Leis do destino - segunda temporada por contosdamel


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Rosana e Diana desembarcaram no Brasil no dia seguinte ao telefonema de Alda, só conseguindo chegar a Campo Grande no fim do dia, exatamente quando era divulgado o resultado oficial da eleição para o governo do estado, atestando a derrota de Acrisio Toledo mais uma vez.


 


            Em Campo Grande Diana não protelou sua ida ao hospital. Acompanhada de Rosana, a fotógrafa subiu até a unidade de terapia intensiva do hospital onde sua mãe estava internada e lá enfrentou o pior pesadelo de sua vida.


 


 


            As cenas que se seguiram se desenharam diante dos olhos de Diana em câmera lenta, sem som, preditas pela expressão de desespero no rosto do irmão, de seus primos e de sua tia Alda, que olhando a sobrinha com um gesto apenas balançou a cabeça negativamente anunciando o que Diana não poderia supor.


 


            Incrédula, Diana invadiu o quarto privativo da UTI, onde a equipe de enfermagem retirava os conectores e sensores espalhados pelo corpo de dona Alice que já descansava sem vida.


 


            O silêncio de dor que cercava aquela atmosfera foi quebrado por um grito não menos desesperado de Diana, configurado em súplica:


 


-- Não! Mãe não faz isso comigo! Não me deixa sozinha! Mãe fique comigo! Não me deixa mãezinha!


 


            Diana abraçou-se ao corpo da mãe. Inconsolável permaneceu ali por minutos, Rosana não permitiu que ninguém a retirasse de lá, manteve-se ali perto, mas não interrompeu o momento da namorada que acariciava o rosto da mãe nutrindo no seu coração uma dor indescritível.


 


            Alda se aproximou da sobrinha e disse:


 


-- Vamos minha querida, eles precisam leva-la agora.


 


            Rosana envolveu o braço nos ombros da namorada, oferecendo seu apoio, Diana se abrigou naquele abraço sem reservas e seguiu com Rosana a tia até uma antessala naquele mesmo andar.


 


-- Há quantos dias ela estava aqui tia?


 


 


-- Cerca de uma semana, ela sofreu outro ataque cardíaco, e não havia muito a ser feito, o coração de sua mãe já estava muito frágil Diana.


 


-- Uma semana? Isso foi quando falei com ela! Por que ninguém me avisou?


 


            Alda desconversou, nitidamente escondendo algo.


 


-- Tia Alda, a senhora é pior mentirosa que conheço. Vamos, me diga, por que não me avisaram antes?


 


            Diana aumentou o tom de voz, intimidando a sua tia.


 


-- Minha querida não é hora para pensar nisso. Não havia nada que você pudesse fazer por ela. Além do mais, ela estava inconsciente...


 


-- Tia Alda! Eu deveria estar aqui! Ao lado dela! Não importa por quanto tempo, não importa o que eu pudesse fazer, não importa se ela estava consciente ou não! Eu tinha que estar aqui, tinha o direito de me despedir dela!


 


-- Mas seu pai não achava isso!


 


            Alda desabafou indignada. Diana franziu o cenho com os olhos marejados indagou:


 


-- O que ele tem com isso?


 


-- Seu pai não deixou que lhe avisasse. Eu não tinha seu número, nem seus primos, seus irmãos não ousariam desobedecer a seu pai. Eu ainda tentei procurar no celular de sua mãe, mas Acrisio o confiscou.


 


-- Mas por que ele fez isso?


 


            Foi a vez de Rosana perguntar.


 


-- Ele disse que já tinha problemas demais, que você chegando aqui ao Brasil tão perto das eleições poderia anular o resto das chances que ele tinha de chegar ao segundo turno...


 


-- Ele não tinha esse direito! – Diana bradou revoltada.


 


-- Você conhece seu pai, ele controla tudo minha querida. Quando sua mãe piorou ontem, o Danilo me deu seu número escondido para que eu te ligasse infelizmente sua mãe não resistiu.


 


-- Mas que tipo de homem é esse? - Rosana pensou alto.


 


-- É seu sogro minha querida. – Diana respondeu sarcástica.


 


-- Sua mãe vinha muito doente já, essa campanha do seu pai foi muito desgastante. Essas acusações que surgiram e agora envolveram seu irmão também, isso a abalou muito.


 


-- Ou seja: ele é o culpado de tudo!


 


            Diana saiu abruptamente da antessala e encontrou chegando pelo corredor, seu pai.


 


            Acrisio com o rosto coberto por lágrimas abriu os braços para a filha, mas esta, não deu um passo em direção ao pai. Seus olhos cintilavam um ódio que nascera naquele dia com uma violência que assustava a própria Diana. Diante dela sua figura paterna tomou a forma de uma vida de decepções e mágoas que ela acumulara por Acrisio e por fim, estava ali também segundo seu julgamento, o culpado da morte de sua mãe.


 


            A intenção do homem que sofria a dor da perda do amor de sua vida era tão somente acolher a filha que exalava dor semelhante a sua, entretanto, Diana não conseguia enxergar o mínimo de sentimento sincero em Acrisio, enxergava tão somente a condenação que ele ditara: culpado pelas dores de sua vida.


 


            A tentativa de Acrisio em abraçar sua filha foi vigorosamente repudiada pela própria que o empurrou com todo ódio que crescera a cada segundo.


 


-- Diana?! Minha filha...


 


-- Eu não sou mais sua filha!


 


-- Como você pode falar isso em um momento desses?


 


-- Momento que só existe por sua culpa!


 


            Acrisio arregalou os olhos, visivelmente atônito com a acusação da filha.


 


-- Você não tinha esse direito de impedir que eu me despedisse de minha mãe!


 


-- Eu não podia imaginar minha filha...


 


-- Não sou mais sua filha! Hoje fiquei órfã de mãe, de pai acho que sempre fui.


 


-- Não fale bobagens minha filha, precisamos ficar juntos nesse momento...


 


-- Agora você me quer junto? Quando minha mãe ainda estava viva aqui você não permitiu que eu estivesse com ela! Que tipo de monstro é você?


 


-- Eu entendo o que você está sentindo e não vou considerar suas palavras...


 


-- Pois devia considerar! Por que não vou sossegar enquanto não te fizer pagar pelo que você fez a minha mãe! Você a matou com essa sujeira que é sua vida de crimes e politica.


 


            Danilo interveio puxando a irmã para longe do pai.


 


-- Solte-me você também! Covarde! Poderia ter me ligado me avisado! Mas está sempre sendo o capacho dele!


 


            Diana destilava sua revolta contra aqueles que ela culpava por ter ficado ausente nos últimos dias da sua mãe. Com dificuldade, Rosana e Alda conseguiram afastá-la, e como se não suportasse a dimensão dos sentimentos que a invadiu, a loirinha desfaleceu nos braços da namorada.


 


************


 


            Carla abriu a porta do gabinete empolgada naquela manhã, encontrando Natalia com um grande sorriso:


 


- Então, agora temos um motivo para comemorar chefe?


 


- Primeiro round vencido parceira! Tiramos a eleição daquele criminoso!


 


            Natalia abraçou Carla comemorando.


 


- Foi uma vitória e tanto para nós. Quando vamos comemorar?


 


- Vamos comemorar no dia que ele for preso Carlinha. Acrisio continua sendo tão perigoso e astuto quanto antes, agora mais, por que vai atribuir com razão sua derrota nas urnas ao trabalho do Ministério Público, ele vai procurar um jeito de atrapalhar as investigações e driblar as próximas denúncias.


 


- Estou surpresa por ele não mandar investigar a promotora responsável pelas denúncias.


 


- Você acha que ele não mandou? Claro que sim Cacá! Mas agir contra mim agora o deixaria ainda mais visado, mesmo assim, temos que agir com cautela daqui pra frente.


 


- É verdade. Ele é muito poderoso, e sabe quem é você e sua família, desde a época do seu namoro com Diana não é? Até fez aquelas ameaças...


 


- Isso foi o que a Diana disse né Carlinha? Ainda não sei o quanto de verdade tinha nessa história, não sei se foi só um disfarce pra Diana justificar a traição com a psicóloga. Um homem como Acrisio perder o tempo investigando minha família?


 


- Sério que você acha isso? Depois de todos esses podres que temos encontrado nesses inquéritos, você duvida mesmo que ele fosse capaz de fazer isso? Não acha que ele cumpriria as ameaças?


 


- Não sei Carlinha.


 


- Ah chefinha, perdoe-me, mas, a Diana podia ser qualquer coisa, menos mentirosa. Ela conhecia o pai que tem, ela quis te proteger de Acrisio, tenho certeza. Não sei se ela te traiu com a Rosana, mas que ela sofreu chantagem do pai, eu não duvido.


 


- Se ela tinha que me proteger, devia ter me falado na época.


 


- Ah isso é... Mas tinhosa como você era, duvido que você se conformasse com farsas depois de tantas que vocês enfrentaram no começo do namoro. Quem sabe ela não quisesse mesmo arriscar sua segurança e se sacrificou.


 


- Isso não importa mais não é? Diana seguiu a vida dela, e eu a minha. Isso tudo é passado e o que nós temos hoje é muito trabalho!


 


            Carla assentiu com um gesto e se retirou do gabinete, deixando Natalia pensativa. Em sua mente reconstruiu a separação com Diana e pela primeira vez admitiu que foi injusta com a ex-namorada que se tornara refém dos desmandos do pai para proteger ela e sua família.


 


            Enquanto divagava nas formulações de hipóteses associando passado e presente, Carla retornou ao gabinete com novas informações para a chefe.


 


- Acabo de receber a notícia que o delegado da 21ª DP foi transferido, e o novo já assumiu.


 


- Como assim? Isso aconteceu assim de repente?


 


- Certamente o dedo podre de Acrisio nessa transferência não é?


 


- Mas que droga! O homem estava fazendo um ótimo trabalho! Quem assumiu? Sabe algo dele?


 


- Sei quase nada... Só que é tal de Lucas Almeida!


 


- Lucas Almeida? O Lucas? Sério?


 


            As duas gargalharam.


 


- Isso é bom? – Carla perguntou fazendo careta.


 


- Não faço a menor ideia. Desde que assumi meu namoro com Diana naquela época, ele não fala comigo. Nem sabia que ele havia se tornado delegado.


 


- Vamos ter que esperar para saber, mas ele já começou adiando o cumprimento do mandado de busca e apreensão da fazenda Verde Canavial.


 


- Como é que é? Justamente quando pegaríamos todos de surpresa no dia da derrota do Acrisio nas eleições? Ah não! O Lucas está com peninha do crápula?


 


- Deve estar sim penalizado Nat.


 


- Mas isso é um absurdo! Vou ligar agora para a delegacia.


 


 


- Espera Nat. A atitude do Lucas não deve ser por causa das eleições. Acrisio Toledo não perdeu só o governo do estado, perdeu também sua mulher. Ela faleceu ontem à noite.


 


            Natalia sentou-se chocada com a notícia. Seu primeiro pensamento foi Diana, sobre o quanto ela estaria sofrendo naquele momento.


 


- Está pensando na Diana não é? – Carla perguntou.


 


- A Diana é completamente alucinada pela mãe dela. Nem posso imaginar como ela está se sentindo agora.


 


- Ela só chegou ontem ao Brasil.


 


- Como você sabe?


 


- Nos sites de notícias de Mato Grosso do Sul, tem uma nota sobre a morte de Alice Toledo.


 


            Natalia buscou em seu notebook imediatamente a notícia, não encontrou somente vários sites que noticiaram a morte da mulher de Acrisio, como também uma foto do velório da mesma na qual identificou próximo ao caixão, sua ex-namorada: Diana.


 


            Seu coração acelerou, e se não fosse pelo fato de Carla estar ao seu lado, teria afagado a tela da máquina como se quisesse tocar a loirinha.


 


- Essa é a Diana? – Carla apontou para a foto.


 


- Acho que sim.


 


            Natalia disfarçou sua emoção.


 


- Nossa, e esses cabelos enormes? Nem parece aquele molequinho skatista da USP. – Carla comentou.


 


- Ela está com um olhar tão desesperado, deve estar sofrendo horrores... E mesmo assim está tão linda...


 


            Natalia desabafou deixando escapar seu tom apaixonado.


 


- Nat... Acho melhor você conter essa emoção toda...


 


            Percebendo o conteúdo das entrelinhas do conselho da amiga, Natalia desviou o assunto.


 


- Vamos respeitar a trégua que Lucas deu a Acrisio em respeito a Diana e a dona Alice, que era uma mulher fantástica.


 


- De acordo.


 


            Bastou que Carla deixasse a sala para Natalia voltar sua atenção á tela do seu notebook, contemplando a imagem de Diana. Salvou aquela foto e como se pudesse se aproximar dela, foi ampliando o zoom a fim guardar aquela imagem em detalhes. Aquela foto, junto com as notícias recentes e o sonho que a promotora tivera semanas atrás com Diana roubou a paz de Natalia o resto do dia.


 


- Carla você acha que seria inapropriado eu ir a Campo Grande para o sepultamento de dona Alice? Dar uma força à Diana sei lá, ela não se dá bem com a família...


 


- Natalia você está me perguntando por que sabe o quão inapropriado isso é. Por todos os motivos éticos que há por conta do seu cargo nesse momento, por seu passado com Diana e pelo seu presente com a Duda.


 


            Natalia não escondeu a tristeza por reconhecer a razão da amiga.


 


- Além do mais minha amiga, eu não sei se você notou nessa foto que você passou a tarde decorando... Ou se ficou só enfeitiçada pelo pedaço da foto no qual Diana está. Mas, você viu que nas outras duas fotos do site, tem uma bela mulher ao lado da Diana abraçando-a intimamente?


 


            Natalia ergueu a sobrancelha surpresa.


 


- Olha aqui. - Carla apontou para a tela.


 


- Mas essa... É a Rosana!


 


- Tem certeza?


 


- Claro! Ela está mais magra, os cabelos diferentes, mas, é ela!


 


- Bom, acho que você tem mais um motivo para não ir para Campo Grande não é?


 


- E tenho também a resposta para minha dúvida sobre Diana ter me traído ou não com a Rosana.


 


- Mais uma suposição sua. A Rosana pode estar lá como amiga, apoiando Diana.


 


- Não, esse abraço não é de amiga, definitivamente não é.


 


- Especulação ou não, o fato é que ela pode estar aí, você não.


 


            A constatação de Carla despertou a frustação e um sentimento de impotência confuso em Natalia fazendo-a concluir que seu passado não parecia querer deixa-la em paz e que voltava ao seu presente mais uma vez.


 

Nome: Lea (Assinado) · Data: 30/12/2021 18:17 · Para: 2.8 Aequo pulsat pede

O circo vai pegar fogo nos próximos capítulos, só acho!

 



Nome: Marta Andrade dos Santos (Assinado) · Data: 18/11/2021 23:07 · Para: 2.8 Aequo pulsat pede

Eita lá vem confusão .



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