Convide-0 (convide zero) por Solitudine


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BRASIL. 12/04/2020. HOSPITAL DAS EMERGÊNCIAS.GOIÂNIA. 13h31.

 

Sofia havia sido encaminhada novamente para a enfermaria e vinha sendo considerada pelos médicos como apta para a alta em pouco tempo.

 

--Dotôra, eu curei? – perguntou com voz cansada – Vou poder viver uma vida normal?

 

--A senhora já não corre mais perigo, porém infelizmente esse vírus pode lhe deixar sequelas nos pulmões. Ainda avaliamos. – esclarecia a paciente – Eu tenho pesquisado que exercícios cardiovasculares podem ser realizados pra melhorar a funcionalidade dos órgãos. – pausou brevemente – Seja como for, vamos orientá-la quanto ao que fazer depois da alta. Inclusive no que se refere aos cuidados que a senhora e as pessoas de sua família deverão adotar.

 

“Isso se alguém quiser vir me buscar...” – pensou com tristeza – “Talvez nem Safi, agora que sabe o que sinto por ela.”

 

***

--Homi, ocê num sabe! – Kalila entrava no quarto correndo empolgada – Sofia curou e vai levar alta daqui uns dia! – sorria

 

--Ô, Cristo Santo! – ajoelhou-se no chão emocionado e se benzeu – Inté que enfim notícia boa! – postou as mãos – Obrigado, Pai!

 

--Ô Glória Deus, Glória Deus! – Kalila também louvava

 

--Num aguentava mais só receber notícia ruim, inda mais depois do passamento de Armiro. – continuava com as mãos postas – Obrigado, Pai!

 

--Armiro fumava muito e talvez pur isso num resistiu, num sei. Deus o tenha! – benzeu-se -- Sofia se cuidava mais. – considerou – Graças a Deus, que notícia maravilhosa! -- sorria

 

--Humpf! Se cuidava fazendo programa... – levantou-se contrariado

 

Mudou a expressão do rosto. – Homi, é hora de comemorar e agradecer a Deus! – pôs as mãos na cintura – Num é hora de condenação, uai! – ralhou

 

--E como vai ser isso, hein, muié? – sentia-se desnorteado

 

--Vou pedir pro primo Juvenal ir buscar ela de carro. Num sempre vive me pedindo os trem? Intão vai ajudar! – decidiu – Ele num é do tal do grupo de risco e quando os dois chegar aqui eu oriento como que vai fazer cum roupa, sapato e os trem tudo!

 

--Num tava nem falando disso. – esfregou as mãos nervosamente – Digo... como é que vai ser agora que nós sabe que ela...

 

--Vai ser assim: ela finalmente vai ser a pessoa que é! – respondeu de pronto – Vai continuar labutando nos negócio da famia, vai continuar labutando na igreja se quiser, mas vai ser a muié que ela quiser ser. – olhava para o marido – E fim!

 

“Oh, meu Pai... será que eu tô preparado pra isso?” – pensava angustiado – E Yasirah, muié? Será que também cura? – sentia medo – Apesar dela e eu sempre viver se engalfinhando, num quero perder minha fia... – falou como um menino medroso – “Mesmo sendo sapatão...” – arrependia-se das coisas que havia lhe dito – “Se eu tivesse sido pai bom, quem sabe ela num gostasse de homi?” – inocentemente culpava-se

 

--Yasirah cura e como cura! – respondeu convicta – Tenho muita fé em Deus e nas minhas reza. – fez sinal para o homi – Simbora pra sala, mode rezar nus pé da Virgi.

 

--Vamo. -- concordou

 

***

Rute olhava para sua amiga mantida na UTI mediante ventilação mecânica. Trajava o aparato necessário e orava mentalmente pedindo a Deus que Yasirah tivesse ainda chances de sobreviver.

 

“Ela nunca foi uma pessoa ruim, pelo contrário, mas muito se perdeu entretida com o próprio ego ou se refugiando em aventuras amorosas para não assumir o verdadeiro Amor.” – pensava com pesar – “Como os seres humanos insistimos tanto em fazer, desperdiçou o recurso mais valioso que temos: tempo...” – suspirou – Você ficaria tão orgulhosa em ver o que nossos colegas e alunos estão fazendo... – falava sozinha – Você ficaria orgulhosa em ver como sua Mariah cresceu ainda mais! – derramou uma lágrima – Precisamos de você, Yasirah... Por favor, resista, lute e volte!

 

Em outro lugar da cidade, Mariah olhava sem ver para as ruas do bairro, encostada na janela do apartamento em que vivia. De manhã cedo havia orado fervorosamente por sua amada mas naquele momento pensava em lances fragmentados do relacionamento que viveram.

 

“-- Eu tenho medo... – falava como criança – Além do mais não quero estragar seu carro. – esfregava as mãos nervosamente sentada no banco do motorista

 

--Linda, olha pra mim. – pediu com carinho e ela olhou – Você sabe dirigir, só ficou traumatizada por causa do assalto, mas já é hora de superar isso. – acariciava o rosto dela – Essa parte da cidade é mais tranquila e eu vou estar aqui do seu lado acompanhando atenta. – sorriu – A gente vai superar isso juntas!

 

--E se eu arranhar seu carro? – perguntou preocupada – E se bater? E se a gente se machucar?

 

--Não vai acontecer nada disso. Começaremos devagarinho e você vai relembrando o jeito.

 

--Mas alguma coisa pode dar errado e o seguro nem cobrir! – continuava argumentando como criança teimosa

 

--Hum... nesse caso... – fingiu que pensava – Deixe ver, uai... – coçou a cabeça – Acho que se você, -- sorriu sensualmente para a namorada – fizer um strip tease bem gostoso pra mim, – alternava o olhar entre os olhos e lábios da outra – eu deixo passar esse prejuízo.

 

Achou graça. – Você só pensa nisso, né, sua professora safadinha? – segurou o rosto dela com as duas mãos e a beijou – Eu tô falando sério! – beijou-a novamente

 

--E eu idem, uai! – beijou-a também – Temos um acordo? – sorriu

 

--Faço um strip pra você de qualquer forma. – prometeu sensualmente

 

--Eita, Ave Maria! – ajeitou-se no banco do carro – Sabe que eu tô gostando dessa coisa de te botar pra dirigir de novo?

 

A jovem riu.

 

--Agora vai, minha linda! Confia e vai! – pôs uma das mãos sobre a coxa dela – Vou ficar segurando aqui pra dar força. – beijou-lhe o rosto – Eu confio em você!

 

“Quando ela me diz isso eu fico tão...” – pensou orgulhosa – “Vamos lá!”

 

Mariah respirou fundo, ajeitou-se toda, deu partida, segurou o volante com as duas mãos e foi.”

 

“Ela ficou doida com aquele strip tease...” – sorriu orgulhosa ao se lembrar – “E eu voltei a dirigir.”

 

“-- Mas o que...? – Mariah bisbilhotava as mensagens de zap no celular da namorada e se revoltava – Mas que diabo é isso aqui?? – pegou um travesseiro – Yasirah Faez, sua sem vergonha, pode ir se explicando!! – dava travesseiradas na outra

 

--Oxe! – acordou sobressaltada – Que é isso, uai? – protegia-se dos golpes – Tá doida, garota? – retrucou de cara feia

 

--Eu tô doida sim, mas é de raiva! – jogou o travesseiro em cima dela e chacoalhou o celular da outra – Que sacanagem é essa? – mostrava o visor do aparelho

 

--Você tá fuçando meu celular?! – sentou-se na cama rapidamente

 

--Quem fuça é porco! – jogou outro travesseiro em cima da outra – Eu tô é vasculhando essa pouca vergonha aqui e quero explicações! – exigia

 

A professora passou a mão nos cabelos e deu um suspiro profundo.

 

--Você tem uma verdadeira rede das sacanagens nesse teu zap! – acusava – É mulher de toda parte do Brasil e do mundo! – continuava chacoalhando o aparelho

 

--Então quer dizer que tirando você e minha família eu não posso me comunicar com mais ninguém no zap? – cruzou os braços contrariada

 

--Não é com quem, meu bem, mas o como! – argumentou – Quem é essa inglesa que dia desses “lembrou-se das loucuras sob os céus de Oxford”?? – perguntou inquisidora – Sei ler em inglês muito bem! E se prepara que tô estudando francês e você sabe disso! – ameaçou

 

“Ô, Pai santo...” – pensou encurralada – É uma colega da universidade de lá. – respondeu sem graça – A gente já teve uma história. – assumiu – Mas eu não tava contigo e hoje ela sabe que tenho namorada. – observou que Mariah continuava bisbilhotando o celular

 

--Hoje ela sabe mas de vez em quando dá uma saudade, né? – retrucou de imediato – E essa loura sem sal? – mostrou a imagem – Não entendo alemão mas tem coração e boneco mandando beijo demais aqui!

 

--É só o jeito dela!

 

--Ah, é, o povo alemão é conhecido por essa fofura toda! – ironizou – Tem mulher demais aqui te mandando beijinho, coraçãozinho, bichinho piscando, pulando... – comentou revoltada – E essa tal de Coelhinha da Pós? – mostrou – Toda fazendo caras e bocas na foto de perfil!

 

Riu gostosamente ao se deitar.

 

--Posso saber qual é a graça? – perguntou revoltada

 

--Garota! – levantou-se – Às vezes teu ciúme te faz perder a noção! – respondeu olhando para a outra – Lê direito! – apontou para o celular – É Coelinha da Pós. Coelinha, que vem de Coeli, Regina Coeli! – balançou a cabeça indignada – É o apelido dela. E se quer saber, é a mulher mais tomba homem que já conheci na vida! – riu novamente

 

--Hum. – não deu o braço a torcer – E essa daqui de Natal? – mostrou – Falando toda animada que não vê a hora de ver você e os “brinquedinhos”! – repetiu debochada – Vai querer usar a cinta com ela e mais o que? – perguntou desaforada – A bisca tem nem foto, é uma passarinha arreganhada! – olhou para o visor

 

Yasirah respirou fundo, pôs as mãos na cintura e argumentou seriamente: -- É uma pomba branca da paz. – pausou por segundos – E essa senhora é alguém que conheci há anos atrás quando estive aqui num congresso. Ela trabalhou no evento como copeira. – explicava – É uma senhora evangélica ótima que frequenta uma igreja séria que faz diversos trabalhos com os pobres da cidade. Os brinquedinhos que ela menciona, são os brinquedos nada sexuais que planejei da gente comprar amanhã e levar pra um orfanato que eles estão cuidando agora. – esclareceu – Satisfeita? – perguntou chateada

 

Mariah ficou muito envergonhada e corou. – Por que não me contou nada? – perguntou em voz mais baixa

 

--Porque era uma surpresa. – andou até a janela – Eu não sou de me envolver nessas coisas, mas como você adora ajudar orfanatos, asilos e etc pensei que também seria um programa legal nessa nossa viagem. – olhava para fora – Achei que ficaria orgulhosa de mim...

 

--Own, amor! – jogou o celular na cama, foi até ela e abraçou-a por trás – É claro que tenho orgulho de você! – beijou-lhe as costas – Tenho muito! – abraçou-a com força – E é claro que eu quero ir comprar os presentinhos das crianças e entregar no orfanato! Mas também tenho ciúmes e muito medo de te perder. Medo de que você mantenha essa mulherada toda na rede pra cair na cama de alguma logo que algo dê errado entre nós!

 

--Humpf! – fez um bico – E quem é que sempre termina? Sou eu? – perguntou sem se virar

 

--Sem motivo é que não termino e você sabe! – argumentou dengosamente – E a senhora ainda não me explicou qual é a daquela mulherada fogueteira no seu zap!

 

Desvencilhou-se da namorada e respondeu de cara feia. – Eu vou pra cama com cada uma me alternando conforme a agenda permite! Às vezes pego até duas ao mesmo tempo pra otimizar o esforço. – respondeu ironicamente – Satisfeita? – seguiu para o banheiro

 

Mariah ficou parada sem saber o que fazer.”

 

“Como me arrependo de ter sido tão infantil!” – recriminava-se mentalmente – “Como me arrependo de por tantas vezes ter terminado o namoro. A gente poderia ter tentado resolver de outras formas...” – arrependia-se

 

“Yasirah estava sentada na cama nitidamente entristecida. Mariah chegava da rua trazendo alguns mantimentos.

 

--Amor, cheguei. – fechou a porta – Comprei pão sírio, queijo branco, suco... – deixou a bolsa na mesa da cozinha – Vou guardar o suco e o queijo na geladeira e deixo o pão dentro do forno, tá? – fazia o que havia dito – Tá quentinho!

 

--Tá bom. – respondeu sem ânimo

 

Mariah estranhou e correu para o quarto. – O que foi, amor? – perguntou sem entender – Por que tá tão triste sentadinha aí?

 

--Você acha que sou uma pessoa ruim? – perguntou que nem criança

 

--Claro que não! – foi até ela e a beijou nos lábios – Quem disse isso?

 

--Mas eu sou metida, sei que sou! – retrucou envergonhada

 

Pegou um travesseiro e colocou atrás das costas ao se sentar na cama. – Vem aqui, vem? – estendeu os braços – Te dou um colo!

 

A morena obedeceu e se deitou no colo da outra como uma garotinha.

 

--Vejo você tratando da mesma maneira desde aquele povo mais poderoso que conhece até os mais humildes. Sua diarista, por exemplo? Ela te adora! – beijou a cabeça da outra – Você não é metida, é segura de si, imponente, decidida! – fazia um cafuné – E também se for metida tem moral pra isso! – beijou-lhe a cabeça novamente

 

--Você acha que sou uma egoísta que não vale nada?

 

--Não mesmo! – respondeu com veemência – Quem te disse isso? Não me diga que nesse meio tempo em que saí seu pai e você discutiram por telefone? – a morena não respondeu – Eu não quero saber de você acreditando nessas conversas! – beijou várias vezes a cabeça da professora – Você vale muito pra mim e pra um monte gente!

 

--E tem um monte de gente do meu meio que não gosta de mim... – retrucou que nem criança

 

--Os invejosos! – fez cara feia – No seu meio tem muita gente invejosa que não aceita ver como você se destaca sempre! – fazia cafuné – Mas quando o calo aperta e a coisa fica feia, vêm sempre atrás de você pedir arrego! E seus alunos te adoram! – ninava a morena como a um bebê – Tem uma ex aluna que te ama imensamente. – sussurrou no ouvido

 

--Você diz isso tudo porque é verdade ou só pra eu me sentir melhor? – perguntou insegura

 

--Digo porque você é o maior presente que a vida me ofereceu. – respondeu com muito carinho – E eu não minto pra você, viu? É pecado mentir pra professora. – brincou

 

A morena sorriu e fechou os olhos se sentindo acolhida.”

 

--Meu bebê, que saudades... – suspirou – Minha professora safadinha... -- sorriu

 

“-- Sabe ao que corresponde este ponto? – massageava perto da base do dedão do pé da namorada – Pescoço.

 

--Meu pescoço anda mesmo castigado. – sentia uma dorzinha com a massagem

 

Yasirah estava de camisola e ajoelhada diante da jovem, que também usava uma camisola e estava deitada de barriga para cima. Massageava um dos pés dela, enquanto o outro roçava delicadamente em seu tórax.

 

--Cada ponto em nossos pés, mãos e orelhas tem uma correspondência com pontos em nossos corpos. – explicava – Aqui é o seu plexo solar. – apertava bem no meio do pé – E essa linha aqui corresponde à coluna vertebral. – com a outra mão apertava desde a beirada do calcanhar até a lateral do dedão. – gosto de massagear os dois ao mesmo tempo.

 

--Gostoso... – fechou os olhos – Você é muito foda, Yasí... – sorria – Tô adorando isso.

 

--É mesmo? – pegou o outro pé da namorada e o beijou – Ainda nem comecei de fato... – mordeu suavemente

 

--Hum... – continuava com os olhos fechados

 

Yasirah colocou o outro pé apoiado em seu ombro e deslizou o polegar com força contra a batata da perna da jovem. Em seguida beijou cada ponto do caminho que o dedo havia feito.

 

--Ai! – estremeceu e sorriu – Isso doeu, tá? – reclamou dengosa

 

--É pra soltar. – fez a mesma coisa com a outra perna

 

Levantou os braços por cima da cabeça e respondeu com os olhos ainda fechados: -- Eu tô sempre toda solta pra você...

 

--Bom saber... – seguia beijando uma das coxas – Bom saber... – deslizou uma das mãos por dentro da camisola e apertou um dos seios

 

--Ai... – gemeu

 

Antes de chegar no sexo da parceira Yasirah tirou sua própria camisola e enfiou-se rapidamente por baixo da camisola da outra. – Sem calcinha... – beijou suavemente o sexo da jovem

 

--Ai! – riu brevemente – Tava pronta pra você...

 

A professora segurou a jovem pela cintura com uma das mãos e introduziu um dedo enquanto lábios e língua estimulavam partes sensíveis do sexo da amada.

 

--Ai, amor... – gemeu – Nossa, você... – agarrou-se aos lençóis

 

A morena pressionava dentro da outra com se buscasse pontos específicos para estimular. Lábios e línguas continuavam seu trabalho de firme pressão e exploração, enquanto que a outra mão mantinha a cintura da jovem com segurança, guiando os movimentos daquela parte do seu corpo.

 

--Ah!! Ah, amor, meu Deus!! – gemia alto – Ah!!

 

Yasirah continuou com sua prazerosa exploração até que percebeu que a parceira atingiria o clímax. Nesse momento, intensificou os movimentos deixando Mariah completamente enlouquecida.

 

--Ah, ah, ah, ah, AH!!! – gemeu bem alto e gozou

 

--Isso, linda... – seguia beijando o abdômen da outra sem deixar de estimulá-la com o dedo – Isso...

 

Ao perceber que o corpo da jovem acalmava em seus movimentos, retirou o dedo e deteve sua atenção em um dos seios.

 

--Ai... – respirava com sofreguidão – O que foi isso...? – perguntou lentamente ao levar uma das mãos à cabeça – Ai... – continuava de olhos fechados

 

--Isso é... prazer... – respondeu enquanto voltou sua atenção ao outro seio

 

Achou graça. – Cê ama os meus seios, né? – perguntou languidamente ao abrir os olhos

 

--Uhum... – respondeu sem interromper o que fazia

 

--Cê vai ficar aí dentro da minha camisola me fazendo enlouquecer, é isso? – novamente deitou os braços acima da cabeça

 

--Tá gostoso... – seguiu beijando o pescoço da outra – Bem coladinho... – mordiscou a orelha – Apertadinho... – sussurrou no ouvido antes de morder-lhe o pescoço – Adoro assim...

 

--Ai... – gemeu satisfeita ao sentir o corpo da outra pesando contra o seu – E eu sou apertadinha o suficiente pra você, meu tesão? – perguntou maliciosamente

 

--É perfeita... – sussurrou no ouvido de novo – Perfeita...

 

Segurou o rosto da outra com as duas mãos e a beijou nos lábios. – Amei o que fez comigo... – deslizou um dedo pela sobrancelha da namorada

 

--Acho que agora aprendi mesmo como você funciona. – mordeu-lhe o queixo

 

Riu brevemente. – Amor, você sabe desde a primeira vez... – sorria – Já esqueceu?

 

--Mas agora eu pesquisei melhor, -- beijou-a – com mais calma. – beijou-a novamente – Agora realmente sei. – sorriu

 

--Então me ensina a pesquisar em você porque eu quero te enlouquecer igual você fez comigo. – envolveu o pescoço dela com os braços – Nem pensar em dar mole pra vir outra e te tirar de mim porque sabe dar mais prazer que eu. – beijou-a demoradamente

 

--Você não me prende pelo sexo... – beijou-a – Mas pela alma. – beijaram-se novamente”

 

--Volta pra mim, amor! – derramou uma lágrima – Eu aguento quarentena, trabalho maciço, ficar sem dinheiro, sem comida, o que for! Mas essa espera longe de você é o que tá acabando comigo... – falava sozinha – A possibilidade de te perder... – fechou os olhos – Por favor, Deus, cura minha Yasí, por favor! – implorava – Eu prometo que nunca mais vou insistir nos mesmos erros e tenho certeza de que nem ela vai! – começou a chorar – Salva o amor da minha vida, por favor!

 

***

Yasirah acompanhava a movimentação frenética no hospital e se surpreendia com o que podia ver fora do corpo. Médicos encarnados e desencarnados, pessoas perturbadas, espíritos iluminados e formações astrais pegajosas que se espalhavam como líquido derramado mas que jorros de Luz, vez por outra, queimavam como por encanto.

 

“Será que morri e perambulo no hospital? Ou será que é a vida na dimensão paralela que muitos dizem que conheceram quando estavam de coma?” – pensava intrigada

 

--Eu diria que é mais para a segunda opção. – uma voz delicada respondeu

 

A morena olhou na direção de voz e deu de cara com uma mulher negra, a qual ela não conhecia. Vestia-se como uma profissional de saúde. – E quem é você, me perdoe perguntar? – estava desconfiada – Não creio que seja encarnada. – reparava na outra – “Sabia até o que eu tava pensando!” – pensou intrigada

 

--Não sou mesmo. – respondeu tranquilamente – Parti da Terra por ocasião da gripe animária, ou N1H1, como preferir. Coisa de dez anos atrás. – tirou um tubinho do bolso – Agora aproveito dos conhecimentos que adquiri deste lado de cá pra ajudar vocês, do lado de lá. – sorria

 

“Ah, então eu não desencarnei!” – pensou aliviada – E por que tudo isso? Essa doença que chegou assim do nada e tem matado tanta gente?

 

--Não foi uma praga enviada por Deus, com toda certeza. – injetou uma seringa no tubinho e aspirou o conteúdo com ela – O vírus, assim como todo miasma causador de doenças, é antes de mais nada plasmado no mundo imaterial. A psicosfera da Terra anda péssima! – aproximou-se da morena – E os pensamentos atuais dos encarnados não ajudam muito. Sinceramente, fico pasma com a onda de ódio que varre o Brasil e como certos grupos em todas as religiões colaboram com isso. – olhou para a outra – Até no meio dos espíritas. – indicou um banquinho -- Sente-se ali, por favor.

 

Yasirah obedeceu desconfiada. – Vai me dar uma injeção? – não entendia – Tem disso no plano astral??

 

--A vida na Terra é um pálido rascunho do que se passa do lado de cá, amiga. – esfregou um algodão no braço da morena – E veja este remédio como um presente. – aplicou a injeção

 

“Mão leve, nem sinto nada!” – pensou surpreendida – Nós vamos sair dessa? – perguntou preocupada – Vamos vencer essa praga que nós mesmos plasmamos?

 

--Informação, colaboração, Fé, Esperança e Amor. – esfregou outro algodão no braço da outra – Este é o receituário da vitória! – sorriu novamente – Muita coisa ainda virá; 2019 por si só foi um ano de grandes protestos e convulsões sociais ao redor do planeta. – lembrava -- A infeliz ordem mundial que a humanidade estabeleceu por louvar ao “deus dinheiro” será cada vez mais perturbada, até que a verdadeira Ordem se imponha inexorável sobre todos nós. – afastava-se da morena

 

--E eu vou voltar? – perguntou esperançosa – Terei mais uma chance? – observava a outra se distanciar

 

--Não temas, crê somente! – recitou um dos versículos de Marcos – À propósito, seus avós pediram pra dizer que nunca em momento algum sentiram vergonha de você. Mesmo com quaisquer erros que tenha cometido. – falava dentro da mente da morena – Não deixou de ser o orgulho deles!

 

Yasirah se emocionou e as imagens e sons tornaram-se confusos em sua mente.

 

 

BRASIL. 21/04/2020. EDIFÍCIO MARIE-SOPHIE GERMAIN.SÃO PAULO. 16h54.

 

A porta do apartamento de Yasirah se abria.

 

--Agora todo mundo tirando os sapatos. – Paula ordenava bem humorada – Ô, fessora, onde é que cê guarda os chinelos mesmo? – olhou para a amiga – Mariah e eu vamos ficar descalças mas não a senhora.

 

--Na área contígua à cozinha, num móvel perto do tanque. – respondeu com voz fraca

 

--Fica de olho nela aí. – piscou para Mariah antes de se retirar

 

--Eu acho esse negócio de usar bengala um trem muito do sem base! – a professora reclamava – Pra que isso? Posso me firmar sobre meus próprios pés!

 

--Own, minha pirracentinha! – a engenheira controlava-se para não beijá-la – Você ainda tá fraca e tem que se poupar. Logo vai abrir mão disso! – estava imensamente feliz

 

--Pronto. – Paula colocou os chinelos perto dos pés da amiga – Calça e vai indo pro banheiro tomar banho. A roupa que tirar vai ser tratada à parte. Onde tem saco de lixo aqui?

 

--No mesmo lugar onde pegou o chinelo, só que no armário grande. Terceira prateleira de baixo pra cima. – caminhava para o banheiro lentamente – Por que tenho que continuar usando máscara, hein? – reclamou – Vocês tiraram!

 

--Eu não conhecia esse teu lado reclamão! – a personal brincava com a outra – E vai usar máscara enquanto for necessário, sim senhora! Ainda mais se é máscara do meu ateliê! – brincou e foi pegar o saco de lixo

 

--Te acompanho, amor. – Mariah respondeu delicada para a namorada – Sem pressa.

 

--Você vai me ver tirando a roupa? – perguntou envergonhada

 

Achou graça. – Amor, até parece que não conheço cada detalhe desse corpo gostoso. – respondeu mais baixo – Vou te ajudar porque temos os cuidados a tomar. – seguia a morena – Vergonha a essa altura do campeonato não dá! Além do mais, -- reparou se Paula estava próxima – vergonha é uma coisa que a senhora nunca teve! – brincou

 

--Emagreci. – respondeu constrangida – Tô pelancuda e esquisita...

 

--Hum, bebê, tá do jeito que sempre foi! – interrompeu a amada – E se soubesse como tô morrendo de felicidade em ter você de volta não perdia tempo com essas vergonhas bobas! – chegaram no banheiro – Agora vamos tirar essa roupinha. – pediu com delicadeza – Vou cuidar de você.

 

--E nada de trepar nesse banheiro, hein, gente? – Paula advertiu em voz alta – Ainda não pode! Trepa depois, bem depois!

 

--Fala se não é pra matar essa criatura? – Yasirah se revoltou porque a personal falou muito alto

 

Mariah riu divertida com a situação.

 

***

Mariah contava as novidades para Yasirah, que nebulizava sentada na cama.

 

--A sua mãe não sabe o que é isso, mas que pelo que pude entender, sua prima Sofia agora é um homem trans. – estava sentada do outro lado da cama – Ela tá de cabelo curto, continua trabalhando no que sempre trabalhou mas não vive mais na igreja porque algumas pessoas não aceitaram essa mudança. – contava – Faz exercícios respiratórios e tem ido bem, graças a Deus.

 

“Não consigo sequer imaginar isso!” – pensava na imagem que Sofia cultivou ao longo da vida

 

--Sua prima Safira e o filho também vão bem, apesar da tristeza da morte do Armiro. Ela tem sido um verdadeiro veículo de comunicação local, orientando as pessoas e ensinando como se prevenir. É uma grande defensora da quarentena.

 

“Pobre Armiro. Era um sujeito legal. Gostava dele. Que Deus o abençoe e ele esteja bem na Espiritualidade.” – pensava

 

--E graças a Deus ninguém mais manifestou sintomas na fazenda. Eles têm seguido as orientações, cumprem a quarentena e fecharam o comércio temporariamente. Seus irmãos e cunhadas fizeram uma mega limpeza no material recebido, estocaram os não perecíveis e dividiram os perecíveis entre si e com pessoas da região. – continuava narrando – Aliás, seu irmão mais novo terminou com a namorada e tá vivendo com Rebeca e o filho deles. E lá na fazenda.

 

A morena balançava a cabeça satisfeita.

 

--E Acran mandou dizer que já vinha se mantendo longe do álcool desde aquela vídeo conferência que vocês fizeram, mas que fez uma promessa pra nunca mais beber se você curasse. – sorria – Parece que ele encontrou uma versão do Alcoólatras Anônimos na internet e se inscreveu. Também tem ouvido a missa pelo rádio.

 

Gostou muito do que ouviu.

 

--Quanto aos seus pais, eles falarão com você pela vídeo hoje à noite. – olhava para a outra com carinho – Tão numa felicidade só!

 

“Mal posso esperar!” – pensou empolgada

 

--Rute virou uma espécie de celebridade. E por mais que ela fuja da imprensa, vira e mexe querem saber o que ela pensa e aí, amor, só você vendo! Manda cada real que eu simplesmente AMO! – gesticulava

 

“Nada que me surpreenda! Rute é incrível!” – admirava muito a amiga

 

--Depois te conto os detalhes do trabalho que temos feito e você vai ficar orgulhosa! – exclamou empolgada – Já conseguimos pequenos grandes avanços importantes nessa batalha contra a doença! – olhava para a amada – Dona Ângela e família vão bem e mandou dizer que vai fazer um grande louvor hoje em homenagem a sua cura, embora eu não entenda muito bem o que isso significa. Sobre Paula você já sabe porque ela mesma contou. – sorria – Aquele marido dela, teu amigo, hein? Que mosca morta! -- gesticulava -- Dá uns toques naquele cara, porque senão um dia Paula se estressa e dá-lhe um pontapé no rabo!

 

“Aí depois vem brigar comigo mandando não trepar!” – revirou os olhos – “Bicha doida!” – acabou achando graça

 

--E é isso! – terminou a narrativa – No mais, o governo é aquilo de sempre: micos e mais micos pro mundo todo ver e tomar providências cabíveis pra lutar contra a crise, nada... – fez um bico

 

--Mas fale de você! – tirou o nebulizador do rosto – Quero que me conte...

 

--Trate de colocar o inalador no lugar, senão eu não digo! Ai, ai, ai! – ralhou de cara feia

 

Achou graça e obedeceu. “Mariah agora pensa que é minha maama!” – riu brevemente – “Tem que rir.”

 

--Meus pais estão bem e fazendo horas e horas de meditação na chácara. Mamãe tá até escrevendo um livro de auto ajuda. – achou graça – Minha irmã tá na casa dela e tá bem. Trabalha cuidando da parte financeira da loja e pode usar o teletrabalho. O namorado idem, mas acho que aquela relação vai dar ruim. – falava da família -- Eu não manifestei qualquer sintoma, graças a Deus. – pegou uma mecha de cabelo e ficou brincando – Sofri muito com a morte da Cris depois que a ficha caiu, aí juntava com a preocupação com você e nossa! Trabalhei muito pra manter a mente ocupada e orei o quanto pude também. – contava – Resolvi a situação das coisas da Cris com a família dela e negociei uma redução de aluguel com a imobiliária até o final do contrato, que vence no dia vinte e nove de maio. – suspirou – E ainda não providenciei meu novo endereço; é isso.

 

--Vem viver comigo aqui. – removeu a máscara novamente – Até meu contrato de aluguel acabar no ano que vem. – reposicionou o inalador

 

Sentiu o coração acelerar e sorriu. – Ah... – não sabia o que dizer – Tudo bem, eu fico aqui pra cuidar de você e depois dou um jeito na minha vida e...

 

--E vai passar o resto dela comigo! – afirmou com firmeza ao remover a máscara pela terceira vez – Eu quero comprar um lugar pra gente morar e é pra lá que a gente vai quando eu devolver esse apartamento aqui.

 

--Volta a nebulizar, tá legal? – pediu emocionada – “Eu não acredito! Ela tá me pedindo em casamento?” – pensava desorientada

 

Não obedeceu. – Nem que eu leve mais de 30 anos pagando, mas quero comprar um lugar só pra nós. – continuava a falar – Sei que não é o jeito mais romântico de fazer um pedido desses, mas... – criava coragem – Casa comigo, amor da minha vida? – sorriu emocionada

 

--Volta a nebulizar, por favor? – colocou uma das mãos sobre o peito. Estava muito emocionada – Por favor? – insistiu

 

--Responde! – teimava com um sorriso no rosto

 

--É claro que sim, meu amor, eu desejo, eu sonho com isso há anos!! – aceitou com os olhos marejados – Agora me obedece porque senão eu te deixo de castigo quando a gente puder fazer uma lua de mel! – ameaçou bem humorada

 

--Não te pedi em casamento porque preciso de enfermeira, mas porque te amo e nunca mais vou ser uma idiota de novo! Eu aprendi. – voltou a nebulizar

 

--Juro que quando eu puder te beijar, vou te cobrir de beijos, meu amor! – controlava-se para não chorar

 

“E eu vou fazer muito mais que isso!” – pensou com malícia

 

Levantou-se da cama agitada. – Eu vou ter que providenciar mudança e ainda assim respeitar toda a profilaxia que o momento exige... – andava de um lado a outro pelo quarto – Nossa, eu tô tão nervosa! – riu rapidamente – Acho que vou começar a cuidar disso a partir de...

 

--HOJE! – falou por baixo da máscara

 

--Hoje? – sentia-se feliz – Nossa! – passou a mão nos cabelos

 

“Já perdi tempo demais e não quero esperar mais nada! Não é a mudança dela que vai colocar qualquer um em risco!” – pensava – “E de mais a mais, daqui a pouco ela teria que entregar o apartamento e a mudança aconteceria de uma forma ou de outra. Tô apenas antecipando o inevitável.” – olhava para a engenheira com carinho – “Quero casar com ela, quero ela aqui comigo e fim!” – decidiu

 

--Amor, e quanto a sua família...? – perguntou receosa – Vai falar sobre isso com eles na vídeo de hoje ou acha que deve esperar mais?

 

--HOJE! – repetiu por baixo da máscara

 

Mariah sentia-se nas nuvens.

 

***

Uma semana depois, Yasirah e Rute conversavam ao telefone. Mariah teve que se ausentar para resolver uma questão da mudança.

 

--Não tenha preocupação. Tá tudo bem comigo, tenho trabalhado muito mas me cuido bastante e não negligencio minha saúde espiritual. Meu marido e filho passam bem, pena que morro de saudade dos homens da minha vida. – sorria – E quanto à Mariah fique calma. Ela sabe exatamente os cuidados que tem que tomar e voltará pra casa sã e salva. -- buscava tranquilizar a amiga

 

Balançou a cabeça positivamente. – Oro por você e seus colegas todos os dias! E lá na fazenda também. Maama me garantiu.

 

--Obrigada, querida, fico feliz em saber.

 

--Seu fã clube é imenso! Especialmente agora que virou celebridade. – brincou

 

--Ai, pare com isso. – achou graça – Mas deixa eu fazer a pergunta que não quer calar: Yasirah Faez vai finalmente se aquietar e casar? Parou essa coisa de vida de mercadora errante? – perguntou bem humorada

 

--Até a família já sabe! – confirmou – Baba ficou meio abobalhado, mas maama deu a bênção e tudo mais.

 

--Maravilha! Fico feliz em saber!

 

--Rute, mas tenho que te dizer. – andou um pouco pela sala – Ainda não contei pra Mariah que por minha causa a pobre Fabiana sofreu tanto e morreu! – sentiu vontade de chorar – É o maior arrependimento e a maior vergonha que sinto na vida! – pausou brevemente – Será que ela vai mudar de ideia quando souber disso?

 

--Meu Deus, mulher, pare com isso! – pediu pausadamente – Você não sabia que tava infectada, não fez nenhum mal à Fabiana e não é responsável pela morte dela, assim como Stela não é responsável por tudo que você sofreu! – tentava fazê-la entender – São as coisas que acontecem na vida, consequências das decisões que tomamos. Pelo amor Deus, pare de se culpar. E justo agora que finalmente começa a pôr a vida toda nos eixos!

 

--Isso me dói muito! – confessou

 

--Converse com Mariah e tenho certeza de que ela não só não desistirá de se casar contigo como me dará razão! E ao invés de alimentar culpas, ore por Fabiana que é muito melhor!

 

--Não sabe o quanto oro por ela. E quantas vezes já pedi perdão! Oro por Stela e o irmão também.

 

--E Fabiana não lhe guarda rancor, me atrevo em dizer. – respondeu de pronto – Oramos sempre por ela, assim como por Stela, Piero, doutora Ming Ting e tantos outros. Vou pedir para os irmãos do centro orarem pra que você deixe essa culpa de lado.

 

--Obrigada, querida, muito obrigada! – pausou brevemente -- Falando no centro, -- sentou-se no sofá – quando essa coisa toda passar, eu... – mexia numa almofada – Acho que vou começar a frequentar algumas vezes.

 

Rute sorriu satisfeita.

 

--E dentro em breve, me espere! Vou me unir a vocês no trabalho e me dedicar com força total! – prometeu – Quanto o inverno chegar, já teremos nossas conquistas pra encarar o pico do vírus! E apesar de todos os absurdos desse governo, ao menos o que a gente puder fazer, será feito!

 

--Se Deus quiser, minha amiga! Se Deus quiser!

 

 

BRASIL. 01/05/2020. FAZENDA SAHHA.GOIÁS. 15h10.

 

--Ói, terminei mais uma! – Sofia colocava uma nova máscara dentro de um saquinho plástico

 

--Ocê é muito ligeira com as costura, muié! – Safira comentou enquanto ainda costurava uma das máscaras que preparavam – Eu tô na quinta e ocê já fez o que? Umas dez?

 

--Agora tô indo pra décima primeira! – sorriu enquanto separava o material para fazer mais uma

 

--Sempre soube que era boa de costura mas nunca me atinei pra tamanha eficiênça! – brincou

 

--Ocê nunca prestou atenção em mim, é pur isso. – respondeu com um certa tristeza – Mas sempre costurei ligeira... Aquelas roupa de biata era tudo eu que fazia, inté os lenço. Só as luva era comprada.

 

Safira ficou um pouco sem graça mas respondeu depois de uns segundos calada: -- Tudo tem mudado tanto, num é? Isso vai mudar também. – falava com delicadeza – Agora eu quero ter amizade cum ocê como nunca tivemo.

 

--Eu também quero, muié! – olhou para ela

 

--Tia Sofia! – o filho de Safira se aproximava – Ói o tanto de pano que eu trouxe! – o menino chegava empolgado trazendo um rolo de tecido envolvido em plástico debaixo do braço

 

--Menino! – arregalou os olhos e largou tudo em cima da mesa – Pegou isso onde? Cum quem? Cadê tua máscara? – levantou-se preocupada

 

--Meu fio, já num disse pra num fazer essas coisa sem falar comigo antes? – Safira também se levantou e pôs as mãos na cintura

 

--Mas eu só queria ajudar... – respondeu decepcionado ao colocar o rolo de pé sobre o chão

 

--E ocê ajuda muito, mas num quero saber de menino doente! – Sofia respondeu de pronto – Vem comigo, vamo se lavá! – foi seguindo com ele para o banheiro – Na volta eu pego aquele rolo que ocê trouxe e desinfeto o trem. – olhou rapidamente para Safira – Num encosta nesse rolo! Eu dou jeito nisso. – sumiram das vistas da outra

 

--Sofia tem um cuidado cum meu menino... E ele agora inté que gosta dela. – sorriu satisfeita e novamente se sentou – “Sabe que ela ficou tão diferente depois dessa doença? Cabelinho cortado, outras roupa, outros modos...” – novamente começou a costurar a máscara – “Nunca nem tinha reparado naquelas mãos tão ágeis, tão prendadas... Deve de saber fazer cada coisa...” – pensou sem nem saber porque – Ô, muié, eu hein? – arregalou os olhos -- Perservera! – recriminou-se falando consigo mesma – Persevera na fé, perservera na fé porque ocê já num é de certos gosto! E é viúva! -- ajeitou-se na cadeira – Aleluia!

 

 

BRASIL. 13/05/2020. EDIFÍCIO MARIE-SOPHIE GERMAIN.SÃO PAULO. 21h02.

 

--Ai, nem acredito! – Mariah saía do banho aliviada – Depois de tanta mão de obra, finalmente a mudança foi concluída e tá tudo arrumadinho em seus devidos lugares!

 

--A única coisa que não gostei foi de ter ficado de expectadora na maior parte do tempo! – Yasirah seguia a amada que foi estender a toalha de banho – Essa vida de pomba lesa é muito chata! – resmungou

 

--Own, meu amor... – aproximou-se dela – Você ainda tá se recuperando, meu bem. Não pode ficar fazendo esforço, pegando poeira... – falava com carinho – Depois volta ao normal. – sorria – Além do mais a senhora não foi nada lesa, porque me fez uma comidinha tão gostosa... – morria de vontade de beijá-la

 

--Era o mínimo! – respondeu de imediato – Olha como essa luz da sala tá fuleira e eu nem posso trocar! – agitou-se pela sala – E pior de tudo: não posso nem te tocar, te beijar, fazer amor... É extremamente difícil obedecer isso! – passou a mão nos cabelos sem parar de se agitar – Ave Maria!

 

Achou graça. – Mas isso vai passar, amor! O importante é que graças a Deus você tá viva e voltou pra mim! – olhava para a morena – Não fique aí reclamando desse tempo que precisa pra se recuperar. – pediu com ternura – Logo você volta ao normal e vai fazer comigo todas as coisas safadinhas que sempre fez. -- brincou

 

Parou de andar. – Eu não deveria ser ingrata nessa hora, né? – reconsiderou – Prometo que nunca mais vou ser ingrata a Deus e aproveitarei muito bem cada segundo! – falava com verdade – Olha, essa situação toda me atrapalha o juízo, -- aproximou-se novamente -- mas eu tenho uma coisa pra te dizer. Vem comigo, querida! – indicou para que se sentassem no sofá

 

A engenheira sentou-se de lado para ficar olhando a professora, que sentou-se de lado também.

 

--Você sempre brincou com o pingente desse cordão. – tirou o cordão do pescoço – Na verdade, não é um pingente, são dois anéis que se encaixam. – separou os dois – Tá vendo? – mostrava – Os dois têm uma base meio tortinha que se encaixa uma na outra e têm tamanhos diferentes. Por dentro vem escrito: amor eterno e eterno amor. – continuva mostrando – Tá em árabe.

 

--Nossa, que lindo! – observava com atenção – Eu achava que eram uma argolinhas soldadas passando por dentro da correntinha do cordão. – continuava observando

 

--O cordão dourado já foi substituído várias vezes, mas esses anéis tão no meu pescoço desde os meus onze anos. – afirmou com certa emoção – Eram as alianças dos meus avós.

 

--Então é por isso que nunca te vi com outro tipo de cordão em todos esses anos... – olhou para a amada

 

--Sim! E isso tem um valor sentimental pra mim que é indescritível. – pegou o anel de menor diâmetro e se ajoelhou no chão diante da outra

 

--Yasí... – seus olhos marejaram

 

--“A frouxa luz da alabastrina lâmpada lambe voluptuosa os teus contornos...” – começou a declamar – “Oh! Deixa-me aquecer teus pés divinos ao doudo afago de meus lábios mornos.” – olhava nos olhos – “Mulher do meu amor! Quando aos meus beijos treme tua alma, como a lira ao vento, das teclas de teu seio que harmonias, que escalas de suspiros, bebo” atenta!
“Ai! Canta a cavatina do delírio, ri, suspira, soluça, anseia e chora...” É noite ainda e a teu lado quero ver a cada dia nova aurora! – controlava a emoção – Mariah, Mariah, não há outra mais amada em minha vida; digo-te que serás sempre minha querida. Deixa-me seguir te recitando: só teu coração em mim se fez abrigo! – respirou fundo -- Deixa-me dormir balbuciando: casa comigo? – pediu com humildade

 

Derramou lágrimas de emoção. – Essa foi a coisa mais linda que eu já ouvi na minha vida! – ajoelhou-se também – Claro que eu caso, já havia te dito sim antes! Minha resposta pra você sempre foi sim, Yasirah Faez! – sorriu – “Ai, como eu queria beijar ela agora!” – pensou

 

Colocou a aliança no anelar esquerdo da mulher. – Ficou direitinho! – sorriu satisfeita – A do vovô cabe no meu dedo porque por sorte destronquei ele no passado. – mostrou o anelar esquerdo – Aí ficou mais gordinho! – falava empolgada que nem criança

 

Achou bonitinho. -- Então me dá essa aliança pra eu colocar nesse anelar gordinho, meu amor! – sorria

 

Yasirah entregou a aliança e Mariah segurou sua mão esquerda com muito carinho. – Eu não sei declamar poesia que nem você, mas... – olhava nos olhos – Queria que soubesse que eu te amo como não sei nem explicar! E não é pela sua aparência, nem pelo que você conquistou ao longo da vida mas pela pessoa que você  que é. – falava com intensidade – Claro que no começo o que me atraiu foi o que eu pude ver e a admiração que senti por você, mas te conhecendo melhor ao longo dos anos aprendi a amar cada parte da pessoa linda, intensa, forte, vibrante e complicada que você é! – sorria – E quero você não só até os meus últimos dias nessa Terra... – colocou a aliança – Mas além.

 

--Pra sempre! – concordou emocionada

 

(Nota da autora: o início da poesia que Yasirah declamou é de Castro Alves e se chama Boa Noite)

 

***

--Quando mesmo que a gente vai poder dormir junta? – Yasirah perguntou empolgada ao se deitar – Eu separei uma roupa de cama nova que nunca tinha usado pra poder estrear esse momento!

 

Achou graça. – Calma, meu amor, eu também quero muito, mas você sabe que tem que esperar! – sentou-se na beirada da cama ao lado da esposa – Por enquanto é cada uma num quarto. – falava com carinho

 

--Minha linda, eu terminei de analisar os algoritmos das duas rotas que você tá liderando e fiquei impressionada! – comentou ajeitando-se na cama – Vi umas sacadas ali que eu jamais pensaria. Tô orgulhosa! – sorriu para a esposa

 

--Jura? – perguntou toda prosa

 

--É sério, uai! Considero até que a rota 1 já tá pronta pra validar. E a 2 daqui a pouco fecha. Amanhã eu te mostro o que pensei.

 

--Tá, eu quero ver. – ajeitou o lençol da professora para cobri-la melhor – Vi que tem trabalhado e quero saber o que já se passou nessa cabecinha privilegiada.

 

“Ah, se você soubesse...” – pensou maliciosamente – Também tô muito orgulhosa do trabalho que fizeram com as máscaras. – sorriu – Até na roça o povo abraçou a ideia! – olhava para a jovem com carinho – Tenho muito orgulho da mulher que se tornou! Sempre tive orgulho, mas isso só aumenta.

 

Corou. “Quando ela fala assim eu fico tão...” – pensou extasiada – Fico tão feliz em ouvir isso!

 

--É a mais pura verdade!

 

--E como tem se sentido, hein, amor? – perguntou interessada – Ainda tem se cansado com facilidade? Notei que foi bem melhor hoje nos exercícios.

 

--Eu acho que tô progredindo e me dedico a esses exercícios com atenção máxima! – afirmou enfaticamente – Tô praticando com raça!

 

--Isso mesmo, pra melhorar logo! – concordou

 

--E pra poder te pegar como eu pegava antes, uai! – retrucou – Deus me livre de ficar frouxa logo agora que a gente casou!

 

Riu gostosamente. – Ai, ai, mas será possível que você só pensa nisso, Yasí? – olhava para a outra

 

--Não SÓ penso nisso, mas penso! – retrucou -- Nunca fui pomba sem fé, não quero ser agora! – endireitou a cabeça no travesseiro – Deus me defenda!

 

--Você nunca vai ser uma pomba sem fé, meu amor. Seja lá o que isso signifique. – achou graça

 

--E quero voltar a praticar meus esportes de novo depois que tudo isso passar. – complementou

 

--Amor, agora você tocou num ponto. – pausou brevemente – A gente tem que conversar sobre certas coisas e estabelecer certas regras. – falava com jeito

 

--Como assim? – preocupou-se


--Eu não gostaria que você se arriscasse tanto praticando esporte. Pode praticar, mas sem os radicalismos que vinha fazendo.

 

--Radicalismos? – não concordava – Eu gosto de adrenalina, uai, mas nada tão perigoso assim.

 

--Escalar vulcão ativo, fazer expedição no gelo, descer morro correndo com bicicleta, fazer aquele tal de skydiving, rafting em rio violento, tudo é perigoso e radical sim! – enumerava nos dedos – Yasí, no tempo em que ficamos separadas você até agarrou jacaré em meio de mato! Ou já esqueceu que me mostrou as fotos dessas loucuras todas?

 

“Maior besteira que fiz foi ter mostrado aquelas fotos!” – pensou arrependida

 

--Não quero mais saber de você fazendo essas coisas! – proibia – Pode escalar, mas nada de vulcão ativo e nem geleira! Pode andar de bike, mas nada disso de pegar essas trilhas perigosas e descer como louca! – gesticulava -- Pode praticar rafting, mas até o nível dificuldade moderada e olhe lá! – pausou brevemente – Mas skydiving e correr atrás de bicho perigoso, nem pensar!

 

Deu um suspiro profundo. – Mal casei já tô encoleirada... – reclamou que nem criança

 

--É isso mesmo! – reiterou – E de preferência quando for praticar esses esportes vai me levar junto.

 

--Você quer?! – perguntou animada – Ah, mas se você vai junto, eu topo obedecer isso tudo aí sem reclamar! – sorriu satisfeita

 

Achou graça. – Bom saber. – soprou um beijinho – E outra coisa, quando a gente puder começar a procurar um imóvel pra comprar...

 

--Eu já tô procurando! – interrompeu-a empolgada – Pela internet!

 

--Vamos procurar juntas, dona Yasirah Faez! – salientou bem humorada

 

--Eu ia fazer uma busca geral e te mostrar algumas opções pra gente ver junta, mas podemos fazer tudo juntas se quiser.

 

--Prefiro assim. Inclusive porque o que eu ia dizer é que não quero saber disso de apartamentos enormes em condomínios caros. – advertiu – A gente vai morar num lugar que nos encante e dentro de nossas posses, entendeu?

 

--Mas eu nunca tive problema com minhas dívidas... Tanto que me dano toda mas pago os trem tudo!

 

--E essa fase de viver endividada acabou, sua professora safada! – retrucou achando graça – Daqui pra frente a gente vai gastar o que nossos rendimentos permitem. E só!

 

Suspirou. – É... essa mulher me encoleirou direitinho... – fingiu que reclamava

 

--Ainda tem tempo de desistir... – respondeu fazendo dengo

 

--Jamais! – sentou-se rapidamente – Acho que tudo que eu precisava era de uma mulher deliciosa pra me colocar nos eixos... – afirmou sensualmente

 

--Deita, criatura! – pediu achando graça e ela obedeceu – E deixa de ser safadinha, tá? – brincou -- Eu vou te colocar nos eixos, doutora Yasirah Faez! Ah, se vou!

 

--Que mais eu tô proibida de fazer? – perguntou brincalhona

 

--Que eu me lembre, nada. Você já não era mais tão workaholic. – pausou brevemente – Quer dizer, não quero saber da senhora alimentando uma rede das sacanagens pelo zap! -- ralhou

 

--Sabe que não tem isso de rede, senhora Mariah Montenegro Faez.

 

Sorriu surpreendida. – Vai me dar seu nome? – mordeu o lábio inferior

 

--Isso e muito mais! – respondeu com decisão – Eu nunca fui inteirada sobre essas coisas mas sei que hoje em dia é possível. E eu quero casar contigo no papel, direitinho, e ver você assinando meu nome no final!

 

“Quando ela fala assim...” – suspirou – “Acho que a maior encoleirada aqui sou eu... E adoro!” – constatou com felicidade – Te amo, meu bem! – beijou a aliança

 

--Também te amo! – soprou um beijo para a jovem

 



Quase dois anos depois...

PLANETA TERRA. 2022.

CONVIDE-0: 6.4 bilhões de casos confirmados no mundo em praticamente todos os países, territórios ou áreas; 128 milhões de mortes.

 

A pandemia chegava ao fim e após muitas perdas a humanidade conseguia globalmente frear o avanço do vírus. A população poderia se considerar imunizada.

A geopolítica mundial sofrera modificações marcantes e a falência completa do capitalismo financeiro era apenas uma questão de tempo, embora ainda levaria algum tempo para acontecer. O abismo social continuava imenso por todo planeta, mas as estruturas do poder haviam sido nitidamente abaladas. Os problemas da Terra estavam longe de serem resolvidos, mas algo havia mudado... Para sempre!

Outros desafios e imensas dificuldades ainda viriam, mas além da ciência, o Amor também havia salvo muitas vidas. E com Ele, todo fardo ficaria mais leve.

 

 

BRASIL. 13/04/2022. FAZENDA SAHHA.GOIÁS. 16h40.

 

Safira encerrava seu trabalho do dia. Havia acabado de fechar o estabelecimento e se preparava para voltar para casa.

 

--Cheguei a tempo de te encontrar aqui! – Sofia exclamou ao se aproximar – Que bom! – sorriu

 

Safira olhou para ela e também sorriu. – Me procurando, uai?

 

--Eu voltava do nhô Cerqueira. – pôs as mãos nos bolsos – Aí pensei em te dar uma carona pra fazenda, num sabe? – olhava timidamente para a outra – Num é tão longe mas também num é tão perto...

 

--Com certeza eu vou aceitar! – passou a mão nos cabelos – Já tô inté pronta! – abriu os braços rapidamente

 

“O tempo passa e ela nunca deixa de ser linda...” – pensou embevecida – Intão... – tirou as chaves do bolso – Simbora? – convidou indicando o caminho

 

--Simbora! – seguiu na direção do carro – “Sofia hoje é uma pessoa tão interessante...” – considerava – “Tão gentil comigo...”

 

“Será que um dia terei uma chance com ela?” – Sofia pensava esperançosa

 

Entraram no carro e se ajeitaram em seus assentos. Vieram conversando animadamente sobre o que fizeram ao longo do dia e os preparativos para a Páscoa. Sofia dirigia bem devagar, alegando que o lamaçal causado pela chuva do dia anterior tornava perigosa uma velocidade maior. Após abrir a porteira da fazenda e se dirigir até a porta da casa da outra, Sofia parou o carro e preparou-se para se despedir.

 

--Tá entregue. – olhou timidamente para a prima – Agora já pode se ver livre de mim. – sorriu sem graça

 

--Eu num tenho mais precisão de me ver livre de ocê. – respondeu olhando para a outra – Só num gostava muito do teu lado Santinha. – brincou

 

--Anéim eu gostava... – riu rapidamente – Num era eu, num sabe? – passou a mão nos cabelos e olhou para a casa – As luz tão apagada. Teu fio inda num chegou.

 

--Hoje ele vai durmi na casa de primo Zyah. É o jogo de futebol dos menino, num lembra? – falava com delicadeza

 

--Inté esqueci... – ficou envergonhada – “Perto de ocê eu esqueço de tudo...” – pensava

 

--Eu gosto mais da de agora. – Safira simplesmente afirmou – Demais da conta!

 

--Do que? – não entendeu

 

--Ocê disse que Santinha num era quem ocê era. E eu disse que gosto demais da conta da pessoa que ocê é hoje. – sorriu

 

Sofia ficou sem fala e sentiu o coração disparar. – Safira... Hoje em dia que ocê é viúva e... – não sabia o que fazer com as mãos – Ocê ainda acha que pur ter muito rezado e perseverado... – mal conseguia olhar para a outra – Ocê acha que num tem jeito de... – esfregou as duas mãos nas pernas da calça – Num tem jeito de ocê mais eu...

 

--Sofia? – a outra chamou com carinho

 

--Oi. – olhou para ela e foi surpreendida com um carinhoso beijo nos lábios

 

--Responde a tua pergunta? – sorria com o rosto próximo ao da prima

 

--Ah, muié, que eu te quero tanto! – segurou-a pelo rosto e a beijou com intensidade, carinho, desejo e paixão

 

“Gente, Sofia é um vulcão!!” – pensou enquanto se derretia naquele beijo – “Ô, perdição!”

 

 

BRASIL. 14/04/2022. UNIVERSIDADE PÚBLICA E DE QUALIDADE.SÃO PAULO. 17h00.

 

A Universidade estava em festa. Com o sucesso das pesquisas e desenvolvimentos empreendidos por todas as Instituições do Saber na luta contra o vírus, a sociedade brasileira aprendia a novamente reconhecer o valor do Ensino, da Pesquisa e da Ciência. Embora o governo ainda não correspondesse às expectativas, os representantes dos docentes, funcionários, discentes de graduação e da pós organizaram uma festa para comemorar a Vida.

 

IMC e Poli se uniram para a “Festa das Exatas” e depois de muito tempo sem saber o que era uma celebração, a comunidade universitária se entrosava e divertia ao som de músicas de várias épocas. Adicionalmente, toda Universidade comemorava o fato de que Rute e três de suas alunas haviam sido indicadas ao Nobel da Medicina e toda a comunidade internacional acreditava que seriam vitoriosas.

 

Mariah esperava por Yasirah enquanto conversava com vários colegas animadamente. Em outra parte do campus, a professora se abraçava com sua amiga cumprimentando pela indicação.

 

--Não sabe o quanto fiquei feliz por você, Rute! – falava com toda sinceridade – Eu sabia que esse prêmio vinha pro Brasil e saber que virá por você me deixa numa felicidade extrema!

 

--Ah, querida, eu nem sei o que dizer! – olhou para a outra – Mas quero que saiba que não tiramos você e seus colegas da jogada, eu não corri atrás disso, não sei como pôde ser e...

 

--Ei! – interrompeu-a com gentileza – Não se justifique, não precisa. – sorria de felicidade – Não sou invejosa e aquela fase do “tudo por um Nobel” já acabou na minha vida faz tempo! – estava sendo sincera – Você nunca buscou isso, seu propósito maior sempre foi o serviço à sociedade! Além do mais o trabalho indicado realmente é de vocês, todo de vocês, não haveria porque indicar meu nome também ou o dos colegas do IMC. – segurou as duas mãos da amiga – Ninguém mereceria mais! E eu vou torcer com todas as minhas forças pra ver vocês recebendo esse prêmio e nos enchendo de orgulho!

 

Acreditava naquelas palavras e sentia-se bem com elas. – Fico tão feliz em ouvir isso! – sorria

 

--Falo de coração! – garantiu

 

–Também fico imensamente feliz com tudo de bom que tem acontecido em sua vida desde que se recuperou da doença. – destacou – Você e sua família hoje em dia são totalmente diferentes uns com os outros e só mudaram pra melhor! Estão unidos como uma família deve ser!

 

--E baba até me pediu perdão por tudo que me falou um dia na vida, imagine! Se alguém me dissesse que uma coisa dessas ia acontecer, eu duvidaria! – pausou brevemente – O que um vírus não faz!

 

--O sofrimento realmente ensina... – refletiu -- Mas vamos continuar falando só de alegrias! Você fica pra festa? – convidou – Os alunos estão que não se aguentam! – divertia-se lembrando deles – Acho que hoje abro uma exceção e vou pra essa bagunça.

 

--Participo da festa sim, mas do lado de lá. – indicou com a cabeça – Junto com o pessoal da exatas! – piscou – Mariah me espera!

 

--Então vá e comemore! Vamos celebrar a vida e jamais esquecer disso!

 

--Nunca mais!

 

***

--Yasí tá demorando! – olhou para o relógio – Não me diga que já tá estudando coisa com Rute e o pessoal? – reclamava sozinha – Humpf! – bebeu um gole de mate

 

--Mariah? – Yasirah chamou e ela olhou

 

https://www.youtube.com/watch?v=0ogXcfjw5FE

 

Menina, me dá sua mão, pense bem antes de agir,

Se não for agora, te espero lá fora, então deixe-me ir,

Um dia te encontro nessas suas voltas,

Minha mente é mó confusão...

 

--A música tem e não tem muito a ver com a trajetória da gente. – a professora dizia ao se aproximar – Mas de tudo que já fizemos, acho que eu te devia uma dança. – fez uma reverência

 

--O que? – surpreendeu-se

 

Mas tive que perder pra aprender dar valor...

 

--Dança comigo, amor? – convidou novamente

 

--Gente! – não acreditava

 

A professora se aproximava da outra dançando sensualmente.


Mas a vida que eu levo, erros lógicos,

Óbvio, cada letra em rap é um código sórdido,

Psicografado som sólido, súbito,

Nunca fui de fazer som pra público,

Verso meu universo, peço que entenda meu mundo, mina...

 

Mariah bebeu o mate de um gole só e deixou o copo sobre uma mesinha. Da mesma forma se aproximava da amada dançando sensualmente.


A gente briga por bobeira demais,

A gente pira, o tempo vira por bobeira demais,

O amor é bandeira de paz...

 

Quando se encontraram, Yasirah puxou a outra pela cintura e começaram a dançar juntas com cumplicidade. Muitos prestavam atenção, surpreendendo-se ou simplesmente começando a dançar também. Não havia quem estivesse disposto a julgar.

 

Ei, amor, sei que tá tão difícil eu falar de amor,

Porque lá fora é tanto ódio e rancor,

Que eu preciso muito te falar...

 

Olhavam-se nos olhos sem parar de dançar.


Ei, amor, eu tô contigo independente do caô,

Cê sabe que aonde você for, eu vou,

E já passou da hora da gente se encontrar,

E se amar...


--Te amo! – Yasirah declarou antes de beijá-la com paixão

 

--U-HUUUU!! – muitos gritaram


Esse papo de que se tu não existisse eu te inventaria é tão clichê,

Mas cai tão bem quando se trata de você,

Só vem comigo, cê não vai se arrepender,

Só vem comigo, cê não vai se arrepender...

 

--Amor! – estava totalmente estupefata ao finalizar o beijo – Você bebeu, aconteceu alguma coisa ou...? – não entendia

 

--É uma festa, não tô trabalhando, não tô fazendo nada errado! – abraçou-a com mais força enquanto dançavam lentamente, fora da música – O tempo em que eu me desperdiçava com bobagens já acabou! – sorria para a outra – Você é minha esposa, minha mulher, vive comigo e ninguém tem nada a ver com a nossa vida!

 

--Não tem! – segurou o rosto da professora e a beijou novamente com muito amor

 

Mesmo com todos os riscos e críticas que pudesse sofrer, Yasirah não se importava. Tampouco se abalava com o fato de não ter sido indicada na equipe do Nobel. Ainda valorizava seu trabalho e sua reputação, mas agora sabia a dar a todas as coisas as dimensões exatas.

 

Graças ao sofrimento que lhe ensinou que a vida entrega a construção diária de nossos pensamentos, escolhas e ações.

 

Graças a um vírus que lhe ensinou o valor de uma presença.

CONVIDE-0

 

 

“Ninguém evolui, nem prospera, nem melhora e nem se educa, enquanto não aprende a empregar o tempo com o devido proveito (...).

Trabalho no tempo dissolve o peso de quaisquer preocupações, mas tempo sem trabalho cria fardos de tédio, sempre difíceis de carregar.

Um tipo comum de verdadeira infelicidade é dispor de tempo para acreditar-se infeliz.
Se você aproveitar o tempo a fim de melhorar-se, o tempo aproveitará você para realizar maravilhas.
Observe quanto serviço se pode efetuar em meia hora.
Quem diz que o tempo traz apenas desilusões, é que não tem feito outra coisa senão iludir-se”.

(Do livro Sinal Verde, pelo Espírito André Luiz, psicografia de Francisco C. Xavier)

 

 

Notas finais:

 

 

Fortunam sibi quisque parat

Cada um constrói sua própria sorte

 



Comentários


Nome: mtereza (Assinado) · Data: 19/04/2020 16:11 · Para: DEPOIS

Amei a história espero que possamos sair dessa pandemia a exemplo da sua história como pessoas melhores bjs até logo menos 



Resposta do autor:

Olá querida!!

Que bom que voltou! Pensei que tivesse desistido do conto! Fico feliz que tenha gostado.

Beijos,

Sol



Nome: Lai (Assinado) · Data: 16/04/2020 22:04 · Para: DEPOIS

Ooee, Solzinho de luz,

Sadikii, esse último capítulo foi uma verdadeira transformacao e surpresa, apesar que suas estórias sempre fecham com alegrias e muitas mudancas, onde os personagens passam por processos de sofrimento pra aprender!

É muito certo a mensagem final, mas fico com essa parte  :

 "mas tempo sem trabalho cria fardos de tédio, sempre difíceis de carregar. "

Resolvi ler hoje porque mudei meus medicamentos e acordei melhor, ia esperar mais dois dias, mas como me retei ao longo do dia, entao vim espairrecer, era último capítulo e pensei que seria mais leve...Eu adorei!!

Uma estória diferente, das outras duas, mas as 3 sao muito diferentes, essa mais leve, apesar que o contexto nao seja! Mas sempre pra refletir. Tenho algo a ressalta, certa crítica, mas n sou ninguém pra falar, n sei nada da via e nem tenho suas vivência, porém, a parte que Rute fala sobre que devíamos consumir menos carne, concordo, fui pescetariana por alguns anos, n consumo mais por questoes complicadas de dizer aqui, mas as vezes devemos ter cuidado pq soube de pessoas que entraram em depressao pq se sentiam culpados comendo carne e tentaram ser vegetarianas, mas n estavam preparados, isso td pq escutam coisas, mas nem todo mundo tema mesma consciência, vc tem mt conhecimento e isso causa que as pessoas pensem q o q vc diz tem 90% de chance de ser o correto, podem seguir e n tarem prontos! Só digo por cuidado, tem mt gente nova, mt gente te leu, tao na moita, mas soube que vc teve um monte  de leitura, n pense q tem poucas só pq n comentaram..é isso! O resto eu adorei!

Sabe, sempre quis que vc escrevesse sore trans, ia te pedir, ams da próximo poderia enfocar mais sobre? Acho que ajudariam muitas pessoas, tem mt por aqui, acho que o esclarecimento é impotante, existe mt preconceito, seria legal! Lá vai eu me mentendo de novo...

Santinha me surpreendeu com essa mudanca,mas foi uma surpresa gostosa e  n imaginava q vivesse,mas sabia que caso passasse ficaria com Safira!!

 

Mariah, teve uma grande mudanca, muito feliz por ela, apesar que enlacou Yasi de vez, encolorou geral e mandona!Se danou Yasi, agora vai ficar pianinho!!Mas  devemos exagerar, devemos aceitar o outro como é, sempre qndo preserve a saúde e n corra riscos.N necessita mais fugir de si mesmo!! Isso de n fazer rafting, descer c tudo na bike foi demai coisas? Podou geral a mulher! Tb ri muito da parte do celular, mt engracado!!Gosto de rafting, ia fazer esse ano,mas o corona n deixou, Mocita tb é toda preocupada, eu adoro correr, treinava,natacao tb, mas dúvido que me deixe um dia participar de uma maratona na montanha, é td q quero!

Essa do celular me matou, teris q aprender 30 idiomas kkkk" Céu de Oxford", me matou!!

Para tudo, Jacaré?!kkkkk Olha que o vulcao krakatoa entrou en erupcao, n vai endoidar!!

Linda poesia viu!!

Amei o pomba sem fé! N sei onde vc tira essas, mas é o melhor!!

Espero que tudo isso que vc disse aí depois do fim da pandemia seja verdade, necessitamos muito dessas mudancas, apesae que existem coisas que levarao seu tempo pra se acomodar..

 

Eu acho q depois dessa pandemia, acho que o Brasil vai reconhecer de novo o valor da ciência pq estao aí em perigo, mas n param pra encontrar um meio! Eu recebo no zao news da USP sabe q tao fazendo uma máquina, câmara de ôzonio pra descontaminacao de máscaras.. bem pensado! Os momentos de crise fazem isso, no faz criar tanto..quer dizer, os cientistas!! A gente só cria juízo mesmo!!

"vai finalmente se aquietar e casar? " Sadikii tb??! kkkkk. Quem sabe melhore os ciúmes...

Kalila se mostrou uma mulher retada, deu logo um veredito por marido, mt bom!!

 

O que nao faz um pai tremer nas bases qndo tá perdendo um ser amado, mesmo qndo n se dao bem pq um sempre quer que o outro seja como um quer,mas temos que aceitar o outro como é!!

Nada como uma boa conversa, escolhida no momento certo pra tudo se ajeitar na família, esse n era um dos propósitos tb? Uniao, amor?!

Tomb homem?! kkkkkkk

Deixei, minha colega Yasi pro final, quero parabenizar sua incrível transformacao, depois de anos nesse vai e vem com Mariah, depois de valorizar tantas coisas materiais porque n era feliz, tapando com superficialidades que só isolavam ela mais e mais! Porém esse ego dela que subia mais e mais foi puxado por uma doenca, por perdas, por Mariah e Ruth que sempre tiverma c ela, Mariah, apesar de longe, sempre esteve presente, no amor!! Quando ela tava morrendo repassou sua vida inteira, fazemos isso nesses momentos, quase todos! Dpeois do encontro com a enfermeira passou a ter mais fé e resolveu voltar a s eencontrar com Deus, com sua espiritualidade e n só dar algo material sem realmente está comprometido c o próximo!

Yasi refletiu toda sua vida, preocupada por suas acoes, pelo que Mariah ia pensar, culpando-se por Fabiana, mas as coisas passam e tb sao acoes de todos os implicados, nada está excento! Sim, ela teve comportamentos considerados, mesquinhos, egoístas, sim, se desviou do caminho pela dor, pela ganância a qual ela nem sabia de onde vinha, do pq queria e que se obtivesse o nobel, nem sei se ficria satisfeita, acho que com Ruth ficou mais feliz pq Ruth n tava esperando...foi merecido!! Mas Yasi teve muitos atos lindos por caminhos q n deveriam,mas era humilde, tratavam a todos bem, n diminuía ninguém, n sei se metida, talvez sabia o que tava dizendo, talvez necessitasse mostrar o que lutou pra ter, principalmente pq a vida dela n foi fácil, o pai n dava bola, que, sabe, o vázio dos avôs, coisas complexas que n poderemos saber, mas ela sempre teve potencial, todos temos, mas necessitamos uma ajuda, ela encontrou pessoas boas no caminho.

Nem todos vao nos amar, n pq somos ruins,simplesmente n se dao e algumas vezes pq valores n batem mesmo,mas ninguém a conhecia, só o q ela mostrava profissionalmente e como tava bitolada nisso n podia mostrar o q tinha dentro e só com a convivência podemos ver, só amigos podem ver..as vezes n podemos mostrar td ou n dá. A realidade é amior do q podemos mostrar e se vê um dia após os outro. Acho que devemos nos importar mais pros q nos rodeiam, apesar que é sumamente difícil pq queremos q todos gostem da gente e queremos mostrar o lado bom pq temos medo, mas é bom tb mostrar os defeitos, nos torna mais real,mas nem por isso alguém ruim...

Jasin Solitudine adora colocar coisa chinesa no meio, sexo tântrico mas achei q plexo solar fosse em outro lugar...mas esse deve ser do pé mesmo...

Sinto que sempre coloca algo c seus avôs!Carinho grande tem por eles. Sinto saudades da minha vozinha que terminou de me criar..avôs sao extensoes dos pais, amam incondicionalmente tb..eu acho!

Finalmente vc colocou algo espírita, adoro!! Por falar nisso, me deixe ligada nas novidades, caso seja autorizado pelo seres superiores pq aqui o espiritismo n é tao divulgado e aceito...

N sei se te comentei ,ms tenho estudado e esse ano era pra tá já no curso de mediuns, entao tamos fazendo a parte téorica, até que tudo volte ao normal! É o 4 ano...

O nebulizador deixou Yasi fumada kkkkkkk. Pediu até em casamento, o encontro c a enfermeira deu resultado e com toda essa crise e ela doente..eita! Já falei isso?!!

Chegamos ao final...mas na vida tudo tem um comeco e um fim,mas amei prosear com vc!! Estás mais aberta, carinhosa e adorei, sinto que nosso vinculo cresceu, de minha parte, já sou apegada, mas sinto q vou kme danar qndo td isso acaba,mas faz parte, vc é movimento, vc é ar!

Vc diz pra n ser tímida, mas tenha paciência, vc tb tem q colaborar, sabia q tenho medo de professores ou pessoas de autoriades e q tem mt conhecimentos? Me inibo, mas tenha paciência comigo, dps n reclame!!Só agora tá falando mais, apesar q o sentimento acho q sempre esteve...

Eu sou impulsiva e ansiosa e digo q n vou aparecer... o último que é um depoimento seu, logo responderei, escrevi no caderno tem um tempo, mas quis esperar ler tudo!!

Vou te segurar mais um pouco..

Dps entra no site da USP pq só tenho no cel agora e tô sem bate no pc.. tem algo sobre TDAH...enfim!

Toda luz pra vc, Sadikii, que Deus te acompanhe sempre e que o amor esteja mais que presente, de Deus, dos familiares, de Samira , amigos reais e virtuais!! E depois de responder os outros coments, caso n nos vejamos, por favor, n suma por outros 4 anos, tá?! Manda algo!! 

Beijos super carinhosos da sua grande amiga,

Laila

 

 PS:Espero que tenha sido do seu agrado....

 

 

 

 

 



Resposta do autor:

Lailinha!

Ah, eu sabia que você ia se surpreender! Fico feliz.

Mais feliz ainda fico em saber que se sente melhor e que o capítulo final te trouxe leveza.

Fique sempre à vontade para dar sua opinião, esteja tranquila quanto a isso. Rute deu a opinião dela, que por sinal veio de um texto que li e achei interessante.

Eu comprei um livro sobre trans. Sofia foi só um ensaio. É um assunto complexo sobre o qual eu estou em franco aprendizado. Também estou aprendendo sobre os conceitos, tratamentos hormonais, operações... Tenho certa dificuldade em escrever sobre coisas longe da minha vivência ou sobre as quais não tenha vindo "aquela" inspiração, mas o tema trans é algo que pretendo levar mais a sério em algum futuro próximo, depois do Tao. Em Maya, Patrícia era trans, lembra? E no Tao, Janaína, mulher de Aisha, está quase lá. Foram os meus 'rascunhos' no tema, bem de longe.

Santinha deixou de ser Santinha. É Sofia, como pediu no hospital. rs

O lance do celular é super baseado em fatos. kkkk  E os riscos nos esportes, a gente sempre recebe uma advertência... Yasirah quase morreu por conta do CONVIDE-0, aí Mariah ficou ainda mais receosa dos riscos que certas empreitadas esportivas podem trazer.

Uai, até esta caipira que vos escreve segurou um monte de bicho e foi em vulcão ativo. Por que não Yasirah? kkk

A poesia veio de Castro Alves. Uma meio versão masculina da Yasirah.

As mudanças virão. É só o tempo, que sempre faz parte dele.

Lailinha, fica falando de casamento da caipira que Samira vem em cima com força total dizendo que até as amigas do site dão força! kkk

Kalila foi um elo importante para manter a união da família. E chamou Aziz à realidade, sem fantasias.

Tomba homem sim! Lembra que Camille chamou Aline de tomba homem, em Maya, porque ela vivia desconjuntando os namorados? Tem isso, sadikii! kkk

Amei sua análise sobre Yasirah. Aplaudo!!!

Na reflexologia, todas as partes do corpo tem pontos específicos como espelhos nos pés. Maõs e orelhas também têm seus pontos espelho. E o espelho do plexo no pé é onde Yasirah comentou. Bem, pelo menos, assim aprendi! rs

 

Os avós são grandes saudades. Ao menos para mim.

Qualquer novidade espírita, te digo. Feliz em saber que está fazendo curso. Continue conforme as coisas forem normalizando.

Mas veja: não sou autoridade e tampouco gente de grande conhecimento. Então, está tudo manso.

Também acompanho o site da USP. Leio até as revistas. Aquela sobre IA está ótima!

Tudo de bom para você também e beijão!

Sol

 "PS:Espero que tenha sido do seu agrado...." - Sempre é



Nome: Samira Haddad (Assinado) · Data: 05/04/2020 22:09 · Para: DEPOIS

Amor, ya  habibi...  Sabe que eu amei esse conto desde o começo  e te incentivei a postar porque  eu sabia que  valeria a pena. Sabia que  teria muito  a acrescentar  pra todo mundo. Mas eu lamento  que  as pessoas  não saibam valorizar vc e o que escreve dentro e fora desse mundo fake que nós criamos pra poder te dar espaço  como autora lés.  Eu mesma um dia não soube né? E falhei .

Você deixa as pessoas sempre à vontade. Eu mesma mexo na sua conta no seu computador no seu celular... vc é um amorzinho e MUITO fofa e foda em tudo que faz. Um dia verão!

Escreve mais? E termina o Tao? 

Behebik ya meu Sol!



Resposta do autor:

Eu não espero esse reconhecimento sobre o qual você fala. Confesso que às vezes, na vida real, sinto dor por certas coisas que não acontecem mas fazem parte e certamente preciso disso para evoluir. Quantas vezes devo ter falhado diante do melhor cenário em vidas anteriores? Espero que nesta eu aprenda alguma coisa.

Quanto aos contos, não quero glória, sinceramente não estou para enxame. Apenas desejaria que fossem muito lidos para buscar provocar muitas reflexões. No entanto não sou boa em atrair grandes números. Mas estou satisfeita com as pessoas que chegam, pois têm muita qualidade no que sentem e como sentem.

Termino o Tao, não se preocupe.

Behebik ya Gamil.

Sol



Nome: sonhadora (Assinado) · Data: 05/04/2020 18:17 · Para: DEPOIS

Primeiro de tudo quero deixar meu agradecimento por esse momento único que você me proporcionou com essa história linda!!! Gratidão!!!

Sim minha querida autora, o mundo precisa desse valor chamado AMOR!!! O que vi nessa história foi uma grande declaração de amor ao próximo e à vida!!! Solidariedade em todas as letras dele!!! Se eu fosse fazer uma análise de cada personagem todos encontraram seu sentido na vida! Os que se escondiam por trás de uma máscara perceberam que não precisa da escuridão pra viver e sim da luz! Os que a leviandade buscava espaço na vida, perceberam que valores mais profundo é o que move o mundo e não o fútil e passageiro prazer pelo prazer!!! Ao todo o sentido de união é tudo que precisamos na vida!!!

Um grande abraço de paz e que volte mais para nos agraciar com suas histórias lindas!!

Beijos de Luz!



Resposta do autor:

Fiquei muito emocionada com sua mensagem. Muito obrigada por escrever desta forma e agradeço por ter investido seu tempo aqui.

Fiquei com Deus!

Beijos,

Sol



Nome: Irina (Assinado) · Data: 05/04/2020 12:08 · Para: DEPOIS

Minha kota!!! Há!

Encerraste o conto como o começaste: com maestria. Emocionante, envolvente e cheio de esperanças!

Pus-me a ouvir a música do fim. Dançante, bem o que se tem a esperar de agremiações universitárias. Posto que  és inteligente, entendi que fizeste limonada e bebi.

Parabéns!!!! Estou a ler Sob o Encanto de Maya e com muito gosto.



Resposta do autor:

Olá querida,

Eu realmente precisava escolher uma música provável de ser tocada numa festa universitária e achei que esta era alinhada. Busco apenas escolher músicas alinhadas ao contexto naquele momento.

Obrigada por toda sua gentileza.

Beijos,

Sol



Nome: Gabi2020 (Assinado) · Data: 05/04/2020 00:14 · Para: DEPOIS

Olá Solzinha!

Que capítulo foi esse mulher?! Encerrou com chave de ouro!

 

O amor é a chave de tudo... Foi a redenção da Yasí, uniu mais ainda a famíla Faez... Só o amor mesmo, ele é capaz de curar o mundo.

 

Capítulo lindo, emocionante, teve leveza, birra da Yasi (ô mulher reclamona quando está doente, parece eu!), muito bonitinho o final da Safira e da Sofia.

 

Parabéns por mais essa obra prima, acho que está mais do que na hora de publicar essas histórias fantásticas!

 

Beijos



Resposta do autor:

Olá Gabinha,

Que comentário carinhoso! Adorei! Você é uma grande amiga! Obrigada por isso.

Não escrevo obras primas. Tenho leitoras românticas, é isso.

Beijos,

Sol



Nome: Cristina (Assinado) · Data: 04/04/2020 20:39 · Para: DEPOIS

Oi Sol! 

kkkk Postei o cometário no lugar errado!

História linda! Parabéns!!

Bj.



Resposta do autor:

Não se desculpe. Eu apenas te agradeço por dispor de seu tempo e comentar.

Beijos,

Sol



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