cinco anos que se desfez pelo simples desgaste da relação e a transformação do amor em outro tipo de sentimento. Sem briga, decidimos pelo fim da relação e assim foi feito. Sem qualquer dificuldade.
Quando cheguei, Bia já estava sentada com um copo na mão. Quando me viu, ela bateu no relógio e disse:
– Qual o seu problema com horários?
– Estava trabalhando, meu bem! – respondi, enquanto puxava uma cadeira para sentar.
Ela começou logo perguntando sobre a viagem e dizendo que Bob estava sentindo a minha falta. Contei as minhas impressões sobre o curso, reclamei mais uma vez dos aeroportos e fechei esse item da pauta falando da menina que tinha conhecido no aeroporto. Bia olhou para mim e disse:
– Você não toma jeito, né, Carol? Custava nada ficar na fila?
– Mas eu estava atrasada – justifiquei.
– Você não devia fazer isso, a primeira impressão é a que fica, sabia? E se essa for a mulher da sua vida? – pontuou.
– Se for, ela vai mandar um email para mim – ri.
– Você ligaria para uma mulher que queria tomar o seu lugar na fila e que ainda te deixou um recado num guardanapo, sua cara de pau? – perguntou.
– Biaaaaaa, como foi que você me conheceu? Até parece que foi na missa – lembrei.
– Mandando recado num guardanapo em um bar – riu ela.
– Pois pronto. O amor não tem lugar, não tem hora – disse.
– Presta atenção, Carol! – repreendeu ela.
– Achei a menina interessante e vou dizer uma coisa a você: até topava um relacionamento com ela – confessei.
– Relacionamento? – surpreendeu-se.
– Por que a surpresa? Você sabe que não sou mulher de aventuras – falei.
– Sei sim, só não imaginei que essa garota tinha mexido tanto com você – disse.
– Acho que estou há muito tempo só e isso faz com que eu fique mais suscetível – expliquei.
– Concordo. Desde que terminamos você não engatou em mais nenhum relacionamento, quem sabe não está na hora? – falou.
– Quem sabe?!
Fim do capítulo
Comentar este capítulo:
Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook:
[Faça o login para poder comentar]