Under the influence of love por Silvana Januario


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No dia seguinte, acordei com uma dor absurda nas pernas. O motivo? Douglas esparramado no chão, com as pernas jogadas em cima das minhas. Tentei sair dali sem acordar, mas foi impossível.

 

-  Nossa! Nem dá mais pra dormir em paz dentro da minha própria casa?

-  Você não está atrasado para o trabalho, Douglas Maldonado?

-  Não. Hoje eu entro mais tarde. E já que você me acordou, eu vou fazer a minha higiene e depois vou providenciar o nosso café. Aí você liga pro teu pai e avisa da nossa ida à Anchieta.

-  Ok, senhor mandão. - Ainda fiz gesto de continência pra ele que mostrou a língua de volta.

 

Fui atrás do meu celular e quando o encontrei, havia uma mensagem da Lizzy, avisando que saíra de madrugada, pois entraria na clínica cedo. Após olhar a mensagem e responder com um "ok", liguei para meu velho querido:

 

-  Bom dia, pai! - falei toda empolgada.

 

-  Olá, senhorita Diana Moretti. Lembrou que eu existo?

 

-  Pai, sem dramas. Estou ligando pra te dar uma boa notícia.

 

-  Ganhou na loteria? Assim eu me livro de certos assuntos aqui.

 

-  O que está acontecendo?

 

-  Um outro dia eu te explico, filha.

 

-  Tá certo, será logo então. Estou indo para Anchieta.

 

-  Quando vem?

 

-  Depois de amanhã. Vou com o Douglas.

 

-  O seu amigo? Aquele...

 

-  É, pai. O meu amigo que é gay. Algum problema?

 

-  Não, nenhum. Já me acostumei com isso.

 

-  Eu não entendo, pai. Você me aceita tão bem e não aceita os meus amigos por quê?

 

-  Não tenho nada contra gays, mas ele poderia ser menos afetado?

 

Não aguentei e desandei a rir. É complicado pessoas do interior se acostumarem com homossexuais na cidade, e afeminado do jeito que Douglas é, ele causará por lá.

 

-  É o jeito dele, pai. 

 

-  Eu sei e já entendi. E não me trata como um "matuto" que eu até que sou moderninho.

 

-  Pois é, senhor moderno. Chegaria à cidade no final da tarde. Ou seja, já pede a Matilde pra fazer aquele café da tarde reforçado.

 

-  Com tudo o que você gosta.

 

-  E nem esquente com o Douglas. Ele come de tudo e é capaz dele detonar o café antes de mim.

 

-  Bom, filha. O papo está ótimo, mas eu tenho que ir para o escritório. Estamos em temporada alta aqui e o Haras está ficando cada vez mais lotado.

 

-  Pai, você não está deixando os turistas montarem no "Trevor", né?

 

-  Não, filha. Ele fica separado quando chegam visitas. Pelo que te conheço, você não hesitaria em matar alguém se soubesse que montaram no "Trevor".

 

-  Ainda bem que sabe. Boa sorte aí pai, até logo.

 

-  Contarei os dias.

 

Desliguei o celular e vi que a mesa já estava posta com pães, frios, leite e café. Claro que me perguntei de onde surgiu tudo aquilo.

 

-  Para o seu governo, você nem me viu sair e muito menos voltar. Parecia que estava de namorico ao telefone.

-  Mas como você é implicante!

-  Bora, vamos tomar o café que eu vou te deixar em casa e irei trabalhar.

 

                                             - - - - - //- - - - - 

 

Antes de eu sair do carro, ele segurou meu braço e perguntou:

-  Tá tudo bem?

-  Tá sim, Doug. Eu preciso me acostumar com a minha realidade.

-  Eu é que ando insensível. Acho melhor você ficar lá em casa.

-  Não. Eu quero ficar. Aproveito e exorcizo tudo o que tem da Mônica aqui.

-  Tá certo. Se quiser, depois eu venho aqui e te ajudo a tacar fogo nas coisas dela.

-  Não. Vai pra casa depois do trabalho e se prepara para a nossa viagem.

 

Desci do carro e entrei em casa. As imagens de ontem vieram feito bala de revólver quando se é disparada. Ameacei chorar, mas respirei fundo limpando a única lágrima teimosa que escapou de meus olhos.

 

                                                  - - - - - //- - - - - 

 

Comecei abrindo a caixa que eu havia trazido da agência e retirei tudo o que  lembrava da minha digníssima ex de lá jogando em um saco plástico. Depois fui até o banheiro e abri o armário. Joguei escova, cremes, shampoos e condicionadores dela no mesmo saco plástico e depois o fechei.

Fui até a lavanderia e peguei mais dois sacos. Um eu deixei na cozinha e o outro na sala. Voltei para a cozinha e acabei me descontrolando. As lágrimas vieram ao abrir o armário com copos e xícaras. Todas as que personalizamos com fotos e dizeres apaixonados, eu simplesmente arremessei ao chão. Assim como os copos que ela mais usava. Só não mexi nos pratos já que fui eu que os comprei.

Peguei a vassoura e comecei a juntar todos os cacos e, com uma pazinha, jogando-os no saco plástico. Em seguida, passei pela sala, peguei o outro saco plástico e fui até o quarto. Abri a primeira porta do guarda-roupa e ali estavam todas as coisas dela: cd 's, dvd' s, uma agenda eletrônica, dois óculos de sol e os perfumes dela. Tudo foi parar no saco plástico. Abri a segunda porta e vieram as roupas. Joguei-as dentro do saco. Amarrei e voltei para sala, pegando os outros dois sacos plásticos e carregando-os para a lixeira na rua.

 

-  Agora sim, Mônica Rodrigues, você está fora da minha vida de vez.

Entrei em casa e me joguei no sofá, nem percebi quando eu adormeci.

 

                                         - - - - - //- - - - - 

 

No dia seguinte, escuto meu celular tocar e atendo num pulo.

-  Ansiosa para a nossa viagem amanhã?

 

-  Só poderia ser você para me acordar, Douglas.

 

-  Querida, sei que agora você está na vida boa, mas acordar cedo, fazer uma caminhada, um Cooper ou até mesmo andar de bicicleta fazem bem para o corpo, mente e pele.

 

-  E você já fez tudo isso hoje?

 

-  Eu não preciso disso. Minha pele é um pêssego perto da sua e a acabada da história é você e não eu.

 

-  Eu só não mando você tomar naquele lugar, pois você vai me agradecer por isso.

 

-  Ainda bem que você sabe, ainda mais que eu estou há uns... Três dias sem dar gostoso.

 

-  Sem detalhes, por favor!

 

-  Relaxa, que da minha vida sexual só eu e meus bofes que sabem. Mas falando sério agora, já está mais animadinha pra viajar amanhã?

 

-  Sim. Ontem eu joguei todas as coisas da Mônica no lixo. Estou me sentindo leve.

 

-  Claro! Você jogou toda a energia negativa da sua casa fora. E ela te procurou?

 

-  Capaz que ela faria isso. Deve estar planejando dar o golpe naquela mulher que estava aqui.

 

-  Chega de falar da bruaca. Eu já fiz a minha mala e mal vejo a hora de respirar o ar do campo novamente.

 

-  Fico tão feliz quando diz isso, Doug. Você realmente gosta da minha cidade.

 

-  Gosto assim como a Lizzy. Pena ela não poder ir conosco amanhã.

 

-  Pois é. Será que ela conseguiu alguém para cuidar da mãe dela?

 

-  Sim, eu a ajudei. Um primo meu que é enfermeiro virá pra cá ficar com ela. Disse que eu pagaria e está tudo certo. Ela só não sabe quando poderá ir, mas meu primo confirmou tudo.

 

-  Que maravilha! Ter os meus amigos lá será o máximo.

 

-  Você merece, gata! Quem sabe até um novo amor poderá surgir por lá.

 

-  Capaz! Eu estou fora de relacionamentos por um bom tempo. E outra, conheço todo mundo daquela cidade.

 

-  Pode ser da cidade vizinha, como é o nome?

 

-  Rio das Águas.

 

-  Isso mesmo! Vai, gata! Se abra as novas oportunidades quando surgir.

 

-  Doug, preciso desligar.

 

-  Tá certo. Até amanhã. Eu passo aí pra te pegar.

 

-  Jamais! Iremos no meu Fusca.

 

-  O que? Eu no seu Fusca?

 

-  Douglas, sem drama. Meu Fusca tá bonitinho.

 

-  Tá, passa aqui. Mas se vier antes das 9 horas, te mato!

 

E, como previsto, Douglas quase teve um surto quando comecei a buzinar em frente à casa dele antes das 9 horas, no dia seguinte.

 

                                              - - - - - //- - - - - 

 

-  Isso são horas, Diana Moretti? Qual foi o combinado de ontem? - Douglas fazendo escândalo na janela da casa dele.

-  Que iríamos viajar no meu fusquinha.

-  Não! Que eu te mataria caso aparecesse aqui antes das 9 horas.

-  Nêgo, você não vive sem mim. Por isso, não tenho medo das tuas ameaças.

-  Pois deveria!

-  Doug, abre a porta. Preciso fazer certas necessidades fisiológicas.

 

Douglas jogou a chave pra mim e eu entrei correndo para o banheiro. Estava a ponto de fazer nas calças de tão apertada que estava. Quando saí, percebi que ele já estava pronto e era eu que tinha vontade de matá-lo depois desse showzinho que ele deu. Nos abraçamos e ele me convidou para o café da manhã e eu recusei, alegando já ter gastado numa padaria perto de casa.

Enquanto esperava, fiquei zapeando os canais na TV até aparecer uns desenhos antigos em um canal de TV fechada. Meia hora depois, estava me divertindo horrores quando ele diz já estar pronto cortando meu barato. E lá estávamos nós, saindo de São Paulo com destino à pacata cidade de Anchieta. Apesar de ser distante aproximadamente 600 km da capital, a cidade atrai muitos turistas por conta das paisagens, cachoeiras e o haras do meu pai.

 

                                                      - - - - - //- - - - - 

 

Depois de um tempo dirigindo, Doug e eu paramos em um restaurante na estrada e nos entupimos de porcarias, doces e eu aproveitei para abastecer um pouco mais no posto ao lado, já que meu fusquinha adora uma gasolina. Ficamos cerca de duas horas no local e seguimos viagem pois havia um bom trajeto a ser percorrido.

Doug dormia tranquilamente no banco do carona e eu dirigindo e curtindo os MPB 's que tocava no mp3. Olhei o relógio e já apontava 17 horas quando peguei a estrada direta para Anchieta e Rio das Águas. Respirei fundo e sorri em seguida, faltava aproximadamente 40 minutos para chegar à minha cidade natal. Só de imaginar rever o meu pai, depois de 4 meses e alguns amigos de infância, me deixa completamente extasiada.

Estava totalmente focada no volante, observando tudo ao meu redor quando passei por cima de algo e que este "algo" detonou um dos pneus do carro.

 

-  Douglas, acorda.

-  O que foi, mona. Já chegamos?

-  O pneu furou.

-  O QUE?

 

Saímos do carro e constatei que o pneu dianteiro do lado do motorista foi a vítima da vez e que não foi somente um furo, o pneu estourou mesmo e corremos o sério risco de um acidente grave.

 

-  E agora bicha, o que faremos? - Ele perguntou.

-  Você poderia trocar o pneu, né.

-  Tá maluca? Eu lá tenho cara de borracheiro?

-  Douglas, por favor. Você é homem e todo homem sabe como trocar um pneu.

-  Acontece que eu sou uma "lady" num corpo masculino, ou seja, não sei trocar pneu.

-  Ta. E o que faremos?

-  Liga pro teu pai vir nos buscar.

 

Peguei o celular e estava sem bateria. Fiquei pra morrer com isso, não mais quando eu peguei o do Douglas e ele estava sem sinal.

 

-  Só me faltava essa! Os dois sem celular.

-  O jeito é você colocar o triângulo de sinalização e ficaremos aqui até alguém passar e nos ajudar.

-  O pior é que está esfriando e escurecendo e essa estrada é meio perigosa.

-  Ai meu Deus! É melhor rezarmos para passar alguém rápido.

 

                                                   - - - - - //- - - - - 

 

Depois de duas horas e meia, algumas cantadas de pedreiro vindo de caminhoneiros e eu quase surtando por que eu sei que meu pai deve estar se corroendo de preocupação. Douglas, que já se conformava em dormir no carro, avista um i30 e acena desesperadamente. E não é que o carro resolveu parar e ver do que se trata. Saiu um moreno lindo, que Douglas já ficou de olho e uma ruiva de parar o trânsito de dentro do carro, eu olhei porque realmente ela chama a atenção. Eles vieram até nós.

 

-  O que aconteceu aqui? - O rapaz perguntou com voz de preocupação.

-  O pneu furou e minha amiga não sabe trocar. E, claro que eu também não. - Douglas já foi se adiantando para o lado do moreno.

-  Você tem estepe aí? - A ruiva perguntou com uma voz melodiosa.

-  Tenho sim. - Eu respondi meio no automático, ainda estava hipnotizada pela voz dela.

 

Peguei o estepe e, para a minha surpresa e espanto de Douglas, era ela que estava colocando a mão na massa e o rapaz moreno prestava atenção. Douglas fez um sinal pra mim de que ela era entendida e o rapaz também e tratou de puxar assunto com ele e eu ainda estava paralisada com a desenvoltura dela em trocar o pneu.

 

                                                 - - - - - //- - - - - 

 

Depois de 15 minutos, ela estava em pé, suada, com a mão suja de graxa e sorria pra mim. E eu sorria pra ela feito uma boba. Saí de meu estado letárgico ao ouvir Douglas agradecendo á seu modo:

 

-  Ai, bem! Obrigado por nos tirar dessa enrascada. Eu já estava me conformando de dormir neste aperto de carro.

-  Não tem o que agradecer. - Ela disse. - Estão indo para Anchieta ou Rio das Águas?

-  Anchieta. - Respondi um pouco nervosa.

-  Então... Boa estadia na cidade.

 

Ao dizer isso, a ruiva se dirigiu ao carro e o moreno a seguiu. Eu precisava saber o nome dela para agradecer novamente e foi o que perguntei. Para meu completo espanto, ela respondeu:

 

-  Não há a necessidade de nomes. Não nos veremos mais.

 

E, ao dizer isso, entrou no carro. O moreno seguiu-a e os dois partiram, deixando Douglas e eu ali, com cara de tacho.

 

Notas finais:

Diana fazendo o ritual de descartar tudo que era da Mônica de casa...

Processo libertador!!

 

E que encontro, hein?

 

Quem será a ruiva e o moreno misterioso?

 

Sinto cheiro de coisa boa no ar... Será?

 



Comentários


Nome: Mille (Assinado) · Data: 18/10/2021 11:37 · Para: Capítulo 3 – Voltando Pra Anchieta, Quando Te Conheci.

Essa dupla é divertida demais, mal chegaram e já causando. E essa ruiva foi a salvadora desses atrapalhados. 

Bjus e até o próximo capítulo 



Resposta do autor:

Eu amo esses dois viu, amo demais!!!!

Eles causam em todos os lugares que aparecem, nem tem como não ser assim.


A ruiva salvou os dois, mas tbm foi bem sem educação, né?


Beijos!!!



Nome: NovaAqui (Assinado) · Data: 18/10/2021 10:03 · Para: Capítulo 3 – Voltando Pra Anchieta, Quando Te Conheci.

Porra, sapatão! Como assim você não sabe trocar um pneu? kkkk pode rasgar a carteirinha de sapa rsrs

Que será a ruiva misteriosa?

Aguardem cenas dos próximos capítulos



Resposta do autor:

Eu sou sapatão e não sei trocar pneu!!!

Vou cancelar minha carteirinha hahahahahahahahaha


A ruiva vai balançar corações, por isso esse mistério todo...



Nome: Marta Andrade dos Santos (Assinado) · Data: 18/10/2021 00:08 · Para: Capítulo 3 – Voltando Pra Anchieta, Quando Te Conheci.

Eita !



Resposta do autor:

Eita atrás de eita!!!



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