Fired
Lara acordou de tarde com a cabeça doendo e a boca seca, um claro sinal de protesto do corpo pela quantidade de álcool ingerida horas atrás. Estava em sua cama e nem ao menos lembrava como tinha chegado ali. Sentou na beirada da cama enquanto tentava lembrar-se de alguma coisa da festa, mas só via flashes, de repente lembrou de JJ e Houdini discutindo com ela, lembrou que Digão apareceu de última hora, logo deduziu que tinha feito merd*. Lembrou-se também de JJ trazendo ela em casa e por fim de vomitar no jardim apoiada em Fernanda.
- Ai caralh*, já sei que vou ouvir o fim de semana inteiro – abaixou a cabeça e se surpreendeu com meias em seus pés, odiava meias – Que porr* é essa?
Precisava tomar uma aspirina urgentemente se quisesse tentar lembrar demais coisas, mas nem precisou se levantar para pegar o remédio. Em cima da mesinha do lado da cama tinha duas aspirinas, um copo de água e um recado.
“Acho que vai precisar quando acordar. Fernanda.”
Lara sorriu, certamente foi ajudava pela investigadora e não se esqueceria de perguntar das meias quando a visse na segunda.
Pela noite já recuperada da ressaca, pegou o celular e teve a constatação que tinha feito merd*, seu what’s app era só sermão dos amigos, tinha dado em cima do Digão e falado mil besteiras para Houdini.
No domingo a loira seguiu para almoçar na casa de seu avô companhia dele, de sua mãe e seu filho. No final da tarde estava sentada na sala com pequeno Bernardo brincando com os carrinhos do filho.
- O menino pra gostar de carrinho – agarrou o pequeno que estava ao seu lado enchendo o de beijos – Você vai ser piloto Bê? Vai meu amor?
- Paaaia mooo – o menino gargalhava com os beijos que lhe calçavam cócegas.
- Que saudades sinto de você me chamando de mor – comentou Helena olhando para filha e para o neto – Espero que ele nunca lhe deixe de chamar assim;
- Irei fazer por onde – disse um tanto seca e magoada, mas logo se arrependeu – Desculpa.
- Tudo bem querida – deu de ombros e suspirou dando um leve sorriso – Tenho toda certeza que ira.
Erik acompanhava calado a cena de suas 3 gerações. Nunca imaginou que isso pudesse acontecer então não se importava com as faíscas que saiam de vez em quando, na cabeça do senhor era tudo questão de tempo. Tempo para Helena se livrar dos restantes de seus julgamentos e tempo para Lara perdoar as faltas da mãe.
Pela noite a produtora ainda deu uma passada rápida na casa do amigo Houdini para pedir desculpas pessoalmente. A situação se resolveu e pode dormir um pouco mais tranquila, só não completamente pois tinha ficado com medo de ter falado besteira para sua investigadora também, mas a resposta dessa duvida ficaria para quando acordasse.
- Oi, bom dia.
- Bom dia.
- Não sei se começo te pedindo desculpa ou te perguntando se dei muito trabalho na sexta – riu.
- Você não lembra?
- De poucas coisas, não me diga que falei merd* para você também? Já não me basta o que aprontei com meus amigos – disse em tom de arrependimento.
- Não, pode ficar tranquila, só apagou completamente no sofá e tive que te carregar pro quarto – riu.
- Então quer dizer que a senhorita me levou apagada para o quarto e tirou minhas roupas? – disse seria.
Fernanda ficou vermelha quase que instantaneamente e abriu a boca algumas vezes sem conseguir responder.
- Mulher eu to brincando – gargalhou – mas eu queria saber mesmo o porquê das meias.
- Cara seu pé tava sujo... ia sujar os lençóis tudo.
- Essa é boa – riu com vontade – Se eu contar isso para Conca ela vai te amar – riram
- Ah… Lara eu queria te fazer algumas perguntas o quanto antes sobre algumas pessoas, ainda não fiz um levantamento sobre todos, mas queria te pergunta em partes para não fica muito cansativo para você.
- Claro, pode até ser hoje se quiser, vou para a gravadora daqui uns minutos, mas voltou lá pelas 15.
- Ótimo.
Lara foi para o estúdio e não almoçaram juntas, mas a companhia de Fernanda continuou divertida. A investigadora a cada dia se encantava, mas pelo pequeno morador daquela casa, e ela por sua vez também tinha caído nas graças do menino que especialmente naquele dia trocou Paula e Conca por ela, cismando em perturbar a morena.
- Bê deixa a Nanda comer em paz e volta aqui – disse Paula tentando sem sucesso fazer o menino se sentar e sair de baixo da mesa onde brincava de se esconder nas pernas de Fernanda.
- Pestinha… – ria quando ele colocava a cabeça para fora e depois voltava a se esconder.
- Bê chega de brincar vem logo comer – Conca falou séria mas também não teve muito efeito, o menino parecia estar mais interessado em brincar com a investigadora .
- Ei moleque, se a tia der seu papá com você sentadinho aqui do meu lado, você come direitinho?
O pequeno não se deu ao trabalho de respondeu a ela, mas a Paula. Saiu debaixo da mesa, pegou seu pratinho de plástico da mão da babá.
- Tia Paula, tia Nanda vai dah papá pra eu tá baum? Oh mas depois eu deixo você di novo.
E saiu para sentar do lado da investigadora, enquanto as 3 mulheres morriam de rir da cena.
Se o clima em casa era dos melhores, na gravadora o ambiente era tenso, Lara não estava nada feliz com a decisão de seus chefes. Trabalharia com Jorge Lancelotti, um cantor de sertanejo com que tinha tido um affair de alguns meses e que tinha gerado uma grande polemica na época.
- Ai Tay o problema nem é a gente já ter ficado – disse para o melhor amigo enquanto os dois subiam pelo elevador – Você sabe que nem deixo isso interferir no profissional... ele também é super de boa, paramos de ficar por que não tínhamos nada a ver e nos afastamos naturalmente, tipo não rolou nenhuma treta que atrapalhasse nosso trabalho, mas cara ele é cantor sertanejo, SER-TA-NE-JO.
- Lara a gente já sabia dessa possibilidade deles quererem você produzindo para algum sertanejo porque tá na moda misturar com eletro – andavam pelo corredor indo em direção a sala que os dois dividiam – O jeito é aceitar minha cara amiga.
- Bom tarde Bia – falaram juntos.
- Bom tarde. Tay a organização do SPFW te ligou, deixei o contado na sua mesa. E Larinha chegaram 5 encomendas para você.
- Oba, presente! – disse feliz.
Entraram na sala e Lara atacou as encomendas como uma criança ataca os presentes de Natal. Tinha recebido um puta fone de ouvido, rosa choque, que só seria lançado daqui alguns meses, tratou logo de tirar uma selfie e agradecer no Instagram a empresa que enviou. Tay ria da amiga e Lara continuava abrindo as encomendas, até que chegou na quarta e ficou séria, era um relógio analógico de pulso com o vidro completamente rachado como se alguém tivesse pisado em cima, no fundo da caixa um cartão com uma letra que infelizmente já conhecia.
“Tic Tac nojentinha” e no verso “Eu vou acabar como você se dentro para fora”
Respirou fundo e mostrou para o amigo.
- Estava demorando.
Lara respirava devagar e profundamente, estava cansada daquela situação.
- Só veio isso? – Tay perguntou e a DJ confirmou balançando com a cabeça – Que estranho.
- O que não é estranho na minha vida nesses últimos meses?!
- Quer que eu vá à policia com você outra vez?
- Não vou à policia – antes que o amigo pudesse brigar com ela, completou – Tay … eu tenho que te contar uma coisa… eu cansei de esperar por respostas e contratei uma investigadora particular para investigar.
- Sério? Desde quando? Sinceramente acho que isso foi o certo a se fazer.
- Vai fazer um mês.
- Não achar melhor ligar pra ele dar uma olhada aqui?
Seguindo o conselho do amigo Lara ligou para casa e pediu para falar com a investigadora.
- Alô?!
- Oi Fernanda, você poderia passar aqui na gravadora?
- Algum problema?
- Recebi uma encomenda – respirou fundo – outra ameaça.
- Me passa o endereço.
Fernanda desceu pegou sua moto e foi voando, quase que literalmente, para a gravadora da DJ.
Enquanto isso na sala Tayson parecia surpreso.
- Fernanda? Mas é uma mulher …
- Não cometa o mesmo erro que eu – Lara disse meio áspera, nem deixando o amigo concluir – ela é suficientemente capacitada para esse trabalho e ainda é de confiança do meu avô.
- Ok, não está mais aqui quem falou.
Depois de alguns minutos Bianca anunciou a chegada de Fernanda. Lara fez as apresentações e entregou a encomenda para a investigadora.
- Já veio quebrado? E sem nenhuma carta? – disse segurando o relógio com cuidado.
- Exato, só esse bilhete. É do mesmo modelo do que recebi no meu aniversário, que também veio quebrado... quer dizer o vidro veio inteiro, mas estava sem bateria.
- Hum… gostaria de ver o outro relógio.
- Bom ele ainda está com a policia assim como a última carta, aquela que eu te dei era uma cópia, posso pedir para me enviarem as fotos tiradas do relógio.
- Ótimo. Lara acho melhor eu te acompanhar até em casa, e adiantarmos as perguntas.
- Eu ainda tenho que trabalhar Fernanda – disse séria.
- Ei relaxa, vai descansar Larinha, hoje foi um dia estressante e eu posso resolver o resto por aqui. Toma leva essa mulher daqui – disse para a investigadora enquanto pegava a bolsa da DJ e empurrava as duas com calma para a saída – E foi um prazer te conhecer Fernanda, mesmo nessas circunstâncias.
Voltaram para casa, a loirinha em seu carro com a morena a seguindo de moto.
Lara conseguiu entrar em contado com um dos policias que estavam em seu caso, que prometeu passar as fotos do relógio para o e-mail de Fernanda no dia seguinte. As duas passaram próxima hora conversando no sub solo, Fernanda fazia perguntas que pudessem ajudar na investigação, acabou descobrindo que Lara confiava nas 6 pessoas que apareciam nas duas listas, que Daniel era seu atual casinho e estavam ficando esporadicamente a 3 meses, que discussão com JJ não passou bate boca entre amigos.
Ao final de uma sabatina de perguntas Fernanda se preparou para dizer algo que tinha certa que Lara não iria gostar de ouvir.
- Lara, eu sei que você gosta de ter sua privacidade e não quer chamar atenção com uma segurança do lado, mas eu creio que seja o momento de eu começar a te acompanhar pois…
- Sem chances – disse meio em tom de deboche sem deixar a morena sequer terminar.
- Apenas escute … eu acho que ele está em uma contagem para agir, é mais prudente para sua segurança tentar ficar o máximo em casa agora, sair acompanhada e entramos em contato com a policia também. Eu prometo que serei a mais discreta possível …
- Fernanda você não entende – disse se levantando da cadeira – Eu não vou andar por ai com uma sombra atrás de mim… imagina só... amanha tenho um jantar com o Daniel e daqui um tempo uma festa de gala … não existe condições alguma de você ou qualquer pessoa está me seguindo.
- Já disse que serei discreta – disse se levantando também.
- DISCRIÇÃO NÃO É INVISIBILIDADE! – falou mais alto do que pretendia e respirou fundo para se acalmar – Assunto encerrado.
Lara subiu para casa, deixando Fernanda pensativa tentando achar alguma forma de conversar a DJ, por último pensou em Erik, revolveu ligar para o senhor e lhe explicar toda historia. Mas sua ideia surtiu o efeito contrario uma hora depois uma loirinha enfezada descia as escadas bufando.
- Você não tinha o direto de ligar para meu avô Fernanda.
- Achei que ele poderia te convencer…
- Você não tem que achar nada em relação isso, a minha palavra final é essa e você não vai descumprir, não vou andar acompanhada enquanto não achar necessário e ponto – virou-se para ir embora quando sentiu seu braço ser segurado.
- Você não entende nada disso garota, está agindo com uma menina mimada quer ter a última palavra ao invés de aceitar os fatos…
- Larga do meu braço agora – disse entre os dentes – E saia da minha casa, você não é nada minha para me dizer o que fazer. Está demitida!
Fim do capítulo
Tayson

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Ludmylla
Em: 19/01/2016
Bom dia! olha vou te dizer uma coisa, eu posso até tá errada, mas eu tô "vendo" um pouco de Clara e Vanessa do bbb 14 nessa historia, tô errada? rsrs. tô adorando sua historia viu!
Resposta do autor em 26/01/2016:
kkkkkkkkkkkk
tem sim, eu começei escrever com fic porém isso me prendia demais a muitas caracteristica dela e falas especificas
dai reescrevi, mudando de cidade e algumas coisas da personalidade
mas ainda sim tem muito delas kkk
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