Shot me down por Mabes Okada


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— Eles ficam cada vez mais criativos, não acha? – Perguntei à Dante, enquanto colocava as luvas e prendia o cabelo em um coque frouxo. Mais um dia. Mais um cadáver. Tudo normal por aqui.


Geralmente não fazíamos a necrópsia, mas, como Jerry, o legista de meia idade, estava de folga acabou sobrando para nós.


Não estou reclamando, adoro isso. Mas Dante... Bem, ele é um tanto quanto sensível à coisa toda.


Meu parceiro bufou.


— Se encontrar um cara com a boca e olhos costurados, como um slogan do Nirvana, for criativo, então você deveria ganhar um Nobel de bizarrices.


Eu ri.


— Não vê a beleza da coisa? – Perguntei sorrindo.


— Tirando todo o sangue e estar às oito da manhã ao lado de um cadáver ao invés do meu namorado? – Revirou os olhos – Não mesmo!


Suspirei decepcionada.


— Vamos, Dan, já trabalhou o suficiente comigo. Use meus métodos. O que o senhor Kurt aqui tem à nos dizer?


— Kurt?! Deu até apelido? Que coisa linda!


Bufei.


— Certo, pegue a pipoca, vou contar uma historinha.


— Prossiga, professora.


— Pela carteira que achamos o nome dele é Robert Galbraith, que, por coincidência, é um pseudônimo da escritora J.K Rowling quando lançou seu primeiro livro policial, o que é bem irônico.


— Ele não tem cara de ser fã de Harry Potter. Na verdade, nem cara ele tem mais – murmurou.


— Não me interrompe!


— Tá, continua. – Revirou os olhos.


— Já vimos que é um nome falso. Os cabelos. Não eram pretos, pode ver que aqui... – Falei levantando a cabeça do nosso amigo –  Os pêlos da nuca são loiros, repare nos pequenos respingos de tinta no pescoço, foi recente. Tentativa óbvia de um disfarce que pelo visto não deu certo. Pela mancha de vinho barato na manga da camisa dele, e a sujeira sob as unhas, era dono de bar. Fez uma viagem recente à negócios, veja... – Apontei para seus braços bronzeados do cotovelo para baixo. – Apenas essa parte e o rosto estão bronzeados, nem ao menos as pernas! Ou seja...


— Roupa social? – Chutou.


— Exato! Me diga um lugar na América onde o sol pode fritar um ovo na sua testa?


— Nenhum mesmo. Acho que nem Miami. Eu chutaria que foi no exterior. México?


Bati palmas.


— Muito bom, jovem gafanhoto. – Sorri em aprovação. Nossas crianças crescem tão rápido.


Ele olhou atentamente o corpo e coçou os cabelos loiros.


— Mas... – franziu a testa – O que um dono de bar, de provavelmente 45 anos, iria tratar no México?


Meu sorriso se alargou.


— Que rufem os tambores!


— Desembucha!


— Tráfico. – Ele arregalou os olhos – O bar é apenas uma fachada. Se conseguirmos um mandado acharemos coisas bem interessantes lá.


— Cara, você me assusta. E a causa mortis?


Apontei para o pequeno pote, com o líquido espesso e vermelho, que estava ao lado da cabeça dele. 


— Desconfio que seja veneno. Vou mandar uma amostra, para a toxicologia, só para garantir. Mas - Apontei para o atebraço, onde uma equimose era visível. - Injetaram aqui, e pelo visto não sabiam o que estavam fazendo á que a agulha quebrou.Já embalei para a análise.


— Sim, Sherlock!


— Não me chama assim!


Olhei para o rosto do corpo deitado na mesa à minha frente. A boca e os olhos foram cuidadosamente costurados, mas pela coagulção do sangue no local, fora feito após a morte do indivíduo. Não sabia se isso me tranquilizava ou me assustava. Vi a ponta de alguma coisa saindo quase microscopicamente do canto dos lábios. Franzi as sobrancelhas.


— Me dá uma tesoura e a pinça de tamponar.


 Dante, pegou o que pedi, desconfiado, e me entregou. Cortei os pontos do sorriso falso e enfiei a pinça para destravar a mandíbula. Maldito rigor mortis.


Enfiei os dedos e senti algo. Puxei.


Era uma cobra morta. Uma pequena cobra coral verdadeira.


Segurei a peçonha e Jason deu um pulo.


— Calma, tá morta – Falei.


— O que diabos é isso?! – Perguntou de olhos arregalados.


Joguei a cobra no lixo ao lado da mesa.


— Não vai mandar pra análise? Pode ter alguma digital, definitivamente é uma pista.


— Não precisamos de nenhum nem outro, Dan. A cobra é um aviso.


— Aviso?


— Ele está sem a língua. Olhos e bocas costurados. "Não vejo, não falo." Sabemos o porquê ele morreu. E ele ainda estava vivo quando perdeu a língua pela falta de  coagulação de sangue. Já descobrimos de onde veio o veneno. A cobra disse para quem ele trabalhava.


Ele me olhou assombrado.


— Quem faria isso? – sussurrou.


Eu sorri antes de dizer o nome.


— Grant Reed. Chefe dos Snake´s. O maior traficante de Nova York. Pegamos um baita peixe grande, Dan.


Isso será muito interessante.

Notas finais:

E por hoje é só pessoaaaal!



Comentários


Nome: Andreia (Assinado) · Data: 30/11/2020 03:09 · Para: Work is Work
Me assustei hora que cobra saiu da boca não esperava por está, ela com o parceiro tá em uma enrascada e história muito boa.abraço.


Nome: Eudervilar (Assinado) · Data: 11/09/2019 14:52 · Para: Work is Work

Hum! Romance policial,por enquanto só minha curiosidade está sendo aguçada, espero não me decepcionar.

Boa tarde Mabe.

Beijos



Nome: rhina (Assinado) · Data: 04/09/2019 23:02 · Para: Work is Work

 

Oh bicha inteligente. ....

Para a vida profissional.......para o resto. ....sei não 

Rhina 



Resposta do autor:

Sorte no trabalho, azar no amor jbsbbjsba



Nome: Brescia (Assinado) · Data: 30/08/2019 21:33 · Para: Work is Work

          Oi mocinha.

 

Mais um detalhe sobre a Sophie, ela é muito inteligente, tem um melhor amigo que tb é seu parceiro e ama mesmo o que faz.

 

          Baci piccola.



Nome: Maryana (Assinado) · Data: 06/07/2019 00:34 · Para: Work is Work

Voltaaaaaaaaa.....



Resposta do autor:

Logo logo estou de volta! 



Nome: olivia (Assinado) · Data: 04/07/2019 17:41 · Para: Work is Work

Estou arrepiada , como tem torturador malvado, dedo duro tem sempre final trágico! Suspense faz meu cabelos ficarem em pé!! Tô curtindo de montão!! Capítulos pequenos acaba rápido , deixa gostinho de, podiam ser maiores!! Parabéns!!



Resposta do autor:

Hey obrigado mesmo, prometo que os próximos serão maiores! Descobri que não consigo postar pelo celular, então logo mais pego o notebook e volto aqui. Obrigado mesmo por ler ?



Nome: ritapin (Assinado) · Data: 04/07/2019 07:03 · Para: Work is Work

Curti! Muito legal. To curiosa pelo que vai vir... 



Resposta do autor:

Obrigado por ler! Logo logo tem mais ?



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