Nossa vida juntas por Alex Mills


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Lana se sentou com Kristin junto a grande mesa redonda. Podia ouvir as conversas na sala, animados e alheios ao que acontecia. Não sabia o que sentir diante de Kristin, após tanto tempo esperava que o rancor tivesse cessado, mas era como se nenhum tempo tivesse passado ao todo. Ainda podia lembrar de quando acordou pela manhã da véspera de natal e ouviu a mensagem na caixa postal. Lembrava das ameaças e da sensação de vazio que sentiu quando constatou que não veria ou falaria com Daphne, além de se sentir incapaz de fazer qualquer coisa para mudar aquela realidade.

—Bem, eu prometi que te escutaria. — Lana falou lentamente, cruzando os dedos sobre a mesa antes de a olhar. — Mas você está simplesmente quieta. Daphne te obrigou a vir aqui?

—De certa forma, sim.

—Entendi. Há algo que queira dizer?

—Apesar de tudo o que você já me disse, eu não me arrependo do que fiz. Aaron é um bom homem apesar do que ache. Ele é carinhoso comigo, respeita Daphne, ama Tony e não deixa que nada falte em casa, que ninguém nos desrespeite.

—O mesmo homem que te fez acreditar que fugir no meio da noite com a garota que eu cuidei desde que nasceu era uma boa ideia. Que me ameaçar se chegasse perto de vocês era o certo. Claro, é um homem com perfeitas ideias.

—Você não o conhece realmente.

—Eu não quero conhecer. Não graças a você eu recuperei minha relação com Daphne, então vou agradecer se dessa vez você não fizer algo para estragar isso.

—Eu não farei nada, Lana. Estou feliz agora, realmente estou. Eu tenho uma família e vejo que você também tem. Não há nada que eu não faria por Daphne ou por Tony, sei que você entende isso.

—Eu entendo, realmente. Eu farei tudo pelos meus filhos, mas não passaria por cima de quem nunca os fez mal por causa de minhas falhas.

—Fácil para você me julgar.

—Eu sempre te defendi, Kristin. Nunca te deixei fazer uma péssima imagem para Daphne, de que adiantou no fim? Você simplesmente a levou e mentiu para ela. Se você não se arrepende de nada, por que se dar ao trabalho de vir na minha casa?

—Porque eu não queria mais Daphne amargurada por não nos falarmos mais. Achei que devia ao menos tentar uma relação contigo, depois de todo esse tempo achei que você não estaria com tanta raiva de mim.

—Bem, foi o que eu achei também. Achei que depois de tanto tempo você enxergaria seus erros, mas o erro foi meu no fim. — Lana massageou as têmporas, respirando fundo. — Madson estava certa desde o início. Eu devia ter pego a guarda de Daphne e não deixado espaço para você estragar tudo. De alguma forma Daphne está feliz contigo, então não farei nada agora. Mas se eu souber que fizeram algo com ela, eu a trarei de volta.

—Você não tem direito, e sabe disso, por isso nunca veio atrás.

—Eu disse que não iria discutir contigo. — Ela se levantou. — É natal, eu não colocarei ninguém para fora de casa. Você pode ficar e passar a noite no quarto de Daphne. Temos fralda a mais se precisar para o seu filho. Você é bem-vinda a mesa para ter a ceia com todos, contanto que não arranje problemas. Mas espero que vá embora depois do natal.

—É muita cara de pau a sua de aparecer aqui. — Madson falou ao se aproximar.

—Não se estresse, não vale a pena. — Lana saiu da mesa e tocou seu ombro. — Vem, vamos ver como está a comida.

—Ela vem aqui e vai deixar por isso mesmo?

—Não vale a pena. — Repetiu, mirando seus olhos mais seriamente. — Eu não vou discutir, não vai mudar nada no fim. Vem.

Kristin somente suspirou, baixando o olhar. Lana segurou a mão de Madson e a levou para a cozinha, sorrindo quando viu Laura fazer os últimos preparativos na comida junto a Maria e Ichiro, enquanto Daphne juntava os pratos sobre a bancada.

—Isso foi rápido. — Daphne as percebeu primeiro, aproximando-se. — Como foi?

—Do jeito que tinha que ser. Não há conserto se ambas não querem consertar. — Lana suspirou, levando a mão em seu rosto e acariciando. — Não se preocupe com isso, está além do seu alcance.

—Eu achei que pudessem se acertar. — Falou com desânimo.

—Não temos como reconstruir um prédio sem tirar os destroços da outra estrutura.

—E eram destroços bem grandes. — Madson comentou, cruzando os braços.

—Eu sinto muito, Lana. — Daphne baixou o olhar. — Eu sei que devia odiá-la também depois do que soube que ela fez, mas ela ainda é minha mãe.

—E está tudo bem. — Lana a abraçou. — Não se preocupe, querida, você sempre terá a nós duas quando precisar, isso nunca vai mudar.

—Eu sei, mas ainda assim tinha esperança de que ficaria tudo bem entre vocês.

—Tudo o que me importa é se você está bem, Daph. Não se estresse mais com isso. Estamos festejando o natal, as famílias estão juntas pela primeira vez, vamos aproveitar, sim? Deixe os problemas para depois.

—Tudo bem. — Ela suspirou e a olhou nos olhos, recebendo um beijo na testa.

—Há algo que eu possa ajudar aqui ainda? — Madson perguntou, vendo todos atarefados na cozinha.

—Eu estava indo colocar os pratos na mesa, se puder me ajudar.

—Claro.

Lana foi até o fogão e abraçou Laura por trás, beijando sua bochecha e fazendo-a rir surpresa.

—Beije a cozinheira?

—Seus beijos são sempre bem-vindos cariño.

—Eu fui atraída pelo cheiro.

—A comida está pronta, já vamos servir.

—Mas seu cheiro é tão melhor. — Sorriu, voltando a beijar sua bochecha.

—Que estratégia a sua de roubar a cozinheira. — Ichiro falou.

—Eu sou facilmente influenciável por esses olhos. — Laura alegou, movendo a mão sobre a de Lana em seu abdômen.

—Você pode ir, já temos tudo pronto. — Maria falou, olhando para ambas. — Vocês já fizeram demais hoje, vão se sentar.

—Você tem certeza, madre?

—Sim, filha, vão descansar e aproveitar. — Ela sorriu, piscando para Lana. — Eu já tive toda a felicidade em conhecer meus netos hoje. E eu sei como são os jovens, então vão aproveitar essa fase.

—Você ouviu sua mãe. — Lana a puxou pela cintura para se afastar do fogão. — Seja uma boa filha e obedeça.

—Está bem. — Laura riu, virando-se e segurando sua mão, deixando-se ser conduzida para fora da cozinha e pelo corredor que dava ao escritório de Iori. — Oh, atraindo sua mulher para longe de olhares curiosos.

—Tem algum pedido para fazer? Porque Sasaki estava com várias ideias lá em cima.

—Ela estava é? — Ela riu, envolvendo sua cintura. — Não, estou bem aqui, sozinha contigo.

—É bom saber. — Sorriu, abraçando-a e apoiando a cabeça em seu peito.

—Como foi com Kristin?

—Não foi, ela continua a mesma e eu não tenho paciência para isso mais.

—Sinto muito por isso.

—Esqueça ela. Estamos bem sem ela, Daphne está bem agora. Então não há nada para nos preocuparmos.

—Sim, você tem razão. — Ela beijou o topo da sua cabeça. — Eu não tive a chance de te agradecer por tomar a iniciativa de adotar Paco.

—Me agradecer? Querida, não há nada pelo que agradecer. Ele é nosso filho, você sabia disso quando chegou com ele em casa. Eu só coloquei em palavras o que você estava pensando.

—E você foi muito corajosa por isso. Eu estava com medo que vocês dissessem não e que isso fosse um problema entre nós.

—Não, não. Uma criança não será um problema entre nós, assim como Mahina não foi.

—Você tem razão. Ainda assim eu queria que soubesse que sou grata a você por ter aceitado Paco tão fácil.

—Por que não aceitaria? — Ela apoiou o queixo no seu peito, olhando-a nos olhos. — Porque ele não é um filho legitimo? Eu não me importo com isso. Ou acha que eu não amaria uma criança tendo seu sangue? Você sabe que eu quis isso desde o começo, que Iori quis isso também.

—Eu sei, mas ainda assim fiquei com medo, mesmo vocês nunca me dando motivos para isso. Meus irmãos e eu sempre sofremos por causa disso, que só de pensar num filho meu passando pelas mesmas coisas me dá um medo irracional.

—Eu não posso dizer que entendo porque nunca passei por isso, mas eu posso imaginar. A única coisa que posso te dizer, é que vou amar Paco e estar com ele por todos os dias que ele precisar de mim, mesmo os que ele não precisar. Eu sei que não posso proteger ele de tudo, mas sei que você vai me ajudar a torná-lo forte para enfrentar tudo.

—Sempre. — Ela sorriu, apoiando a testa na dela.

—E ele tem o seu sangue, tenho certeza de que terá o grande coração que você tem.

—Eu definitivamente vou ensiná-lo a não ser um babaca como eu fui.

—Basta o ensinar a sempre ser sincero com as pessoas que ele ama, e ele vai manter todos perto.

—Você sempre sabe o que me dizer. — Ela selou seus lábios. — Eu quero que nosso próximo filho tenha seus olhos, seu sorriso, seu cabelo.

—Oh, você quer um clone meu? — Riu baixinho. — Como isso é possível?

—Há tantas possibilidades.

—Teríamos que buscar no banco de dados de doadores para buscar algo compatível que torne isso possível.

—Por mim tudo bem. Eu só quero olhar para ele e lembrar de você. Assim como lembro de vocês duas quando olho para Mahina.

—E eu lembro de você quando vejo Paco.

—Sim. — Ela selou seus lábios enquanto subia as mãos em seu rosto, acariciando suas bochechas. — Então? O que me diz?

—Acabamos de adotar um bebê, meu amor, não precisamos ter pressa.

—Não precisamos fazer um bebê amanhã. Você ainda está em tratamento, está conseguindo dormir uma noite inteira, conseguiu se controlar na última crise antes que se agravasse. As coisas estão caminhando para o melhor. Além de que Paco está começando a se adaptar a casa, a nós. Então ainda é um plano te engravidar no próximo ano.

—Sim, você tem razão. Seria bom ter os três ainda pequenos enquanto ainda temos energia.

—É? Eu acho que sua energia extra nunca vai acabar. Então no fim vai ficar tudo bem. — Ela riu quando Lana apertou suas costelas, então se inclinou para a beijar, ouvindo o riso dela. — Eu não vou te deixar sair daqui enquanto não disser que aceita.

—Não é justo. Você não quis me deixar engravidar de uma coisa fofa igual a você.

—Mas agora temos Paco. A conta não fecha se tivermos mais um bebê parecido comigo ou com Iori.

—Não é assim que a cegonha funciona, querida. — Ela riu.

—Claro que é, basta fazermos o pedido certo que nem quando vamos pedir comida. Acrescentamos um picles, tiramos a cebola, e colocamos o dobro de molho.

—Sua idiota. — Ela riu mais, sentindo os beijos dela pelo seu rosto. — Sempre que fazemos alterações nos pedidos eles vem tudo misturado. Por isso paramos de pedir comida.

—Mas dessa vez vamos pedir direitinho. Não deve ser tão difícil achar um cara que tenha seus traços.

—Vê? É por isso que proibiram a clonagem. Os cientistas devem ter ficado malucos com essa brincadeira de modificar os traços.

—Porque eles tentaram clonar uma ovelha, nosso filho será diferente.

—Você quer um menino?

—Um menino com a sua energia? — Ela ponderou, outra vez rindo quando teve as costelas apertadas. — Eu realmente não me importo. Eu só quero que me lembre você, então eu não coloco mais bebê nenhum na sua barriga.

—Oh, é assim que funciona? — Ela se inclinou para morder seu queixo.

—Sim. Dê-me um filho seu, Lana, e eu vou te mostrar o quanto ele será amado e querido por todos, assim como você deveria ter se sentido desde o começo.

—Laura...

—É a verdade. Eu sei que tem medo de ter um filho que lembre a você mesma e que corra o risco de cometer os mesmos erros, eu sei como é isso, mas não vamos deixar que aconteça, não é mesmo?

—Não é simples assim, querida. Eu já morro de medo que Mahina tenha qualquer tendência aos meus vícios ou aos meus erros. Eu não sei se suportaria mais um com esse risco.

—Não temos como prever, cariño. Eles não podem crescer com nossos vícios, não é assim que funciona. Vamos estar lá para cada um deles, daremos nosso melhor para que eles sejam melhores que fomos.

—Você não está me pedindo algo simples.

—Estou pedindo uma chance de te mostrar o quanto podemos ser ótimas mães para mais um filho, cariño. Especialmente um filho seu.

—É? — Ela sorriu, envolvida nas promessas dela, deixando-se relaxar naquela proximidade.

—Sim. Imagina só, uma pequena Lana correndo por essa casa junto a Mahina e Paco. Os três indo para a escola juntos.

—As viagens que faríamos com os três... As saídas nos finais de semana...

—Seria divertido, não acha? Teríamos mais trabalho, mas imagina ter os três ali nos dando presentes de dia das mães?

—Dizendo que nos amam. Nos dando beijo de boa noite.

—Correndo para nós quando se machucarem.

—Seria perfeito, Laura. — Ela riu baixinho, inclinando-se na sua direção e selando seus lábios.

—Achei vocês. — Iori falou ao virar no corredor. — Bastou seguir o som de risos e amassos que se tornou fácil encontrar vocês.

—Tem espaço para mais uma. — Laura abriu um braço, convidando-a.

—Eu vim buscar vocês. A comida está na mesa e só estão esperando vocês. — Ela se juntou ao abraço ainda assim, envolvendo ambas pela cintura. — Do que estavam falando?

—Vamos fazer um bebê igual a Lana.

—O que? — Ela riu. — Eu deixo vocês sozinhas por cinco minutos, e você já está engravidando Lana? Vocês não sossegam não? Temos dois bebês!

—E vamos ter mais um. — Laura sorriu. — Imagina um bebê igualzinho a Lana.

—Ele seria vaidoso, não iria dormir nunca, e ia conseguir tudo de nós com esse belo par de olhos.

—Vocês combinaram de reclamar de mim de uma maneira disfarçada? — Lana ergueu as sobrancelhas, suspirando.

—Pelo contrário, queremos ter um filho igualzinho a você justamente porque amamos seus defeitos quando mais odiamos. — Iori beijou sua bochecha. — Eu conversei com Laura sobre o próximo bebê, e concordamos que seria perfeito se parecesse contigo.

—Em todos os sentidos. — Laura concordou.

—Vocês sabem que três crianças é loucura, não é? — Ela mirou Iori. — Sem falar dos custos.

—Eu sei. Vamos planejar direito no próximo ano, colocar no papel. Nós duas temos trabalhos garantidos, e você ainda tem a parceria com Madson para pensar, terá sua academia. Teremos condições.

—E amor, muito amor para distribuir. — Laura sorriu abertamente.

—Olhe esse sorriso, como eu posso dizer não? — Lana se inclinou para beijar seus lábios, ouvindo o riso de ambas. — Sim, vamos fazer a próxima criança dessa forma. Eu não vejo porque não quando tenho vocês duas aqui ao meu lado.

Elas comemoraram como se o bebê já estivesse na barriga de Lana, e só então foram para a sala de jantar, onde todos já esperavam por elas.

Sentaram-se nas cadeiras vagas lado a lado, então cada um fez a própria reza antes de começarem a se servir, a animosidade permanecendo em cada conversa.

—Pessoal, eu quero dizer algumas palavras se não se importarem. — Lana falou ainda do lugar, e Iori tocou a própria taça para ecoar e chamar a atenção das pessoas.

—É um brinde? — Michael ergueu a taça, rindo, mas Christian baixou seu braço.

—Ainda não. — Lana sorriu em sua direção. — Eu queria agradecer a todos que aceitaram passar essa data tão importante aqui em minha casa. O natal é uma data para reunir a todos que você gosta e quer perto o resto do ano, e eu quero que saibam que vocês são essas pessoas para mim.

—Ela quer nos fazer chorar! — Alex falou do seu lugar, os próprios olhos úmidos, fazendo alguns rirem.

—Não! — Lana sorriu, segurando as mãos de Laura e Iori sobre a mesa. — Eu só quero que saibam que ter as famílias de minhas esposas aqui, juntas, significa muito para mim. Eu sei que cada uma tem sua própria história e eu respeito cada um de vocês por isso, e admiro que tenham aceitado manter uma relação de respeito entre si. Eu falo por nós três quando digo que sempre foi um desejo nosso ver todos reunidos assim, porque queremos que nossos filhos cresçam sabendo que tem uma família que estará lá para eles, porque juntos somos só uma família.

—Ela tem razão. — Laura concordou, acariciando sua mão e a olhando com ternura. — Uma das coisas que mais admiro em Lana foi a persistência em reunir as nossas famílias, mesmo recebendo vários não, enfrentando diversos conflitos no processo, ela não desistiu. E eu sempre vou ser grata por ter você ao meu lado, por ter conseguido convencer as pessoas mais teimosas de todas a estar aqui hoje. — Ela sorriu ao se virar para os pais. — Obrigada, mãe, pai, por me perdoarem pelos meus erros e aceitarem fazer parte da história dos nossos filhos. Eu espero que de hoje em diante, nossa família seja ainda mais unida e acolhedora, porque logo vamos providenciar mais um neto.

—Mais um neto! — Maria se animou, os olhos se enchendo de lágrimas, emocionada. — Eu quem agradeço a vocês por terem paciência com uma cabeça velha como a minha! — Ela olhou para Lana. — Eu sei que você disse que não há nada para desculpar porque está no passado, mas eu sei que fui injusta com você, mesmo assim você me quis hoje para conhecer meus netos e estar com minha filha de novo. Eu sou muito grata a você, Lana, e a você também Iori, por fazerem minha filha feliz.

—Fazer Laura feliz é um prazer, Maria. — Iori sorriu para ela. — Já passamos por muitas coisas, sei que não tivemos uma boa relação por todos esses anos, mas saiba que eu sempre desejei o melhor para Laura, e sabemos que o melhor para ela era ter a família dela próxima.

—Laura sempre foi ligada a família, estamos felizes que possamos estar juntos outra vez. — Miguel falou, mais timidamente pela atenção recebida.

—Lana, por que começou isso? Agora eu vou borrar minha maquiagem! — Cláudia reclamou, mas acabou rindo, erguendo o rosto para conter as lágrimas.

—Meus propósitos foram devidamente atingidos então. — Lana riu.

—Aproveitando a ocasião. — Ichiro pigarreou, atraindo a atenção de todos. — Quero dizer que estou muito orgulhoso dos meus filhos. Iori, você se tornou uma mulher responsável e líder de uma família forte e unida, você nos deu nossos primeiros netos e nunca deixou de trazer honra e orgulho a nossa casa e ao nome de nossa família.

—Você carregou o fardo de ser nossa primeira filha, e sabemos que sempre te cobramos mais que aos seus irmãos. — Chieko tocou sua mão sobre a mesa, olhando em seus olhos. — Mas mesmo como todos os nossos erros você se tornou um exemplo para os seus irmãos, mesmo para o restante de nossa família. Você nunca abandonou nossos costumes e sempre honrou o que te ensinávamos. Não nos resta dúvidas sobre seu comprometimento com a família, filha.

—Oh, vocês planejaram isso? — Iori olhou entre ambos, surpresa com as declarações. — Eu agradeço pelo reconhecimento. Eu nunca quis trazer vergonha a nossa família, mas vocês me ensinaram a lutar por aquilo que acredito e isso resultou numa família que só faz crescer. — Ela segurou a mão da mãe e sorriu para eles. — Eu agradeço a vocês dois por isso. E agradeço que tenham acolhido tanto Lana quanto Laura em nossa família.

—Ainda que ela continue morrendo de ciúmes de Lana. — Laura a provocou, sem se conter, recebendo um olhar cortante dela enquanto todos riam de sua família. — Você sabe que é verdade!

—Lana é a filha preferida, eu sei disso. — Iori falou, cruzando os braços.

—Fico feliz que tenha aceitado os fatos, meu amor. — Lana a abraçou, ouvindo seus protestos enquanto ria. — Vocês a criaram muito bem, eu sempre soube que queriam o melhor para ela e estou feliz que fui bem recebida na família de vocês. Chieko, eu já te disse isso antes, mas você foi como uma mãe para mim todo esse tempo. Você esteve ao meu lado quando minha filha nasceu e me deu toda a força e a sabedoria que a senhora tinha para me manter forte. Em frente a todos, quero te agradecer, de novo. Ichiro, ao senhor também. Você sempre foi respeitoso e reservado, mas eu sempre me senti acolhida em sua casa. Espero estar podendo retribuir um pouco de tudo o que já fizeram por mim nesse tempo que nos conhecemos.

—Você sequer precisa ter dúvidas, Lana. — Chieko a olhou e sorriu. — Você é parte da família, você e Laura se esforçaram, mas no fundo eu sabia que nunca sairiam do lado de minha filha. Eu quem agradeço pelo convite, Lana, significa muito para mim.

—E para mim também. — Ichiro assegurou, envolvendo os dedos da esposa antes de se voltar aos demais filhos. — Estou orgulhoso de você também Kenjiro. Você amadureceu e está preparado para iniciar sua própria família. Hiromi, saiba que você é mais que bem-vinda a família, no que você precisar, estaremos aqui para te ajudar. Espero que meu filho cuide e zele pelo seu bem-estar e sua felicidade.

—Eu agradeço, senhor Ichiro. — Hiromi sorriu.

—Eu também pai, significa muito a confiança que depositou em mim. — Kenjiro falou mais sério. — Quero trazer honra a nossa família e te dar mais netos.

—Não tão cedo, por favor. — Kanon falou, fazendo-o rir com a implicância.

—Não se preocupem, a hora de vocês formarem uma família há de chegar. — Ichiro falou a olhá-las. — Enquanto isso, estou feliz com os resultados de vocês nesse ano que passou. Continuem trabalhando duro para terem seu lugar no mundo com a certeza de que sua família estará lá para apoiar vocês.

Eiko e Kanon coraram diante das palavras do pai, movendo a cabeça para concordarem e demonstrar respeito.

—Antes de servirmos a sobremesa, quero agradecer ao meu pai por trazer, é claro. — Lana se levantou, contornando a mesa e pousando as mãos nos ombros de Alex. — Você é minha melhor amiga, então você sabe o quanto me deixa feliz por estar aqui hoje ajudando com as crianças e com todo o resto.

—Eu quem agradeço! Tem sido divertido ficar junto de sua família. — Alex também se levantou, abraçando-a.

—Nisso eu posso concordar. — Christian também se levantou. — Eu sou imensamente grato por ter me convidado apesar de tudo e me dar o prazer de conhecer meus netos, as famílias de suas esposas e seus amigos. Tem sido uma experiência única, filha.

—Para mim também. Eu sempre sonhei com um natal assim, repleto de pessoas da família e mesmo com todos os conflitos, no fim acabasse bem. — Lana o abraçou, beijando sua bochecha, então se virou para as suas mulheres. — Me ajudam a trazer a sobremesa?

Elas se levantaram para a seguir, enquanto os demais se ajudavam a recolher a demais louça e levar para a cozinha também. As três serviram a sobremesa a todos ao redor da mesa, repondo suas bebidas. Quando o relógio bateu meia noite, todos trocaram abraços e felicitações, compartilhando do mesmo sentimento de união que a data trazia.

—No fim deu tudo certo, afinal. — Iori falou enquanto envolvia as cinturas de Lana e Laura, que a abraçaram entre elas. — Digo, teve os imprevistos, mas lidamos bem com eles.

—Eu concordo, não menos cansativo ainda assim. — Lana suspirou, apoiando-se no corpo de ambas. — Ao menos as crianças continuam dormindo.

—Sim, a melhor parte. — Laura riu baixinho, inclinando-se para beijar sua têmpora. — Logo você vai estar dormindo como um bebê, você não precisa se preocupar.

—Mas eu gostei de tudo isso ainda assim. Os imprevistos, todos aqui, checar se todos estão aproveitando e se divertindo, se precisam de algo. Eu faria tudo de novo.

—No próximo ano, meu amor, no próximo ano. — Iori riu em seu pescoço. — Com nosso bebê na sua barriga ou em nossos braços.

—Sim, com mais um bebê. — Concordou. — Os frutos de nossa vida juntas.

—A melhor vida que eu poderia ter. — Laura apoiou a testa na de Lana, e Iori se inclinou para apoiar a própria entre elas, as três sorrindo e respirando o mesmo ar.

—A vida que escolhemos ter juntas só está começando, e eu já sou a mulher mais feliz por ter vocês aqui. — Iori fechou os olhos, sentindo-se plenamente contente.

—Eu amo vocês. — Lana sorria. — Obrigada por serem minha família.

—Oh, você não precisa agradecer, meu amor, é o melhor dos prazeres. Principalmente quando podemos ter momentos como esse.

—Ela tem razão, cariño. Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por todos os dias de nossa vida juntas.

—Eu aceito. — Ela riu baixo. — Quero todos os dias vocês comigo.

—Então é isso o que faremos, ficaremos juntas.

—E não há nada que não vamos enfrentar para ficarmos juntas. — Iori assegurou.

 

Notas finais:

Será que no fim da história alguém fala que gosta da Iori? kkkk brincadeira :D

 

Cheguei ao fim de mais uma história, acreditam? Quem diria que eu estaria conseguindo finalizar tantas histórias, logo eu, conhecida por nunca escrever o último capítulo :D mas eu não matei ninguém no fim, estão todos felizes, certo?

Dá até vontade de escrever uma parte dois, não dá? Quem sabe, eu não direi nunca farei isso, porque quem sabe levanto amanhã escrevendo uma nova introdução? ahahah

 

Mas enfim, eu quero agradecer todas vocês por terem chegado até aqui. Todos os comentários, perguntas, dúvidas, mesmo as pessoas que não chegaram até o fim e desistiram pelo caminho, eu agradeço porque serviu como uma experiência :D e toda experiência é válida se te acrescenta alguma coisa. :) Ter o apoio e carinho de vocês, leitores, é o melhor incentivo para continuar escrevendo e postando. Não há tendinite que me pare :D

 

E por último, mas não menos importante, quem tem medo do lobo mau? ahaha brincadeira. Quem quiser me seguir nas redes sociais, basta me seguir no insta (@alexmills_literales) ou no facebook (AlexMills.LitLes). Todos os links estão no meu perfil, basta conferir.

Em breve vem mais história por aqui, fiquem ligados ;) e em breve estarei lançando um livro. Quem aí gosta de ficção científica? Logo mais falarei mais sobre meu livro. Não percam ;)

 

Até a próxima pessoal!

 

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Comentários


Nome: AMANDA (Assinado) · Data: 03/10/2021 22:30 · Para: Quadragésimo quarto

Explêndido! Cada discussão, alegrias, dificuldades, afinal ninguém é feliz o tempo todo,

e se envolver com uma pessoa é tão complexo imagina duas. Magnifico a visão desse

trisal lindo e cativante já deixando saudades!



Resposta do autor:

Olá Amanda!

Que bom que chegou até o fim! :D

Fico feliz que tenha gostado desse trisal, quem sabe mais um não venha no futuro? heheh

Foi maravilhoso escrever essa história e derrubar preconceitos e tabus, fico contente que tenha te atingido de uma maneira positiva :D



Nome: May Poetisa (Assinado) · Data: 09/08/2021 22:55 · Para: Quadragésimo quarto

Adorei a história, parabéns! Confesso que quase desisti quando Laura foi excluída, ela é a minha favorita rs ainda bem que no final o poliamor venceu. Que romance lindo e bem escrito. Sucesso! Beijos e abraços, May.



Resposta do autor:

Olá May! Fico feliz que você tenha chego até o fim :D e não desistido ahahah

Sei que foi um risco que corri ao fazer a separação da Laura, mas tudo tem o motivo e minha motivação sempre foi fazer as três continuarem juntas até o fim, enfrentando todos os pesares :)

Obrigada pelos elogios, fico feliz que tenha conseguido aproveitar a história :D

Beijos, May :*



Nome: Andreia (Assinado) · Data: 08/08/2021 06:42 · Para: Quadragésimo quarto

Muito linda a história foi perfeita emocionante e muito envolvente amei ler está de parabéns por está maravilhosa história.

Bjs e abraços.



Resposta do autor:

Olá Andreia! Fico feliz em saber que gostou :D

Obrigada por comentar, também gostei muito de escrever essa história e fico feliz pelo retorno que vocês, leitores, me dão ;)

Beijos!



Nome: Lea (Assinado) · Data: 06/08/2021 16:33 · Para: Quadragésimo quarto

Último capítulo com gostinho de quero mais!! Foi revigorante vê toda a família reunida finalmente! Entre altos e baixos elas amadureceram,construiram uma família linda!! 

Obs: se não tiver uma continuação dessa história,eu não acharia ruim um capítulo especial !! Hahaha 

Parabéns pela história Alex!!!

 



Resposta do autor:

Olha, chegou até o fim ahahahah já pode respirar fundo e piscar um pouco ahahaha

Foi uma longa jornada que fico feliz em compartilhar com todas :D fico feliz que tenha acompanhado tudo e chego até o fim :D sei que é desafiador, considere-se vencedora ahaha

Um capítulo especial, quem sabe? Está nos planos :D

Obrigada Lea!



Nome: Ro jordan (Assinado) · Data: 03/08/2021 02:43 · Para: Quadragésimo quarto

Parabéns pela história autora, e sim eu gosto da Iori e gosto muito, se tivesse que escolher só uma esposa pra Lana seria Iori com certeza acho elas juntas uma delícia ,a forma como Lana tenta agradar a japa mas tbm a Iori cresceu muito com Lana enfim amo esse casal ....



Resposta do autor:

Olá Ro!

Obrigada pelo comentário e elogios!

Finalmente alguém que gosta da Iori ahahahah estava esperando pelo momento que alguém faria um elogio a coitada no fim ahahaha fico muito grata por isso. :D é bom ver essa evolução delas ao longo da história mesmo, fiquei contente em desbravar cada uma ao longo da história :D



Nome: kasvattaja Forty-Nine (Assinado) · Data: 26/07/2021 00:47 · Para: Quadragésimo quarto

Olá! Tudo bem?

 

Não acompanhei toda a história devido ao tema trabalhado nela. Não acredito que é possível deixar quem você ama e compartilha todos os desejos e muitas coisa mais, relacionar-se com outra pessoa — ou outras —, sei lá, para mim não dá.

Mas não posso deixar de parabenizar você pelo termino da história, enquanto outros escritores abandonaram as deles e outras tantas foram iniciadas e deixadas pelo caminho.

É isso.

 

Post Scriptum:

 

''O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar. Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca. ''

 

Arnaldo Jabor,

 

Crítico, Jornalista e Escritor.



Resposta do autor:

Olá Kasvattaja!

Que bom te ver por aqui :)

 

Acredito que não seja bem o "deixar" sua parceira sentir essas coisas, até porque as três compartilhavam o mesmo sentimento e desejo ali, mas cada uma de uma forma. :) espero que tu consiga voltar a história do início e acompanhar sem compromisso ;)

 

Imagino (e até presenciei) autores que nunca terminaram suas obras. E pensando nisso eu só começo a postar minhas histórias se estão prontas ou perto do fim, para nenhum leitor ficar na mão. :)

 

Obrigada por vir comentar! Espero te ver mais vezes ;)



Nome: Dolly Loca (Assinado) · Data: 26/07/2021 00:42 · Para: Quadragésimo quarto

Parabéns pela história. Um enredo muito bem elaborado e com personagens bem construídos. Foi um prazer acompanhar cada capítulo e espero que você dê sequência com a parte 2.

PS: quase dá para gostar da Iori também kkkk Brincadeirinha. Gostei da evolução da Iori ao longo da história. Deixou de ser uma menina mimada para tornar-se uma excelente mãe e esposa.

 

Bjos



Resposta do autor:

Olá Dolly! :D

Obrigada pelos elogios, foi um trabalho muito prazeroso escrever "Nossa vida juntas", uma surpresa ainda maior foi encontrar pessoas que gostaram da obra :) Quem sabe eu realmente não escreva essa parte 2? :D

Quase dá para gostar? Olha, já é um avanço ahahahah

Até a próxima Dolly ;)



Nome: josi08 (Assinado) · Data: 25/07/2021 22:07 · Para: Quadragésimo quarto

Parabéns pela história acompanhei desde o inicio e simplesmente amei.    ....♥?♥?



Resposta do autor:

ahahaah Obrigada Josi :D

Fico feliz em saber que gostou ;)

Obrigada por comentar :D



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