Fronteiras por millah


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 Meu coração veio a boca mas meu corpo não esperou pelo medo e nervosismo daquela situação.eu corri saindo da casa de Marga não temendo cair em meio a trilha de terra, mato e pedras para enfim chegar a rua e nem assim avistar Marga. Eu estava desesperada.

Corri descendo a rua entrando pelo beco que levava a entrada leste do morro da prata contando com a chance de que eu poderia alcança-la. Eu ainda tinha tempo de impedi-la já que o morro da prata era grande o suficiente para se levar minutos para descer então em meio a tantos desvios e escadas e com meu folego a sumir eu avistei seu cabelo preto a virar em um corredor e apressei meu passo.

Só de pensar em Alice conseguindo o que queria me fez gelar em ver Marga quando finalmente cheguei ao mesmo corredor que ela. Eu desesperadamente não queria isto.

Eu a peguei segurando firme seus braços, me colocando a sua frente para impedir ela de continuar e nisso ela me olhava como uma verdadeira louca que eu certamente parecia.

Eu estava cansada mas tomei folego para falar com ela.

--fica. —falei e ela me olhou curiosamente surpresa. —Alice deve estar por lá.

--por que acha isso?—ela parou e foi de certa forma um alivio.

--é a única entrada que não tem portão, justamente esta que é mais próximo da casa do garoto e um pé fora do morro. É uma armadilha!

 --mas isso ainda não resolve todo esse mistério. Suzana ainda esta na minha conta lembra?

--eu vou ate lá. Falo com ele.

--leva ele la em casa.ai sim a coisa vai ficar interessante.—ela falando baixo parecia uma psicopata com tanta raiva.

--só me prometa que não vai surtar.

--pff

--prometa!

--ta ta eu não vou surtar. Agora vai.

Eu olhava para ela e naquele sorriso e eu não encontrava um pingo de confiança para crer nas palavras dela. Ela ia surtar.

Segui meu caminho morro abaixo e catando algumas informações pelo caminho eu achei a casa de Suzana. Era simples com paredes amarelas e plantinhas penduradas na frente. O portão preto gradeado estava trancado mas apertei a campainha e dali ouvi seu som tocar dentro da casa.

Não levou segundos para um rapaz aparecer na porta. Deveria ter uns dezessete ou dezoito anos, com cabelo bem cortado, cara de garoto marrento e vestido de jeans e camisa preta e um tênis de marca. Ele parecia muito bem apesar da cara amargurada que me fazia.

--quem é você?—ele me perguntou incomodado pelo sol quente daquele dia.

--meu nome é Mari.

--ah..a garota nova de Marga.—ele parecia vazio de emoções e nada interessado a falar comigo já que olhava para os lados procurando algo.

--não sou garota dela.—retruquei e ele me lançou um olhar que durou mais que um segundo.

--..sou Lucas.—ele cruzou os braços e parecia se controlar a minha frente e era obvio que ele já estava na defensiva para qualquer papo que teríamos.

--vim aqui por causa da sua mãe.

--o que Marga quer saber que não pode vir ate aqui?                                                                

--eu só estou tentando resolver isso da melhor maneira para ambos os lados.

--resolver? Minha mãe queria parar com essa merda de soldado de morro e Marga cagou pra ela.

--pensei que sua mãe gostasse do que fazia.

--você ao menos a conhecia??via ela chegar em casa cansada e..

--perai apressadinho. Só estou dizendo o que me passaram. Você também não me conhece e esta ai,cuspindo fogo pela boca.

--desculpa é que..minha mãe morreu e Marga nem tem a coragem de vir ate aqui me confrontar.

--ela esta te esperando lá encima.eu só vim aqui te falar isso.

--(rs)—ele deixou o portão e saiu tomando o caminho a subir o morro.

O garoto estava cheio de marra mas parada ali observando ele subir me atentei o quão perto estava da saída leste. Eram alguns passos a rua que levava a saída do morro da prata e nisso minha curiosidade reinou. Eu queria ver se era verdade.se aquilo que eu pensava realmente poderia se cumprir e mesmo não botando fé de que Alice estaria ali naquela rua eu fui. Eu queria que fosse mentira, eu não queria me sentir tão desesperada para saber disso porque só era uma prova que eu estava me apegando aquela cretina. Me apegando mais do que minha mãe mais do que eu imaginava para tão pouco tempo.

Por isso respirei fundo e fiz dos meus passos os mais lentos possíveis e segui ate aquela rua.eu podia ver a mudança drástica no ambiente das fronteiras do reino da Marga e do fundo exterior e com mãos geladas eu sai.

A rua movimentada, os carros que passavam na pista que levava a rodovia e ao túnel estavam como sempre bem normais. As pessoas transitavam pela calçada em ritmo de trabalho e tudo estava como deveria ser. Era um pouco de alivio para minha mente paranoica e ate sorri desacreditada no meu surto.

--Marga vai me deixar maluca.—me virei e mesmo que o sol estivesse no topo e alto sobre minha cabeça ele jamais brilharia como refletiu em uma janela de um prédio bem a frente.

Eu fiquei ali de costas a rua analisando do porque o sol ter refletido tão intenso em uma janela senão por causa de uma lente. Uma lente de uma arma? Talvez. Me virei a rua novamente e meu olhar caçou bem a janela com o brilho incomum e de fato havia algo lá e eu fiz questão de olhar bem para aquela janela.

Era ela com uma sniper em mãos pronta para acertar Marga. Era uma pena para ela que eu não era Marga.

Entrei no morro e era inacreditável. Eu estava certa. Eu tinha que contar isso a Marga e não desviei meu caminho e segui ate a casa dela. Não tive pressa. A esse momento Marga estaria gritando e berrando com Lucas e Lina ameaçando a bons cascudos, eu fui o mais calma possível de volta.

Passei pela rua dos mercados, onde todo mundo trabalhava a todo vapor. As pessoas gostavam de comprar peixe e frutas para o almoço e era maravilhoso caminhar por lá e encontrar as caras mais conhecidas do morro.

De longe eu avistei Hyong a comprar. Isso me fez lembrar o tempo que ela me fazia ajuda-la a carregar suas compras na sua busca pelo peixe perfeito. Depois daquele dia com o cara morrendo em seu restaurante acho que me ver seria a ultima coisa que ela queria mas assim que passei ela me chamou.

--eu não tive a chance de te agradecer.—dissera ela e tive que sorrir.

--não precisa.

--aquele homem ia morrer..

--e eu não tive coragem de furar a garganta dele para ajuda-lo.

--mas Marga sim e vi que ela só fez isso por sua ajuda. Por ela, Marga terminaria o serviço.

--pelo menos ela me ajudou com uma coisa boa..soube algo dele?

--bem é claro. Como esta sua mãe?

--trabalhando como sempre. Ontem foi um dia bem especial para ela. Já tinha um tempo que a gente não saia. Obrigada pelo jantar.

--(rs) sabe que é sempre bem vindas no meu restaurante.me surpreendi com Lina e Marga mas acho..que posso me acostumar em ver elas mais vezes já que elas estão bem mansas com vocês. Posso estar enganada, mas elas estão tentando passar uma boa impressão? Eu nunca vi Marga assim, tão de boa andando pelo morro. O que você fez?

--nada.

--apesar do que ela fez a minha família o estilo de vida dela...é preocupante. Ela brinca com a vida de todos com tantas armas nesse morro e os roubos atraem um olhar negativo ao morro da prata. Essas mulheres que ela tanto apoia e logo depois enfia uma metralhadora ou um escopeta nas mãos são voláteis, são instáveis. Muitas saem de lares violentos e cheias de ódio. Torna nosso lar uma prisão para todos e para ela uma fortaleza. Você por exemplo vivia fugindo das mulheres do morro.

--a verdade é que..depois de descobrir que minha mãe tem sentimentos por ela parece que todo meu ódio não é nada. A real é que depois dessa nem eu mais consigo sentir algo em relação a Marga. Ela me irrita, tudo é confuso e eu sempre acho que não devo confiar nela..mas eu to aqui feito idiota.

--se precisar de mim, para qualquer coisa, conte comigo.

--valeu Hyong.

Me despedi dela e segui ate a casa da Marga. Logo as duas da tarde minha mãe chegaria e era de se esperar que todo o papo com Lucas e Marga já tivesse encerrado mas assim que toquei na maçaneta encontrei a porta trancada. O problema maior foram as batidas que eu podia ouvir e o gemido de raiva de Lucas.

--o que ta acontecendo?—perguntei a mim mesma me afastando da porta, com meu coração acelerando em meio a tanto receio.

Me lembrei da garagem que tinha acesso a casa e corri pra o portão dela do outro lado da casa. Ele se encontrava fechado mas comigo forçando a porta elétrica a subir e abrir não demorou para que pelo menos uma brecha embaixo fosse o suficiente para mim passar.

Eu entrei depois de me rastejar e dali ao lado dos carros e motos de Marga eu já ouvia a voz alterada de Lucas a gritar. Algo não estava certo porque eu não ouvia Marga responder.

Tive que ser silenciosa com meus passos e seguindo para a casa eu avistei da cozinha lá no meio da sala Lucas espancando Marga violentamente com chutes e mais chutes e ela caída no piso encolhida tentando se proteger recebia os golpes e pisões em silencio.

--por sua culpa eu tive que fazer aquilo!!por sua culpa ela não me ouviu!!!!Como consegue fazer isso??Como consegue fazer as pessoas ficarem cegas por você!!—gritava ele enlouquecido.

--eu não matei sua mãe! Você fez isso seu miserável!!—Dissera Marga e isso era assustador.

--(rs) e quem vai acreditar??!eu sei que você já estava de olho em mim e mandou aquelas duas me vigiarem.eu me livrei delas também e basta eu chorar na frente de todo mundo que nenhuma dessas vadias vai acreditar em você Marga!(rs) ate a policia se eu rir na cara deles vai dar mais importância ao que vou dizer do que a você seu lixo!!!—disse ele com gosto.

--ela trabalhava para mim por sua causa. Para dar a você um teto e comida na mesa seu imundo!!

--você fez ela escolher você do que a herança do meu pai!!

--aquele velho nojento igual a você?—respondeu Marga e Lucas surtou.

Ele voltou aos chutes e pisões e eu precisava fazer alguma coisa e na hora vendo ele de costas a mim comecei meu caminho ate ele. Toda a raiva que ele possuía em meio a gritos e xingamentos estava me enfurecendo. Ele estava machucando Marga, ele ia mata-la e com minha visão quase turva e o ar que começava a faltar em meus pulmões eu peguei a haste de ferro do abajur perto do sofá e acertei as costas dele o derrubando ao piso. eu vi bem a hora que a lâmpada no topo estourou com o impacto e a barra de ferro toda tremeu na minha mão.

Eu não sei o que deu em mim eu só continuei a bater nele e a repetir o mesmo golpe.eu não medi minha força.eu usei ela com toda a intensidade dos meus braços o que foi anormal porque eu queria devolver a ele toda a dor que ele causou a ela.eu ate joguei longe aquela haste e montei sobre ele para socar aquela cara idiota dele e só parei porque Marga gritou meu nome.

Eu tinha saído de mim e ela estava ali sentada no chão me encarando perplexa a sangrar. Ela cuspiu sangue e eu estava mais do que ofegante.

--(rs) puta merda Mari, você conseguiu..olha quanto sangue..—ela falou aquilo e foi ai que me toquei do que eu tinha feito.

Lucas estava desmaiado e com o rosto fodido e minhas mãos machucadas e todo aquele sangue sobre nós me deu vontade de vomitar.

--meu deus. —me levantei vendo aquela cena horrorosa do Lucas caído no chão e todo aquele sangue no rosto dele e machucados que nem mesmo eu acreditava que tinha feito.

--(rs) veja por esse lado, você perdeu o medo de sangue. Pode fazer a operação que quiser agora.—ela se levantou com dificuldade e foi ate o seu bar para encher um copo de whisky e enquanto ela bebia para aliviar a dor eu ainda estava ali paralisada encarando Lucas desmaiado.—esse desgraçado.—Marga voltou do bar com uma pistola em mãos.

Ela destravou a arma e veio furiosa.

--espera!!—a parei e ficar em frente de uma arma não era uma boa escolha.

--ele ia me matar!!

--não, por favor..se fizer isso só vai piorar as coisas.

--e como vamos explicar isso a Alice? Porque sei que vai querer salvar esse merdinha!

Eu pensei rápido, eu tinha que ter uma solução para acabar com aquela fúria de Marga e a solução veio como uma luz vermelha sobre o hack. Era a câmera de Lina que ainda estava ali, gravando tudo.

Desconectei a câmera e com Marga bem atrás de mim eu verifiquei se realmente estava tudo gravado e ate me surpreendi quando me vi batendo em Lucas.

--o que essa câmera estava fazendo ai ligada?—perguntou Marga desconfiada.

--Lina.

--safada que eu amo.

--onde ela esta?—perguntei.

--eu mandei ela ir embora.

--não deveria ter feito isso ainda mais com esse maluco!

--ué, ela tava doente né!?

--que horas?

--uma e vinte e sete. Por quê?

--minha mãe vai chegar as duas. Precisamos ajeitar tudo isso.—eu olhei para Marga e em seu rosto corria o sangue de uma sobrancelha cortada e a boca vermelha pelo sangue.

A bagunça daquele confronto, o corpo ao chão, o abajur quebrado e todo o sangue ao piso.

--o que vai fazer?—perguntou ela curiosa.

--precisamos limpar tudo isso e levar ele para Alice.

--(rs) com a gravação? Vai ser perfeito. Adorei a parte que você desce o cacete nele por mim.com toda certeza não deve ser difícil achar Alice hoje né?

--ela esta la fora do morro. Perto da entrada leste.

--então vai joga-lo la na rua?

--ela tem uma sniper pronta para acertar sua cabeça. Acho que esse recado todo fodido ai no chão vai ser o suficiente.

Marga arrumou uma corda na garagem e amarrou bem os pulsos de Lucas.

--para meu azar esse merda sabe chutar. to toda dolorida.—ela passou a mão sobre a sobrancelha e sujou a mão de sangue.

--eu posso..—apontei para o corte e Marga logo entendeu e acenou.

Fui buscar o kit medico ainda com as pernas bambas de tanta adrenalina. Tive que usar minha bombinha umas duas vezes para regular minha respiração. Toda aquela merda tinha acontecido rápido demais e ainda nem tinha acabado. Deixei o banheiro e desci as escadarias ate a sala porem Marga e Lucas haviam sumido.

Deixei a casa correndo e avistei Marga arrastando Lucas por uma corda. A câmera que estava com a gravação tinha sumido e logico que ela tinha pegado.

--mais que merda!

Corri ate ela e quando olhei para Lucas ele tinha acordado e agora tinha uma fita na boca. Seus olhos estavam vermelhos de raiva quando olhou para mim.

--o que ta fazendo??

--vou levar ele pra Alice.

--ela vai atira em você assim que te ver!

De repente ele conseguiu descolar a fita da boca e começou a gritar.

--ASSASSINAAA!!!VOCÊ MATOU MINHA MÃE!!!!VOCÊ MATOU MINHA MÃE!!!

Logo chegamos a rua principal e os olhares do povo a Marga e aos gritos de Lucas fizeram daquele caminho um momento perturbador para todos.

Ela o arrastava sem problemas e ele estava desesperado tentando queimar a imagem de Marga as mulheres que a protegia e todas que paravam para assistir o observavam em silencio. Não havia duvidas e muito menos desacordo com o que viam. Parecia que o que ela falava ou fazia nada era contestado.

--ela matou minha mãe, ela matou Suzana!!!!Me ajudem!!!!Por favor!!!Me ajudem!!!—ele só faltava chorar em meio a tantos gritos enquanto era arrastado e Marga apesar de estar toda dolorida o puxou ate a entrada leste.

A câmera pendurada no pulso de Marga balançava ate este momento. Ela a pegou e conferiu bem toda a gravação.

--(rs) boca de sacola. Se tivesse ficado quietinho não teria me dado a carta que eu precisava.—Marga o chutou no rosto e ele desmaiou em meio ao chilique de fúria para alivio dela.—vai me ajudar ou só veio ficar olhando??—ela pegou a corda e já estava pronta para puxa-lo para fora do morro.

--ela vai atirar em você!

--eu vou contar com a sorte.

Me adiantei e o peguei pelos braços e o ergui. Marga por sua vez me vendo fazer aquilo também pegou as pernas dele e juntas carregamos ele ate a entrada leste, e na calçada o deitamos.

Eu vi bem Marga depositar a câmera sobre a barriga dele.

--me fala onde ela ta?—pediu Marga e assim como ela se curvou eu vi bem a pistola que ela escondia no jeans em suas costas. Ela queria se acertar com Alice mas aquela não era a hora.

Eu olhei rapidamente para a janela do apartamento onde a tinha visto pela ultima vez e ela ainda estava lá com a arma apontada para a entrada e agora mais do que nunca seu dedo deveria estar ansioso para apertar o gatilho.

Me posicionei em frente a Marga e a empurrando de volta para o morro eu só vi o sorriso dela a mim e aos prédios daquela rua.

--ela esta por aqui não é?—sua ansiedade estava no ápice olhando para os lados e eu mais que nervosa de estar ali.

--ela vai atirar no meio da sua testa se não entrar logo.—eu a fazia recuar deixando para Alice apenas um gostinho de ver a criminosa mais procurada e não poder fazer nada comigo de escudo.

--eu quero ver Mari.

--não!—me coloque bem a sua frente e de volta ao beco estávamos seguras.

De repente desceu varias mulheres da M.A e muito bem armadas fecharam a entrada com seus corpos. Uma barreira humana cheia de armas que se deparou com cinco policiais vestidos para o combate, mas de frente a elas não ousaram a atirar e muito menos tentar invadir.

Lucas já seria um bom enigma para Alice decifrar e ver ele sendo levado pelos policiais e a câmera eu tinha certeza que isso traria consequências mais tarde.

--esse puto não entra mais aqui!!—gritou Marga ao povo.--Suzana deu a vida por ele e ele preferiu a matar do que ver ela trabalhando para mim.

Marga só precisou disso para todos voltar para suas rotinas e esquecerem que ate agora a pouco ela havia arrastado Lucas para fora do morro. Era como se eles esperassem o veredito final da dona do morro para não acabar falando demais e acabar como ele.

--anda! Sua mãe já deve estar chegando.

Voltamos para casa e Lina estava lá nervosa a tossir.

--você deveria ta em casa!—Marga reclamou mas Lina não estava nenhum pouco afim de falar sobre sua saúde. Ela ainda tava péssima.

--eu falei pra você que não era uma boa!eu falei pra você!—disse ela a Marga.

--agora já foi.

--Lina você ainda ta com febre. Precisa descansar e só.—falei ainda sentindo ela quente ao tocar seu braço.

--sem mim essa maluca só se fode. Pelo menos matou o miserável??—cansada ela sentou-se perguntando a Marga que pela cara também estava tentando acalmar-se de toda aquela situação. Ela levou uma boa surra mas ainda estava ali pensativa.

--Alice vai cuidar dele. —dissera ela seguindo a cozinha e na geladeira achando um pouco de agua.

--uma porra que vai!—retrucou Lina.—essa safada ta na nossa cola doida pra ferrar a gente!

--graças a sua câmera a gente tem provas que ele matou Suzana e as duas mulheres. Marga entregou ele junto da câmera.—falei e Lina acalmou-se no sofá.

--eu copiei a gravação para o meu celular antes disso então ela que não venha me ferrar de novo.—Marga retornou bebendo um copo de agua.

--você vai me dar uma câmera nova.—disse Lina e Marga virou seu olhar pra ela na hora.

--vou e vou enfiar ela no seu cu se tentar outra merda dessa com a Mari! O que tinha na cabeça?!filmar putaria na minha sala?!—perguntou Marga engrossando e tirando o sorriso de Lina do rosto.

--(rs) eu só tava brincando. Não ia rolar nada.—respondeu ela prontamente porem me lançou um olhar curioso.

--não quero saber! Dá o fora daqui!—reclamou Marga e Lina bufou.

--você ta bem né?

--to..

--de verdade? Porque ta parecendo bem mais puta e machucada. Mari pode te ajudar caso precise.—Lina examinou Marga de longe e com isso tive que concordar.

--ele estava espancando ela quando cheguei. Tive que fazer alguma coisa.—falei e Marga me olhou na hora.não era pra mim me preocupar?

--puta merda!(rs) você salvou a Marga?? Acho que depois dessa vou pedir umas férias. OUVIU MARGA?!!—Lina riu alto.

Marga subiu as escadarias calada e Lina terminou tudo tossindo. Aquela gripe estava muito forte e ela tossia com tanta força que só me preocupava mais.

--você tomou os remédios?

--claro, quase não passaram na minha garganta.

--posso fazer um chá para você melhorar sua garganta.

--nah eu tomo isso lá na hyong.cuida da Marga. Ela precisa de um cuidado maior.

--eu sei..

Lina saiu e peguei o kit medico que havia deixado ali na sala e fui atrás de Marga e a encontrei em seu quarto. A porta estava aberta e antes que eu pudesse colocar um pé naquele lugar o receio me lembrou que aquele era O SEU quarto. Marga ainda me causava uma certa estranheza mas depois de hoje acho que tínhamos uma evolução. Entrei e logo no banheiro eu a vi se olhando no espelho redondo contemplando o machucado em sua sobrancelha.

Ela assim que me viu ela saiu do banheiro e com a cara raivosa sentou-se na cama.

--ainda não aceitei o que fizemos...eu poderia ter acabado com ele.—disse ela puta e era nítido que era seu ego ferido.

--isso só confirmaria a versão dele.

--e você acha que eu ligo??ele me deu uma surra. Foi um puta ataque covarde pelas minhas costas mas eu vacilei e se não fosse por você..

--estaria de pé tenho certeza.—ela me olhou surpresa.—foi apenas um susto.

--foi um susto fodido.

Abri o kit e peguei o antisséptico e o algodão. Ela por sua vez me encarava como um cachorro prestes a me morder e estava na cara que estaria doendo mas que jamais ela admitiria ou exibiria fraqueza com isso. Não faria diferença pra mim que comecei a limpeza do seu corte e ela permaneceu ali imóvel. O que me intimidou por um momento foram seus olhos tão fixos aos meus, tão invasivos ao me encarar de tão perto. Era impossível se concentrar com ela daquele jeito me tirando a atenção e me fazia lançar a ela cada olhar desconfiado ao seu silencio. Limpei todo o sangue do corte e tentei não ligar mas dali de frente a Marga e tão próximo percebi que era um bom momento para descobrir o que havia por trás daqueles olhos zangados. Era de um castanho iluminado e de uma atenção que nunca ninguém teve em mim.me peguei lembrando das vezes que a encontrei me observando, era sempre o mesmo olhar curioso e raivoso de agora. Eles me tiravam a concentração e era o que ela queria.

De repente ela pegou minha mão e me assustou.

--esta machucada.—dissera ela seriamente.

Olhei para minhas mãos e realmente, ambas estavam vermelhas. Foram tantos socos que dei que achei valido a dor que sentia. Minha pele estava um pouco rasgada nas costas da minha mão e meus ossinhos visivelmente machucados porem percebi o quanto Marga alisava seus dedos contra esses machucados.com um toque sensível e cuidadoso sobre minha pele ela ficou ali avoada a pensar.

--precisa de gelo.—continuou ela.

--não se preocupe.

Ela se ergueu e saiu do quarto. Marga me fez esperar alguns minutos pelo seu retorno para voltar com uma compressa para minhas mãos. Eu a vi sentar-se do meu lado e pegar minhas mãos para cuidar. Eu olhava para ela e ela olhava para o nada enquanto gelava meus machucados. Marga evitou meu olhar ate que não pode mais.

--sua mãe vai me matar quando souber disso.

--pode ser.

--acha que podemos manter isso em segredo?—disse ela tão mansa que era bom pra mim desconfiar.

Minha mãe chegou e nem precisou Marga contar algo, o morro fez isso por nós e nunca pensei que minha mãe ficaria furiosa comigo por algo que fosse o certo a se fazer.

Ela nos fez sentar no sofá e o sermão já estava no ponto.

--nunca mais ouviu bem!!Nunca mais resolva as merdas da Marga!!—disse ela irritada indo de um lado a outro na frente do sofá da sala.

--e eu ia deixar ela ser morta por Lucas? Aqui na sala!??!—retruquei e minha mãe soltou um riso.

--(rs) Marga morta por um pivete?logo ela, a dona do morro da prata! A mulher que todos temem ficar trancada em um quarto com ela.--eu olhei para Marga e ela fazia questão de não olhar para minha mãe tentando fingir pouca importância a minha conversa com ela. --sei que fez na maior das boas intenções Mari mas não se arrisque!!não por ela!

--não acredito que esta dizendo isso. Logo eu que te acolhi!!—dava pra sentir o sarcasmo no tom de deboche de Marga e minha mãe parecia odiar aquele jeito irônico dela.

--é a segunda vez Marga que põe ela em risco por causa das suas merdas! Você e eu sabemos bem que se quisesse mataria esse menino não apenas com as mãos mas também usaria ate os dentes!!assuma seu planozinho de uma vez.—minha mãe não estava brincando com o que dizia e Marga preferiu o silencio e encara-la com um sorriso no rosto.

Ela olhou para mim e minha mãe esperava sua resposta e Marga realmente estava pensando pra me responder e isso já estava me emputecendo. Ela tinha mesmo um plano alternativo.

--precisávamos de provas não é?—dissera ela.--(rs) eu não poderia deixar minhas marcas nele. Isso ia contra o plano que era tudo que ele mais queria.me tornar um monstro.

Eu me levantei do sofá e joguei a almofada nela. Como ela tinha a cara de pau de me dizer isso??que preferiu não se defender para não se incriminar??!!

--eu devo ter quebrado duas ou mais costelas dele!!e tudo por você!!—eu estava chocada.

--eu sei!!(rs) eu agradeço. O miserável não prestava.—ela se ergueu calmamente com um sorriso no rosto, como se divertisse com minha cara surpresa.—eu tinha reparado na câmera e eu sabia que voltaria e mesmo você demorando pra cacete sabe-se lá porquê tudo deu certo no final. Era isso ou empalar ele mas precisávamos provar não é? Que ele fez tudo aquilo e foi perfeito.—ela parecia se orgulhar do que aconteceu e o sorriso naquele rosto me incomodava.

--eu nunca bati em ninguém daquela forma e você quase me fez quebrar a mão de tanto ódio por aquele moleque!!—gritei a ela e parecia uma reação exagerada para Marga.

--você queria ele vivo agora ele é problema daquela intrometida.—dissera ela se justificando mal entendendo do porque me arrisquei.

--EU queria VOCÊ viva!!puta merda Marga!!—falei porem frieza era o sobrenome da Marga.

--sua filha é tão dramática. Nem parece que é sua filha. —retrucou ela a minha mãe e era inacreditável.

--ela se preocupou com você e você a usou. Forçou ela a tomar uma decisão que ela jamais tomaria!

--mas se você tivesse visto Helena estaria orgulhosa. PA PA PA!!!Ela acertou tão bem aquele filho da mãe.

Me irritei com aquele maldito sorriso dela e caminhei em direção ao meu quarto. Ela tava cagando para como eu me sentia.

--você tinha que falar com ela assim??—minha mãe era doce demais para essa mulher e mesmo comigo saindo fora ela ainda tentava a sorte.

--ela só ta chateada porque sujou as lindas mãozinhas. A historia se resolveu. Agora eu to cagando pro resto.—ela foi para o bar e o jeito que ela resolvia as situações me frustravam porque era exatamente como eu pensava que ela ia resolver.

Minha mãe olhou pra mim cheia de pena mas subi o mais rápido que podia e eu tava me controlando para não surtar.

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