Leis do destino - segunda temporada por contosdamel


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O queixo de Diana quase foi ao chão ao constatar a identidade da cantora. Miss Flower, ou Dona Flor, estava ainda mais linda do que Diana podia se lembrar. Mas, sua voz... Esta melhorara consideravelmente, evidenciando a maturidade musical que era exigida de uma grande cantora. Algo também parecia mais apurado: o carisma de Rosana. A primeira canção entoada pela cantora, um clássico com arranjos ousados conquistou de cara a plateia.


 


All You Need Is Love


Love, love, love


Love, love, love


Love, love, love


 


Tudo o que você precisa é de Amor


Amor, amor, amor


Amor, amor, amor


Amor, amor, amor


 


 


There's nothing you can do that can't be done


Nothing you can sing that can't be sung


Nothing you can say, but you can learn how the play the game


It's easy


 


There's nothing you can make that can't be made


No one you can save that can't be saved


Nothing you can do, but you can learn how to be you in time


It's easy


 


Não há nada que você possa fazer que não possa ser feito


Nada que você possa cantar que não possa ser cantado


Nada que você possa dizer, mas você pode aprender como jogar o jogo


É fácil


 


Nada que você possa fazer que não se possa fazer


Ninguém a quem você possa salvar que não possa ser salvo


Nada que você pode fazer, mas você pode aprender como ser com o tempo


É fácil


 


 


All you need is love


All you need is love


All you need is love, love


Love is all you need


Love, love, love


Love, love, love


Love, love, love


 


All you need is love


All you need is love


All you need is love, love


Love is all you need


 


Tudo o que você precisa é de amor


Tudo o que você precisa é de amor


Tudo o que você precisa é de amor, amor


Amor é tudo o que você precisa


Amor, amor, amor


Amor, amor, amor


Amor, amor, amor


 


Tudo o que você precisa é de amor


Tudo o que você precisa é de amor


Tudo o que você precisa é de amor, amor


Amor é tudo o que você precisa


 


 


There's nothing you can know that isn't known


Nothing you can see that isn't shown


Nowhere you can be that isn't where you're meant to be


It's easy


 


Não há nada que você possa saber que não possa ser conhecido


Nada que você possa ver que não possa ser visto


Nenhum lugar onde você possa estar que não seja onde você quer estar


É fácil


(The Beatles)


 


            Daniela levantou empolgada com a resposta do público, aplaudindo sua revelação. O gesto da colunista contagiou outros da plateia que aos poucos se aproximaram do palco, envolvidos com o ritmo que Rosana impunha a apresentação. Diana preferiu a mesa. Talvez ainda sob efeito da surpresa, não conseguiu interagir à altura da energia daquele show. Ficou ali estagnada, revivendo em sua mente o seu passado com Rosana, sua amizade, seus conselhos, sua companhia. Tais memórias culminaram com a lembrança dolorosa dos eventos que a aproximara da psicóloga: sua história com Natalia.


 


            Outra vez, como se sincronizada com os pensamentos de Diana, Rosana diminuiu o ritmo embalando um hit mais lento, reportando a fotógrafa a um passado imperfeito que insistia em ressurgir no seu “presente quase perfeito”.


 


Who Knew – Quem diria


 


You took my hand, You showed me how


You promised me you'd be around,


Uh huh...That's right


 


I took your words and I believed


In everything, You said to me,


Yeah huh...That's right


 


Você pegou na minha mão, você me mostrou como


Você me prometeu que ficaria por perto,


Aham... Tá certo


 


Eu absorvi suas palavras e eu acreditei


Em tudo, que você me disse,


É, aham... Tá certo


 


 


If someone said three years from now


You'd be long gone


I'd stand up and punch them out


Cause they're all wrong


I know better, Cause you said forever


And ever, Who knew


 


Se alguém dissesse há três anos


que você iria embora


Eu me ergueria e socaria todos eles


porque eles estariam errados


Eu sei melhor que eles, porque você disse "para sempre"


"E sempre", quem diria...


Remember when we were such fools


And so convinced and just too cool,


Oh no...No no


I wish I could touch you again


I wish I could still call you friend


I'd give anything


 


Lembra-se quando nós éramos tão bobos


E tão convencidos e tão legais,


Oh não... Não não


Eu queria poder te tocar de novo


Eu queria poder ainda te chamar de amigo


Eu daria qualquer coisa


 


When someone said count your blessings now,


'fore they're long gone


I guess I just didn't know how,


I was all wrong


They knew better, Still you said forever


And ever, Who knew


 


Yeah yeah


 


Quando alguém disse "seja agradecido agora,


antes que eles estejam muito longe"


Eu acho que eu não sabia,


eu estava totalmente errada


Eles sabiam melhor que eu, ainda sim você disse "para sempre"


"E sempre", quem diria


 


Yeah yeah


 


I'll keep you locked in my head


Until we meet again,


Until we...


Until we meet again


And I won't forget you my friend


What happened?


Eu te manterei trancado em minha mente


Até nós nos encontrarmos novamente


Até nós...


Até nós nos encontrarmos novamente


E eu não te esquecerei, meu amigo


O que aconteceu?


 


If someone said three years from now,


You'd be long gone


I'd stand up and punch them out,


Cause they're all wrong and


Se alguém dissesse há três anos a partir de agora,


você estaria muito longe


Eu me ergueria e socaria todos eles


porque eles estariam errados


 


That last kiss, I'll cherish,


Until we meet again


And time makes, It harder,


I wish I could remember


But I keep, Your memory,


You visit me in my sleep


 


Aquele último beijo, eu vou valorizar


até nós nos encontrarmos novamente


E o tempo torna tudo mais difícil


Eu queria poder me lembrar


Mas eu mantenho sua memória


Você me visita enquanto durmo


 


My darling, Who knew


My darling, My darling


Who knew, My darling


I miss you, My darling


Who knew, Who knew


 


Meu querido, Quem diria


Meu querido, Meu querido


Quem diria, Meu querido


Sinto sua falta, Meu querido


Quem diria, Quem diria


(Pink)


 


            “Que artimanha do acaso”. Foi o que Diana concluiu ao final da incrível estreia da antiga amiga. Estatelada na cadeira, com um olhar distante, a fotógrafa demorou a voltar para presença dos amigos que tentavam lhe despertar da sua regressão.


 


- Diana. Dianaaaaaaaaaaaaa!


 


            Elizabeth berrou ao ouvido da amiga, estralando os dedos.


 


- Ai Liza! Para de berrar! O show já acabou!


 


- Ah, você se deu conta disso? Tivemos a impressão de que você nem estava aqui!


 


- Só estava distraída, não estava fora do meu corpo.


 


            Diana falou razinza. Quando as rodadas de bebida se reiniciaram na mesa, Daniela se aproximou acompanhada do seu novo affaire, a estrela da noite: Miss Flower.


 


            Prontamente, Gerard puxou as cadeiras para ambas se acomodarem. Daniela começou então as apresentações formais entre a cantora e seus amigos, até chegar a Diana, até então, Rosana não detera seu olhar na loira do canto, por estar fora do seu campo de visão.


 


            Quando a cantora encarou Diana, arregalou os olhos e abriu um sorriso largo, balançando a cabeça negativamente indicando a incredulidade daquele reencontro inesperado.


 


- Dona Flor? Sério?


 


            Diana disse fazendo careta de desaprovação, despertando a gargalhada de Rosana.


 


- Em tempos de Lady Gaga, por que não?


 


            As duas sorriram enquanto todos na mesa observavam sem nada compreender, até mesmo porque, as duas conversavam em português.


 


- Ok, alguém pode explicar o que está acontecendo?


 


            Daniela perguntou intrigada.


 


- Daqui a pouco Dani, agora eu vou dar um abraço na minha amiga fujona!


 


            Com cara de interrogação todos assistiram o abraço cheio de intimidade entre Diana e Rosana, Gerard brincou:


 


- Pessoal será que todas as lésbicas brasileiras se conhecem?


 


            Dadas as explicações, Rosana sentou-se ao lado de Diana, emendando a conversa com mais de cinco anos de assunto acumulado, regado às taças e taças de martinis que se multiplicavam vazias pela mesa.


 


- Como assim Miss Flower? Doutora eu esperava mais de você! E as anfíbias? Acabou?


 


- Isso foi sugestão de um produtor daqui, achava que meu nome era muito “aflorado”: Rosana, Campos... Era isso ou Miss Garden, então achei mais divertido o Miss Flower até mesmo pela tradução que você citou. E as anfíbias, sim, acabaram. Há uns três anos, eu entrei em uma espécie de “reality show” musical latino, isso abriu algumas possibilidades para mim. O grupo não resistiu a isso.


 


- Você ganhou um reality show?!


 


- Não, quem me dera! Mas, me deu alguma visibilidade, ganhei uma bolsa para estudar em um conservatório em Los Angeles, e junto com isso, algumas propostas de trabalho, alguns “back in vocal” em discos de algumas estrelas como: a Mariah, Pink, ah! Do John Legend e Leny Kravitz também. Então pedi uma licença do hospital e me joguei nessa aventura, era a última chance que eu daria para a música.


 


- Uau!


 


- É, foi um grande aprendizado. Mas, não era esse meu plano de viver da música, então, aceitei a proposta desse produtor de fazer shows aqui pelo Queens, conheci uma galera legal, montamos essa banda, e estamos a quase um ano nessa estrada.


 


- Nunca imaginaria você numa aventura dessa doutora! Você é louca!


 


- Você simplesmente me envia uma mensagem de texto avisando que estava se mudando para Nova Iorque e some por mais de cinco anos! Que tipo de louca faz isso?


 


- Eu ia lá me despedir de você, explicar tudo, mas, você não estava em São Paulo, o que eu podia fazer?


 


- Pow Diana, tantos meios de comunicação, redes sociais e você some? Juro que pensei de cara em você quando me mudei para cá, mas... Quando conferi sua ascensão na carreira, imaginei que você nem lembraria mais de mim.


 


 


- Acho que eu tive medo de retomar qualquer relação com aquilo que queria me esquecer. Mas o importante é que nos reencontramos!


 


            A rápida mudança de assunto depois do desabafo que Diana deixou escapar mostrou para Rosana que a chaga que as aproximou ainda estava aberta, ou a menos aquela cicatriz ainda incomodava muito.


 


- Conseguiu se esquecer?


 


            Diana desviou o olhar, sorveu mais uma dose da bebida e foi irreverente:


 


- Tinha me esquecido do seu talento e hábito de se intrometer, e agora você não é mais paga pra isso não é?


 


            Entendo o que estava subentendido na saída pela tangente de Diana, Rosana desconversou, depois de quase meia hora se deu conta da tromba que sua acompanhante colocara, especialmente porque aquela altura estava sozinha na mesa com elas, os demais circulavam pelo clube cumprimentando os conhecidos.


 


- Vocês costumam fazer isso? Excluir uma pessoa assim de uma conversa? Precisam mesmo conversar em português?


 


            Daniela não escondeu sua chateação. Notando a tamanha garfe que cometeram, Diana tentou se desculpar, enquanto Rosana se sentava ao lado do seu affaire, arriscando um afago na sua mão.


 


- Desculpe-me minha querida...


 


            Rosana beijou suavemente os lábios de Daniela, arrancando um sorriso da colunista. Diana inexplicavelmente tímida e incomodada com a cena usou da sua irreverência mais uma vez para quebrar o clima entre as amigas:


 


- Pronto Dani, seu draminha já teve o reconhecimento, agora desfaça essa tromba e vamos beber!


 


            Daniela arremessou outra azeitona em Diana, mas dessa vez acertou em cheio a testa da fotógrafa.


- Auuu.


 


            Diana esfregou a testa.


 


- Ok, quem falou em beber?


 


            Aos poucos, um a um da turma deixou o bar, restando apenas Diana e o casal: Daniela e Rosana. No entanto, as tentativas da colunista intensificar as carícias e precipitar a ida delas para seu apartamento foram inúteis, uma vez que Rosana a freou de todas as formas, animada com o reencontro com a amiga. A bebida mostrou seu efeito quando Rosana e Diana se levantaram, uma caiu por cima da outra, despertando as gargalhadas de ambas estateladas no chão, cena que irritou profundamente Daniela.


 


- Patéticas!


 


- Acho que estamos mais pra bebéticas! – Diana disse com a fala enrolada.


 


- Esses anos aqui acabaram com seu humor inteligente Diana! – Rosana se esforçou para dizer.


 


            As duas gargalharam, enquanto Daniela recolheu seu casaco e se afastou em direção a saída do clube.


 


- Ei! Aonde você vai sem nós? – Diana berrou.


 


- Vou para minha casa, coisa que devia ter feito a duas horas atrás!


 


            Daniela respondeu sem parar seu trajeto, de costas para as duas bêbadas ainda no chão. Rosana e Diana se encararam e mais uma vez gargalharam.


 


- É Dona Flor, um de seus maridos acabou de te abandonar, e agora? – Diana brincou.


 


- Agora me restou apenas um o que você vai fazer?


 


            O que parecia óbvio para os outros naquela noite, de repente ficou claro para as duas: a atração escondida foi revelada pela exagerada quantidade de álcool em suas veias, e rendidas a tal ímpeto conduziram seus lábios para uma fusão cálida.


*************


 


            O simples fato de ler aquele nome reportou Natalia à sua maior dor até então. O ex-senador Acrisio Toledo era um dos culpados pelo fim do seu namoro com Diana, pela condenação a um oco no seu coração sem aquele amor.


            O inquérito enviado pela 23ª DP denunciava o ex-senador por praticar em suas terras, no interior de São Paulo as quais abrigava os maiores canaviais do país, trabalho escravo.


            A jovem promotora leu com atenção cada item daquele inquérito, não tendo dúvidas em oferecer denúncia contra o ex-senador. Sua leitura foi interrompida bruscamente por uma senhora gorda, nitidamente mal humorada.


- Quem diabos é você? O que faz aqui?


- Natalia Ferronato. Estou trabalhando, e a senhora quem é?


- Ai meu Deus! Perdoe-me doutora! Não esperava a senhora tão cedo. Mas você não passa de uma menina! Não podia imaginar que era a nova promotora substituta!


- Calma senhora. Imagino que seja minha secretária, estou certa?


- Sim, sim. Joana Silva desculpa o mau jeito doutora. Fui nomeada para ser sua secretária com a aposentadoria do Dr. Taveira.


- Vamos esquecer isso.  Vou precisar muito de sua ajuda Dona Joana.


- O que eu puder fazer...


- Bem, imagino que a senhora organizava os arquivos do seu antigo chefe, e tem que concordar comigo que esse gabinete está precisando de uma boa dose de organização, impossível trabalhar numa bagunça dessas.


- Como disse, não esperava a senhora tão cedo, e fui designada há uma semana para esse cargo, não tive tempo de arrumar o gabinete antes da sua chegada.


- Ok, tudo bem. Suponho que a senhora conheça tudo por aqui, as rotinas e tudo mais...


- Supõe isso porque me acha velha? Está me chamando de velha porque disse que você é só uma menina?


- Não senhora, supus por que acabou de dizer que foi transferida depois da aposentadoria de um colega...


- Isso só deixa claro que meu antigo chefe estava velho, por isso se aposentou, se eu fosse velha, estaria aposentada também não é?


            Atordoada e sem graça pela indignação da senhora por suas deduções, Natalia engoliu suas explicações abrindo e fechando a boca sem conseguir emitir uma palavra.


- O que a senhora quer que eu faça primeiro?


- Ah, preciso de mais informações sobre esse inquérito especificamente.


- Qual é o número dele?


            A senhora colocou os óculos antes pendurados no pescoço por uma corrente prateada e abriu seu bloquinho de anotações. Natalia mostrou-lhe a pasta, e com a mesma expressão mal humorada da chegada, a secretária saiu da sala. Quase uma hora depois, Joana voltou com um calhamaço de papéis, e uma notícia:


- Chegou esse ofício para a senhora, avisando que seu assessor só comparecerá próxima semana, precisaram chamar outro classificado e atrasou a contratação.


- Você já leu o ofício endereçado a mim?


- Não dizia nada sobre ser conteúdo sigiloso, li sim. O Dr. Taveira sempre pedia que eu lesse pra ver se era mesmo importante, se tinha necessidade de incomodá-lo, essa gente adora escrever ofício!


            Natalia não respondeu se sentia despreparada para enfrentar a senhora rabugenta naquele momento. Com uma motivação pessoal mesclada ao seu entusiasmo pelo cargo que assumia Natalia não viu o tempo passar lendo os inquéritos arquivados nos quais Acrisio fora indiciado.            


            Ao final do dia, indignada com o montante de supostas provas colhido pelas investigações da policia que foram ignoradas pelos juízes que não aceitaram as denúncias, não teve dúvidas: ofereceu denúncia mais uma vez ao juiz contra Acrisio Toledo.


            Esse nome de volta à sua vida em um momento no qual ela conquistara um passo importante na sua carreira pareceu para Natalia uma grande armadilha do destino para fazê-la encarar seus fantasmas e suas dores. Aquele inquérito não só se apresentava como um desafio no seu presente foi também a prova que o seu passado estava mais vivo do que nunca em seu interior.


 

Nome: Lea (Assinado) · Data: 30/12/2021 11:17 · Para: 2.2. Praeterita mattis nunc

Rosana e Diana, será só atração física?? O beijo significará algo depois que passar o efeito da bebida? Isso se foi só beijo!!!



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