A namorada da minha namorada por Jocelyne Laissa


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Capítulo 5 – Snooker & Karaokê 

   

 

        No final de semana, exatamente às 20h em ponto, Duda estava lá no endereço onde indicava o papel. Duda não saia muito, então aquele lugar era novidade para ela. 

-Nossa! Como você é pontual. 

-Por que tinha que ser tão longe? 

- Porque eu queria te tirar da chatice que é a sua vida e aqui é o lugar ideal. 

 -Mas você nem sabe nada da minha vida. 

 -Esqueceu que eu li todas as suas mensagens? Você não sai, só tem dois amigos, os únicos lugares que reparei é que você só sai para a escola, curso e igreja. 

-Tá bom sabichona, então onde que é esse lugar "ideal” tão maravilhoso que você está falando? 

-É bem ali. - Disse apontando para uma entrada com uma placa de neon vermelha, escrito: “Snooker & Karaokê”, essa entrada dava de cara com uma escada bem estreita. Duda achou o lugar misterioso e ficou com medo. 

-Não podemos entrar ali, está escrito na placa “proibido a entrada de menores”. 

-Eu sei da placa, mas relaxa, eu conheço a dona, ela é minha amiga, eu venho sempre aqui. 

-Tá bom, mas nós nem temos dinheiro para entrar. 

-Eu tenho o suficiente pra nós duas. - Ela mostrou para Duda duas notas de 100 reais. 

-Não! Esse dinheiro é roubado, eu não vou usar esse dinheiro sujo dos seus roubos. 

-Aihm para vai! Vamos comprar só algumas bebidas. 

-Mas eu nem bebo. 

-Para de ser chata, vem logo. - Ela puxou Duda pelo braço e as duas subiram as escadas. 

      Quando Duda entrou, reparou que o lugar era bem exótico, a decoração era bem bonita, tinha muitas mesas e cadeiras, algumas mesas tinha sofá no lugar de cadeiras, tinha muitas mesas de sinuca e um palco com microfone e karaokê no palco. 

        Jéssica já foi indo em direção ao bar e começou a conversar com uma mulher muito sexy e bonita. Ela era loira, alta, forte, seus braços tinham muitas tatuagens e ela aparentava amedrontar as pessoas, pois seu olhar era muito penetrante e intimidador. 

-Oi Sheila! 

-Oi Jéssica! Tá diferente, nunca reparei o quanto seu cabelo é bonito, tirou a toca para lavar? 

-Há HÁ Há engraçadinha! Quero que você conheça a minha amiga. Essa é a Maria Eduarda. Ela vai cantar hoje na competição. 

-Quê? Eu vou o quê? Não, não vou cantar não! 

-Prazer Maria Eduarda! Eu sou a Sheila! 

-Prazer Sheila, pode me chamar de Duda. 

-Não fica com medo Duda, aqui não tem ninguém profissional. Posso colocar o seu nome na lista de competidores? 

-Posso pensar Sheila? 

-Claro! A competição começa às 22h. Até lá você pode pensar. É só vim aqui falar comigo que eu coloco o seu nome. 

-Tudo bem. Obrigada Sheila. 

-Sheila, a gente vai sentar, manda o de sempre pra minha mesa, por favor. 

-Claro Jéss, pode ir lá que já peço pro Leon te levar. 

        Sentadas, Duda reparou que aquele lugar era muito confortável, as pessoas que estavam ali eram um pouco diferentes do seu convívio. Tinha uns caras tipo “Motoqueiro Selvagem”, eles eram muito na deles e não largavam o taco da sinuca, parece que eles iam ali só para jogar. Ela reparou também a diversidade do lugar, pois tinha muitos casais homossexuais. Principalmente mulheres acompanhadas de outras mulheres. Isso tudo era muito novo para Duda. 

          O garçom trouxe uma bebida para Jéssica. 

-Sex on the beach! Quer experimentar? É uma delícia. 

-Não obrigada! Eu já falei pra você que eu não bebo. E você também não deveria. 

-Por que não? Eu gosto dessa bebida, eu gosto desse lugar, eu gosto de estar aqui com você! 

-Por que você me trouxe aqui? 

-Porque eu queria te ouvir cantar de novo, sua voz é tão linda. Ficou na minha mente durante um bom tempo. 

-Tem certeza que é isso? Ou você quer se aproveitar dos meus dons para ganhar o dinheiro da premiação da competição? 

-Que dinheiro? Sabe qual é o prêmio? Aquele ali. - Disse apontando para uma caneca preta de plástico escrito: “Eu sou nota 100 no Karaokê”. 

-Nossa! Essa caneca é linda! Mas eu não vou cantar. 

-Por que não? Você tem o dom de fazer as pessoas te ouvir quando canta. Por favor, é só uma música, essa competição só tem uma vez ao mês. 

-Jéssica, não é a mesma coisa de cantar na igreja e cantar aqui. 

-Como não? Tem um microfone e tem pessoas te ouvindo. É a mesma coisa. 

        Duda ficou calada pensando e Jéssica continuou: 

-Todas às noites de competição do Karaokê, são sempre as mesmas pessoas que cantam. Vou te mostrar os competidores. Tá vendo aquele cara ali – disse apontando para um cara, sozinho e com expressão de triste, sentado ao lado do balcão, tomando Gin – ele sempre canta alguma música depressiva que faz a gente querer se matar depois que ele desce do palco. Tá vendo aquele outro cara – apontou para um senhor de bigode, sentado em uma mesa grande, porém estava sozinho e bebendo Whisky – ele sempre canta alguma música de “tiozão”, tipo Amado Batista, Fagner, Léo Magalhães, Reginaldo Rossi ou algum forró muito brega. Tá vendo aquela mulher? - apontou para uma linda mulher negra de cabelo cacheado, toda elegante e estava jogando sinuca em uma roda de mulheres – ela sempre canta alguma música da Ana Carolina ou da Cássia Eller, só que ela não tem voz para isso, ela nunca tem ritmo. E por último a vencedora de todas as competições é aquela moça ali – apontou para uma mulher muito sexy, loira de vestido vermelho com um decote mostrando todo o seu busto, estava sentada na mesa com sofá e arrodeada de amigos – ela sempre canta “Like a virgin” da Madonna, ela nem tem voz, só ganha porque ela é bonita e os rapazes que estão sentados com ela ficam gritando e aplaudindo na hora dos votos. 

-Ual! Você vem sempre aqui mesmo! 

-É porque aqui já foi o meu refúgio. Duda eu acredito em você, sua voz é linda, é só uma música, você vai se divertir. Posso colocar o seu nome na lista? 

-Tá bom, você me convenceu. Pode! 

        A competição começou, o primeiro participante cantou a música “Wonderwall da banda Oasis”, ele fez uma versão muito mais triste e depressiva, quando ele terminou de cantar e desceu do palco, as pessoas estavam mesmo com uma sensação de querer cortar os pulsos. O segundo participante subiu ao palco e cantou “Borbulhas de amor do Fagner” ele até que cantou bem, mas ninguém deu bola para ele, duas pessoas do bar aplaudiram. A terceira participante cantou “Quem de nós dois da Ana Carolina”, a música é boa e dava para perceber que a participante estava se esforçando, porém ela era muito desafinada e quando desceu do palco, só as suas amigas aplaudiram. A quarta participante, assim que subiu no palco antes mesmo de começar a cantar já foi bem aplaudida, ela então começou a cantar e fazer a sua versão bem sexy da música “Like a Virgin da Madonna”, a voz não era boa e seu inglês menos ainda, mas sua apresentação e presença de palco era fantástica. 

        Quando a moça desceu, metade do bar bateu palmas para ela. 

        Logo em seguida, Sheila subiu até o palco. 

-Ainda não acabou pessoal, temos uma nova participante hoje. Com vocês Maria Eduarda. 

        Bateu um desespero em Duda. 

-Eu não posso ir Jéssica, eu já perdi, a outra moça foi super aplaudida. 

-Não precisa vencer, o importante é competir, vai lá. Eu acredito em você. 

        Então Duda subiu no palco, algumas pessoas ficaram olhando para ela, surpresos por ela ser uma competidora nova, fazia tempo que só havia aqueles mesmos competidores e também por ela ser tão jovem, Outras pessoas continuaram jogando sinuca, bebendo, sem se importar muito com ela. Quando Duda começou a cantar, estava muito tímida, mas foi logo soltando a sua bela e encantadora voz, ela estava cantando a música “What’s up da 4 Non Blondes” e logo animou as pessoas daquele bar, até os “motoqueiros selvagens”, que só iam jogar sinuca, nem ligavam para o Karaokê, pararam de jogar, para ouvir a potente voz de Duda.  E eles acompanharam ela no refrão e todos do bar começaram a fazer um coro acompanhando Duda no seguinte refrão: 

 

And I say, hey, yeah, yeah-eah 

Hey, yeah, yeah 

I said, hey! What's goin' on? 

And I sing, hey, yeah, yeah-eah 

Hey, yeah, yeah 

I said, hey! What's going on? 

  

And I try, oh, my God, do I try 

I try all the time 

In this institution 

And I pray, oh, my God, do I pray 

I pray every single day 

For a revolution 

  

And so I cry sometimes when I'm lying in bed 

Just to get it all out what's in my head 

And I, I am feeling a little peculiar 

  

And so I wake in the morning and I step outside 

And I take deep breath 

And I get real high 

And I scream from the top of my lungs 

What's going on? 

  

And I say, hey, yeah, yeah-eah 

Hey, yeah, yeah 

I said, hey! What's goin' on? 

And I sing, hey, yeah, yeah-eah 

Hey, yeah, yeah 

I said, hey! What's going on? 

  

And I say, hey, yeah, yeah-eah 

Hey, yeah, yeah 

I said, hey! What's goin' on? 

And I sing, hey, yeah, yeah-eah 

Hey, yeah, yeah, yeah, yeah 

I said, hey! What's going on? 

  

Ooh, ooh, ooh, ooh, ooh 

Ooh, ooh, ooh, ooh, ooh 

Twenty-five years of my life is still 

I'm trying to get up that great big hill of hope 

For a destination

 

Tradução da música

 

Vinte e cinco anos e minha vida está imóvel

Estou tentando subir aquela grande colina de esperança

Por um destino

Eu percebi logo quando soube que

O mundo era feito para essa

Irmandade dos homens

Seja lá o que isso signifique

 

E então eu choro algumas vezes quando estou deitada na cama

Apenas para tirar tudo que está em minha cabeça

E eu, eu estou me sentindo um pouco peculiar

 

E então eu acordo pela manhã e vou lá para fora

E eu inspiro profundamente

E eu fico muito chapada

E grito com toda a força

O que está acontecendo?

 

E eu digo, hey, yeah, yeah-eah

Hey, yeah, yeah

Eu disse, hey! O que está acontecendo?

E eu canto, hey, yeah, yeah-eah

Hey, yeah, yeah

Eu disse, hey! O que está acontecendo?

 

E eu tento, oh, meu Deus, como eu tento

Eu tento o tempo todo

Nesta instituição

E eu rezo, oh, meu Deus, como eu rezo

Eu rezo todo santo dia

Por uma revolução

 

E então choro algumas vezes quando estou deitada na cama

Apenas para tirar tudo que está em minha cabeça

E eu, eu estou me sentindo um pouco peculiar

 

E então eu acordo pela manhã e vou lá para fora

E eu inspiro profundamente

E eu fico muito chapada

E grito com toda a força

O que está acontecendo?

 

E eu digo, hey, yeah, yeah-eah

Hey, yeah, yeah

Eu disse, hey! O que está acontecendo?

E eu canto, hey, yeah, yeah-eah

Hey, yeah, yeah

Eu disse, hey! O que está acontecendo?

 

E eu digo, hey, yeah, yeah-eah

Hey, yeah, yeah

Eu disse, hey! O que está acontecendo?

E eu canto, hey, yeah, yeah-eah

Hey, yeah, yeah, yeah, yeah

Eu disse, hey! O que está acontecendo?

 

Ooh, ooh, ooh, ooh, ooh

Ooh, ooh, ooh, ooh, ooh

Vinte e cinco anos e minha vida está imóvel

Estou tentando subir aquela grande colina de esperança

Por um destino

 

 

 

        Enquanto Duda estava cantando, Jéssica estava admirada, sentindo aquilo outra vez, aquela sensação estranha que ela não sabia explicar, mas adorava sentir. Ela olhava o jeito que Duda se expressava e mudava quando estava cantando. Ela ficava tentando entender como saia aquele vozeirão todo de dentro de Duda e seu inglês era perfeito. Parecia até outra pessoa. Ela gostava muito da presença de Duda, o jeito frágil e indefeso de Duda e toda a sua insegurança fazia com que Jéssica tivesse uma vontade imensa de querer sempre protegê-la. 

        Duda terminou de cantar e antes mesmo de descer do palco, os aplausos fortes e empolgados começaram a fazer um grande barulho naquele bar. As pessoas ficaram de pé, outras assobiaram, até os “motoqueiros selvagens” estavam aplaudindo, eles nunca aplaudiram nenhum competidor, até Sheila estava encantada aplaudindo. Sheila subiu ao palco: 

- Temos aqui uma nova vencedora! 

        Sheila lhe entregou o prêmio e Duda estava com uma cara muito alegre. 

         Sentada novamente, estava olhando o seu prêmio. 

- Obrigada por me trazer aqui, eu estou muito feliz. Eu nunca havia cantado em público, sem ser na igreja, essa sensação é muito boa. 

- Fico feliz por você. Eu sabia que você iria gostar dessa experiência. E viu só, eu disse que você iria ganhar. 

- É uma caneca muito linda. Quero que você fique com ela. 

- Não, não posso, ela é sua, você ganhou. 

- Nós ganhamos! Se não fosse por você, eu não estaria aqui. Toma! – Duda lhe entregou a caneca. 

- Tá bom, eu fico. Mas com uma condição. 

- Qual? 

- Eu fico com a caneca, se você beber o primeiro gole dela, só será a “nossa caneca” se bebermos juntas dela. 

- Você sabe que eu não bebo. 

- Ah vai! Estamos comemorando a sua vitória, é só um gole. E se você não beber, então sem trato feito. 

- Tá bom, só um gole. 

- Vou pedir pra Sheila preparar algo especial, uma coisa bem doce e gostosa. 

        As duas começaram a beber e a jogar conversa fora! As horas foram se passando. 

- Está tarde, preciso ir embora. 

- Tudo bem, eu te acompanho até a sua casa. 

- Não precisa, mas pode ser até a metade do caminho. 

- Ainda está com medo que eu roube a sua casa? 

- Não, não é isso! Um dia quem sabe eu deixo você descobrir onde eu moro. 

        Depois de ter pego um ônibus, desceram em um ponto. 

- Pronto! Daqui eu posso chegar sozinha em casa. 

- Tem certeza? Você bebeu bastante e não é acostumada a beber assim. 

- Tenho sim, até amanhã. 

        Duda então foi lhe dar um beijo no rosto e Jéssica sentiu a necessidade de puxá-la para beijar seus lábios e foi o que ela fez. Não houve resistência da parte de Duda, pois ela a beijou com toda a sua intensidade, um pouco sem jeito, pois ela nunca tinha beijado ninguém antes, mas ela estava adorando beijar Jéssica, seus lábios eram tão macios e delicados que ela não queria mais parar de beijá-la. Duda colocou a mão em sua nuca e passou os dedos entre os cabelos finos de Jéssica, então Jéssica sentiu na intimidade de envolver suas mãos na cintura de Duda puxando-a para um abraço forte e apertado. 

        Depois do beijo, as duas ficaram um pouco sem jeito e se despediram. 

        Duda chegou em casa e não parou de pensar na noite incrível que teve e no beijo tão gostoso que tirou a virgindade de seus lábios. 

        Depois que Jéssica beijou Duda, ela sentiu algo que nunca sentiu beijando alguém antes, era um sentimento muito interno, que atingia o seu coração e espírito. O beijo de Duda era tão quente e doce que parecia que ela estava extraindo toda a doçura de dentro dela, depois do beijo ela ficou com uma sensação de querer ser uma pessoa melhor. Querer fazer o bem. 

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