Por enquanto por thaigomes


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Eu acho incrível que meu amor por ti tenha sido tão grande a ponto de perdoar tudo o que aconteceu. Embora as lembrança dos absurdos que você proferiu visitassem sempre a minha mente, a vontade de estar juntas era mais forte. O seu cheiro me seduzia da mesma maneira que nos primeiros encontros. O seu sorriso, quando eu chegava em casa, era suficiente para eu ter vontade de chegar todos os dias.


Nítido, porém, que os conflitos ainda aconteciam, em menor intensidade e frequência, mas ainda vinham. Eu já aceitava que nosso relacionamento seria assim, difícil, talvez grandes amor tragam realmente grandes dores.


Eu já tinha aprendido a ler teus gestos e entonação da voz. Nos dias que você acordava ruim, eu percebia no bom dia e ficava silente, aguardando sua melhora. Aos poucos, estava me amordaçando, me moldando ao teu temperamento, aproveitando os dias bons, ignorando os dias ruins. Ficando refém do seu humor, para definir como seria meu dia: de alegria, de anulação, de receio.


Obvio que não percebi dessa maneira, na verdade eu usava a comparação do antes e depois. Antes, você explodia por qualquer coisa, já naquela época, você mal explodia, somente ficava muito irritada e assim que eu me calava, já passava. Essa tática de autoconvencimento meu, fez durar uma paz entre nós que não tinhamos tido desde que começamos a morar juntas.


Como você tinha aberto mão do isolamento quando foi ver sua família, voltamos a ver nossos amigos. Combinávamos um outro rolê pequeno, eu voltei a ver meu pai e minha mãe, recebemos sua família na nossa casa. Nada comparado ao que fazíamos antes da pandemia, mas já era uma boa interação, se comparada com o isolamento absoluto de antes.


Nos dias que você estava bem, mal falávamos sobre a pandemia. Nos dias que você estava ruim, eventualmente você surtava com medo de não ter vagas no SUS pra ti. Não foi uma época fácil, você teve muito medo, e eu respeitei isso, buscávamos ser o melhor uma para outra.


Certo dia você veio falar que estava afim de ver uma amiga sua, uma que eu conhecia. Eu falei que era uma boa ideia, disse para convidar ela para fazer qualquer coisa algum dia. Você disse que chamaria. Deixamos o assunto de lado.


Nessa semana fomos no mercado juntas, fazer o rancho do mês. Nunca foi fácil, pois eu não gosto nem um pouco de ir e você sempre quis ir cedo, por causa da pandemia, para não pegar aglomeração. O problema é que pra ti, acordar cedo é difícil e te deixava mal humorada. Eu já tinha sacado esse padrão, por isso não exigia muito de ti, ia tocando e fazíamos as compras o mais rápido possível.


Na vez anterior que fomos, tivemos uma briga feia. Dessa vez eu determinei que não brigaríamos. Brigamos de qualquer jeito, você disse naquela hora que eu era apressada demais, e é verdade, sou apressada nessas compras, afinal, tenho que trabalhar depois de comprar, não posso ficar enrolando muito.


Decidimos, aos gritos, que a partir daquele dia não iríamos mais fazer essa compra juntas, cada uma ia uma vez. Me pareceu justo, mas, nem foi necessário fazermos as compras desse modo. Terminaríamos naquela semana, infelizmente.

Nome: rhina (Assinado) · Data: 25/02/2021 01:59 · Para: Capitulo 9 - Antes do fim

 

Todas as etapas.

Doloroso para a enferma e para quem convive.

Redenção.....em que aspecto um portador de tal doença a merece? Ou não é digna dela? 

Rhina



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