Por enquanto por thaigomes


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Nosso encontro, contudo, permaneceu marcado oficialmente para o outro sábado, depois que entregasse o artigo e chegasse fim das aulas. Infelizmente meus planos de beijo cinematográfico foram para o brejo, você foi muito mais ligeira e já queimamos a largada. Eu não tive muito problema com isso, porque queria conhecer cada pedacinho seu, não apenas o beijo.

 

Você me mandava áudios e fotos de você. Sempre com um suco, uma fruta e um sorriso. Você com o cabelo alto, as vezes mais penteado, às vezes bem grande, liso, só parava com muito gel do jeito que você gostava. Eu achava lindo de qualquer jeito, baixo ou espetado, eram a moldura para teu rosto de modelo, tuas pintinhas no rosto, a boca de coração e pinta no lábio, similar à minha, só que espelhada. Teus dentes alvos, perfeitamente assentados pelo aparelho que já tinha tirado. Rosto quadrado, sobrancelha natural, olhar de criança. Olhos negros, cativantes, doces e desafiadores ao mesmo tempo.

 

Nisso eu já nem respondia direito as outras do aplicativo, só queria saber de abrir e ter uma notícia sua. Eu ainda tinha o encontro marcado com a terceira, a magnética. Eu não esperava ter te encontrado no dia do bar e nem uma horinha antes de pegar o vôo para o sul, mas encontrei nesses dois dias e foi tão pouco.

 

Entrei em dilema. Eu e você, nessas duas semanas, já conversávamos como casal, eu te contava meu dia, você o seu, eu fiquei horas e horas agarrada ao celular apenas conversando contigo. Encontrei dois amigos meus e contei o que estava acontecendo. Expliquei te encontrei e tinhamos um lance legal, agendado para o fim de semana. Contei da terceira, que eu já tinha marcado. Falei que não sabia o que fazer, porque não sabia se tínhamos uma coisa mais séria a ponto de eu ter que te falar sobre isso, não tínhamos falado em nada de relacionamento, pelo contrário, eu tinha te falado que não tinha como me relacionar demais, por todos os motivos que já falei.

 

Eles disseram que se eu contasse a você da outra, falando sobre o encontro, você me acharia neurótica, que estava imaginando coisas a mais do que tinha, que eu não devia nenhuma satisfação e que pareceria que eu já estava imaginando um relacionamento que não existia. Que eu devia encontrar a outra na quinta e encontrar você no fim de semana, depois desse rolê oficial, se realmente tivesse um clima bom, nós poderiamos falar sobre fidelidade, sobre o que teríamos de fato.

 

Eu tava fugindo de um relacionamento, mas também, meu coração já era todo seu. Meu dilema, muito além de ver ou não ver a terceira, era também saber se eu queria entrar em um relacionamento. Sei de todas as dificuldades, sei do compromisso, da dor que custa para construir algo a dois e o tempo, tão sagrado naquela época, que eu teria que dispender para fazer dar certo… Afinal, eu não queria entrar em algo para viver meia boca, queria ter liberdade, ter amor, ter afeto, respeito e futuro no meu relacionamento, estava determinada a embarcar apenas em uma dinâmica que eu tivesse certeza de que eu queria até o fim.

 

Vi a terceira, não te falei. Você diz que eu te enrolei naquele dia, que disse que tava com a família… Mas eu tava mesmo, jantei com eles e depois fui para a casa dela. Bebemos muito, muito mesmo para uma quinta-feira de madrugada, e eu mal desgrudei do celular, sempre checava se tinha mensagem sua, fui até mal educada com a anfitriã. Cheguei em casa muito bêbada e quando abri meu aplicativo tinha umas tantas mensagens suas, perguntando onde eu estava e eu, ainda torpe, disse que tinha saído.

 

Você perguntou se eu fui ver uma menina. E eu nunca mentiria para você… E disse que sim, que fui ver uma menina. Você perdeu as estribeiras, falou um monte de coisa por mensagem, era umas 5hs da manhã e você não parava de mandar, insinuou que eu era um vetor de doenças sexuais, falou que não queria nada mais comigo. Eu dormi até a hora do trabalho e vivi o dia na pior e última ressaca da minha vida até agora. Tomei três chás de boldo. Expliquei para você o porque encontrei ela e o porque não tinha falado, exatamente como meus amigos tinham dito. Falei que isso não mudava nada do que eu sentia por você, que continuava querendo te ver no dia seguinte.

 

Você disse que não queria mais, vendeu o ingresso do show que disse que ia comigo em outro final de semana mais pra frente. Depois de umas horas voltou atrás e disse que queria me ver sim, já que eu tinha programado um rolê tão legal.

 

E assim foi, eu te encontrei no sábado a tarde, cheguei uns minutos atrasadas, te peguei no meu golf vermelho e te levei pra cidade vizinha. Te dei as duas opções. Você preferiu caçar a cachoeira pública. Tava um clima pesado no carro, você não tava muito a vontade e eu também não. Bastou uma horinha de rolê na roça para você relaxar e perceber que eu tava ali pra gente se divertir. Sem peso, sem dor, apenas curtir.

 

Não encontramos a cachoeira, fomos em uma parte do rio que era um lugar feio, não gostamos. Encontramos uma cachoeira paga, 15 reais por pessoa e lá fomos. Só tinha mais um casal no lugar, dois homens. Ficamos distantes deles e você cismou que queria encontrar a cachoeira, já que ali só tinha uma corredeira sem sal.

 

Fomos pelas pedras do leito do rio, eu fiquei nervosa demais, andar nas pedras me deixa ansiosa, acredito que quando criança eu me machuquei em alguma. Minhas pernas tremem e eu acredito que a qualquer instante vou cair e me machucar… Mas a surpresa foi que você caiu, pisou em uma pedra lisa e caiu de bunda na água congelante. No mesmo instante você levantou, ficou muito envergonhada e eu ofereci meu cachecol, que é quase uma manta, disse para você tirar a calça e colocar o cachecol como uma saia comprida. Você colocou, ficou bem engraçada. Não encontramos cachoeira nenhuma, inclusive o casal nos confirmou que subiram mais de meia hora pelas pedras e não tinha nada.

 

Ficamos então naquele leito sem graça, longe dos homens, eu queria sentir tua pele, teu beijo de novo e de novo e de novo. Eu mergulhei na água gelada, você não quis, ficou de biquini, de pé e eu sentada no leito do rio, cheguei sua calcinha para o lado e senti seu gosto azedinho, quente e liso. Você adorou, eu adorei, mas já tava frio demais.

 

Disse a você que queria te levar para ver o por do sol mais lindo da cidade, subimos o morro mais alto dali e chegamos bem na hora que os raios estavam indo. Você filmou tudo, amou, disse que é o pico mais lindo que já viu aqui pelo estado. Eu concordo. Hoje em dia eu penso que ele é lindo por ser lindo e muito mais lindo por ter sido o lugar que vi você relaxar pela primeira vez, tiramos nossa primeira foto de casal. Nessa hora, já tava congelando e você tinha colocado meias roxas e rosas esticadas até o joelho, ainda usava a saia cachecol e uma jaqueta bem quente.

 

Estendi a canga no chão e ficamos olhando o por do sol, você puxou um beck, eu recusei. Você fumou um pouco e logo já estávamos rindo, as pessoas foram minguando do lugar e vento começou a castigar. Você levantou uma hora e ficou de frente para mim, de pé, eu sentada no chão com os joelhos dobrados e juntos. Você aproximou, abriu as pernas e esfregou ela no meu joelho, que tesão. Assim, só pra me tentar.

 

Até então eu ainda tentava mentir pra mim que em algum momento eu te falaria que não tinha condições de namorar, que não tinha tempo, que queria aproveitar aquele tempo nosso, mas que tínhamos que manter o foco. Eu até tinha ensaiado o que falaria, porque pensei que em algum momento você falaria da terceira. Não falaste e eu, também, já não estava certa se daria conta de frear a paixão que tomava meu ser. Eu te olhava e cada vez que olhava via mais linda, cada ângulo, cada pedaço.

 

Fomos para a sua casa. Chegando lá você disse que não seria nada demais porque você tinha que fazer as malas para passar as férias de inverno na sua cidade e ia pegar o ônibus daquela noite. Eu disse que nada, que passassemos a noite juntas.

 

Você debochou de mim, lembras? Disse que eu tinha dito que não dormia na casa das minas. E eu disse isso mesmo, mas naquele momento eu já sabia que você não era uma mina. Você era a pessoa que eu ia fazer a exceção nos meus planos de não me envolver até concluir o curso, caso eu encontrasse:

 

Uma pessoa motivada, atenciosa, trabalhadora, trilheira, antenada, de esquerda radical, manifestante, leitora voraz, com cheiro bom… De bônus era linda de morrer, alta e tocava muitos instrumentos.

 

Hoje eu vejo que eu ignorei alguns sinais, eu podia ter me atentado a eles, afinal, aquilo que falaste sobre mim por causa da terceira, foi uma violência psicológica, igualmente ter exigido algo que não tinha sido tratado, devia ter visto sobre a maconha também, eu que já tava em processo de parar de fumar, já sabia que não queria mais aquilo pra vida, pensei que não teria nenhum problema você fumar porque, né, você é você e eu sou eu. E a sua casa estava tão bagunçada, com uma energia tão ruim… Estava limpa, você sempre foi tão limpa! Mas ela refletia um pouco da desordem que eu teria que nós duas teriamos que arcar mais pra frente.

 

Ignorei estes sinais.

 

Porque quando começamos a nos beijar naquele sofá horroroso e desconfortável eu sentia choques em encostar em você. Quando eu sentia seu cheiro atrás da orelha, meu estômago revirava e meu corpo inteiro te desejava. Sua boca era tão boa de beijar, saliva quente, lábios macios. Eu tirei sua blusa e visão das suas saboneteiras e seios pequenos com bicos escuros e duros era o próprio retrato de uma deusa, a primeira e única que encontrei na minha vida.

 

Eu disse que dormiria na sua casa aquele dia e quantos outros dias você deixasse. Você disse que iria no outro dia, então, depois que eu saísse para a reunião do meu partido. Transamos por horas a fio. Eu descobri tudo sobre seus lábios de baixo, que ainda não tinha visto em detalhes, descobri que eles eram mais escuros por fora, grandes, bons de chupar com carinho e dentro você é rosa bebê. Descobri que teus ossos do quadril eram duros, tinhamos que ir com calma no esfrega, senão eu me machucaria. Descobri que as tuas costas eram perfeitamente retas e teus ombros eram malhados. A sua bunda ainda era seca, você estava bem magra naquela época. Eu nem sabia que logo logo você ganharia quase dez quilos e de brinde viria a bunda mais linda que eu já vi e tive o prazer de sentir e bater de brincadeira.

Nome: rhina (Assinado) · Data: 25/02/2021 00:53 · Para: Capitulo 2 - O cachecol saia

 

Sinais.

Rhina



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