Escrito na gazeta por caribu


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                Aquela foi praticamente uma tarde inteira de trabalho perdido. Lia ficou se perguntando como Tomás conseguia viver assim; estar na redação e não ser produtivo, não ser útil. Ela ficou se sentindo até um pouco mal. Só não ficou pior porque o motivo era justo: Isa.

 

                Tomás estava definitivamente querendo mostrar serviço, talvez acreditando no cargo descrito em seu cartão com erro – que ele nem falou mais nada a respeito, depois que reparou na falta de acento. Lia se regozijava quando coisas assim aconteciam, adorava ver Tomás murcho. O problema é que ele estava até que empinadinho, parecendo um galinho garnisé, peito todo inflado, a voz empostada daquele jeito que os jornalistas adoram fazer. Explicava para Isa o funcionamento da Gazeta, os processos de um jornal semanal: reunião de pauta às segundas, fechamento às sextas. A sessão na Câmara de Vereadores, que ela teria que acompanhar, era às quartas, à tarde.

 

                Foi uma espécie de reunião, ficaram todos em volta da mesa de Tomás, o ego dele todo inflado, falando em tom professoral, o único sentado em cadeira diferente. Luís, que tinha chegado da rua, ficou o tempo todo bufando, fazendo um muxoxo a cada piada sem graça que Tomás contava. Eventualmente passava as mãos pelo rosto, nervoso, e soltava um “Ah, meu Deus do céu...”. Já Natasha ria de tudo o que o editor falava, e Lia tinha que se controlar para não virar os olhos o tempo inteiro. Ela era muito falsa, vivia falando mal de Tomás, mas na frente dele ficava daquele jeito, toda arreganhada, de risadinha.

 

                Isa tinha um ar divertido. Ouvia tudo com atenção, tomando o cuidado de olhar na direção de quem estava falando (até Alexandre quis dar pitaco em dado momento, falando de termos técnicos de diagramação que, sinceramente, ninguém ligava). Mas Isa concordava com a cabeça conforme ouvia, eventualmente soltando um “oh!”, ou uma risadinha seguida de algo como “sei como é”.

 

                Lia a observava porque, de certa forma, a mulher a instigava. Estava ali, mas parecia ao mesmo tempo tão alheia a tudo, com aquela expressão de “foda-se”. Ou era como Lia interpretava suas feições, naquelas intermináveis horas de conversa sobre nada.

 

                Isa tinha um bloquinho na mão, mas apoiado na coxa, longe dos olhos dos outros. Fazia bolinhas com a caneta, de vez em quando olhando para o papel, girando o bloco na perna. A outra caneta, que ela não usava para escrever, se manteve à mão a reunião inteira. Em dois ou três momentos até respondeu alguma coisa com aquilo na boca, a voz saindo um pouco mole. Lia achou curioso; uma mania estranha, com certeza.

 

                O movimento mais repetitivo que ela fez, porém, foi com o cabelo. Mexia na franja o tempo todo, jogando as madeixas de um lado para o outro, a mão sempre fazendo uma breve pausa antes de concluir o gesto. Sexy! Lia estava sentada bem ao lado dela, e o movimento liberava um cheiro muito bom, uma mistura de perfume com xampu. Se perdeu nos pensamentos, imaginando que cheiro teria sua nuca, e bem naquela hora Tomás falou com ela, e Lia nem ouviu. Estava distraída, fazendo cachinho no cabelo.

 

 

 

- A Lia vive no mundo da lua – Tomás explicava, sorrindo – Mas trabalha bem, estamos com ela há quase uma década, né, Lia? – ele notou que agora ela escutava. Também, pudera, tinha batido forte as palmas da mão – Pronto, voltou – Tomás deu aquela gargalhada, virando a cabeça para trás, e Isa a viu virar os olhos, com as bochechas ficando vermelhas – A Lia é rata, vai revisar seus textos, mas tem que ser do jeito dela, ela é toda metódica – ele foi falando rapidinho, mexendo os braços como se fosse um robô, e riu mais uma vez. Lia se afundou na cadeira, um braço apoiado, a mão entrando no cabelo – Mas é isso, Isabela. Se tiver alguma dúvida, estou sempre por aqui. Ou quase.

 

 

 

                Lia suspirou aliviada quando a atenção foi desviada dela, e quando finalmente aquela conversa aleatória terminou, o som das cadeiras arrastando sendo recebido como um brinde. O relógio no monitor do seu computador mostrava que faltava menos de meia hora para o fim do expediente. Se não tivesse marcado com Isa, ia embora, descontava das horas extras (tinha várias, mesmo!).

 

                O pensamento a deixou ansiosa, e automaticamente levou a mão à barriga. Era só o que faltava, ficar nervosa agora! Se levantou quando Papagaio entrava na redação, todo armado em cima de Isa, parecendo um pavão. Revirou os olhos e foi ao banheiro. Demorou mais na frente do espelho lavando as mãos do que dentro da cabine. De lá foi para a copa. Tomaria um último cafezinho antes de ir embora.

 

Não foi surpresa encontrar a cafeteira vazia, mas com o fio na tomada. Galera devia achar que o café brotava na jarrinha, sozinho! Xingou mentalmente a redação inteira, praguejando quem fazia algo assim. Pessoa que faz essas coisas não tem coração!

 

                Lavou a jarra com raiva, mas uma raiva contida porque aqueles vidros finos eram uma maravilha para quebrar. Ela tinha uma cicatriz na mão que era a prova disso. Qualquer coisinha e já quebrava, era mais frágil que a masculinidade de Tomás!

 

                Colocou o café para passar e sentou na frente da cafeteira, o rosto apoiado nos antebraços, escorados na pia. Ficou olhando o líquido preto e cheiroso gotejar enquanto pensava se deveria cancelar com Isa. Que ideia, chamar uma mochileira para beber, na sua casa – em plena segunda-feira! Iam falar sobre o quê? Ela mal tinha saído da cidade, nas vezes em que foi para São Paulo se sentiu uma caipira, toda perdida e ao mesmo tempo encantada com coisas que as pessoas pareciam blindadas, porque passavam todas apressadas, indiferentes. Se sentiu um pouco boba, questionando suas atitudes – as do passado e as do futuro, afinal ainda dava tempo de cancelar.

 

                Alegaria o quê? Falta de afinidade? Como ela podia saber disso?

 

Se serviu de café e sentou em uma das cadeiras no canto, apoiando os pés em outra. Ficou amassando com o dedo a parte mais mole do copo, distraída com o barulhinho que o plástico fazia.

 

 

 

- Bom, cheiro bom! – Isa entrava na cozinha, causando um sobressalto nela – Tomei o resto de café mais cedo, não fiz mais, não soube onde estavam as coisas. Eu procurei! – ela afirma, diante da incredulidade de Lia.

 

- Fica ali – Lia aponta para uma prateleira, bem no meio da parede, o pó de café em sua embalagem vermelha bem em destaque.

 

- Ah – ela diz, com uma risadinha – Achei até uma meia velha, mas o café que é bom... – ela abria um dos armários, puxando um copo. Parecia ter intimidade com a cozinha, abrindo a gaveta certa, pegando uma colher. Talvez tivesse mesmo procurado o café.

 

- Meia velha? – só agora Lia lembrava de tirar os pés da cadeira; depois que Isa a puxou, o copo fumegante na ponta dos dedos. Segurava com a mão esquerda, a única que tinha anéis (um de metal no dedão e um de coquinho, na falange do dedo médio) – Ah – Lia sabia do que ela estava falando – Não é meia. É um coador de pano.

 

- Nojento. Joguei fora – Isa responde, sem piscar – Aff, que café horrível. Muito ruim, a pior coisa do dia – ela fazia uma careta – Credo, Deus que me perdoe! Pior que aquela reunião. Pior que as piadas sem graça do Tomas.

 

- Jogou fo... Não! – pela segunda vez no dia, Lia a achava folgada. Duplamente! – Você não podia jogar fora!

 

- Estava encardido, Lia – Isa retruca, puxando na mesa o bolo de milho. Tinha quase metade, e faltava um quadradinho, minúsculo, no canto.

 

- Eu uso quando acaba a luz, ou quando a cafeteira quebra. Às vezes é preciso recorrer ao fogão – ela justifica, chateada.

 

- Tá, amanhã eu trago um novo. De papel, muito mais prático (e higiênico, convenhamos).

 

- Mas de papel gera lixo, faz mal para o planeta – Lia parecia sincera na justificativa – Já basta o lixo que eu gero com esses copos...

 

- Que são um perigo para a sua saúde! Dizem até que dá câncer um treco desses! Usa de vidro! – ela complementa, quando Lia faz uma careta – Guarda o copo sujo na gaveta, no final do dia, lava o copo. Menos lixo. O planeta e a sua saúde agradecem.

 

- Na gaveta? Como você...? Mexeu na minha gaveta?

 

- Não, só abri para ver o que tinha dentro – Isa dá uma piscadinha para ela, antes de beber o resto do café – Não mexi, eu juro.

 

- Você é abusada – Lia comenta, baixinho, surpresa porque Isa ri.

 

- É meu faro jornalístico – ela alega, rindo mais uma vez. Lia não disse nada porque, para ela, aquilo estava mais relacionado à invasão de privacidade.

 

- Isa, sobre hoje... – Lia começa, ainda sem saber ao certo o que ia falar.

 

- Sim, então. Isso que vim falar com você – Isa interrompe, a boca cheia de bolo. Levantou um dedo, terminando de mastigar, antes de continuar – Vou precisar cancelar, desculpe. Surgiu um imprevisto – viu Lia levantar as sobrancelhas – É, uma amiga me mandou mensagem há pouco, está na pior, terminou o namoro, enfim... – Isa joga o cabelo para o lado e corta mais um pedaço de bolo – A gente não se vê desde antes de eu viajar, ela está vindo de São Paulo para conversarmos.

 

- Ah, claro, sem problemas – Lia levantou, porque sentiu que precisava.

 

- Mas sexta está de pé! – Isa responde, levantando também, lambendo dois dedos, sujos de bolo. O movimento deixou as duas bastante próximas, e Lia deu um passinho para trás – Eu levo o vinho. Vamos comemorar que o trabalho vai acabar antes das sete da noite.

 

- Duvido!

 

- Não duvide de mim, Lia – Isa provoca, fazendo uma cara linda no final, quando mordeu o lábio antes de sorrir.

 

 

 

                Lia não disse mais nada. Ao sair da cozinha, colocou a mão no rosto para ver se estava sorrindo. Estava.

 

                E sorriu a semana inteira porque Isa simplesmente transformou a Gazeta. Sua presença já era suficiente para tudo estar diferente, embora todas as coisas estivessem relativamente iguais. Mas, para começar, Lia estava com menos trabalho, e tinha uma vista mais bonita da sua mesa de trabalho.

 

                Na terça-feira, quando Lia chegou ao trabalho, Isa já estava lá. Sorriu quando ela entrou na redação, a cumprimentando com um beijinho no rosto e um abraço breve (mas apertado). Lia fechou os olhos porque perto, assim, o cheiro era ainda melhor, e suspirou fundo, querendo guardar o aroma dentro de um potinho. Ao se afastar, reparou que Isa tinha um chupão no pescoço. Pequenininho, bem discreto, mas tinha.

 

                A mulher pareceu perceber e puxou a gola da camisa discretamente, tirando na sequência a caneta do bolso da calça, levando à boca. Seu traje era mais ou menos o mesmo do dia anterior, mas com cores diferentes. De igual, os anéis e a correntinha de ouro. A tornozeleira não estava mais lá.

 

                Passaram o dia praticamente sozinhas, Alexandre com fone de gamer, jogando o dia inteiro, Natasha e Luís estavam pela rua e Tomás, quem sabe? Quando foram tomar café, Isa deu para ela cinco embalagens de coador de pano. A fez prometer que usaria poucas vezes, e jogaria fora antes de encardir.

 

 

 

- Ué, e o bolo? – ela perguntou, assim que sentaram na copa.

 

- Não tem, você comeu todo ontem – Lia responde, balançando a cabeça para o óbvio. Ao tomar o primeiro golinho, reconheceu que o café de Lucia era bem melhor que o dela, muito mais gostoso.

 

- Mas e o de hoje?

 

- Que “de hoje”? Hoje não tem, ué. O Rui só monta a banca dele na segunda-feira. Nos outros dias, fica em outras cidades.

 

- Rui? Banca? – Isa questiona, mas num tom de brincadeira – Quem? O quê? – ela brinca, em referência ao lead, as seis perguntas básicas que toda matéria jornalística responde já no primeiro parágrafo.

 

 

 

                Na quarta-feira, Isa levou um bolo de fubá para o jornal. A roupa era parecida, mas foi trabalhar com um lenço no pescoço, e as duas mal se viram, pois ela passou o dia na rua. Ficou na redação só de manhã, mas aconteceu não sei o que e aí teve que sair. Lia ficava olhando para a mesa do lado, já saudosa de uma companhia ali.

 

                Natasha passou o dia na redação, fazendo ligações irritantes e Lia precisou recorrer às músicas mais agitadas para abafar aquela voz de taquara. No aleatório, tocou Korn, Freak on a Leash. Quando foi embora, Isa ainda não tinha voltado.

 

                Na quinta, Isa chegou um pouco mais tarde. Entrou meio esbaforida na redação, deixou na mesa de Lia um copo com café. Copo de vidro. Deu uma piscadinha para ela quando seus olhares cruzaram, ela já com o telefone na orelha, começando uma ligação. Passou o dia assim. Numa das idas à cozinha, Lia viu na mesa um bolo de cenoura. Foi embora e Isa ficou lá, os dedos digitando rápido no teclado.

 

                Na sexta-feira Lia chegou ao jornal mal humorada, era sempre um dia bastante puxado e com muito trabalho, que ela começava já padecendo, antes das 9h já estava gemendo, lamentando o longo dia pela frente. Nunca tinha hora para ir embora e não ter essa previsão logo cedo era desalentador, e ela sofria por antecedência.

 

 

 

- Bom dia! – Isa cumprimenta, entrando na redação como sempre sorrindo, como sempre muito cheirosa. Esperou Lia levantar para dar um beijo nela, e um breve abraço – E aí, preparada para o vinho?

 

- Vinho? – Lia demorou a lembrar que tinham combinado de beber, e ficou surpresa por aquela ser a primeira coisa que Isa falou – Ah – ela continua, se afastando um passo porque os braços dela permaneciam à sua volta – Nossa, tinha esquecido. Acordei brava porque hoje é um dia muito cansativo, vai até tarde, saio daqui sempre esgotada.

 

- Mas vamos sair antes das sete! Eu te prometi – Isa diz, mas ela não tinha prometido, exatamente – Vou te ajudar com as suas coisas. Vai, manda.

 

- O que você quer? – Lia senta e encara a mulher, que fazia um gesto com a mão, pedindo para que ela lhe desse algo.

 

- Sei lá, trabalho. O que você faz que te sobrecarrega tanto? Vou te ajudar.

 

- Não dá, é... sei lá – ela levanta as mãos, não estava esperando por nada daquilo – E as suas coisas? Tenho que revisar as suas matérias. O Tomás te falou a quantidade de páginas que você tem? Eu é que vou ter que te ajudar.

 

- Não me subestime, Lia! – Isa pede, fazendo cara de safada. Pareceu, para Lia – Minhas matérias estão prontas, todas salvas na rede, pode pegar para ler. Ler, não revisar – ela liga o computador, rindo, a bolsa pela primeira vez no armário, não na CPU – Vim para colaborar, não para te dar mais trabalho. O Tomas não disse quantas páginas eu tinha... mas eu perguntei – ela levanta a sobrancelha no final, sorrindo, demorando a concluir a frase apenas para fazer Lia olhar para ela – Está tudo certo, relaxa, vamos comer bolo e tomar um café, depois começamos o trabalho!

 

- Que bolo, garota, está maluca? – Lia estava rindo. Isa falava como uma doida – “Relaxa” – ela repete, ainda rindo.

 

 

 

                Isa levantou e saiu da redação determinada. Lia ficou esperando que ela voltasse com um pedaço de bolo, mas isso não aconteceu. Foi na rede da Gazeta e viu que realmente ela tinha colocado seus textos lá. Por alto, contou uns dez. Abriu um que se chamava “boneco_política”, achou o nome curioso, e se surpreendeu porque a mulher já tinha esquematizado todas as suas matérias, nos espaços correspondentes das páginas do jornal. Aquela era uma das etapas mais trabalhosas. Lia selecionou todos os arquivos e deu enter.

 

                Isa tinha uma boa escrita, quase impecável, Lia ajeitou apenas umas duas vírgulas – muito mais por questão de estilo do que por erro. Não se surpreendeu com a estrutura do texto, ou com as palavras, mas sua narrativa era, sem dúvida, “diferente”. E não estava certa se este era o adjetivo correto. Definitivamente não era um texto do Coronel.

 

                Os textos da jornalista eram ácidos, questionadores. As notas que abordavam a sessão da Câmara foram as mais interessantes. Lia não imaginava que era aquele circo de horrores, como ela dizia ser. Aquilo ia ser um choque, não conseguia nem mensurar o impacto que as reportagens de Isa gerariam.

 

                Sorriu em direção à porta quando a ouviu sendo aberta e viu Isa entrar, acompanhada de Sérgio. A mão do dono do jornal estava apoiada no ombro dela. Alguns segundos depois, Tomás entrou, sorrindo como se tivesse ouvido alguma piada dois segundos antes.

 

 

 

- Eu não tenho dúvidas do seu futuro aqui – Sérgio falava, com sua voz grave e alta – Se o Tomás não se cuida... – ele diz, e Tomás dá aquela gargalhada com jogada de cabeça – Bom dia a todos, bom dia – ele cumprimenta, por alto. Natasha levantou a mão e Luís deu um resmungo. Lia ficou quieta – Ótimo trabalho, senhores! Bom fechamento. Tomás – Sérgio chama, saindo da sala e o editor o acompanha, como um cachorrinho do tio.

 

- Ia trazer bolo, tive que abortar a ideia no meio do caminho – Isa diz.

 

 

 

                Lia resmunga algo como resposta, e volta a revisar os textos. Isa tinha adiantado o trabalho, mas ainda havia muita coisa a fazer, e ela se manteve ocupada até o fim do dia.

 

                Já perto das seis, Tomás voltou. Estava com o cabelo molhado e o cheiro do seu perfume empesteou toda a redação. Ele pareceu satisfeito quando viu que o trabalho estava adiantado – até mais do que imaginava ser possível: quando chegou, Alexandre já estava com grande parte da edição do dia seguinte diagramada. Aí ele ficou um tempo parado no meio da sala, aquela cara de bobo, vendo Isa passar algumas instruções de como queria que as fotos aparecessem na página, negociando com Alexandre mais espaço para uma legenda.

 

                Lia riu da cena porque gostava de ver Tomás pagando de idiota e porque, no fim, possivelmente iam mesmo conseguir ir embora antes das sete. Aquilo jamais tinha acontecido, desde que ela trabalhava na Gazeta. Ao contrário, seus recordes eram sempre com relação às madrugadas mais longas que já tinha vivido naquela redação. Várias vezes precisou negociar com a gráfica; quase meia-noite e ela lá, ainda, fechando jornal.

 

 

 

- E aí, acredita mais em mim agora? – Isa questiona, aquele sorriso de canto meio sacana, fazendo Lia sorrir também – Eu falei que a gente ia embora antes das sete. O que eu ganho por ter acertado?

 

- Grata? – Lia brinca, mas falava sério.

 

- Ah, esperava algo mais que isso, vai! – Isa dá uma risada, jogando o cabelo de lado – Depois de uma garrafa de vinho eu te pergunto de novo.

 

 

 

                Lia sorriu, levando a mão à barriga, sem perceber.

 

 

Notas finais:

 

Música do capítulo:

 

Korn, Freak on a Leash (https://www.youtube.com/watch?v=jRGrNDV2mKc)

 



Comentários


Nome: Anna Hart (Assinado) · Data: 29/09/2021 04:04 · Para: Capítulo 4 – O fechamento

Oi!

A Isa está começando a mudar minha opinião, apesar daquela cena na cozinha ter me deixado dividida. Por um lado, compreendi o jeito espontâneo da Isa, mas, pessoalmente sou mais inclinada ao comportamento de Lia (tem certeza que ela não é de virgem?) - cafeteiras no ambiente de trabalho é um instrumento de discórdia. No meu último emprego só foi resolvido quando compramos uma com copo de inox ahaha.

 

A Isa é bem prática e produtiva, do tipo pega e faz, enquanto a Lia é boa no que faz, porém devagar (novamente me identificando com ela ahahah). As duas criarm um contraste e tanto. Talvez ajude a manter o equilíbrio, apesar de que aquela máxima de que "os opostos se atraem" não se comprove na prática. É preciso que haja mais semelhanças do que diferenças quando se trata de relacionamento/convivência.

 

O que será que vai acontecer nesse "encontro", hein?

O que será que a Lia vai aprontar nesse horóscopo?

Vamos descobrir!

Seguindo...

 

- não sei fazer comentários pequenos! Mania de escritor? ahahha

 

Beijos!



Resposta do autor:

 

Olá! Bom dia!

 

Vejo seus comentários grandes e fico: o/

rsrs

 

Isa caminha na corda bamba do "ser espontânea", que faz divisa com o "ser folgada". Imagina que a Lia estava lá na pacatez de seus dias, acostumada até a ter a cozinha do trabalho só para ela, aí chega uma desonhecida e mexe nas coisas, joga fora oq não deve (ou deve rs). Nossa, eu ficaria p*, jamais que teria clima pra algo rs

Ainda bem que Lia é diferente, que aí a gente tem história rs

Eu amo o signo de virgem, não me oponho que ela tenha algo no mapa astrológico nesse signo rs 

Foi pensado em peixes por conta dessa questão de ela ser sonhadora, criativa... e pq é um signo mto fofinho, né rs Mas Lia pode, sim, ter a lua em virgem, ou marte!

 

No meu último emprego, a questão do café foi resolvida quando eu comecei a fazer rs Pq beber todo mundo sabia, e bem rs

Mas é instrumento de discórdia mesmo! 

Oq eu mais gostava do cafezinho é que lá na beira da bandeja era onde a Rádio Peão era mais eficiente rs Ali se descobria tudo!rs

 

Lia e Isa são msm um contraste e tanto, elas são muito diferentes (em tudo).

E concordo com vc: essa diferença não necessariamente pode ajudá-las. Relacionamento tem que, no mínimo, agregar algo bom. 

Me diga: vc, como escritora, como resolveria esse impasse?

Eu resolvi de um jeito não muito tradicional, vamos ver se até o último capítulo vc descobre rs 

 

Beijos!



Nome: cris05 (Assinado) · Data: 21/09/2021 01:05 · Para: Capítulo 4 – O fechamento

Isa veio realmente pra bagunçar a vidinha de Lia. Deixou a cafeteira vazia ligada na tomada, jogou o coador de pano fora (e ainda por cima achava que era uma meia rs), mexeu na gaveta dela e por aí vai. Lia que lute! Rs

Só que eu tô encafifada, às vezes acho que elas serão só amigas e tem algo que o destino (e o horóscopo) reservam pra Lia. Mas tem horas que acho que eu tô viajando. Eita que eu sou muito ansiosa! Neste caso, eu que lute!

Beijos!



Resposta do autor:

 

Hahaha 

Eu achei maravilhosa essa cena do café! Que bom que falou dela! 

Ótimo, tudo, Isa ser a responsável pela jarrinha vazia, o café ser pior que a reunião rs Lia que lute msm rs 

A ideia é essa mesma: vc em dúvida e ansiosa! Está dando certinho como planeja anos (eu e a moça que digita) rs 

Mas como todas queremos saber o final, vamos tratar de agilizar essa história, e ver oq está escrito nas estrelas. Não. Na Gazeta. 

Beijos!



Nome: NovaAqui (Assinado) · Data: 20/09/2021 23:22 · Para: Capítulo 4 – O fechamento

Quanta coisa nesse capítulo kkkkki

Isa com chupão

Lia com quase dor de barriga

O primeiro encontro cancelado

O segundo sai ou não sai por causa da barriga da Lia

Tomás/Tomas atirando na Isa

Eu estou na dúvida se esse encontro vai acontecer. Não sei. O que o horóscopo vai arrumar para Lia?

Menina! Acredita que hoje as sabiás não cantaram? Achei estranho. A cigarra veio com a corda toda, mas a sabiá não deu o ar da graça. Até as andorinhas que rondam aqui no final do dia também estavam de folga. Acho que é a mudança do tempo. Está ventando bem por aqui.

Tive que revisar o texto. Acredita que coloquei Bia se novo? kkkkk

Louca pelo pós fechamento. Ansiosa para vê-las sozinha. Será que Isa é predadora? kkkk

Abraços fraternos procês aí!



Resposta do autor:

 

Capítulo cheio de info, sim rs  

Dia aí: ainda não dá msm pra saber oq vai acontecer rsrs Oq a Lia vai arrumar no horóscopo?rs 

 

Ó, o sumiço do canto das aves! Começa a crônica daí rsrs 

 

E eu que tenho sempre o cuidado de não repetir nome de personagem, nem me liguei na semelhança Bia/Lia! 

Tsk, tsk, tsk, bobinha eu rs 

Amanhã posto mais cedo um pouco! 

Beijos! 



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