Escrito na gazeta por caribu


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Na terça-feira o céu já não demonstrava mais nenhum indício de chuva, o dia amanheceu quente e azul. Lia se encorajou a calçar seus tênis preferidos, e só no elevador percebeu que tinha escolhido uma camiseta no mesmo tom (desbotada também). Na ilustração da regata, um vaso de cacto, com uma bexiga vermelha amarrada.

Assim que chegou na calçada, segundos antes de dar play na música, reconheceu Isa do outro lado da rua. Quis ficar brava, mas na verdade ficou contente por vê-la.

 

- Resolveu fazer caminhada hoje? – Lia pergunta, como dando “bom dia” – Cadê seu carro? – ela dá uma olhada para os dois lados da rua.

- No jornal, deixei lá. Senti que estava precisando caminhar, estou agitada. Bom dia – Isa cumprimenta, dando um beijinho e um abraço rápido em Lia. Entregou para ela um copo de isopor, com café.

- Que gentil! – Lia agradece, vendo Isa puxar do bolso o vaporizador. Estava de roupa social e chinelo. Linda. Imaginou que, pelo ato com a “caneta”, Amélie já tinha mesmo ido embora.

- Eu sou – Isa responde, com um sorrisinho, enganchando o braço em Lia – O que é isso aqui? – ela aponta para um imóvel fechado, assim que viram a rua. Era um casarão, parecia abandonado, apesar de novo.

- Ninguém sabe – Lia responde, bebendo um golinho de café. Pararam em frente à casa, o perfume de Isa vindo no cabelo, esvoaçante – Foi reformada um tempo atrás, pareceu que funcionaria um escritório de alguma coisa, sei lá. Nunca vi nenhum movimento depois da reforma.

- Que estranho – Isa comenta e voltam a andar, ainda de braços dados.

- Acho. Sinceramente? Para mim, tem a ver com lavagem de dinheiro.

- Será? – Isa dá uma risadinha porque lhe pareceu que Lia estava brincando, mas ficou séria quando viu que não – Será? – pergunta novamente. Deu uma olhada para trás, para o imóvel.

- Eu acho. Por que reformar se não usam?

- É, faz sentido – Isa concorda, ficando quieta.

- Tem mais – Lia fala, depois de alguns segundos – Mais imóveis assim, em Passarinhal. Ninguém fala sobre isso porque... bom, não querem que falem. Os poderosos. Certeza que estão envolvidos, né.

- Nossa, mas é uma bela teoria! Achei que era só uma casa vazia.

- Eu mapeei essas casas – Lia levanta os ombros, sem explicar o porquê do mapeamento – Te mostro, se quiser.

- Claro, quero muito, por favor!

 

                Entraram juntas no jornal, e foram direto para a redação. Lia Ligou o computador e abriu uma imagem na tela, com o mapa de Passarinhal e alguns círculos em vermelho destacados. Isa se abaixou para ver melhor, o cabelo encostando na mão de Lia.

 

- Que interessante! Me manda isso? – Isa pede, ainda meio abaixada.

- Não podemos escrever a respeito na Gazeta – Lia de repente lembra da advertência de Sérgio. Aquele assunto era um verdadeiro tabu!

- Não vou escrever. Só quero investigar – ela complementa, com um sorriso tão bonito que Lia se convenceu, e mandou para o e-mail dela.

 

                Lia a observou ver o mapa novamente, agora no celular. Pegou o fone na gaveta e deu play, no aleatório. “Solta o som, DJ!”. Tocou She wants revenge, Tear You Apart. Se perdeu nos trabalhos, nos e-mails, nos textos todos, e não prestou mais atenção em Isa, que ficou na redação ainda alguns minutos. Não a ouviu, também, falar ao telefone.

 

- Oi, gata – Isa diz, um sorriso de canto, de costas para Lia – Pois é, eu falei que te ligaria! É – ela ri, e pisca para Natasha – Você está livre? Sim, agora. Juro. Pode ser? Tá bom, te vejo em dez minutos.

- É a mina do e-mail? – Natasha pergunta, assim que Isa desliga, dando uma piscadinha também, vendo Isa concordar com a cabeça – Arrasou, Isa. E em horário de trabalho, ainda! Você é das minhas, adoro!

 

                Isa não falou mais nada, nem revelou qual seu intuito com aquele encontro, em plena manhã. Para todos os efeitos, ia se encontrar com uma fonte. Abriu novamente o mapa de Passarinhal, vaporizando, antes de sair. Passou o dia inteiro na rua, e voltou para o jornal já perto de escurecer.  

 

- Oi, Isa! – Natasha cumprimenta. O tom de voz chamou a atenção de Lia, que viu no relógio do computador que já eram quase seis da tarde. Deixou a música pausada para ouvir a conversa – Encontro bom, hein!

- Nossa, e foi mesmo! Eu precisava ir em alguns lugares da cidade, ela me mostrou. Uma fofa, adorei. E é lindíssima!

- Você marcou um encontro no meio do expediente? – Lia tira o fone antes de perguntar, no rosto um misto de incredulidade e raiva.

- Não – Isa responde, rápido – Quer dizer, não e sim. Só de manhã. Eu precisava de uma guia da cidade, para umas pesquisas que tinha que fazer – Lia vira os olhos diante da resposta, mas não diz nada. Isa empurra a cadeira para perto dela, e continua, num tom de voz mais baixo – Lia, você já tinha reparado nisso? – ela mostra uma foto, de um símbolo, pintado de azul num muro – Vou te mandar – Isa compartilha a foto, uma janelinha piscou na mesma hora na tela de Lia – Encontrei esse sinal, seguindo o mapa que me mostrou de manhã.

- Isa, você ficou atrás disso? E as suas matérias? – Lia questiona.

- Vou escrever, Lia – Isa responde, meio na defensiva, vendo Lia levantar, parecendo zangada, e sair da sala.

- Não liga não, a Lia é uma chatinha, tudo para ela é um problema – Natasha diz, logo que ficam sozinhas – Vai, me conta.

- Você já viu isso? – Isa mostra o celular para ela, a foto do símbolo.

- Sim, esse é o antigo brasão da cidade. Pouca gente conhece, foi instituído na gestão do seu Pietro. São dois passarinhos, está vendo? – Natasha mostra, e Isa afirma com a cabeça – Onde você tirou essa foto?

- Num casarão abandonado. Na parte velha da cidade.

- Ah – Natasha faz uma careta, e um som com a boca, tipo um estalo – Amiga, fica longe desse rolo. Vai por mim. Isso aí é treta dos poderosos de Passarinhal, aqui a gente é proibido de mencionar qualquer coisa que seja a respeito. Dos esquemas, dos casarões, e dos boatos.

- Não estou fazendo nada – Isa responde para Natasha, e para Lia, que entrava com café. Ao ouvir aquilo, ela balança a cabeça, desgostosa.

- Isa, você precisa entregar duas páginas a mais de texto essa semana, da campanha de vacinação. Não bobeia, é bastante trabalho. E tem um assunto novo que vou te passar, mas só se você entregar suas matérias.

- Eu vou entregar, Lia – Isa resmunga, e senta, bufando.

 

                Lia suspirou fundo também. Achou chato ficar sendo chata, mas depois sobraria para ela! Mil coisas para Isa fazer e ela perdendo tempo com assunto paralelo. Com encontro! Mas Lia não disse mais nada, porque viu que Isa finalmente começava a trabalhar. E ainda estava escrevendo, quando se preparou para ir embora, às 19h30.

                Antes de sair, passou na cozinha para lavar o copo. Tinha bebido café no copo de vidro, mas fez isso por ela, não por Isa. No caminho para a copa, sentiu aquele cheiro delicioso de papel, e viu que tinha um carregamento de alguns milheiros de sabe-se lá o que, no galpão do fundo. O material vinha sempre embrulhado em um papel marrom, fosco, e por isso Lia nunca sabia do que se tratava.

 

- Oi, você trabalha aqui? – alguém pergunta, assim que Lia sai do jornal, distraída com o celular e o fone. Era uma voz feminina.

- Oi, trabalho – Lia responde, procurando Caio, que não estava por ali. Mas a moça (bonita!) não parecia ser perigosa, então sorriu para ela.

- Sério, qual o seu nome? Eu leio a Gazeta toda semana!

- Lia, mas meu nome não aparece no jornal. Quer dizer, vai aparecer, no sábado. Assumi ontem como editora interina.

- Nossa, Lia, que incrível! – a moça diz, parecendo sincera – Parabéns! Eu amo a Gazeta, coloca A Folha no chinelo! Amo a Carta do Leitor, é a melhor seção! O “ninho da Gazeta”, oin, é tão fofinho! Amo!

- Sério? – Lia sorri, porque a mulher fez um som engraçadinho, ficando ainda mais bonita – Eu que escrevo, mas não conta para ninguém.

- Mentira que você é “a” Gazeta! – ela se espanta, falando até um pouco mais alto – Mulher, eu sou sua fã! Você é demais, de verdade!

- Grata! – Lia sorri, um pouco sem graça – Qual seu nome?

- Robertinha – ela responde, na mesma hora, estendendo a mão – Me chamo Robertinha. Muito prazer, Gazeta! Quer dizer, Lia – ela dá uma risada que faz Lia rir também – Que incrível, estou feliz de te conhecer! Posso te acompanhar? – ela pergunta, apontando para a direção que parecia ser a que Lia seguiria. Não esperou a resposta, e começou a caminhar ao seu lado – Sabe Lia, não quero puxar seu saco, nem nada... Mas tenho em casa uma coleção de textos seus. Eu juro! – Robertinha complementa, vendo Lia fazer cara de descrente – Você escreve muito bem, nossa. Já chorei várias vezes, lendo suas palavras, tão doces.

- Eu também – Lia comenta, sussurrando, a fazendo rir (um sorriso lindo, notou). Quis fazê-la rir mais vezes, só para ver aquilo de novo.

- Ai, não duvido! É pesado, né. E o povo dá uma viajada, convenhamos. E olha que falo isso sem saber do restante; só pelo que vejo publicado.

- É, é pesado mesmo. Mas, coitados, só estão desabafando. As pessoas enfrentam cada coisa, às vezes...

- Sim, você tem razão. Que sorte que elas têm, de ter a Gazeta para extravasar. Quer dizer, de ter você, né – Robertinha sorri para ela.

- Eu moro aqui – Lia aponta para o prédio, parando de repente. Robertinha olhou para cima e viu uma jiboia balançando, lá no alto.

- Aposto que você mora ali – ela apontava para uma janela, a única por onde saía uma planta que vivia pendurada (em teoria, longe dos gatos).

- É ali mesmo – Lia só não riu porque ficou pensando o que mais teria acontecido para a planta estar assim, solta, balançando à própria sorte. Curau e Pamonha certamente tinham aprontado – Como sabia?

- Você parece gostar de plantas – Robertinha aponta para a camiseta de Lia, que abaixa para ver a estampa de cacto da regata que vestia.

- Ah, sim – ela sorri, as bochechas ficando levemente coradas.

- Amo plantas. E cactos! Olha – ela pega o celular na mochila e mostra a tela de bloqueio: um cacto cheio de espinhos, com uma florzinha rosa na ponta – Desculpa, Lia, estou aqui te alugando, que chata. Você deve estar cansada, e ter mil coisas para fazer...

- Não, eu estou tranquila. Você não estava indo para algum lugar? – Lia pergunta, mas não aguarda a resposta – Quer tomar um café? Uma cerveja, sei lá – ela faz um gesto em direção à janela, lá em cima.

- Quero muito, sim! Depois eu faço o que ia fazer, tudo bem. Conheci a Gazeta, gata! “A” Gazeta – Robertinha repete, com uma entonação diferente – Aceito o café. E quem sabe uma cerveja depois.

- Ótimo. Foi a sequência que pensei também – Isa fala, abrindo o portão e esperando ela passar. No movimento, sentiu o perfume de Robertinha, um aroma masculino, que combinava com o cheiro dela – Talvez a casa esteja revirada, eu moro com três terroristas.

- Cachorros? – Robertinha pergunta, vendo Lia apertar o número nove no painel do elevador. Tinha um sorriso também nos olhos.

- Gatos, Curau e Pamonha. E um cachorro, o Mingau.

- Que nomes ótimos! Eu tenho um cachorro chamado Sabugo – Robertinha revela, e as duas riem – Ganhei filhotinho, de um conhecido que vende milho.

- O Rui? – Isa pergunta, abrindo a porta do elevador.

- O Rui! – a mulher responde, enfática – Você o conhece?

- Ele que me deu os gatos! Por isso os nomes – Lia responde, rindo, destrancando a porta de casa. Suspirou com alívio quando percebeu que estava tudo em ordem. A planta estava solta para fora da janela provavelmente devido ao vento – Não repara a bagunça.

- Que delícia de lugar – Robertinha tira o tênis antes de Lia. Usava uma meia de cada pé, uma branca e outra azul – Quantas plantas, uau! Como faz para os gatos não mexerem? Olá! – Mingau chegou na sala, receptivo – Oi, catioro! – Robertinha cumprimenta, com vozinha.

- Eles mexem – Isa responde, apontando para algumas plantas na estante – Por isso mantenho fora do alcance das garrinhas.

- Aquela não teve tanta sorte, né? – Robertinha aponta para Senhor Seco, ainda se recuperando da última queda. Mingau já estava no colo.

- Não, essa é a planta preferida deles. Ou a mais odiada – Isa sorri – Vou esquentar a água para o café.

- Tá, onde fica o banheiro?

- Ali, no final do corredor – Lia aponta para a porta encostada.

 

                Lia entrou rápido na cozinha, seguida pelos gatos, que exigiam comida. Colocou a chaleira no fogo e encheu os potinhos, e quase tropeçou em Curau quando foi pegar o pó de café, no armário. Levou duas xícaras para a sala, e o açúcar, e quando apoiou na mesinha viu que seu celular estava vibrando, numa chamada.

 

- Oi, Lia! Estou ligando só para avisar que deixei uns materiais na rede, para você ler amanhã – Isa diz, do outro lado da linha, sua voz entrecortada pelo som do computador desligando na redação – Me desculpe por mais cedo, eu não quis te aborrecer, juro. Só é que fiquei curiosa com essa história de lavagem de dinheiro e tive que ir ver.

- Tudo bem, eu não estou brava. Fiquei na hora, mas passou – Lia complementa, porque Isa ficou quieta – E a lavagem é só um palpite.

- Sim, eu sei, mas é que faz sentido, e me instigou. Sei que é um assunto proibido aqui na Gazeta, mas... – Isa continua, o som da porta do jornal fechando - ... Tchau, Caio! – ela se despede do segurança, e Lia ouve a porta do carro abrindo, e depois fechando – Você já sabia que os imóveis daquele seu mapa têm o brasão da cidade?

- Muito cheiroso o seu sabonete, adorei – Robertinha diz, e faz cara de susto, quando vê Isa ao telefone. Levantou uma mão, se desculpando.

- Ah, você está acompanhada. Quer dizer, está ocupada – Isa dá uma engasgada, falando rápido – Deixa quieto, depois conversamos.

- Fala logo. Você já me ligou, agora fala – Lia insiste, ouvindo Isa suspirar – Como assim, têm o brasão? – ela pergunta, e faz um gesto para Robertinha, indicando que desligaria em um minuto. A moça sorriu para ela e movimentou os lábios, dizendo “fica tranquila”. Sentou, enquanto Isa continuava, do outro lado da ligação.

- Todas têm, na fachada, sempre perto do telhado. Quer dizer, não há um padrão, mas a maioria é no alto, bem pequenininho. Azul.

- E como sabe o que é? Esse símbolo praticamente morreu junto com o ex-prefeito – Lia vê Pamonha se aconchegar no colo da visita.

- A Natasha me falou – Isa responde, com um suspiro ruidoso, quase impaciente – Acredito que os imóveis pertençam à Prefeitura.

- Não, acho difícil, pouco provável. Como eu te falei mais cedo, esses lugares passam sempre por reforma, antes de voltarem a ficar fechados. Não sei se a Prefeitura bancaria essas obras – Lia fala mais baixo no final, indo até a cozinha porque a chaleira estava apitando, com a água quente – Mas é, sem dúvida, muito suspeito. Eu nunca tinha reparado, em nada, em brasão nenhum. Olho bom, arrasou.

- Acha que tem a ver com os esquemas do Sérgio? – Isa pergunta, só agora dando partida no carro.

- Eu nem sei quais são esses esquemas, na real – Lia retruca, pensando rapidamente nos papéis, lá no fundo do jornal. Teriam alguma relação? – Teria que descobrir do que se trata, para ver se são o mesmo – ela complementa, guardando o pensamento para si.

- Meu instinto me diz que o Sérgio está metido nisso – Isa comenta, como se falando sozinha, o carro ainda ligado, mas parado na vaga – Por que acha que ele tem câmera na sala dele? É a segurança dele – ela responde, antes que Lia diga algo – Devem rolar altas reuniões no jornal, e ele filma tudo, para chantagear depois.

- Acho que você anda assistindo muito filme de ação – Lia brinca, mas estava séria. Isa podia perfeitamente estar correta na acusação – Posso dar uma pesquisada no site da Prefeitura amanhã, no Portal da Transparência, ver se encontro alguma coisa, algum registro.

- Faria isso por mim? – Isa pergunta, sorrindo, e Lia quase a ouviu sorrir.

- Sim, e por Passarinhal. Agora eu preciso ir.

- Claro, claro – Isa concorda, acelerando com o carro – Um beijo, Lia, até amanhã.

 

                Lia desligou o celular sem dizer nada. Não que estivesse zangada; só estava distraída. Seria uma bomba e tanto descobrir que a Prefeitura estava envolvida em algum esquema sujo. E devia estar! Por que inserir um brasão em lugares que ela desconfiava justamente que fossem só de fachada? Estranho!

 

- Desculpe, era trabalho – Lia fala, entrando na sala. Sorriu para Robertinha, que mexia no celular, e colocou o aparelho de lado assim que a viu. A mulher tinha uma beleza ímpar, sua pele reluzia.

- Imagine, tudo bem. A notícia não para, afinal – ela sorri, e pisca.

- É – Lia dá um suspiro, recostando no sofá, bebendo um gole de café.

- Algo ruim? – Robertinha quer saber, se recostando também.

- Sim, com potencial de estremecer a cidade – Lia responde, mas num tom que não pareceu estar falando sério, e por isso Robertinha riu.

- Muita responsabilidade, ser da imprensa. Noticiar os fatos.

- É, mas eu nem faço isso. Quer dizer, não sou repórter, não gosto de sair para a rua, entrevistar. Então fico na redação, fazendo as pesquisas, revisando, selecionando o que vai ser publicado.

- Mas isso envolve uma responsabilidade ainda maior! – Robertinha diz, apoiando sua xícara na mesa do centro – E você é “a” Gazeta, né, bem! Acho que só isso também já dá uma dimensão da sua responsa.

 

                Lia sorriu, porque Robertinha também sorria, de um jeito franco. Reparou nos dreads que ela usava, alguns com enfeites que lembravam anéis. Segurou um e olhou mais de perto.

 

- Gosta? – Robertinha pergunta, sorrindo mais abertamente quando Lia sorriu também. Seus dentes eram retinhos, alinhadinhos.

- Sim, muito. Achei seu penteado lindo. Você é linda – Lia responde, se corando – Uma vez levei um fora de uma menina de black power.

- Que absurdo! Te deu um fora por quê?

- Ah, não foi bem “fora” – Lia dá uma bicadinha no café, só para molhar a boca – A gente estava na balada, tudo indicando que ficaríamos, mas aí veio uma terceira e estragou o nosso rolê. O meu rolê, certamente.

- Que vaca! O que ela fez?

- Dançou para a menina que eu estava a fim, de um jeito bem sexy.

- Ah – Robertinha sorri, mas logo se recompõe – Uma boba, ainda assim – ela complementa, voltando a sorrir para Lia – Eu jamais deixaria de te beijar por causa de outra. Mesmo que ela dançasse para mim.

- Sério? – Lia pergunta, mas de maneira retórica. E Robertinha pareceu entender, porque tampouco respondeu. Beijou a boca de Lia, para comprovar que estava falando muito sério.

 

Notas finais:

 

Música do capítulo:

 

She wants revenge, Tear You Apart (https://www.youtube.com/watch?v=ixw_bLVUL34)

 

P.S.: Achei muito divertido ter personagens com nomes curtinhos como Isa e Lia, e enfiar uma terceira com nome enorme, no diminutivo rs

Robertinha: mal conheço e já curto pacas!

 

P.S.2: Esse foi um dos capítulos mais emocionantes que escrevi dessa história! Sempre soube que "Escrito na Gazeta" envolvia Lia, Isa e Robertinha, mas nunca soube qual seria o pano de fundo.

Eu só descobri como o livro terminaria (daqui quatro capítulos) quando tive contato com esse conteúdo, com essa questão dos imóveis (mas os papéis no depósito, super suspeitos, e que possivelmente estão envolvidos em algum esquema (o msm?outro?, quem sabe rs) surgiram no começo! Óia como caribu é foda, por isso aplaudo rs).



Comentários


Nome: Anna Hart (Assinado) · Data: 02/11/2021 19:25 · Para: Capítulo 16 – Robertinha

Oi!

 

A Lia é muito cadelinha... ranço (desculpa autora).

E essa Robertinha, hein? Gostei mais dela do que da Isa, para ser honesta. Especialmente, porque ela admira a Lia, tão fofinha.

Mas, como não gosto da Isa, logo...

Por último, quem é que convida um completo estranho para seu apartamento/casa?

Lia é repórter, não acompanha as notícias, não? Ahaha.

Qual será desses casarões?

 

Beijos!

 



Resposta do autor:

 

Amada, se eu contasse das pessoas que já enfiei em casa sem conhecer rsrs

Trocaríamos e-mails enormes só disso rsrs

 

Os casarões dão a reviravolta, e depois quero saber se falei deles mto em cima do final!

Beijos!

 



Nome: Dessinha (Assinado) · Data: 02/10/2021 03:47 · Para: Capítulo 16 – Robertinha

Opa!! Negócio bom, hein! Um beijo assim, de repente... na boca dessa maravilhosa Lia ;) 



Resposta do autor:

 

Delpicia! Um beijo inesperado numa desconhecida, de repente rs

Aprovado!rsrs

E a Lia é maravolhosa msm <3

Beijos!



Nome: cris05 (Assinado) · Data: 02/10/2021 01:25 · Para: Capítulo 16 – Robertinha

Eu gosto da Lia e da Isa juntas. 

Quando Amélie apareceu eu achei que o negócio ia desandar de vez. Aí depois consegui entender a Isa e voltei a ter esperanças. Plim!

Depois a Isa vem com o lance de encontrar alguém. Pensei: babou! 

Fiquei torcendo aqui pra que a Lia prestasse bastante atenção nos detalhes na hora de escrever o horóscopo. Só que aí acabou dando margem para que o destino interpretasse de outra forma. 

Isa ficou incomodada (deu até uma engasgada) quando notou que Lia estava acompanhada. 

Robertinha chegou chegando, mas ainda tô com o pé atrás rs.

Enfim, o fato é que eu torço muito pela Lia e claro que eu gostaria de um final fofinho pra ela. 

caribu é foda mesmo e entende dos paranauê. Então, independente do final fofinho, já sei que vou amar.

 

P.S a capa nova também não aparece pra mim

Beijos!



Resposta do autor:

 

Ótimas análises! 

Esse plim pegou, né rsrs 

Eu gosto que a Isa tenha engasgado rs Mostra que ficou incomodada MSM!rs 

Sempre torci pela Lia tb, me identifico com ela! 

E torço pela Isa, igualmente, acho as duas fofinhas, na real 

E prometemos um final fofinho, mas com ação!rs 

Beijos, até amanhã!



Nome: cris05 (Assinado) · Data: 02/10/2021 00:15 · Para: Capítulo 16 – Robertinha

Eita que Robertinha chegou chegando!

Acho que foi a Isa que estragou o rolê da Lia lá na balada e a menina do black power é a Robertinha. 

Tô doida pra saber dos tais rolos! 

Beijos!



Resposta do autor:

 

Robertinha já chega arrasando corações!

Que a Isa é a msm da balada, sabemos (tem o pingente, lembra?) 

Não acho que Robertinha seja a msm rs

Mas fica a seu critério achar que é rs Isso não vai ser dito (nem que sim, nem que não) 

Mas Robertinha disse que não deixaria de beijar a Lia por causa de uma dançante 

Tudo é possível (até o que vc preferir, neste caso rs) 

Estou ansiosissima pra mostrar os rolos pra vcs! 

Fico pensando... De tantas histórias que poderiam ter saído disso... Tantos finais... 

Espero que gostem, de verdade!  

Beijos!

 



Nome: Raf31a (Assinado) · Data: 01/10/2021 23:15 · Para: Capítulo 16 – Robertinha

Eita! Que capítulo. 

Robertinha é a garota do e-mail/guia?



Resposta do autor:

 

Eita, já pensou se for a mesma?rs 

Não foi dito. Oq acha? É?rs 

Beijos! 



Nome: NovaAqui (Assinado) · Data: 01/10/2021 18:36 · Para: Capítulo 16 – Robertinha

Então 1 - a capa continua com peixinhos

Então 2 - abri e fechei o site do Lettera no celular e continua com peixinhos

Então 3 - Abri o navegador no notebook, dei um CTRL + F5 para limpar o cache e continua com peixinhos... Mas se ela voltar que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei na sua boca



Resposta do autor:

 

1. Cá estou cantando! Amo essa música, na versão do João Gilberto <3

2. O problema são os cookies! Apanho sempre quando preciso trocar de capa aqui no Lettera, e a Cris sempre me ajuda e diz que os cookies são indigestos (mentira, isso eu que acho rsrs)

3. Até o livro terminar, atualiza rs

Beijos!



Nome: NovaAqui (Assinado) · Data: 01/10/2021 17:51 · Para: Capítulo 16 – Robertinha

Muitos peixes na capa! Ficou um sonho.... peixes sonha e sonha e sonha e sonha.....

Robertinha veio para fechar o triângulo e já partiu para o beijo para não ficar dúvidas que gostei de você, a Gazeta

Algum rolo tem nesses papéis, nesses casarões, nessas reformas.

Abraços



Resposta do autor:

 

Tem rolo. E Lia sempre soube, mas faltava a Isa para instigá-la a ir atrás! <3

Gosto que Robertinha se aproxime da Lia por este motivo! Qdo escrevi o capítulo 11, que menciona o "ninho da Gazeta", fiquei muito emocionada com o lance de ela chorar, "se sentindo amada através do jornal". Aquilo me tocou mto, o fato de ela ser tão sensível e tão sozinha, e me tocou tb o fato de ela responder às cartas (todas!), e este ser o diferencial do jornal, em relação ao concorrente.

Na ocasião eu achava que a Robertinha encontraria Lia numa balada, ou algo do tipo, mas aí conforme a história avançava ficou nítido que ela jamais iria num lugar assim (de novo) rs

Se aparecem peixes na capa é pq não atualizou aí rs

Beijos!

 



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