Capítulo 5
Meu corpo reagia ao toque suave de suas mãos em minha cintura, minhas mãos pararam em sua nuca, ela me empurrou até a parede e suas mãos começaram uma carícia mais ousada, envolvente, eu não podia me entregar, mas eu queria, meu corpo queria, minha alma queria, mas fomos interrompidas pelo barulho de passos na escada.
Me afastei, recobrei a consciência, eu não podia ter cedido, como os passos cessaram, me apressei em dizer.
-- Isso não vai mais acontecer, você me entende? Eu não quero mais.
-- Não foi isso o que eu senti.
-- Você acha que é só chegar e pegar? As coisas não são mais assim Fran, meu corpo pode dizer o contrário, mas minha razão diz que não.
Saí em direção ao banheiro, precisava me recompor, não podia sair assim, as pessoas entenderiam o que havia acontecido. No banheiro olhei no espelho para ver o tamanho do estrago, era grande, meus lábios estavam inchados e vermelhos, pela primeira vez o fato de ser tão clarinha me aborreceu.
Lavei o rosto com água fria torcendo para que assim, pelo menos o vermelho em volta dos meus lábios diminuíssem, foi em vão. Batidas na porta do banheiro me trouxeram de volta, quem poderia ser?
-- Vlá, é a Pietra, abre, por favor. – Abri a porta.
-- Não Vládia, não acredito que você deixou acontecer.
-- Para Pí, eu já estou me sentindo um lixo, não precisa você jogar na minha cara também.
-- Desculpa, não era isso que eu queria dizer.
-- Eu me odeio Pietra, odeio admitir que ela ainda mexe comigo, que seu beijo me tira a razão, não quero Pietra, não quero mais.
Lágrimas desciam no meu rosto, lágrimas de vergonha, de arrependimento e principalmente de raiva, raiva por saber que ela ainda era muito importante para mim.
Pietra me abraçou e deixou que eu chorasse, precisava colocar para fora toda a angústia que oprimia meu peito.
-- Minha amiga eu sei que o coração apronta com a gente, mas você sabe que precisa decidir né? A Pâm não merece isso.
-- Eu sei Pietra, eu quero ficar com a Pâm, ela me dá segurança, com ela as coisas são tranquilas, mas quando a Francis aparece, minhas estruturas ficam abaladas.
-- Então vamos lá para piscina, daqui a pouco vão desconfiar, mas antes precisamos dar um jeito na sua cara, você já experimentou lavar com água fria?
-- Já, mas se só com os lábios não funcionou, imagina agora com a cara toda.
-- Tive uma idéia, como anda sua rinite?
-- Faz tempo que eu tenho uma crise, por quê?
-- Vamos providenciar uma crise para você então, se você começar a espirrar seus olhos vão lacrimejar e você ficará vermelhinha naturalmente.
-- Nem vem Pietra, vai acabar com o meu dia.
-- É isso ou você vai ter que explicar essa cara inchada, o que me diz?
-- Você venceu, mas como vai me arrumar uma crise?
-- Vem comigo, ganhei um perfume Frances da minha irmã, ele vai ser perfeito para sua crise.
Fomos para o quarto dela em busca da minha crise de rinite, pelo frasco do perfume imaginei que ele deveria ser doce e se assim fosse, em menos de 5minutos eu estaria com minha rinite de volta.
-- Se eu não tivesse sido fraca, nada disso estaria acontecendo, estou me sentindo com oito anos, já fiz isso só para minha mãe me deixar faltar da escola. – Rí com a lembrança.
-- Você não foi fraca branquinha, a Francis que não presta, agora me deixe passar um pouquinho do perfume entre sua boca e seu nariz.
-- Não, assim as pessoas vão sentir o cheiro e para chegar à conclusão de que essa crise foi provocada é uma questão de somar dois mais dois.
-- Então como vai ser?
-- Passa em você e eu vou sentir o cheiro na sua pele, se ele for doce o suficiente, isso vai bastar.
-- Você quer cheirar meu pescoço né safada? – Me deu um tapa no braço.
-- Não precisa ser no pescoço, pode ser até no pé, se bem que não é má ideia cheirar seu pescocinho. – Rimos juntas.
-- Tá bom vai, chega de brincadeira.
Ela passou um pouco do perfume no pulso e esticou a mão para que eu sentisse o cheiro.
-- Pronto, agora é só você cheirar meu pulso.
Peguei a mão dela e me aproximei do pulso, meu nariz ardeu no momento em que eu senti o cheiro daquele perfume, era muito doce e como prevíamos, em poucos segundos comecei a espirrar.
Peguei meus óculos de sol e fui com Pietra e meus espirros em direção à piscina. O sol estava alto e as meninas conversavam animadas na beira da piscina. Pâm e Silvinha estavam na água, Paulinha e Francis embaixo do guarda-sol.
-- Pâm, encontrei a Vládia, morrendo de espirrar no banheiro, acho que a rinite dela deu sinal de vida.
Pâm saiu da água e veio me encontrar, me abraçou e me deu beijo que tive que interromper devido a mais um espirro, ele me apertou em seus braços, me senti a pior pessoa na face da terra.
-- Vlá, você está bem, precisa de alguma coisa? – “Um buraco para eu me jogar seria bom” pensei.
-- Nada não meu anjo, daqui a pouco passa, acho que foi a poeira que atacou.
Paulinha veio em minha direção com uma lata de cerveja na mão.
-- Tome aqui o seu remédio, uma dessa de meia em meia hora vai resolver todos os seus problemas, ou te arranjar mais alguns, depende da dosagem.
-- Obrigada Paulinha.
Sentamos todos em uma mesa ao lado da piscina e a conversa fluía tranquilamente, mas eu sentia os olhos de Francis em mim, às vezes ela ria sozinha e balançava a cabeça, eu daria tudo para saber o que colocava aquele riso fácil em seus lábios. Pâm e Silvinha voltaram para água e Paulinha chamou Pietra para pegarem os petiscos na cozinha, me vi sozinha com a Francis.
-- Crise de rinite então? Bem original. – Francis falou alto o suficiente para que eu ouvisse.
-- Vê se me esquece Francis, você é a culpada da minha crise de rinite.
-- Boba, mas agora é sério, você exagerou seu nariz tá uma bolota vermelha, você não anda mais com aquele antialérgico na bolsa?
-- Por acaso não ando mais, fazia quase dois anos que eu não tinha uma crise, acho que nem tenho mais, quanto ao meu nariz, é natural, pois ele está coçando demais, mas já melhora, não precisa se preocupar. – Falei com um tom de desdém.
-- Ok, entendi o recado, mas ainda acho que você deveria ir até a cidade para comprar um antialérgico.
-- Não preciso. – Encerrei assim o diálogo.
O dia passou tranquilo, Francis não me provocou mais, as meninas resolveram jogar vôlei, eu como não estava bem fui em direção a casa e me deitei na rede, peguei no sono. Acordei já estava escuro, procurei meu celular para ver as horas, já passava das 19hs, tinha uma manta sobre mim, mas eu não me lembrava de tê-la pego, caminhei em direção à cozinha, minha garganta estava seca, precisava de água, lá encontrei Dona Maria e perguntei pelo povo daquela casa.
-- Elas foram até a cidade para comprar bebidas e um remédio para sua alergia, a menina estava com febre lá na rede, eu a cobri com uma manta, mas eles não devem demorar, tome esse chá que eu fiz para você, é tiro e queda. – Me estendeu uma caneca que mesmo não gostando de chá peguei e tomei sem brigar.
Agradeci e fui para sala, sentei em frente à TV e fui mudando de canal sem prestar muita atenção no que estava passando. “Deve ser castigo”, pensei comigo mesma, “quem manda ficar fazendo merd* pelos cantos”. Eu sentia frio, acho que a febre não tinha baixado totalmente, peguei a manta na rede e deitei no sofá, dormi de novo, acordei com beijos em meus lábios, sem abrir os olhos retribuí, era um beijo gostoso, conhecido.
-- Pâm você tem um beijo delicioso.
O beijo cessou e abri meus olhos, quase caí do sofá com o pulo que eu dei, Francis estava na minha frente sorrindo.
-- Docinho, você sequer sabe a diferença entre o meu beijo e o dela, mas tudo bem, você me beijou como sempre. – Saiu da sala com um sorriso vencedor nos lábios.
-- Droga, burra, burra e burra. – Soquei a almofada em meu colo.
Afundei no sofá e cobri minha cabeça com a manta, pouco tempo depois senti mãos tocarem meu braço na altura do meu ombro.
-- Vlá, acorda branquinha. – A voz de Pietra era quase um sussurro.
-- Já tô acordada Pietra. – Descobri minha cabeça para olhar pra ela.
-- Desculpe pela sua crise de rinite amiga, estou me sentindo péssima por ter tido essa ideia.
-- Não foi você que fez besteira, fui eu, não precisa se desculpar.
-- Eu sei, mas quem teve a ideia genial fui eu, você tá melhor? Pelo menos a febre baixou. – Disse colocando a mão em minha testa para ver a temperatura.
-- Eu estou bem melhor, pelo menos os espirros pararam, minha barriga já estava doendo de tanto espirrar.
-- Dona Maria tá fazendo uma sopa para você, depois que você comer vou te dar o remédio, amanhã você vai estar perfeita, agora deite aí e fique quietinha ok? – Deu um beijinho em meu rosto e foi para cozinha.
Deitei de novo, meu corpo todo doía à crise realmente me derrubou, não sei se foi por castigo ou porque fazia muito tempo mesmo que eu não tinha uma.
-- Acordou faz tempo minha linda? – Pâm sentou-se ao meu lado no sofá.
-- Não, faz pouco tempo. Estraguei o fim de semana né?
-- Por que ficou doente? Não diga bobagens minha linda.
-- Mas estraguei, de qualquer forma, amanhã estarei bem melhor, agora vem aqui que eu preciso de beijinhos. – A fiz deitar ao meu lado, envolvi em meus braços e a beijei.
O beijo era calmo, doce, mas começou a se tornar urgente, minhas mãos começaram a passear pelas costas dela por baixo da camiseta, ora alisando suas costas, ora arranhando de leve com as unhas, Pâm me apertava cada vez mais em seus braços, um gemido escapou de sua boca, automaticamente minhas mãos passaram a acariciar seus seios, desci minha boca pelo pescoço, beijando, mordendo, parei no ouvido e sussurrei.
-- Gostosa...Você é um tesão Pâm....Me enlouquece...
Ela gem*u mais alto, coloquei a manta por cima dela também e acariciei sua barriga olhando-a nos olhos, descendo minhas mãos até o cós do shorts que ela usava, ela segurou minha mão, e disse.
-- Você tá dodói minha linda, teve febre e tudo.
-- Suar faz a febre baixar.
-- Pode aparecer alguém, estamos na sala e as meninas estão ali na varanda.
-- É só a gente não fazer barulho.
-- Falar é fácil né? Você...
Não deixei mais ela falar, a beijei com intensidade, meu corpo queria o dela, desejava senti-la, ela se entregou ao beijo, quando percebi que ela já não comandava mais seu corpo, deslizei minha mão para dentro do shorts dela que era de elástico na cintura, toquei por cima da calcinha, ela gem*u em meu ouvido, comecei movimentar por cima da calcinha, ela se contorcia e se policiava para não fazer barulho, arranhava minhas costas, dizia coisas desconexas, afastei a calcinha e a penetrei, comecei alternando os movimentos, sabia que assim a teria totalmente entregue a minha vontade, eu já estava fora de mim só de sentir ela entregue daquele jeito, ela se segurava ao máximo para não fazer barulho, desceu as mãos pela lateral do meu corpo, afastou a lateral do meu shorts e me penetrou, olhei-a nos olhos e ela começou um movimento no mesmo ritmo, não resisti e beijei seu pescoço, sua orelha, sua boca, seu queixo ela sussurrou em meu ouvido.
-- Goz* comigo vem...
Nossos corpos estremeceram ao mesmo tempo, foi intenso, foi insano, se alguém entrasse agora saberia exatamente o que tinha acabado de acontecer ali.
-- Vládia, você precisa parar de tirar minha razão, isso foi uma loucura e se alguém entra, já pensou?
-- Você é irresistível, não tenho culpa se meu corpo se acende com sua presença, mas por um momento me pareceu que você tinha gostado.
-- Eu amei, você foi perfeita, como sempre, só foi difícil segurar a vontade louca que eu tinha de gem*r no seu ouvido, de gritar seu nome. – Me olhou com os olhos cheios de desejos.
-- Para, que assim eu não resisto e começo tudo de novo. – Beijei seus lábios com desejo.
Comecei a acariciar seu corpo e o beijo se fez urgente quando alguém gritou na porta da sala.
-- Ela já está ótima meu amor, ela e a Pâm já estão quase se comendo no sofá. – Pulei e vi Paulinha gargalhando encostada na porta de tanto rir.
Joguei uma almofada nela e voltei a beijar Pâm que escondia seu rosto em meus ombros.
-- Relaxa meu anjo, ela não viu nada demais, só estava botando pilha.
Me levantei e puxei uma Pâm envergonhada em direção a varanda para sentarmos junto com as meninas, como só tinha uma espreguiçadeira, a dividi com a Pâm.
-- Zammorah, e eu pensando que você estava doente, se eu não chego bem na hora, não sei o que vocês teriam feito. – Paulinha disse apontando para Pâm que enterrava o rosto em meu ombro.
Pisquei para Paulinha e devolvi o comentário.
-- Se você tivesse chego 5 minutos antes teria visto o que estava preste a se repetir naquela hora. – Pâm me deu um tapa no ombro e tentou se justificar para uma Paulinha que fazia cara de abismada.
-- Paulinha é mentira, não ia se repetir nada, quer dizer, ah.. nem chegou a acontecer nada. – Se embaralhou toda na hora de explicar
-- Não acredito que vocês tiveram coragem de trans*r no sofá da minha casa? – Paulinha estava deixando a Pâm cada vez mais sem graça.
-- Não fizemos nada no sofá da sua casa Paulinha.
-- Pâm, se o que aconteceu lá for nada, você fingi muito bem meu anjo.
-- Vládia, para com isso, você sabe bem que eu não podia... – Deu um tapa na testa quando percebeu que se entregou.
A risada foi geral e como Pâm viu que não tinha jeito negar, simplesmente riu também, a única pessoa que não ria com o mesmo entusiasmo de todas era Francis que estava em uma cadeira mais afastada.
Passada a crise de riso, procurei meu cigarro em meus bolsos e não encontrei, olhei em cima da mesa e vi que tinha uma carteira lá, devia ser da Francis, me estiquei e alcancei a mesinha.
-- Posso pegar um? O meu eu acho que tá no quarto. - Pedi para ela.
-- Claro, fique a vontade. – Pegou o cigarro, acendeu e me entregou.
Fomos jantar, as meninas comeram pão com frios e eu tomei a sopa que Dona Maria havia feito para mim. Os espirros voltaram depois do jantar e eu comecei a sentir os incômodos da crise novamente.
Ficamos papeando até a uma da manhã, depois cada um foi para seu quarto para dormir, Pâm e eu fizemos amor mais uma vez e ela logo foi para os braços de morfeu, eu não conseguia dormir, meu nariz estava queimando, resolvi tomar o antialérgico, levantei, peguei o comprimido e fui para cozinha pegar água.
Tomei o remédio e estava voltando para o quarto, passei pela sala e resolvi sentar no sofá um pouco, estava sem sono e detesto ficar na cama esperando o sono chegar.
-- Sem sono também Vládia? – Era a voz da Francis.
-- Cadê você assombração? – Perguntei rindo, mas era de nervo.
A luz do abajur acendeu e eu a vi ali, sentada na poltrona do outro lado da sala.
-- Tô, vim tomar o remédio, não aguento meu nariz assim.
-- Ele tá queimando né? – Claro que ela sabia o que me incomodava, afinal, ela passou 4 anos comigo.
-- Tá, mas já melhora, é que eu estou sem sono e eu não... – Ela me interrompeu.
-- Não gosta de ficar deitada esperando o sono chegar, eu me lembro.
O silêncio pairou na sala, a visão daquela mulher sentada, com uma xícara na mão, de baby doll, era desconcertante.
-- Vou pegar um cigarro, você quer? – Ela me tirou dos meus pensamentos.
-- Quero sim, será que tem café na cozinha?
-- Tem sim, eu mesma fiz, vou pegar para mim, você quer?
-- Uhum, por favor.
Ela voltou da cozinha com duas xícaras, me entregou uma e apontou a porta da sala para que saíssemos para fumar, eu peguei a xícara e a segui. Lá fora o tempo estava gostoso, acho que finalmente a febre tinha ido embora por completo, Francis acendeu o cigarro e me entregou, terminei o café e coloquei a xícara em cima da mesinha, Francis estava calada e olhava para o nada, parecia que estava longe.
-- Me desculpe Vládia.
-- Desculpar pelo que?
-- Afinal de contas sua rinite é culpa minha, eu sei que ela só ataca assim quando você sente cheiro muito forte, como de perfume por exemplo, e sei que você não enfiaria o nariz em um vidro de perfume a toa.
-- Não foi nada disso.
-- Eu vi como seus lábios ficaram Vlá, e escutei você chorando no banheiro então, não tente negar.
-- Eu não podia aparecer daquele jeito, na hora me pareceu uma boa ideia, mas não achei que eu iria ficar desse jeito, acho que foi castigo. – Dei um sorriso amarelo.
-- Essa ideia tem cara da Pietra.
-- É, foi ela mesmo que teve a ideia brilhante de me dar um perfume Frances para cheirar.
-- Frances? Está louca Vlá? Por isso que você está desse jeito.
-- É muito forte.
-- Ah menina, você quando faz arte parece uma criança.
-- Eu sempre vou ser uma criança Fran, pelo menos internamente.
-- Vlá, você é quase uma trintona, mas com corpinho de vinte, cabeça de quarenta e alma de sete.
-- Ei, calma aí, eu estou longe dos trinta. – Fiz cara de brava.
-- Vládia e seu medo de envelhecer. – Ela balançava a cabeça enquanto ria.
-- Não tenho medo de envelhecer, apenas não me agrada a ideia de ficar toda enrugada, já imaginou eu toda enrugada, ai que horror. – Tampei meu rosto com as mãos.
-- Boba, você continuaria linda, pelo menos para mim, além do que, se não quiser rugas é só fazer plástica.
-- De jeito nenhum, você sabe que não gosto de ir nem ao médico, imagine fazer plásticas.
-- Eu me lembro que você tem medo de médico, de baratas, de altura, ainda me pergunto como você viaja de avião.
-- Somente pela praticidade, imagina eu indo tocar no RJ de busão? 3 dias para chegar.
-- Sinto falta do seu humor sabia? Você sempre me fez sorrir.
-- Francis, eu vou me deitar. – Não iria continuar aquele papo, sabia muito bem onde acabaria.
-- Relaxa Vládia, não vou te agarrar, estamos apenas conversando, fica mais um pouco, por favor. – Tinha sinceridade em seus olhos, me sentei de novo.
-- Tem mais café na cozinha Fran? – Ela acenou a cabeça afirmativamente.
-- Vou pegar mais um pouco, você quer?
-- Quero sim, mas assim o sono não vem mesmo.
-- Ele não vai vir de qualquer forma, dormi muito a tarde. – Fiz cara de criança e saí.
Peguei as xícaras de café e fui buscar na cozinha, não tinha muito, então coloquei água na cafeteira e liguei, em pouco tempo o café ficou pronto, coloquei nas xícaras e voltei para a sala, Francis estava com a cabeça encostada no sofá de olhos fechados, por um momento eu pensei que ela estivesse dormindo, mas ela abriu os olhos e sorriu pra mim, era aquele sorriso que eu me lembrava, que me aquecia a alma, ela se levantou sem graça, caminhou até mim e pegou a xícara de café.
-- Que cheiro gostoso, você fez mais?
-- Fiz, tinha só um pouquinho.
-- Vamos lá fora para o último cigarro da noite?
-- Vamos Dona Francis. – Brinquei como antigamente quando ela falava em tom de ordem.
Caminhamos até a varanda, ela acendeu os cigarros, me entregou um e foi para o gramado que tinha em frente à casa e sentou. Ficamos em silêncio bebendo café e com nossos pensamentos.
Me sentei no degrau da varanda para ver o céu, estava perfeito, as estrelas pareciam estar mais próximas da terra.
-- Você lembra quando vínhamos aqui e ficávamos até quase o dia amanhecer vendo esse céu estrelado? – Perguntou Francis.
-- Lembro, parece que foi ontem, nem parece que já se passaram mais de 2 anos.
-- Você não parava de falar um minuto, parecia uma matraca. – Ela ria da minha cara com a lembrança.
-- Lembro, mas lembro também quando formigas morderam seu bumbum e você levantou gritando.
-- Ah, para Vlá, você sabe que eu tenho alergia a picada de formiga.
-- Eu sei, você ficou com o bumbum cheio de bolinhas inchadas, teve até febre.
-- É, e você cuidou de mim, assim como quando operei meu joelho, quando tive pneumonia, você sempre esteve lá por mim, não me lembro de ninguém mais cuidando de mim.
-- É..
-- Vlá, porque será que não conseguimos ficar juntas?
-- Nós ficamos, talvez não como eu gostaria mas ficamos. Você sempre foi livre demais Francis, não nasceu para ser presa, por isso eu nunca cobrei nada.
-- E agora, por ironia do destino, eu te quero mais do que qualquer pessoa e é você que não me quer.
-- Nosso tempo já passou Francis, tivemos a oportunidade de fazer dar certo, mas desperdiçamos.
-- Pode ser, mas acho que nosso tempo ainda não passou totalmente.
Fiquei pensando no que ela me disse, tomei o que ainda restava do meu café, peguei outro cigarro e vi Francis com o olhar perdido, mirando o nada.
-- Vlá, como vai ser? Segunda ela vai embora, e daí, como vai ser?
-- Não sei, no começo viveremos na ponte aérea, depois veremos quem se mudará para onde.
-- Você acha que namoro a distancia dá certo Vlá?
-- Claro que dá, tem tanta gente que vive assim.
-- Mas não você, aposto que em menos de 1 mês você já vai estar pirando.
-- Porque você acha que eu não vou conseguir?
-- Simples, você é a pessoa mais apaixonada que eu conheço, você não sabe viver longe, necessita de beijos, carinho, de fazer amor.
Senti meu rosto esquentar, eu deveria estar um pimentão, era incrível como ela me conhecia, eu sabia que não seria fácil, mas estava disposta a fazer a coisa acontecer.
-- Ei docinho, você sabe que se quiser alguém mais próximo é só me chamar. – Ia se aproximando de mim quando a impedi com minhas mãos em seus ombros.
-- Relaxa Vlá, minha boca só tocará a sua novamente quando você me pedir, e eu sei que você vai pedir, mais cedo ou mais tarde. – Dizendo isso beijou minha bochecha, se levantou e foi embora, apenas acenou um tchau antes de sumir pela porta.
Fiquei um tempo ainda lá fora, era muita pretensão dela achar que eu pediria para que ela me beijasse. Mas nesse tempo em que conversamos durante a noite, ela me mostrou que nunca foi indiferente a minha pessoa como eu sempre achei que ela havia sido. Resolvi entrar, já passava das 3 da manhã, Pâm estava dormindo como um bebê, me aconcheguei ao lado dela, abraçando-a pelas costas e em pouco tempo eu também já estava dormindo.
Fui a primeira a acordar, passei pela cozinha para fazer um café e segui para varanda para tomá-lo e fumar um cigarro, aos poucos as meninas foram acordando e o barulho começava.
Pietra se juntou a mim na varanda, tinha a cara amarrada, de sono, estava aparente que ela não dormira bem
-- Noite ruim Pietra?
-- Péssima, Paula e eu brigamos, mas como sempre, ela virou e dormiu e eu passei a maior parte da noite acordada.
-- Mas vocês já se acertaram?
-- Já, ontem mesmo, mas é que ela me disse uma coisa que me tirou o sono.
-- O que foi? Se não quiser falar eu entenderei.
-- Ela disse que eu estou ficando muito velha, que não me divirto como antes, você acha isso?
-- Eu acho que amadurecemos, temos obrigações, problemas, preocupações, é natural, mas isso não quer dizer que você esteja velha.
-- Obrigada.
Ficamos em silêncio aproveitando aquele cheirinho de mato, ouvindo o barulho dos pássaros, estávamos em comunhão com aquela perfeição da natureza.
-- Meninas, alguma de vocês viu a Francis? Fui chamá-la para tomar café e ela não estava no quarto. – Era Silvinha que ainda tinha uma carinha de sono.
-- Eu não, mas a Vlá já estava acordada quando eu me levantei.
-- Eu não a vi também, mas não é novidade ela sumir sem se despedir né?
-- Vládia, deixe de ser ruim, ela deve ter tido um motivo para ir sem se despedir.
-- Claro Sil, ela sempre tem.
Levantamos e fomos em direção à cozinha, estávamos na sala quando meu celular vibrou no meu bolso, era um SMS da Francis.
“Docinho, tive que sair para resolver uns prob de família, como era mto cedo n quis acordar ngm, mas n sairia mais da sua vida sem avisar, vou ter q ir p Sampa, mas volto na semana q vem. Bjinhux. Sua Fran.”
A Francis dando satisfações da vida dela era algo novo, mas não comentei com ninguém, como explicar que ela havia me enviado essa mensagem? Tomamos café, limpamos a cozinha e saímos para caminhar. O dia correu tranquilamente, no final da tarde arrumamos as coisas e fomos embora.
-- Seu vôo sai que horas amanhã Pâm?
-- Às 7h Sil. Tenho uma reunião as 11:30.
-- Então vou me despedir de você hoje, não gosto muito de despedidas.
-- Tudo bem, eu também não sou fã, mas quero te pedir uma coisa.
-- Pode pedir.
-- Você promete que cuidará dessa menina-mulher aqui para mim? – Disse me fazendo um carinho gostoso no rosto.
-- Claro, não precisava nem pedir.
Deixei Silvinha em casa e seguimos para o meu apartamento, o clima de despedida já estava no ar, passamos aquela noite fazendo amor, acordei a Pâm às 5h, tomamos café e enquanto ela se arrumava eu levei a mala dela até o carro, quando subi de volta ela estava sentada no sofá me esperando.
-- Aconteceu alguma coisa meu anjo?
-- Vlá, como a gente vai ficar daqui pra frente?
-- Como assim? – Eu não estava entendendo o que ela queria me dizer.
-- A gente vai continuar ficando?
-- Ficando? Como assim? Eu achei que estávamos namorando Pâm.
-- Nós estamos? É que você não tinha falado nada ainda sobre isso.. – Não deixei ela continuar, a calei com um beijo.
-- Pâm, você quer namorar comigo?
-- Sim, sim, sim, claro que eu quero.
A beijei, agora oficialmente como namorada, o beijo se intensificou, minhas mãos criaram vida própria, percorriam toda a extensão do corpo da minha namorada, a encostei na parede, afastei suas pernas com as minhas, minha mão subiu a saia que ela usava e alcançou seu sex* que já estava molhado e a penetrei, ela gem*u no meu ouvido, começamos uma dança sensual com nossos corpos, eu gemia, ela gemia, pedia mais, dizia coisas que me enlouquecia cada vez mais, em pouco tempo nossos corpos sucumbiam ao ápice do prazer.
-- Minha namorada faz amor como ninguém.
-- A minha é que é muito gostosa, não consigo resistir a ela. Mas, se a senhorita pretende pegar aquele voo no horário, temos que nos apressar.
Minhas palavras trouxeram Pâm de volta a realidade, ela pulou e correu para o banheiro para se arrumar de novo. Quando me encontrou ainda encostada na parede perguntou.
-- Não vai pelo menos lavar as mãos?
-- Não, vou ficar com o seu cheiro para matar minha saudade.
-- Boba. Mas agora vamos que não posso me atrasar mais do que já estou.
Seguimos para o aeroporto e depois que a Pâm embarcou, peguei meu carro e fui para praia, fazia tempo que não me sentava e ficava apenas admirando o mar, ouvindo o barulho das ondas, e assim permaneci até quase a hora do almoço.
No caminho de volta para minha casa percebi que sentiria muita a falta da Pâm em casa, era bom ter ela ao alcance das minhas mãos, aquele cheirinho dela ao amanhecer era bom demais.
E assim se passaram 10 meses, estávamos na ponte aérea, não passávamos mais de 15 dias sem nos ver e mesmo assim nos falávamos diariamente pela net, celular, telefone, eu sentia que a amava, não era um amor doentio, era um amor calmo, tranquilo, sem cobranças, embora nunca tivesse dito “EU TE AMO” com todas as letras, minhas atitudes não diziam o contrário.
A Francis estava em SP desde o dia que foi embora da fazenda, mas dessa vez, ela ligava toda semana, mandava e-mails e até uma carta ela enviou a Silvinha, então com ela longe, minha vida estava sossegada.
O aniversário da Pâm estava chegando e ela iria passar comigo em Recife, iríamos fazer uma reuniãozinha com as meninas em casa mesmo, ela não queria uma festa e só passaria o final de semana, saí com a Sil para comprar o presente que há algum tempo eu já tinha em mente.
-- Vládia, nós vamos ao shopping comprar o presente da Pâm?
-- Vamos Sil, eu já encomendei, nós só vamos buscar.
-- Ai Zammorah, me conta logo o que é.
-- Deixe de ser curiosa maluquete, já já você vai saber.
Entramos no shopping e fomos caminhando, quando eu parei diante da joalheria, Silvinha me olhou com uma cara espantada e disse.
-- Vládia Zammorah, você vai pedir ela em casamento?
-- Vou Sil, encomendei as alianças há 15 dias, você acha que ela vai aceitar?
-- Claro que vai amiga, vocês se amam, embora não sei porque ainda não disseram uma a outra.
-- Esse vai ser meu segundo presente, vou dizer assim que pedir a ela para vir morar comigo.
-- Ai amiga, fico muito feliz por você.
Entramos na joalheria e a moça que eu tinha feito à encomenda veio em minha direção me dizendo para sentar que ela já ia pegar as alianças. Ela trouxe dentro de uma caixinha de veludo preto, quando abri pude constatar que elas haviam ficado como imaginei, eram de ouro branco com os nossos nomes entrelaçados em ouro amarelo, perfeita, entreguei a ela meu cartão de crédito e ela se retirou me deixando com uma Silvinha embasbacada.
-- E aí, o que achou?
-- Vládia, elas são lindas, simplesmente P-E-R-F-E-I-T-A-S. – Silvinha soletrou.
-- Você acha que ela vai gostar?
-- Só se ela for louca Vlá.
Saímos do shopping e fomos para minha casa, Pâm chegaria no começo da noite e as meninas haviam ficado em casa arrumando a festinha da Pâm. A casa estava cheia de bexigas, as meninas afastaram o sofá para termos mais espaço, as bebidas estavam na geladeira, Paulinha estava eufórica arrumando a disposição das bexigas, que segundo ela, tinham que estar em harmonia com o ambiente.
-- Vládia, cadê seu presente para a Pâm? – Pietra estava arrumando os presentes em uma caixa enfeitada ao lado da mesa de jantar.
-- O meu eu darei depois Pietra, nessa caixa, só o de vocês.
A arrumação seguiu até quase às 17hs, depois, as meninas foram para casa e ficaram de voltar antes das 19h, eu pegaria Pâm as 19:30 no aeroporto. Fui tomar um banho e me arrumar, era verão, e o calor estava insuportável, muito quente, coloquei um vestido soltinho, nos pés uma rasteirinha e fiz uma maquiagem leve.
Já estava me preparando para sair quando as meninas chegaram, deixei elas no apê e segui para o aeroporto. O avião da Pâm chegou no horário, assim que a vi, meu coração quase saiu pela boca, ela estava linda, usava um shortinho de tecido, uma blusa que valorizava muito seus seios e um scarpin preto. Ela me presenteou com o seu mais belo sorriso e eu abri meus braços recebendo ela num abraço cheio de saudades.
-- Você está linda minha vida. – Pâm disse no meu ouvido.
-- Você que está meu anjo, tirou meu fôlego.
Seguimos para o carro, notei que a mala dela era apenas uma mala pouco maior que uma de mão, quando entrei no carro não contive minha curiosidade e perguntei.
-- Por que uma mala tão pequena meu anjo?
-- Vlá, eu vim só para estar ao seu lado no dia do meu aniversário, mas tenho que voltar amanhã à tarde, tenho uma reunião amanhã a noite, lembra aquela boate que estava a venda perto da djieles? Pois bem, eu comentei com a Andréia que eu gostaria de comprá-la, mas que estava muito caro, então ela me ofereceu sociedade, só que o dono dela está indo embora para Alemanha no domingo de manhã e só podia acertar a venda amanhã à noite, mas eu prometo que volto no domingo para ficar com minha namorada por 15 dias.
Fiquei um tempo em silencio tentando digerir tudo que ela havia me dito, eu me lembrava da boate, ela tinha me dito uns dias antes que ela queria muito comprar, mas não achei que seria justamente nesse fim de semana, mas eu tinha que ficar feliz por ela.
-- Poxa, queria você esse final de semana todo, mas entendo, e fico feliz com sua conquista meu anjo. – Peguei suas mãos entre as minhas e beijei.
-- Prometo que irei te compensar quando voltar domingo à noite.
Seguimos o resto do caminho conversando entre carinho e beijinhos roubados. Quando desci do carro, fiz sinal para seu Antonio interfonar e avisar que havíamos chegado. Quando abri a porta, a algazarra foi geral, Paulinha havia colocado chapeuzinho e língua de sogra em Silvinha e Pietra e elas pulavam feito crianças.
Pâm ria e era abraçada por todas, enfim Paulinha colocou chapeuzinho na gente também.
-- Meninas, obrigada, vocês são umas fofas. – Pâm era sincera ao agradecer.
-- Minha Vida, você é perfeita, a festa está linda, obrigada. – Me deu um longo beijo.
-- Haha, eu que faço tudo e a Vládia que ganha o beijo. – Paulinha resmungava.
A festa foi tranquila, o som era ambiente, Pâm contou as meninas da boate que ela havia comprado, elas sentiram por que ela iria embora no dia seguinte, mas ficaram felizes com a conquista dela, a única que me olhou apreensiva foi Silvinha, era a única que sabia das minhas intenções de pedir que a Pâm se casasse comigo, mas eu sorri acalmando ela.
Já passava das 2 da manhã quando as meninas foram embora, Pâm agradeceu mais uma vez a festa e os presentes e elas partiram.
-- Enfim sós. – Abracei Pâm.
-- A sós e cheias de desejos.
Me beijou quase fundindo meu corpo ao seu. Os carinhos se tornaram carícias e as peças de roupas começaram a ser tiradas e jogadas em um canto qualquer da casa, o desejo e tesão eram grande, mas não tínhamos pressa, queríamos percorrer cada centímetro dos nossos corpos. Sem perceber, chegamos ao quarto, deitei Pâm na cama, e comecei a beijar todo o seu corpo, dos pés a cabeça, demorava mais quando chegava na altura das sua coxas e seios, ela gemia e se contorcia, agarrava o lençol com as mãos, alcancei seu sex* e a beijei, suguei, quando senti que seu corpo dava sinal que tingiria o orgasmo a penetrei, fiz o caminho de volta até chegar a sua boca, a mão dela alcançou meu sex* e seguimos numa dança envolvente, nossos corpos deslizavam devido ao suor e causava uma corrente elétrica entre nós e assim chegamos ao orgasmo juntas, dessa vez foi diferente, foi intenso demais, foi como se nossas almas goz*ssem juntas.
-- Você foi surpreendente hoje minha vida, sugou todas as minhas energias, não sinto sequer minhas pernas.
-- Você também foi perfeita Pâm, essa noite foi mágica.
Abracei ela e comecei fazer carinho em seus cabelos, não como nem quando adormecemos, uma nos braços da outra.
Acordei já passava das 9hs, fui até a cozinha arrumar o café que eu havia comprado para servir a Pâm, tinha tudo que ela gostava, frutas, suco, geléia, frios, café, leite e pães, coloquei uma rosa, peguei a caixinha de veludo e fui para o quarto.
Acordei ela cantando Parabéns, ela me beijou e agradeceu pela noite anterior, tomamos o café da manhã em clima de romance, ela já estava acabando o café quando decidi que era hora de dar o presente para ela.
-- Pâm, eu quero dar seu presente.
-- Eu achei que a festa e a noite já tinham sido o meu presente minha vida.
-- Não, a festa foi presente das meninas, e a noite foi um presente para mim também.
Peguei a caixinha no meu colo e dei para Pâm, ela abriu e ficou em silênco olhando para as alianças presas por uma fita de cetim, lágrimas brotaram de seus olhos.
-- Pâm, você que se casar comigo? Quer passar o resto da sua vida ao meu lado? Eu te amo meu anjo, casa comigo. – Ao ouvir eu dizer que a amava, Pâm não segurou mais as lágrimas.
Ela chorava e alternava o olhar entre as alianças e eu, e depois de algum tempo me deu a resposta.
-- Não, eu não posso Vládia, sinto muito, mas não posso. – Se levantou e correu para o banheiro.
Levantei da cama, peguei as alianças que ela deixara cair no chão e coloquei na cama, procurei as chaves do meu carro pelo quarto, as encontrei ao lado do cigarro, celular e do mp4, peguei tudo e saí, sem rumo, no piloto automático, com uma dor insuportável no meu peito, um buraco enorme, doía muito.
Fim do capítulo
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