Ilícito por ArvoreDaVida


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Notas da história:

Pré-leitura:

 

1. “Nunca jamais” é uma estrutura redundante e, em português, agramatical, mas eu gosto de usá-la para dar mais intensidade à oração, então usei algumas vezes;

2. Há alguns poucos diálogos no conto, mas eu não fiz marcação com aspas ou travessão, o que não é erro, é apenas o estilo adotado por mim para esse texto e tá tuuuuudo bem, mas aviso de imediato para que não pensem que não sei usar pontuação. Ademais, quando houver diálogos, mesmo sem marcação, vocês perceberão;

3. Se você gostar do conto, comenta, vota, por favor. Se não gostar, comenta também, dizendo o que poderia ter sido melhor e tal, assim posso tentar escrever melhor no próximo.

Beijos e boa leitura! ♥

 

ILÍCITO

Paulo entrou em seu quarto afrouxando o nó da gravata, já se preparava para reclamar do dia estressante que tivera quando deu com a esposa sentada em frente à penteadeira, compenetrada em ajeitar os compridos cabelos loiros. Achou-a tão serena que não quis incomodá-la com assuntos enfadonhos. Deram-se boa noite com um beijo casto, falaram algumas amenidades sobre a rotina doméstica e a esposa o convidou para acompanhá-la à igreja, o que Paulo negou, alegando estar muito cansado. Quase nunca ia, não gostava, e a esposa sabia disso, mas também ele sabia que ela apenas o chamava porque era amável o suficiente para tal, uma vez que ir à igreja após um longo dia de trabalho - ou qualquer outro dia - não era de seu caráter, mas da esposa, que ia religiosamente todas às quintas-feiras desde sempre, sim.

Celina sorriu ao sentir o beijo rápido mas carinhoso que o marido depositou no topo de sua cabeça antes de se direcionar ao banheiro. Coitado! Tão exausto. Observou-o se afastar e quando ouviu a porta sendo fechada, voltou sua atenção à atividade interrompida com a chegada dele. Terminou de escovar os cabelos, deixando-os soltos. Depois pegou um batom na gaveta, pintando os lábios num tom discreto, apenas um pouco mais escuro que sua pele clara. Levantou-se pegando a echarpe de cetim azul que estava pendurada na cadeira e colocou-a em volta do pescoço. Bateu de leve no vestido vermelho, que alcançava até um pouco abaixo dos joelhos, como que para ajeitá-lo melhor ao corpo. Olhou-se nova e rapidamente no espelho e saiu sem se despedir do marido, não havia nem necessidade, nem tempo para isso, pois a missa começaria logo e corria o risco de pegar trânsito se não se apressasse.

Com o som do seu salto ecoando sobre o assoalho da igreja, entrou fazendo o sinal da cruz. Olhou a sua volta: nunca havia muitas pessoas o suficiente para ocupar todos os espaços nos bancos, mas era sempre uma quantidade considerável. A missa começaria logo e o padre estava ocioso no altar, Celina aproveitou para pedir-lhe a bênção. Beijou sua mão devotamente após as palavras do homem. Agradeceu-lhe e tomou seu lugar num banco próximo a uma saída lateral, a noite seria quente, precisava ficar numa área arejada.

A missa tinha começado, todos ficaram de pé, mas menos de dez minutos depois, assim que o padre dava início ao ato penitencial, em que os fiéis reconheciam perante Deus serem pecadores e fracos, despercebida, Celina saia furtivamente pela lateral da Casa: por mais que fosse temente a Ele, não queria pedir perdão por falhas das quais ela não se arrependia e nem mesmo tinha pesar em cometê-las.

Seguiu pela rua lateral que tomou ao sair do templo. Não precisaria pegar o carro, como fizera para chegar à igreja, onde iria era na vizinhança, poderia ir a pé por poucos minutos e, além disso, dada a necessidade de descrição, era até melhor apenas tirar o automóvel do estacionamento ao final da missa.

Ao chegar no prédio de destino, seu acesso já tinha sido liberado. Apertou o treze no elevador e, enquanto ele subia, sentiu-se demasiadamente ansiosa. Saltou dele e, com a perna um pouco bamba mas fazendo-se caminhar depressa, finalmente pôde alcançar a porta do apartamento já tão conhecido.

Quase imediatamente após o primeiro soar da campainha, a porta foi aberta por Sofia, que, vendo Celina em sua frente, segurou-a pela echarpe e puxou-a para dentro do apartamento. Celina foi prensada contra a parede, sentindo-a gelada em suas costas, e lamuriou com o choque do contato. Ouviu a porta sendo fechada ao mesmo tempo em que fechava seus olhos e sentia a boca quente de Sofia tocar seu pescoço. Gemia manhosamente quando Sofia alcançou sua boca, calando-a. Sofia apertava ainda mais o corpo de Celina contra a parede, esfregando o seu ao dela. Mantinham os dedos enlaçados na lateral dos seus corpos muito embora a vontade de Celina fosse que a mão de Sofia estivesse noutro lugar. Em certo momento, enquanto ainda era beijada, Celina, aproveitando que Sofia afrouxara a pressão das mãos contra as suas, soltou-se: com uma mão segurou a barra do vestido, levantando-o; com a outra, conduziu a de Sofia, que lhe tocou no interior das coxas, arranhando o local. Celina arfou de olhos fechados, já imaginando que logo aqueles dedos ágeis estariam dentro de si. Frustrou-se, no entanto, quando percebeu Sofia desistir do caminho e passar a apertá-la na cintura. Já ia reclamar, mas também desistiu, não conseguiu pois Sofia chupou o lóbulo de sua orelha, fazendo com que seu sexo se contraísse, implorando pelo toque macio da outra. Gemeu ainda mais manhosamente, quase fazendo Sofia reconhecer o erro que foi não ter feito o que a outra queria, mas se conteve: tinha Celina apenas uma vez por semana, precisava fazer as coisas calmamente, certificar-se de que tocaria cada canto daquela pele quente e saborosa que, ela sabia, também ansiava seus toques.

Discorreu ao pé do ouvido de Celina palavras saudosas e lascivas que encheram a mulher de estimar por si mesma e de apetite. Tinha para si que nunca jamais fora tão desejada como era por Sofia, que, quando a sós, não camuflava sua libido, não negava suas vontades.

Sofia beijou-lhe novamente no pescoço e, fazendo Celina girar o corpo e afastar os cabelos, pousou sua boca molhada na nuca da mulher. Os dedos habilidosos abriram o zíper do vestido de Celina, e os lábios desceram distribuindo beijos molhados em suas costas. Ao sentir a mulher arfar e erguer a coluna, Sofia subiu novamente, mas dessa vez com as mãos dentro do vestido, percorrendo a barriga lisa até chegar aos seios fartos presos no sutiã. Ainda com Celina de costas, a fez tirar o restante do vestido, que caiu aos pés, ao que ela aproveitou também para se livrar dos saltos, e em seguida abriu o fecho do sutiã, jogando a peça em qualquer canto da sala.

Abraçada a Celina, Sofia apertava seus seios com gana, a mesma que fez Celina girar o corpo e obrigar a jovem a alcançar os bicos com a boca. Sua língua contornava lentamente a auréola e o bico, e depois sugava-os com ferocidade, mamando a mulher que tanto desejava. Sofia fazia tão bem aquilo que Celina queria ficar ali para sempre, mas o sempre não era uma possibilidade e por isso começou a forçar a cabeça da jovem para baixo. Entendendo o recado, Sofia se deixou ser conduzida até a intimidade da mulher: apertava os seios enquanto beijava a barriga e, já de joelhos, chegava ao monte de vênus ainda coberto pela lingerie branca e rendada. Suas mãos desceram pela lateral do corpo de Celina e pararam na cintura, segurando-a firmemente como que para garantir que a mulher ficaria ali. Aproximou o rosto do fino tecido e, ao mesmo tempo, o inspirou e o lambeu, o que fez Celina contorcer-se. Celina era toda cheirosa, gostosa, deixava Sofia louca. Dentro, dentro, por favor, murmurava com dificuldade enquanto suas mãos seguravam os cabelos de Sofia, que em resposta apertou-lhe mais a cintura, como se pedisse paciência à mulher. Suas mãos desceram lentamente até o interior das coxas de Celina, afastando as pernas, o que deu-lhe uma visão melhor. Salivou quando afastou o delicado tecido e percebeu Celina molhada e o clitóris inchado e pulsando. Celina, que passou a semana inteira ansiando o momento em que Sofia finalmente lhe comeria, não se conteve e pressionou a cabeça da jovem contra o nervo rígido. A boca de Sofia então sugou o clitóris com sofreguidão. O ruído dos movimentos de sua boca eram, no entanto, quase silenciados pelos gemidos sonoros de Celina. Com uma mão, segurou a bunda de Celina para trazê-la ainda mais próxima de si, se é que isso fosse possível. Com a outra, fazia movimentos de vaivém entre os grandes lábios, estimulando ainda mais Celina. Seus dedos então pararam na entrada de Celina, que dizia vai, agora, vai! Obedeceu. Sofia afastou um pouco o rosto e observou a entrada lenta, gradual e gostosa de dois dos seus dedos. Fez então movimentos de vaivém lentos por certo tempo, beijando e lambendo a vulva vez ou outra, o que fazia Celina arrepiar. Depois, acelerou as entocadas, querendo sentir Celina o mais profundo possível. Vaivém, entrando e saindo rapidamente, entrando e saindo, entrando e saindo. Quando sentiu o interior de Celina comprimir seus dedos, no entanto, retirou-os subitamente e antes que a mulher protestasse, mandou que ela se calasse. Fez com que Celina colocasse sua perna esquerda sobre seus ombros e, ainda de joelhos, abraçou-a, apertando a bunda com as duas mãos. Celina sentia que não aguentaria por muito mais tempo, precisava da boca de Sofia, então suas mãos empurraram a cabeça da jovem contra seu sexo. Então, a língua de Sofia entrava e saia com força e também sugava. O gozo veio junto com a contração de todos os músculos de Celina, seu líquido escorreu na boca de Sofia que, não se fazendo de rogada, chupou-o todo.

Não aguentando-se em pé, Celina caiu no chão, ajoelhada junto à Sofia. Recebeu um beijo sôfrego com o sabor que era seu e, não se contendo, agarrou-se à pele quente de Sofia coberta por um babydoll negro. Agora era ela quem queria provar daquela que a fazia sentir-se tão bem enquanto era comida em pé como umazinha qualquer, enquanto lhe dizia vulgaridades e se excitava com elas. Nunca jamais imaginou que um dia poderia se sentir tão bem como se sentia com Sofia, mas era só sexo, dizia a si mesma, sozinha, e também a Sofia, que concordava, sim, claro, é apenas sexo, ninguém disse o contrário.

Conheceram-se sete meses antes, quando Sofia foi apresentada à família numa reunião dominical na casa da mãe de Celina. Todos estavam lá: os três irmãos de Celina e ela, suas respectivas famílias, tios, primos, amigos e agregados, trinta e uma pessoas ao todo. Havia tanta gente com quem se falar naquele momento que elas não puderam tirar alguns minutos para conversar direito, mas ambas tinham essa pretensão, visto que Sofia agora faria parte da família. Durante o almoço, Celina reparava nela, achou-a muito bonita em seus gestos delicados e roupas elegantes, além dos olhos água e cabelos escuros num corte chanel.

O almoço seguia-se e, como era de se esperar, já que acontecia todas as vezes em que os homens daquela grande família se juntavam, as piadas de duplo sentido e até preconceituosas começaram a germinar como erva daninha em solo fértil. Todos riam, mas Celina, não. Nunca conseguia ver a mínima graça nas brincadeiras da família, sentia-se até deslocada. Foi olhando em volta da mesa que ela pousou novamente o olhar sobre Sofia, que também não ria, ao contrário, parecia desconfortável. Por perceber que a jovem não ria, Celina sorriu disfarçadamente. Era diferente daqueles boçais, afinal. Num movimento involuntário, Sofia virou o rosto, dando com Celina encarando-a com um sorriso de canto de boca. Sorriu de volta sem chamar a atenção dos demais. Passaram o restante da reunião assim, entre sorrisos discretos e uma nascente cumplicidade velada.

Na semana seguinte, por intermédio de terceiros, uma conseguiu o telefone da outra, mas foi Sofia quem deu o primeiro telefonema. Conversaram sobre como estavam felizes em finalmente poderem se falar, já que na semana anterior tinha sido impossível, e marcaram de se encontrar no sábado seguinte, numa das unidades da rede de livrarias de Paulo.

Celina, que quase nunca tocava em alguém, ao ver Sofia levantando-se do banco em que estava para recebê-la, abraçou-a apertado, gesto retribuído com carinho. Sofia queria se dar bem com Celina e, pelo modo com que as coisas se seguiram, isso não seria difícil, afinal a mulher era agradável, admirável e amável, além de compreensível e sensível, como nenhuma outra pessoa que já tivesse conhecido.

Na livraria, no entanto, ficaram pouco tempo, pois Sofia percebia Celina desconfortável e até vigiada cada vez que um funcionário ia falar com ela, como se ela estivesse ali a mando de Paulo para inspecionar algo, e então a convidou para ir à sua casa, o que foi imediatamente aceito, pois não estava mais suportando aquela gente olhando-lhe.

Foram no carro de Celina, que se animou bastante ao saber que a jovem morava no mesmo bairro em que se situava a igreja que frequentava desde menina, ao que Sofia, brincando, disse que então poderiam se ver sempre se Celina desse uma escapadela ou outra.

No apartamento de Sofia, ficaram o dia inteiro. Tinham se encontrado às dez da manhã e somente se despediram às nove da noite. Conversaram horas a fio sem parar, secaram três garrafas de vinho, cozinharam no almoço, etc, etc, etc, entenderam-se e viram-se refletidas uma na outra. 

As semanas passaram-se. A amizade nasceu e cresceu naturalmente. Se queriam muito bem e a companhia uma da outra era quase complementar à existência. Falavam-se praticamente todos os dias e encontravam-se pelo menos uma vez por semana. Paulo teria até ficado um pouco enciumado se a esposa tivesse lhe contado, mas acabaria compreendendo pois saberia que a companhia de Sofia fazia bem a mulher que, sem amigos, se via confinada à rotina doméstica e idas à igreja, todavia ele nunca ficara sabendo desse acercamento tão forte e íntimo entre elas: agora Celina saia mais e não apenas para horas solitárias de compras, mas ia a cinemas, teatros, parques, museus, tudo com Sofia, e por algum motivo desconhecido, Celina via-se necessitada de manter aquilo meio sigiloso meio somente delas, ainda que não houvesse nada de errado naquela aproximação. 

Numa das tantas saídas que fizeram, decidiram ir a uma exposição de arte em carvão. Celina quem escolheu e, durante a visita, segredou exibindo-se que antigamente costumava pintar, em especial com carvão. Há tempo não o fazia, mas se tivesse um carvão em mãos, ou mesmo um pincel, poderia fazer surgir algo incrível na tela. Os olhos de Sofia brilharam e sua boca ficou aberta para logo em seguida dar tapas no braço de Celina, reclamando por não ter lhe contado aquilo antes, ao que Celina ria, divertindo-se com o jeito da jovem. Sofia então passou a questionar o que Celina mais pintava ou gostava de pintar e esta, ficando levemente rubra, disse que modelos nus. O sorriso de Sofia foi de orelha a orelha, dizia achar belíssimos quadros desnudos e já foi logo emendando que gostaria de se ver em um, questionou se Celina a pintaria, visto que não posaria nua senão para uma pessoa de confiança. Pintaria, confirmou Celina, mas não um desnudo, ao que Sofia desaprovou, fazendo bico. Celina argumentava que já lhe parecia inadequado o bastante pintar Sofia sem que outras pessoas soubessem, sem vestes então! Não, aquilo estava fora de cogitação. Ninguém vai inteirar-se, dizia a fim de convencer Celina, que, semanas depois, cedeu às vontades de Sofia. A sessão deu-se no apartamento de Sofia, que recebeu Celina trajando apenas um roupão. As ferramentas necessárias para a realização do quadro foram entregues no dia anterior e Sofia deixara tudo montado em frente ao sofá da sala à espera de Celina.

Celina estava apreensiva e, assim que foi recebida, pôde perceber Sofia de igual modo, pois ambas estavam de braços cruzados e mal se olhavam. Talvez devessem ter desistido daquela ideia insana de pintura, mas nenhuma teve coragem de voltar atrás. Sofia então sentou-se no sofá, começando a tirar o roupão enquanto era observada disfarçadamente por Celina, que, num rompante, aproximou-se da jovem e deu-lhe a echarpe que usava. Para cobrir suas partes, não é necessário que eu as veja. Sofia então terminou de tirar o roupão com cuidado para certificar-se de que seu sexo estaria coberto para não causar constrangimentos. Então se reclinou sobre o sofá, a mão apoiada na cabeça, o cetim azul cobrindo a intimidade e todo o restante da pele à mostra. Celina sentiu a nuca soar.

Posicionou-se atrás do cavalete e quando estava quase para tirar o carvão da caixa, olhou novamente para Sofia, que olhava de volta de modo intenso e questionava se aquela posição estava boa, ao que subitamente Celina disse que não, pedindo que a jovem se levantasse e se sentasse numa poltrona que estava ali próximo. Sofia encaminhou-se para o local indicado e, enquanto o fazia, Celina mirava as nádegas firmes e redondas. Ocupou a poltrona notando ser observada. Num dos braços da poltrona, Sofia pôs as pernas; no outro, um braço, que sustentava a cabeça.  Questionou novamente se daquele jeito estava bom e, como resposta, Celina se aproximou para, disse, ajeitar melhor as pernas de Sofia. Enquanto o fazia, tocava as pernas com certo gosto, alisando, apertando. Acha que minhas pernas são bonitas, Celina? Não só elas, você é toda linda, Sofia. Engoliram em seco.

Celina pousou uma mão sobre a cintura de Sofia e com a outra terminava de supostamente ajeitar as pernas. Sem se dar conta, no entanto, mirou o sexo da jovem coberto com o cetim azul. Sem se dar conta de que era atentamente observada por Sofia, Celina molhou os lábios ao imaginar como seria aquela região se visível. Sofia sentiu o sexo esquentar e umedecer diante daquela mirada absorta. Sem pensar em absolutamente nenhuma consequência do que faria a seguir, Sofia tocou a mão de Celina, que ainda estava lá pousada sobre sua cintura, e apertou-a. Celina olhou para a mão sobre a sua e depois para Sofia, que devagar foi encaminhando aquela delicada mão para sua barriga. Suspirou intensamente quando levou a mão de Celina ainda mais abaixo, entrando por debaixo do delicado cetim. Abriu um pouco as pernas encaixando a mão de Celina na sua vulva e juntas moveram as mãos ali, sempre com Sofia ditando como. Celina perdeu-se enquanto olhava para suas mãos movendo-se debaixo do tecido. A audição, dava-lhe os gemidos ritmados de Sofia; a visão, o movimento frenético das mãos; e o tato, o calor e a umidade do sexo.

Sofia cruzou as pernas, pressionando-as, prendendo definitivamente as mãos de ambas, e em seguida passou a rebolar e chamar Celina, Celina, Celina. Sofia desfalecia em gozo, Celina despertava-se em vergonha. Praticamente puxou a mão de dentro das pernas de Sofia e levantou-se à procura de sua bolsa, precisava sair daquele lugar. Enquanto saia atordoada, ouviu Sofia chamando e olhou-a por um instante, percebendo-a tão assustada quanto si mesma. Aquilo era errado, jamais deveria ter acontecido. Deixou o apartamento pedindo para não ser seguida, para ser deixada em paz.

Chegou ao estacionamento do prédio totalmente atordoada, as mãos tremiam, e foi com dificuldade que abriu e entrou no carro. Com a respiração ofegante, pousou a cabeça sobre o volante e passou a se xingar. Aquilo não poderia ter acontecido, confundiram as coisas e estragaram tudo. Quando levantou novamente a cabeça, Celina puxou os cabelos para trás, tirando-os da face, tal gesto desencadeou nela uma série de sentimentos ambíguos, pois a mão que estivera há pouco em Sofia parou em seu rosto, fazendo com que sentisse vergonha, mas também desejo e êxtase. Com receio, colocou as pontas dos dedos próximo ao nariz e à boca, sentiu o cheiro que emanava deles, sentiu o gosto deles, finalmente, o paladar dava-lhe o gosto e o olfato, o cheiro de Sofia. E novamente o tato deu-lhe o calor e a umidade do sexo: tocou-se enquanto sentia em si fragmentos de Sofia.

Em casa, num longo banho de água gelada, começou a questionar-se, verdadeiramente preocupada, se estava senil e endoidecida ou se passava por uma crise de meia-idade; não obtendo resposta alguma, obrigou-se a dormir por horas seguidas para esquecer tudo o que ocorrera.

Acordou somente quando seu telefone começou a tocar, era a mãe combinando uma reunião para o início do mês seguinte. Quando terminou o telefonema, viu mensagens de Sofia, dizendo que se sentia mal pelo que fizera, que errara e era imperdoável, que não era merecedora do carinho do namorado, do carinho de Celina, que terminaria com ele, que se distanciaria da família inteira, inclusive da própria Celina. No mesmo instante, Celina se desesperou e ligou para Sofia, que atendeu após o primeiro toque. Falou que se ela se arrependia era o que importava, não precisava terminar nada, pois ela própria se sentiria culpada, não se perdoaria se o relacionamento da jovem findasse por sua causa. Sofia acatou. Concordaram ainda, e isso com uma sensação de peso enorme sobre as duas, que o certo era ficarem afastadas. Não queriam magoar ninguém e por mais que lhes custasse muito, ficariam, sim, afastadas.

Foi com muita dor que cumpriram o trato. Sofia tinha o namorado e o trabalho para se distrair e ocupar o tempo, mas mesmo assim bastava um segundo para que ficasse introspectiva, lembrando-se de Celina, da atenção e dos carinhos que lhe reservava. Celina, por outro lado, não tinha nada para se apegar e passava o dia sozinha, era um martírio. Ficou ranzinza com os empregados, fazia o possível para não ter relações com Paulo e só saia de casa ou para fazer compras, ou para ir à igreja, e ir à igreja era outro martírio, sentia-se falsa com Ele, sua presença ali parecia errada, mas mesmo assim continuava indo, pois necessitava que Ele a fizesse enterrar a falta que sentia de Sofia.

Quando começou a achar que poderia encarar Sofia sem quaisquer problemas, houve mais uma reunião dominical na casa de sua mãe e lá estava ela, linda, charmosa e sorridente. Não se falavam havia um mês e vê-la foi como um choque de realidade: deseja aquela jovem e queria fazer coisas inimagináveis com ela.

Cumprimentaram-se simulando normalidade, e de dissimulação foi todo o almoço. Mantiveram-se distantes, mas vez ou outra trocavam olhares furtivos e ansiosos. E foi durante uma piada grosseira dita por um qualquer sem importância ali que, como se falassem uma língua secreta que era apenas delas, concordaram em sair daquela mesa, primeiro Celina, depois Sofia. Se encontraram num corredor e, em silêncio, seguiram para um quarto de hóspedes, cuja porta foi trancada assim que entraram. Sofia estava tão próxima que Celina sentiu as pernas ficarem trêmulas, mas o que a jovem disse a seguir encheu Celina de ternura: escutou a jovem dizer-lhe com carinho que sentia a sua falta, que poderiam passar uma borracha no que aconteceu e seguirem amigas, não somente pelas boas relações familiares, mas também porque tinha se afeiçoado verdadeiramente a mulher. Celina então, com cuidado, segurou as mãos de Sofia, apertando-as, junto às suas, contra o peito. Disse, após engolir com dificuldade o nó em sua garganta, que estava ali porque queria ver a jovem de perto, tocar seu rosto, ouvir sua voz, mas que não poderiam ser amigas, amigas era a única coisa que, de fato, não poderiam ser, pois Celina sabia que era desejada e ela própria estava queimando de desejo, queria tocar e ser tocada intimamente de tal forma que somente Sofia seria capaz e que tentara se enganar, mas nunca jamais poderiam ter apenas uma relação de amizade ou, pior, uma relação fria, onde mentiriam a si mesmas que a ausência uma da outra não lhes causava angústia.

A aflição com que aquela tórrida confissão foi feita encheu Sofia de esperança de queimar a sua pele junto a de Celina. Arranhou o peito da mulher, dizendo-lhe então fica comigo uma vez, só uma, para matar essa vontade que eu claramente também tenho de você. 

Celina fechou os olhos como que para assimilar tudo o que viria a seguir. Implorou então que Sofia lhe beijasse, antes que uma delas mudasse de ideia e fizesse a outra morrer numa sede que não seria nunca saciada. Sofia não quis dar sorte ao azar e por isso não esperou nem um segundo para colidir sua boca com ardor na de Celina, que se derretia em seus braços ao contato aveludado das línguas. Mesmo com a rapidez e a intensidade com que se tocavam, era inevitável para elas não pensarem como tudo naqueles toques era saboroso, doce e as esquentava, fazendo-as ansiar por mais e mais. Mas naquela residência não poderiam passar do beijo. Se encontraram fora dali ainda naquele dia, dando aos demais desculpas — vou ao shopping, vou dormir cedo porque tenho trabalho amanhã — que ninguém questionou. Fizeram ainda mais uma combinação, a de serem discretas, pois não poderiam ficar se dando ao luxo de se encontrarem quando bem desse vontade, acordaram então que se veriam com intuitos românticos apenas às quintas-feiras, quando Celina abriria mão da igreja por aquele demônio que bagunçava sua cabeça.

Assim se passaram mais quatro meses.

Aos tropeços, chegaram ao quarto de Sofia. Caíram na cama, ambas já completamente desnudas, Celina sobre Sofia e, sem motivo algum, começaram a rir, pararam somente quando não tiveram mais fôlego. Enquanto o riso se cessava, Sofia se viu hipnotizada por uma Celina que lhe olhava cada vez mais intensamente, talvez como nunca antes tivesse feito. Lambeu o lábio diante da visão que tinha. Celina era uma mulher surpreendente, inteligente, envolvente e, além disso, atraente — Deus, era sensual como o inferno. E Sofia sentiu o mundo girar ao seu redor quando Celina inclinou o rosto e disse ao pé do seu ouvido passei a semana inteira querendo esfregar minha buceta na sua. Celina deitou-se sobre Sofia, fazendo com que seus mamilos se tocassem. Em seguida, enfiou dois dedos na boca de Sofia, somente os tirando quando estavam completamente molhados e os esfregou no clitóris da amante, que sorria, dizendo gostar daquilo. Depois encaixou uma perna na vulva, roçando-a com movimentos firmes e rápidos que faziam Sofia gemeu ao pé do seu ouvido e arranhar suas costas sem pudor algum. Os movimentos davam tanto tesão em Sofia quanto em Celina, que sentia na coxa os pelos grossos da jovem fazendo um atrito prazeroso. Escutando Sofia dizer que estava quase gozando, Celina sentou-se encaixando as pernas de modo que seus clitóris esfregassem. Sofia gozou primeiro, sendo seguida de Celina segundos depois.

Quando pensou que Celina lhe abraçaria, lhe beijaria, viu-a abaixar-se sobre seu corpo depositando beijos molhados pelos seios e barrigas e chegar à sua vulva, onde chupou e usou os dedos com tanta vontade que Sofia sentia que poderia morrer a qualquer momento. Outro orgasmo veio tão intenso que fez o corpo de Sofia tremer e, sem se dar conta, começou a chorar. Um choro copioso que a princípio preocupou Celina que, imaginando tê-la machucado, subiu novamente, abraçando-a e pedindo-lhe desculpas, mas a única coisa que Sofia fez foi abraçá-la de volta com tanta força que era como se quisesse se fundir ao corpo de Celina. Ainda tremia e chorava quando saiu da curva do pescoço de Celina, passou a mão por toda a extensão do seu rosto e depois a beijou com carinho, movendo os lábios lentamente, quase de modo inocente, puro. Disse depois, a fim de tranquilizar Celina, foi excelente, tudo o que você faz, é. Sofia estava cada vez mais encantada por aquela mulher e, enquanto a admirava e a sentia, concluía que se arruinaria por ela, sabia disso, se arruinaria.

Mas, sabendo que logo Celina precisaria ir embora, Sofia evitou pensar em temas que fossem distraí-la de aproveitar aquela mulher linda à sua frente. Trocaram beijos, carícias e cheiros por um tempo que pareceu a própria eternidade. Mas então o celular de Celina despertava, anunciando que era hora de ir embora.

Saiu da cama, apesar de não querer e dos protestos manhosos de Sofia. Enquanto se limpava - lavava o rosto, pescoço, mãos e braços - e procurava pelas peças de roupa extraviadas, Celina quis por meio segundo perguntar por ele, mas logo a ideia se dissipou, não ousaria tocar naquele assunto, não naquele momento tão íntimo que era só delas. Enquanto estivessem juntas faria sempre de conta que ele não existia e que não havia perigo ou erro no que faziam, prometeu a si mesma.

Sofia acompanhava com o olhar o trajeto de Celina pelo apartamento. Estava completamente rendida por aquela mulher e, ali às quintas-feiras, não se permitia pensar ou se ocupar com outra coisa que não fosse Celina. Sentia que iria se destruir e se destruir por ela parecia a coisa certa a se fazer.

Despediram-se com um beijo afetuoso e cheio de promessas para a semana seguinte. 

Já no carro, Celina mascou alguns chicletes e passou um pouco do seu perfume, que estava no porta-luvas, para disfarçar o cheiro de Sofia impregnado em sua pele. Também vestiu um sobretudo que, por precaução, sempre ficava no automóvel, uma vez que Sofia era teimosa e, apesar dos seus protestos, sempre amarrotava seus vestidos. Chegou em casa pouco depois das dez da noite, tirando os saltos e indo descalça até o quarto. Deu com o esposo sentado na cama em frente ao notebook, compenetrado em ajeitar os tediosos relatórios diários. Deram-se boa noite com um beijo casto, falaram algumas amenidades sobre como havia sido a missa. Depois o esposo a convidou para deitar-se com ele, o que Celina aceitou, indo antes banhar-se. Quando finalmente deitou-se, o esposo já dormia, agradeceu a Deus por isso, pois ainda que tivesse por ele um carinho enorme, não suportaria se ver obrigada a cumprir o papel matrimonial tendo tido, pouco tempo antes, seu corpo tocado tão intimamente por Sofia. Dormiu tentando se convencer de que poderia parar aquilo a hora que quisesse, mas que, por enquanto, não desejava distanciar-se das carícias amorosas da nora.

 

Notas finais:

Eu, sinceramente, amei escrever esse conto. Há tempo não escrevia algo e do nada me bateu uma vontade louca de fazer esse aqui. Bom, mas eu ter amado escrever não significa que esteja bom, então, me contem o que acharam, se bom, se ruim, se marromenos, se na metade do conto já sabiam quem era o ele, o que poderia ter melhorado, etc. Enfim, podem soltar o verbo. Além disso, agradeço imensamente por vocês terem lido porque levou um certo tempo para que esse conto se concretizasse e saber que há pessoas lendo me deixa muito muito contente.

Obrigada demais e até breve!
Beijinhos,
Madalena Lenares



Comentários


Nome: Van Rodrigues (Assinado) · Data: 08/09/2021 12:18 · Para: Ilícito - Capítulo Único

Eu amei muito, autora. Fiquei querendo mais. Parabéns!^^



Nome: samsbarela (Assinado) · Data: 18/07/2021 01:44 · Para: Ilícito - Capítulo Único

Que conto fantástico. Você escreve - desculpe o termo - fudidamente bem. Só pelas considerações iniciais já deu pra perceber que seu conto seria original, confiante e extremamente intenso. Amei cada palavra e cada vírgula. Até a forma como você colocou as poucas falas delas. Como disse: original. Poderia ler tudo que você escreve numa boa :) Inclusive, onde posso encontrar mais conteúdo teu? Me diga que vou atrás agorinha! :)



Resposta do autor:

Olha, fiquei toda boba aqui lendo seu comentário! Não sei nem o que te dizer direito, mas muito obrigada por ter lido e por me deixar assim: boba. É bom demais saber que gostaram de algo que escrevi <3

E sobre ler outras coisas minhas senão os textos aqui do Lettera, o que tenho publicado online em outras plataformas são apenas textos de qualidade bem duvidosa, que escrevi há muito tempo, então não vou te encorajar. Mas saiba que logo mais começarei a escrever coisinhas novas e as publicarei aqui no Lettera :) 

Um beijo,

Madalena Lenares



Nome: Mansur (Assinado) · Data: 16/07/2021 23:27 · Para: Ilícito - Capítulo Único

Queria ler mais sobre essa história. Fiquei com o gosto de "quero mais". Amei demais.

Parabéns pela obra! Muito sucesso.



Resposta do autor:

Logo mais postarei coisinhas novas aqui <3

Obrigada demais por ter lido e pelo carinho.

Um beijo,

Madalena Lenares 



Nome: Larissa Valente (Assinado) · Data: 20/06/2021 05:19 · Para: Ilícito - Capítulo Único

 

Madalena, eu amei seu conto. Adoro cenas bem descritas que me ajudam a imaginar os locais, as sensações e os sentimentos dos personagens.

Sua história me excitou, mas também me fez chorar. A relação entre Celina e Sofia vai além do desejo carnal. Duas almas condenadas pelo preconceito, religião, conservadorismo a viver um amor furtivo.

Escreva mais, viu?

 



Resposta do autor:

Boa noite, Larissa

É sempre bom saber quais foram as sensações, sejam elas positivas ou negativas, que o leitor teve ao longo do texto, então ler seu comentário foi ótimo porque assim posso ir moldando meus próximos contos.

Mesmo que esse texto não seja o suprassumo os textos, me senti muito desafiada escrevendo justamente porque queria não somente descrever sexo gratuitamente, mas relacionar as cenas de sexo com questões tabu e os sentimentos das personagens. Espero ter me saído bem kkkkk 

Olha, muito obrigada mesmo por ter tirado uns minutos para ler o meu conto e também para comentar, foi muito importante ter esse feedback. E pode deixar, vou escrever mais sim!

Um beijo,

Madalena Lenares 



Nome: Rosa Maria (Assinado) · Data: 17/06/2021 01:14 · Para: Ilícito - Capítulo Único

Madalena Lenares...

Definitivamente adorei ler esse conto, muito intenso, delicado, envolvente, sensual com cenas deliciosamente narradas, nós fazendo necessitar de banho frio, pois não somos de ferro, mas não nego ADORAMOS...kkkk. Sinceramente espero que "do nada" sinta vontade de escrever novamente. Adorei seu conto, mesmo no tamanho ideal, esse enredo até poderia render um capítulo a mais talvez , como sugestão é claro.  Parabéns. 

Beijo 

Rosa

 



Resposta do autor:

Boa tarde, Rosa

Você não tem ideia de como foi bom ler seu comentário. Fico feliz demais em saber que alguém gostou e que ainda dedicou um tempinho para me contar sobre a experiência de leitura. E não se preocupe, se do nada me vier a vontade de continuar, pode ter certeza de que publicarei aqui kkkkk mas por enquanto é só o conto mesmo porque é o gênero textual em que me sinto mais à vontade escrevendo.

Muito obrigada mesmo pelas suas palavras!

Um beijo,
Madalena Lenares



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