One more night por kasvattaja Forty-Nine


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Capítulo IX

 

Pegue Minha Mão E Recarregue!

 

Manacá-Da-Serra, São Paulo – Brasil.

Jacarandá Inn, Meio Da Madrugada De Sábado.

Setembro 05, 2015.

 

Michelle

 

Minha reação é imediata, pegando novamente no braço de Rita e puxando com uma certa força, livrando-a do agarre daquele imbecil. Fácil notar que ele estava muito alterado.

— Você é maluco, cara? O que pensa que está fazendo, seu babaca?

— Você não se meta! — Ele afirma apontando o dedo para mim e aproximando-se perigosamente de nós, mas encarando Rita, furiosamente. — O que você acha que pensarão todos quando souberem, lá na escola, que você esfrega-se com mulher? — Ele estava quase gritando — e cambaleando —, chamando a atenção de uns poucos que estavam espalhados pela sala, mas próximos a nós.

— Baixe o tom de voz, Fábio, e cuidado com o que você diz. — Rita, trêmula, rebate-o. Algumas pessoas, nesse momento, já tinham parado por ali, acompanhando a discussão.

— Sabe do que você precisa...

— Cale a boca, seu idiota! — Disse ríspida, empurrando-o com as mãos espalmadas — não deixando que a frase infame fosse terminada —, para bem longe de Rita e ficando entre os dois. Ela, atrás de mim, me segura pela cintura, puxando-me para si. Fábio aproveita e quase cola seu corpo no meu, aproximando-se mais e ameaçadoramente colérico. Ele fede a bebida, seu hálito é podre.

— Quem você pensa que é, sua sapatão nojenta. — Cospe, ele, literamente. Ele babava. Parecia um cachorro louco. Sou contra violência, mas naquele momento reagi, tanto para mostrar a ele que não me intimidava com a sua truculência, quanto por estar possuída pela raiva. Dei-lhe, com a mão bem aberta e com toda minha força, um bofetão. Bêbado e surpreso com minha ação, ele cai feito fruta madura, de bunda no chão e as costas logo a seguir ao tentar apoiar as mãos no chão para levantar-se.

Ouço aplausos e assovios.

— Miserável... — Diz quando conseguiu por-se em pé. Trôpego e, aos tropeços, partiu para cima de mim, com os punhos fechados, já movimentando os braços para socar-me. Sou de novo puxada por Rita, para longe dele, para longe de seus socos, mas nem precisava. Alberto já estava entre nós, atropelando-o. Agora, era Al quem ele tentava acertar, também em vão. Alberto, muito mais lúcido e frenético, desviava de seus golpes com facilidade. Léa, assustada, tentava puxar Fábio para longe de Alberto. Nesse momento, seguranças do hotel — ou funcionários comuns; não tínhamos como saber — aparecem e agarram o bebum trapalhão, levando-o dali, praticamente arrastado.

— As senhoritas estão bem? — Pergunta um senhor — terno e gravata, crachá de Gerente Do Hotel — todo solicito. Assentimos, Rita abraçada em mim, Léa nos braços de Alberto. — Devo chamar a polícia?

— Você não é o Gerente? — Digo, apontando para a sua identificação. Ele anui. — Então, sabe o que tem de ser feito. — Ele concorda, meio a contragosto — era evidente a sua insatisfação com o que tinha acabado de acontecer  —, afastando-se.

Com o fim do espetáculo, as pessoas começam a afastarem-se e nós quatro caminhamos até um reservado vazio. Al e Léa sentam-se em um sofá; eu e Rita, de frente para eles, em uma poltrona. Ela pega minha mão, apertando-a de leve.

— Que foi isso, gente. Tô passada

— Não é para menos, Léa. Estou decepcionada com Fábio.

— Eu não, Rita. Esse cara sempre se mostrou um escroto, e vocês sabem disso. — Diz Al. — Agora, que tal explicarem para nós, hein? — Arremata, apontando para nossas mãos unidas.

Entreolhamo-nos e uma sorridente Rita, sem soltar da minha mão, conta nossa história, que começou há quase quinze anos atrás. Os dois ouviam-na em silêncio, fazendo caras e bocas.

— Gente, que babado forte — afirma Léa, levantando-se e caminhando até nós duas. Assim que chega, curva-se abraçando-nos. —, mas estou com vocês. Têm o meu apoio. — Ficamos assim durante alguns segundos e logo Alberto também entra no abraço.

— O meu também. — Mas logo ele afasta-se, pegando na mão de Léa. — Vamos voltar para a pista? — Assentindo, ela envolve a cintura dele.

— Juízo, meninas! — Ela adverte, piscando para nós e os dois seguem para o salão, no ritmo da música que tocava, ''Reload'', de Sebastian Ingrosso...

''Pegue minha mão e recarregue

Isso é amor livre

É disso que nós somos feitos

Sim, nós somos, somos, somos

Recarregue

Isso é amor verdadeiro

É disso que nós somos feitos

Sim, nós somos, somos, somos'' [1]

— Desculpa, Michelle, eu sinto muito. — Diz ela sentida, talvez envergonhada, escondendo o rosto com as mãos. Envolvo seu ombro, confortando-a, com carinho. Meu coração angustia-se pelo seu tormento. Entendia o que se passava com ela. Deslizei minha mão por suas costas em uma tentativa de confortá-la. Provavelmente, ela já estava pensando nas consequências de nossa relação, ou possível relação.

Será que ela estava com dúvidas em assumir-nos?

— Ei — digo pegando em suas mãos, descobrindo seu rosto. Os olhos estão úmidos, talvez tristes. —, vai dar tudo certo. Eu amo você, Rita. Estamos juntas, e não estamos sozinhas. — Afirmo, lembrando-me de Al e Léa, além de minha família, que sempre me apoiou.

— Eu sei o que sinto, Michelle, não duvide disso — diz ela, como se tivesse lido minha mente. —, mas vendo a reação do Fábio, sei que haverá muita confusão.

— Você não estará sozinha — Repito. —, nunca.

— Eu sei que não. — Volto a abraçá-la, apertando-a em meus braços. Ela deita sua cabeça em meu ombro, suspirando. Seu hálito quente em meu pescoço — mesmo não querendo — faz com que meu corpo reaja, arrepiando-me toda, excitando-me. Então, ela beija ali, com carinho, fazendo com que eu sinta sua respiração ofegante, provocando-me? Algumas pessoas que vagueavam pelo saguão não paravam de olhar-nos. Não me incomodavam e, acredito, nem a ela, mas deu-me vontade de sair dali e ir para um lugar onde pudéssemos ficar mais à vontade. — Vamos sair daqui.

Sem esperar por sua concordância, puxei-a pela mão até o elevador, atravessando um hall quase vazio, já entrando nele aproveitando que estava com as portas abertas e apertando o botão do andar do meu apartamento. Assim que as portas fecham-se, entreolhamo-nos e ela sorriu. Com o coração palpitando forte, observei o elevador subindo, andar por andar, em uma contagem regressiva para — quem sabe? — uma noite de amor, que era o que eu mais desejava naquele momento com ela, uma noite de amor, a nossa primeira noite de amor.

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[1] Reload [Recarregue] - Sebastian Ingrosso & Tommy Trash Featuring John Martin, ''Until Now'' - 2012. Compositores: Adam 'ADL' Baptiste/Sebastian Carmine Ingrosso/John Martin Lindström/Thomas 'Tommy Trash' Olsen/Vincent Pontare/Michel Henry Allan Zitron. Letra De Reload © Universal Music Publishing AB.

 

https://www.youtube.com/watch?v=I04oPxN3208

Notas finais:

That's All!


Aproveitem e comentem.


 


''Uma palavra grosseira, uma expressão bizarra, ensinou-me por vezes mais do que dez belas frases. ''


 


Denis Diderot,


Filósofo e Escritor Francês



Comentários


Nome: Marta Andrade dos Santos (Assinado) · Data: 16/10/2021 15:57 · Para: Capítulo IX - Pegue Minha Mão E Recarregue!

Gostei escroto do caralho vai passar uma noite  cadeia. E as meninas será ....



Resposta do autor:

Olá, Marta, good afternoon!

 

Apesar de esta ''cena'' ser recorrente em muitas histórias lésbicas, sabemos que ela pode nesse exato instante estar ocorrendo na realidade, infelizmente.

Pena que se ele for para a cadeia será pela balbúrdia e não pela homofobia, que pena.

Quanto nossas meninas, esperemos para ver o que acontecerá no último capítulo.

Bom final de semana para você.

 

É isso!



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