No meio de tudo, você. por JuliaR


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Olhava encantada para Letícia, sentindo meu coração descompassado e as borboletas invadirem meu estômago. Beijei Letícia, como nunca antes havia beijado, havia naquele beijo mais do que paixão, havia amor, carinho, sentimentos até então inconfessáveis mas que ficavam latentes em cada gesto. Bastavam pequenas palavras atingir em cheio meu coração me dando a certeza que ela também fazia parte de mim. Mais do que eu poderia imaginar.

 
***

Ela fez menção de levantar da cama, mas não deixei a puxando pelos ombro de volta para mim, sentindo meus olhos lacrimejarem, enquanto Letícia me olhava preocupada.

 

 --O que houve? Por que está chorando? --falou enxugando o canto dos meus olhos. Fiquei em silencio fitando a mulher a minha frente ainda sob o torpor do que ela havia dito --Você está me preocupando, Alice. Por que esta triste? --acariciei seu rosto aflito.

 

 --Não é de tristeza, acredite.

 --O que foi então? Ameacei falar, mas as palavras não saiam, havia em mim uma batalha interna, razão e emoção conflitavam, como se minha vida dependesse daquilo, meus lábios trêmulos confessaram. --Eu quero mais, Letícia...  

Minha voz saiu como num cochicho, relutante a uma revelação, mas que pelas feições confusas dela, pareceu não entender.

--Mais? -- indagou-me.

 --Nossos momentos são maravilhosos, e toda vez que estamos juntas é como se minha vida ganhasse um verdadeiro sentido, mas eu preciso de  mais. Eu quero tudo. --minha voz embargava enquanto encarava o mar azul revolto que eram seus olhos--  E eu quero tudo, quero seus mumurios sonolentos, quero sua ira, seus ciúmes, suas desculpas, sua tristeza, seu sorriso. Seu passado. Seu futuro.  Eu quero você. Eu quero nós. Eu quero tudo. Com você.  Eu me apaixonei por você.

 

Seus olhos marejaram enquanto ainda encaravam os meus, as orbitas azuis pareciam confusas, embaraçadas, surpresas. Ela realmente não esperava aquilo.

 

 --Alice...--sua voz cautelosa soou no ambiente, mas eu a calei com os dedos, sentindo a maciez dos lábios.

 

 --Shii, não fala nada. Eu só quero que você saiba, o que a muito eu sentia mas não tive coragem o suficiente, apenas me diga que vai pensar sobre, amor. --falei com um olhar suplicante. Ela sorriu triste, envergonhada, enquanto apertava firmemente os dedos das mãos parecendo digerir minhas palavras.

--Eu preciso de um tempo...

--Não! Não Letícia, não precisamos terminar com isso eu só quis...

 --Calma --falou sorrindo acariciando meu queixo--Não é desse tempo que estou me referindo. --Ah- suspirei aliviada. --Eu preciso de um tempo para resolver as coisas, talvez seja um pouco mais complicado, mas preciso que você me espere, Alice. --me olhou séria --Preciso que você confie em mim, você confia?

 

--Confio. --falei imediatamente.

 --Linda! --Falar nisso, tenho uma coisinha para você. Me sentei na cama e ela fez o mesmo, enquanto abria a gaveta do criado mudo retirando um pequeno embrulho.

 

 --Digamos que já havia comprado a um tempo, deveria inclusive ter lhe dado antes, mas como você parecia tão irada semana passada, acabei não entregando.

 

--Eu, irada?  Talvez tivesse meus motivos, não é? E não pense que eu esqueci da Clarinha, nós ainda conversaremos a respei...

 Calei sua boca com mais um beijo enquanto lhe estendia o presente.

 

--Abra. --disse. Ela me olhou desconfiada enquanto tirava o laço para retirar o embrulho.

 

Olhou para a caixinha com um sorriso convencido nos lábios ao ver que se tratava de um anel.

 

 --Está me pedindo em casamento? --sorriu zombeteira. --Até queria, mas tecnicamente você está com meu...

--Não diga--interrompeu meus lábios com o indicador. Era um anel de ouro branco delicado, fino com pequenos diamantes cravejados. --Que lindo, amor. --falou emocionada me puxando para um beijo. --Combinou com você. --disse beijando-lhe a mão. --Agora tenho que ir, meu amor. 

 

Levantou  e vestiu-se enquanto a olhava com admiração, antes de sair pela porta jogou beijinhos no ar me deixando com um sorriso patético no rosto.

 

Não saberia descrever meu estado de espirito naquele momento, passei do completo desânimo para um entusiasmo sem tamanho, Letícia era assim, capaz de me levar do inferno ao céu em um estalar de dedos.

 

Qualquer mágoa que eu pudesse sentir, tinha se degradado entre os lençóis da minha cama, que ainda carregavam o cheiro divino dela. E aqui estava eu, deitada sobre a cama fitando o teto, com o coração ainda sob o topor dos acontecimentos de minutos antes, era incrível que mesmo depois de tê-la visto sair ainda sentia um frio na barriga, essa sensação que me acompanhava desde que havia conhecido. Suas palavras doces feito mel ainda ecoavam no meu ouvido, deixando um sorrisinho abobalhado aparecer no meu rosto.

 

Eu queria Letícia, ao mesmo tempo que a queria mais, apesar de todo medo e receio que ainda havia dentro de mim, a cada dia mantinha mais forte a certeza de que não me contentaria com o que tínhamos. Definitivamente queria mais. Infinitamente mais. Eu iria esperar o tempo que fosse. Queria que nossos momentos se multiplicassem, que os beijos virassem rotina, que paixão tórrida de horas atrás se repetisse incontáveis vezes. 

 

 Não quero dividi-la, a queria só para mim e esperaria que o meu amor bastasse a ela, queria poder mostra-la que eu tenho condições de manter um relacionamento maduro. Eu poderia oferecer mais do que ela imaginaria, eu me esforçaria para dar sempre o melhor. Afinal me perguntava o que Antoni dava a ela que eu não pudesse oferecer?  Hoje haveria uma grande festa em minha casa, minha mãe comemoraria o sucesso da sua nova coleção, não era muito afeita a esses eventos mas deveria comparecer impecável como sempre, não podia me furtar de comparecer, isso significava muito para ela, não poderia inventar uma desculpa qualquer.

 

Ela já havia escolhido meu vestido a dedo, não importa a idade que eu tinha, minha mãe ainda insistia em escolher o que eu vestiria nessas ocasiões. A festa seria de máscaras bem no estilo Veneziano, já me preparava para algo bem extravagante como eram as festas organizadas pela minha mãe e estava prevista para começar as 22 horas, do meu quarto ouvia barulho de pessoas caminhando pelos corredores, móveis se arrastando, musica ressoando no ambiente, e isso tudo parecia me deixar ainda mais nervosa.

 

Olhei o relógio e já se passavam das 21 horas, mas não liguei, apesar de minha mãe ter alertado que deveria ser pontual, os convidados mais importantes sempre atrasavam e eu queria postergar o máximo minha aparição. Ouvi batidas na minha porta e meu coração acelerou de imediato.

 

Droga, não podia ser ela.

 

--Quem é? --Sua mãe! Já está pronta? São 9 horas, os convidados já estão chegando.

 

--Estou quase--falei sem abrir a porta, pois se me visse saberia que estava mentindo, nem sequer tinha começado a me preparar.

 

--Abra a porta.

 

--Mãe...

 

 --Abra já esta porta, Alice.

 

Abri com um sorriso amarelo no rosto, usava apenas uma blusa surrada da minha banda favorita e uma calcinha, para o susto da minha mãe que estava vestida impecavelmente e me olhava com olhos arregalados.

 

 --Quase pronta?! Você mais parece uma mendiga com essa roupa!

 

 --Mãe! –censurei

 

 --Meia hora, Alice. Você tem meia hora para vestir algo decente e descer as escadas. Ouviu bem? 

 

--Ok, mãe desculpe. Você está linda.

 

--Eu sei. --saiu andando elegantemente enquanto eu revirava os olhos.

 

Meia hora, como conseguir se arrumar para uma festa daquele porte em meia hora? Separei o vestido , que havia sido escolhido a dedo por minha mãe. Tomei o banho mais rápido da minha vida. Fiz uma maquiagem mais pesada me vesti e amarrei o cabelo em um coque frouxo que me pareceu razoável após a quarta tentativa. Me perfumei e calcei um sapato preto bastante alto que combinava com a cor do vestido. Por ultimo a mascara.

 

 

 Desci as escadas e do alto vi o salão cheio, respirei fundo e continuei andando com a mão puxando o vestido longo para não pisa-lo enquanto descia os degraus vendo o tumulto que estava na sala, garçons iam e vinham, enquanto os convidados se aglomeravam em rodas de conversa, centenas de pessoas ali, mas meus olhos buscavam apenas uma pessoa.  Não tardei a encontrar. Ela conseguia se destacar até entre milhares.  Divina como sempre, Letícia trajava um vestido verde longo alinhado ao corpo, nua nas costas dando uma mostra da bela tatuagem que carregava. Meu Deus, deveria ser crime alguém ser tão linda assim.

 

 Seu cabelo loiro preso em um coque elegante deixando apenas mechas propositalmente expostas na frente dando um visual despojado, enquanto uma mascara branca se punha no alto da cabeça.  A sequei tanto com meu olhar, que mal percebi que ao seu lado estava minha mãe, fui em direção a elas, após parar para cumprimentar algumas pessoas, no meio do caminho o olhar de Letícia cruzou-se com o meu, chamando atenção de minha mãe que também me olhava com um sorriso.

 

--Olha como está linda! --mamãe disse efusiva enquanto me aproximava dela.

 

 --Uma verdadeira princesa. --Letícia falou enquanto punha a taça nos lábios ofuscando o sorriso discreto que seus labios carregavam.

 

--Boa noite. Vocês que estão lindas. --falei sentindo minhas bochechas corarem. Os convidados passavam por minha mãe e aproveitavam para conversar sobre a festa, enquanto eu e Letícia continuávamos alheias a tudo que não fosse nossa troca de olhares.

 

 --Alice, você poderia me acompanhar até o quarto, preciso retocar o batom e o toalhete está cheio. Franzi o cenho estranhando já que seus lábios estavam perfeitamente pintados, mas logo senti pelo seu sorriso malicioso suas verdadeiras intenções.

 

 Subimos as escadas novamente, dessa vez sentia a mão quente de Letícia segurar minha cintura enquanto subia os degraus, causando arrepio por todo corpo. Adentramos no meu quarto e logo apos vi Letícia trancar a porta com pressa.

 

 Segurou meu rosto com as duas mãos enquanto me empurrava para a parede, e via em seu olhar o desejo latente. O olhar. Desejo. E finalmente, o beijo.  Sentia os lábios dela pressionando os meus, no que se iniciava o beijo calmo, logo ficou mais urgente, buscava o seu corpo com as mãos até enlaçar seu pescoço, enquanto Letícia me puxava para si como se pudesse fundir nossos corpos em um só, me abraçando com força. Gemi em satisfação, e parece ter sido o sinal que ela precisava para mergulhar a língua em minha boca, pausou o beijo afoito apenas para buscar meu pescoço com os lábios e lamber me causando arrepios enquanto ela continuava explorando meus ombros, colo, até onde o vestido permitia. 

 

--Faz ideia do quão linda você está? --perguntou com a voz abafada enquanto beijava minha orelha. Sorri e puxei seu rosto para um beijo dessa vez mais calmo.

 

 --Você que está perfeita. Como sempre. Ela sorriu mostrando as covinhas deliciosas.

 

--Faz apenas algumas horas que nos vimos e já estou morrendo de saudades. Como isso é possível? Sorri encantada e beijei seu queixo.

 

 --Quero fugir com você daqui. O que acha? 

 

 --Fugir? Para onde?

 

--Deixo você escolher. Não quero ficar nessa festa chata, quero ficar apenas com você, baby --falou acariciando minha bochecha.

 

--Eu também, amor. 

 

--Amor? Eu sou seu amor agora? --Letícia arqueou as sobrancelhas.

 

Sorri contornando seu nariz com meu dedo indicador.

 

--Desde a primeira vez que vi você. 

 

 --Awn, que lindinha. Assim não vou deixar você sair desse quarto tão cedo. --Me deu outro selinho.

 

--Me prenda aqui, eu adoraria. --falei sincera.

 

 --Vou prender você em uma redoma de vidro.

 

 --É melhor irmos, mamãe pode desconfiar da nossa demora.

  Letícia fez um biquinho lindo parecendo uma criança birrenta.

 

 --Mas eu não quero me separar de você. --me arrancou mais um beijo.

 

 --Mas nós temos que ir, prometo que no final da festa dou um jeito de vê-la.

 

--Promete?

 

 --Prometo. 

 

 --Ok. Agora eu realmente preciso retocar o batom, você também.

 

Fomos para o banheiro e logo após terminarmos resolvemos sair separadamente para evitar desconfianças. Letícia foi primeiro enquanto eu aguardava alguns segundos para sair.

 

Desci mais uma vez e logo vi minha mãe me chamando ao jardim perfeitamente decorado,  fui apresentada a alguns convidados, dessa vez Antoni também estava presente, segurando possessivamente a cintura de Letícia que parecia desconfortável ao me ver.

 

Tentei ignorar a cena, apesar da irritação que senti ao vê-los. Era só uma questão de tempo, logo a teria somente para mim. Conversamos animadamente até ouvirmos um burburinho na entrada da casa.

 

Fechei os olhos com força avistando de longe quem se aproximava.

 

Não, aquilo não poderia estar acontecendo. Definitivamente não!

 

Não, Meu Deus.

 

Dra. Victória se aproximava sendo acompanhada por Dr.Otávio, vestidos impecavelmente caminhavam em nossa direção enquanto eram cumprimentados por grande parte dos presentes.

 

Tentei fugir antes que ela me visse, porém o braço firme da minha mãe não me permitiu.

 

--Alice, onde pensa que vai? Preciso te apresentar uma pessoa.--minha mãe disse sorridente enquanto avistava meus patrões.

 

 --Eu preciso ir no banheiro, mãe. É urgente. --sussurrei no seu ouvido apressadamente uma desculpa qualquer. Mas era tarde demais.

 

Ela havia me visto, de longe seu olhar prepotente me fitava. Agora só poderia pedir aos céus que ela não reconhecesse Letícia.  Pedir que aquelas malditas câmeras não captassem seu rosto com tanta exatidão.

 

Aproximaram-se com passos lentos de nós, e a cada passo dela parecia me levar para a forca. 

 

--Que honra recebe-los aqui! Otávio, como vai? -- Minha mãe o cumprimentou beijando-o no rosto enquanto eu praticamente me escondia atrás dela, como um bichinho acuado, tentando olhar para todo o canto que não fosse para ela, até o casal de tios parecia mais suportável de ver.

 

--Ótimo, Liza. E você, cada vez mais bonita. 

 

--Gentileza sua. --mamãe deu um tapinha no ar desdenhando.

 

--E Victória, quanto tempo! Seja bem vinda!--cumprimentou-a igualmente.

 

 

 Inferno. Ainda por cima minha mãe a conhecia

 

Aquela era uma boa hora para perder os sentidos. 

 

 --É sempre bom estar de volta, Liza.--fixou seu olhar gélido sobre mim e eu logo encarei o chão após cumprimentar Dr.Otávio.

 

 --Deixe-me apresentar minha filha. Alice, essa é Dra. Victória.

 

  --Nós já nos conhecemos, trabalhamos juntas no escritório, não é Alice? --Disse com uma voz irônica estendendo a mão para me dar um aperto leve.

 

--Sim, é um prazer tê-la em nossa casa, Doutora. --devolvi o aperto me surpreendendo por não ter falhado a voz tamanho nervosismo.

 

--Ó, você não tinha me contado, filha! Eu realmente não sabia, mas é uma grande oportunidade, você sempre admirou tanto o trabalho dela. Alice é uma grande fã sua, tem todos os seus livros, não é mesmo?-- Indagou toda orgulhosa, fazendo minha vergonha se multiplicar.

 

--Sim. --Ah, deixe-me apresentar meu irmão, Antoni. E sua namorada Letícia.

 

 Victoria cumprimentou-os e talvez se não tivesse tão próxima dela não teria notado seu breve arquear de sobrancelhas denotando surpresa.

 

Para logo depois lançar sobre mim um olhar inquisitivo.

 

Ela a havia reconhecido. Que droga.

 

Mantivemos-nos na roda, dessa vez Antoni saiu, enquanto nos dirigimos a mesa eu, Letícia, Mamãe, Victoria e Otávio.

 

Uma musica instrumental soava no ambiente, vindo do pequeno palco com alguns músicos que tocavam grandes sucessos. Ainda bem que estava sentada, minhas pernas já estavam bambas de tanta emoção. O conversa era agradável rondava sobre temas diversos, como politica, negócios, viagens.

 

Vez ou outra Victória olhava para mim e logo depois para Letícia, como se não pudesse acreditar, como se sua mente não achasse possível que aquilo fosse real. Ela estava em frente a nós duas, numa posição estratégica para visualizar minha vergonha. Eu só queria que aquela noite terminasse de uma vez. Era pedir muito.

 

Meus pensamentos foram interrompidos com o barulho do ruído do microfone, atingindo meus tímpanos em cheio, para logo depois a voz de Antoni soar alto no ambiente. Não saberia dizer quais dos dois sons era mais desagradável.

 

--Boa noite a todos!  Todos os convidados pararam o que estavam fazendo para olhar em direção ao palco. E eu me perguntava o que ele aprontaria. --Todos devem estar se perguntando, o porque d'eu estar aqui em cima, interrompendo o concerto. 

 

 Claro, seu imbecil.

 

Revirei os olhos depois de ver Letícia com uma expressão de estranhamento no rosto.

--Não se preocupem, logo a banda estará de volta. Hoje é um dia muito especial para mim --senti Letícia suspirar pesadamente ao meu lado enquanto seu rosto se empalideceu, enquanto a voz estridente continuou. --Hoje faz exatamente sete anos que conheci uma pessoa capaz de mudar minha vida, para melhor é claro.  

 

Sete anos? Mas Letícia só o conheceu a quatro anos, segundo ela mesma havia me dito.

 

--E desde então eu descobri o significado do amor. E como diz o grande escritor: Amar não é olhar juntos na mesma direção. Amar  é olhar um para o outro.

 

É o contrário, idiota.

 

 --Então eu queria chamar para subir no palco, a mulher responsável por fazer de mim diariamente o homem mais feliz do mundo. Letícia, sobe aqui! 

 

Olhei-a incrédula para o meu lado esperando uma explicação, mas  ela levantou-se tão rápido que mal havia tempo de vê-la e ela ja estava no palco.

 

--Bom, então dizem que todos os casais tem a crise dos sete anos, e talvez esse ano não tenha sido fácil para nós dois, mas contrariando todas as regras...  Ele ajoelhou-se enquanto uma Letícia completamente abalada se mantinha inerte ainda pude vê-la sibilar um ''levante-se'' em sua direção, mas ele continuou no chão. ...hoje eu te peço: Quer casar comigo? 

 

 Ela olhou em minha direção suplicante, como se houvesse um pedido de desculpas em seu olhar. Mas ignorei fechando meus olhos com força, parecia ter sido arremessada em outra dimensão. Tudo que ouvia eram palmas e burburinhos distantes, eu não queria olha-la, mas havia esperança dentro de mim, de que ela negasse. Nunca um não foi tão desejado como aquele.

 

--Eu aceito.  Ouvi sua voz e só então abri os olhos para olha-la do palco, mas ela covardemente não se atreveu a olhar-me.

 

Aquilo era demais para mim. Aquilo era mais do que eu pude suportar.  

 

E como você sabe que demais é demais?

 

 Era tarde demais. Eram Informação demais.

 

 Eram mentiras demais.

 

Mágoas demais.

 

 

 É quando tudo passou a ser demais para aguentar. 

 

***
Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande. Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo. É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos. Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de ações e reações, de expectativas e frustrações. 

 

Martha Medeiros 

Nome: lia-andrade (Assinado) · Data: 07/11/2015 16:54 · Para: Capítulo 23

Como é bom poder acompanhar essa história maravilhosa. Fiquei desanimada quando não encontrei ela entre as demais. Adoro.

Parabéns!! Beijos.



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