Fronteiras por millah


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Marga durante o caminho repassou o plano e assim como Milena tinha uma mascara ela entregou mais algumas a todas nós. Aquilo ia cobrir nossas cabeças como crianças no halloween e a minha era um palhaço. Combinava perfeitamente.

--vamos entrar e sair rapidinho. Temos bolsas para colher quatro milhões então não vamos crescer o olho maior que a barriga. Receberão suas comissões e nada de gracinha. Esse dinheiro será investido no morro e no posto então tudo tem que ser perfeito.

--por que você tem que ser uma gata e eu um zumbi?—perguntou Lina desconfiada a Marga com a mascara dela.era bem mais legal,admito.

--sério mesmo Lina?—retrucou ela não vendo grande coisa nesse papo sobre as mascaras.

--não combina comigo.—reclamou ela indignada.

--quer ser a caveira? Eu me amarro no zumbi.—Milena entregou sua mascara a Lina e era impressionante, parecia que íamos a um passeio ou festa. O que só imaginei quantas vezes elas já tinham feito esse tipo de roubo.

--ah legal!—dissera ela toda animada olhando sua mascara e fazendo a troca.

--agora as armas..

Marga abriu um caixote e só vi Lina e Milena retirando duas potentes armas, uma escopeta e uma metralhadora e pareciam brinquedos nas mãos daquelas duas.

--não vai ferir ninguém né?—preocupada perguntei a Marga que me lançou um olhar suspeito e bem avaliativo.

--(rs) em um roubo você tem que sempre pensar nos seus primeiro. Os outros a gente joga para o destino. Vamos chegar bem na hora da troca de turnos e vamos entrar pelos fundos (rs) e ninguém vai notar nada.—Marga retirou do caixote uma pistola e passou outra para a motorista.eu era a única desarmada naquele carro de loucas.—aquilo que falou, sobre o morro..depois de tudo que te aconteceu poderia dizer o contrario.

--alguns eu quero que se foda mas o morro ainda é minha casa. Sem contar o fato que sem você as coisas podem piorar e eu não quero isso.—respondi mas Marga me olhou cautelosa.

--(rs) vai me proteger? Será meu escudo humano para balas novamente? É desse tipo de boas samaritanas que o mundo precisa.

Marga podia debochar a vontade mas de merda ela tava afundada ate o pescoço e a ultima coisa que eu queria era Alice de volta ao morro.

A animação entre Milena e Lina estava fora das expectativas mas Marga se mantinha concentrada como nunca vi durante o trajeto e assim que chegamos e estacionamos o furgão em um beco ao lado do banco as armas foram engatilhadas.

--Mari fica perto de mim.Lina e Dani abrem caminho e Milena vê se não estraga tudo.

--(rs) a desarmada aqui é a Mari.—disse Milena e olhando pra ela armada senti um certo poder, algo que eu não queria em mãos.

--teremos cerca de quinze minutos e para nosso infortúnio a delegacia fica a oito daqui.

--um detalhe esquecido como sempre né Marga.—colocando sua mascara Lina estava pronta assim como as outras.

--só umzinho. Então assim que eu disparar meu relógio podem ir.—ela disparou o cronometro do relógio em seu pulso e Lina e Dani a motorista, saíram do carro sendo seguidas por Milena em perfeita sincronia.

Marga colocou sua mascara de gata e eu sabia que assim que colocasse aquela mascara seria cumplice daquele roubo.

Quando deixei o furgão com Marga vimos as outras já rendendo um dos guardas externos e o outro que estava abrindo a porta dos funcionários levou o pontapé de Lina que fizera a porta se abrir e ele cair no chão.

--entra filha da puta!!—Milena puxou o guarda rendido e o levou para dentro, já Lina arrastou o caído ao chão ate a próxima porta.

--abre essa merda.bora!!!—gritou Lina para terror deles e era impressionante como ela era forte. O homem retirou o molho de chaves amarrado ao cinto e tremendo procurou a que precisava.

--tic tac mocinho.tempo é dinheiro.—Marga segurou os cabelos dele e mostrou bem sua arma apontada para a cabeça dele em frente a câmera de segurança antes de atirar e destruir ela.

--(rs) isso é melhor do que imaginei.—Milena estava empolgada com sua escopeta e mascara de zumbi e o homem que ela segurava tinha chegado na pior hora.

--se eu fosse vocês sairiam daqui.—disse ele tentando manter a calma.

--cala a porra da boca!!

O homem achou a chave certa e abrindo a porta foi usado de escudo por Marga seguindo na frente de todas.

--fiquem atrás de mim.—mandou Marga e atrás vi Milena puxar o outro guarda utilizando da mesma forma como um escudo humano e isso só me fez pensar em quanta merda Marga não já tinha enfiado ela.

Ouvi passos pelo corredor cinza que entravamos e Lina avançou ate uma mesa de escritório de um dos guardas e a virou,posicionando perfeitamente na hora em que um dos guardas do interior apareceu. Sua mira foi perfeita e atirando em suas pernas ela o derrubou e o barulho ecoou nos meus ouvidos.

--(rs) ponto pra mim!!—ela cantou vitoriosa mas ainda havia mais guardas.

Dani jogou uma granada de fumaça e o corredor em forma de T virou um lugar perigoso para se estar. O silencio que Marga e todas faziam ao avançar em meio a fumaça branca me fizera contar meus batimentos cardíacos já que as batidas estavam fortes em meus ouvidos com aquela mascara cobrindo minha cabeça. Lina, Dani e Milena tomaram a dianteira e de onde eu e Marga estávamos só às víamos sumir em meio a fumaça.

Tiros foram disparados e gritos da Milena foram ouvidos mas Marga cuidadosamente posicionou sua pistola em direção a fumaça e dificilmente vendo os vultos se moverem lentamente ela mirou.

--não mate ninguém. —pedi mas ela não esperou um segundo depois que falei e atirou.

Milena gritou e enquanto Lina e Dani dominavam os outros Milena surgiu deixando a fumaça tossindo e quando avançamos vi o guarda ao chão com um tiro no ombro tentando se apoiar na parede em suas costas.

--desculpa, ele me pegou por trás.—Milena murchou depois dessa envergonhada mas para Marga suas palavras pareciam não valer de nada.

--termina.—mandou Marga e Milena com o cano da escopeta acertou um golpe no rosto do barbudo ao chão que o desmaiou.

--caveira, tranca eles em um deposito. —dissera Marga e Lina abriu a primeira porta que viu e enfiou todos lá com as mãos presas.—palhacinha, nem pense em me dar ordens, isso não combina com você.—disse Marga a mim.

--não quero que mate ninguém e nem que me chame assim.—respondi.

--que azar o seu. Porque agora só vou te chamar assim.ao cofre!!

Marga puxou o único guarda que ainda mantinha de refém e o levou em direção ao corredor a direita onde ficava o cofre e a porta que o guardava me surpreendeu assim como sua tranca.era enorme e parecia impenetrável.

--(rs) quantas notinhas deve ter aqui??—disse Lina comparando-se com a altura e comprimento da porta arredondada.

Jogando o homem de joelhos no piso Marga se posicionou bem a sua frente e a mascara de gata dela fez bem seu papel. Era ameaçadora liderando a todas.

--você não precisa ser tão inteligente para saber o que eu quero. Não, necessito neste exato momento.—Marga tinha uma calmaria mas também uma perturbadora persuasão.

--eu não vou abrir o cofre.—ele tossiu cansado e Marga suspirou entediada.

--então vai ser o guarda herói que vai salvar o dia?

--não vou abrir porra nenhuma pra um bando de vadias.

--que triste, ate as ladras sofrem com esse machismo de merda.creio que se fosse um monte de homem suado e de voz rouca suas pernas já estariam tremendo de tesão.pois acho bom você abrir a porta do cofre porque diferente deles eu atiro na sua cabeça e não vou nem ligar se seus miolos voarem e pintarem a parede.adoro fazer uma boa arte.—vendo a arma apontada para sua cabeça o guarda atendeu o pedido de Marga e digitou a senha do cofre.

A porta que ate então estava selada destrancou suas alavancas e engrenagens e o som de todo mecanismo funcionando e abrindo a porta empolgou Lina e as outras.

--rapido,encham as bolsas.—ordenou Marga.

O trio correu para o interior do cofre e começaram a encher as bolsas e mesmo que os minutos passassem bem devagar durante aquele meio tempo tudo que eu mais queria era ir embora dali o quanto antes.

--Já enchi minhas bolsas.—Milena se gabou porque foi a primeira a terminar.

--leva para o carro.—ordenou Marga.

--por que não atira logo nesse filho da puta?—perguntou Milena mas Marga olhou pra mim ao seu lado.

--nosso tempo ta acabando. Você bem que poderia ajudar palhacinha.—Marga realmente esperava uma reação minha e isso era patético.

--é palhacinha.agiliza.—Lina me jogou duas bolsas e mesmo contra aquela situação levei as bolsas ao carro.

Voltando, passei pela porta do deposito onde os guardas estavam todos agrupados na vidraça da porta desesperados por atenção.

--hey!!hey!!Tem que dar o remédio do cara! O remédio!!!—disse um deles em meio aos outros cinco e com isso parei.

--que remédio?—perguntei e um deles apontou para o piso onde a mesa destruída estava e em meio a papelada achei um frasco com alguns comprimidos. Remédio este usado no tratamento do estagio dois.—quem ta usando isso?—me apressei voltando a eles mas isso não queria dizer que eles me ajudariam.

--(rs) vocês estão ferradas.chamamos o controle de doença antes de chegarem aqui suas imbecis.—disse outro bem irritado.

--eles estão trabalhando com a policia. Vocês estão ferradas.—mais uma ameaça mas aquele remédio na minha mão era o que mais me preocupava.

--cala a porra da boca Gabriel! Moça, precisa dar o remédio a ele. Sei que vai fazer o que é certo. Não pode simplesmente deixa-lo morrer!—dissera o mais velho e isso só podia ser piada.

--mas que merda!—falei!

Corri ate Marga e o guarda que ela mantinha refém e mesmo ele tendo uma crise de tosse ela estava mais preocupada com as bolsas de dinheiro que Lina e Dani carregavam.

--Marga se afasta.—puxei Marga de perto do guarda e ele se recostou na parede cansado.—você esta contaminado pela react?—perguntei a ele de longe enquanto retirava minha mascara para espanto de Marga.

--o que pensa que ta fazendo?!põe essa merda de volta.

--me responda!—ele me olhou buscando ar e acho que me ver com raiva ajudou.

--não!!Um cara maluco mais cedo me mordeu. Tive que enfaixar meu braço mas ainda dói. Como não posso perder esse emprego tive que vir.—respondeu ele para meu desespero.

--mas que porra é essa? Um cara te mordeu?(rs)—Marga não estava acreditando, tanto que retirou sua mascara mas depois de Rita e seu cachorro fiquei imaginando como aconteceria essa contaminação.

--isso é muito sério. A gente tem que sair daqui agora!—falei a ela mas Marga me olhou nada convencida disso.a situação para ela era tão problemática que nem se movera.

--claro que vamos embora,quando o resto das bolsas ficarem cheias.—respondeu ela não se importando com o que descobrimos.

--ele esta doente e isso já é o estagio dois!!—respondi nervosa.--Os outros guardas disseram que o controle de doença esta vindo com a policia!

Marga não queria bater boca comigo mas seu silencio já me deu uma ideia do quão furiosa ela estava.

--me deixa matar ele. Vai ser bem melhor que ficar doente.—Milena já preparava a arma.

--cala a boca garota!!!—gritou Marga a ela.

De repente ele tirou o colete e a camisa e vimos o braço dele enfaixado na altura do ombro. Ele não parava de coçar o ferimento e a tossir e isso estava piorando. Era desesperador.

--só um tiro Marga. Acredita em mim vai ser melhor!—Milena estava decidida a atirar e queria fazer isso e estava tentando influenciar Marga como um perfeito capetinha apoiado em seu ombro.

--você não vai matar ninguém! Ficou maluca!—retrucou Marga tentando pensar em uma solução.

--sai da minha frente Mari!—Milena se enfureceu e retirou sua mascara. Ela tentou nos passar mas segurei o cano da escopeta da Milena e ela continuou puxando. Ela estava decidida a matar o guarda ate que vi Marga atirar no guarda e do seu estomago o sangue correu.

--terminou Lina?—perguntou Marga a Lina que recolhia o dinheiro dentro do cofre.

--falta só mais uma bolsa.ué,o baile de mascaras acabou? Ó mimadinha deixa de bancar o rambo e vem me ajudar!—Lina a chamou e Milena recolocou sua mascara indignada.

Marga encarou Milena passar perto dela e com aquela mascara isso se tornou assustador. Ela era uma bomba pronta para explodir. Para Marga aquela morte poderia ter sido apenas mais uma em seu currículo, mas para nós, ver de tão perto a vida sumir de alguém me esvaziou por completo e ate Milena que tanto insistia em matar o guarda ficou em silencio. Catou os blocos de dinheiro mantendo seu olhar ao corpo. Eu não queria que ninguém morresse ainda mais alguém doente e Marga fez questão de quebrar minhas expectativas.

--depois do que vi, Milena tem razão.—disse ela pra mim e isso me encheu de raiva tanto que arremessei o frasco de remédios contra a parede.

--então põe ela pra cuidar daquela merda de posto!!(rs) olha essa porra!!você não tem um pingo de esperança em nada!!—falei furiosa. Eu precisava falar.

--ele já tava se contorcendo. Que merda você queria que a gente fizesse!!?trancar ele com os outros??para se contaminarem??!—Marga me confrontou.

--qualquer coisa além disso! Do que a morte!

--pra mim..ele não ta sofrendo mais. Então terminaram??—perguntou ela as outras cagando pra mim.

--prontinho. Ultimas bolsas cheias.vambora.

Lina,Dani e Milena passaram por nós carregando as ultimas bolsas mas aquilo não podia terminar assim.

--a gente não pode deixar ele assim.—falei parando meus passos.

--mas que porra Mari ele já era!!esquece e anda logo!!—Marga me puxou pelo braço e andamos.

Contudo, olhando para trás eu vi um movimento estranho e naqueles passos um gemido petrificante deixou o corpo dele tão esganiçado que ate Marga parou. Aquele som veio do mais profundo do seu ser. Era estranho e paramos de tão curiosas que éramos e corajosas para olhar. De repente o braço moveu, esticado e com dedos duros, subiu para o alto como se alguém o levantasse, logo, a perna dobrou e com os dentes a bater o corpo foi se apoiando na parede. Marga e eu tiramos as mascaras porque era inacreditável. Ele tinha morrido e agora estava ali de pé.

--(rs)...corre. Corre!!!—gritou Marga.

Marga correu e claro fiz o mesmo e assim que dobramos o corredor em direção a saída vimos o guarda quase nos alcançar porem encontrar-se com a parede devido a curva. Ele rosnava como um bicho desesperado e faminto sujando tudo com o próprio sangue.

--Mari, corre!!!—Marga estava na minha frente mas Lina e as outras permaneciam curiosas na saída tentando entender o que acontecia.—entrem na porra do carro!!!—mandou Marga e as três sumiram da porta e minha nossa meu coração estava a mil e assim que passamos pela porta Marga e eu a seguramos porque o guarda enlouquecido tinha força e empurrava a porta, enfiando seus braços entre a brecha para nos alcançar.

--empurra Marga!!!empurra!!!—eu estava colocando toda minha força ali mas se eu soltasse ele escaparia e eu estava torcendo para Marga não dar uma de filha da puta e me largar la.—empurra!!!

--cala a boca Mari!!

De repente as sirenes da policia e Lina não esperou mais um segundo nos assistindo trancar aquela porta. Ela ligou o carro e nos deixou.

--mas que merda Marga!!!—vi aquilo desesperada sem forças para soltar aquela porta.

--ela fez o que era certo!!a gente se vira!

As pancadas que aquele guarda fazia na porta machucavam nossas costas mas de forma alguma íamos soltar porem uma moto com o farol forte nos iluminou e uma pessoa desceu da moto já armada.

--como é bom ver vocês de novo.—era Alice já engatilhando a arma e assim como Marga aquela era a ultima pessoa que eu queria ver agora.—larguem a porta.—ordenou ela de imediato.

--não da.—respondi na hora.

--já fizeram a merda que tinham que fazer então larguem a porta e deitem no chão.—ordenou ela com a arma apontada a nós.

Eu olhei para Marga e Marga olhou para mim e foi inevitável não pensar na mesma coisa.

--eu vou fazer.—disse Marga e eu não queria fazer isso.

--não!

--eu não vou segurar esse merdinha a noite toda e creio que você também não.

Antes que eu pudesse pensar Marga soltou a porta indo para a esquerda não me dando escolha a fazer o mesmo para a direita deixando a porta solta para ele sair em fúria não dando chance de Alice escapar de seu ataque.

--vambora!!—Marga gritou pronta para correr.

--não!!!a gente tem que ajudar ela!

O guarda havia derrubado ela no chão e por incrível que parecesse Alice ainda conseguia domina-lo.

--Marga...

Marga olhou para mim e acho que sentiu meu desespero tanto que puxou a arma e andou ate eles e atirou na cabeça dele. Ele caiu pesado sobre Alice e ela nem se movera.

Marga guardou a arma na calça e já se dirigia para longe deles e tive que segui-la. Para longe daquela bagunça, para longe daquela loucura.

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