One more night por kasvattaja Forty-Nine


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Notas da história:

Leiam sem moderação!

Capítulo I

 

 

 

Ás De Espada!

 

 

 

 

 

Manacá-Da-Serra, São Paulo – Brasil.

 

Rodovia Estadual, Final Da Tarde De Quinta-Feira.

 

Setembro 03, 2015.

 

 

 

 

 

Michelle

 

 

 

Não me importo de vender meu próprio produto, mas desde o começo da parceria com João e Jorge tínhamos acordado que eles seriam os vendedores e divulgadores do que eu tivesse criado, e não eu. Porém, não estou chateada, afinal não seria a primeira vez que faria isso. Longe disso. A cidade onde aconteceria o encontro era famosa por receber turistas que gostavam da sensação de vivenciar uma paisagem, quase, europeia: clima ameno, quase temperado, montanhas, fondue, e vinho tinto. E adoro vinho tinto e, é claro, uma boa companhia.

 

Também não me importava de viajar sozinha. Adorava. Sem ninguém para impor limites para ouvir minhas músicas, nem olhares reprovadores da velocidade em que costumava dirigir. As músicas, pois é, adoro cantar a plenos pulmões e a velocidade, bem, ela quase sempre acompanhava o ritmo das canções que escuto no momento: música calma, velocidade moderada; música agitada, velocidade desnecessária. E eu sabia disso, como agora, nessa estrada sinuosa — com belos vales e montes —, mas com curvas perigosas onde a velocidade não deveria ira além de 60, no máximo 80, não como agora com o velocímetro do meu BMW 130itudo bem, é um 2006, e daí? — ultrapassando os 100 e eu gritando a plenos pulmões junto com Lemmy Kilmister...

 

''Se você gosta de jogar, te digo que sou o cara certo

 

Ganhar algumas, perder outras, dá no mesmo para mim

 

A graça é jogar, não faz diferença o que você diz

 

Eu não tenho ganância, a única carta que preciso é

 

 

 

O Ás de Espadas!

 

O Ás de Espadas!'' [1]

 

A música do Motörhead tinha terminado e assim que os primeiros acordes de ''Soon'', do Yes sim, é isso aí, desaceleração no máximo; minhas playlist têm de um tudo, muito... Heavy Metal, Progressive Rock, Jazz, Blues e até mesmo Bossa Nova, por que não? — começa a vibrar, ouço o toque do meu celular. Sem soltar o volante, tentando não tirar os olhos da estrada, pego o celular no banco do passageiro e vejo o visor, para ver que está ligando. Não me surpreendo: é seu Paulo. Atendo.

 

— Oi, papai!

 

— Encosta! — Reviro os olhos, automaticamente. — E não faça isso. — Sorrio.

 

Sou temporã, sabem, depois de quatro machos. Sempre fui mimada por todos eles e gosto de todos — só não gostava quando queriam proteger-me de tudo, como seu eu fosse de porcelana, o que não sou e nunca fui e não era —, mas seu Paulo é especial. Sou sua princesinha e adoro ser. Sempre. O carro que estou dirigindo agora foi presente de aniversário dele, o que deixou mamãe assustadíssima, e meus irmãos bicudos. Por sorte encontro uma entrada para um posto de combustível, entro e estaciono o carro.

 

— Pronto!

 

— Desliga o som também. — Autoritário. Seco. Quando queria, era irascível.

 

— Sério, pai? — Silêncio. Desligo, sem ponderação. — Ok, pai, e agora? — Digo, amuada. Ele é o único homem que me tira do sério.

 

— Leu minha mensagem? — Voz doce, calma.

 

— Você mandou agora?

 

— Antes de você sair, quando os meninos disseram-me o horário em que você iria viajar e que, provavelmente, não iria passar este final de semana conosco. E você sabe como eu fico quando você viaja sozinha... Coração apertado... — Nesse momento, meu mau-humor tinha-se findo.

 

— Não vi, pai. Essa parte do negócio é deles, então, saí meio emburrada e, você sabe, quando fico assim, fico meio chucra...

 

— Leia, princesa — ele diz com a voz mais doce ainda. —, e passe aqui, quando voltar, antes de ir para o seu apartamento. Sua mãe fez seu bolo de brigadeiro, gelado.

 

— Está bem, papai — respondo abrindo um sorriso de orelha a orelha. — Eu amo você. Dá um beijo na mãe, bom?

 

— Nós amamos você, filha. Cuidado!

 

— Terei!

 

— Tchau!

 

— Beijos!

 

Desligo e abro o WhatsApp e leio sua mensagem:

 

''A cada novo dia, a cada momento, temos à nossa disposição a maravilhosa possibilidade do encontro, que traz em si infinitas oportunidades. Precisamos apenas estar atentos. ''

 

Paulo Coelho

 

Sorrio. Dou partida no carro, manobro e saio para a rodovia.

 

Dirigir por entre aqueles montes e vales — montes não tão altos, nem vales tão profundos — dava-me uma sensação de liberdade e a brisa amena — às vezes, até fria — que adentrava pelas janelas abertas do carro faziam-me inspirar e expirar profundamente. A paisagem que me circundava era muito bela. Era um aprazível espetáculo para os olhos e impossível não amar aquela natureza toda. Havia poucos carros na pista simples o que me deixava perigosamente calma, e controlava-me para não deixar meus olhos perderem-se no horizonte que se abria para mim em cada curva que fazia; cada subida, cada declive. Admirando aqueles montes que me cercavam, logo me veio a lembrança — sem motivo aparente — de uma paixão que tive na adolescência — paixão, não, na verdade meu primeiro e único amor — que ainda é vívida em minha memória.

 

Não sei o por que das lembranças nesse momento — talvez a paisagem bucólia? —, mas elas fazem brotar de meus lábios um sorriso, logo fazendo meus olhos umedecerem-se, deixando-me mais sensível do que quero estar, ficar. As batidas de meu coração aceleram-se com as lembranças...

 

''Que senhora é aquela que

 

enriquece a mão daquele

 

cavaleiro?

 

Oh, ela ensina as tochas a brilharem!'' [2]

 

Fecho meus olhos por um instante lembrando-me da cena, lembrando-me dela, mas logo os abrindo rapidamente depois de uma barulhenta buzina assustar-me, vislumbrando somente a traseira de outro carro que acabava de ultrapassar-me, já sumindo na curva seguinte.

 

Babaca!Sussurro entre dentes.

 

Já estava anoitecendo, mas em menos de uma hora chegaria ao meu destino. Ligo o som do carro e volto a escutar a música do Yes, agora acelerando mais suavemente...

 

''Breve, oh breve a luz

 

Penetra e tranquiliza a noite sem fim

 

E esperando por você

 

Nossa razão de estarmos aqui'' [3]

 

_________________________________________________________________________

 

[1] Ace Of Spades [Ás De Espadas] - Motörhead, ''Ace Of Spades'' - 1980. Compositores: Edward Alan 'Fast Eddie' Clarke/Ian Fraser 'Lemmy' Kilmister/Philip John 'Philthy Animal' Taylor. Letra De Ace Of Spades © Sony/ATV Music Publishing LLC, Distrokid.

https://www.youtube.com/watch?v=yxJwP0izGgc

[2] Shakespeare, William, 1564-1616, Romeu E Julieta / William Shakespeare ; Tradução E Introdução Barbara Heliodora. - [Ed.Especial]. - Rio De Janeiro : Nova Fronteira, 2011.

[3] Soon [Breve] - Yes, ''Relayer'' - 1974. Compositor: John Roy 'Jon' Anderson. Letra De Soon © Affirmative Music.

https://www.youtube.com/watch?v=GhKkjQRk_m8

Notas finais:

That's All!

Aproveitem e comentem.

 

''Uma palavra grosseira, uma expressão bizarra, ensinou-me por vezes mais do que dez belas frases. ''

 

Denis Diderot,

 

Filósofo e Escritor Francês



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