Amor e fúria por C Rocha


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Segundo Capítulo

EXPLICAÇÕES

 

— Ele fez o quê?! E você chegou a assinar algum contrato de locação, ou algo assim?

— Não. Foi um acordo feito de boca. Ele confiou em mim, e eu confiei nele.

— Você não deveria confiar no Joe, ele não é confiável para ninguém. — Falou enquanto baixava novamente o seu olhar, para a mão delicada da morena.

— Ele é seu irmão! — Evelyn comentou espantada. — Como você, fala desse jeito dele?

— Falo porque o conheço muito bem! Só para você ter uma ideia, caso ainda não tenha percebido, ele alugou... o meu apartamento para você... sem o meu consentimento. — A ruiva respondeu enquanto colocava delicadamente, um pouco de pomada no machucado.

— Quando ele me entregou a chave, ele disse que ninguém morava aqui, e que o apartamento estava desocupado. — A morena tentou ignorar a ironia. — Não estava vazio, mas estava desocupado.

— Pois é, ele mentiu pra você e ganhou uma grana em cima do que é meu. Infelizmente, vamos ter que resolver essa situação. — Ela falou ao terminar de colocar o curativo no dedo da morena.

— Olha, se você quiser, eu posso sair agora mesmo, e procurar um lugar para ficar. — Falou séria. — Não é como se nessa cidade, não exista mais nenhum lugar, que eu possa me hospedar. — Jéssica a olhou resignada.

— Vamos fazer assim, você pode passar essa noite aqui. Estou muito cansada da viagem que fiz, e a única coisa que quero nesse momento, é descansar. — Disse exausta. — Você pode dormir no quarto de hóspedes. Detalhe, enquanto você ficar aqui, não quero mais nenhum estranho na minha casa, ninguém! É só você, entendeu? Amanhã conversamos melhor, boa noite! — Ela estava saindo quando de repente, se lembrou. — Ah! Já ia me esquecendo. O Joe está incluído nessa. Nem ele, eu quero aqui dentro da minha casa, sem a minha permissão! — Depois, a ruiva caminhou direto para o seu quarto, e trancou a porta com a chave.

...

— Aquele, não é o Mike?

— Sim, parece que é. Ei, Mike! Vem cá, fica aqui com a gente! — Gritou Joe. — Nossa, faz tempo que a gente não se vê, cara! O que tu andas fazendo?

— Eu não posso ficar por muito tempo, só passei aqui para tomar uma cerveja e relaxar um pouco. — Ele comentou nervoso.

— Senta aí cara, e toma uma cervejinha com a gente então.

— Não dá! Não dá cara, tô com muita pressa. Além disso, eu não posso ser visto com você. Desculpe!

— Como assim, não pode ser visto comigo? — Joe perguntou atordoado.

— Não é nada, não. Outro dia, em outro lugar a gente se fala. Até mais! — Ele foi embora olhando para os lados, bem agitado.

— Você entendeu alguma coisa?

— Claro que não! E que história é essa que ele não pode ser visto com você... o que você andou aprontando dessa vez, hein cara? — O amigo perguntou em tom de brincadeira.

— Com esse aí? Nada! Que cara mais estranho! Enfim, já vou para boate! Você vem junto?

— Não. Vou voltar pra casa.

— Por quê? Vem comigo se divertir um pouco e conhecer gente nova. Quem sabe, até conhecer alguém especial.

— Alguém especial nesse lugar, nesse fim de mundo? Sugestão maluca! Você tá é maluco Joe. E a Raquel?

— Não vou me encontrar com ela hoje. Inventei uma desculpa para não dormir em casa. Nem sei, se ela vem nesse final de semana. Vamos? — Insistiu Joe.

— Não, essa eu passo!

— Ok, você quem sabe. Já vou indo.

...

 

No dia seguinte, quando Jéssica saiu do seu quarto, ela deu de cara com a morena sentada no sofá, tomando uma xícara de café.

— Bom dia. — Falou tranquila. — Tem café fresco, se você quiser.

— Não, obrigada. — Respondeu fria. — Vou sair para dar uma caminhada e quando eu voltar, conversamos. Okay?

— Okay. — Evelyn concordou, antes de tomar mais um gole de café.

 

...

 

— Evelyn, você ainda está com as minhas chaves... — Joe levou um baque, ao ver a irmã sentada no sofá da sala conversando com a morena. — Jéssica! Quando você voltou!? — Havia um ar de surpresa e preocupação, no rosto do irmão da ruiva.

— E isso, importa? — O olhar que a ruiva direcionou para ele, foi de puro nojo. Não conseguia esconder o quanto se sentia enojada, ao ver o canalha, depois de tantos meses sem contato com ele. — Como você se atreve a entrar dessa maneira, no meu apartamento? — Jéssica havia ficado indignada com a atitude do irmão.

— Eu... eu só vim conversar com a Evelyn. Vejo que vocês duas, já se conheceram!

— Não perguntei o que veio fazer aqui. Perguntei, como você se atreveu a entrar dessa maneira. Vocês dois tem um caso, é isso? — Ela olhou de Joe para Evelyn. A morena olhava a pequena discussão entre irmãos, perplexa. Mas, reagiu quando Jéssica tinha insinuado que pudesse ter algo entre eles.

— O seu irmão e eu, somos só amigos! — (Se podiam, considerar assim.) — De fato, o seu irmão namora uma amiga minha.

— Isso, nunca foi obstáculo para ele. Joe, não sabe o que é fidelidade! — A ruiva comentou amargurada.

— Jéssica, por favor! Vamos conversar.

— Okay! Comece me explicando, como fui parar naquele lugar! No seu, lugar! — Falou séria, enquanto apontava o dedo para ele.

— E-eu posso explicar...

— Há, você vai! Com certeza, você tem muitas explicações para me dar! Outra explicação, por exemplo, é por que na noite passada, eu fui pega de surpresa, ao saber que o meu apartamento tinha sido alugado. E olha só... — Falou irônica. — Além de não ter sido informada, também não autorizei a locação e nem vi a cor do dinheiro. Agora me diz Joe, o que eu deveria fazer numa situação dessas. Chamar a polícia? — Sem esperar a resposta, a ruiva olhou para Evelyn que estava de olhos arregalados e falou. — Você se importa em me deixar a sós, com o Joe?

— Vou dar uma volta! — Respondeu. Jéssica esperou até que Evelyn saísse do apartamento deixando os dois sozinhos, e então ela olhou pela primeira vez, direto nos olhos do seu irmão, após mais de seis meses sem contato entre eles.

 

...

 

A tensão, era grande! E Jéssica, se esforçava para ter que encarar aquele homem. A vontade que tinha, era de esganá-lo. E Joe, estava apreensivo, pois sabia que as coisas se tornariam muito mais difíceis, dali por diante.

— Estou esperando.

— Você está um pouco diferente, mais magra e...

— E o que você esperava, após eu passar seis meses naquele lugar? Eu não fui passar férias numa ilha paradisíaca, ou num Spa.

— Eu sei, eu só...

— Só está tentando ganhar tempo. Anda Joe... não me faça, perder o meu tempo. — Ela falou impaciente.

— Jéssica, escuta! O que aconteceu, não foi culpa minha… não totalmente! Eu juro! — Jéssica fitou-o em silêncio e isso, estava deixando o irmão mais nervoso. — Os advogados, eles me enganaram! Me fizeram acreditar, que eu precisava fazer aquilo. — Joe tentou desesperado.

— Por quê... ? — Ela perguntou sem acreditar.

— Porque, ou era você, ou... seria eu.

— Aí, você decidiu sem se importar, que seria eu.

— Não foi, bem assim...

— Como “não foi bem assim”!? Quem passou os últimos meses naquele lugar, e depois quando voltou, ficou sabendo que o seu irmão canalha do jeito que é, ainda tentou lucrar nas costas da irmã, ausente por culpa dele?!

— Jéssica, escuta! O dinheiro não era para mim, era para você! — Joe sem jeito, tentava explicar.

— Engraçado, que eu não vi a cor desse dinheiro.

— Foi porque aconteceu uns probleminhas, e eu precisei gastar o dinheiro do aluguel.

— Claro, obvio!

— Mas, eu vou repor... — Aquela frase deixou Jéssica, muito mais irritada do que já estava.

— Vai repor também, os últimos meses da minha vida? Vai me fazer esquecer tudo que passei naquele lugar horrível? Quer que eu te conte tudo o que me aconteceu durante esses mais de cento e oitenta dias, que estive lá? Não, claro que você não está interessado, porque você é um maldito escroto! Agora, para de enrolar e começa a contar toda a verdade, porque depois que essa história toda estiver resolvida entre nós dois, eu não quero mais saber de você na minha vida.

— Eu já disse, foram os advogados! — Falou desesperado.

— Okay! Até agora, você só culpou os advogados... beleza! Agora me explica, por que eles fizeram isso.

— Eu não posso. — Ele respondeu baixando a cabeça envergonhado.

— Eu mereço saber! — Ela se levantou. — E você disse, que ia explicar! — A ruiva falou alterando a voz, enquanto andava de um lado para o outro agitada.

— Eu não posso dizer. Se eles ficarem sabendo, vão mandar me matar! — Jéssica parou quieta e observou o semblante preocupado do irmão, e parecia que ele realmente estava com medo. Então, ela falou determinada:

— Quero que você saiba, que não importa o que aconteça... pra mim de agora em diante, você não passa de um estranho. Não me procure mais, e não me envolva novamente nos seus problemas. O que você tinha de mim, acabou... Que era carinho, amor e atenção. Sai do meu apartamento e pense bem, se pretende continuar mentindo pra mim.

— Jéssica...

— Sai daqui, e deixe a cópia da chave que você fez, sem a minha permissão. Aliás, só pra te informar, eu vou chamar um chaveiro para mudar a fechadura e colocar mais uma trava de segurança. Só pra prevenir que nenhum filho da mãe, entre novamente aqui sem eu ficar sabendo, ou faça negócios com o meu apartamento, na minha ausência.

...

 

Evelyn só voltou algumas horas depois. Ela ia abrir a porta com a chave que tinha recebido de Joe, mas resolveu tocar a campainha. Não demorou muito, e Jéssica abriu a porta para que ela pudesse entrar.

— Desculpe, eu não tinha certeza se já podia voltar. Por isso, fiquei até mais tarde na rua.

— Precisamos conversar.

— Eu sei! Eu aproveitei e passei no Hotel do Alemão que fica aqui perto, para saber se tinha algum quarto disponível.

— E conseguiu?

— Talvez. O dono me disse que um casal tá para deixar a hotel ainda nessa semana. Deixei o meu número com ele, para tentar alugar o quarto.

— Que bom! Mas, tem algumas coisas que preciso te perguntar. E dependendo das respostas, talvez você possa ficar por mais alguns dias.

— Okay!

— Vem, vamos nos sentar no sofá. — Evelyn a seguia ansiosa. Jéssica se sentou na poltrona e Evelyn se acomodou no pequeno sofá, de dois lugares

— Quero que você seja sincera comigo. — A ruiva de olhos azuis falou séria.

— Okay. — A morena assentiu.

— Certo... quem é você, e o que você faz? — Ela perguntou curiosa.

— Bom, o meu nome eu já lhe disse, na noite passada.

— Mas, não custa repetir. — Jéssica insistiu, porque não conseguia lembrar o sobrenome dela.

— Sim, claro! O meu nome é Evelyn Pacheco, e trabalho como pesquisadora na BIO-LAB. — A morena respondeu tranquila.

— Que espécie de pesquisa você faz?

— Pesquisa com o genoma humano.

— Interessante! — Jéssica falou admirada. — E como você conheceu o Joe?

— Eu conheci o teu irmão numa boate, na cidade vizinha...

— Então, você frequenta os mesmos lugares que ele. — (que pena!)

— Na verdade, não! Eu estava acompanhando um grupo que trabalha comigo na BIO-LAB. Era aniversário de um deles.

— Mas, você veio parar no meu apartamento...? — A ruiva perguntou, inclinando levemente a cabeça.

— Entendi. Você quer saber como isso aconteceu, né? — Jéssica, apenas confirmou com um gesto de cabeça. O olhar azul, era indecifrável.

— Acontece que... quando eu ia me afastar para ir embora, um colega do meu grupo chegou com ele na mesa onde estávamos e me apresentou a ele. Aparentemente, eles se conhecem desde os tempos de crianças.

— Will.

— Sim, Will. Ele também trabalha no mesmo complexo, que eu trabalho... — Nesse momento, Jéssica suspirou desanimada. Lembranças vieram a sua mente, ao ouvir aquele nome. Igual a Joe, Will era outro filho da mãe que vivia se aproveitando de outras pessoas. Alguns meses antes, os dois tentaram dar um golpe num senhor, que já tinha uma certa idade. Felizmente, os filhos do pobre coitado, descobriram a tempo.

Foi nessa época, que ela havia começado a perceber, o verdadeiro caráter do irmão. — ... enquanto conversávamos um pouco, Will comentou com o Joe que eu precisava de um lugar para ficar.

— E ele te ofereceu, esse apartamento.

— Sim.

— E você não achou estranho, quando encontrou tanta coisa espalhada por aqui? — A ruiva comentou apontando para a sala com a cabeça.

— Ele me disse que a irmã precisou viajar com urgência, e deixou tudo pra trás. Mas pediu que eu não tocasse em nada, e nem mudasse nada do lugar. Me proibiu também de entrar no quarto principal. Eu já estava dormindo no quarto de hóspedes, quando você chegou.

— Hm! Hoje antes dele chegar aqui, você me disse que ele ligou ontem para você e avisou que não ia dormir em casa. Por que ele fez isso? Ele estava morando aqui com você, mesmo namorando a sua amiga? — Perguntou, incerta da resposta que iria ouvir.

— Não é nada disso, que você está imaginando. — A morena falou sincera. — Ele me ligou, porque está saindo com a minha amiga Raquel. Sempre que ela vem para o continente, fica no apartamento dele. E eu as vezes, entrego a chave pra ela, como um favor para ele. É só isso!

— Ou seja, ele tá comendo a garota, mas não deixa a chave com ela. — Cafajeste. — Se entendi direito, você só precisa de um lugar para ficar, nos finais de semana?

— Sim. Nos outros dias, permaneço nas dependências da BIO-LAB. E as vezes, fico por semanas seguidas no complexo.

— Hm.

...

 

Nome: Michelle Silva (Assinado) · Data: 13/11/2021 19:26 · Para: Explicações

  Parabéns pelo Capítulo minha Querida, aguardando a continuação , do meu casal fofucho preferido.                            Adorando a História, parabéns 

 

 

 

 

 



Resposta do autor:

Obrigada, moça!

E, obrigada por comentar!

Bjs!

C.ROCHA



Nome: Marta Andrade dos Santos (Assinado) · Data: 12/11/2021 23:53 · Para: Explicações

Legal!



Resposta do autor:

Oie, Marta!

Obrigada por comentar!

Fiquei feliz, de te ver por aqui também!

Bjs!

C.ROCHA



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