No meio de tudo, você. por JuliaR


[Comentários - 208]   Impressora Imprimir Capitulo ou História - Lista de Capítulos

- Tamanho do Texto +

Leticia*

 

 

Indescritível a sensação de sentir os lábios de Alice nos meus, apesar de ter passado noites e dias imaginando como seria ter sua boca colada a minha, nem em sonho imaginei que pudesse suplantar minhas expectativas.

O beijo teve gosto de surpresa, pois a iniciativa foi dela, e pela primeira vez não tinha sido eu que tentava algo, pensar nisso me fez perceber que o interesse não vinha somente de minha parte, era recíproco.

Nunca tinha provado nada mais delicioso que sua boca, o gosto, a forma como ela me beijava segurando delicadamente meu rosto, enquanto eu acariciava seu cabelo, puxando para mim. Me deleitava inteira ouvindo seus suspiros, mais parecia uma gatinha ronronando, ela oferecia a língua e eu fazia questão de sugar, tão gostoso era, que me imaginava sugando seu corpo inteiro, imaginando que gosto ela teria...

Vez ou outra ela fazia menção de separar, mas eu insistia não deixava, queria mais dela, queria mais daquela boca que me fez perder noites de sono.

--Estou sem ar – ela disse quando separamos nossas bocas por um segundo.

Sorri para ela, e ela me sorriu também.

Eu estava ali toda encurvada no banco, só quando desgrudei minha boca da dela percebi quão desconfortável era a posição em que me encontrava, no entanto a satisfação em beijá-la era tão grande que nem me dei conta.

Fiquei olhando o seu rosto corado, seu olhos não disfarçavam o excesso de bebida, a boca vermelha devido aos inúmeros beijos trocados ficava ainda saborosa.

--Quero mais. Muito mais.

Voltei a beijar sua boca, dessa vez explorei também o pescoço onde espalhava beijinhos até chegar na orelha. Mordi e ela suspirou aumentando ainda mais minha cobiça de senti-la mais próxima.

--Vem pro meu colo, princesa...—falei quase sem voz

Ela pareceu hesitar um pouco.

--Ta desconfortável pra mim...

Acho que ela não resistiu a minha cara de ‘’pidona’’ e acabou sentando, posicionei suas pernas ao redor da minha cintura, deixando-a alguns centímetros mais alta, facilitando meu acesso ao seu pescoço.

--Adoro seu cheiro, sabia?

 

--Humm

--Adoro tudo em você.

Ela olhou-me séria depois sorriu.

--Eu também, confesso.

Dessa vez quem sorriu fui eu, sentia meu coração acalentado a cada frase que saia daquela boca linda que me fazia perder o pouco juízo que eu tinha, dessa vez a beijei mais profundamente, explorando cada cantinho da sua boca, sentindo ela se arrepiar inteira.

Acariciava sua cintura e sua barriga por cima do vestido, a vontade que tinha era arranca-lo e sentir sua pele sem barreiras, desci minhas mãos e acariciei suas pernas e fiz menção em levantar a barra do vestido, quando senti suas mãos frearem as minhas, impedindo meus movimentos.

--Não pode?

--Não

--Ta bom.

Obedeci seu pedido, tudo que não queria era deixá-la insegura, voltei a afagar somente sua cintura.

Não sei quanto tempo ao certo passamos ali, trocando carinhos, só percebi quando ouvi a voz assustada de Alice.

--Meu Deus, já amanheceu o dia!

--Não exagera, o sol ainda nem nasceu direito.

Ela saiu apressada do meu colo e sentou no bando olhando-se no espelho do carro.

--Minha mãe acorda cedo, e se ela me ver assim, com essa cara...

A apreensão dela chegava a ser cômico, tamanho o nervosismo.

--Com cara de que?

--Com essa cara de quem tava fazendo coisa errada.

Não segurei a risada, Alice era uma figura. Que outro ser humano do mundo se preocupa com a cara de quem faz algo errado? Só ela mesmo. Me davaconta que me encantava mais a cada gesto, atitude dela.

Era visível nos seus olhos o quanto ela queria ir além, mas sua índole não permitia. Colocava dificuldade em tudo. Se ela soubesse que isso só fazia minha vontade aumentar, talvez cedesse.

A verdade é que eu AMO uma dificuldade.

--Como é uma cara de quem faz coisa errada?

Ela me olhou com enfado.

--Sério, você não sabe apenas fingir que nada aconteceu? E também não estamos fazendo nada demais —falei tentando deixa-la mais calma.

--Eu vou ficar vermelha, gaguejar, minha mãe percebe quando eu estou escondendo algo e se ela souber di...

--Alice! Pelo amor de Deus, não vai acontecer nada, relaxa. Só precisamos retocar um pouco o batom, que ficou um pouco borrado quando a gente se beijou...

--Não precisa dizer isso.

--Que a gente se beijou. Por quê?

--Quer que eu me sinta mais culpada ainda?

Falou abrindo sua bolsa enquanto eu fazia o mesmo.

Saímos do carro e fomos direção a casa, Alicia havia exagerado, o dia ainda não tinha amanhecido, a neblina ainda cobria a atmosfera e nem havia sinais de raios solares, olhei para o relógio e comentei:

--Ainda são 05:30, ainda dava pra aproveitar mais um pouco.

Ela virou-se para mim, irritada.

--Você não teme que alguém possa ver? E se nos discobrirem?

--Estou feliz demais para pensar nas conseqüências, você deveria fazer o mesmo.

 

Chegamos a entrada e Alice um tanto nervosa e com as mãos tremulas tentava encaixar a a chave na fechadura. Abriu e entramos, não havia nem sinal de alguém, o que pareceu tranqüilizá-la após soltar um suspiro audível. Segui seus passos que subiam as escadas, sem deixar de fixar o olhar no seu quadril, naquele corpo bem feito que me fazia perder os sentidos.

Ela chegou a porta do seu quarto, virou-se para mim e sibilou um  ‘’Boa dia’’. Continuei parada, aproximei-me dela esperando alguma reação dela, quem sabe ela tomasse iniciativa como fez horas mais tarde e iniciasse um beijo cálido.

Ela não o fez.

Mas não ia ser agora que me fingiria de rogada, empurrei-a delicadamente para dentro do quarto, fechei a porta atrás de mim enquanto fitava seu olhar assustado.

Puxei seu corpo pra perto do meu, segurando sua cintura e beijei com urgência que as palpitações do meu coração exigiram. Beijei, suguei, mordi aquela boca que já me sentia dona, não queria parar. Meu corpo, minha boca pedia mais.

Desgrudei nossos lábios com dificuldade, me afastei do seu corpo e me despedi.

--Agora sim: Bom dia!

E saí sorrindo da cara extasiada que minha sobrinha linda fez.

Fui no meu quarto, Antoni estava no milésimo sono, tirei minha roupa com pesar pois nelas  estavam invadido pelo cheiro de Alice, na minha boca ainda sentia o sabor doce dos seus lábios.

Tudo nela era gostoso demais, senti ímpetos de invadir seu quarto e passar a manhã toda a enchendo de beijos não somente na boca, mas pelo corpo inteiro.  Não me lembro da ultima vez que havia experimentado uma sensação de tamanha felicidade. Sim, esse era o sentimento que traduzia o que Alice me trazia, e era tudo que eu mais queria retribuir. A Felicidade, a Alegria em tê-la ao meu lado. Compartilhando sorrisos, beijos, olhares.

Alguém que entrou em minha vida em tão pouco tempo e já ocupava meu coração e minha mente como ninguém mais ocupara antes.

Olhar Antoni dormindo, me vez ver que apesar de gratidão, não sentia absolutamente nada por ele, nem tesão, nem amor, nem felicidade. Tudo era uma questão de gratidão.

E Alice, será se sente o mesmo pelo namorado. Ou será se o ama? Será se pensa em construir uma família.

Falar em família me fazia doer o peito, era um assunto que me desequilibrava, uma ferida que levaria por toda a vida, que talvez nunca curasse. Porém não era o momento de pensar sobre isso, estava feliz demais para pensar em coisas que só entristeciam o coração. Lembrei da frase que era quase um mantra nos últimos anos, ‘’Nenhum sofrimento é em vão’’, e pensar nisso me fez ver que Alice não havia entrado na minha vida por acaso, e depois de tanto sofrimento, não posso deixar de me dar uma oportunidade de ser feliz.

E depois de uma noite tão intensa, dormi pensando em como era bom sentir o coração invadido outra vez.

 

** *

 

Basta-me um pequeno gesto,

feito de longe e de leve,

para que venhas comigo

e eu para sempre te leve...

- mas só esse eu não farei.

 

Uma palavra caída

das montanhas dos instantes

desmancha todos os mares

e une as terras distantes...

- palavras que não direi.

 

Para que tu me adivinhes,

entre os ventos taciturnos,

apago meus pensamentos,

ponhos vestidos noturnos,

- que amargamente inventei.

 

E, enquanto não me descobres,

os mundos vão nevegando

nos ares certos do tempo

até não se sabe quando...

- e um dia me acabarei.

 

 

Cecília Meireles - Timidez

Nome: rhina (Assinado) · Data: 23/12/2016 19:06 · Para: Capítulo 8

 

Que beijos gostosos. ....que clima tenso e sensual...

o cupido flexou bonito. ...sem nenhuma dúvida 

brilhante

rhina



Nome: Ana_Clara (Assinado) · Data: 02/11/2015 16:02 · Para: Capítulo 8

Eita que essas duas estão correndo certos perigos se agarrando no meio da casa, mas que é um tesão intenso, ah isso é. E esses mistérios da Lê com certeza tem a ver com a sua vida familiar. Onde será que o chato do Antoni entra nisso tudo? 



Nome: NayGomez (Assinado) · Data: 29/09/2015 20:42 · Para: Capítulo 8

To curiosa de saber o que aconteceu com a Lele e o porque da gratidão  que ela tem pelo Antony enfim  sempre é bom um pouco de misterio.  A Alice tem cara de ser covarde e ainda vai fazer muito a Lele sofrer com esse jeito de certinha...  Hunf'



Você deve fazer login ou se cadastrar para comentar.


Ou comente usando seu Facebook: