One more night por kasvattaja Forty-Nine


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Capítulo IV

 

Eu Quero Segurar Sua Mão!

 

 

Manacá-Da-Serra, São Paulo – Brasil.

Jacarandá Inn, Manhã De Sexta-Feira.

Setembro 04, 2015.

 

 

Rita

 

Foi impossível não vê-la, não notá-la, aliás, todos — e todas — a perceberam quando ela entrou no salão do café do hotel. Ela estava linda, despojadamente linda. Ela olha para o salão como se estivesse avaliando algo, ou procurando, e vira-se em minha direção, flagrando-me. Continuo a encará-la enquanto pego a xícara de café. Lentamente ela começa a caminhar em minha direção e, a cada passo seu, meu coração palpita mais rápido. Sinto a garganta seca e levo a xícara aos lábios para tomar um gole. Quase não consigo, pois ela para na minha frente e estaco também, a xícara a meio caminho da minha boca. Acabo devolvendo a xícara à mesa quando ela pede para sentar-se comigo. Aceito, sem hesitação, o que ela faze depois de pegar o seu café da manhã, por sinal um prato bem cheio. Começamos a conversar e ela foi muito gentil e doce e a nossa conversa foi fluindo, até Alberto e a Léa interromperem tudo.

— Bom dia! — Eles dizem.

— Bom dia. — Ela responde. — Não querem sentar-se conosco?

— Demorou! — Diz Al enquanto puxa uma cadeira para Léa sentar-se. — Vou buscar algo para nós. O que você quer?

— O que você trouxer — responde Léa, sorridente. Ele afasta-se e eu e Michelle entreolhamo-nos, ou melhor, não deixei de observá-la em nenhum momento, mesmo discretamente.

— Cara, amei as músicas que você cantou ontem.

— Foram somente duas. — Responde ela, timidamente, mordendo uma maça. Lindos dentes, branquinhos, mas seus olhos verdes são mais. Olho para as suas tatuagens no braço. São poucas, mas diferentes. Olhando-as melhor agora, nela, não me incomoda tanto, apesar de detestá-las. Mas, em Michelle, elas são atrativas.

— Qual foi a outra? — Pergunto, curiosa. Então, ela começa a cantar a capella olhos nos olhos''I Want To Hold Your Hand'' e eu, bom, eu derreto-me toda...

''Ah, sim, eu vou te dizer algo

Acho que você vai entender

Quando eu disser isso

Eu quero segurar sua mão

Eu quero segurar sua mão

Eu quero segurar sua mão'' [1]

Eu estava extasiada, Léa estupefata, olhando dela para mim e de mim para ela. Percebendo o que estava acontecendo, resolvo agir, vendo a aproximação de Alberto.

— Por que você pintava os cabelos? — Pergunto, direta.

— Quem pintava os cabelos? — Pergunta também Al, sentando-se e entregando um prato com ovos mexidos e bacon para Léa e um copo de chá. O mesmo para ele. Esperávamos a resposta de Michelle.

— Vamos dizer que eu não era uma garota muito interessante na minha adolescência e sofria com isso. O cabelo vermelho chamava muito a atenção e eu não gostava de estar na mira de olhares e comentários, então, comecei a pintar o cabelo de preto e a alisá-lo também.

— Uau, mas eles são tão lindos — diz Léa acariciando-os, sem cerimônia. — Não acredito que você escondia essa cabeleira linda. — E ela continuava com a mão nos cabelos dela, agora tentando colocar pequenas mexas atrás da orelha de Michelle. Não sei por que, isso estava incomodando-me.

— Léa, você vai despenteá-la.

— Mas, ela já está despenteada. — Diz Léa, sem graça, que tira a mão dos cabelos dela, que sorri para mim. Sinto minhas faces queimarem. Pego o copo com suco de laranja e bebo até secá-lo.

— Gostaria de passar a manhã toda com vocês, mas não posso. Tenho de ir. — Diz levantando-se e pegando sua mochila, não sei se incomodada com minha pergunta. — Nos vemos por aí, tchau. — E afasta-se, rapidamente.

— Bonita ela.

— Muito, e você já disse isso ontem, Al. — Responde Léa e logo começam a conversarem... Não sei sobre o que.

Não presto mais atenção no que eles dizem e acompanho, discretamente, Michelle afastar-se. Estou com uma sensação, sei lá, uma sensação de que ela não me é estranha. Não sei explicar. Gosto da presença dela, e também não entendo isso. Tento imaginá-la de cabelos negros e lisos, mas não consigo. Sinto um toque em meu braço: é Léa.

— O que foi?

— Vamos, Lovely.

— Estamos atrasados. — Diz Alberto, puxando a cadeira para Léa levantar-se. Será que os dois estão acertando-se? Torço por eles.

Sem Fábio — que não me interessa onde está — seguimos para o salão onde haverá a apresentação do ''tal'' software. Quando chegamos, estava quase todos sentados esperando tudo começar. Procurei lugares na frente. Detestava sentar atrás, nunca fui da turma do fundão, sempre do gargarejo. Léa e Al acompanham-me e conseguimos cadeiras na terceira fila, com boa visão do palco. Algumas pessoas já se movimentavam em cima dele, arrumando cadeiras, mesa, laptop até — sem acreditar no que via — Michelle que aparece em cima dele e vai até uma mesa onde está um notebook aberto, enquanto os outros saem do palco. Ela pega o microfone e o salão silencia-se.

— Bom dia a todas e todos. — A maioria responde em uníssono. Queria entender o que estava acontecendo. O que ela estava fazendo ali? — Não era para eu estar aqui, mas como João e Jorge não puderam vir, pois tiveram outros compromissos, serei eu a mostrar a vocês o funcionamento deste programa que, tenho certeza, vai ajudá-los muito na aprendizagem de seus alunos, principalmente na disciplina de Português e Matemática.

— E você é...? — Olho para quem está perguntando, não para identificá-lo, pois sabia que era Fábio, mas o porquê da pergunta, já que eles conversaram ontem.

— Michelle Sales, sócia e fundadora da EducaTech, empresa voltada para o desenvolvimento de softwares educacionais, como esse que vou apresentar para vocês.

— E quem criou este programa? — É Fábio, novamente.

— Eu! — Responde Michelle. Uau! Um burburinho se forma. — Mais alguma pergunta? — Ninguém se manifesta. — Então vamos começar.

Didaticamente e passo a passo, Michelle nos mostra o software criado por ela. Desde a instalação do programa até o seu uso, tudo é bem explicando, calmamente mostrado. E a cada palavra dela, cada gesto e — meu Deus! — com toda aquela pose fodástica, eu mais e mais me encantava por ela.

Em um primeiro momento ela mostrou-nos tudo como funcionava, o que demorou quase uma hora. Em uma segunda parte, turmas foram divididas e levadas para salas de informática montadas para que todos pudessem manusear o software, aprendendo a usá-lo e era nesse momento que os técnicos em informática que cada escola levou, entrou em ação. Mas o programa era tão fácil de usar que não foi necessária a intervenção de Fabio: eu, Al e Léa fizemos tudo sozinhos, com o nosso ''especialista'' pouco participando.

Quando terminamos já era pouco mais de meio-dia, foi quando fomos liberados para o almoço e — assim que saímos das salas rumo ao salão de almoço — a primeira coisa que fiz foi tentar procurar Michelle, depois de combinar com Léa e Al que os encontraria depois. Minha procura não demorou muito e logo a encontrei conversando — animadamente — no meio de um grupinho, todos atentos ao que ela falava. Esperei ela terminar de atender a todos que logo se afastaram, menos Fábio que não tinha visto que estava ali também. Aproximo-me dos dois.

— Rita? — Ignoro-o.

— Achei que tinha ido almoçar e me esquecido.

— Claro que não, Michelle. Vim buscá-la. — Entrei no jogo dela, sem questionar-me nem seu propósito, mas com o coração aos solavancos.

— Vamos?

Desprezando a presença de Fábio, seguimos juntas para o salão de almoço deixando para trás nosso especialista de informática, boquiaberto.

Quase que fiquei com pena dele. Quase.

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[1] I Want To Hold Your Hand [Eu Quero Segurar Sua Mão] - The Beatles, ''The Beatles'' - 1963. Compositores: John Winston Lennon/James Paul McCartney. Letra De I Want To Hold Your Hand © Sony/ATV Music Publishing LLC.

 

https://www.youtube.com/watch?v=jenWdylTtzs

Notas finais:

That's All!

Aproveitem e comentem.

 

''Uma palavra grosseira, uma expressão bizarra, ensinou-me por vezes mais do que dez belas frases. ''

 

Denis Diderot,

 

Filósofo e Escritor Francês



Comentários


Nome: Marta Andrade dos Santos (Assinado) · Data: 01/10/2021 22:06 · Para: Capítulo IV - Eu Quero Segurar Sua Mão!

Eita tadinho de Fábio kkkkk



Resposta do autor:

Olá, Marta! Boa noite!

 

Parece que ninguém gosta muito dele, não é mesmo? Todavia, de repente, ela faça por merecer, ou não?

Gratidão por acompanhar minha história.

 

É isso!



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