Capítulo 1

Capítulo único

de A dona do jogo , por Carla Gentil

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- Decididamente, eu tenho estilo!

 

Não se tratava de uma surpresa. Em frente ao espelho que a emoldurava com perfeição, já pronta para a festa, simplesmente constatava o de costume: estava fatal!

 

Uma taça na mão, seus instintos de caçadora aguçados, era só encontrar a presa certa. Naquela noite, o jogo seria de dominação. Precisava pegar alguém forte, que oferecesse resistência. Era muito melhor adestrar assim. Sabia bem quem seria.

 

E lá estava ela. A peça ideal para enfileirar sua coleção.

 

O objeto de desejo não era a mulher mais linda do salão. Não era a que tinha o maior círculo de amigos, nem ostentava uma aura de poder. Estava longe de ser a mais desejada. Porém, era a única que nunca lhe dera oportunidade. A única que fechava em sua cara as portas e as pernas.

 

- É hoje que mudamos este jogo - disse resoluta, deixando a taça nas mãos de alguém que passava.

 

Aproximou-se como quem tudo quer. Recebeu um olhar gelado capaz de esfriar o fogo e esquentar-lhe as vísceras. Sem sombras de dúvidas era a mulher a se conquistar.

 

- Preciso conversar com você.

 

- A música está alta para conversas.

 

- Parece que não te impediu até agora - olhou as pessoas que se afastavam discretamente.

 

- É verdade, foi o que cansou os meus ouvidos. Com licença - após um passo, sentiu seu braço ser agarrado com firmeza.

 

- Espera, vamos para o jardim.

 

- Não gosto do perfume daquelas flores. Com licença - com um gesto ainda mais firme, livrou-se da mão que ainda a segurava.

 

***

 

Já era a terceira vez que conferia os detalhes no espelho. Não que algo não estivesse perfeito, constatava. Porém, precisava de mais do que a perfeição. E a insegurança, sua desconhecida, começava a rondar.

 

Desde a última festa tinha se resolvido a conquistar aquela mulher arrogante, que ousava não querê-la, apesar de ser a escolhida.

 

- Eu troquei as flores do jardim.

 

- Estive lá, está frio. Com licença, preciso ir para casa. Esta música baixa me deu sono - virou-se rápido o suficiente para fugir das mãos que novamente tentariam retê-la.

 

Não foi daquela vez. Nem na próxima, com a estufa, ou na outra com o som nem alto nem baixo.

 

A cada festa, o espelho se mostrava motivo de desgosto crescente. A perfeição não era mais tão óbvia a seus olhos.

 

Trocou o cabeleireiro algumas vezes. Mudou o estilo de roupa. Experimentou lentes coloridas, tirou fotos com crianças carentes. Nada comovia aquela mulher. Nada!

 

Já nem se lembrava de quando fizera sexo pela última vez. Não queria mais ninguém, estava obcecada. Sabia disto. Precisava tê-la antes que seu ego se tornasse um tapete. Ainda que persa, naturalmente.

 

As festas já não a interessavam. Parou de organizá-las. O jardim virou concreto e não quis mais ouvir música: nem alto nem baixo, nem agitada, nem lenta, moderna ou de câmara. Silêncio!

 

 E foi no silêncio que decidiu ir atrás dela. Pediu uma oportunidade. Implorou. Prometeu se submeter. E foi assim que ouviu:

 

- Este, minha cara, foi só um jogo de dominação... Onde a dominada sempre foi você.

Fim do capítulo

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Conversa

Comentários

3
M

Monica Franca

31/05/2017 às 13:14

Uau...essa sabe dominar.

rsrsrsrsrs

Bjos



Resposta do autor:

Deu um baile na dondoca  :P 

 

Beijinhos, querida 

Foto de Nay Rosario

Nay Rosario

13/08/2016 às 16:02

Olá,moça.
Confesso que tenho uma predileção por este conto desde que o li pela primeira vez no FatorX. 
Bom rele-la.
Abraços.



Resposta do autor:

Eis que se trata de uma confissão que muito me agrada! 

 

Beijinhos  o/ 

R

rhina

03/08/2016 às 17:59

 

Olá. 

Sempre tem os dois lados. 

Cara que maravilha. 

Até. 

Rhina. 



Resposta do autor:

Menina! Tinha escapado esse comentário! Desculpa... 

Pois então, tudo tem sempre múltiplos lados e a gente meio que se perde lutando por um só, como se verdade absoluta existisse. 

 

Beijinhos o/ 

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