Tell me you love me por Kivia-ass


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POV MARIANA

 

 

 

        O sol invadia a janela do meu quarto e a claridade entrava pela cortina me despertando de um sonho gostoso em que eu estava. No sonho Petra e eu estávamos abraçadas enquanto víamos duas crianças correndo pelo jardim da nossa casa. Abri os olhos e passei a mão pela cama na esperança boba que ela estivesse ali, mas era só mais uma vez minha mente me traindo. A cada dia em que se passava eu sentia mais a sua falta, sentia falta do seu toque, sentia falta do seu cheiro, estava sentindo falta até da bagunça que ela e Maria Luiza faziam na cozinha, quando ela inventa de ensinar Malu alguma receita. Suspirei pesado e me sentei na cama. Hoje seria a festinha de Malu, e eu não poderia ficar enrolando na cama com esses pensamentos. Me levantei e fui pro chuveiro, pra começar o dia bem.

 

       O relógio mostrava que ainda era cedo, mas já me levantei pra ajustar as coisas que ainda faltava pra comemoração. Íamos fazer no salão de festas do condomínio e logo a prima de Petra chegaria pra montar tudo, ela era dona da confeitaria doce jujuba e montava festas com muita dedicação.

 

      Val estava em minha casa e quando desci até a cozinha o cheiro de café invadiu meu nariz, me trazendo mais saudades de quando acordava aos domingos e Petra preparava nosso café, vestida de forma indecente.

 

-Bom dia Mari, caiu da cama? – Val me recebeu toda sorridente.

 

-Quase isso, Bom dia Val. – Dei um beijo no rosto da mulher e me sentei. – Estava sonhando e acabei acordando, sonhava que Petra e eu estávamos no jardim e observávamos duas crianças brincando juntas.

 

-Você sabe que eu acho que sonhos são sinais. – levei a caneca aos lábios e ouvia Val. – Eu ainda acho que vocês se precipitaram nesse pedido de divorcio.

 

-Eu penso nisso às vezes, mas já se passaram dias e parece que ela também queria isso, só estava sem coragem. – Val balançou a cabeça em negação e começou a preparar a torta de frango que eu amava.

 

 

Flash back on:

 

 

         Meus dias na faculdade estavam uma loucura, estava encerrando o segundo semestre e eu não tinha tempo nem pra respirar. Eu entrei de cabeça no curso, o direito foi meu refugio e isso que me deixava viva. Minha relação com minha mãe era horrível, eu ia em casa apenas pra dormir. Meu pai ficou sabendo da historia e tentou ficar “neutro” na situação, mas eu sabia o quanto minha mãe conseguia manipula-lo. Depois de um tempo eu consegui um trabalho em um escritório e isso me ajudou a sair de casa, acabei indo dividir um apê com minha amiga Julia. O apartamento era dela, então eu não precisava pagar o aluguel, mas eu bancava as contas, mesmo com ela não achando necessário. Minha amizade com Julia crescia cada dia mais, e viramos grandes confidentes, Julia sabia da historia com Petra, e sempre disse que nós duas íamos casar, mas eu nem sei mais se isso seria real. Petra e eu estávamos cada dia mais distantes, eu estava sem tempo e ela também, nossas conversas resumia em perguntar como tinha sido o dia uma da outra e a resposta sempre era a mesma: “normal e o seu?”. Eu me sentia ligada a ela e meu maior medo era que ela se acertasse com alguém por lá e me esquecesse. Julia tentava me convencer de que era impossível Petra me esquecer, mas estava cada dia mais difícil.

 

-MARI. – Julia chegou eufórica em casa. – Você não vai acreditar no que eu descobri.

 

-O que maluca? – Eu saia do banho e Julia pulou na minha cama animada.

 

-Eu acabei de descobri que eu tenho um irmão. – Olhei confusa e ela me explicou que o Felipe a procurou dizendo que descobriu que os dois eram irmãos, filhos do mesmo pai. – Isso não é incrível?

 

-É incrível mesmo. – Julia estava eufórica e me contou a historia toda, era lindo como os dois já tinham se conectado. – Queria que Sabrina e eu fossemos ligadas, mas eu nem sei por onde anda minha irmã.

 

-Não fique assim minha amiga, eu sou quase sua irmã. – Ela me abraçou e disse que Felipe marcou um jantar hoje e queria muito que eu fosse conhecer o irmão dela. – Felipe é incrível amiga, acho que vocês dois vão dar super certo.

 

-Ju, você sabe que eu não tenho cabeça e nem posso me envolver com ninguém. – Mesmo não conversando com Petra há dias, nós duas ainda estávamos em um relacionamento.

 

-Mari, eu já disse que serei madrinha do seu casamento com Petra. – Julia tinha um sorriso divertido nos lábios. – Felipe é gay e eu quero que minha amiga se dê bem com meu irmão.

 

Flash back off

 

 

       Meus pensamentos foram interrompidos quando senti Maria Luiza pulando no meu colo com uma carinha de sono. Agarrei minha filha e a enchi de beijos.

 

-Feliz aniversario minha princesa! – Minha filha estava com preguiça e apenas sorria mostrando seus dentinhos. – A mamãe te ama tanto e só desejo que você cresça esperta e cheia de vida. Animada pra sua festa?

 

-Simmmm. – Foi só falar em festa que Malu se levantou empolgada. – Já tá na “hola”?

 

-A gente tem que se arrumar primeiro meu amor. – Ela começou a falar e eu ouvia com atenção as historias que ela dizia.

 

-Mari, a Brenda chegou com a equipe. – Val entrou na cozinha após atender o interfone. – Vou lá mostra ela o local da festa. --Balancei a cabeça e subi com Malu no colo.

 

         Minha filha estava empolgada com a festa e eu tive que controlar sua vontade de já vestir sua roupinha de Mulan. Quem escolheu o tema foi Petra e ela depois de terem assistido o live action e ficarem imitando as lutas do filme. Quando as duas se juntavam eu não sabia quem era mais criança. Depois de muito trabalho Malu me venceu pelo cansaço e eu logo a arrumei e minha filha ficou linda em uma roupinha de samurai e um coque no cabelo. Tirei varias fotos e fiquei babando na minha filha antes de me aprontar pra festa.

 

        Marcamos a festa para iniciar às dezessete horas e umas quatro e meia descemos para o salão e vimos o trabalho incrível que Brenda havia feito. A decoração estava incrível, Malu estava encantada com a festa. Tudo estava melhor do que minhas expectativas, inclusive as comidas. Julia e Fernanda foram as primeiras a chegarem e logo Malu pulou no colo da Tia Fê.

 

-Meu Deus! Como você está linda. – Fernanda pegou Malu e a enchia de beijos. – Oi Mari.

 

-Oi Fê, oi Ju. – Cumprimentei minhas amigas. – Que saudade de vocês.

 

-E a gente está cheia de novidades pra te contar. – Julia sorriu sapeca. – Mas isso é assunto pra mais tarde. Cadê Petra?

 

-Ainda não chegou. – Sorri desanimada e minha amiga fez um carinho em meu ombro. – Mas daqui a pouco ela deve está por aqui.

 

-Como Malu tá com essa situação toda? – Fernanda questionou enquanto Malu abria o presente que elas trouxeram.

 

-Ai Fê, quando contamos á ela foi difícil. – Malu tinha a minha personalidade forte. – Ela ficou irritada com a outra mãe, mas Petra tá se esforçando pra estar presente, e agora ela já está aceitando melhor.

 

-Isso é importante, ela não pode se sentir abandonada por algum dos lados. – Assenti com a cabeça e fui receber alguns convidados que chegavam.

 

          Alguns amiguinhos da escola e outros do condômino corriam de um lado para o outro brincando com Malu, os garçons se equilibrava para não derrubar a bandeja sempre que alguma criança esbarrava nas pernas de algum deles. A musica infantil tocava animada e eu estava feliz com o sorriso de alegria da minha filha. Mas meu sorriso sumiu do rosto quando vi Petra chegando com um enorme embrulho em mãos ao lado da professora de Malu. Desde quando descobri que as duas tinham ido ao cinema juntas, meu ódio por essa sirigaita aumentou, e eu até pedi que Val levasse Malu na escolar pra não me encontrar com Andrea.

 

-MAMÃE PETAA. – Malu correu assim que colocou os olhos na mãe. – Você estava “demolando”.

 

-Meu pequeno samurai. – Petra a pegou no colo e beijou. – Feliz aniversario minha princesa! Você está linda.

 

-Eu sei. – Petra deu aquele sorriso largo que eu tanto amo. – Oi tia Deia.

 

-Oi Malu, feliz aniversario princesinha. – A professora abraçou minha filha e eu revirei os olhos.

 

-Você não vai abrir seu presente? – Malu pulou no chão e rasgou a embalagem.

 

-Não “aquedito”! – Malu abria com empolgação. – É uma “Biciqueta”

 

-Gostou? – Petra sorria e eu também.

 

-Eu amei. – Malu abraçou a mãe e Julia me cutucou.

 

-Ficar babando ai não vai anular o pedido de divorcio. – Sorri sem mostrar os dentes e tentei desfazer minha cara de boba. – Essa é a tal Paola? Petra é tão cara de pau assim?

 

        Eu tinha contado a Julia só a parte da nossa briga e tinha esquecido de dizer o que de fato aconteceu. Falei tudo e minha amiga me olhava incrédula.

 

-Na verdade Paola é aquela ali. – Apontei pra entrada onde a vó de Petra e Paola se aproximavam. – Essa que estava pendurada em Petra é a professora de Malu, aquela que eu disse que secava Petra em todo evento escolar.

 

-Mari, você atrai confusão. – Julia sorriu e Fernanda balançava a cabeça concordando com a namorada. – Mas eu ainda acho que vocês precisam conversar. – Suspirei e deixei Julia e Fernanda tentando achar soluções para o meu casamento falido.

 

        Fui até a dona Heleninha e a abracei, e cumprimentei Paola. Ela me pediu desculpas pelo ocorrido e dona Heleninha fez muita chacota com a amiga. As duas eram uma piada e me arrancaram boas risadas.

 

-Cadê o beijo da bisa? – Petra se aproximou de onde estávamos empurrando Malu na bicicleta.

 

-Bisaa. – Malu pulou na avó e Petra se levantou ficando ao meu lado. – Tava com tanta “sodadi”

 

-Mas a gente se viu quinta! – Dona Heleninha beijou minha filha e ela sorriu sapeca. –

 

-Eu sei, mas eu tava com “sodadi”. – Petra sorriu e quebrou a parede gelo que estava entre nós.

 

-Oi Mariana. – Ela disse baixinho e sem graça. – A fotografa já está chegando.

 

-Oi Petra, tudo bem. – Ela sorriu e saiu pra cumprimentar as outras pessoas, e é claro que a sem sal da professora Andrea colou nela igual chiclete.

 

 

        A fotografa chegou Junto com Marcela, uma amiga de Petra, ela se apresentou como Bia e logo começou a fotografar tudo. A garota tinha uma paciência incrível e as fotos estavam ficando lindas, Tirei algumas com minha filha, com minhas amigas e com a Bisa Heleninha.

 

-Agora uma de família. – Bia gritou e Petra veio se juntando no cenário da festa.

 

       Eu estava com Malu no colo e Petra ao nosso lado e Bia pediu que nos aproximássemos mais. Foi ai que eu senti o quanto eu pertencia àquela mulher. O calor da mão de Petra em minhas costas fez meu corpo inteiro reagir e eu só queria que aquele contato não terminasse nunca.

 

-Desculpa. – Petra disse assim que Bia bateu alguns clicks.

 

-Está tudo bem. – Sorri pra e ela pegou Malu do meu colo. – Vou ligar para o meu pai, já está quase na hora dos parabéns e eles ainda não chegaram.

 

- Por falar no diabo. – Petra disse baixinho e eu olhei pra entrada onde meu pai e minha mãe entravam.

 

-Petra. – A repreendi e ela revirou os olhos saindo com Malu no colo.

 

        Minha mãe com toda a sua pose arrogante andou pelo gramado até chegar onde eu estava. Meu pai vinha logo atrás e eu respirei fundo antes de me aproximar dos dois.

 

-Oi pai. – Beijei o rosto dele, pois apesar de tudo meu pai nunca opinou em nada na minha vida. – Oi mãe.

 

-Oi, cadê minha neta. – Apontei para onde Petra e Malu brincavam e minha mãe fez uma cara de indiferença. – Vocês não tinham se separado?

 

-Nos separamos, mas Petra não deixou de ser mãe da minha filha. – Respondi ríspida e minha mãe revirou os olhos.

 

-Você devia era criar vergonha e arrumar um homem pra criar sua filha. – Não podia acreditar nas palavras da minha mãe.

 

-Você não tem o direito de dizer isso em minha casa. – Falei entre dentes.

 

-Parem vocês duas não quero cena na festa da minha neta. – Meu pai tentou amenizar nossos ânimos e eu acabei saindo de perto.

 

         Me afastei e me juntei as minhas amigas, que conversavam animadas com Marcela e Beatriz. Sentei e pedi o garçom que me trouxesse uma taça de vinho, Julia me olhou e perguntou se estava tudo bem e eu concordei com a cabeça. A festa rolava e estava quase na hora dos parabéns. Andrea não saiu de perto de Petra um segundo se quer e aquilo estava me irritando de todas as formas possíveis. Se já não bastasse a presença da minha mãe, ainda tinha que aguentar aquela cena. O vinho já causava efeitos em meu corpo e eu me segurava pra não ir lá e expulsar ela da festa pelos cabelos.

 

- Que vadia. – Eu odiava me referir assim a outras mulheres, mas não me segurei quando vi Andrea dizendo algo no ouvido de Petra.

 

-Amiga, você não acha que já está bom de vinho? – Julia me perguntou baixinho.

 

-Eu tô bem. – Falei entre os dentes.

 

-Mari, foi você quem pediu o divorcio. – Ela observava a interação de Petra e Andrea. – Ela tem o direito de seguir a vida, assim como você.

 

-E você acha que eu consigo seguir minha vida? – Perguntei e virei o restante do conteúdo da taça de uma vez só.

 

-Não dá pra viver assim pra sempre. – Julia apertou meu ombro e me deu vontade de chorar.

 

 

-Eu estou arrependida Ju, eu ainda a amo tanto. – Desabafei e vi Petra se aproximando.

 

-Mariana, acho que já está na hora de cantar os parabéns. – Concordei com a cabeça e ela percebeu que eu estava com os olhos cheios de lagrimas. – Aconteceu alguma coisa? Você está bem?

 

       Minha vontade era gritar que não estava nada bem e que nossa separação foi um erro, mas eu sou fraca demais pra assumir isso.

 

Notas finais:

AAAAAh Mari, reaja, vai deixar essa rapariga com sua mulher? 



Comentários


Nome: Socorro de Souza (Assinado) · Data: 17/06/2021 01:16 · Para: Eu sou fraca.

Autora linda,

que tal um extra kkkk



Resposta do autor:

Haha, vou pensaaar!



Nome: MEGG (Assinado) · Data: 17/06/2021 00:21 · Para: Eu sou fraca.

CUSTA CONVERSAREM??

poxa autora vc tbm nao ajuda heimmm



Resposta do autor:

O que ?????? 

Eu não tenho da falata de dialogo das duas. 



Nome: Larissa Valente (Assinado) · Data: 16/06/2021 23:31 · Para: Eu sou fraca.

Gente, quanto orgulho dessas mulheres. Se ainda gosta, corre atrás, pede desculpa, faz terapia de casal. O conselho que eu daria: CONVERSEM!



Resposta do autor:

Faz terapiaaaa



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