Amor incondicional por caribu


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            Beatriz chorou por longos minutos, abraçando Fernanda com força, os braços entrelaçados, presos às suas costas, as pernas encaixadas entre as delas. Estava completamente ancorada em seu corpo, finalmente colocando para fora, através de soluços sentidos, tudo o que a vinha atormentando, que ela mantinha bem preso e acorrentado em seu interior – e que a fazia tão mal! Suas decepções, frustrações, todas as raivas... foi tudo saindo, uma a uma, desafrouxando aos pouquinhos o nó que apertava sua garganta e mantinha seu coração aflito, rendido.

            Sentia uma vontade sincera de quebrar alguma coisa, talvez socar algo para extravasar, quem sabe até se machucar, mas se concentrou apenas no choro, e no alívio que aquele gesto trazia, quase imediatamente, o consolo também de sentir Fernanda ali.

Ali no banheiro, enrolada na toalha, prensada entre a pia e sua noiva, ouvia seu choro ecoar entre as paredes, cada azulejo testemunhando sua dor, o som provocando ainda mais choro, que vinha em ondas, intensas. E ela deixou aquilo tudo fluir, sem se julgar, se permitiu transbordar, colocando para fora tudo o que doía, junto com as lágrimas que se desprendiam com facilidade.

A vida toda ela combateu aquelas coisas. Não gostava de chorar, muito menos apreciava a sensação de fragilidade que sempre vinha junto, mas reconhecia que às vezes aquilo era necessário; uma medida quase drástica, porém eficiente, para poder voltar aos eixos. Até porque era algo que, naquele momento, ela nem conseguia controlar. Era humana, afinal, e aquela vinha sendo uma lembrança recorrente ultimamente.

Por isso, no primeiro rompante, apenas soltou. Pareceu que ia ficar sem ar, que ia chorar até definhar, que ia até se desidratar, mas nada demais aconteceu. Sentiu apenas alívio.

Parecia meio clichê para ela, como terapeuta, acusar seu pai pelos seus problemas (afinal, Freud sempre afirmou isso), mas como desvencilhar justamente o responsável por aquilo tudo? Tudo, mesmo: seu “rapto”, todas as mentiras e até mesmo sua dificuldade agora em conseguir chorar em paz?

Era conflituoso porque sempre fez muito mal para Beatriz sentir raiva de seu pai; ela já tinha entendido que ele era somente uma pessoa falha, com defeitos, como todos os outros, tentando criar uma filha sozinho, da melhor maneira que acreditava ser possível, mas agora parecia que aquela era uma lição que precisaria reaprender.

A impressão que Beatriz tinha, agora, chorando no banheiro, é que sua vida toda era feita de reforçar ensinamentos que ela julgava já ter apreendido. Chorava agora por isso.

            A verdade é que ela tinha crescido sempre meio alheia aos sentimentalismos, desde novinha sendo tratada como gente grande por todos os adultos à sua volta, em especial seu pai, que fazia parecer que o mundo era um lugar muito difícil, e implacável, com quem era molenga (como ele chamava quem chorava e admitia publicamente outros tipos de “fraqueza”).  

Se Beatriz era dura, a culpa era de Antônio.

Invariavelmente, ao chorar, já depois de adulta, ela se lembrava de uma ocasião, quando era bem criança, em que o pai discutiu com uma mulher, que ela não se lembrava quem era, que a tinha aconselhado a chorar, depois de ter caído numa festinha. “Chora que passa”, ela teria dito para a menina toda encolhida no salão, o rosto vermelho de segurar o choro, um filete de sangue escorrendo no joelho esquerdo.

Beatriz acabou chorando, mas só porque a doçura na mulher serviu de gatilho para o choro. Achou diferente aquele olhar acolhedor apesar de ela ter falhado (afinal, tinha caído e se machucado). Ficou confusa porque estava esperando uma bronca.

O comentário, porém (e o choro depois), provocou a ira do advogado corpulento, já um pouco alcoolizado, que não admitia, mas se esforçava para transformar a filha numa fortaleza, inquebrável. Antônio tinha um projeto envolvendo a menina e pessoas de fora podiam sempre colocar tudo a perder, como aquela desavisada.  

Na época, Beatriz tinha seis anos. Naquela festinha, viu o pai falar com a mulher de um jeito que não deveria nunca falar com ninguém. Aquilo a traumatizou talvez até mais do que todo o resto que ele fez depois (e foi bastante coisa!).

Naquele dia, mesmo muito nova, Beatriz soube o que jamais queria ser. E começou a se esforçar para agir de maneiras cada vez mais distintas das ações de seu genitor, entretanto, tomando sempre o cuidado de fazer tudo o que era esperado que ela fizesse.  

A mudança de postura lhe rendeu a liberdade de chorar, no banho, escondido, ou na cama, antes de dormir; depois tinha só que lidar com a culpa por aquilo. Seu comportamento na escola também se alterou na ocasião, ela ficou mais quieta e arredia, e foi nessa época que começou a fazer terapia, que a auxiliou de diversas formas, inclusive no sentido de ajudá-la a escolher uma profissão. Queria ajudar como foi ajudada. Mas, acima de tudo, queria se conhecer.

Foi quando Beatriz iniciou sua jornada de autoconhecimento, em vigor até hoje. Na época, até chegou a pensar que sua orientação sexual podia ser devido à postura de Antônio, sempre tão duro com ela, mas depois de crescida soube que isso não fazia o menor sentido.

Antônio, por sua vez, alegava (apenas para si mesmo, claro, e muito ocasionalmente, pois não era de ficar admitindo seus erros e fraquezas) não agir por mal. Ele conhecia as regras da sociedade, sabia que a filha saía em desvantagem em relação aos demais pelo simples fato de ser mulher, mas tinha se comprometido a fazer tudo o que estivesse ao seu alcance, como pai, para que Beatriz vencesse na vida mesmo não sendo homem.

E foi o que fez. A criou como criaria um filho, sem distinção, o que significava sem permitir vulnerabilidades de nenhum tipo, ensinando a ela todas as artimanhas da vida, tudo o que sabia e conhecia, mostrando sempre que a fragilidade era um defeito a ser corrigido ou, no máximo, algo a ser muito bem escondido.

Para ilustrar, Beatriz se lembrava de alguns castigos impostos ao longo da vida que pioraram só porque ela chorou. Seu pai usava métodos bastante controversos em sua educação, que ela só percebeu que eram tóxicos depois que cresceu.

Foi, portanto, um tremendo desafio se libertar de tudo aquilo, até conseguir chorar sem culpa. Ainda era, porque lá no fundo, como agora, embora ela já se dissesse “curada”, sempre vinha uma vozinha, não sabia se do seu pai ou sua própria voz, na infância, ainda dizendo que chorar era errado.  

Era uma vida inteira combatendo conceitos errados enraizados dentro dela, e ao final, Beatriz chorou foi de frustração.

Ela seca as lágrimas com as costas da mão, se afastando alguns poucos centímetros da noiva, que se mantinha ali, impassível, a manga da camisa molhada de choro e do seu cabelo, pingando do banho que ainda tinha o espelho embaçado como vestígio do vapor.

Seus olhos verdes estavam com o fundo vermelho quando a olhou brevemente, um pouco constrangida por aquela cena. Fernanda desviou o olhar para que ela não se sentisse julgada, e alisou seus braços para encorajá-la.

 

- Meu amor, agora me escute – ela pede, afastando-se um pouco de Beatriz, apenas o suficiente para manter seus olhos alinhados. Só começou a falar quando viu que a mulher se acalmou, a respiração um pouco mais tranquila, e tomou o cuidado de manter os corpos unidos da cintura para baixo, seus braços entrelaçados em seu quadril, mostrando que estavam juntas naquilo.

Quando ganhou sua atenção, antes de falar, tirou uma mecha de cabelo que caía na frente de seus olhos, levando-a para atrás da orelha. Deslizou os dedos pelo rosto de Beatriz num afago e deu um sorriso para ela.

 

- Se sente melhor? Um pouquinho? – ela pergunta, sem dar tempo para a outra responder, secando com o dedão uma lágrima que escorria, retardatária – Acho ótimo que tenha chorado um pouco, meu amor, agora está zerada, com o coração mais leve, pronta para o desafio.

- Belo desafio – Beatriz dá uma fungada e cruza os braços, se sentindo um pouco tola e insolente. O movimento fez Fernanda apertá-la mais forte, e ela voltou a encará-la.

- Agora você vai se recompor, vai se pentear, se vestir bem linda e nós vamos sair juntas daqui. Vamos descer até a sala, você vai ser a mulher foda e incrível que sabe ser, competente até as tampas, e vai encarar o que tiver que encarar – Fernanda continua, olhando bem no fundo de seus olhos – Eu vou estar o tempo inteiro ao seu lado, querida, mas sabe que é você quem precisa resolver isso. E vai solucionar tudo da melhor maneira, se esforçando para não sentir raiva da Bianca durante esse processo.

- Mas...

- A raiva te atrapalha a discernir as coisas, Bia.

- Mas, amor! Eu nem queria fazer nada disso hoje, poxa!

- Assim como você – Fernanda interrompe, não dando tempo para outras manifestações, balançando a cabeça de maneira negativa – ... ela também foi pega desprevenida com essa história, amor. E estou certa de que enfrenta enormes desafios por causa disso, porque ela não tem metade do seu jogo de cintura, não tem 1/3 da sua expertise. Já pensou?

- Azar o dela – Beatriz se ouviu dizer, levantando os ombros, deixando clara a sua opinião quanto àquilo.

- Bia – Fernanda chama, se controlando para não rir.

 

Achava que ela ficava muito bonitinha assim, desarmada, falando as coisas totalmente sem filtro, sendo ela mesma. Aquela era Beatriz, sem máscaras. Mas Fernanda entendia a seriedade de toda aquela situação, e por isso se manteve impassível diante do comentário. Se a noiva tinha papéis para desempenhar naquele drama, ela também tinha as suas responsabilidades ali, e faria o que precisava fazer.

Continuou olhando para ela, séria, com a expectativa de que a noiva dissesse algo. Funcionava, no consultório.

Beatriz vagava com os olhos pelo banheiro, não focando exatamente em nenhum ponto específico, e em dado momento a encarou, o choro mais uma vez se anunciando, a ponta do nariz já toda vermelha. Fungou antes de falar.

 

- É difícil não sentir raiva dela, quando o tempo inteiro eu tenho a sincera impressão de que a Bianca se diverte com tudo isso. Eu sinto que ela gosta.

- Como assim? – Fernanda pergunta, sentindo Beatriz tentando se soltar do seu abraço, ainda assim a mantendo ali à força. Não dava mais para fugir. De nada.

- Sei lá – ela finalmente para de forçar, cedendo. Muda o pé de apoio e escora o corpo na pia, às suas costas, se rendendo à Fernanda. Encostou a cabeça no ombro dela porque tinha coisa que era mais fácil de ser dita se ninguém a estivesse encarando – O tempo todo parece que vejo um brilho em seus olhos que quase me fazem acreditar que ela se diverte com o meu sofrimento! Ela parece se satisfazer em me ver mal. E isso me deixa ainda mais angustiada! E muito mais zangada!

- Pois então se desfaça logo dessa impressão. Não se deixe ser levada desse jeito por suposições, Bia – Fernanda abraça Beatriz, apoiando melhor sua cabeça no peito – Você sabe que trabalhar com suposições não é bom; porque pode ser isso que você está pensando, e pode ser completamente o oposto!

- Eu sei... Só estou te contando das minhas dificuldades. É difícil lembrar do que sei, vendo aquele deboche estampado o tempo inteiro.

 

Beatriz volta a encarar Fernanda, quando sente a mão dela em seu queixo, os dedos pressionando leve e gentilmente para cima, a fazendo erguer o rosto. Não queria ficar olhando muito para ela porque estava chorando. De novo.

 

- Eu entendo que é da sua vida que estamos falando, são suas questões íntimas e pessoais, mas tente se afastar um pouco dessa caixa de sapato, meu amor – Fernanda aconselha, parafraseando Arthur. Ao final, deu uma chacoalhada de leve na mulher, o que a fez tirar os olhos que já estavam lá embaixo, no chão, e ela voltou a encará-la – Você é uma psiquiatra maravilhosa, uma excelente analista da mente humana, as pessoas fazem fila para ouvir as suas palestras! Use o seu conhecimento ao seu favor, querida!

- Sim... – Beatriz balbucia.

 - Começa se livrando dessas suposições! Foda-se se ela se diverte – o comentário fez Beatriz dar um breve sorriso, enquanto uma lágrima silenciosa escorria pelo seu rosto – Encare a Bianca como sua cliente.

- É, eu preciso.

- Sim, precisa! Imagina só, não fazer as coisas que você tem que fazer porque a pessoa do outro lado não se comporta como você deseja. Chega até a ser absurdo!

 

Beatriz suspira fundo e sustenta, por alguns segundos, seus olhos nos de Fernanda. Desistiu de procurar por algo, quando não encontrou nada ali. Seguir por aquele caminho realmente não era sua melhor opção, a considerar que era capaz de jurar que Fernanda também se divertia com a sua aflição. Mas seu senso de julgamento poderia estar abalado, talvez a noiva só agisse de maneira esquisita em situações de conflito, como aquela, e seu sorriso era só amigável, não condescendente. Talvez o ar de ironia que via em Bianca também fosse só sua forma de encarar aquela situação toda. E se não fosse, como bem tinha dito Fernanda: foda-se, paciência.

Ainda assim, Beatriz se sentia no direito de estar brava, e ficava brava por isso! Que droga, parecia que era criança de novo!

 

- Essa é uma grande oportunidade para você desfazer todos esses imbróglios e iniciar novas linhas de pensamento – Fernanda prossegue, finalmente desvencilhando Beatriz de seus braços, caminhando devagar até o quarto, em direção ao guarda-roupa – É um momento decisivo, tanto para você quanto para a sua irmã – continua, do quarto, vendo Beatriz ainda parada no banheiro.

- Ah, Fernanda! Não força! Conheci essa menina ontem e já quer me impor a condição de irmã?

- Sim! Porque ela é sua irmã, Beatriz – Fernanda retruca, virando os olhos, dando a ela uma calça e uma camiseta. Ao menos o comentário a fez se mexer – E ela não é uma menina! Tem a mesma idade que eu.

- De que adianta, se pensa como uma menina de 12? – resmunga, sentando na cama e colocando a roupa para o lado.  

- Tenho certeza de que você pode auxiliá-la com isso. Você é foda, Bia!

- Detesto quando tem razão – ela reclama, de maneira quase inaudível.

- Eu sei! – Fernanda sorri.

 

Se aproximou da noiva e abriu sua toalha, sem muita cerimônia, a jogando para trás no colchão, sentando-se de frente para ela, com as pernas abertas, os dorsos bem encostados, com um sorriso provocante que Beatriz percebeu já em cima da hora. Nem reagiu quando se beijaram, apesar de ter sido pega completamente de surpresa.

Em vez de se opor, se permitiu apenas se afundar em Fernanda e no gosto doce que tinha sua boca, se perdendo dentro do seu beijo, se esquecendo brevemente de todos os seus tormentos.

Deslizou a mão por suas costas enquanto se beijavam, a pele tampada pelo tecido da camisa, abaixo do cabelo, que escorria em camadas acima de seus dedos. Conforme ela se mexia para beijá-la, um cheiro era liberado de dentro de sua roupa, típico; era o aroma de Fernanda, que exalava de sua pele e se firmava nas malhas de qualquer tecido de sorte. Beatriz gemeu porque gostava de senti-lo, e afundou o rosto no decote da mulher, depois de abrir dois botões, dando uma respirada bem profunda. Adorava encostar o nariz ali, no encontro entre os seios, aquele pedaço de sutiã sempre tão cheiroso!

Fernanda a forçou a se deitar, pesando com o corpo por cima do seu. Ficava sempre muito excitada quando apenas uma entre as duas ficava nua, e adorava quando era Beatriz a ficar despida assim. Se sentia sempre um pouco poderosa, ela soando toda passivinha naquela situação, e se afastou alguns centímetros para ver o corpo dela, nu, se contorcendo de vontades embaixo do seu.

Voltou a beijar sua boca, deslizou para o pescoço e mordiscou a orelha antes de lamber sua nuca, que ela ofereceu, apesar de arrepiá-la inteira, a fazendo soltar gemidinhos sem querer. Fernanda a segurou pelo pescoço com uma mão, a outra descendo até o seio esquerdo, aconchegando-o, antes dando uma leve apertadinha no mamilo, já rijo, aguardando aquele toque.

Desceu mais um pouco com a mão, bocas ainda unidas, e sentiu os pelos de Beatriz com a ponta dos dedos. Eram lisos, bem macios e cheiravam a sabonete. O toque fez Beatriz abrir as pernas, já molhada com aquelas carícias, e se esforçou para enfiar a mão dentro da calça de Fernanda, que permanecia fechada. Mesmo com movimentos contidos, conseguiu reproduzir exatamente o que Fernanda fazia com ela, parando eventualmente de se beijarem quando a respiração começou a ficar mais acelerada, entrecortada.

 

- Não para – Beatriz pede, um olhar suplicante, a boca entreaberta, deixando um gemido mais longo escapar. Gozou sentindo Fernanda se esfregar em sua mão, agora imóvel, porém ainda dentro de sua calcinha.

- Gostosa – ela diz, apoiando a boca em seu ombro antes de depositar um beijo ali.

 

Ficaram alguns minutos assim, poucos, quietas. Fernanda quis dar um tempo para Beatriz se recompor, de novo. Ao menos agora ela não estava chorando!

O silêncio foi interrompido pelo som do celular de uma das duas, ao receber uma mensagem.

 

- Será que é a sua mãe? Avisa que você não volta para casa hoje, fica comigo essa noite!

- Aposto que é a Samanta – Fernanda responde, sem abrir os olhos.

- Sua irmã vai me odiar daqui a pouco...

- Não se preocupa com isso, Bia. Minha irmã é grandinha, sabe que eu ia acabar me casando, uma hora ou outra. E ela gosta de você.

- Sei...

- Agora, vamos. Levanta e se veste, porque temos pendências a resolver.

- Não queria... – Beatriz reclama novamente, levando as mãos para o rosto, tampando os olhos.

- Amor, não encare tudo isso como algo ruim, como se uma tempestade! Imagine o contrário: pense que, em meio a uma tempestade, essa situação é como um raio de sol.

- Considera a Bianca, homofóbica da cabeça aos pés, um raio de sol?

- Sim, dependendo do ponto de vista! As pessoas são bizarras, ué, não me cabe julgar ninguém – ela se apressa em dizer, vendo a descrença no olhar de Beatriz.

- Até parece...

- Querendo ou não, Bia, ela ilumina o que estava escuro. E você nem sabia que eram pontos precisando de luz.

- Perfeito, novas formas de sentir raiva do meu pai... – Beatriz debocha, virando o corpo um pouco de lado, fugindo dos olhos de Fernanda.

- Bia... – Fernanda passa a mão pelas suas costas, fazendo a mulher dar uma empinadinha espontânea.

 

Beatriz sabia que estava encurralada; nada do que dissesse serviria para escapar daquela armadilha que se via presa. E não podia mais fugir; Bianca a aguardava logo ali, na sua sala. Só por isso, revira os olhos, mas não diz mais nada e veste a camiseta que Fernanda havia dado. Finalmente ia resolver aquela história.

Ela tinha detestado, desde o começo disso tudo, ter seu lado emocional comandando situações que seu racional sempre liderava e chefiava, muito bem. Mas pior que isso era quando sua parte pensante aplaudia seu coração, como agora.

 

- Não sei se saberia lidar com tudo isso se não tivesse você comigo! – Beatriz declara, abraçando-a novamente, pouco antes de deixarem o quarto.

- Saberia, sim. E afirmo isso me baseando em todas as outras situações inusitadas que você enfrentou sozinha – Fernanda responde, tirando com a ponta dos dedos alguns nós dos seus cabelos – Mas é um prazer estar com você, amor.

- Grata, querida!

 

As duas trocam um último beijo, rápido, cúmplice, antes de apagarem a luz e saírem. Deram as mãos assim que fecharam a porta do quarto.

 

 

 

 

Nome: Marta Andrade dos Santos (Assinado) · Data: 16/09/2021 12:26 · Para: Quarenta e cinco

Eita agora vai!



Resposta do autor:

 

Simmmm! 

Mas tava na hora, né!



Nome: Marta Andrade dos Santos (Assinado) · Data: 16/09/2021 12:26 · Para: Quarenta e cinco

Eita agora vai!



Nome: Hanna_caroll (Assinado) · Data: 16/09/2021 08:40 · Para: Quarenta e cinco

 É curioso como uma ótima narrativa pode nos despertar inúmeras sensações e reflexões.

 Fernanda se mostra um ponto de apoio de imensa importância neste momento tão difícil para Beatriz, o que nos faz pensar que mesmo um pessoa extremamente independente, tão dona de si, também possui inúmeras fragilidades, algo que a cada dia parece mais difícil de aceitarmos em nós mesmos.

 A forma como Fernanda "quebra" o escudo de Beatriz é tão delicada e ao mesmo tempo tão firme, muito sutil a mudança que vemos em ambas no decorrer dos fatos. Tenho muito carinho por esse casal e uma admiração ímpar por Beatriz, que permite ser desvendada e mesmo que doa, reconhece e acolhe aquilo que a incomoda, todos esses sentimentos novos que a tiram do eixo do racional.

 Ansiosa para o desenrolar dos acontecimentos, e mais ansiosa ainda para ver o que nossa maravilhosa Cícera irá nos mostrar. 

 Mais uma vez, obrigada pela bela leitura!

Um bem haja! Abraços.



Resposta do autor:

 

Gosto que minha narrativa desperte sensações e reflexões (tb em vc, pq em mim sempre provocou rs) <3

Adoro esses contrapontos da Beatriz. Amo o fato de ela ser tão centrada, e tb tão humana, tão autossuficiente, mas apenas uma menina tb, que cresceu. No fundo, acredito que esse livro seja sobre ela, não necessariamente sobre as duas Bias.

Fernanda tem a malícia pra quebrar esse escudo dela, é uma personagem perfeita, sem defeitos!rs

Cícera vai te surpreender! Assim espero!rs

Novamente agradeço pelo seu comentário, e por chegar até aqui! Vou tentar postar o mais breve possível!

Beijos! 



Nome: cris05 (Assinado) · Data: 16/09/2021 01:24 · Para: Quarenta e cinco

Adorei a surpresa, caribu! Grata, querida!

Cada vez admiro mais a Fernanda. Sou muito fã!

Meu BiaFe é uma delícia! Bia Beatriz agora vai super inspirada pra essa conversa. Bia Bianca que lute kkkk.

Capítulo perfeito, pra variar!

Beijos!



Resposta do autor:

 

Que bom que gostou da surpresa! Eu que agradeço, por vc ler! <3 

Sou fã da Fernanda tb! Resolve as coisas com conversa e sexo. Adoro! 

Bia Bianca que lute msm, que além de tudo é casada com macho rsrs Que o Fábio não me escute rsrs 

Gostei do capítulo tb! Coração já apertadinho com a proximidade com o fim! 

Mas é o ciclo da vida literária! A gente idealiza, escreve, edita e aí acaba!rs E começa tudo outra vez!

Hj comecei a rascunhar uma possível próxima história. Parei pq pareceu precoce (e senti que traía esses personagens tão queridos rs). 

Vamos ver oq nos aguarda! 

Beijos!

 

 



Nome: NovaAqui (Assinado) · Data: 16/09/2021 01:03 · Para: Quarenta e cinco

Depois que cuidamos da cria, jantamos, banho, cama, novela, celular, , e-mail e aquela mensagem linda:Lettera- uma favorita foi atualizada

Só se você postasse na madrugada. Aí só iria ver quanto estivesse de pé

Eu sempre vejo email 

 Lettera. Só perde para  Candy Crush saga! Carregou as 5 vidas? Vou jogar kkkk



Resposta do autor:

 

Hahahaha 

Adoro seus comentários!



Nome: NovaAqui (Assinado) · Data: 16/09/2021 00:55 · Para: Quarenta e cinco

Fiquei muito feliz com os capítulos!


Estou meio carente das minhas autoras favoritas! 


Um desabafo: sinto falta das autoras antigas. Da ansiedade pelas atualizações! De procurar um romance, achar e ler quantas vezes quiséssemos


Eu entendo os motivos:  outras plataformas surgiram, e-book, livros.  Muitas se vão. É compreensível! Evolução! Mas fica a saudade


Tenho alguns livros! Alguns eu já passei, outros ainda estão por aqui. Inclusive passei um que algumas pessoas procuravam muito: o famoso Mesa 27


Até o próximo


 



Resposta do autor:

 

É, esse capitalismo selvagem é foda! 

Eu msm já tirei dois livros daqui para vender em outro lugar. Em breve esse livro segue o msm fluxo. 

Entendo as autoras, entendo as leitoras... 

Beijos, até breve!



Nome: NovaAqui (Assinado) · Data: 16/09/2021 00:44 · Para: Quarenta e cinco

Que surpresa maravilhosa!

Menina! Que babado! Dois capítulos no mesmo dia? Uhuuu! Caribu! Caribu! Caribu!

Beatriz comeu o pão que o diabo amassou com esse pai! Que sem coração! Eu hein! 

Já deu uma gozadinha! Agora vá encarar sua irmã! Sem bico! Kkkk

Obrigada pelos capítulos

Uma boa noite para você!

Abraços fraternos! ????



Resposta do autor:

 

Hahaha 

Fernanda sempre agindo com muita sabedoria!rs 

Cê viu só? Dois num dia! Quero só ver como vou mimar vcs depois que esse livro acabar rs 

Eu que agradeço pela leitura! 

Beijos! 

 

P.S.: e eu tava bem pensando se vc veria que postei mais um, já que seu celular não notifica rsrs



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