Fronteiras por millah


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 Me acordei tentando esquecer aquela merda de noite.

Na minha mão eu segurava a bombinha vazia e eu já tinha me esquecido das vezes que usei naquela noite. Eu sentia meus olhos ainda arderem mas me levantei e segui ate o banheiro. O sol enquanto eu caminhava ate lá já invadia meu quarto pela janela e o clareava por inteiro. Era um novo dia para esquecer aquela noite sem sentido.

Eu tinha mesmo chorado por aquelas duas?

Liguei o chuveiro e retirei minhas roupas já tendo minha mente no lugar desta vez. Era tudo que eu precisava, esquecer aquela noite.

De repente alguém entrou no meu quarto e veio animada com seus passos rápidos.

--bom dia filha. vim trazer uma toalha nova para você usar.—minha mãe falou de fora do banheiro e eu só consegui perceber sua felicidade.

--valeu mãe.

--(rs) e não demore. Estou preparando o café da manha.

--ok..—eu ouvi quando ela saiu e fechei o chuveiro.            

Levei um tempo para me mover pensando no que encontraria quando saísse daquele quarto. Me vesti o mais lento possível e preparei minha mochila para sair daqui o quanto antes.

Desci ao térreo e entrando na cozinha minha mãe me beijou e já me entregou uma xicara de café.

--to fazendo croissant recheado. Tem uns pãezinhos crocantes para você também.—minha mãe estava radiante.

O cabelo solto castanho dançava a cada passo e o sorriso estava estampado no rosto. Era obvio que elas tinham transado. Tudo era tão suspeito.

Fui me sentar a bancada e estava bom demais ate que vi Marga descer as escadarias com o sorriso mais safado do mundo para mim.

--ah não..—depois do meu primeiro gole de café minha fome desapareceu.eu queria ate esconder minha cara em qualquer lugar para não olhar para ela.

--bom dia família!!—ela chegou causando já buscando o banco da bancada ao meu lado.—bom dia meu amor.—ela falou e tive que olhar para aquela cara debochada dela. Com quem ela ta falando?

--bom dia.—falei seca e ela estava com um sorriso tão descarado que tenho certeza que ela estava adorando me ver ali me controlando para não explodir.

--bom dia Marga. Seu café.—minha mãe entregou uma xicara a ela e o café preto ela tomou sem tirar aquele sorrisinho do rosto dividindo olhares pra mim e pra minha mãe.

--eu amo seu café. Não sei como passei tanto tempo sem ele.—dissera ela cheia de graça.

--(rs) com seus cappuccinos e mocha? Se duvidar nem lembrou.—respondeu minha mãe e realmente Marga deveria estar acostumada com o melhor por ali.

--não tem nem comparação. Inclusive, a fantástica noite de ontem..—disse ela e congelei e minha mãe a olhou como se fosse repreende-la.

--para.—minha mãe a alertou mas estar no meio delas duas tava me dando um negocio que nem sei como ainda não tinha dado um grito.

--eu tenho que falar Helena..

Olhei para Marga e não sei porque um pouco daquela agonia de ontem me voltou. Ela estava adorando fazer isso.

--vocês transaram?—perguntei seriamente.

--(rs)—Marga riu contida mas minha mãe ainda queria me responder.

--não! Filha?—minha mãe envergonhou-se.

--qual é? Foi sensual. —retrucou Marga.

--foi apenas uma massagem. —disse minha mãe dando um soquinho no braço dela.

--nada mais?—perguntei aterrorizada.

--pensei que estava tudo bem e não estava?—minha mãe notou na hora meu terror.

--ela tem ciúmes.—Marga como sempre muito metida.

--não tenho não!—respondi amargamente.

Marga me olhou com aquela cara séria e desacreditada como se eu fosse ceder sob aqueles olhos frios dela.

--nem vem Marga isso não vai funcionar comigo.

--eu dei uma massagem nela. Foi só isso.—revelou minha mãe para alivio meu.

--ontem foi um dia muito cansativo.—Marga estava adorando me irritar. Claro, eu estava duvidando da minha mãe e era tudo que ela queria.ela havia alugado minha cabeça para encher de paranoias.

--ela ta brincando Mari.

--você consegue tirar qualquer paciência minha.—falei e Marga realmente parecia estar se divertindo.

--ainda bem porque adoro essa sua carinha raivosa.—ela tentou pegar na minha bochecha mas estapeei a mão dela.--(rs) mas quando disse vá em frente, não ligo,eu jurei que estava tudo bem.—me lembrou ela esperando uma resposta minha.

--eu preciso de outra bombinha.—fingi que não ouvi e mudei de assunto.

--ué,eu comprei outra não tem nem uma semana.—reclamou minha mãe.

--ontem foi um dia muito cansativo. Tenho que ir.—peguei minha mochila e me levantei do banco.

--Mari, pega pelo menos algo para comer.—minha mãe gritou mas eu já tinha chegado a porta e já estava de saída.

Desci pela trilha e depois de chegar na rua fui parada por Marga que veio correndo me trazer meu lanche.

--você é tão marrenta e Helena pior por me fazer correr ate aqui para te alcançar.—reclamou ela afundando o lanche na minha mão.

--é por isso que tem uma academia.

--eu sei que te irritei mas...você me disse..

--não precisa me lembrar. Eu falei que não ligava e mesmo assim to me importando. Você não é qualquer criminosa. Isso pesa.

--(rs) isso é verdade. Sou aquela que vai direto pro inferno.

Caminhar junto de Marga ainda mais em silencio estava me enchendo de arrepios. Lembrar que ontem elas estavam juntas enquanto eu me acabava no choro no quarto me fazia me sentir uma idiota. Uma palhaça.

--não rolou ok.—disse ela bem mais tranquila do que jamais imaginei . Eu olhei para ela surpresa e ela com aquela cara séria nada me passava. Eu estava ali quase surtando e ela sequer demonstrava algo.

--por que não rolou?

--tínhamos muita coisa para conversar mas isso só quer dizer que ontem ela ganhou. Ainda tenho tempo não é? De fazer a coisa certa.

--ela queria que tivesse feito isso anos atrás.

--nem sempre conseguimos o que queremos. Infelizmente. —ela tomou um novo rumo e se juntou com algumas de suas guardiãs  e começaram a conversar. Nem se despediu e ignorou totalmente minha existência para tratar dos assuntos do morro.

Segui meu caminho não esperando por mais vindo dela. Minha mãe tinha razão, Marga dificilmente mudaria quando se tratava de tirar dela o morro da prata e seu titulo.

Peguei meu busão e eu estava odiando a vela de esperança que eu mantinha acesa dentro de mim. Minha mãe gostava dela e Marga pelo visto também mas por que não rolou? Ambas estavam afim, elas queriam..o que as atrapalhou? Que tanta conversa foi essa??

Voltei dos meus pensamentos com um cara tossindo várias vezes quase sem ar no corredor do onibus. Foi um susto necessário. Marga tinha que sair da minha cabeça.

Só sei que cheguei na faculdade e encontrei na porta Angelo me esperando. Ele acenou de longe assim que me viu e veio correndo.

--eai Mari.

--tava me esperando?

--na verdade não (rs) mas te vendo descer do ônibus me fez mudar de ideia. Meus amigos sabem bem o caminho ate a sala.

--eu também.

--já aborrecida de manha cedo? O que foi?

--Marga ela..sabe como me irritar.

--(rs) não vou negar..eu queria muito conhecer ela.

--por quê?

--as historias são impressionantes. Antes de medicina eu quis muito seguir em jornalismo e o que ouço falar dela..seria uma grande matéria.

--acredite ela não iria gostar de te conhecer.

Entramos e fomos direto para a sala. A aula seguiu bem com alguns espirros e tosses no ar o que me foi mais uma surpresa.

--surto de gripe?—perguntei a ele sentado ao meu lado.

--parece que sim. Tem chovido demais esses dias.

--tomara que Lina esteja bem.

--Lina?

--uma amiga. A gente se acabou no sorvete ontem.

--de Marga também né?

--como sabe?

--(rs) braço direito da poderosa do morro da prata.eu gosto de pesquisar sobre seus roubos. Ela é surtadinha né?(rs)—ele ria como se Lina fosse uma piada ou um personagem. Eu não sei onde ele estava se informando mas não gostei nada.

--me desculpa mas..não fala assim.

--..desculpa Mari eu..tava brincando. Eu vi uns vídeos delas e..me desculpa. Só achei que elas não ligariam para isso.

--elas realmente não se importam mas eu sim.

--e eu posso saber do porque a carinha feia?

--ontem foi uma noite legal demais.

--sério? Com elas?—ele estava tão animando que tava me incomodando.

--..estamos indo bem demais. Infelizmente é isso.

Ele não entendeu bem minha colocação e eu queria deixar assim para evitar mais perguntas dele sobre Marga. Não entendi esse súbito interesse dele por ela e acho que era ate melhor não falar dela por ali e estava indo muito bem ate que no meio da aula eu vi um rosto famíliar abrir a porta da sala e mirar diretamente para mim.

--desculpe atrapalhar a aula professor mas preciso de uma aluna sua.—o medalhão pendurado no pescoço, a blusa preta de mangas curtas e a calça e botas. Era aquela policial loirinha mais uma vez.

Ela não precisou dizer ou mandar para toda a turma se calar pois o silencio reinou diante de sua presença. Certeza Marga estava aprontando e agora ela ia pegar no meu pé para descobrir pistas sobre ela.

Me levantei e ela sorriu quando todos os olhares vieram para mim.

--obrigada Mari pela cooperação.—ela falou com toda sua autoridade e balancei a cabeça por aquela vergonha.eu fazia de tudo para que ela não abrisse a boca naquela sala.

Deixamos a sala e o corredor vazio seria o palco da nossa conversa.

--bom dia Mari.

--acho que já passamos dessa parte quando você invadiu minha sala.

--eu queria falar com você, apenas isso.

--o que quer saber da Marga agora?

--não me leve a mal, mas você é a pessoa mais próxima e disponível dela.eu seria uma idiota se não tentasse.

--eu não vou me meter nos assuntos dela e muito menos falar algo para você.—fui firme e pra mim aquela conversa acabaria ali.

--não precisa ter medo.

--pff medo? Olha quem fala. Ela esta no morro da prata, o que custa a você ir ate lá e pega-la!?

--(rs) você só ignorou todo seu exercito e claro todas aquelas armas.se ela não fosse tão safa,não estaria aqui pedindo a ajuda de uma garota de dezoito.

--tenho vinte.

--desculpa, uma garota de vinte. Só que tem aparecido muitos corpos ou diria o que sobram deles enterrados em cemitérios com plaquinhas bem interessantes de se ler.—ela retirou do bolso algumas fotos e o jeito que enterraram aquelas pessoas tão desleixado, com partes aparecendo era desprezível e as placas debochadas não me pareciam coisa de Marga.se bem que ontem mesmo estávamos falando de um cara picolé.—essas mulheres foram identificadas como moradoras do morro da prata e possíveis células a mando dela. Lê essa.

--aqui jaz aquela que traiu a família, aqui jaz a traidora maldita. Isso...não é coisa da Marga.—falei e Alice me olhou cuidadosa.

--por que não? É doentio demais? Essa mulher foi partida ao meio e suas pernas enterradas em locais diferentes.

--Marga não se prestaria a fazer isso!!ainda mais com as mulheres do morro.

--como sabe?

--não sei mas isso é..pior!

--por isso quero pega-la. Ela não protege o morro Mari, ela se colocou no topo mais alto para mandar e desmandar, matar quem a contraria.

--do que esta falando? As mulheres do morro me parecem bem satisfeitas com ela no comando. Principalmente as que são bem pagas por ela.

--(rs) eu soube que essa aqui queria sair do time.

--...então foi ao morro?

--...o filho dela me contou.na delegacia é claro. Bem longe dela. Ele disse que Marga nunca deixaria sua mãe sair do crime, algo que ela mais queria.

Tudo estava tão confuso. Meu coração acelerado olhava para aquela foto e não acreditava na capacidade doentia de Marga. Ela não faria aquilo. Faria? E para piorar a voz da minha mãe me recordava exatamente disso.do que Marga era capaz e do porque eu deveria acreditar naquilo.

--posso ficar com a foto?—perguntei para surpresa dela.

--o que esta pensando em fazer?

--eu só quero entender isso..

--entenda, ela é uma criminosa. Vai mentir se você perguntar a ela sobre isso porque é conveniente a ela te manter por perto. Soube que sua mãe e ela são bem próximas.

--(rs) ate você já sabe? Vai se fuder!

--(rs) então você também não gosta? Ou só não gostou de ver que era com a Marga?

Voltei a sala e peguei minha bolsa.eu não teria cabeça ficando ali sabendo que Marga esta envolvida com algo daquele tipo. Por isso, guardei rapidamente meus livros e caderno e isso foi uma surpresa para Angelo.

--o que aconteceu?—perguntou ele preocupado e bem curioso.

--eu tenho que ir.

--para onde? A policial..aconteceu alguma coisa?

--não aconteceu nada!—infelizmente gritei e Angelo me encarou com olhos frios e com um semblante bem sério. Ate ele estava surpreso por me ver tão descontrolada.

Sai de lá e fui acompanhada por Alice ate a saída do prédio.

--não pense que vou te ajudar com alguma coisa pois não vou. O que vou fazer é pela minha mãe e mais nada.—falei com ela me seguindo.

--(rs) eu só quero que abra seus olhos. Uma hora Marga vai explodir e não vai sobrar nada por perto.

Eu não queria sentir o poder daquelas palavras mas ela estava certa. Marga era um perigo ate para ela mesma e aquela foto ela ia me explicar.

Coloquei a foto no bolso da calça e segui ate a parada de ônibus.

--sério? eu te levo para o morro.—disse Alice me seguindo. Era muito solidariedade. Não neguei,eu queria chegar o quanto antes mesmo achando muito estranho.

--esta estudando para o quê?—perguntou ela enquanto dirigia.

--medicina.

--(rs) você é perfeita para ela.

--nos seus sonhos.

--estou ha anos estudando o caso dela. Não tem um departamento de policia que não queira pegar Marga.se ela deixar aquele morro é o fim para ela.

--(rs) acha que ela tem medo? Ela saiu outro dia comigo.

--eu sei e infelizmente eu preciso de pessoal para pega-la. E nem me fale de toda papelada..mas seria incrível.um sonho de consumo para mim.com o plano perfeito ela cairia nas minhas mãos sem nem ao menos saber.

Alice parecia falar sério mesmo com o sorriso no rosto. Seria este o maior sonho dela? Capturar Marga??

Demorou pouca coisa e muito pouco papo entre a gente para chegar ao morro da prata.

--valeu.

--não diga a ela sobre a carona. Ela vai surtar.

--eu não sou idiota.se bem que as vezes nem preciso disso. Ela tem olhos por todos os lados.

Entrei no beco e apesar de ver Alice partir não deixei de avaliar o que aconteceu. O que ela ganhava me deixando por dentro do assunto com aquela foto? Eu estava puta pois apesar de tudo que Marga fazia em nome daquele morro e de sua fama como dona dele eu nunca ouvi falar dela derramar sua raiva com alguém dele e muito menos com alguma daquelas mulheres que a protegia. Eu só queria saber a verdade.

Notas finais:

As coisas estão pegando fogo e Marga esta sob a mira de Alice em mais um crime e ela acredita que Marga pode ser a mandante.será que Mari vai ter coragem de confrontar a dona do morro??



Comentários


Nome: Marta Andrade dos Santos (Assinado) · Data: 25/07/2021 15:58 · Para: Capitulo 10 Acredite se quiser

Confusão em Mari!



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