No meio de tudo, você. por JuliaR


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Tudo ia de mal a pior, se minha vida já estava suficientemente estranha nos meses que se passaram, a ultima semana mais parecia uma montanha russa, as coisas começavam a sair dos eixos sem nenhuma previsão de melhora.Passei quase a noite toda em claro, a discussão com Letícia não me deixou dormir, as palavras carregadas de ira ecoavam em minha mente me deixando se possível mais indignada, se pudesse me teletransportaria da minha realidade, e só voltaria a mesma quando tudo se resolvesse. Minha vontade era de permanecer ali coberta dos lençóis no conforto do meu quarto sem ter que atravessar a porta e correr o risco de dar de cara com ela. Juro que naquele momento ela era a ultima pessoa que gostaria de ver. Nunca imaginei que diria isso.

Pedi para que levassem meu café na cama na tentativa de evitar o quanto pudesse qualquer tipo de aproximação, já estava me preparando psicologicamente, pois teria que almoçar com todos na sala, uma vez que minha mãe receberia visitas. Desci desanimada para a sala, no meio da escada dei de cara com Letícia que carregava um semblante de cão sem dono. Revirei os olhos e tentei passar batido, porém sua mão me deteve delicadamente.

--Alice, precisamos conversar. Quero me desculpar  

Sussurrou com a voz mansa, nem parecia a mesma Letícia de ontem.

--Não. -Disse simplesmente e continuei o percurso.

--Eu estou arrependida por ontem e...--continuou me acompanhando.

--Azar o seu.

Desfiz o contato com dureza e terminei de descer as escadas, com o coração aos pulos, mas acredito que me sai bem tentando parecer indiferente.

--Bom dia!-

Fingi animação que não sentia ao cumprimentar a mesa e ver que nela estava além de mamãe e Antoni, Clara e os pais dela, fiz questão de me sentar ao seu lado, aliás, ate fastei a cadeira para o mais próximo possível dela. Letícia logo adentrou na sala com um sorriso sem graça, mas elegante como sempre naquele vestido bustier azul. 

Desgraçadamente linda. Que raiva!

No entanto tentei parecer o mais indiferente possível, e concentrar meus olhares furtivos em Clara, que parecia bem feliz em me ver e que também estava linda,  juro que inicialmente nem tive a intenção de fazer ciúmes, mas com o assunto da mesa restrito ao mundo chato da moda, foi impossível não me atentar a conversa privada com Clara.

Letícia sempre olhava para mim, analisando minha conversa, parecia frustrada em ter que interagir com os outros, o que impedia de acompanhar o que eu e Clara falávamos. Chegava a ser divertida a cara descontente que ela fazia. Após o almoço fomos todos a sala de estar, escolhi uma poltrona de dois lugares para me sentar com Clara, que estrategicamente ficava a frente da qual Letícia e Antoni estavam sentados, o que proporcionava uma visão privilegiada.

Conversávamos em voz baixa sobre banalidades, vez ou outra tocava em seus cabelos propositalmente enquanto perguntava o que ela estava usando para deixar os fios tão sedosos, um assunto aparentemente banal, mas para quem via de longe parecia um flerte descarado que visivelmente deixava Letícia desconfortável.

Vez ou outra Clara tocava discretamente minha perna, nem era de propósito, eu ja tinha percebido que ela tinha mania de fazer isso com outras pessoas, mas que naquele momento caiu como uma luva.

Letícia nos fitava com olhos semi cerrados e os lábios comprimidos numa clara expressão de raiva. Bem feito, ela merecia isso muito mais.

Ouvi no meio da conversa, mamãe dizer que iria a um buffet com os pais de Clara, Antoni e Letícia, porém insisti que Clara ficasse mais, para que nós conversássemos.

 Recebi um olhar reprovador da minha tia, mas nem sequer me importei. Convidei Clara para ir no meu quarto com a desculpa de que ela me ajudasse a escolher o vestido que usaria na festa, saímos de mãos dadas em direção a escada, olhei para Letícia e senti seu olhar gélido sobre mim, sorri cínica para ela e dei um aceno com a mãe me despedindo. 

Eu e Clara passamos boa parte da tarde jogando conversa fora, conversando sobre filmes, livros, faculdade. Adorava conversar com ela, estávamos cada vez mais próximas, ela tinha se tornado uma grande amiga, apesar de ainda sentir um interesse latente dela em mim. 

Ela se despediu após um bom tempo, e combinamos de nos ver na faculdade depois.

Fechei a porta do quarto e me joguei na cama, com um sorriso compenetrado nos lábios lembrando da cara de contrariedade de Letícia, me deliciava em vê-la daquela forma, me sentia de alma lavada.

Ouvi batidas na porta, estranhei visto que todos tinham saído de casa, me levantei e fui destrancar a porta. 

--Letí...

Mal tive tempo de falar e fui empurrada para dentro do quarto e a vi trancar a porta atras da gente com a expressão completamente transtornada, me segurando pelos ombros.

--Já chega de me provocar, Alice! --falava entredentes pausadamente enquanto me empurrava --Cansei dessas ceninhas!--seus olhos me fuzilavam.

Senti a cômoda atras de mim ainda assustada, sentindo seu rosto proximo ao meu.

--Saia já do meu quarto! --falei num fio de voz.

--Por que? A Clara você deixa, não é? O que tanto vocês faziam aqui?--me olhava com as sobrancelhas arqueadas e os olhos brilhavam de raiva.

--Nem queira saber--sorri debochada virando o rosto.

Letícia me puxou pelo queixo fazendo-me olhar em seus olhos. 

--Não estou para brincadeiras.

--Nem eu!

A senti segurar a parte de trás do meus joelhos e me suspendendo me fazendo sentar na cômoda atras de mim. Afastou minhas pernas e se pôs entre elas, colando nossos corpos. Letícia pôs o rosto na curva do meu pescoço aspirando com força.

--Contava os segundos pra te sentir assim. – Letícia disse em meu ouvido ofegante ao mesmo tempo em que  beijava deliciosamente meu pescoço, enquanto suas mãos quentes apertavam minhas coxas descobertas pelo saia.

--Não faz isso, Letícia.--já pedia sem força sem voz, sendo inebriada pelo cheiro dela.

--Você não quer que eu pare. --falou dando beijos molhados em meu queixo.

Não resisti, juro que tentei ser forte, mas foi impossível resistir. Segurei seus cabelos pela nuca e selei nossos lábios, sedente pelo seu beijo, senti meu corpo arrepiar quando sua língua adentrou entre meus lábios, sendo correspondida de imediato. Nem sei calcular o tempo em que ficamos trocando beijos, só interrompi o beijo quando senti suas mãos subirem minha saia, e seus dedos atrevidos roçaram em minha calcinha arrancando um gemido baixo.

--Deliciosa, não vejo a hora de por minha boca aqui. 

Suspirei alto. 

Não consegui conter os instintos que clamavam pelo gosto doce daquela língua e a beijei outra vez.  Precisava, necessitava daquele contato. Implorava pelo calor que se alastrava por seu corpo como chamas. Sentia uma pontada no ventre cada vez que sentia a lingua aveludada sugar a minha.

Tentei tirar rapidamente o vestido dela, sem sucesso, mas consegui arranhar a pele das suas costas e ombros com força, sem me importar em deixar marcas. Eu queria que ela se sentisse marcada. Aquilo me dava a sensação ilusória de que ela me pertencia.

Ela tirou minha blusa, e logo depois devorou meu colo com sua lingua, beijando, sugando entre o vale dos seios. Os olhos verdes me olhavam com devoção quando tirou meu sutiã, para logo depois devorar meus seios entumecidos, beijando os mamilos rosados e acariciando com a língua quente. 

Gemi alto.

--Gosta assim?

Nem sequer consegui responder, quando ela avançou no outro repetindo o processo e dando uma leve mordida no final. Quase desfaleci.

Deu um sorriso convencido.

--O que eu faço com você, hein? Acho que você merece um castigo depois do que fez...

Sussurrou com o hálito quente em minha orelha, enquanto lambia toda a extensão ate meu queixo, depositando uma mordida um tanto forte no local.

--Ai...

--Doeu? --me questionou com um sorriso malicioso nos lábios.

--Sim...

--Você não viu nada.

Mal tive tempo de respirar e senti suas mãos agarrarem meu quadril e me levando pra ela, me suspendendo fazendo agarrar ainda mais no seu corpo, me tirando da cômoda e me levando com ela a caminho da cama. Me jogou com um pouco de força no meio da cama me deixando esparramada entre meus lençóis fazendo-me apoiar nos cotovelos

--Nossa--falei embasbacada vendo-a terminar de tirar o vestido e aparecer só de lingerie preta e vermelha com cinta liga. Quase desmaiei coma cena.

Piscou para mim.

--Vira. 

--Ahm? --pisquei os olhos rapidamente sem entender.

--Eu mandei você virar.--falou séria me olhando.

Mal tive reação, quando a senti me virar com suas mãos firmes num milésimo de segundos, me deixando mais surpresa ainda e temerosa com o que poderia acontecer. Ela logo colocou dois travesseiros sob minha barriga enquanto ainda estava de bruços me deixando completamente empinada.

Senti a cama afundar do meu lado, e pelo espelho da parede vi  seu corpo se colar ao meu me arrepiando inteira, suas mãos colocaram meu cabelo de lado, e sua boca deliciosa falar no meu ouvido.

--Tem noção do quanto você é gostosa?

Não respondi em completo ecstasy.

--Só eu posso comer você assim. Só eu posso fazer o que quiser com você.

--Só você --repeti completamente ofegante.

--E você vai pagar por ter me provocado hoje, sobrinha. 

Senti ela suspender seu corpo descolando do meu, e minha saia de pregas foi suspensa expondo minha calcinha.

Apertou minha bunda com força e depois fez carinho com o dorso da mão. Estava relaxando com o carinho quando inesperadamente senti um tapa queimando minha pele.

--Ai! 

Franzi o cenho, enquanto via pelo reflexo Letícia sorrir, eu me encontrava com as bochechas completamente vermelhas e com uma expressão assutada no rosto.

Ela subiu novamente pelo meu corpo beijando minhas costas seguindo a linha da minha coluna e cobrindo de beijos molhados até minha nuca onde salpicou mordidas. Mal tive tempo de relaxar meu corpo quando senti outro tapa forte em minha bunda fazendo o barulho ecoar pelo quarto.

Dessa vez nem sequer tive tempo de reclamar e ja senti seu dedo me invadir deliciosamente, enquanto com a outra mão ela fastava minha calcinha.

 Gememos em uníssono. 

Mordi os lábios tentando abafar o som.

--Tão apertada. Quero ver até onde aguenta.

Falou no meu ouvido enquanto inseria mais um dedo  estocando fundo dentro de mim, e eu me sentia vergonhosamente meu liquido molhar a cama enquanto mordia meu lençol com força.

--Não aguento mais

--Claro que aguenta.

Colocou mais um dedo e instantaneamente meu corpo retesou anunciando o orgasmo, enquanto ela diminuía o ritmo me deixando completamente frustrada.

--Ainda não. Quero tudo na minha boca.

Prendi a respiração quando vi Letícia me virar de barriga para cima e me puxar para a borda da cama, enquanto se punha de joelhos entre minhas pernas.

--Oh não...

Falei tentando fechar minhas pernas, mas Letícia foi mais rápida e manteve-as abertas.

--Morrendo de saudade do seu gosto sabia? 

Falava isso arranhando minha barriga de leve com aquelas unhas bem feitas, enquanto olhava para mim com aquele sorriso cínico passando as mãos sobre a borda da minha calcinha de renda rosa.

--Saudades da minha sobrinha gostosa.

Mal tive tempo de responder e senti sua lingua quente contornar minha boceta de baixo pra cima por cima do tecido fino, me deixando mais molhada ainda. Tive que colocar minhas mãos na boca para não fazer escândalo.

--Ai meu Deus--sussurrei sem me conter.

Letícia deu uma risada nasal enquanto assoprava onde antes havia lambido me causando arrepios.

--Tira minha calcinha...

Letícia não se fez de rogada, e para minha surpresa segurou com as duas mãos com força rasgando o tecido e se desfazendo da ultima peça que faltava, me deixando totalmente exposta para ela, seus dedos indicadores deslizaram sobre meu sexo abrindo-o ainda mais enquanto sua linguá me invadiu fundo fazendo minha cabeça pender para trás.

--Humm

Gemi baixinho fechando os olhos, tentando não perder o contato com os seus olhos azuis flamejantes que pareciam me devorar. Senti sua língua circular superficialmente meu nervo rígido, me fazendo erguer mais o quadril em direção a sua boca ansiando um contato maior, mas Letícia afastou seus lábios rindo.

--Não faz isso...--supliquei.

Letícia logo capturou meu clítoris sugando inteiro para dentro da sua boca, a cena mais erótica que já vi em minha vida, ver seus lábios rosados me chupando inteira. Já sentia os espasmos invadirem meu corpo, quando Letícia me lambia recolhendo grande parte do liquido quente em sua boca, me fazendo gemer alto, sentindo meu sexo pulsar contraindo a língua deliciosa em meu interior.

Dali em diante meu corpo não suportou e o orgasmo veio intenso arrebatando meu corpo de uma maneira surreal, nem sequer conseguia enxergar direito, apenas sentia Letícia sugar cada gota do meu gozo enquanto me sentia esgotada sem forças para sequer falar.

Letícia escalou meu corpo salpicando beijos dos pés a cabeça enquanto subia deixando nossos corpos colados me beijando de leve e acariciando meus cabelos.

Devo ter ficado uns 10 minutos ali paralisada, de olhos fechados, esgotada sem forças sentindo apenas os dedos de dela contornarem meu nariz e lábios enquanto recebia beijos carinhosos em minhas bochechas. Abri os olhos e o azul me invadiu com força, eles expressavam carinho, devoção.

--Cansada, amor? --ouvi a voz rouca perguntar com um sorriso contido nos lábios.

Amor. Uma palavra, quatro letrinhas e um efeito devastador no meu pobre coração.

--O que você acha? --perguntei com um tom obvio, porém encantada.

Ela sorriu mostrando aqueles dentes branquinhos e perfeitamente alinhados, me fazendo sorrir também.

--Minha bunda está ardendo, caso queira saber. --falei fingindo irritação.

Ela deu uma risada ainda maior me mostrando aquelas covinhas fofas.

--A minha mão também, caso queira saber...

Revirei os olhos. E ela me roubou um beijo terno enquanto acariciava minhas bochechas. Enterrei meu rosto na curva do seu pescoço e aspirei seu perfume doce.

--Eu senti sua falta. --confessei timidamente sem olha-la.

Ela sorriu.

--Tu me manques.

--Como? --a encarei confusa.

--Sabia que na França, as pessoas não dizem eu senti falta de você. As pessoas dizem ''tu me manques''. Significa algo como você está faltando em mim. E eu amo isso por isso que eu disse, é como se você fosse uma parte de mim, essencial para mim, é como uma parte de mim, meu sangue. Eu não seria a mesma sem você.

Olhava encantada para Letícia, sentindo meu coração descompassado e as borboletas invadirem meu estômago.

Beijei Letícia, como nunca antes havia beijado, havia naquele beijo mais do que paixão, havia amor, carinho, sentimentos até então inconfessáveis mas que ficavam latentes em cada gesto. Bastavam pequenas palavras atingir em cheio meu coração me dando a certeza que ela também fazia parte de mim. Mais do que eu poderia imaginar.

 

***

 

Soneto 116

De almas sinceras a união sincera

Nada há que impeça:

amor não é amor

Se quando encontra obstáculos se altera,

Ou se vacila ao mínimo temor.

Amor é um marco eterno, dominante,

Que encara a tempestade com bravura;

É astro que norteia a vela errante,

Cujo valor se ignora, lá na altura.

Amor não teme o tempo, muito embora

Seu alfange não poupe a mocidade;

Amor não se transforma de hora em hora,

Antes se afirma para a eternidade.

Se isso é falso, e que é falso alguém provou,

Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.

 

William Shakespeare

Nome: Ana_Clara (Assinado) · Data: 03/11/2015 00:33 · Para: Capítulo 22

Ainnnn, ao mesmo tempo que o capítulo foi sexual ao extremo, teve tbem muito romance. Esta parte final foi linda! Torço muito para que elas se acertem e fiquem juntas de uma vez. São lindas juntas! 



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