One more night por kasvattaja Forty-Nine


[Comentários - 12]   Impressora Imprimir Capitulo ou História - Lista de Capítulos

- Tamanho do Texto +

Capítulo V

 

 

 

Só Para Mim!

 

 

 

 

 

Manacá-Da-Serra, São Paulo – Brasil.

 

Jacarandá Inn, Tarde De Sexta-Feira.

 

Setembro 04, 2015.

 

 

 

 

 

Michelle

 

 

 

Usaríamos apenas a parte da manhã para a apresentação do software, apesar de termos pago a estadia completa. A tarde todos estariam liberados para aproveitarem a cidade ou o seu entorno. A região toda era rica turisticamente. Era um agrado motivacional — e bem intencionado, é claro — a diária completa de todos os participantes do evento. Sabíamos que poderia ser um tiro no pé todo o investimento que estávamos fazendo, mas também sabíamos do bom produto que queríamos vender.

 

Estava, agora, atendendo a um grupo de professores e coordenadores — e no meio deles, o tal de Fábio que, com toda a sinceridade, era um mala sem alça maior — respondendo alguns questionamentos e duvidas, quando vejo Rita e o casalzinho fofo caminhando em direção ao salão de almoço. Continuava a atender todos ali, mas não perdia ela de vista, até que se separam e ela para, começa a procurar por algo — ou alguém? — até que ela me vê e vem em minha direção.

 

Rita veste-se discretamente, o que a deixa mais jovial: tênis branco simples, jeans skinny e uma camiseta polo feminina, cinza. Ela chega sorridente. Quando ouço a voz do mala chamando por ela, tomo minha decisão.

 

— Achei que tinha ido almoçar e me esquecido.

 

— Claro que não, Michelle. Vim buscá-la. — Uau, que linda.

 

Despedi-me de todos e, sem dar tempo para o seu colega responder — quer dizer, eu acho que é colega, apesar de não parecer —, afastamo-nos do grupo em direção ao salão do almoço.

 

 

 

. . . o O o . . .

 

 

 

— Você gosta de massa?

 

— Adoro comida italiana, por quê?

 

— Você espera aqui? — Ela assente. Estávamos no hall de entrada do hotel, a poucos passos do salão de almoço, mas não queria almoçar com ela ali. Na mente, outras ideias. Caminhei até a recepção e pedi que guardassem minha mochila em um cofre. No meu laptop havia muita coisa importante da empresa. Voltei até ela e comecei o meu plano. Estendi minha mão, para que ela pegasse. Ela olhou minha mão estendida, pestanejou, e aceitou-a, recebendo-a com firmeza. Sorri, ela também. Comecei a caminhar para a saída do hotel, ela parou.

 

— O salão fica para lá — aponta.

 

— Não vamos almoçar aqui.

 

— Ah! — Olha-me profundamente e eu aperto sua mão, acariciando. Ela olha para nossas mãos. Será que fui ousada demais?

 

— Há uma cantina, aqui perto, que serve uma massa maravilhosa. Você vai gostar.

 

— Está bem.

 

Calmamente, caminhamos para a porta de saída do hotel.

 

 

 

. . . o O o . . .

 

 

 

Em frente ao hotel havia uma grande praça bem arborizada e florida. Para chegar à cantina, tínhamos que atravessar a praça, o que levou poucos minutos. Atravessamos a praça de mãos dadas e conversando sobre a beleza do lugar, que realmente era bem bonito. Já conhecia, por que nós — eu, João e Jorge — ficamos quase uma semana hospedados aqui para preparamos tudo para o encontro de hoje.

 

Depois da praça, uma rua que cruzamos rapidamente, parando em frente à Cantina Rusticana, onde eu e os meninos tínhamos almoçado algumas vezes. Entramos.

 

De mãos dadas fomos caminhando por entre as mesas espalhadas pelo ambiente — em uma parte do teto, várias garrafas de vinho dependuradas — até chegar a uma mesa próxima de um pequeno palco onde uma garota cantava, ao piano, ''Nel Blu, Dipinto Di Blu [Volare]'' em ritmo de Bossa Nova...

 

''E voando, voando feliz

 

Mais alto que o sol e ainda mais

 

Enquanto o mundo lentamente desapareceu

 

Distante lá em baixo

 

Uma música doce tocava só para mim''

 

Chegamos logo na mesa que tinha escolhido, solto minha mão da dela e puxo uma cadeira para ela sentar-se. Acomodo-me à sua frente e noto que ela está olhando para o ambiente.

 

— Gostou?

 

— Muito, Michelle — diz, afastando alguns fios de cabelos que teimavam em caírem sobre sua face, puxando-os para trás da orelha, gesto extremamente sexy para mim, mesmo sem querer.

 

— O que você quer comer? — Pergunto folheando o cardápio.

 

— Deixo a sua escolha.

 

— Cannelloni de ricota e espinafre ao molho vermelho?

 

— Perfeito. — Percebo que ela olha para uma das minhas tatuagens e logo desvia o olhar.

 

— Elas incomodam você?

 

— O que?

 

— As tatuagens.

 

— Não quero falar sobre isso. — Dando de ombros.

 

— Nunca vamos falar sobre isso?

 

— Você fala como se fossemos ver-nos mais vezes...

 

— E não vamos? — Sorrio. Toco as pontas de seus dedos com os meus. Ela não recua, nem mesmo quando um garçom aproxima-se. Faço os pedidos e peço vinho também, uma taça para cada uma, um Sauvignon Blanc, que não demorou muito a chegar. Brindamos e bebemos um gole.

 

— Saboroso. — Ela diz. Assinto, pensando nas minhas próximas palavras. Queria voltar à conversa, do café, antes de sermos interrompidas.

 

— Você iria perguntar-me algo hoje de manhã. — Afirmo. — Sobre o que? — Ela saboreia mais um pouco do vinho, meus dedos agora acariciando os seus. Gesto que ela não estava evitando.

 

— Nós nos conhecemos? — Pergunta colocando sua taça sobre a mesa.

 

— Você acha que nós nos conhecemos?

 

— Não sei, Michelle, mas tenho a sensação de que, em algum momento nós... — Ela dá de ombros. — Não sei, é só uma sensação. — Sorri, docemente.

 

— Posso fazer uma proposta?

 

— Claro. — Concorda ela pegando sua taça de novo. Nesse momento chega nosso pedido. Aguardo os garçons arrumarem os pratos na mesa e afastarem-se.

 

— Janta comigo.

 

— Aqui? — Diz, provando o cannelloni, fazendo cara de quem gostou.

 

— Não, no hotel, no meu quarto. — Esclareço. Ela pisca várias vezes, pousando o garfo no prato, pegando sua taça e tomando outro gole, mirando-me com seus profundos olhos castanhos. — Para conversarmos com mais privacidade. — Olho para ela apreensiva, esperando não ter sido inconveniente e muito menos apressada. Ela parece ponderar enquanto olha-me, analisando-me, talvez, e soltando um longo suspiro.

 

— Ok. — Ela responde depois de algum tempo — longo para mim —, ajeitando seu cabelo atrás da orelha e voltando a comer, o que fizemos durante algum tempo sem falar nada, somente ouvindo a agradável canção italiana.

 

— Você gosta do que faz? — Questionei, quebrando o silêncio. Eu sei que gosta, pois ela disse isso para mim há muito tempo atrás.

 

— Muito, Michelle, mesmo, às vezes, sendo muito exaustante e, muitas vezes, decepcionante, mas há alguns alunos que nos surpreendem tanto que vale à pena passar por dissabores, principalmente quando testemunhamos os sucessos deles. E você?

 

— Também gosto, Rita, mesmo quando tenho de sair do meu laboratório. — Respondo sorrindo e volto a comer. Ela assente e torna ao seu prato. Logo terminamos a refeição, afinal o prato não tinha tanto cannelloni assim. Terminamos o vinho, também. — Quer mais alguma coisa? Sobremesa?

 

— Não, estou saciada — fala ao mesmo tempo em que segura a taça vazia com as duas mãos. —, e meio sonolenta. Não estou acostumada a beber durante o dia. — Sorrio com o seu jeito tímido de explicar-se.

 

— Quer ir?

 

— Quero, sou meio fraca para o álcool. — Afirma sorrindo meigamente.

 

— Então, vamos. — Levanto-me, oferecendo minha mão para ajudá-la, que ela aceita, agarrando-a firme.

 

Vamos até o caixa e, sem discutir, aceito pagar a conta meio a meio. Saímos do mesmo modo que entramos: de mãos dadas. Queria passar mais tempo com ela, mas agora não será possível. No entanto, à noite terei tempo suficiente para mostrar a ela quem sou, e o que ela é para mim.

 

 

 

_________________________________________________________________________

 

[1] Nel Blu, Dipinto Di Blu [Volare] No Azul Pintado De Azul [Voar!] - Daniela Procópio, Bossavision (The Hits Of The Famous European Song Contest In Bossa Nova Style) - 2009. Compositores: Domenico Modugno/Francesco 'Franco' Migliacci. Letra De Nel Blu, Dipinto Di Blu (Volare) © Curci Edizioni S.R.L., Emi Robbins Catalog Inc., Edizioni Curci S.R.L.

 

https://www.youtube.com/watch?v=-GvIwZLztVc

Notas finais:

That's All!

Aproveitem e comentem.

 

''Uma palavra grosseira, uma expressão bizarra, ensinou-me por vezes mais do que dez belas frases. ''

 

Denis Diderot,

 

Filósofo e Escritor Francês



Comentários


Nome: Marta Andrade dos Santos (Assinado) · Data: 06/10/2021 09:02 · Para: Capítulo V - Só Para Mim!

Vamos ao encontro!



Resposta do autor:

Olá, Marta! Bom dia!

 

Pois é, Marta, um ''date''. Vamos começar a entender algumas atitudes das nossas meninas. Será que depois desse encontro as coisas começaram a ajeitar-se? Contente com seu comentário e acompanhamento.

 

É isso!



Você deve fazer login ou se cadastrar para comentar.


Ou comente usando seu Facebook: