Convide-0 (convide zero) por Solitudine


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Mais de um ano depois...

 

CHINA. 29/12/2019. WUHAN CENTRALIZED NATIONAL HOSPITAL. WUHAN. 19h00.

Vinte e dois pacientes idosos desencarnaram no mesmo dia no Hospital Centralizado de uma cidade chinesa, com 11 milhões de habitantes, para angústia da doutora Ming Ting, diretora da instituição.

“Que tipo de pneumonia é essa que já matou dezenas de pessoas em tão pouco tempo nesse hospital?” – questionava-se enquanto seguia rapidamente pelo corredor de acesso à UTI – “Em pouco tempo essa cidade já registrou quase uma centena de óbitos causados pela mesma doença!” – ponderava – “Não, isso não pode ser uma ocorrência normal... Vou mandar um ofício urgente ao Ministério da Saúde solicitando que a Saúde Internacional seja comunicada!” – decidiu – “Não podemos repetir os mesmos erros da época da gripe animária!” – lembrava-se dos fatos ocorridos há dez anos atrás – Hora de agir! – pegou o celular, acionou o número de uma pessoa influente e esperou – Wǎnshàng hǎo (Boa noite). – cumprimentou objetivamente -- Doutor Cheng Wo, é a doutora Ting. – ouviu a resposta do outro lado – Vou enviar em instantes um ofício urgente ao Ministro da Saúde e peço que trabalhe junto à equipe dele para que priorizem o assunto, porque algo me diz que uma bomba terrível está prestes à explodir! – advertiu com gravidade – Acho que já deixamos passar tempo demais!

 

 

CHINA. 31/12/2019. TIANKUN HAO CRUISE. SHANGAI. 22h40.

Duas mulheres conversavam em inglês a bordo de um mini cruzeiro de luxo pelo rio Huangpu.

--E então tirei o mês de dezembro de férias, convidei meu irmão e viemos por uma louca e deliciosa expedição pela China. – Stela narrava sorridente -- Passamos por várias cidades, visitamos diversos pontos turísticos e chegando em Shagai eis que Piero encontra um colega dos tempos da pós. – olhava para a outra – Ele nos convidou para o réveillon neste mini cruzeiro, pagamos uma fortuna pelas duas últimas vagas e aqui estamos nós! – ergueu sua taça de vinho momentaneamente – Eu busquei me consolar desse prejuízo pensando que o euro vale muito mais que a moeda local, mas agora vejo que não preciso mais fazer isso... – bebeu um gole de vinho sem tirar os olhos da outra mulher – Se eu não tivesse vindo não a teria conhecido...  – fazia um charme

 

–Sorte a minha que o mundo é pequeno e o colega de seu irmão é meu colega também... – Yasirah respondeu sedutoramente – E por um convite dele estou aqui. – olhava nos olhos da loura

 

Sorriu. -- Potrei guardarti tutto il giorno. (Poderia olhar para você o dia todo) – bebeu o último gole do vinho

 

--Não tenho fluência em italiano mas... – igualmente finalizou sua bebida -- Sono attratta da te! (Estou atraída por você!) – afirmou com decisão -- Sei tutto cio’ di cui ho bisogno: qui e ora! (Você é tudo o que eu preciso: aqui e agora!) – mantinha-se firme no olhar da outra

 

Stela sentiu um arrepio ao ouvir aquilo. – Eu adoraria ver o show do réveillon lá no seu camarote... – voltou a falar em inglês

 

--É minha convidada de honra! – levantou-se sorridente – Por favor? – indicou o caminho

 

Stela se levantou também e seguiram juntas em direção ao quarto de Yasirah.

 

--Para onde elas vão? – Hu Chang perguntou ao colega – O show dos drones no réveillon é imperdível! E neste ano Shangai tem divulgado que será especial como nunca! – olhava para o outro

 

--Sabe como são as mulheres... – Piero disfarçava para proteger a irmã – Maquiagem, cabelo, roupa e muita fofoca! – sorriu – “Espero que Stela ao menos esteja no convés na hora que o ano romper!” – pensava insatisfeito

 

***

--Camarote arrumado... – Stela reparou – Você deve ser uma mulher organizada. – deixou a bolsa em cima de uma mesinha

 

--Talvez... – deixou sua bolsa no mesmo lugar – Acho que tivemos sorte que hoje está calor – brincou -- e a temperatura agora é de... – olhou para o termômetro na parede – 15 graus! – voltou a olhar para a outra e sorriu – Eu não liguei o sistema de aquecimento, mas se você quiser...

 

--Não! – respondeu de pronto – Tenho certeza de que ficará quente em poucos minutos... – começou a se despir sensualmente

 

--Acho que já está... – igualmente começou a se despir, porém com ansiedade

 

A loura achou graça da empolgação da outra. – E para que pressa? Ansiosa para ver o show dos drones? – continuava se despindo lenta e sensualmente

 

A morena apenas devorava a outra com os olhos e nada respondeu.

 

 Stela ficou apenas de calcinha e sapatos. – Quero você! – retirou a calcinha em seguida e sorriu

 

--Eu sei bem o que você quer! – pegou a outra mulher pela cintura e a imprensou contra a parede ao lado – Sei bem o que quer... – segurou-a pelas coxas e a beijou com desejo

 

--Ah! – fechou os olhos quando a morena iniciou uma trilha de beijos famintos ao longo de seu pescoço – Sì... – sentia mãos possessivas percorrerem seu corpo com desejo – Ah... – sorriu – Cazzo! (Caralho!) – não conseguia mais falar em inglês -- Oh... – lábios ansiosos devoravam-lhe os seios – Ah, ah... – gemia

 

Yasirah beijava, lambia e mordia alternadamente os seios da parceira, enquanto buscava mantê-la segura pelas pernas.

 

 Deixou que a mulher firmasse os pés no chão e seguiu pelo abdômen da outra, abaixando-se até se ajoelhar e invadindo-lhe o sexo sem pensar duas vezes.

 

--AH!! – gemeu alto e apoiou uma perna no ombro da morena – Own... – sentia prazer

 

A morena fazia movimentos circulares com a língua, estimulando a parceira, enquanto provocava seus seios com carícias e leves beliscadas.

 

--Non mi dai il tempo di... (Não me dá tempo de...) – não conseguiu completar a frase

 

Percebendo a parceira bem excitada, seguiu lambendo seu abdômen até a boca alcançar um dos seios da loura. Virou-a de costas repentinamente e colou os corpos, introduzindo-lhe dois dedos ansiosos. Penetrava com força mas sem agressividade.

 

--AH!! – deu um gritinho e sorriu – Oooh! – levantou um braço para trás e segurou-a pelos cabelos da nuca – AH!! – gemia alto

 

Yasirah tomou-lhe um dos seios com a outra mão e seguiu beijando e lambendo o pescoço da loura, sem interromper a penetração.

 

--Oh, oh, oh!! – gemia com os olhos fechados – Forte, forte! – pedia – AH!! -- em pouco tempo Stela chegou ao orgasmo gemendo alto. – AH!!! – soltou os cabelos da amante

 

Yasirah não interrompeu o que fazia até sentir que a loura convulsionava mais lentamente sob seus dedos. – O jeito como você goza me excita... – sussurrou no ouvido ao retirar os dedos do sexo da parceira

 

Abriu os olhos e acalmava a respiração. – Oh, my God... – voltou a falar em inglês – Oh... -- virou-se de frente para beijá-la – Cuido de você, só espere um pouco... – beijaram-se novamente

 

--No hurry... (Sem pressa...) – novamente buscou um dos seios da amante

 

Sorriu -- Você gostou dos meus seios, não é? – perguntou satisfeita

 

--Aham... – mordiscou um mamilo lentamente

 

--Amor... – puxou a morena pelos cabelos, beijou-a e a conduziu para que se sentasse na cama – Eu vou te fazer um oral que você nunca mais vai esquecer. – mordeu-lhe o queixo e se ajoelhou

 

--Presente de ano novo? – sorria sensualmente

 

--Sim... – mordeu levemente um dos mamilos da parceira – Você tem um belo corpo... – admirava a outra – É uma tentação... – seguiu beijando e mordendo até chegar no sexo – Deliciosa... – invadiu o sexo da morena com nariz, língua e lábios

 

--Ah... – gemeu excitada – Isso, minha garota, assim... – fechou os olhos e relaxou com prazer – Ah... – fechou os olhos

 

Stela mergulhou o rosto do nariz ao queixo. Fazia pressão e usava os contornos de seu rosto para se apertar contra o sexo da professora, deixando sua boca se derreter.

 

“Meu Pai, quê que é isso....?” – a morena pensava extasiada – Ah, ah... – gemia cada vez mais excitada

 

A italiana buscou as mãos de Yasirah e entrelaçaram os dedos. Continuava beijando, lambendo e pressionando o sexo da amante, que buscava dar-lhe mais acesso escorregando  o corpo mais para a beira da cama.

 

--AH!! – Yasirah gemeu com satisfação ao sentir o orgasmo chegar – “Ela é boa mesmo...” – pensava satisfeita

 

 

CHINA. 02/01/2020. AEROPORTO INTERNACIONAL DE SHANGAI PUDONG. 7h00.

Yasirah aguardava seu voo de regresso ao Brasil na sala VIP da companhia aérea. Trabalhava em seu notebook enquanto bebia um pouco de suco de laranja. O som de seu celular vibrando desvia-lhe a atenção.

 

--Mariah? – perguntou-se surpreendida antes de atender – Alô, querida. – sorriu espontaneamente – A que devo a primeira ligação do ano? – interrompeu o que fazia e concentrou-se no telefonema – Tudo bem com você? – desejava realmente saber

 

--Oi, Yasirah... tudo bem comigo. – respondeu do outro lado – E você?

 

--Graças a Deus, tô ótima. Ainda mais agora... – desejava uma aproximação – Não esperava que ligasse... – continuava sorrindo

 

--Arrisquei que ainda não estaria dentro do avião a essa hora... – pausou brevemente – Por isso liguei...

 

--E acertou porque o embarque será às 8h15. – passou a mão nos cabelos e olhou para o relógio – Ainda são 7h pelo horário daqui. – pausou brevemente – Sei que aí em São Paulo ainda é noite de ontem. – brincou

 

--É, e eu ainda curto o porre do réveillon de ontem. Do meu ontem... – sorriu – Como foi a virada aí? – brincava com uma das mechas do próprio cabelo – Nem sei se os chineses fazem festa por agora...

 

--Os chineses não consideram a virada do ano com base no nosso calendário, -- explicava -- mas eles sabem que no Ocidente o povo solta fogos na noite de 31 de dezembro, então o pessoal aqui não faz por menos e não deixa os turistas jogados no vento. – olhou pela janela – Fizeram um show muuuito massa com um monte de drones iluminados e foi uma coisa linda! – contava – Eles praticamente não usam mais fogos de artifício e trabalham com enxames de drones pra formar um monte de imagens no céu. – lembrava-se – Pura inteligência artificial controlando um enxame de veículos! – comentou -- E na hora que virou o ano, apareceu escrito no céu um ‘Feliz 2020’ em mandarim e depois em inglês. Lindo!

 

--E onde você tava nessa hora? – perguntou desconfiada ao se ajeitar na poltrona

 

--Num mini cruzeiro. Na verdade um belo barco restaurante que navegava preguiçosamente pelo rio Huangpu. – voltou a olhar para a tela do notebook

 

--E com quem? – ajeitou-se novamente – Não acredito que seus colegas chineses da comissão organizadora do tal simpósio de matemática se dariam ao trabalho de passar a virada contigo só pra não te deixar sozinha em terras estrangeiras. – usou de um tom debochado

 

Respirou fundo e debruçou-se sobre a mesa. – Antes que comece com seus showzinhos de ciúmes, lembre-se que não veio comigo porque não quis! – respondeu em voz baixa mas firme

 

--Não fui com você porque fiquei puta com uma pessoa que até na hora de escolher pra onde viajar no réveillon pensa na porra do trabalho em primeiro lugar! – levantou-se da poltrona revoltada – E se estamos terminadas não tinha sentido viajar contigo! – andava pela casa de um lado para outro

 

--E se você terminou comigo exatamente por causa disso, menos sentido faz em querer saber com quem passei o réveillon, não acha? – provocou

 

--Acho! – respondeu de imediato – Eu nem deveria ter ligado! Tenha uma boa viagem! – desligou sem esperar resposta

 

--E eu nem deveria ter atendido! – respondeu para si mesma – Não sei porque insisto em perder meu tempo com você, Mariah! – olhou para o telão que exibia os horários dos voos – Hora de ir pro embarque... – começou a guardar suas coisas – Você fala de mim, mas aposto que se deitou com a primeira maluca bonitinha que apareceu! – levantou-se revoltada – Não quero nem pensar nisso! – respirou fundo, levantou-se e seguiu para o embarque

 

Yasirah sequer imaginava que a mulher com a qual fez sexo durante o pequeno cruzeiro havia passado três dias com o irmão visitando Wuhan.

 

 

BRASIL. 01/01/2020. EDIFÍCIO CONDESSA DE LOVELACE.SÃO PAULO. 20h15.

--Ih, meu Deus, já vi tudo! – Cristiane comentou ao entrar no apartamento – Ligou pra Yasirah, se estressou e discutiram! – fechou a porta

 

--Claro! – respondeu como quem diz o óbvio – A mulher me diz que passa o réveillon lá na PQP vendo drone voar num barquinho preguiçoso... – falava ironicamente – e quer me convencer que tava sozinha? – riu nervosamente – Sei muito bem que esse barco devia ser coisa fina! – gesticulava -- E ela deve ter arrumado alguma gostosa metida a culta pra comer enquanto os céus de Shangai piscavam luzinhas coloridas! – falava com deboche

 

--Mas você não terminou com ela, criatura? – colocou a bolsa em cima da mesa – Não disse que não queria viajar pra lá? – argumentava – Então por que se importa se ela foi pra cama com alguém ou não? – seguiu para a cozinha

 

--Eu não fui porque achei o cúmulo ela aproveitar que os tarados da matemática de Shangai convocaram uma semana de reunião a começar em 16 de dezembro, – seguia a amiga – pra daí decidir que o final de ano deveria ser passado lá! – parou em frente à mesa da cozinha – Ela não perguntou o que eu achava, o que eu queria, -- contava nos dedos – e simplesmente decidiu! – argumentava – Aí só me cabia ir junto ou não, então eu não quis! – cruzou os braços

 

--E precisava terminar por causa disso? – abriu o freezer – Não podia ter dito que não queria e negociar o que fazer no fim de ano tranquilamente, na base do diálogo? – retirou um pote de comida congelada – Agora fica aí fazendo drama! – foi até o micro-ondas

 

--Não é drama! – passou a mão nos cabelos – Você não sabe o que é namorar alguém que coloca o trabalho sempre em primeiro lugar! – queixou-se – Yasirah nunca vai mudar! – balançou a cabeça contrariada

 

--O que eu sei é que você foi pra Paulista ontem com a gente, bebeu, curtiu, zoou e ficou aos beijos com uma morena que eu nunca vi na vida! – abriu a porta do micro-ondas e colocou a comida para esquentar – Isso que eu sei. – acompanhava o timer

 

--Ah... – encostou-se na parede – Eu tava sozinha, ela tava ali de bobeira, era bonita, atlética... – mexia numa mecha de cabelo –  Mas acabou que foi só aquilo mesmo... uns beijos, uns abraços e uns amassos... – abaixou a cabeça – Eu não ia ficar chorando por causa daquela professora universitária metida a besta... – falava como criança mimada

 

--Então não pode reclamar se ela também não quis ficar chorando por causa de uma engenheira que nunca sabe o que realmente quer. – retirou a comida, pegou um prato e se preparou para comer

 

--Eu sei muito bem o que eu quero, Cris! – afirmou resoluta – E vê se lava as mãos antes de comer, porque você chegou da rua e já vai cair de boca na comida sem maiores precauções! – saiu da cozinha chateada

 

--Humpf! – pegou os talheres e fez um bico – Já tomei banho hoje, só fui aqui pertinho... – começou a comer – Bobeira...

 

 

BRASIL. 06/01/2020. UNIVERSIDADE PÚBLICA E DE QUALIDADE.SÃO PAULO. 12h40.

 

--Então quer dizer que apesar de Mariah ter te dado cano, essa viagem de final de ano pra Shangai foi um arraso? – via as fotos no celular da amiga – Nossa, que da hora isso aqui! – exclamou

 

--Muito mais que dar cano ela terminou comigo, Rute. – respondeu fazendo um bico – Aí depois me ligou toda mansa, pra acabar encerrando o papo com o diabo no corpo achando que fui pra cama com alguém na virada do ano. – relembrou de cara feia

 

--E foi? – olhou para a amiga com curiosidade

 

--Ah... Passei o réveillon fazendo um mini cruzeiro de luxo porque fui convidada por dois colegas da comissão técnica do evento e suas respectivas famílias. – contava – Eu não tinha opção, era isso ou sozinha no hotel. – olhava para Rute – Mas acontece que um deles reencontrou não sei quando e não sei onde um italiano, colega de pós, e convidou o cara pro mesmo cruzeiro. E ele tinha uma irmã... – passou a mão nos cabelos

 

--Que você jogou na cama enquanto os drones davam shows no céu estrelado? – deduziu tudo

 

--Eu tava solteira, né? – respondeu se defendendo – E deu tempo de ver o show, tá? -- selecionou uma foto e mostrou – Olha que lindo no céu! – apontou – Falei pra Stela mais ou menos assim: vamos simbora, mulher, se vestir que tá na hora! E ela foi até bem rápida. – comentou – Eu me vesti em dois tempos.

 

Teve que rir. – Ai, ai, Yasirah... – balançou a cabeça negativamente – Vocês sofreram tanto durante aquela separação de quase três anos, reataram do nada no melhor espírito de ‘agora vai’, daí terminam por causa de uma viagem de fim de ano e por isso você se dá ao direito de jogar na cama a primeira beldade que aparece... – suspirou – Quando as duas realmente vão crescer, hein?

 

--Não fui eu que terminei! – defendeu-se – Aliás, eu nunca terminei com ela, foi sempre o contrário. – revirou os olhos – E terminar comigo dessa vez por causa da viagem foi ridículo! – fez cara feia – Chutei o balde mesmo!

 

Voltou a admirar as fotos e nada respondeu. -- Nossa! Gente bonita! – reparou – Essa aí é a tal? – apontou para a loura – Deduzo que esse do seu lado seja o irmão dela. -- concluiu

 

--Na hora do show dos drones ele não desgrudou de mim. Mas sem qualquer objetivo sexual. – esclareceu – Acho que era pra disfarçar... os gostos da irmã. – sorriu – Eu deixei ele se aproximar e fingi que tava rolando um clima. Não ia ficar no convés do barco de casalzinho com a gringa, né? Deus me livre de alguém pescar o que rolou entre nós no meu camarote! – revirou os olhos – Ela não me pareceu se incomodar com aquele teatro.

 

Pensou um pouco antes de falar até que decidiu dizer o que achava há tempos: -- Sabe amiga, às vezes acho que essa situação de você esconder a sete chaves que é lésbica é o que no fundo mais incomoda Mariah. – olhava para a outra – Talvez tanto ou até mais que seu lado workaholic! – considerou

 

--Eu ainda não tô pronta pra deixar o mundo saber do trem que eu gosto! – respondeu de imediato – E Mariah é criança demais. Parece que nunca sai da adolescência! – ajeitou-se na cadeira – Tá prestes a fazer 30 e é a mesma criancice de sempre! – reclamou

 

Achou graça. – Eu não sou lésbica mas não preciso ser pra saber que relacionamentos são sempre complicados. – devolveu o celular para a amiga – Você deveria também fazer uma auto crítica e ver até que ponto tem culpa neste cartório. Parece que no fundo você tem medo de aceitar que a ama. – pausou brevemente -- E sempre que terminam, acaba pulando na cama de alguém como se quisesse convencer a si mesma que não precisa dela.

 

--Ai, Rute, por favor. – não gostou do que ouviu – Não quero começar o ano me consumindo com as crises de Mariah, tá legal? Sem base isso aí que você falou! – estava chateada -- Se dessa vez nossa história acabar de vez, que se dane! – olhou para frente e viu que mais duas pessoas se aproximavam – E vamos mudar de assunto que Fabiana e Marta vêm vindo. – indicou discretamente

 

--Oi, queridas! – Marta deu beijos de comadre nas amigas – Almoçaram ou lancharam? – sentou-se

 

--Almoçamos. – Rute respondeu sorrindo – Quero começar o ano com hábitos melhores. Afinal de contas somos médicas, professoras e devemos dar o exemplo. – brincou

 

--Vocês são médicas! – Yasirah protestou brincando – Eu sou matemática. – cumprimentava Fabiana – A prima pobre da famia. -- brincou

 

--E eu tô mais pobre ainda, que nem professora sou. – Fabiana complementou ao se sentar – Pelo menos não até voltar pra Floripa, daí. – sorriu para as demais

 

--Mas você já defendeu a tese e passou no concurso da Universidade da tua terra; o que falta? – Yasirah perguntou curiosa

 

--As últimas burocracias que minha professora convidada pra banca me mandou cuidar. – olhava sorridente para Yasirah

 

--Ah, mas isso você mata fácil, uai. – respondeu  brincando – Sua convidada é gente boa e ela não vai querer te ferrar. – sorria para a outra

 

--Não? – aproximou-se discretamente e falou mais baixo – Que pena...

 

Yasirah ficou sem graça e desejou que as demais não tivessem percebido o lance. Para sua sorte, realmente não perceberam pois falavam de outro assunto.

 

--E como foi o réveillon em Shangai? – Marta perguntou curiosa – Ainda temos 15 minutos de intervalo e eu queria ver umas fotos. – sorria para a colega

 

--Ah, claro. – pegou o celular e localizou a primeira foto do conjunto – Pode ir vendo aí. À vontade. – entregou para a mulher – Rute já viu tudo e pode até ir explicando. -- sorriu

 

--Depois eu quero ver também. – Fabiana respondeu colocando uma das mãos sobre a coxa da morena – Tenho curiosidade em conhecer como é o lado de lá. – apalpou a perna da outra

 

Estavam sentadas em um conjunto de duas mesas de um dos trailers da universidade que servia almoço. Rute de frente para Yasirah, com Marta a seu lado e Fabiana ao lado da morena.

 

--Gente, quem é esse gato?! – Marta perguntou assanhada ao mostrar a foto para Yasirah – Esse aí do teu lado!

 

--Ah, eu fiquei com ele no réveillon. – mentiu – Se era pra ir tão longe virar o ano, tinha que ser na categoria, né, fi? Sozinha é que não dava! -- gesticulou

 

Fabiana teve vontade de rir mas se conteve. Rute olhou para a amiga com cara de repreensão.

 

--Eu hein, Rute, não olha pra ela desse jeito! – Marta voltou a ver as fotos – Yasirah é solteira, gata, poderosa, pode se dar ao luxo de sair pegando homens ao redor do mundo como faz sempre. – continuava passando as fotos – Nós é que não podemos, né, meu bem? Casamos, tivemos filhos... – suspirou – Não que eu me arrependa, mas quando vejo um tipo desses aqui, dá até um fogo na bacurinha! – brincou

 

--Por que você foi sozinha? – Fabiana perguntou enquanto continuava deslizando a mão pela coxa da outra discretamente por baixo da toalha da mesa – Aquela sua... companheira de viagens foi passar o fim de ano em outro lugar? – falava de Mariah

 

Ficou desconfortável com aquela pergunta. -- Ah, ela recebeu uma demanda pra elaborar um projeto de um sistema que ajudasse a identificar a retinopatia diabética em indivíduos adultos e daí evitar a cegueira. – contava parte da verdade – Aí investiu em Deep Learning pra analisar as fotografias da retina... – retirou discretamente a mão da outra do lugar onde estava – Isso tomou tempo.

 

“Hum... devem ter terminado!” – Fabiana pensou satisfeita

 

--E deu certo? – Marta perguntou curiosa

 

--Até meus últimos dias aqui antes da viagem, os testes mostraram que a ferramenta conseguiu obter taxa de sucesso igual à dos médicos. – pausou brevemente – Com todo respeito. – levantou as mãos para cima

 

--Vejo com muito bons olhos essa união da medicina com as ciências exatas. – Rute começou a falar – Desde que Yasirah e seus alunos do IMC se uniram a nós, nosso trabalho ficou muito mais rápido e assertivo graças aos conceitos matemáticos que entraram em cena. – olhava para as demais – Aprendemos mutuamente e todos saem ganhando, especialmente a sociedade!

 

--E pensar que um dia me disseram que uma graduação em matemática seria a coisa mais inútil da minha vida... --  lembrava-se de seu pai – Bem, queridas, a conversa tá ótima, porém eu tenho que ir. – levantou-se – Vocês estão em casa e eu ainda tenho que ir pro meu departamento. – pegou a bolsa

 

--Seu celular. – Marta devolveu o aparelho – Bom ano pra você e praquele pessoal que estuda coisas inúteis. – desejou brincalhona

 

--Pra nós! – guardou o celular na bolsa – Beijos! – soprou um beijo para as demais

 

--Depois eu te procuro pra falar da tese. – Fabiana disse – Tenho algumas dúvidas numas coisinhas, daí. – sorria para a outra

 

--Tá bom. – respondeu brevemente – Tchau! – afastou-se e saiu

 

Rute e Marta também se arrumaram para partir, enquanto Fabiana permaneceu sentada, seguindo a mulher com o olhar.

 

 

ÁUSTRIA. 09/01/2020. SEDE DA SAÚDE INTERNACIONAL (SI).VIENA. 13h00.

 

Theodoro Tsinakis, diretor geral da SI, seguia apressadamente pela escadaria do prédio ao lado de outras autoridades da organização.

 

--Excuse me, sir. (Com licença senhor). – um repórter local se aproximava – Did you sir consider even necessary to announce about this virus so early? (O senhor considerou que era mesmo necessário anunciar sobre esse vírus tão cedo? ) – perguntava com celular em punho enquanto acompanhava o passo dos demais – Não teria sido precipitado?  Talvez o anúncio gere um pânico mundial!

 

--As autoridades chinesas divulgaram as primeiras análises sequenciais do vírus realizadas por suas equipes indicando que os casos de pneumonia que se intensificam no país se devem a um novo tipo de vírus. – respondia sem diminuir o passo – Não há precipitação. É prevenção!

 

--Até agora nenhuma pessoa foi infectada por esse vírus fora da China, não é mesmo? – o repórter continuava cético

 

--Before it happens, we must be prepared! (Antes que aconteça, precisamos estar preparados!) – respondeu com decisão – E a situação na China precisa se estabilizar!

 

--Não seria esse vírus uma peça publicitária ou uma arma de guerra biológica? – especulava

 

--Não nos parece. – respondeu de pronto

 

--E qual é mesmo o nome deste vírus? – o repórter insistia

 

--CONVIDE-0. – preparou-se para entrar – Com licença. – foi seguido pelos demais

 

 

BRASIL. 10/01/2020. UNIVERSIDADE PÚBLICA E DE QUALIDADE.SÃO PAULO. 19h30.

 

Yasirah trabalhava em sua sala quando se surpreendeu com o adiantado da hora. Decidiu pegar suas coisas, fechar a sala e passar no banheiro antes de partir. “Tá tudo muito vazio aqui por ser janeiro. E já é tarde. Hora de ir.” -- pensava

 

Uma jovem mulher entra no mesmo banheiro que ela e para na porta lhe observando.

 

– Boa noite. – a professora cumprimentou desconfiada -- O que deseja? – perguntou olhando para a outra diante de si

 

--O que foi, professora? – respondeu sorridente – Parece até que eu nunca vim aqui, no seu departamento. – entrou sem cerimônias ao trancar a porta – Sabia que tem mais ninguém nas salas?

 

“Que decote é esse, minha nossa... ?” – reparou discretamente – O que você quer aqui, Fabiana? Eu tô de saída. – lavou as mãos e enxugou

 

Fabiana usava um vestido verde curto. Parou ao lado da outra, se apoiando na pia: -- Eu não disse que viria pra conversar sobre a tese? – perguntou insinuante – Eu vim! – sorria

 

--Onde você pretende chegar com isso, hein? – virou-se de frente para a aluna – Sabe que não gosto de misturar trabalho com vida pessoal e veio me passando a mão na perna na frente de todo mundo! – olhava nos olhos – Nosso relacionamento é profissional! – continuava séria

 

Achou graça. -- Ah, é? – envolveu o pescoço da outra com os braços – E quando a gente transou durante o congresso de Salvador, era profissional também? E depois, lá naquele hotel do Rio, também era? – lembrava -- Por isso que me pegou com tanta... como você diz? Categoria? – tentou beijá-la

 

--Isso já faz muito tempo! – objetou – Eu tava solteira e foram duas situações inusitadas que não deveriam ter acontecido! – afastou-se da outra rapidamente – Eu realmente não gosto de misturar as coisas! – gesticulou

 

--Misturar o que?? Você nunca foi minha orientadora, simplesmente fez parte da minha banca e eu já até defendi a tese.

 

--Fabiana, por favor... – não queria prolongar aquela conversa

 

--Você esperou pela formatura de Mariah pra jogar ela numa cama, daí? – continuava provocando – Ou bastou o final do período?

 

--Olha só, garota, Mariah só fez uma disciplina comigo. – respondeu contrariada e encaminhou-se até a porta – Acho melhor você ir! – preparou-se para abri-la

 

--Você não ama aquela mulher. – segurou-a pelo braço – Se amasse não teria rolado nada entre nós!

 

--Já disse que nas poucas vezes em que rolou alguma coisa, Mariah e eu estávamos separadas. – desvencilhou-se

 

--E tu podia ter ficado com outra mas ficou comigo! – puxou a morena para um beijo inesperado

 

Desvencilhou-se novamente interrompendo o beijo. –  Por favor, isso não é certo! – falava de cara feia – Você volta pra Florianópolis, já tá com a vida arrumada por lá e é isso. Cada uma com seu destino.

 

--A gente podia tentar agora... – insistia insinuante – Alguma coisa com mais conteúdo...

 

– Fabiana... – não queria ser grosseira – Por mais que eu te ache linda, gostosa e interessante, -- pensava em como falar -- você e eu é uma história que não vai acontecer. – olhava para a jovem

 

-- Por que? – afastou-se insatisfeita -- Por causa da Mariah ou só pra não desmanchar a imagem de hétero inatingível que você criou?

 

--Eu não vou discutir isso de novo! – destrancou a porta – E nem quero brigar com você...

 

Ajeitou os cabelos. – Você é a mulher mais hipócrita que eu já conheci! – afirmou com desdém

 

--Posso saber por que? – olhava nos olhos – Nunca te busquei, nunca te prometi nada, nunca te enganei... – pôs as mãos na cintura – E até onde me conste, a senhora também não é assumida!

 

--Não sou, mas não me escondo atrás da pose de gostosona cheia de historinhas de casos com homens aqui e ali! – respondeu de imediato – Você ficou com aquele boyzinho da foto no réveillon? Faz-me rir! – riu brevemente

 

--Eu simplesmente disfarço porque não quero dar mole pra fofoca com meu nome! – defendeu-se

 

--Disfarça? – discordava – E pra Mariah, qual é a desculpa que você dá pra nunca resolver sua vida com ela? – questionou desafiadora – É a sua obsessão em ganhar um Nobel da Medicina que atropela os sentimentos de todo mundo? É o seu medo de desmanchar a imagem de mulher irrepreensível que você criou? – caminhou até a porta em passos firmes – Sabe, Yasirah? – aproximou-se novamente -- Às vezes me parece que nem tu sabes realmente quem és! – empurrou a outra e saiu sem se despedir

 

Respirou fundo e balançou a cabeça contrariada. -- E eu ainda tenho que ouvir tudo isso... – falou consigo mesma – Melhor ir embora antes que a coisa fique ainda pior... – saiu

 

 

TAILÂNDIA. 13/01/2020. BANGKOK HOSPITAL CHI ANG ME WO MAI.BANGKOC. 09h32.

 

--Tem certeza doutor? – o jovem perguntava agoniado – Minha mãe contraiu mesmo esse tal de CONVIDE-0? Não pode ser, ela ficou tão pouco tempo na China. Foi uma viagem rápida, só para visitar meu irmão! E agora? – estava com medo -- Mai sa bai... (Não estou bem...) – passou a mão no rosto

 

--Eu entendo sua preocupação, mas não é motivo para desespero. – o médico explicava ao rapaz – Sua mãe ficará sob observação porque é necessário. Mas não pense no pior. – tentava acalmá-lo -- O importante agora é você também cuidar de se prevenir. Não fique aí passando a mão no rosto. – aconselhou – Agora com licença. -- fez um gesto com a cabeça e se afastou, indo de encontro a um colega de profissão – Doutor Arthiti, venha comigo, por favor. – começaram a andar em direção ao elevador – O número de mortos pelo CONVIDE-0 não para de crescer, como anunciado pelas autoridades chinesas. – afirmava com preocupação – E hoje constatamos o primeiro caso aqui. Uma mulher que voltou de uma viagem a Wuhan. – narrava os fatos – Temos que informar à Saúde Internacional, pois até então não há registros de pessoas infectadas fora da China.

 

--Vamos para a sala do diretor agora! – apertou o botão do elevador – Não quero a Tailândia passando pelo que a China tem vivido!

 

 

BRASIL. 14/01/2020. BAR DA LAPA.RIO DE JANEIRO. 21h06.

 

--E aí? – Paulo perguntava caprichando nos olhares -- O que leva uma gata como você a se enveredar na carreira de engenharia da computação? – sorria – E ainda a largar o Rio pra fazer faculdade e morar numa cidade fria como São Paulo? – debruçou-se sobre a mesa – Por que não voltou depois de formada? Você acreditou que seu príncipe encantado tava por lá? – fazia uma voz mais grossa que o natural – Dizem que no Rio tá cheio de viado mas olha que São Paulo tem mais, tá ligada?

 

“Ai, gente, fala sério...” – pensou ao revirar os olhos – Olha só, eu vou no toalete e nesse meio tempo você pensa uma coisa mais interessante pra me falar, tá bom? – levantou-se – Ou nem fala nada. Melhor! – jogou os cabelos e seguiu para o banheiro

 

--Cara, que tôco! – Marcelo zombou do colega enquanto acompanhava a mulher com o olhar – Porra, Paulão! – olhou para ele

 

--Essa Mariah é muito gata, gostosa, estilosa, eu tenho que pegar essa mulher, porra! – gesticulava – Mas ela não dá mole!

 

--E depois dessa tua abordagem irresistível, aí... – riu – Sei não, acho que ela tá caidinha! – riu ainda mais

 

--Te contar, vira e mexe a empresa dela trabalha com a gente e vocês não se mancam! – Bianca se levantou revoltada – Puta que pariu, viu? – seguiu para o banheiro também

 

--Quê que deu nela? – Paulo perguntou intrigado

 

--Sei lá... – bebeu um gole de chope e ficou reparando no ambiente para ver as mulheres

 

Mariah havia acabado de sair da cabine e lavava as mãos na pia. Bianca chegava nesse momento.

 

--Olha só, foi mal pelo Paulo, tá? – parou do lado da outra – Ele é muito sem noção e não devia fazer isso, ainda mais que nossas empresas vira e mexe tão trabalhando juntas.

 

--De fato eu não gosto dessa mania dele vir me dar essas cantadinhas escrotas. Eu sabia que saindo com vocês essa noite isso ia acontecer. – virou-se de frente para a outra -- Só aceitei vir junto porque não tô bem. – pegou papel para secar as mãos – E definitivamente meu negócio não é homem! – falou sem pensar – “Ótimo, Mariah, se entregou de bandeja pra sócia da empresa cliente!” – recriminou-se mentalmente – Que merda! – resmungou ao jogar os papéis no lixo

 

--Relaxa que eu também sou das tuas. – afirmou sorridente – Seguinte; -- abriu a porta de uma cabine – me espera lá fora que a gente dá um perdido naqueles dois manés e bate um papo longe dos machos alfa. – propôs – Não tô te cantando, pode ficar despreocupada. – entrou na cabine e fechou a porta

 

“Mesmo que cante, melhor isso que aturar aquele idiota!” – pensou ao sair do banheiro

 

***

--Até que esse lugar é maneirinho... – Mariah comentava enquanto reparava no ambiente – Música boa, som ambiente, gente bonita... – bebeu um gole do drink – E esse Vanilla Palm tá foda! – elogiou antes de beber de novo

 

--Eu sabia que você ia gostar. – cruzou as pernas – Quando minha ex e eu estávamos abaladas e queríamos discutir a relação, a gente sempre vinha pra cá. – contava – E eu sempre pedia a mesma coisa: -- ergueu o copo – Mojito! – bebeu um gole

 

--Então você também teve uma ex complicada? – perguntou curiosa

 

--Tive... – respondeu pensativa – Andreia era casada e vivia naquela eterna dúvida se separava ou não... – mirava um ponto no infinito – Aí um dia eu cansei disso e mandei pastar! – bebeu mais um gole – Andei saindo com umas e outras aí, mas agora tô na pista. – olhou para a colega – E te digo, amiga: a pista tá salgada! -- reclamou

 

Achou graça. “Pista salgada... nunca ouvi falar nisso!” -- pensou

 

--Mas me conta aí, desabafa. – pediu – Por que você não tá bem? Tenho certeza que tem mulher no meio... – debruçou-se sobre a mesa – E relaxa que o que se conversa no Ponto L, morre no Ponto L. – referia-se ao bar onde estavam

 

--Ah... – ficou brincando com o copo – Já faz quase dez anos que eu vivo um relacionamento instável com uma pessoa que me deixa louca! – contava – Sob todos os aspectos... – sorriu

 

--Dez?! Puta que pariu! – exclamou surpreendida -- E quem é essa? – perguntou assanhada – Conta tudo, que eu quero saber! – pediu – Comece me dizendo quem é a bofa e como se conheceram. Não poupe os detalhes sórdidos!

 

Achou graça. “Não há nada de mais em desabafar com ela. Tô precisando mesmo disso...” – pensou – Eu conheci Yasirah no meu quinto período... – contava – Vi uma entrevista dela no Entusiástico e fiquei louca! Especialmente ao saber que trabalhava justo na minha universidade.  – sorriu -- Daí fui caçar uma disciplina que ela desse aula e eu pudesse fazer. Não deu outra: probabilidade e estatística... -- lembrava -- Acaba que um bom conhecimento de probabilidades é essencial pra quem quer trabalhar com inteligência artificial, então foi perfeito. – passou a mão nos cabelos – Eu me inscrevi e passei um período inteiro vendo Yasí toda terça e quinta. – usou o apelido que deu à ex namorada

 

--Gente, cê deu uns pegas na professora? Jura?? – perguntou excitada – Nossa, que mulher louca! – sorria

 

--Eu achei ela muito gata, muito foda, muito tudo! – pegou o celular e buscou uma foto – Olha ela! – mostrou

 

--Cara, que gataaa! – exclamou empolgada -- Você pegou antes, durante ou depois de ter feito a tal disciplina de propabilidade? Chegaram a trepar na sala de aula? – perguntou cheia de fogo – Ou foi na sala dela mesmo?

 

--Não! – respondeu achando graça – A gente só ficou depois que o período acabou e não foi na faculdade...  – guardou o celular – Antes eu não a conhecia e durante eu dava mole, mas ela fingia que nem, nem... cheguei até a pensar que fosse hétero como adora fingir que é. – contava

 

--Mas e aí, quem pulou em cima de quem? – queria saber

 

--Eu procurei por ela depois do final do período com uma conversa qualquer, convidei pra ir numa exposição cultural, ela topou e... – sorriu – começou ali.

 

--Vocês treparam aonde? – perguntou curiosa – Foi em algum buraco na exposição mesmo? Conta tudo! Detalhes, detalhes!

 

--Não, sua doida! – achou graça e bebeu o último gole da bebida – Naquele dia a gente curtiu a exposição, foi prum barzinho e conversou... – lembrava

 

--Pelo fim do século XIX, os matemáticos começaram a desenvolver um novo tipo de geometria que lá pelas tantas foi chamada de topologia; uma área muito sofisticada da matemática, que pode-se dizer que se iniciou com o trabalho de Euler e sua despretensiosa equação para poliedros. – Yasirah explicava -- A topologia estuda certas propriedades das formas geométricas, como círculos, esferas, cilindros e até nós, as quais não variam quando essas formas geométricas são deformadas. Pra você ter uma ideia de como a coisa é bem pensar “fora da caixa” – fez aspas com os dedos -- a topologia não faz distinção entre uma lata cilíndrica e um círculo, por exemplo, pois ambas podem se transformar uma na outra. – olhava para a jovem – No dia a dia, a maioria esmagadora das pessoas até pode não conseguir perceber pra que a topologia serve, mas ela tem sido usada de forma crescente na Biologia e na Medicina, por exemplo. – falava com empolgação – A topologia tem nos ajudado a entender o funcionamento do DNA! – exclamou sorridente – Através de cálculos topológicos, podemos predizer o que uma dada enzima pode fazer no DNA, por exemplo. A comparação entre experimentos e os modelos matemáticos tem mostrado que os cálculos são aderentes à realidade!

 

Mariah ouvia admirada. – Então foi assim que você foi parar lá na Medicina? – perguntou interessada

 

--Comecei coorientando uma aluna da Biologia que se interessou por topologia e através da orientadora dela conheci minha amiga Rute. Daí Medicina e Matemática firmaram um casamento que já dura... – parou para pensar – sete anos!

 

--E foi esse trabalho com topologia matemática e DNA que foi indicado ao Nobel? – perguntou curiosa

 

--Sim. – respondeu de imediato – E por muito pouco não levamos.

 

--Eu vi sua entrevista no Entusiástico... – fez um charme – Fiquei louca de vontade de te conhecer. – sorriu – Sabia que foi por isso que puxei sua disciplina? Eu podia ter cursado pela Engenharia mas fiz questão de fazer pelo IMC.

 

--E eu inocentemente acreditando que era seu gosto pela matemática. – brincou fazendo um charme também

 

--Eu juro que passei a ver a matemática com outros olhos depois de você... – apoiou o queixo sobre uma das mãos – Até passei a gostar de probabilidades... – sorria sensualmente – Embora ache que eu não seja muito boa no teste de hipóteses, porque ainda não sei se a hipótese nula é verdadeira, ou seja, se você me vê apenas como uma aluna, uma estudante... – fazia um charme

 

--O período acabou, as condições de contorno mudaram. – reclinou-se sobre a mesa – Talvez você não tenha se dado conta disso e por essa razão não  conclui corretamente sobre o teste de hipóteses. – sorria – Nestas circunstâncias a hipótese nula é refutável. E considerando que a distribuição de probabilidades é regida por uma distribuição normal, – brincava – pode contar, com confiança, que ela é realmente falsa! – quis dizer que via Mariah não somente como uma estudante

 

--Então... – pensou antes de propor – será que você me daria uma carona pra casa? – arriscou

 

--Com toda certeza! Probabilidade igual a 100%! – procurou pelo garçom e acenou para ele – Por favor, a conta! -- gesticulou

 

Mariah sentiu um frio na barriga e ajeitou-se na cadeira mal disfarçando o nervosismo.”

 

--Mas e aí? Depois desse papo cabeça vocês treparam no carro, na tua casa ou nos dois?? – queria saber

 

--Não! – achou graça novamente – A gente só se beijou... – passou a mão nos cabelos – E foi muito especial... – suspirou

 

-- Como eu falei, sou carioca e pra estudar aqui fiquei dividindo apartamento com uma amiga, que é filha de uma amiga da minha mãe... – olhava para a outra – Só que hoje ela tá na casa do namorado e eu sei que não volta... – virou-se de lado no banco do carro – Você podia entrar... – convidou titubeante – A gente podia conversar um pouco mais... – mordeu o lábio inferior

 

Yasirah virou-se de lado também e olhou profundamente nos olhos da jovem. – Eu acho que se aceitar esse convite pra lá de tentador – estendeu a mão e fez um carinho no rosto da outra -- não vou conseguir controlar a vontade absurda que eu tô há tempos – deslizou o polegar lentamente sobre os lábios da ex aluna -- de beijar essa sua boca linda e avançar pra muito mais além disso... – afirmou sem rodeios

 

Mariah ficou sem graça, excitada e nervosa ao mesmo tempo e não conseguiu responder.

 

--Mas eu não quero que seja assim. – continuava acariciando-lhe o rosto – Não tô com pressa... – olhava fixamente nos olhos – mas quero que tenha no que pensar. – aproximou-se e beijou-a com intensidade

 

“Meu Deus!” – sentiu o coração disparar quando a língua da morena iniciou uma deliciosa dança com a sua própria

 

Yasirah deslizou uma das mãos por uma coxa da jovem e alcançando a cintura puxou-a mais para perto de si. A outra mão seguiu para a nuca, enquanto o beijo prosseguia quente.

 

--Ai... – Mariah gemeu quando o beijo se encerrou – Ah... – sentiu uma suave mordida em seu lábio inferior e no queixo

 

--Melhor você entrar, meu anjo. – novamente acariciou-lhe o rosto – Eu vou ficar te olhando e só saio quando sumir das minhas vistas. – segurou uma das mãos dela com as duas mãos e beijou – Boa noite! – sorriu sedutoramente ao se afastar um pouco e soltar a mão da outra

 

A estudante virou-se de frente, respirou fundo e falou: -- Boa noite. – olhou rapidamente para a morena e saiu do carro. Seguiu para o prédio, entrou e parou na portaria para acenar – Tchau... – sussurrou

 

Yasirah deu duas buzinadas breves e partiu com o carro.”

 

--Hum, ela fez o maior tipo de cavalheira pra te deixar bem interessada! – afirmou animada – Te deu um beijo daqueles e foi embora! – sorria

 

--Nunca um beijo tinha me deixado tão... – lembrava – Nossa, eu tomei um banho frio mas fiz muita reflexão antes, sabe? – indicou os dedos

 

--Imagino! – entendeu o que a outra quis dizer – Mas e aí? E quando rolou a primeira trepada com essa professora safada? – estava louca de curiosidade – Essa história promete! – esfregou as mãos

 

Riu brevemente. – Nossa primeira vez foi mais ou menos dois meses depois daquele dia. A gente não se via sempre... Foi durante uma viagem pra Campos de Jordão... e foi muito especial... – sorriu – Eu já havia estado com outras garotas mas nada como foi estar com Yasí... -- lembrava

 

O quarto era aconchegante e amplo. As luzes estavam apagadas, mas o prateado da lua invadia o ambiente e dava-lhe um ar todo especial. A cama de casal estava desforrada, esperando por elas com o edredom aos pés. As duas estavam de pé, ambas vestindo roupões, e olhavam-se nos olhos como se estivessem imantadas uma na outra. Não se tocavam, mas estavam próximas.

 

--Eu sei que nenhuma de nós é inexperiente, mas nem por isso deixa de ser especial... – falava com voz calma – Quero que saiba que não tô te vendo como um passatempo ou uma amante qualquer. – acariciava o rosto da jovem com uma das mãos – Eu quero te conhecer por inteiro... – deslizou o polegar sobre os lábios da outra – Mesmo naquilo que você usualmente não mostra. – continuava acariciando o rosto

 

--Sim, amor... – sentia-se hipnotizada

 

--E mais importante: -- com a outra mão abriu o próprio roupão e o deixou cair – não tenha vergonha de absolutamente nada! – pediu com intensidade

 

Sentiu o coração acelerar e não teve coragem de contemplar o corpo da namorada. – Não... – respondeu quase num sussurro

 

A morena abriu o roupão da outra sem deixar de lhe acariciar o rosto. Ao percebê-la despida olhou-a de cima a baixo com desejo. – Você é linda! – puxou-a pela cintura com força para junto de si e a beijou com paixão. Uma das mãos envolvia-lhe a cintura e a outra seguiu para a nuca.

 

Mariah se surpreendeu em ser tomada daquele jeito e ficou arrepiada. -- Ah... – gemeu durante o beijo. Línguas dançavam entrelaçando-se com desejo

 

Yasirah deslizou as duas mãos pelas costas da jovem e a levantou pelas coxas, fazendo com que ela envolvesse sua cintura com as pernas. Mariah segurou o rosto da outra com as duas mãos.

 

--Ai, você me enlouquece! – respondeu excitada ao beijá-la novamente

 

--Ainda nem começamos, minha linda... – beijou-a com a mesma paixão

 

Sem interromper o beijo, a professora seguiu para a cama e se sentou na beirada. Percorreu uma trilha de beijos e mordidas pelo pescoço da jovem, deslizando as mãos pelas costas dela até apertar as nádegas com força.

 

--Ai, você tem uma pegada forte... – sorriu e envolveu o pescoço da morena com os braços – Hum... – sentia sua orelha ser mordida

 

--Tá muito forte? – sussurrou no ouvido – Faço do jeito como quiser... – mordeu-lhe o queixo e apertou suas nádegas novamente

 

--Me pega assim desse jeito... – pediu dengosa – forte... – beijou-a – Eu adoro!

 

A professora movimentou o corpo com cuidado deitou a parceira de barriga para cima. Segurou uma das pernas e seguiu beijando, mordendo e lambendo a partir do pé até o meio da coxa, quando Mariah sorriu e rapidamente se afastou da outra deitando-se no meio da cama.

 

--Tá fugindo? – perguntou sorridente – Não vai adiantar muito, meu bem... – engatinhou em direção a jovem – Eu vou conhecer cada parte... – abriu as pernas da ex aluna e se posicionou entre elas – desse corpo... – beijou-lhe a barriga – delicioso... – lambeu e mordiscou levemente um mamilo

 

--Ah... – gemeu com os olhos fechados – Ah... -- foi surpreendida por um beijo

 

Sem deixar-se pesar sobra a outra, Yasirah seguiu beijando-lhe o pescoço, percorrendo um caminho de intensa exploração da pele sob seus lábios até chegar na altura dos seios. Apertou um deles com força dosada, deslizando o polegar sobre o mamilo e beijou o outro, mordendo e lambendo.

 

--Ai, amor... – segurou a outra pelos cabelos – Ah...

 

Os lábios seguiram mordendo, sugando e beijando em direção ao seio que sua mão pressionava. – Você é muito perfeita... – levantou a cabeça e sorriu – Quero te provar agora! – seguiu beijando ao longo do abdômen até invadir o sexo da namorada com língua e lábios. As mãos pressionaram os seios estimulando os mamilos

 

--Ah!!! – gemeu alto e arqueou as costas fechando os olhos – Ai, amor, ai... – abriu mais as pernas sentindo-se devorada – Ai, ah! – puxava os lençóis

 

Yasirah provocava a parceira com sua língua, fazendo pressão firme e movimentos circulares, sugando de quando em vez e brincando prazerosamente com o sexo da outra. As mãos se alternavam entre os seios, o abdômen e as coxas.

 

--AH, AH, AH, AH!!! – gemia alto com os olhos fechados – AH!!

 

Percebendo que a jovem se aproximava do orgasmo, a professora interrompeu o que fazia e seguiu beijando, lambendo e mordendo o abdômen da parceira até se deter novamente nos seios. Deslizou uma das mãos entre as penas dela e introduziu dois dedos firmes.

 

--AHH!! – gemeu alto novamente

 

--As minhas mãos são... – seguiu beijando até o pescoço – ásperas... – suportava a maior parte do próprio peso -- por causa do esporte... – mordeu-lhe a orelha – machuca você? – sussurrou no ouvido acelerando as penetrações

 

--Ai, eu gosto, não para!! – abraçou a amante – Ah!

 

--Mostra pra mim que você gosta... – continuava sussurrando – Goza pra mim... – introduziu os dedos mais profundamente e desacelerou as investidas, mantendo-as firmes -- Hein? – deixou o corpo pesar sobre a ex aluna

 

--AI!! – gemeu alto – AH!!

 

--Muito peso pra você? – beijava-lhe o pescoço

 

Mariah não conseguiu responder e de repente sentiu o corpo tremer num orgasmo intenso e delicioso. Gemia bem alto com os olhos fechados cravando as unhas nas costas da parceira.

 

--Isso, goza pra mim... – sussurrava no ouvido sem interromper as penetrações – Vem, linda, assim... – mordeu-lhe o queixo – Isso...

 

Lentamente a jovem se acalmava, perdida em sensações que ainda lhe eram desconhecidas. Abraçou-se à parceira com mais força e tranquilizava a respiração.

 

--Linda! – sussurrava entre beijos e mordidas no pescoço da amante – Você é linda...

 

Abriu os olhos e sorriu. – Meu Deus... – suspirou

 

Yasirah removeu os dedos e puxou a outra para mais junto de si, segurando-a pela coxa. – Linda! – beijou-a

 

--Ai, você... – interrompeu o beijo – Ai... – sorriu

 

--Acho que consegui entender como você funciona. – sorria para a amante – Linda! – beijou-a mais uma vez – Gostosa... – deslizava uma das mãos pelo corpo dela

 

--Acha que conseguiu? – riu brevemente – Eu nunca tive um orgasmo desses... – confessou envergonhada

 

--Prepare-se pra muitos mais... – beijou-a mais uma vez

 

--Gentem!!! – Bianca se remexeu toda na cadeira – Garçom, traz outro Mojito! – gritou para o primeiro que passou – Urgente! – o homem sorriu e foi providenciar – Malucaa!! – olhou para a colega -- Não me descreve uma foda dessas que eu tô carente, precisada e posso cair estrebuchando aqui a qualquer momento! – falava com afetação

 

--Você não disse que queria saber? – achava graça – Eu contei... – ajeitou-se na cadeira também

 

--E foi nesse ritmo a noite toda? – debruçou-se novamente na mesa

 

Balançou a cabeça positivamente. -- Eu mal tinha tempo de pensar! – pegou uma mecha do próprio cabelo -- A verdade é que... – começou a enrolar e desenrolar o cabelo nos dedos -- Eu tinha dificuldade pra gozar... Eu fingia... – confessou sem completar a frase – Mas com Yasí... – sorria – Aquele jeito provocador, a pegada forte e ao mesmo tempo cuidadosa comigo, a total falta de vergonha, a safadeza que é bem dela... – olhou para a outra – Sempre gozei. E muito! E embora muitas vezes, não só naquela noite, tenha batido uma insegurança tremenda de como agradar uma mulher daquelas na cama... – continuava brincando com o cabelo – Ela soube me guiar nos meus momentos de dúvida. – lembrou de uma coisa e riu brevemente – Yasí fala que goza só de me ver tirando a roupa... – sorria – Ela fica doida comigo! – afirmou toda prosa – Adoro provocar!

 

–Ai, que inveja! – continuava interessada no relato – Na cama já vi que ela é foda, mas e no dia a dia? É uma namorada boa, boa pessoa? Carinhosa? – a curiosidade só aumentava

 

 

--Ela é carinhosa... É gentil, se importa, presta atenção nas minhas coisas... – passou a mão nos cabelos – Acredita que ela até revisou meu trabalho de fim de curso e solicitou mais correções que meu próprio orientador? – achou graça – E a gente flui um diálogo legal, temos gostos parecidos... – pausou brevemente – Ou fui eu que fiquei com os gostos parecidos com os dela. – considerou – Yasí teve muitas influências positivas sobre mim ao longo desses quase dez anos. Até passei a beber uma vez ou outra ao contrário de antes, quando eu bebia bem mais.

 

--E se é assim, por que a coisa entre vocês é tumultuada? – não entendia – Gente, eu ouço, ouço e não vejo qual é!

 

--Porque eu fico puta que ela nunca me assume! Nesses anos todos! – queixou-se – Fico puta que ela trabalha demais e muitas vezes parece que nada e nem ninguém importa. Só a porra do trabalho! – desabafava – E fico puta porque tenho ciúmes de umas aluninhas da pós, -- afirmou com despeito – e de umas fulanas que ela conhece mundo afora quando sai por esses congressos e coisas do gênero. – ficou de cara feia

 

--Como assim não assume? Você quer casar e ela foge, é isso? – perguntou curiosa – Pensei que não fosse assumida. – o garçom trouxe o novo drink e deixou na mesa – Obrigado! – agradeceu e bebeu um bom gole

 

--Eu não quero e nem preciso sair gritando pro mundo que sou lésbica, mas também não queria viver no armário. É muito ruim ter uma namorada que tem que ficar disfarçando tudo o tempo todo. – reclamou – Acredita que nem a família dela eu conheço? E a minha ela conhece mas nunca agiu pra se aproximar. Aí eu desisti de insistir.

 

--Porra! – exclamou surpreendida -- Ah, mas você é mais nova, é toda gata, super assediada... Ela é quem tinha que ficar bolada e com ciúmes, não acha? – gesticulava – Se você souber jogar, pode se aproveitar de tudo isso e deixar ela comendo na tua mão! – aconselhou – E até te assumir do jeito como você quer!

 

--Você não conhece Yasirah... – sorriu e mudou de posição na cadeira – Ela é uma pessoa super segura de si e estranha... – olhava para a outra -- É intensa, quente, amorosa e romântica na hora que tá ali, junto com você. Quando a gente faz amor eu me sinto tão bem, tão especial pra ela... sinto como se amasse de verdade, sabe?  – suspirou – Mas quando ela foca no trabalho, eu não faço a menor diferença... – riu brevemente – E definitivamente ela não é ciumenta. – lamentou – Ela passou natal e réveillon em Shangai, arrumou companhia por lá e não ficou nem aí pra mim... a burra aqui foi que ligou pra saber notícias...

 

Estranhava o que ouvia. – Mas você não me parece o tipo que fica chorando e sofrendo sozinha enquanto a professora trabalha e eventualmente se diverte com umas periguetes da pós!

 

--Digamos que quando eu tô na pista ela nunca fica... como é que você disse mesmo? – sorriu – Salgada!

 

--Ah, disso tenho certeza! – apoiou o queixo sobre as mãos

 

--Mas em compensação, eu nunca me satisfaço... Quanto mais o tempo passa acho que ainda ficou pior. É como se eu fosse viciada na Yasí.

 

–E você ainda vai insistir com essa relação ou vai acabar finalmente com isso?

 

--Sinceramente? Não sei... – suspirou – Uma parte de mim quer desesperadamente tirar Yasirah da minha vida, mas outra parte desesperadamente não quer... – pausou brevemente – Nós não ficamos estes quase dez anos juntas, assim, direto. Terminamos e voltamos por várias vezes, mas em períodos curtos. Mas houve um período desses de separação que durou três anos. – explicava – Porém, a verdade é que desde que a conheci eu sou apenas dela. – confessou -- Já beijei umas bocas por aí nessas fases de solidão, fui pra cama com poucas... mas tem sido cada vez mais difícil pra mim querer outra mulher, sabe? – cruzou os braços – É uma merda e eu me sinto uma idiota!

 

Ficou olhando atentamente para a outra diante de si e depois de uns segundos calada respondeu: -- Você precisa dar um choque de realidade nela, querida. Dar uma decisão nessa mulher de uma vez por todas. – afirmou – Ela não vai mudar. A menos que algo muito forte a faça fazer isso. – bebeu um gole da bebida – Eu tive que botar pressão na minha ex, porque do contrário seria aquele eterno martírio pra mim! – falava de si mesma – Só que você tem que estar pronta pras consequências. – balançou a cabeça – Eu demorei, mas quando imprensei Andreia contra a parede, tava pronta pra viver sem ela se a decisão fosse continuar casada! – contava – Sofri muito, amiga, mas eu banquei! E não me arrependo de nada!

 

Mariah ficou pensativamente refletindo sobre o que acabava de ouvir.

 

 

EUA. 21/01/2020. GEORGETOWN UPPEREACHES HOSPITAL.WASHINGTON DC. 11h47.

 

--Doctor Maclane! (Doutora Maclane!) – Will aproximava-se nervoso – Did we confirm the first CONVIDE-0 case here, in United States? (Nós confirmamos o primeiro caso de CONVIDE-0 aqui, nos Estados Unidos?) – perguntou preocupado

 

--Lamento responder que sim, doutor Will. – olhava para o colega – Fiquei particularmente preocupada pois li que a primeira transmissão humana foi provada ontem. – narrava os fatos – Agora o temor em relação ao surto só cresce, porque o ano novo lunar chinês se aproxima. – pausou brevemente – Ao vigésimo quinto dia desse mês...

 

--Oh my... – arregalou os olhos -- Imagine centenas de milhões de pessoas em viagem por aquele país!

 

--Creia quando lhe digo que o mundo vai virar de cabeça para baixo! – cruzou os braços nervosamente

 

--Tenho estudado e li que uma pessoa pode permanecer assintomática em até 40 dias! – falava alarmado – Imagine! Um indivíduo pode ficar até 40 dias contaminando pessoas sem saber!

 

--Penso nisso todos os dias... – Maclane respondeu pesarosa – Não queria ser médica em dias como os que ainda vamos enfrentar por causa dessa doença, especialmente diante de um modelo de saúde que não é universal e só contempla os que podem pagar... – refletia – O mundo é assim, meu caro: só o dinheiro garante um tratamento digno.

 

--Sometimes not even the money… (Às vezes nem o dinheiro…)

 

 

CHINA. 22/01/2020. WUHAN CENTRALIZED NATIONAL HOSPITAL. WUHAN. 09h00.

 

A doutora Ming Ting estava na sala da direção do hospital na presença de mais dois colegas. Faziam uma vídeo conferência com o Ministro da Saúde chinês e outras autoridades.

 

--O CONVIDE-0 é um vírus que realiza mutações muito rapidamente. Ele é inteligente, adapta-se às condições do hospedeiro e se modifica para aumentar as chances de proliferação. – Ming Ting explicava – Ele faz parte de uma grande família de vírus que infectam principalmente animais. Pelo que observamos, inicialmente nos parece que somente animais selvagens eram vetores de transmissão, mas ainda não temos uma hipótese conclusiva quanto a isso. Seja como for, em pouco tempo seres humanos também se tornaram vetores, só que a forma está se modificando rapidamente.

 

--Explique isso melhor. – o ministro pediu

 

--Primeiro as transmissões entre humanos ocorriam somente mediante contato íntimo com secreções. Agora a transmissão já se realiza também por via aérea e em contato com objetos contaminados. Basta uma tosse sem que se isole boca e narinas para que os indivíduos ao redor possam se contaminar. – usava termos simples para que todas as autoridades entendessem – Nestas condições, pensamos que não temos outra escolha senão isolar Wuhan do mundo. É necessário que as autoridades de nosso país cancelem voos, trens, ônibus e interrompam toda forma de acesso a esta cidade.

 

--Fiquei impressionado com o número de mortos em menos de 48 horas que a senhora nos relatou em ofício ontem. Entendo que este isolamento se justifique. – olhou para os demais que balançavam a cabeça concordando – Vamos comunicar ao Presidente e na sequência liberar um comunicado à nação. – decidiu

 

--Muito obrigado, Excelência! – agradeceu fazendo reverência – Tivemos receio que os esperados impactos da medida sobre a economia fossem vistos como entraves ao isolamento que se faz obrigatório. – confessou

 

-- Yīkuài qián duì yīgè dàkuǎn lái shuō shì ji”niúyīmáo! (Um dólar para um milionário é uma gota no oceano!) – respondeu com um ditado popular antes de encerrarem a reunião

 

 

ITÁLIA. 23/01/2020. BELLA VITTA RISTORANTE. BÉRGAMO. 21h23.

 

--Stela, Stela!! – Piero entrava afoitamente na cozinha do restaurante em que a irmã trabalhava

 

--Cos'hai che non va? (O que há de errado com você?) – perguntou mal humorada – A casa está cheia e você aí fazendo escândalo! -- ralhou

 

--Eu não estava acompanhando mas agora que li isso aqui fiquei desesperado! – sacodia uma página de jornal diante da loura – As autoridades chinesas isolaram duas cidades por causa do tal CONVIDE-0 e uma delas é Wuhan! Nós estivemos lá! – estava desesperado

 

--E viemos para casa a tempo de não ficarmos presos – continuava fazendo comida sem se abalar

 

--Você não entende! – olhava fixamente para a loura – Os Estados Unidos, Emirados Árabes e até alguns países africanos começaram a regular os voos que vêm da China! Tudo com medo desse malditos vírus! – explicava – Estourou um surto terrível de CONVIDE-0 na China!

 

--E eu ainda não entendi no que isso nos afeta. – dirigiu-se a outras panelas e tirou comida para servir dois pratos -- Che disperazione! (Que desespero!) – achava bobagem – Desde que chegamos aqui não demos um espirro sequer!

 

--Stela, per l'amor di Dio! (Stela, pelo amor de Deus!) – interrompeu o serviço da irmã – Já se sabe que pode-se permanecer assintomático por até 40 dias! – gesticulava – Nós podemos muito bem estar contaminados! E se assim for, já contaminamos muita gente. – olhou para a comida – Talvez até quem vá comer isso!

 

A loura sentiu o coração acelerar. – Meu Deus! – paralisou – “E eu ainda fiz sexo com aquela brasileira...” – pensou em Yasirah

 

 

FRANÇA. 24/01/2020. HÔPITAL SAINT-JEAN CLAUD IV. PARIS. 10h17.

 

Um jovem médico abordava os colegas na sala de triagem. Preocupação e tristeza eram visíveis em seu rosto.

 

--Qu’est-ce qui s’est passé, Oliver? (O que aconteceu, Oliver?) – François perguntou ao se levantar – Você está até abatido!

 

--Primeiro caso de CONVIDE-0 em Paris. – respondeu ao desabar na cadeira – Turista de Hubei... – encostou a cabeça na parede – Primeiro caso na França. Ou melhor, na Europa! – reconsiderou sua primeira afirmação

 

--Ora, mas se é assim nós vamos dar o tratamento adequado e combater essa doença como a situação exige! – Simone respondeu com decisão – Não somos um país sem recursos e despreparado! – olhava para o colega -- Après la pluie vient le beau temps! (Depois da tempestade vem a bonança!)

 

--Simone, vamos aos fatos. -- olhou para ela – E os fatos são: não há país no planeta preparado para passar por uma epidemia como a causada por esse CONVIDE-0! – respondeu com desânimo

 

Os demais médicos levantaram-se também e seguiram para trabalhar.

 

 

BRASIL. 30/01/2020. UNIVERSIDADE PÚBLICA E DE QUALIDADE.SÃO PAULO. 17h00.

 

Rute estudava sobre o CONVIDE-0 desde a emissão do alerta por parte da Saúde Internacional em 9 de janeiro. Também buscava manter-se informada lendo as notícias que saíam intempestivamente nos veículos de imprensa. No Brasil, o assunto ainda era tratado como um problema distante e, da parte de determinadas autoridades e lideranças, como uma grande bobagem.

 

–Gente, que manchete é essa? – não acreditava -- Surto de CONVIDE-0 é declarado como caso de Emergência de Saúde Pública Internacional no dia de hoje, mas não são recomendadas restrições de viagens ou de trocas comerciais. -- balançou a cabeça negativamente – Como pode isso? Olha quanta coisa acontecendo! Os órgãos internacionais tão esperando o que? – continuava pesquisando -- Pequim suspende as viagens nacionais e internacionais, Hong Kong declara estado de emergência, primeiro caso na Austrália, um caso na Alemanha e outro no Japão afetando pessoas que não estiveram na China... -- franziu o cenho -- Agora já não são mais casos importados, veja só. – consultou outro site -- Finlândia confirma primeiro caso e Rússia fecha fronteira terrestre com a China.


No dia anterior, Rute havia lido sobre um estudo genético chinês confirmando que o CONVIDE-0 provavelmente foi transmitido aos seres humanos através de um animal selvagem específico ainda não devidamente reconhecido. Porém descartava-se a hipótese de animais domésticos serem vetores.

 

A médica interrompeu a leitura e mirou um ponto perdido. “Tenho que conversar com Yasirah!” – pensou – E hoje é aniversário dela. – pegou o celular – Por onde anda essa criatura?

 

Yasirah entrava em casa de cara feia e nem percebeu o celular tocando. Havia tido uma reunião em uma empresa do setor automotivo e no retorno viu que Mariah conversava animadamente com uma mulher ruiva na porta de uma loja. O excesso de toques entre as duas não passou despercebido, embora tenha sido uma visão rápida em função de estar dirigindo.

 

--Bem tenho feito de nem me mexer pra ir atrás dela. Nunca fui mesmo! – reclamava sozinha ao fechar a porta – O melhor que eu faço é continuar meus estudos e tirar essa garota de minha vida de uma vez por todas! – andou até o quarto – Meu objetivo é o Nobel! O resto que se dane. – preparou-se para um banho – Mariah já me deu consumição demais ao longo desses quase dez anos! – foi para o banheiro

 

Uma vez que sua mãe já havia ligado para parabenizar pelo aniversário, não achava que deveria prestar atenção ao telefone.

 

Cerca de uma hora depois, recebe uma ligação pelo fixo. – Uai? – achou estranho – Se for atendente de telefonia ou gente querendo me vender trem, vou despachar com o diabo no corpo! – ainda estava zangada – Alô! – não conferiu na bina o número que ligava

 

“Nossa, ela atendeu com um mau humor!” – Rute se surpreendeu – Olá querida. Aconteceu alguma coisa? Atendeu de um jeito que nem parece você... – estranhava

 

Ficou sem graça. – Desculpe, amiga. Não tive um dia muito bom. – sentou-se – Desculpe a má educação. Eu já tava irritada e pensei que era gente pra me vender trem.

 

“Vender trem...” -- riu brevemente – Eu tô aqui amargando um engarrafamento mas ainda me controlo. – brincou para tentar descontrair – E afinal de contas hoje não é o dia mais certo pra senhora ficar de mau humor. Feliz aniversário, querida!

 

--Obrigada. – sorriu

 

--Que você busque da vida o que é mais importante em detrimento das coisas que passam. – desejou – Que aprenda a desejar e tenha seus desejos atendidos na medida de suas necessidades espirituais.

 

--Não existe pessoa na minha vida pra desejar um feliz aniversário como você, Rute. – sorria – Realmente obrigada.

 

--Você não tá dando atenção ao celular. Várias pessoas devem ter te ligado ou mandado mensagem. Eu mesma liguei desde que tava na minha sala.

 

--Não toquei mais no celular desde que saí de uma reunião com um gerente sem noção de uma montadora. – contava – Daí também vi o que não queria, me estressei e vim pra casa.

 

“Viu o que não queria?” – não entendeu – Ligou pra Mariah? Ou ela te ligou? – perguntou desconfiada

 

--Não liguei e nem vou! – respondeu enfática – “Vai comemorar aniversário com a ruiva, Mariah!” – pensou desaforada

 

“Sabia que devia ser por causa dela...” – balançou a cabeça – Por que nunca mais te vi desde aquele dia em que almoçamos? – queria saber – Tantas coisas aconteceram e não temos conversado. Você sumiu do mapa sob todos os aspectos.

 

--As aulas ainda vão começar em fevereiro e eu tô aproveitando esse tempo pra fazer uma pesquisa intensa! – gesticulava – Tô analisando todos os Nobels da Medicina concedidos desde 2009 e observei uma linha de raciocínio por parte do comitê de avaliação. Daí vou trabalhar de forma a ser impossível que esse prêmio não venha pra nós! – afirmou com ênfase – Dessa vez explorando os trabalhos com inteligência artificial pra desenvolvimento de drogas contra vírus altamente contagiosos. A ideia é investir nas teorias matemáticas mais sofisticadas pra tornar os modelos extremamente confiáveis.

 

Deu um suspiro profundo. – Meu Deus, mulher, será possível que você só pensa nisso?? – andou um pouco com o carro

 

--Chegamos muito perto daquela vez, Rute! E eu quero esse prêmio! – falou com determinação – Matemática não tem Nobel e o Brasil também não tem! Quero esse prêmio!

 

--Matemática não tem Nobel mas tem Medalha de Fields e você já ganhou uma em 2009 pelo que bem me lembro. – argumentou – Não acha que tá reduzindo sua vida e sua carreira de um jeito muito perigoso por causa dessa obsessão?

 

--Não é obsessão! – retrucou ao se levantar – A Fieds é um baita prêmio, mas o Nobel... – não sabia o que dizer – É o Nobel, uai!

 

--E o que aconteceu que depois de dez anos você ressurge das cinzas com essa coisa de Nobel? – não entendia

 

--Eu nunca esqueci dessa coisa de Nobel! – respondeu de pronto – Só tô me dedicando mais intensamente a isso agora porque... – pensava em como justificar – As aulas ainda não começaram!

 

Desistiu de argumentar. – E é por isso que desde o começo do mês não te vejo, nem falo contigo por telefone, zap, nem nada? Você tá de quarentena voluntária estudando pro Nobel pra, de repente, não gastar tempo pensando em Mariah?

 

“Ela sempre acerta!” – pensou -- Vou no departamento, trabalho trancada na minha sala e volto direto pra casa. Não tenho feito nem ginástica porque Paula tirou férias em janeiro! – riu brevemente – Hoje é que foi exceção na rotina atual porque tinha a maldita reunião na montadora. – contava – Teve gente falando de fazer festa de aniversário ou coisas do gênero mas não quis saber. Não tô pra festa!

 

--Bem, apesar de discordar dos motivos, de uma certa forma é bom que esteja nessa reclusão toda. – avançou um pouco mais com o carro – Tenho pesquisado sobre o CONVIDE-0 e muito me preocupa. Seja porque tenho certeza de que vai virar uma pandemia praticamente incontrolável, seja por tua causa.

 

--Uai? – não entendeu. Em sua obsessão, Yasirah estava estranhamente alheia ao problema – Como assim?

 

--O surto do CONVIDE-0 começou na China, mais especificamente em Wuhan. E onde foi que você passou uma semana de reunião preparativa de congresso e depois natal e réveillon? – saiu do trecho engarrafado e pôde dirigir normalmente – “Ai, graças a Deus! Engarrafamento nojento!” – pensou

 

--Que é isso, Rute? Wuhan fica a quase duas horas de avião de Shangai! De carro são cerca de nove horas e meia! – protestou – É longe por demais da conta!

 

--É, pode ser. – considerou – Mas se cuide, por favor. E qualquer coisa, me fala, tá legal?

 

--Tá bom, maama! – brincou com a outra – Eu sei que você me ama e só por isso perdoo os carões que vive me passando! – falava bem humorada

 

--E amo mesmo. – respondeu com sinceridade – Feliz aniversário, querida! – cumprimentou mais uma vez – Tô chegando em casa. Vou desligar. Agora é o segundo expediente com marido e filho.

 

--Beijão! Tchau. – ouviu o telefone ser desligado – Rute às vezes nem parece médica. – falava sozinha – Qualquer doença que aparece e ela já fica toda apavorada. – minimizou o problema – Já que ela falou em celular, -- colocou o telefone fixo no suporte -- deixa eu ver esse trem. – pegou a bolsa – Cadê? – olhou para a tela do aparelho – Eita, que tem mensagem, ligação perdida... – visualizava – Mas eu não tô com tempo pra ficar vendo isso não. Depois mando uma mensagem padrão de agradecimento pra esse povo todo. – decidiu

 

E nesta mesma hora Mariah liga.

 

--Fica de patifaria com outra e depois me liga? – falou desaforada -- Sorte a tua que Rute já me amansou. – aceitou a ligação  – Boa noite. – respondeu secamente ao se sentar

 

--Oi. Feliz aniversário. – respondeu envergonhada – Afinal de contas, hoje você faz 46 e eu 30. – começava a se sentir uma idiota – “Ela atendeu tão sem empolgação.” – pensou – Não queria te aborrecer. Só parabenizar. – arrependeu-se por ter ligado

 

Respirou fundo antes de responder. – Desculpe o mau jeito. – abrandou o tom de voz – Mas é que hoje foi realmente um dia ruim. – passou a mão nos cabelos – Tive muitos aborrecimentos! – pensava na própria Mariah

 

–Meu dia também começou mal. Mas aproveitei uma brecha no trabalho e passei no novo trabalho da Aurora. Aí o astral mudou logo! Ela sempre me faz rir e agora que pintou o cabelo de ruivo quer que eu também pinte, olha só isso! – foi contando suas coisas – “Por que você tá dizendo isso pra ela, sua imbecil? Yasí não tá nem aí pra você...” – recriminou-se em pensamento

 

A professora logo deduziu que suas primeiras conclusões foram equivocadas. “Era a irmã, não era um caso novo...” – pensou – Eu... – não sabia o que dizer – Olha, Mariah, eu quero te pedir desculpas novamente pelo mau jeito... E te agradecer por lembrar de mim. – pausou brevemente – Eu desejo de todo coração, que sua vida seja marcada por coisas muito boas e engrandecedoras, que Deus te ilumine os caminhos e você tenha sabedoria pra perceber o que Ele indica. A sabedoria que eu, com meus 46 anos, não tenho... – reconheceu – Desejo que você tenha seus pais e sua irmã por longos anos a seu lado, que tenha bons amigos, sucesso no trabalho e que... – pensava se deveria dizer ou não – Que você encontre alguém que saiba te amar do jeito que você deseja, precisa e merece. – fechou os olhos – “E nunca mais me procure, meu amor...” – desejou com tristeza ao abrir os olhos

 

A engenheira se emocionou ao ouvir, mas ao mesmo tempo sentiu tristeza ao final. Entendeu que a ex estava dizendo que realmente chegaram ao fim. – Eu também te desejo o melhor que alguém pode receber de Deus. – pausou brevemente para não chorar – E que um dia você consiga realmente dar às coisas o valor que elas têm de fato.

 

Percebeu a crítica da outra mas não quis falar qualquer coisa a respeito. – Vai ter festa? – perguntou sem saber o que dizer

 

Passou as costas da mão para secar os olhos. -- Umas amigas de faculdade propuseram uma ida à uma danceteria nesse sábado. Uma aí que disseram que tá na moda. – pausou brevemente – É isso.

 

--Então aproveite. – respondeu com brandura – E dance bastante! Você gosta de dançar, né?

 

--Gosto. – não sabia mais o que dizer – “Pena que nunca dancei com você. Só dentro de quarto...” – lembrava – Era isso. Aproveite e comemore o seu aniversário também.

 

--Pode deixar. – também não sabia o que dizer

 

--Tchau... – teve pena de desligar, embora não soubesse o que falar

 

--Tchau. – esperou ouvir o fim da chamada – É, doutora Yasirah Faez... – levantou-se – Esquece do mundo e vamos trabalhar! – disse para si mesma

 

 

FILIPINAS. 02/02/2020. PHILMED MEDICAL CENTRALIZED HOSPITAL. MANILA. 07h55.

 

Uma jovem chorava copiosamente sentada no chão perto de uma enfermaria. Estava inconsolável com a notícia da morte do pai.

 

--Era aquele senhor que deu entrada ontem? – doutor Maricel perguntava – Meu Deus, foi muito rápido! – olhou discretamente para a jovem – Ela não pode ficar ali. – advertiu ao colega

 

--Primeira morte fora da China... – doutor Ratziel respondeu entristecido – Está apenas começando e já me sinto exausto! – olhava para o colega – E de nós? Quem vai cuidar? – referia-se aos profissionais da área de saúde

 

--God? (Deus?) – respondeu arriscando

 

 

 

BRASIL. 16/02/2020. EDIFÍCIO CONDESSA DE LOVELACE.SÃO PAULO. 23h19.

 

Mariah estava deitada mas não conseguia dormir. Ouvia notícias pelo podcast num aplicativo de celular.


--Segunda morte confirmada por CONVIDE-0 fora da China: o caso ocorreu no Japão. Morte de turista na França é a primeira registada na Europa. Dois primeiros casos de CONVIDE-0 no Irã já chegam acompanhados por notícia de morte destes indivíduos. – as notícias seguiam sem dar tréguas – Líder religioso afirma: “CONVIDE-0 é para os fracos! A língua de fogo do ministério sagrado queimará esse golpe comunista!”

 

--Ah, chega! – desligou o celular. Não vinha dando atenção à pandemia – Que merda que amanhã é segunda e o sono não vem! – resmungava sozinha

 

Mariah vinha se sentindo desanimada desde o final do ano anterior. Refletindo com calma, achou que sua colega Cristiane estava certa: não precisava ter terminado com a namorada por causa da viagem. Poderia ter buscado resolver tudo com diálogo mas acreditou que terminando a impediria de ir, o que não aconteceu.

 

“Dessa vez eu fui realmente exagerada. Tudo bem que Yasí inventou aquela viagem por causa de uma demanda de trabalho, mas ela me convidou com antecedência, falou toda empolgada, cheia de planos e eu já parti com quatro pedras na mão.” – arrependia-se – “E agora ela já não me quer mais. Desistiu mesmo...” – lembrava da ligação no dia do aniversário – “Será que ela passou as festas com alguém? Ah, mas a China não é um país onde o espaço pra lésbicas se conhecerem seja tão fácil assim... ou será que é? Não, não é!” – deitou-se de lado – “Onde será que ela vai passar o carnaval? Será que vai pra fazenda, será que vai viajar pra outro lugar...?” – questionava-se – Droga! – pegou o celular novamente e entrou no zap – “Hum, ela tá on.” – observou

 

Mariah: Oie. – teclou

 

Yasirah teclava com alguns colegas da Alemanha em um grupo que criou sobre técnicas matemáticas disruptivas. Nem notou que a ex a buscava.

 

“Ela deve estar teclando tão entretida com alguém que nem notou que escrevi.” – pensou chateada antes de apagar a mensagem

 

Mariah pensava em como gostaria que Yasirah tivesse comemorado o aniversário com ela. Gostou de ter saído com as amigas mas no fundo estava triste. Da mesma forma, não curtiu a festinha organizada por seus pais na chácara de São Roque.

 

“Até quando minha vida vai ser assim, meu Deus?” – pensava – “Por favor, meu Pai, tira essa mulher da minha cabeça e do meu coração!” – derramou uma lágrima e decidiu orar pedindo para esquecer e recomeçar

 

Enquanto isso, a professora continuava obstinada em seu propósito de pavimentar os caminhos para um Nobel e mantinha-se firme teclando no debate com seus colegas estrangeiros.

 

 

ITÁLIA. 21/02/2020. CITTÀ ALTA. BÉRGAMO. 15h00.

 

Piero segurava o celular com o rosto molhado por lágrimas. Sentia-se enfraquecido e dores terríveis lhe castigavam o tórax e abdômen em função dos acessos de tosse. Respirava com dificuldade e tremia de frio por estar ardendo em febre. Buscou o contato do colega Hu Chang e decidiu deixar mensagens de voz por zap. Falava em inglês.

 

--Hi there, my friend. (Olá, meu amigo.) – cumprimentou com voz fraca – Espero que esteja bem. – tossiu – Não sei que horas são agora na sua cidade, mas eu preciso deixar essa mensagem, pois preciso te pedir um favor. – tossiu novamente – Minha irmã, Stela... você lembra dela? – começou a chorar novamente – Ela morreu hoje... CONVIDE-0. E eu não pude fazer nada! – pausou para se recompor e tossiu. Secou o rosto com um lenço de papel – A vida inteira tentei protege-la de todos os males, mas dessa vez falhei. Oh, dude, it hurts a lot! (Oh, cara, isso machuca muito!) – liberou o áudio e começou a gravar outro – Eu também estou com essa doença, tenho certeza, mas cedi meu lugar no hospital para Stela. Aqui os hospitais andam cheios e não conseguem receber a todos os que precisam... – tossiu – Estou em casa e aqui pretendo esperar pela morte. – chorava novamente – Stela queria muito que avisasse àquela sua amiga, a brasileira, sobre o que aconteceu conosco. – referia-se a Yasirah – Ela precisa se cuidar. – liberou o áudio e tossiu violentamente

 

Quando a noite chegou, Piero já não mais habitava entre os encarnados.

 

Nome: mtereza (Assinado) · Data: 08/04/2020 17:15 · Para: DURANTE I

Nossa medo .com e agora vc e demais Sol totalmente envolvida na história 



Resposta do autor:

Medo? De qual parte?

Que bom que está envolvida! Obrigada pela sua gentileza comigo.

Como tenho pedido: deixe-me saber o que achou.

Beijos.

Sol



Nome: Irina (Assinado) · Data: 03/04/2020 11:12 · Para: DURANTE I

Autora cá estou eu só por causa de ti. Minha amiga Gagia no Ar recomendou-me  teu nome e viria ler Sob o Encanto de Maya. Quando vi que havia ainda um CONVIDE-0 encantei-me e na leitura cá estou banzada!

Tema atual, condução primorosa e cenas a nos deixar de calças 

esfogueadas! Creio que sejas de fato messene! Estou a amar!!!  Quando terminares aqui lerei Sob o Encanto de Maya com muito gosto.Só ainda não lerei em Busca do Tao porque não terminaste e sou deveras ansiosa! 

És erudita e fixe ao mesmo tempo. Finória como não há em derredor no meu.

Disseste que andas a obedecer. Capítulo novo hoje! risos

Grata Irina



Resposta do autor:

Olá!

Sim, a Gagia, ela me deixou vários comentários em Maya! Ela sumiu! Também está lendo este aqui? Fico feliz que ela tenha te recomendado e que você esteja gostando da leitura.

Continue lendo e deixando seus comentários, por favor! É um prazer responder.

Já obedeci. Capítulo novo hoje! kkk

Vocês são da onde?

Beijos,

Sol



Nome: Gabi2020 (Assinado) · Data: 02/04/2020 23:57 · Para: DURANTE I

Olá Sol tudo bem?

 

Deixa te falar... Essa Yasirah é uma tremenda sedutora viu? Pega e não se apega, assim fica difícil de defender, mas gosto dela, bicha danada... Kkkkk....

 

Olha a Fabiana falando umas verdades pra Yasirah... Choquei e gostei! Kkkk... E logo vem a Bianca sendo a fada sensata e dando um chacoalhão na Mariah!

 

Yasirah e Mariah se machucam o tempo todo, não acho uma relação saudável, aliás acho que ambas necessitam se curar uma da outra.

 

E agora ela se infectou? Quem vai cuidar dela? Não duvido ser a Mariah ou a Mariah se infectou também?

 

Beijos

 

Ps. Meus comentários não têm a profundidade dos que leio por aqui, mas goto de deixar minhas impressões!!



Resposta do autor:

Gabinha!!!

Que bom que Yasirah tem uma admiradora. A moral dela anda meio em baixa com as leitoras! rs

A relação delas é cheia de altos e baixos. Vamos ver o que aprenderão em meio ao que a pandemia vai trazer.

Calma que você saberá. Leia o próximo capítulo já postado! rs

Eu adoro seus comentários! É um prazer muito grande receber um retorno de vocês. Triste é ficar sem saber o que sentiram e o que gostariam de dizer a respeito. Não deixe de escrever!

Beijos!

Sol

 



Nome: Cristina (Assinado) · Data: 02/04/2020 18:18 · Para: DURANTE I

Oi Sol!

Mais um capítulo!!! E assim começamos nossa jornada!

 Nem desconfiamos das consequências de nossas escolhas! E como nossas vidas estão entrelaçadas! 

"Somos todos elos de uma corrente que se chama humanidade!"

Yasirah poderia sossegar um pouco!!kkkk

Acho que Mariah está mais madura em suas decisões. É uma pena que Yasirah seja insegura e prefira nao se expor. Mas entendo! Todo mundo tem o seu tempo!

Ixi!!! Quem será que se contaminou?

Bjim!

 



Resposta do autor:

Olá Cristina!

Você como sempre comentarista fiel de meus contos caipirescos.

Aguarde que ainda tem muitos desdobramentos nessa história. Continue lendo e comentando que a caipira fica feliz!

Beijos,

Sol



Nome: Lai (Assinado) · Data: 02/04/2020 17:42 · Para: DURANTE I

Oiê, Sadiki!

Olha, hj não me sinto bem, me dói MT o peito e tô enjoada, n pude prestar MT atenção, mas li por consideração a sua pessoa..:)

Então, eu n tô mie amigando com elas, gosto de Zinara, essa Yasi é mt carnal, certo que Zinara levou anos pra ceder algumas coisas, mas não tava obssesdionada por um nível! Mas TD bem! Problema que ela necessita focar em algo, os estudos é o único nesse momento que ela pode de apegar, n vai machucá-la, deixar ela..ela de enche de coisa pra pensar no q a incômoda, q é nbder livre, n gosta de escutar o q a amiga diz pq n pode enfrentar, os números são melhores. Povo acha q ela necessita de um susto grande..isso depende da personalidade..n devemos necessitar de ninguém e nada, é difícil, mas devemos ser feliz por nós mesmos, Yasi tá cansada desse vai e volta, mas o tempo resolverá, eu sei! Tudo acontece no tempo certo, as experiências nós faz ver o que realmente importa, as coisas mudam e passamos a dar prioridade a outras coisas, espero q com Yasi seja assim, q ela possa conciliar o que gosta com pensar TB na pessoa q ama..é um pq egoísta, mas n vê e sofre, apenas disfarça. Ela parece ser segura, mas n é, sim, ela carente deve ser por isso q n liga pros ciúmes , até gostae ela tá numa situação cômoda, n é verdade?! Os ciúmes n prejudica ela, é só sabe lidar, mas o fato dela n se assumir nem pra família..sabe eu acho que ao menos a família poderia saber, q ela trabalhasse nisso, nos deus medos..TD bem, no trabalho n precisa se expôr, mas c família sim, quando se ama de verdade, respeitamos mesmo n entendendo, podem se afastar, mas voltam..n todos! É o risco..n somos livres de tudo, mas a liberdade tá dentro de um TB, em soltar nossos medos, afinal que adianta ficar infeliz e ter q d encher de coisa, um dia n poderá encher esse vazio e de arrependerá, mas cada um com suas provas, estamos onde devemos estar e com quem nós vai fazer tremer nossas bases e pensar em  dois conflitos e se perguntar o q realmente necessito e o que quero.. enfim! Processo duro e longo!

Mariah, eu realmente sofre com as atitudes  sede de Yasi, sente frustrada por n poder mudar as coisas, mas ela tem certa razão pq já são 10 anos, poderia ter mudado pequenas coisas, acho que o ciúmes dela está bem mais controlado, nada ade explosivo, apenas é o desespero de controlar, de perder, mas acaba perdendo igual e nem é pelo ciúmes e sim pq quer mudanças que outra n pode dar..pra ela é importante senti que pertence, essa sensação de pertinência, acho que na ente isso c a família e busca fora. Mas tb acho que Mariah deveria ter apresentado melhor os pais pq ela n tem problema, capaz isso ajudaria Yasi ver outro panorama..enfim! 

Eita, Yasi como é, acho q será assintomática, poderia passar pra Mariah, quem sabe o susto insano n faz ela pensar ao menos na possibilidade de falar c alguém a mais da família.N  aconselho c o pai...

Tenho que ir limpar as compras...

Chama Cris Laninha se quer falar c ela, manda e-mail! :)

Ah, ainda lembro da nossa última conversa, pensei MT nisso ao longo dos anos..

Bem, então, recentemente,eu te ajudei um pouco, sabe... porém vc vai ter q atuar, dar o primeiro passo.Um conselho apenas! Construir de novo o q tinha.. desculpe, só tenho aqui pra falar..fazer o quê!! 

 

Tenho que ir agora limpar as compras que Mocita trouxe antes de colocar na casa...

Corona  atacou de vez..mas nao Acho seja um problema bélico, n posso falar mais, demorei pra ler e ficou tarde..

... Será que vai  gostar da minha interpretação hj..n sei, achei q me perdi um pouco...

 Um beijo na sua áurea  TD de bom tb...



Resposta do autor:

Boa tarde, Lailinha!

Notei que você estava meio tensa mesmo. Espero que agora se sinta melhor.

Mas eu gostei do comentário. Acho até o capítulo atual é mesmo mais tenso. Já entramos na era do CONVIDE-0.

Você gosta de pessoas mais românticas e Yasirah não tem correspondido às suas expectativas. Mas dê uma chance para ela. rs

Limpar as compras, também tenho feito e muito!

Cris Laninha sumiu, amiga. Já escrevi mas foi em vão.

Beijos carinhosos e muita paz!

Sol



Nome: sonhadora (Assinado) · Data: 02/04/2020 15:28 · Para: DURANTE I

Oie! Primeiro quero dizer que o comentário que escrevi logo cedo era para o capítulo 2! Depois ainda estou tentando me localizar nesse capítulo tão intenso...como os outros também! Finalmente acredito que a Yashirah vai entender que precisa dar mais valor às pessoas que ama do que ao trabalho!!! Fiquei com pena da Mariah, ela merece alguém que lhes dê toda atenção e amor!!! Tem algo que não gosto na Yashirah, sempre que ela termina com a Mariah vai correndo buscar prazer nos braços de outras...isso não é legal!!! Só faz o vazio se tornar mais profundo na sua alma tão sofrida por liberdade!!! Vamos esperar por mais capítulos para saber o que vai ser das nossas heroínas!

Beijos de Luz!



Resposta do autor:

Yasirah foge de enfrentar certos problemas e dilemas se refugiando em coisas como o trabalho ou um relacionamento fortuito com alguém que desperte seus desejos e não passe da superfície. Mas vamos ver o que você vai achar do próximo capítulo.

Mariah também pratica suas fugas, mas ela tem mais dificuldades para tal. E também já anseia se libertar disso.

Beijos,

Sol



Nome: Samira Haddad (Assinado) · Data: 02/04/2020 14:57 · Para: DURANTE I

Muito bom, amore! Postou mais outro. Não posso ficar comentando muito pra não virar spoiler, mas desejo que seus objetivos  sejam atingidos. Vc escreve divinamente é seu dom!  behebiik ya

 

 



Resposta do autor:

Estou obediente habibi. Aproveite! rs



Nome: sonhadora (Assinado) · Data: 02/04/2020 14:12 · Para: DURANTE I

Muito bem! Um capítulo bem esclarecedor, mesmo que ainda teremos muitas surpresas pelo jeito que a coisa está se encaminhando...bem, a Yashirah pelo jeito não aprendeu muito com a separação, embora saiba que um pequeno vacilo seu tudo irá pelos aires! Continua com sua insegurança e um medo que ao meu ver não condiz com sua postura de mulher madura e apaixonada! Massss...teremos muito chão pela frente para a carroça rodar..kkk. A Mariah me surpreendeu com sua maturidade e seu jeitinho carinhoso de descrever uma situação linda sobre sua família, no fundo ela parece um pouco com uma jovem que conheci aí pela vida! As demais personagens ainda vão nos surpreender bastante! Penso que A Santinha tenha algo bem escondido dentro de si e que a qualquer momento vai explodir! É sempre assim nessas pessoas muito certinhas!!! No todo sua história me prende e me fascina pela beleza das palavras bem escritas e pelo enredo bem desenvolvido.

Beijos de Luz!!!



Resposta do autor:

Olá querida,

Sim, eu creio que vocês ainda terão algumas surpresas. Vamos ver se conseguem antecipá-las.

Yasirah é uma pessoa que, talvez como a maioria de nós, se apresenta com várias faces de acordo com a situação. Ela tem algumas questões internas que a fazem ser muito madura e intensa sob uns aspectos e insegura e infantil sob outros. Penso que a maioria de nós somos pássaros com asas assimétricas e por isso não voamos bem (ou nem voamos). É só o tempo e a sabedoria para lidar com os aprendizados que ele traz, que nos permite buscar equilibrar as coisas e enfim poder voar com desenvoltura.

Fico feliz que esteja gostando. Continue lendo e comentando que a caipira agradece. rs

Beijos,

Sol



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