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I'm in Love With my Boss por Sweet Words

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Palavras: 4723
Acessos: 24617   |  Postado em: 00/00/0000

Noite Feliz...?

 

 

 

 

- Eu não sei o que vou vestir! Não tenho nada decente para usar!

Camila revirava seu guarda roupas quase em desespero.

- Olha esse que lindo, Baby! – Denis estendeu um modelo para que a loira analisasse.

- Não. – ela mal olhou e voltou sua atenção para os vários vestidos pendurados à sua frente.

- Você nem olhou, Camila! Esse é lindo e vai combinar com a ocasião.

- Denis, eu não sei se você percebeu, mas está nevando lá fora! Com esse vestido eu não chego viva nem na esquina.

- Foi pra isso que inventaram os casacos, meu bem.

- Não, não, não, não... – levou as mãos ao rosto e se jogou em sua cama desolada – Eu não tenho o que vestir, não tenho nada a altura.

- Você fala como se fosse a primeira vez que fosse sair com a Evellyn. – Denis sentou-se ao lado enquanto ria da agonia da amiga – Não sei pra que esse desespero todo, sabe que ela vai te achar linda, maravilhosa e perfeita de qualquer jeito, até se estiver vestida de estátua grega com um lençol branco no enrolado no corpo. – gargalhou.

- A questão não é essa, Baby. – disse se levantando e sentando ao lado do amigo – Hoje é a festa de fim de ano da empresa. Você tem noção? Eu vou estar na festa de gala da Campbell’s Corporation e não somente como uma convidada qualquer, pior, eu sou a acompanhante da dona da empresa!

- Pior? Se isso é o que você chama de pior, o melhor deve ser ótimo então!

- Para, Denis! Você me entendeu.

- Eu sei, meu amor. – gargalhou mais uma vez – Eu estou brincando com você. Entendo a sua preocupação, apesar de que se eu estivesse no seu lugar estaria radiante! Imagina só, toda a imprensa nova-iorquina, pessoas importantes, todos os funcionários estarão lá para receber você que saiu de lá como uma simples assistente e retorna como a namorada da dona da empresa!

- Ai, meu Deus! Eu não tinha pensado nisso. Eu não posso fazer feio, eu tenho que...

- Camila.

- Eu tenho que estar impecável, eu preciso estar elegante e sensual talvez?

- Camila.

- Não, sensual não. Não devo chamar muita atenção.

- Camila! – o loiro gritou e só então conseguiu a atenção da amiga – Para de ser louca, mulher! Você não é a mulher do Presidente não, é só a namorada de uma das mulheres mais bem sucedidas da cidade, talvez do país! ... É, pensando bem, você precisa estar apresentável mesmo.

- É claro que eu preciso, Denis. O problema é que eu não faço a menor ideia de como farei isso.

- Pare de reclamar que você tem muita sorte na vida. Já nasceu com esse rosto lindo de deusa aí e o corpo nem se fala! A capa que vai te enfeitar é o de menos. – disse se levantando e puxando a loira pelo braço – Agora vem que eu já sei onde te levar pra deixar você com ar de membro da realeza britânica!

 

Evellyn

 

Eu sempre gostei do Natal. As luzes na cidade, as ruas e casas enfeitadas, o clima aconchegante e o espírito de bons sentimentos que invade as pessoas nessa época. É como se nesse período, especificamente nessa data as pessoas se tornassem mais humanas. Pelo menos a maioria delas. É como se o mundo parasse por 24 horas e uma utopia de paz e harmonia tomasse conta de todos. As pessoas se tornam mais emotivas, mais serenas, são mais propensas a perdoar e a relevar os erros umas das outras. É como se por um dia o respeito e amor ao próximo fosse mais importante do que qualquer outra coisa e isso tudo em consideração a essa data. É como se os chefes dissessem aos seus subordinados: “Eu vou te dar uma folga da sua intensa jornada de trabalho porque é Natal”. Como se os que desperdiçam comida todos os dias pensassem: “Eu vou doar um prato de comida à quem necessita porque é Natal”. Como se as famílias entrassem em um consenso: “Não vamos discutir, vamos esquecer nossas desavenças e nos reunir em paz porque é Natal”. É como se as pessoas parassem para pensar em um único dia do ano e fizessem tudo aquilo que deveriam fazer no resto do ano inteiro.

Eu sempre gostei do Natal, até o dia em que o meu pai morreu. Algumas pessoas me questionam o fato de eu sempre me lembrar do meu pai, sempre me referir à ele como modelo a seguir, sempre recordá-lo e não a minha mãe. Eu amava minha mãe, essa certeza eu tenho, mas quando ela morreu eu era uma criança. Tudo bem que eu já tinha idade o suficiente para entender, mas eu tive pouco tempo com ela. Na verdade desde que me entendo por gente eu sempre fui mais ligada ao meu pai e o Marco à minha mãe. Não é que ela não me dava atenção, nós só não tivemos tempo o suficiente para criar um laço tão forte. Isso é estranho eu sei. Os filhos não têm que ter um tempo para criar laços com suas mães, geralmente esses laços se criam desde antes do nascimento, desde a concepção, desde quando as mães estão carregando aquela minúscula semente no ventre o laço já está formado. Mas no meu caso não foi assim, não sei, é como se eu tivesse criado esse vínculo com o meu pai no lugar dela. Penso que talvez tenha sido pelo fato dela ter sido uma pessoa doente. Desde que a conheci, as lembranças que tenho dela são de uma pessoa depressiva, como uma morta em vida. Me dava a atenção que podia sempre que estava bem, mas não foi suficiente para criarmos o nosso laço. E acho que isso fez com que meu pai desenvolvesse esse elo comigo.

Eu sempre tive ótimos Natais, até quando meu pai não estava mais presente. Desde então é como se eu isolasse esse dia da minha vida, como se ele não existisse pra mim. Eu fujo do mundo e vou para algum lugar qualquer onde eu não me lembre que esse dia existe. Encho a cara e fico bêbada até que esse dia acabe. Sim, foi assim que eu passei os dois últimos Natais. Bêbada em um lugar qualquer do mundo na cama de mulheres que eu sequer lembro o nome. Horrível, eu sei. Mas nesse ano tudo mudou. Tudo mudou desde que eu me dei conta e permiti a entrada dela em minha vida. Tudo mudou, ela me mudou e foi para melhor. Ela... A mulher por quem eu passei a acreditar no amor. Camila.

- Srta. Campbell?

- Sim, William. – despertei dos meus devaneios ao ouvir a voz grossa do homem à minha frente.

- Chegamos. – ele disse me alertando que já estávamos em frente ao salão de festas onde habitualmente acontecia a confraternização de fim de ano da empresa – Eu devo ir buscar a Srta. Camila agora?

- Não será necessário. O Rogers irá trazê-la.

O homem assentiu e desceu do carro para abrir a porta para me guiar pela entrada lotada de fotógrafos e repórteres. Isso seria estranho se eu não soubesse que haviam algumas personalidades famosas aí dentro. O marketing da empresa trabalha bem no quesito dar visibilidade à Campbell’s Corporation. As festas de fim de ano e os eventos mais importantes sempre contam com a presença de alguns convidados VIP’s para chamar a atenção da mídia e não tirar a empresa de evidência. Obviamente eu não dou a mínima para isso, mas não me oponho. Sempre foi assim e meu pai se orgulhava disso. Além do mais eu passei a vida inteira participando desse evento. Exceto no período da minha fase rebelde da adolescência quando eu estava sempre perdida em alguma parte do mundo em viagens intermináveis. Depois que eu entrei na empresa participei de alguns Natais com ele aqui, mas só para cumprir o protocolo e porque eu sabia que depois disso ele estaria livre para irmos comemorar o nosso Natal em família. E depois que ele se foi eu não ousei mais por os meus pés aqui. Até o dia de hoje.

- Evellyn, dê uma palavrinha, por favor? – um dos repórteres gritou.

- Evellyn, nos diga como é voltar a participar da confraternização de fim de ano pela primeira vez sem o seu pai, o fundador da empresa?

Eu nunca fui de dar importância à mídia e aos repórteres. Não posso dizer que sou uma pessoa famosa, mas sempre tivemos essa atenção porque querendo ou não o sobrenome Campbell tem um certo prestígio. O lado negativo disso é a exposição desnecessária. Já tive alguns maus momentos quando minha mãe morreu, depois quando o meu pai se foi, esse com certeza foi o pior. Ter a mídia questionando e falando sobre um assunto que me causava dor era um tormento. E por último todos esses problemas com o meu irmão. Mas para a minha sorte agora eu já tenho experiência o suficiente para fugir deles.

- Evellyn, o seu irmão, Marco, já foi encontrado pela polícia? Já se tem alguma notícia do paradeiro dele? Foi realmente ele quem matou a mulher e o amante dela?

Eu realmente não queria ouvir todas aquelas perguntas, mas só pude fingir que não ouvi. Lembrar de todos aqueles assuntos desagradáveis não estava nos meus planos hoje.

- Se afastem, por favor. – William disse ao abrir caminho para mim – Com licença.

- Obrigada. – eu disse a ele assim que adentramos pela recepção do salão de festas – Você pode ir. Deixe que o Rogers fique para nos acompanhar depois. Vá para casa ficar com a sua família.

- Eu não sei, Srta. Com essa movimentação toda eu acho melhor ficar.

- É véspera de Natal, William. Eu tenho certeza que a sua esposa e seus filhos estão te esperando para a Ceia.

- Sim, estão. Mas...

- Isso é uma ordem, senhor Robinson! – fui incisiva.

Eu sabia que ele estava louco para ir para casa ver sua família, mas o seu comprometimento com o trabalho era incorruptível. Além de sua preocupação estar fora do comum pelos últimos acontecimentos. Mas eu não poderia deixar isso interferir na minha vida e na vida das pessoas que me cercam, não mais do que já havia interferido.

 - Tudo bem. – ele disse derrotado – Eu estarei a postos, sabe que se precisar é só chamar.

- Não se preocupe, William. – sorri tentando o tranquilizar – Tenha um feliz Natal. Mande felicitações à sua família e diga aos pequenos que amanhã passarei lá para vê-los.

- Obrigada, Srta. Eles adoraram os presentes que você mandou. Tenha um feliz Natal.

- Obrigada, meu amigo. – levei a mão até seu largo ombro e bati levemente.

Antes de entrar eu cumprimentei um recepcionista que abriu as portas para mim. O mesmo me entregou um pequeno pedaço de papel com um número.

- O que é isso?

- É o seu número para concorrer aos prêmios que serão sorteados nesta noite, Srta.

Eu o encarei e sorri. Acho que ele não me conhece mesmo.

- William? – me virei e chamei o homem que já seguia em direção ao carro.

- Sim? – ele voltou rapidamente.

- Tome aqui. – o entreguei o papel que continha o número 116 – Boa sorte.

Pisquei para ele que me fitava confuso e voltei para a entrada novamente.

Entrei pelo salão e um frio na barriga me atingiu. Realmente seria a primeira vez que eu estaria ali sem o meu pai. A primeira vez que eu falaria à boa parte dos funcionários da empresa estando no comando, como responsável pela vida profissional deles. Agradeceria a todos pelo desempenho e dedicação ao longo desse ano que se passou.

- Srta. Campbell! – uma moça elegante me recepcionou com um largo sorriso – Boa noite, seja bem vinda.

- Obrigada. – sorri de volta para ela.

- Muito prazer, eu sou a Lindsay, responsável pelo evento. Estarei acompanhando a Srta. durante essa noite para seguirmos a programação.

- É um prazer, Lindsay. – apertei sua mão – Obrigada. Confesso que estou mais aliviada por saber que terei uma guia.

- Não se preocupe. – ela me sorriu calma – Eu estou aqui para isso.

Assenti e então seguimos para o salão.

Após longos minutos tirando fotos e mais fotos com pessoas importantes, famosas e outras até desnecessárias eu enfim consegui parar para beber algo. Só então me dei conta de que Camila já estava muito atrasada.

Retirei meu celular da pequena bolsa que eu carregava e olhei a tela. Resolvi ligar para ela. Duas tentativas e só caíram na caixa postal. Antes que eu pudesse tentar mais uma vez fui interrompida por Lindsay.

- Srta., me desculpe. É que está quase na hora do seu discurso. Devemos nos encaminhar para o palco.

- Não podemos esperar mais um pouco? Ainda estou esperando uma pessoa chegar.

- É que os convidados estão aguardando pelo jantar, que só será servido após o seu discurso. – ela disse preocupada.

- Tudo bem. – eu assenti.

Caminhei a contragosto até o palco iluminado onde uma banda com 4 homens de smoking tocavam seus instrumentos sem muita animação. Violoncelo, violino, piano e voz. Realmente eu deveria fazer esse discurso para que o jantar fosse servido de uma vez. Se eu fosse um dos convidados estaria com sono nesse momento.

- Lindsay. – a chamei quando subíamos a pequena escadaria.

- Sim? – ela respondeu sem parar de subir.

Assim que subimos ao palco, aproveitei que a iluminação estava focada apenas nos músicos e corri os olhos pelo salão. As mesas elegantemente dispostas ao redor e os convidados aparentemente entediados servindo-se dos aperitivos e coquetéis enquanto aguardavam o jantar.

- Por favor, – a encarei a observando arrumar o púlpito para o meu discurso – me diga que haverá mais alguma coisa nessa festa além do jantar e desses músicos entediantes.

Longe de mim querer desmerecer o trabalho da banda. Eram ótimos músicos, mas definitivamente não eram nada animadores.

Lindsay me encarou com a mesma expressão calma e o leve sorriso nos lábios que usou durante todo o tempo.

- Após o jantar teremos o habitual sorteio de prêmios os quais todos os funcionários da Campbell’s Corporation concorrerão a prêmios físicos como eletrônicos e eletrodomésticos, valores em compras em algumas das melhores lojas da cidade, e os prêmios mais cobiçados da noite, um carro esportivo do ano e duas viagens com acompanhante, uma para Paris na França e outra para as Ilhas Maldivas.

- Isso é bastante animador. – a fitei surpresa. Eu nunca tive a noção dos acontecimentos das festas da empresa. Na verdade eu nunca precisei saber.

- Sim, é sim! – pela primeira vez a vi sorrir largamente. Será que ela também participaria dos sorteios? – E após os sorteios a noite será encerrada com a apresentação do senhor Guetta.

- Guetta? David Guetta? – ok, agora eu realmente estava surpresa.

- Exatamente.

- Uau... No meu tempo não era assim.

- Nossa empresa de organização de eventos trabalha de acordo com o perfil dos nossos contratantes. Como sabemos que é a Srta. quem está à frente da sua empresa tentamos preparar tudo de acordo com o que imaginamos que a Srta. mesma faria, como por exemplo o menu do jantar, o destino das viagens, o modelo do carro e a atração principal da noite.

Incrível! Eu não sabia que as empresas de organização de eventos trabalhavam com tanta perícia assim. Realmente esse ramo evoluiu.

- Você trabalha para mim? – perguntei.

- Indiretamente sim. Por essa noite estamos aos seus serviços, Srta.

- É uma pena. Se trabalhasse você seria promovida agora mesmo.

Ela me sorriu sem graça e satisfeita ao mesmo tempo.

- Se um dia pensar em mudar de empresa ou de ramo, por favor nos procure. É sempre bom trabalhar com pessoas competentes. – essa moça vai longe.

- Obrigada, Srta. Vamos ao discurso?

Eu assenti e a vi acenar para que os músicos parassem de tocar e a luz focar em nós.

- Boa noite à todos. – ela disse ao microfone chamando a atenção de todos ali presentes – A empresa Campbell’s Corporation agradece a presença de todos nesta noite de confraternização.

Uma salva de palmas foi ouvida antes que Lindsay pudesse continuar.

- E é com grande prazer que eu convido aqui a responsável pela empresa a qual vocês trabalham e responsável também por este evento, Srta. Evellyn Campbell.

Mais uma salva de palmas e eu me posicionei no púlpito. Eu não fazia ideia do que iria dizer, não havia preparado nada e nesse momento eu só conseguia pensar no porquê a Camila ainda não havia chegado. 

- Boa noite. – sorri levemente – Vou tentar ser breve porque imagino que vocês já estejam com fome. – uma piada é uma ótima maneira de se iniciar um discurso para o qual você não se preparou. E para a minha sorte todos riram, o que deu tempo para que eu pensasse no que dizer – Bem, essa é a minha primeira vez aqui. Há dois anos eu estou à frente da Campbell’s Corporation, mas é a primeira vez que participo desse evento de fim de ano e venho aqui falar para todos vocês. Eu tive meus motivos para não ter feito isso antes, mas nesse ano eu pude perceber que esse é um dever o qual eu não deveria fugir. Esse foi um ano de muitos acontecimentos na minha vida, tanto pessoal quanto profissional e devo dizer que a maioria deles esteve relacionado à empresa. Direta ou indiretamente a minha empresa interferiu de várias formas em minha vida e só então eu pude perceber o quanto estou ligada a ela e de certa forma a vocês todos. Vocês que dão vida a tudo isso que foi construído por longos anos, primeiro pelo meu pai e que agora está sendo encaminhado sob a minha responsabilidade. E hoje eu só tenho a agradecer. Agradecer a vocês pelo excelente trabalho que continuaram desempenhando mesmo depois do falecimento do meu pai. Vocês são o coração da Campbell’s Corporation. Muito obrigada a todos.

Mais palmas e até alguns gritinhos femininos foram ouvidos. Agora eu realmente espero que Camila ainda não tenha chegado.

- Obrigada. – sorri um pouco sem jeito antes de continuar – Bem, apesar de alguns acontecimentos muito negativos terem me afetado e também a empresa nesse ano, a maioria já está resolvido e o que ainda não está, em breve será.

Enquanto eu falava, passava os olhos por todo o salão. Os olhares atentos sobre mim, as expressões, os rostos conhecidos e outros os quais eu nem fazia ideia de quem seriam. Foi então que em meio a todos ali meus olhos focaram em um rosto com uma feição bastante conhecida por mim. Meu coração parou e logo em seguida se acelerou numa velocidade absurda. Parei por alguns segundos para observar, mas a luz que focava em mim atrapalhava a minha visão. Foram poucos segundos, mas era como se tudo houvesse passado em câmera lenta e num piscar de olhos já não estava mais ali. Olhei por todos os lados do salão tentando não transparecer o meu nervosismo, mas já havia sumido dali. Engoli com dificuldade a saliva que se formou em minha garganta e respirei fundo para então continuar.

Tudo bem, você só está nervosa.

- Apesar de tudo eu só tenho a agradecer, – continuei a falar – foi um ano intenso, mas eu tive e tenho muito o que comemorar, pois descobri que tenho pessoas maravilhosas em minha vida quando pensava que estava sozinha e não tinha mais ninguém. Eu vou citar aqui três pessoas em especial e elas sabem o porquê. O meu muito obrigada à Susan Miller, hoje a minha vice presidente. Ao meu motorista William Robinson. – e agora eu realmente gostaria que ela estivesse aqui – E à uma pessoa que se tornou mais que especial em minha vida. Camila Clarke.

E foi então que eu a vi entrar pelo salão. As grandes portas se abriram chamando a atenção de todos e a figura da mulher mais linda que eu já vi em toda minha vida apareceu como uma visão de uma das maravilhas do mundo.

Foi impossível não sorrir ao vê-la sem graça ao perceber que todos a olhavam. Ela olhou em volta sem jeito e então focou seu olhar em mim, que sorria feito boba para ela. Ela devolveu o sorriso e eu poderia ficar ali horas e horas a admirando. E eu teria ficado se não fosse a Lindsay pigarreando levemente atrás de mim para me lembrar que eu tinha um discurso para terminar.

- Então... – eu voltei a olhar a platéia que sorria para mim como se soubesse o que tinha acabado de acontecer ali. Talvez soubessem mesmo. – Eu espero que gostem da festa. Foi feita em agradecimento a vocês pelo belo trabalho desempenhado durante todo o ano. E... é isso. Tenham todos um feliz Natal e boas festas.

Mais uma salva de palmas ecoou pelo ambiente e eu rapidamente saí dali para evitar maiores constrangimentos pela minha falha no final do discurso.

- Eu espero que não tenha sido muito ruim. – disse para Lindsay enquanto descíamos do palco.

- Não se preocupe, Srta., foi ótimo.

- Será que alguém percebeu o meu desajeito no final? – a encarei receosa quando já estávamos embaixo.

- Creio que não. Mas talvez o motivo sim. – ela me sorriu e olhou para algo atrás de mim.

Me virei e então encontrei o motivo.

- Com licença. – Lindsay se despediu educadamente e logo saiu dali.

- Me desculpe, não era a minha intenção te desconcentrar. – ela disse com o sorriso mais lindo do mundo nos lábios.

- Ficou tão perceptível assim?

- Um pouquinho.

- Desse jeito você compromete a minha imagem diante de todos os meus funcionários, Srta. Clarke.

- Está com medo que saibam que embaixo de toda essa pose rigorosa de chefe autoritária há uma mulher que perde todas as estruturas simplesmente por estar apaixonada?

- Isso não me preocupa. Me incomodei mais com os olhares direcionados à você.

- Ciumenta e possessiva, Srta. Campbell?

- Não. Orgulhosa por ter uma mulher maravilhosa como você ao meu lado.

Ela sorriu sem jeito e eu agradeci aos céus por ter conseguido deixá-la sem fala. Odeio quando deixo meu ciúme ficar tão aparente assim.

- Uma foto, por favor? – um dos fotógrafos da festa se aproximou.

Eu assenti e vi Camila se posicionar ao meu lado. Distante demais. Passei meu braço em sua cintura e a puxei para mim.

- Assim está melhor. – sussurrei.

Depois de alguns flashes o rapaz se aproximou novamente.

- Qual nome devo colocar na legenda das fotos?

- Coloque, Evellyn Campbell e Camila Clarke, sua namorada.

O rapaz nos encarou surpreso e depois de alguns segundos sorriu sem graça.

- Perfeitamente. Obrigado, Srtas. – disse por fim e saiu dali.

- Acho que ele ficou surpreso. – Camila disse achando graça.

- Acho que sim.

 

A festa seguia animada. O mais engraçado é que nada havia mudado desde que eu cheguei. Simplesmente a presença da Camila havia mudado o meu humor. Eu ainda me surpreendo com o poder que essa mulher exerce sobre mim.

Esse ano foi realmente um ano cheio de acontecimentos, tanto bons quanto ruins. Mas o fato é que todos eles serviram para mudar a minha vida e mudar para melhor. O principal e melhor de tudo é que ganhei uma nova família. A Emma já estava se habituando a morar comigo e me ter como sua única família. No início foi um pouco difícil, quando ela soube do que havia acontecido foi uma situação complicada de lidar, mas eu tive ajuda de todos os lados, ajuda profissional, ajuda dos empregados lá de casa e principalmente da Camila. Ela se afeiçoou tanto à pequena e a Emma à ela que às vezes eu até sentia ciúmes.

E falando em família, eu pude conhecer o Matt, filho da Susan. Ele é um garoto incrível e muito inteligente. Eu prevejo um futuro brilhante para ele e se ele seguir os dons que herdou do meu pai, tem muitas chances de um dia estar à frente da nossa empresa.

Enfim estava tudo se encaminhando da melhor forma possível. A minha vida estava entrando nos eixos de uma forma que eu nunca imaginei, mas hoje eu tenho a certeza de que as coisas não poderiam estar melhores e se eu pudesse voltar no tempo e escolher, tudo estaria exatamente assim.

Depois do jantar o sorteio começou e foi muito divertido. Fiquei muito feliz quando o Evan ganhou o carro. Ele merece muito.

- E agora sortearemos uma viagem com acompanhante para Paris, na França. – ouvi um dos organizadores da festa anunciar – Vamos lá... – ele aguardava enquanto o número era sorteado – Número 116!

Palmas e gritos frustrados foram ouvidos e eu quase comemorei na mesa onde eu estava com Camila.

- Ah! Não acredito! – eu disse em voz alta.

- O que foi? – ela me olhou confusa.

- O William, esse é o número que eu dei para ele! Ele ganhou a viagem!

- Sério? – me encarou surpresa.

- Sim! Eu vou ligar para ele agora para contar, ele vai ficar feliz. Está precisando de umas férias mesmo. Eu acho que vou dar as passagens para as crianças irem também, o que você acha?

- Eu acho ótimo, Evellyn! Você é uma mulher maravilhosa, sabia? – ela me puxou para um selinho rápido.

- Com você me dizendo isso eu até acredito. – sorri boba para ela.

- Você também está concorrendo aos prêmios?

- Não, eu não posso. Tecnicamente sou eu quem está dando os prêmios, não seria ético da minha parte concorrer também. Por quê?

- Ah... Porque eu gostaria de concorrer a uma viagem para as Ilhas Maldivas. Lá é lindo!

- Você já foi?

- Não, mas é um dos meus destinos dos sonhos.

- Não seja por isso. Podemos ir quando você quiser.

- Quando eu penso que você não pode ser mais maravilhosa você ainda me surpreende.

Eu sorri para ela e me senti completa de felicidade. Há muito tempo eu não sabia o que era ser feliz assim e se depender de mim nunca mais deixarei de ser.

A noite ficou melhor ainda depois que o David Guetta começou a tocar. Camila adorou conhecê-lo e eu também. Quando saí de casa não imaginei que a noite seria tão boa quanto foi. Quando já não nos agüentávamos em pé decidimos ir embora. Não saí sem parabenizar mais uma vez a Lindsay que cuidou para que tudo na festa saísse perfeitamente bem. E é claro que reforcei mais uma vez o meu convite para ela trabalhar na minha empresa. Hoje em dia está muito difícil encontrar pessoas competentes e que trabalham tão bem no que fazem.

Saímos do salão e os flashes focaram em nós. Acho que a notícia já havia se espalhado entre os repórteres e o nosso relacionamento que até então se mantinha discreto acabava de ser divulgado para a imprensa nova-iorquina.

Rogers que já nos esperava abriu a porta do carro e entramos rapidamente. Poucos segundos depois ele entrou no carro e saiu dali. Estranhei o fato dele ter sido tão rápido, mas não me incomodei tanto quanto o fato dele estar correndo demais.

- Rogers, não precisa correr tanto. Vá mais devagar.

Camila que estava ao meu lado já o encarava assustada pela alta velocidade.

- Rogers! – falei mais alto e só então eu pude focar os olhos nele.

Um arrepio tomou conta do meu corpo e meu coração repetiu o que havia feito durante o meu discurso. Parou por um segundo e então acelerou absurdamente. O homem ao volante olhou para o lado com um sorriso irônico no rosto e fez ecoar aquela voz que me causava as piores sensações que eu já havia sentido na vida.

- Feliz Natal, irmãzinha!

 

 

 

 

Fim do capítulo


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Comentários para 39 - Noite Feliz...?:
Lea
Lea

Em: 01/01/2023

E o final foi totalmente fora do que poderíamos imaginar!

Responder

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Cacavit
Cacavit

Em: 16/02/2021

Muito inteligente esse Marco, esperou até que todos abaixassem a guarda e não mais o esperassem, logo nessa época do ano.

Sujeito desagradável!!

Responder

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Val Maria
Val Maria

Em: 07/01/2017

Está estória já está terminanda mas quero comentar por que eu simplesmente me apaixonei por ela. 

Parabéns autora. 

Responder

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rhina
rhina

Em: 06/01/2017

 

Marco ...Marco...

o que este sujeito vai aprontar. ...

uma noite perfeita e este fórum nada agradável 

rhina

Responder

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