Perdi-me muitas vezes pelo mar
Sofia! Eu gritava seu nome mas era em vao, a música da festa estava muito alta.
A pego no colo e coloco ela dentro do seu carro, Antonio surgiu do nada me assustando.
-O que houve com a menina disse o senhor preocupado demais
-Ela.. ela teve uma queda de pressão.
Dei a volta no carro, sendo seguida pelos olhos de Antonio.
Quando entrei ele apoiou as mãos na porta, olhou docemente pra menina desacordada no banco do passageiro, seus olhos estavam a ponto de transbordar.
-Eu... Eu nunca a vi desse jeito, nem quando ela brigava com a dona Rafaela.
Coloquei a mão por cima da dele, que estava gelada.
-Vai ficar tudo bem, eu vou levar ela pra um lugar seguro, diz pra Rafaela que eu fui acudir a Glória.
-Sim senhorita, antes de ir Antonio passou as mãos nos cabelos de Sofia.
Sai daquela mansão o mais rápido possível, olhava de vez em quando pra Sofia, minha fixa não tinha caído ainda.
-Drogas
Aquilo era muito comum, cansei de ir a eventos a onde os jovens de classe alta se drogavam até o dia amanhecer, muitas coisas desencadearam pra Sofia acabar experimentado isso, uma delas sou eu lógico.
Finalmente cheguei em meu destino, peguei as chaves em baixo do vaso de planta e abri, fui até o carro a peguei e fui entrando, deixei ela deitada em minha cama.
Fui preparar um chá com hortelã, procurei algo na geladeira e fiz o que tinha.
Enquanto ela dormia mandei uma mensagem pra glória bem resumida sobre o acontecido, claro ela ia me encobrir eu precisava saber o que estava acontecendo, quem vendeu isso pra ela.
Por volta das 23:00 horas Sofia acordou, eu estava sentada ao seu lado.
-A.. onde eu estou
Sua voz estava fraca, sua debilidade me deixou triste.
-Estar segura
Ela me olhou confusa, tentou se afastar mais eu a impedi.
-Me solta!
-Não precisa dessa agressividade toda Sofia, é também não adianta fugir estamos muito longe da cidade.
Peguei a bandeja que estava na mesinha de cabeceira e estendi, ela virou o rosto e cruzou os braços, tipo de criança birrenta.
-Você precisa comer.
-Eu não estou com fome. Disse seca
Coloquei a bandeja no mesmo lugar, continuei sentada do seu lado sem olhá-la, aquela noite seria longa.
-A onde estou ? ela olhava os poucos moveis do quarto.
-Em minha casa.
-Sua casa ela me fitou confusa.
-Sim minha casa, eu comprei ela a pouco tempo.
-Pensei que não tivesse casa, sabe a sua.
-Eu omiti isso de você, aqui e o meu cantinho de paz e sossego.
Levantei-me caminhei até o armário, peguei umas peças de roupas e deixei na cama.
-Caso queira tomar um banho, nos olhamos por uns segundos, Sofia o desviou.
Sai do quarto e fui pra sala,eu não era burra tratei logo de esconder as chaves do seu carro, e da minha casa.
Estava lendo um livro quando ela surgiu, de cabelos molhados e usando um conjuntinho azul bebe.
-Será que podemos conversar disse paciente.
-Vai bancar a minha mãe agora, Daniela.
-Sem desdém Sofia.
-Quem te vendeu essa droga ? Por que fez isso ? a encarei
Ela estava de pé diante de mim, olhava pro chão sem dizer nenhuma palavra.
-Sofia eu não sou a Rafaela, essa hora você já estaria marcada.
Ela sorriu fraco, seus olhos ainda estavam fixos no chão.
-É sempre ela.
Nesse instante ela me fitou.
-Por que Daniela, por que se vendeu ?
-Sofia isso não vem ao caso
-Claro que vem.
A pequena Vilella começou a gritar e a se alterar, eu moro numa vila simples e afastado do centro as pessoas que moram aqui querem paz e sossego.
-É só isso que você faz Daniela, você se vende muito alto, não se importa com as pessoas ao redor, e sempre você você você.
Levantei-me imediatamente parti pra cima de Sofia, que me olhou assustada.
-Cala a boca!
-Chega!
-Eu já aturei muito por hoje, eu estou aqui te ajudando me preocupando, perguntando quem te vendeu essa maldita droga, em vez de você me falar fica agindo que nem uma criança mimada.
A joguei no sofá , de tamanha era minha falta de paciência, respirava fundo.
-Perdi-me muitas vezes pelo mar
Com o ouvido cheio de flores recém-cortadas
Sofia se levantou e caminhou naquele chão frio de madeira, seus olhos agora estavam me penetrando intensamente.
Com a língua, cheia de amor e de agonia
Ela se aproximou o bastante, fiquei pensando como em momentos de sofrimento e tristeza ela ainda sente vontade de proferir poemas.
Muitas vezes me perdi pelo mar
Como me perco no coração de algumas meninas.
-Estou apaixonada por ti Gabriela.
Eu fiquei sem reação, Sofia sempre fora tao amável comigo, sei que as vezes ela tentava algo mas nunca pensei que fosse isso.
-Não Sofia isso.
-Shiii..
-Não fala nada, não a mais nada a se falar, apenas sentir.
Sinto os lábios de Sofia nos meus ela me empurra de encontro a parede, sua mao apertando minha nuca, enquanto a outra percorre pelo meu corpo com delicadeza como se ela estivesse gravando aquele momento.
Seu ar quente batendo contra meu queixo, seus olhos se abrem eles se encontram mais escuros.
-Eu te amo porque te amo,
-Não precisas ser amante,
-E nem sempre sabes sê-lo.
-Eu te amo porque te amo.
-Amor é estado de graça
-E com amor não se paga.
Depois de escutar mais uma declaração tentei afasta-la.
-Sofia estar confundi as coisas.
-Não estou Daniela, sua voz soava baixo e sexy.
Mais uma vez ela se aproximou, me olhou bem no fundo dos meus olhos e disse.
-Amar o perdido
-deixa confundido
-este coração.
-Nada pode o olvido
-contra o sem sentido
-apelo do Não.
-As coisas tangíveis
-tornam-se insensíveis
-à palma da mão
-Mas as coisas findas
-muito mais que lindas,
-essas ficarão.
Fim do capítulo
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