Recomeçar por preguicella
Summary:

Me apaixonei pelo seu jeito brincalhão, sensível, adorável, gentil, sem me dar conta que isso tava acontecendo comigo.


Desde a primeira vez que te vi, alguma coisa aconteceu dentro de mim, e algo me dizia pra me afastar, que você ia ser meu céu e meu inferno


** Essa é uma obra de ficção, toda e qualquer informação contida nela é fruto apenas da minha imaginação, portanto, não a levem assim tão a sério. Ou não! ;)


Categoria: Romances Characters: Original
Challenges:
Series: Nenhum
Capítulos: 14 Completa: Sim Palavras: 28741 Leituras: 34999 Publicada: 16/06/2016 Atualizada: 11/10/2016
Notas:

Agradeço as amiguinhas queridas que vivem me dando força para escrever. 

Não acredito que tenha o dom da escrita, mas já que me incentivam tanto, mesmo morrendo de medo, vou tentar.

 

1. Recomeçar por preguicella

2. No aeroporto por preguicella

3. A conversa I por preguicella

4. A conversa II por preguicella

5. Primeiro encontro por preguicella

6. Novas sócias por preguicella

7. Coração partido por preguicella

8. Cara a cara por preguicella

9. A cantora inglesa por preguicella

10. O jantar por preguicella

11. Vale night por preguicella

12. A escolha por preguicella

13. Girassóis por preguicella

14. Recomeço por preguicella

Recomeçar por preguicella

Querida Fernanda,

Se você estiver recebendo essa carta, é porque finalmente criei coragem e parti, estou mudando de cidade, ou melhor, de país. Vou fazer meu mestrado bem longe daqui. E resolvi te contar porque estou indo embora.

Nanda, você foi chegando de mansinho na minha vida, foi me conquistando devagar como quem não quer nada, me absorvendo, derrubando minhas barreiras, as minhas crenças, me roubando de mim, dos outros, sem nenhuma chance de defesa, e quando dei por mim, você já era dona dos meus pensamentos, dos meus desejos, transbordando por todos os meus poros. 

E eu? Eu acabei me apaixonando completamente por você. Isso mesmo, perdidamente apaixonada, tipo doida varrida, digna de usar camisa de força como modelito básico! Durmo, acordo, trabalho pensando em você. É verdade, me apaixonei mesmo tentando fugir, resisti o máximo que pude, mas quando vi, páhhhh, meu coração sempre dava aquela acelerada quando estava com você. Aliás, estar com você era o ponto alto do meu dia. 

Me apaixonei pelo seu jeito brincalhão, sensível, adorável, gentil, sem me dar conta que isso tava acontecendo comigo. Desde a primeira vez que te vi, alguma coisa aconteceu dentro de mim, e algo me dizia pra me afastar, que você ia ser meu céu e meu inferno, e parafraseando Alcione, você ia ser a minha estranha loucura. Principalmente, porque me apaixonei por você, mesmo tendo uma pessoa em minha vida. Mesmo depois de passar a vida inteira dizendo que jamais ia permitir que algo desse tipo pudesse acontecer comigo. Me deixar envolver por uma pessoa com muitas amarras. Mas eu me apaixonei, e gostar sem ser correspondida dói demais! A culpa não é sua, não é minha, ninguém pode ser culpado por gostar ou não de alguém, faz parte da vida. Ninguém fala para o coração, aí garotão você tem que gostar daquela pessoa alí viu, porque ela vai corresponder o seu sentimento, ou então, aí garotão, não gosta daquela bonitona alí não, porque ela não vai querer nada com você. Não, definitivamente a gente não manda no nosso coração.

O máximo que a gente pode fazer é tentar tirar alguma coisa de bom disso. O que eu percebi é que estava vivendo uma relação que não me satisfazia mais. Não por algum erro ou defeito meu ou dela. Acontece, que em algum momento a gente se desconectou e quando te conheci pude perceber isso, porque passei a questionar mais o que estava acontecendo comigo. E vi que precisava de alguma maneira mudar essa situação.

Como passei a me sentir quebrada, sem rumo, à deriva, com medo e sem saber o que fazer com a minha vida, resolvi criar coragem e ir à luta, porque parada no lugar não dava mais pra ficar.

Tomei as rédeas da minha vida, terminei o namoro, me inscrevi pra fazer o mestrado em Londres, fui aceita, e se o correio for pontual, é onde estou no momento em que você está lendo essa carta.

Não falei nada sobre os meus planos porque tinha medo de não resistir e ir atrás de você, e mesmo que me doa muito estar afastada, é o certo fazer, até porque, como diz Luan Santana, era só você fazer assim, (estalar os dedos), que eu voltaria correndo. Mas pensando friamente, no ponto em que estamos, nada poderia dar certo entre a gente nesse momento. Eu saindo de um relacionamento, você sem saber o que quer, enfim...

Eu não devia estar falando essas coisas pra você, mas eu estou me dando ao direito de pensar em mim, e fazer esse desabafo, está sendo libertador, simplesmente porque desisti de fingir que está tudo bem por medo de magoar as pessoas.

Essa carta não é uma cobrança. Como já disse é só um desabafo, um meio de deixar você sair de mim, porque não posso te levar comigo e ao mesmo tempo ser feliz. Preciso que você fique no seu lugar, o de amiga que a gente perde o contato, e um dia quando se reencontra fica feliz por ver bem e percebe que tudo aquilo que sentia por ela não foi nada mais que um delírio.

Enfim, torço de verdade para que você encontre alguém que te faça muito feliz como você merece! Ou, prefiro essa segunda opção aqui. Torço para que a sua ficha caia e perceba que eu sempre fui a pessoa que você tava esperando para te fazer feliz e venha correndo atrás de mim! Sonhar ainda não custa nada, não é mesmo!

Mas como diz uma amiga querida, na teoria tudo é lindo, na prática nem um pingo! Não se espante se daqui a um ano eu estiver mais apaixonada ainda por você, entretanto, mesmo que isso aconteça, você não vai ficar sabendo porque eu não vou te contar.

Seja feliz!

Com carinho,

Mariana

 

Um ano depois...

O piloto anuncia o pouso. Me dou conta de como é boa a sensação de voltar pra casa. Passar um ano em Londres foi maravilhoso, conheci muita gente, fiz contatos, aprendi muito, recebi uma excelente proposta para voltar e trabalhar, mas não sei se vou aceitar. Morri de saudades da minha família, da comida, dos amigos e do carinho. Nesse momento, olho para o lado e vejo minha doce e linda Adele dormindo grudada em mim, e me dou conta que carinho foi o que não me faltou. Depois de dois meses em Londres a conheci em um show e acabamos não desgrudando mais.

Faço um carinho em seu rosto com a intenção de acordá-la.

-- Baby, acorda, já vamos pousar e logo, logo você vai curtir as maravilhas do Rio de Janeiro. - Ela sorri, me dá um beijo repleto de carinho e se prepara para o pouso.

Assim que passamos pelo desembarque, vejo meus irmãos que foram nos buscar no aeroporto. Nos abraçamos. Apresento Adele pessoalmente, afinal todos já se conheciam pela internet. Nesse instante um rosto perdido no meio da multidão me chama a atenção e me deixa em choque, pois jamais imaginei encontrá-la alí. Não sei se era uma grande brincadeira do destino, mas é você, Fernanda, linda porém, com um olhar triste.

De repente, me dou conta que tudo que a gente deseja acontece, mesmo que às vezes tarde demais.

Avisei que havia visto uma amiga e fui ao seu encontro. Beijei seu rosto, dei um abraço bem apertado, aquele que durante muito tempo foi meu maior sonho, e percebi que não precisava mais de você para ser feliz.

FIM

 

Ou não... hahahahahahahaha

Notas finais:

Confesso que estou muito nervosa em saber se vão gostar ou não. Mas torço para que sim. E por favor sejam bondosas comigos, mesmo nas críticas tá! ;)

No aeroporto por preguicella
Notas do autor:

Atendendo a pedidos, aqui estou eu, com a continuação de Recomeçar. Não sei para onde essa história vai caminhar. Na verdade até sei.

Mas como não tinha nada planejado, não sei quantos capítulos essa história vai ter. Acho que não muitos! Apenas o suficiente para matar a curiosidade de quem quer saber como tudo começou. 

Quero ver por quem vocês vão torcer, Adele ou Fernanda? Eu tenho a minha preferida, na verdade, já tenho o final planejado. Mas enfim, vamos ver o que vai acontecer. Quem viver verá! hahaha

 

 

 

 

Ainda no aeroporto...

 

Eu queria mesmo me convencer de que não precisava mais de você para ser feliz. Porém, assim que me afastei do abraço, percebi que não era assim tão simples...

Você parecia ainda mais linda. Sempre foi uma mulher que chama a atenção de todos a sua volta. É alta, magra. Possui um rosto de traços marcantes, com expressivos olhos castanhos claros. Uma vasta cabeleira castanha escura. Uma boquinha linda, com lábios finos, que sempre tive vontade de provar, e quando ela sorri o mundo todo parece parar só para ver.

Sossega Mariana! Você não pode ter esse tipo de pensamento, mas aí sinto o seu perfume, que sempre me deixou baratinada. E o pior, ele não mudou nadinha, continua exatamente igual.

Percebo que você está falando comigo, e me obrigo a sair desse torpor que me tomou ao sentir seu perfume.

- Me desculpa ter feito você sofrer.

Uma lágrima solitária marca seu rosto e eu interrompo seu trajeto com meu polegar.

- Isso é passado Fernanda. Vamos deixar isso pra lá.

- Como eu posso deixar isso tudo que eu tô sentindo pra lá?

Dou um sorriso irônico e respondo.

- Da mesma maneira que eu deixei. Se afastando. Indo viver a sua vida.

- Me dá pelo menos uma chance pra eu...

Não a deixo terminar de falar.

- É engraçado, quando eu quis falar, você não quis ouvir, me cortou. E cortou de uma maneira que doeu demais. E agora que eu estou bem e feliz, você quer conversar?

- Naquele momento eu não podia, eu não tava preparada. Por favor, Mariana só uma conversa, que seja a última, eu juro que depois disso te deixo em paz.

- Desculpa Fernanda, mas eu acho que conversar não vai mudar nada. Eu segui em frente. Estou namorando. Trouxe até a Adele para conhecer minha família. Não vou deixá-la pra ter uma conversa com você.

- Eu não posso, eu não quero acreditar que você me esqueceu! - Falou Fernanda com a voz falhando. - Vamos conversar, quando e a hora que você quiser Mari! Por favor!

- Melhor não Fernanda.

- Meu número continua o mesmo - Insiste Fernanda.

- Eu tenho que ir. Já demorei demais aqui.

Viro para ir embora, ela segura meu braço e pede.

- Me dá um abraço.

Desgraçada, golpe baixo. Mas eu não consigo dizer não. Volto e a envolvo em meus braços. Ela está tensa. Respira fundo como se só precisasse sentir o meu perfume. Então, ela finalmente relaxa e apoia o queixo no alto da minha cabeça. Aperta ainda mais o abraço. Apesar de ser mais alta, ela consegue encaixar a cabeça no meu pescoço e dá um beijo. Me fazendo estremecer da cabeça aos pés. Afinal de contas, ela atingiu meu ponto fraco. Ela percebe todos os pelos do meu corpo se arrepiarem. Sinto o seu sorriso. Dou um beijo em seu rosto e vou embora sem olhar pra trás. Ao mesmo tempo tentando me acalmar até chegar perto do pessoal.

 

- Desculpa a demora. - Digo seguro na mão de Adele, mas evitando seus olhos, e seguimos em direção ao estacionamento.

Meus irmãos vão contando sobre as últimas fofocas da família e amigos.  Mesmo com os pensamentos perdidos, me dou conta que Adele estava mais calada que o normal.

- Anjo, você ficou chateada por que fui falar com a minha amiga?

- Não. - Respondeu Adele. - Fiquei chateada por ela ter vindo ao aeroporto. E mesmo sabendo que você está comigo a cara de pau se aproveitou e beijou seu pescoço. Isso sim me deixou chateada!  - Ressaltou Adele, dando um sorrisinho de deboche me encarando. - Você é inocente de achar que eu não ia perceber que aquela abusada é a Fernanda?

Faço uma bela cara de espanto, por não esperar que ela tivesse percebido que era a Fernanda.

E ela continua.

- Se ela acha mesmo que vai ser fácil tirar você de mim. Pode deixá-la bem avisada que sou boa de briga, viu?

Dou um sorrisinho de lado. Sabia que ela não ia gostar nada de saber que a Fernanda me procurou. E ficaria uma fera se soubesse que ela quer me encontrar para conversar.

- Anjo, confesso, que ela me pegou de surpresa. Nunca passou pela minha cabeça que depois de todo esse tempo, ela viesse atrás de mim. Muito menos que ela ia fazer isso hoje. Desculpa, você sabe que eu ia te contar depois.

- Você não precisa me pedir desculpas baby. Eu sei que você não sabia que ela ia aparecer aqui. Você não seria leviana assim comigo.

Adele dá um longo suspiro e me pergunta:

- Ela mexeu com você né?

- Você sabe que se eu disser que não, estarei mentindo. Mexeu sim. Talvez não da maneira que eu imaginava que mexeria. Droga! Confesso que não sei. Juro que eu não queria sentir absolutamente nada com a presença dela, mas mexeu. Desculpa.

- Mari para de pedir desculpas. Eu sei bem onde estava me metendo quando a gente começou. Só fique ciente de que vou lutar por você! Não vou mentir ou trapacear, mas vou lutar com todas as armas que possuo.

E dá aquele sorrisinho safado, que me conquistou na primeira noite em que nos vimos.

Nem percebi que já estávamos no estacionamento. E meu irmão já estava guardando as malas.

- Depois a gente continua meu anjo.

Julio abre a porta para Adele entrar no carro. E eu não perco a chance de provocá-lo.

- Não sabia que você tinha ficado tão educado depois que parti para Londres, maninho. Prefiro acreditar que você virou um cavalheiro a imaginar que você está cortejando minha mulher.

Ele fica vermelho e me olha sem graça. 

- E nem adianta negar. Porque você nunca abriu a porta do carro para ninguém, a não ser pra mamãe.

Começo a rir .

- Relaxa maninho.  Ah, e desiste também, pois Adele só tem olhos pra mim. E se fosse diferente disso, no máximo ela ia ter olhos para a mana Carla.

- Epa, me deixem fora dessa brincadeira de vocês aí. Porque continuo preferindo os meninos, viu? - Carla responde a brincadeira.

Adele me empurra com os ombros e ri da cara de bobo que meu irmão fez.

Julio tenta mudar de assunto e diz:

- Mamãe está ansiosa pra encontrar vocês. Fora que está doida para apertar muito a filhinha mais velha.

- Também estou morrendo de saudades da coroa!

Partimos, então, rumo ao Grajaú, bairro nobre da Zona Norte carioca, onde mamãe mora e ficaremos hospedadas. No caminho tento apagar a imagem de Fernanda me esperando no aeroporto...

Notas finais:

Continuo?

A conversa I por preguicella
Notas do autor:

Mais um capítulo moças!

 

Contrariando todas as minhas expectativas, até agora a coisa tem fluído bem. Nunca pensei que a coisa ia tomar esses rumos, uma história com capítulo único, ganhando mais alguns. Não quero que passe de 10. Mas vamos ver o que vai acontecer não é mesmo! hahaha

A conversa I

 

Assim que chegamos à casa da mamãe fui abraçada, beijada e amassada por ela. Foi uma choradeira daquelas. Dona Lúcia não estava mais aguentando de saudades, um ano distante não é nada fácil de aguentar.

Minha chegada terminou em uma festa surpresa com os meus amigos mais chegados e alguns familiares. Luana, a traidora que deve ter contado a Fernanda que eu chegaria de viagem hoje, foi a primeira a me abraçar.

 - Você me paga viu sua traidora. Sabendo que eu ia chegar com Adele, você vai e avisa a Fernanda? - Aproveitei para falar ao seu ouvido e ninguém mais escutar.

- Desculpa amiga! Nunca imaginei que ela ia aparecer lá assim de surpresa. Aliás, nem achava que ela ia te procurar. - Defendeu-se Luana.

- Vamos conversar sobre isso depois. - Respondi.

Percebo que Adele não tira os olhos da gente e a chamo para ficar ao meu lado. Ela chega, passa o braço na minha cintura. Eu dou um selinho nela, que, surpreendentemente, ficou ruborizada.

- Anjo, quero que você conheça pessoalmente a Luana. Luana, essa é a Adele. Adele, essa é a Luana.

- Seja bem vinda ao Brasil Adele! Espero que você aproveite bastante sua estadia aqui. - Se abraçam.

- Obrigada, Luana. Também espero me divertir, apesar de ter algumas coisas para resolver em São Paulo.

Percebi que elas, definitivamente, iam se dar bem. Só espero que Adele não descubra que a Fernanda só apareceu no aeroporto, porque Luana abriu seu bocão.

Eu, Luana e Adele ficamos conversando por um bom tempo, mesmo tendo outras pessoas na casa de minha mãe para apresentá-la. Afinal, todo mundo queria conhecer minha linda mulher inglesa, que encantou a todos com seu leve sotaque britânico. E que delícia de sotaque, quando ela falava baixinho no meu ouvido então. Ai que calor!

Bom, voltando aqui. Adele é fluente em português, aprendeu desde criança, porque a mãe dela é brasileira. Agora, ela vai aproveitar que estamos no Brasil para tentar conhecer a família da mãe.

Mamãe percebeu que estávamos dando mostras de cansaço. Afinal, já ia dar uma hora da manhã, foi a deixa dela para que começasse a despachar o pessoal, para que a filha e a norinha pudessem descansar. Depois que todos se foram ela também nos despachou.

- Meus amores, vão descansar! - Disse Mamis, já nos guiando para o quarto.

- Não dona Lúcia, nós vamos ajudá-la a arrumar as coisas. - Adele respondeu. 

- Nada disso! Vocês vão descansar. Eu arrumo isso rapidinho. E nada de dona Lúcia. É só Lúcia. - Pegou a Adele de surpresa em um abraço. - Já falei pra você me chamar só de Lúcia, você já é da família meu bem. 

Adele ficou vermelha de vergonha. Coisa rara de acontecer, mas ao mesmo tempo deu um sorriso lindo, acompanhado de um beijo na bochecha de mamãe dizendo: 

- Tá bom Lúcia. Só vou aceitar isso, porque estamos realmente muito cansadas. A viagem foi bem cansativa, mas a partir de amanhã nós vamos ajudar em todas as tarefas. Obrigada por me receber tão bem, Lúcia! Uma boa noite para você! 

- Imagina querida! Só em ver os olhinhos da minha Mari brilhando novamente e saber que você é o motivo, já é o bastante para te adorar também. - Deu uma piscadinha de olho para Adele, que, mais uma vez surpresa, ficou sem saber o que responder. Dificilmente alguém deixava Adele sem saber o que dizer. Resolvi interferir.

- Vamos parar com essa "rasgação" de seda vocês duas que eu tô aqui e também quero beijo de boa noite. - Faço uma cara de safada, sorrio e brinco. - Quero beijo das duas! 

Elas riem, e mamãe me coloca pra correr. 

- Vai dormir menina que seu mal é sono. - Ela diz rindo. 

- Sem meu beijo? Sem chance, gatinha. - Vou até ela dou um abraço bem apertado. 

- É muito bom estar de volta mãe. 

- É maravilhoso ter você de volta meu amor! - Vejo que seus olhos ficaram marejados. Ela disfarça e me dá um beijo na bochecha. 

- Vai levar a Adele pra descansar vai. 

Quando olho pra Adele, ela está com os olhos marejados também. 

- Ih, vocês são duas manteigas derretidas, hein?! - Falo tentando disfarçar a minha emoção e que também estou toda derretida. 

- Boa noite meninas. - Mamãe se despede e segue em direção à cozinha. 

Assim que entramos no quarto, Adele me abraça e procura meus lábios para um daqueles beijos de tirar o fôlego, que só ela consegue me dar. 

Sua língua invade a minha boca buscando a minha. E começa rapidamente a me deixar excitada e querendo muito mais que beijos. Retribuo o abraço mais e mais apertado, querendo acabar com qualquer espaço que existia entre nós. Vou passando minhas mãos pelas suas costas, buscando um meio de colocar minha mão por baixo da sua blusa. Preciso sentir o calor da sua pele. Ao mesmo tempo em que desço com a boca pelo seu queixo e beijo a linda covinha que ela tem. 

Desço mais um pouquinho para o seu pescoço e aspiro seu perfume inebriante. Incrível como mesmo depois de horas de viajem e festinha, ela ainda consegue estar assim tão cheirosa, tão gostosa. Solto um gemido quando ela desce a mão e aperta minha bunda, de maneira que consiga se esfregar mais em mim. Afasto-me um pouco e faço um convite cheio de segundas intenções.

- Que tal a gente tomar um banho bem gostoso meu anjo? 

- Ai amor, tava louca de saudades do seu gosto, seu cheiro. Estava precisando muito de um beijo desses. - Do nada ela me solta e fala. - Mas acho que nós precisamos conversar. 

- Ah Adele, você acha mesmo que eu quero conversar agora?! Você me provoca, me deixa cheia de tesão e quer conversar?! - Eu passo a mão atrás da cabeça. Gesto que ela sabe indicar nervosismo. - Se for pra falar sobre o que eu estou imaginando, prefiro tomar um banho, dormir e deixar isso pra amanhã. - Digo já seguindo para o banheiro. - E vou tomar banho, sozinha. 

Ela vem atrás de mim. 

- Mari, deixa de ser boba. Eu acho que quanto antes nós conversarmos, mais rápido as coisas se resolvem, meu amor.

- Eu sei que sim, mas eu não quero me aborrecer, porque eu sei que vai ser isso que vai acontecer. A gente tá tão bem. A noite foi leve, divertida, porque não podemos deixar isso pra amanhã? - Eu faço a carinha fofa do gatinho do Shrek para ver se consigo convencê-la a adiar essa conversa. 

- Nem vem com essa cara Baby. Você acha mesmo que eu não sei que você usa essa carinha fofa pra me convencer a fazer o que você quer? - Ela me imita. - E acha que eu também não tenho as minhas armas? Quanto antes conversarmos, mais rápido você vai conseguir usar esse corpinho aqui que você tanto gosta. 

Eu faço uma cara de indignada. 

- Isso é golpe baixo viu dona Adele. 

- Desculpa Mari, mas se a gente não conversar agora, eu não vou conseguir dormir. 

Eu volto para o quarto, sento na cama e abaixo a cabeça me sentindo derrotada, porque sei que não vai ser fácil. E, provavelmente, depois dessa conversa, quem não vai conseguir dormir sou eu.  

- Tá bom Adele. Desisto. Vamos conversar. 

Ela senta ao meu lado na cama. Segura meu queixo e me faz olhar para ela. 

- Mari, você sabe que eu te amo. Muito. Desde a primeira vez que te vi, eu me apaixonei e faço qualquer coisa pra te fazer feliz. E você sabe que quando eu digo qualquer coisa, é qualquer coisa mesmo. Sabe que me encantei com esse seu jeito meio tímido, meio sério, por esse sorrisinho sem vergonha que você dá quando quer me convencer de alguma coisa. Fiquei encantada, principalmente, com o seu jeito sincero, e sua transparência. Talvez essa sejam as suas maiores qualidades. Adoro quando você se abre pra mim, sem medo de me contar as coisas. E sei que quando tem que esconder alguma coisa de mim isso faz você se sentir mal. - Seus olhos ficam tristes. 

- Sei que nesse momento é isso que está acontecendo com você, desde que você encontrou com aquela lá. - Diz ela se referindo a Fernanda. - Então, não vamos adiar essa conversa, não. Eu adoraria não ter que falar sobre isso, mas já que vai ser inevitável, vamos resolver logo isso. Por favor! 

Respiro fundo. 

- Ok, o que você quer que eu fale Adele?

Ela continua olhando nos meus olhos.

- Eu sei que a Fernanda não foi só para te ver chegando de viagem. Eu já disse que não sou boba e ela está disposta a lutar por você. Se ela sabia da tua chegada , também sabia que eu ia estar com você e isso não a impediu. Nem mesmo a deixou constrangida. Sinal de que vai jogar pesado. E antes dela começar o jogo, se é que já não começou, eu vou jogar o meu. Imagino que ela queira te encontrar não é mesmo? - Ela levanta da cama e vai até a janela.

- Adele, eu sinceramente não sei aonde você quer chegar com isso. Eu deixei bem claro para Fernanda que eu não estou interessada em conversar. Muito menos ficar com ela. Nada que ela tenha para me falar tem importância nesse momento. 

Adele me corta. 

- Mas eu vi bem o quanto você ficou abalada, meu bem. Se pudesse se ver quando voltou da conversa com ela, teria percebido. Você ficou em silêncio o caminho todo até aqui e sei que nunca ficaria em silencio depois de um ano sem ver seus irmãos. Você sabe que esse encontro te deixou abalada. - Ela fica em silêncio, esperando o que eu vou responder.

A conversa II por preguicella
Notas do autor:

Capítulo novo pessoal.

Meu face, https://www.facebook.com/profile.php?id=100005999085081, quem quiser segue lá!

A conversa II

 

- Adele, a nossa história sempre foi pautada em cima da verdade e, acima de tudo, da sinceridade. – Levanto e vou até a janela. - Ela quer sim me encontrar, disse que se arrepende muito do que aconteceu. Quer uma chance, pelo menos de conversar.

 

Adele levanta a sobrancelha esquerda, sinal de que está muito contrariada com o que está ouvindo.

 

- Eu tenho vontade de dar uma surra nessa cara de pau. - Levanta e fala indignada. - A idiota não teve coragem de ficar com você quando podia e agora vem com esse papinho. Que droga Mariana! Esse não era o tipo de boas vindas, que achava que ia ter quando chegasse ao Brasil. Antes eu tivesse ficado em casa.

 

- Ei! Nem brinca com isso Adele! - Eu ando rapidamente até ela e a abraço. - Seu lugar é aqui ao meu lado. Nós vamos aproveitar bastante essa viagem. - Dou um beijo em seu pescoço e vou subindo até chegar na orelha. Dou uma mordidinha, sinto que ela começa a relaxar e falo baixinho. - Ninguém vai me tirar de você meu anjo, você sabe que sou louca por você. Ninguém vai nos separar ou atrapalhar nossas férias.

 

Quando ela ameaça falar alguma coisa, eu cubro sua boca com um beijo, cheio de desejo. E principalmente cheio de carinho e de amor. Me afasto para olhar em seus olhos e falo.

 

- Eu te amo Adele. Amo seu sorriso, seus olhos, seu jeito ora doce, ora uma leoa feroz. Amo, principalmente, o jeito que você tá lutando para não me perder. Amo ficar assim nos seus braços e me sentir segura, amada e desejada. Então não fica pensando na Fernanda.

Ela ameaça falar, mas não deixo, coloco o dedo nos seus lábios.

 

- Me deixa terminar. Eu confesso que encontrá-la no aeroporto mexeu comigo, ela mexe comigo e acho que vai mexer a vida toda, mas isso não quer dizer que vá acontecer alguma coisa entre nós. Não vejo a mínima chance disso.

 

Adele foge do meu abraço.

 

- Isso não tá certo Mariana! Você não pode sentir algo por ela, ter a chance de ser correspondida e não correr atrás disso. Eu não quero estar com você sabendo que pensa em outra pessoa. Uma paixão assim, como essa que você sente, não acaba do nada. Ela fica aí escondida. Te perguntando: e se você tivesse tentado mais um pouco? E se você não tivesse ido embora? E se você não estivesse com Adele? E se ao invés de fugir você tivesse ido atrás dela e se declarado abertamente?

 

Adele fala tudo isso de um só fôlego e senta na cama novamente com um ar derrotado.

 

- Para Adele! Um monte de “se” não vai mudar o fato de que eu estou com você e te amo! Não vai apagar o fato de eu ter sim me declarado e ela ter dito que só me via como amiga. E pior, não vai apagar o que eu a escutei falando, lá com o amigo dela. – Eu respondo irritada. – Que saco! Você quer mesmo ficar me jogando pros braços dela, é isso mesmo? Eu quero ficar com você! Não faz isso comigo!

 

Viro de costas e vou em direção ao banheiro, não quero que ela veja que estou chorando. Chorando por conta de ter visto Fernanda no aeroporto. Por saber que estava magoando a minha inglesinha teimosa. Porque só agora, depois de um ano, Fernanda resolveu me procurar.

 

Adele então segura meu braço, me puxa de volta para ela e enxuga minhas lágrimas.

 

- Minha linda, não estou te acusando de nada. Eu não estou te jogando nos braços dela e não quero que você se sinta pressionada, mas é uma realidade Mariana. Você pode até me amar, eu acredito nisso, mas você tem uma história com essa mulher que não teve um final. Você se declarou, ela fugiu. Hoje ela veio atrás de você e, eu sei, esse fantasma vai ficar pairando sobre nós. Vai chegar uma hora, que você irá se perguntar se fez a escolha certa.

 

Tento falar, mas agora foi a vez de Adele colocar o dedo nos meus lábios me impedindo.

 

- Eu quero você inteira Mari. Só minha. Total e completamente minha. Eu quero ser a única mulher a fazer você suspirar, com quem você vai sonhar e, desejar estar perto. E, principalmente, a única que você vai querer fazer amor bem gostoso, como só você faz. – Adele ainda tem coragem de dar um sorriso sem vergonha que me derrete toda. E volta a falar séria. – Então pensa bem. Se quiser ir atrás dela, conversar, ficar, vai. Aí depois, você volta pra mim, com a certeza de que eu sou a única mulher que você quer.

 

Eu abro e fecho a boca várias vezes, não acreditando no que ela acabou de me falar.

 

- É sério isso Adele? - Não espero resposta. - Você está me dizendo para ir atrás dela, ficar com ela e, se achar que não é a pessoa certa, voltar, que você vai me esperar de braços abertos? Você só pode estar brincando com a minha cara! Você acha que eu vou atrás da Fernanda depois de me declarar pra você? Acha mesmo que só porque ela disse que me quer eu vou atrás dela feito um cachorrinho? - Eu falo extremamente alterada.

 

- Amor, calma. - Ela segura meu rosto com as duas mãos e me faz olhar pra ela. - Eu quero que você se sinta à vontade para conversar com Fernanda. E se achar que precisa tirar a prova, ficar com ela, para saber com quem você quer ficar de verdade, que fique. Nós sempre nos entendemos a respeito de ficar com outras pessoas. Não vai ser porque ela é uma antiga paixão, que vai ser diferente.

 

Me afasto dela. Respiro fundo.

 

- Sinceramente Adele, tem momentos em que acho que você é doida.

 

Agora ela é quem respira fundo.

 

- Eu sou doida por você, meu bem. - Ela parece refletir bem sobre o que vai falar. - Quando nos conhecemos eu falei que não gostava de me prender a ninguém, mas você mudou isso em mim. - Adele dá aquele sorriso que tanto me atrai. - O fato de eu sempre ter sido desprendida desses preconceitos e me relacionar com mais de uma pessoa, ao mesmo tempo, me faz perceber que eu não posso querer exclusividade sua, quando você quer estar com outra pessoa. Você sabe que logo depois que começamos a namorar, eu só quis ficar você. Esse jeitinho tímido, que esconde o furacão que você é, me conquistou de um jeito que não consigo mais pensar na possibilidade de ficar com alguém que não seja você. - Adele faz um carinho em meu rosto. – Mas justamente é o meu lado desprendido que fica a vontade para te dizer que se você quiser ir atrás da Fernanda eu não vou morrer. Ou melhor, até vou morrer de ciúmes, mas ver você ficar e te sentir dividida, não vai me deixar mais tranquila ou feliz, Mari. Eu só quero que você fique comigo se for para ser 100% minha.

 

Meu coração fica apertado, porque sei que no fundo ela tem razão. Ainda mais agora que Fernanda me procurou. Se eu não tiver uma conversa com ela, a dúvida sobre o que poderia ter acontecido vai ficar sempre me consumindo.

 

- Ah meu anjo, o que eu faço com você hein?!? – Eu pergunto desesperada.

 

- Agora você vai fazer amor bem gostoso comigo, porque eu estou morrendo de saudades e você me deixou cheia de tesão com aqueles beijos.

Balanço a cabeça de um lado para o outro e começo a rir. Se tem uma coisa que amo em Adele é isso, acabamos de ter uma conversa difícil, pesada e ela já mudou de assunto. Não que ela tenha esquecido o assunto, mas ela não perde tempo sofrendo por antecipação.

 

Puxei Adele para meus braços, segurei seu rosto e beijei suavemente sua boca. Ela levou uma mão até a minha nuca, e puxava meus cabelos, me deixando toda arrepiada, sabe que a nuca é o meu ponto fraco. Minhas mãos descem pelo seu corpo até sua cintura, e aproveito para grudar ainda mais nossos corpos. O beijo foi só aumentando de intensidade. Não conseguíamos desgrudar nossas bocas. Minha inglesinha desceu a mão que estava livre pelas minhas costas, enfiando por dentro do jeans, apertando, puxando, querendo fundir nossos corpos. Precisei fazer um esforço imenso para me afastar dela, que geme em protesto. E faço o convite.

 

- Que tal a gente continuar em baixo do chuveiro quentinho hein?

Adele morde o cantinho da boca, se afasta, me estende a mão e fala com a voz rouca.

 

- Só se for agora. Sem nenhuma conversa pra atrapalhar.

 

Vira em direção ao banheiro e grudo em suas costas. Passo as mãos por todo seu corpo. Aproveito para tirar sua blusa e o sutiã. Adele tenta se virar para mim, mas não deixo. Encosto-a no balcão de frente para o espelho, vou dando suaves mordidinhas no seu pescoço, intercalando com beijos, quase chupões. Em nenhum momento perco contato visual com ela. Subo minha mão esquerda para o seu seio, dando leves apertões, ao mesmo tempo em que aperto o bico com os dedos. Enquanto vou subindo com a outra mão pelas suas costas, fazendo carinho e puxo seus cabelos, sempre intercalando puxões firmes e suaves, pois sei que ela fica doida com isso. Ela ameaça fechar os olhos, mas eu quero continuar o contato visual.

 

- Não fecha os olhos não, meu amor. - Falo bem perto da sua orelha. - Continua olhando pra mim. Você sabe que esses olhos são a minha perdição.

 

Adele geme baixinho. E começa a rebolar de maneira provocante, se esfregando no meu corpo, coisa que ela sabe que me deixar louca, ver aquela bunda gostosa se esfregando em mim. Empurro sua calça pra baixo, deixando-a só de lingerie.

 

- Ai, Mari! Tira a roupa, tira. Quero sentir sua pele grudada na minha, meu amor. - Fala com a voz rouca.

 

Afasto-me rapidamente e começo a tirar a blusa. Enquanto isso as mãos de Adele já estão abrindo a minha calça. Se abaixa para tirá-la. Sinto sua respiração no meio das minhas pernas. Sinto um calor subindo por todo meu corpo. Puxo Adele pra cima. E vou nos encaminhando para debaixo do chuveiro. Abro a água quentinha e começo a ensaboar o corpo da minha deusa do amor. Porque do jeito que Adele está nesse momento ela definitivamente parece uma deusa do amor. Cabelo molhado, caindo sobre os ombros. A boca levemente aberta, com a respiração entrecortada, pedindo para ser beijada. Olhos fechados. Não perco mais tempo. Puxo-a para os meus braços, começo a beijar sua boca, orelha, pescoço, e vou descendo até os seios lindos, macios, que estão arrepiados só esperando pelo meu toque. Eu os devoro, dando a devida atenção que eles merecem. Deliciosos de tocar, com as mãos, com a boca, com o rosto. Me sinto no paraíso, com o bico durinho em minha boca, sugando, dando suaves mordidas, passando a língua. Sinto sua respiração ficar cada vez mais forte. Até ela falar.

 

- Amor não vou aguentar muito tempo.

 

Fico ainda mais excitada. Vou descendo pelo seu corpo. Imediatamente Adele se abre mais para me receber. Mergulho em seu centro do prazer, passando a língua por toda região, provando, sentindo e sugando. Enquanto Adele puxa meus cabelos e pressiona minha cabeça em direção a sua intimidade. E não demora muito sinto os espasmos no seu corpo e a explosão de prazer. Subo pelo seu corpo distribuindo beijos até chegar na sua boca.

 

Rapidamente Adele muda de posição comigo e me encosta na parede.

 

- Agora é a minha vez de te dar banho.

 

- Hum, acho que vou gostar muito disso. - Dou um sorriso safado. Porque sei que o melhor do prazer está chegando. 

Primeiro encontro por preguicella
Notas do autor:

Boa tarde meninas!

Toda terça teremos um capítulo novo aqui no Lettera.

Primeiro encontro

 

Acordei sentindo beijos estalados na minha bochecha.

- Ah! Me deixe dormir mais um pouquinho, amor. Tô cansada, você ontem tirou meu couro.

- Tá reclamando é? - Adele se enfia no meu pescoço e dá uma mordidinha.

- Eu? Nunca! - respondo rapidamente.

- Ah bom! Porque já to querendo abusar de você mais um pouco! - e vai descendo pelo meu corpo, me cobrindo de beijos.

E eu só consigo gemer e me contorcer sob seu toque.

Que mulher é essa, gente?!

Depois que tomamos banho, descemos e encontramos mamãe nos esperando com o café da manhã pronto, na verdade, quase almoço.

- Bom dia meus amores! Estou fazendo panquecas.

- Humm, que saudades das suas panquecas. - falo lambendo os beiços.

- Bom dia família! Cheguei na hora certa. - Luana anuncia sua chegada.

- Bom dia Lua. - respondemos eu e Adele juntas.

- Mas olha elas, estão até falando ao mesmo tempo.

Nós rimos.

- Deixa de ser palhaça, Lua. - respondi rindo meio sem graça.

Tomamos o café em meio a risadas, principalmente, porque Dona Lúcia e Luana ficaram contando minhas histórias de infância e adolescência.

- Vocês duas parem de acabar comigo na frente do meu amor, né?! - eu reclamo.

- Tá bom Mari. Vamos aliviar pro seu lado, senão corre o risco da Adele voltar para a Inglaterra e te deixar aqui. - Luana, minha amiga da onça, faz gozação comigo.

 - Então, qual a programação de vocês pra hoje? Estou de férias e a disposição. - disse Luana.

- Obrigada Luana, mas eu tenho que dar alguns telefonemas e ver alguns e-mails. Se vocês quiserem sair, sem problemas. Confesso que também estou um pouco cansada. - minha inglesinha responde.

- Eu também estou cansada, mas a gente pode ficar por aqui jogando conversa fora, Lua.

O peso da viagem e da noite mal dormida caíram sobre nós, então, decidimos ficar em casa mesmo.

- Amor, você pode usar o escritório para resolver suas coisas.

- Tá bom Love, você vai comigo até lá pra me mostrar as coisas?

- Claro minha linda. Vamos lá. - levantamos da mesa.

- Lua me espera lá na sala, que já, já eu estou chegando.

Depois de mostrar tudo para a Adele e ensinar como ela devia fazer as chamadas de longa distância, fui conversar com Luana.

- Então dona Lua, posso saber por que você foi falar para Fernanda que eu estava chegando? Com direito a horário de chegada do voo e tudo. - pergunto logo de cara.

- Ai Mari! Desculpa cara. Foi sem querer mesmo. - Luana responde sem graça, me dando mais explicações.

- Mas ela entrou na sala com alguns documentos para eu assinar, na hora que você estava falando comigo da sua volta. Não deu tempo de desligar o som sem que ela tenha escutado o dia que você voltaria? Quanto ao horário, não temos muitos voos chegando de Londres no mesmo dia né. Ela deve ter pesquisado.

- Sei. - disse sem acreditar muito.

Lua vira de frente pra mim no sofá e me olha, interrogativamente.

- O que? - eu respondo a sua pergunta silenciosa.

- Conta como foi logo. O que ela falou? Como você se sentiu? E a Adele, viu a Nanda lá?

- Vai querer me enganar e dizer que ela não te contou tudo, Lua? - Falo fazendo cara feia. - Sei que depois que fui embora, vocês duas ficaram amiguinhas. Nem tenta me enrolar.

- Ela disse que ia ficar só vendo você chegar, mas você a viu e foi falar com ela. Disse que vai fazer de tudo para você perdoá-la, pois quer seu amor de volta. Definitivamente, ela está muito diferente do que você conheceu.

Eu começo a rir.

- Brincadeira, ela teve toda chance do mundo de ficar comigo. E só agora ela viu isso, que me quer de qualquer jeito?

- Eu não posso me meter nessa história. Até porque gosto de vocês duas. A minha amiga é você, apesar de você ter me abandonado, você é minha prioridade.

- Não vem com essa Lua, você sabe que eu não te abandonei. Eu só não aguentava mais ficar aqui. Não depois de tudo que aconteceu.

Lua segura minha mão.

- Eu sei minha amiga. Se você tem certeza que a esqueceu e não vai ficar com nenhuma duvida te perturbando, tudo bem. Eu só não quero você se arrependendo depois.

Levanto, vou em direção à janela. Solto uma risada.

- É a segunda vez que alguém me diz a mesma coisa sobre esse assunto.

- Dona Lúcia te mandou atrás da Nanda? - Pergunta espantada.

- Não! A doida da Adele. - Sorrio de sua cara de espanto. - E você não imagina o que mais ela me falou.

- Fala logo Mariana!

- Ela me falou para ir conversar com a Fernanda e até mesmo ficar com ela, se eu achasse que isso ia acabar com as minhas dúvidas. E, quando tivesse certeza que Fernanda não significasse mais nada, podia voltar pra ela, que estaria me esperando de braços abertos.

- Oi?! - Lua está de queixo caído. - Acho que sua mulher é doida. Onde já se viu isso. Eu hein. Ou ela não gosta nada de você!

- Deixa de palhaçada Luana. É claro que Adele me ama. Justamente por isso ela está me dando essa oportunidade. E, sinceramente, só por isso eu a amo mais um pouco. Nenhuma outra mulher faria uma coisa dessas. A primeira coisa que falariam é para eu me afastar. Aliás, ia querer voltar correndo no primeiro voo para Londres.

- Ela realmente confia no taco dela viu. Acho que sinto um pouco de inveja de você, Mari.

Solto outra gargalhada.

- Posso te garantir que a minha inglesinha é uma excelente jogadora. E sim, ela é muito boa de taco. - Dou uma piscadinha.

- Mas gente!

Começamos a rir.

- Vamos mudar de assunto. Conte-me tudo que aconteceu esse período que fiquei fora!

Eu e Luana ficamos conversando ainda por umas duas horas. Até que Adele surge com o semblante cansado.

- Meu anjo! O que aconteceu? - Estendo a mão para ela. - Senta aqui comigo.

- Nada que eu já não soubesse que ia acontecer, baby. - Senta no meu colo. - Minha mãe continua se recusando a me dar os contatos da minha avó, que sei que ela tem.

- Ah, a gente vai fazer uma busca minha linda. Tenho certeza de que, antes do que você imagina, vai encontrar sua família. - Olho pra Lua e tenho uma ideia. - E já sei quem vai nos ajudar. - Adele olha para mim sem entender.

- Luana e o pessoal do escritório dela.

- Ei, que eu saiba, sou advogada, não detetive particular. Tá pensando o quê? - ressaltou Luana

- Tô pensando que você me deve algumas, inclusive coisas bem recentes. E que sei bem que você tem gente especializada em encontrar pessoas no escritório. Fora que você teria a minha companhia por mais tempo por perto.

Adele corta o assunto.

- Nada disso! Mariana, por mais que eu queira encontrar minha família, nós estamos de férias. E não vamos ocupar sua amiga.

- Nada disso, digo eu, Adele. Mulher de amiga minha, também é minha amiga. Então o que eu faria pela Mari, eu também faria por você. - Luana dá uma piscadinha pra mim e continua. - Vocês não podem esquecer que Mariana também é dona do escritório. E todos os sócios tem o mesmo tratamento.

- Tá bom, tá bom. Mas depois a gente fala sobre isso. - minha inglesinha se dá por vencida. - Amor, vou subir e me deitar um pouco. Tô cansada. - Dá aquele sorrisinho sem vergonha. E vai indo em direção à escada. - Vocês podem continuar conversando.

- Melhor você ir descansar também Mari. Mais tarde se vocês quiserem a gente combina alguma coisa, sair pra dar uma volta. Sei lá. Quando acordar me ligue. Vou aproveitar para dar um pulo na casa da minha mãe.

Luana também se despede de mamãe.

- Já vou dona Lúcia.

- Mas já minha filha?

- Essas duas estão cansadas e querem dormir. Deve ser o fuso. Então, vou aproveitar para ver minha mãe. - disse Luana.

- Me dá uma carona até a praça então. Vou à padaria comprar umas coisinhas para o lanche.

- Mamãe, você tá querendo engordar a gente. Só fala em comida.

- Até parece que vocês não gostam. - Vira as costas e sai arrastando a Luana. - Vamos meu bem.

Adele e eu caímos na risada.

- Vem gostosa. Vamos deitar lá no quarto. - Passo meu braço pela cintura da minha inglesinha e subimos.

Deitamos na cama, de frente uma pra outra. Adele olha dentro dos meus olhos.

- Baby, eu sei que você não quer saber do escritório e tem lá os seus motivos. Então, não se sinta na obrigação de me ajudar nessa busca pela minha família, não.

- Adele, você sabe que se eu não quisesse nada me obrigaria a te ajudar. Se o escritório tem esse poder, então a gente usa. - Dou um selinho nela. - Agora vamos dormir que eu também estou morta. Alguém anda abusando muito do meu corpinho.

- Quem é essa safada? Me diz! - Adele brinca e finge que não é com ela. - Se bem que alguém também acabou comigo essa noite viu. Até pensei que não ia aguentar a brincadeira.

- Te amo minha inglesinha linda!

- Também te amo brasileirinha. - Me dá um beijo. Vira de costas e pede. - Me abraça amor.

E assim dormimos a tarde inteira de conchinha.

Acordei assustada depois de ter um sonho com Fernanda. Fazia muito tempo que isso não acontecia.

Adele continua dormindo tranquila em meus braços.

Lembrei-me da conversa que tivemos ontem sobre a Fernanda. E o pior, sem saber Luana falou a mesma coisa. Viver com essa dúvida seria saudável?

Impossível depois disso tudo não viajar ao passado. Lembrar da Fernanda, que me rejeitou e agora quer me encontrar. Não sei se quero ouvir o que ela tem a dizer. Eu estou tão feliz com Adele. Ela me completa de uma maneira tão simples. Eu me sinto segura, confortável, amada, desejada e apaixonada. Mas o fantasma da Nanda me persegue. Eu não quis dar o braço a torcer pra minha inglesinha, mas o fantasma fica me rondando o tempo todo.

Conheci Fernanda na internet. Nós éramos fãs de uma escritora e frequentávamos a página dela em uma rede social. Com o tempo começamos a interagir em conversas online. Em um determinado momento passamos a trocar mensagens. Conversávamos sobre livros, música, arte e consequentemente sobre nossas vidas pessoais, entretanto sem muito aprofundamento, por parte dela. Contei desde o início que eu era lésbica e tinha uma namorada. Isso jamais impediu o flerte entre nós duas. Desde o início a achei uma mulher encantadora, inteligente, bem-humorada e linda.

Levamos alguns meses nessa interação, até que percebi que mesmo tendo uma namorada, estava completamente encantada por Fernanda. Queria sempre saber mais sobre ela, mas dificilmente perguntava. Deixava ela livre para me falar o que tivesse vontade. Até porque eu era comprometida.

Até que um dia, ela disse para mim, que estava apaixonada por uma pessoa, que conheceu no mesmo grupo. Meu mundo caiu! Percebi que estava perdidamente apaixonada. Tentei negar, fugir, mas não deu certo. Ela me via como sua confidente e isso estava me consumindo de uma maneira enlouquecedora. Ela invadia meus sonhos todas as noites. Eu não me alimentava mais direito, estava ficando depressiva.

Fui me afastando, pois não aguentava mais ela falando da pessoa que ela estava apaixonada, dos planos que estavam fazendo para o primeiro encontro. Ela percebeu a minha distância e falta de tempo. E um dia me perguntou se eu estava bem. Se estava acontecendo alguma coisa. Que podia confiar nela, que faria o que pudesse para me ajudar. Aí, não aguentei e me declarei para ela. Disse que não sabia como, mas que havia me apaixonado por ela. Que me doía muito saber que ela não me correspondia, mas que torcia muito pela felicidade dela, porém, precisava me afastar. A partir desse dia, fomos nos distanciando, até chegar ao ponto em que não nos falávamos mais. Parei de frequentar o grupo, pois me doía saber que ela estava lá e não tinha interesse em falar comigo. Tudo bem, eu sei que eu pedi distância, mas constatar que de fato eu não tinha nenhuma importância para ela me abateu demais.

Meu mundo foi desmoronando. Meu namoro acabou, porque eu já não conseguia mais disfarçar que não queria mais estar em companhia de Cristina. Ela era uma pessoa maravilhosa e merecia muito mais do que eu podia oferecer a ela. Cris ainda tentou me convencer a tentar manter o namoro. Me chamou para viajar, entretanto, eu só queria saber de deitar e dormir, até a dor da rejeição sumir.

No entanto, o destino adora pregar peças na gente. Lembro-me como se fosse hoje.

Primeiro dia de setembro de 2014, Luana passou para me buscar em casa. Como morávamos no mesmo bairro, e trabalhávamos no mesmo escritório de advocacia, nos revezávamos em quem dava carona a quem. Lua era uma das sócias e eu trabalhava na biblioteca.

No meio do caminho recebemos uma mensagem do Ricardo, sócio da Luana, avisando para irmos o mais rápido possível, pois teríamos uma reunião de emergência. Já estávamos imaginando que seria um caso cabeludo, já que convocou todo mundo. Já fui me preparando para todos os pedidos loucos que iria receber nos próximos dias.

Chegamos correndo no escritório e a secretária, nos mandou direto para a sala de reunião. Luana abriu a porta e assim que entramos, Ricardo nos indicou nossos lugares. Como sócio majoritário, ele se sentou a cabeceira, pediu que Luana se sentasse a sua direita, eu a esquerda, a outra ponta da mesa estava vazia. Praticamente todos os funcionários estavam presentes, advogados, secretárias, estagiários, só quem não tinha como deixar seu posto de trabalho estava de fora. Ricardo levantou para começar a falar e só aí me dei conta de que havia uma mulher alta, devia ter um metro e oitenta pelo menos, próxima à janela com vista para a Baia de Guanabara. Não me era estranha, talvez alguma antiga cliente, mas sabia que logo, logo iríamos descobrir de quem se tratava. Ricardo pede a atenção de todos e começa a falar.

- Bom dia pessoal! - Olha em volta. - Gostaria de agradecer a presença rápida de todos vocês. Peço desculpas pelos transtornos que possa ter causado, mas é de extrema importância que a maior parte dos nossos colaboradores estejam presentes. - Faz uma pausa calculada, olha em volta. - Soube a três dias que passei no concurso para juiz federal. - Sorri feliz.

Todo mundo comemora, pois sabíamos o quanto Ricardo desejava passar nesse concurso.

- Como todos sabem, eu não poderei continuar atuando como advogado do escritório. Por esse motivo, desde que comecei a me preparar para o concurso, também iniciei a busca por alguém a minha altura como substituto e parceiro da minha sócia e amiga, doutora Luana Maciel. - Ricardo olha pra trás. - E esse alguém é uma grande amiga do tempo da faculdade em São Paulo. Tenho a honra de apresentar a vocês a nossa nova sócia, Fernanda Souto!

Quando ela vira de frente para todo mundo. Percebo que se não estivesse sentada teria caído estatelada no chão, porque minhas pernas ficaram bambas. Fernanda Souto era simplesmente a minha Nanda. A mulher por quem estava apaixonada. Estava em estado de choque. Quando nossos olhos se cruzaram, pude perceber que ela não estava surpresa em me ver como eu estava surpresa em vê-la. Rapidamente, ela se aproximou da outra ponta da mesa, sentou e falou:

- Bom dia a todos! Gostaria de agradecer ao Ricardo a lembrança do meu nome e dizer que farei tudo que for possível para substituí-lo e manter o mesmo nível de sucesso do escritório.

 

 

Novas sócias por preguicella
Notas do autor:

A partir desse capítulo teremos uma ou mais músicas fazendo a trilha da Mariana.

A música de hoje é Amado, composição de Marcelo Jeneci e Vanessa da Mata. Segue o link:

https://www.youtube.com/watch?v=4wegmGMUunk#action=share

 

Novas sócias

Não consigo entender isso tudo que está acontecendo. Como assim a minha Nanda é advogada e amiga do Ricardo?! E agora sócia do escritório?! Que loucura! Quando nos conhecemos ela disse que cuidava dos negócios da família. Nunca falou nada sobre ser advogada.

 

Lua percebendo que eu não estava ali, me cutucou por baixo da mesa. Tinha que tentar prestar atenção no que estavam falando.

 

- Como assim nova sócia, Ricardo?

- Luana, você sabia que depois que passasse no concurso, eu não poderia continuar atuando aqui no escritório. E muito menos que eu iria te sobrecarregar. - Ricardo respira fundo. - Então, fui buscar alguém que pudesse me substituir com o mesmo talento e garra que nós sempre trabalhamos aqui. Por isso convidei a Fernanda. Apesar de estar afastada do dia a dia de um escritório, ela foi aluna brilhante e chegou a atuar em um grande escritório em São Paulo, até que resolveu deixar a carreira de lado para se dedicar aos negócios da família.

 

- Um dos motivos de estar aqui é esse. - Ouvimos a voz da Fernanda. - A partir de agora vou ajudar em tudo que for possível no comando do escritório, espero contar com sua ajuda Luana.

 

Ela continua me ignorando.

- Eu só queria saber por que tudo isso aconteceu sem meu conhecimento? - Luana questiona.

- Você estava de férias Luana. Viajando, por que eu iria atrapalhar suas férias se podia resolver isso sozinho? Você não perde nada com esse novo arranjo, pelo contrário. Inclusive, as coisas vão melhorar, porque vamos ter mais uma sócia.

- É sério isso Ricardo? Quantas pessoas vão virar sócias do escritório? - Luana começa andar pela sala.

O clima estava começando a ficar estranho. Ricardo levanta agradece a presença de todos. Diz que depois todos ficarão sabendo das mudanças pelas quais o escritório passaria. O mais importante já sabiam, que tínhamos uma nova sócia. E dispensou a todos para voltarem ao trabalho. Eu levantei e já me encaminhava para a saída quando Ricardo me chamou de volta.

- Mariana fica, por favor.

- Luana, você estava de férias. - Disse Fernanda, que fez uma pausa, olhando para mim, como quem diz, acalma sua amiga. Ela então, se vira novamente para Fernanda.

- Como para você continua tudo igual. Não vejo porque tanto nervosismo.

- Lua, se acalma e escuta o que eles têm a dizer. - finalmente falo alguma coisa.

Luana lança um olhar magoado para o Ricardo e de raiva para Fernanda.

- Tenho certeza que você vai gostar dessa nova sócia. - Ricardo fala com um sorriso.

- Eu esperava mais de você Ricardo. Eu achava que alem de sócios éramos amigos. Que qualquer problema que nós tivéssemos aqui no escritório, nós resolveríamos juntos, mas já vi que não é assim. Daqui a pouco nem vai precisar mais de mim. Já têm as sócias perfeitas. - Luana vai em direção à porta.

- Lua, espera. Não sai assim. A outra sócia é a Mariana. Nós sabemos que o escritório não andaria tão bem se não fosse pelo trabalho perfeito que ela faz. Tudo bem que não dá para ser na mesma proporção que nós recebemos, mas com certeza vai ser bem mais que o salário fixo que ela recebe. É lógico que nada disso tá fechado. Eu estava esperando você voltar pra gente conversar e acertar tudo. - Disse Ricardo tentando explicar sua decisão.

Agora eu caio sentada. Como assim eu vou ser uma das sócias do escritório? E mais louco ainda, sócia da Fernanda!

- Confesso que não estou entendendo mais nada. - Levanto, ando pela sala em direção à janela.

- Ricardo seja mais específico com tudo isso, pelo amor de Deus! - Luana pede.

- Eu só to tentando fazer as coisas certas. Mas parece que não estou agradando. Como vou me afastar do escritório, quis deixar as coisas encaminhadas. Claro que por fora vou ajudar vocês, mas preciso garantir que as coisas vão ficar bem. Não podia me dar ao luxo de alguém te roubar da gente. Por isso a oferta de sociedade. Não é grande coisa, mas como vou sair da linha de frente, tiro 10% da minha parte para você e divido os 60% restante com a Fernanda. Ou seja, seremos os três advogados com o mesmo poder de voto, e você será sempre o voto de minerva Mari.

- Ou seja, serei sempre jogada aos lobos, grande presente Ricardo. - Falo contrariada, porque sei que toda vez que entrarem em atrito a coisa vai sobrar pra mim.

Percebo que mesmo sem me encarar Fernanda acompanha todos os meus gestos.

- Sinceramente preciso pensar sobre isso tudo.

- Eu vou para a minha sala. Depois conversamos. - Luana se sai da sala sem olhar pra trás.

- Eu preciso finalizar uma pesquisa. - Olho para os dois. - Deixa a Lua digerir isso tudo e depois a gente conversa novamente.

- Tudo bem, mas ainda temos uma coisa ligada à chegada da Fernanda para resolver. - Finalmente ela me encarou. Desviei o olhar.

- Não dá para esperar para ver isso depois do almoço?

- É importante Mari. Principalmente porque você vai precisar nos ajudar com a Lua. - Ricardo faz cara de cachorro pidão.

- Já vi que vou ter que amansar a fera. Injusto isso aí doutor Ricardo, bem injusto. Você sabe como ela fica uma fera quando você apronta alguma coisa. - Levo minha mão direita à nuca. Típico gesto de quando estou estressada. - Vamos lá. Qual vai ser a bomba?

- Na verdade ela não vai ser obrigada a fazer nada que já não faça normalmente. Aliás, ela é a melhor na área. - Escuto a voz profunda da Fernanda. Ainda não me acostumei com isso. - Também precisarei da sua ajuda Mariana. - Finalmente a encaro novamente. - Preciso da ajuda de vocês no pedido de guarda das minhas filhas.

Para tudo, como assim ela é casada, ou melhor, pelo visto está separada. Mas ela tá apaixonada por alguém. Não estou entendendo mais nada.

- Nesse caso é melhor a doutora esperar para conversar com a Luana. Ela é a advogada. Eu estou na equipe de suporte. Nem adianta me falar nada nesse instante, para não ter que repetir tudo depois. - Eu estava sem chão, sem saber o que falar. Mas jamais ia permitir que ela me visse assim.

- Eu realmente preciso finalizar a pesquisa, ou o Jorge, um dos nossos advogados, corre o risco de perder a causa. Assim que a Luana estiver disposta, conversamos todos juntos. - Eu precisava me afastar da Fernanda.

Há pouco mais de seis meses eu conversava com a Nanda. Uma mulher extremamente atraente, extrovertida, jovial e simpática. Agora eu estava na frente de uma completa estranha. Estava me sentindo perdida sem saber o que fazer.

Marta, a secretária, entra na sala avisando de um telefonema urgente e, Ricardo sai para atender.

Levanto para sair também. Fernanda anda em minha direção. Rapidamente viro as costas.

- Mariana, nós precisamos conversar.

- Como já disse doutora, melhor esperar a Luana e falar tudo de uma vez.

Não tinha dúvidas de que ela iria falar comigo a respeito de nossa "amizade".

- Você sabe que não é sobre isso Mari.

- Não me recordo de nenhum outro assunto que nós tenhamos em comum doutora. - Finjo uma indiferença que não sinto.

- Desculpe fingir que não te conhecia Mariana. Espero que você entenda que ia ficar difícil explicar de onde nos conhecemos. - Fala de maneira fria. Completamente diferente da pessoa que conversava comigo na internet.

Respondi da mesma maneira.

- Sem problemas Fernanda. Não precisa se preocupar. Da minha parte acabamos de nos conhecer. Se é só isso, depois nos reunimos para falar sobre o seu caso.

Segui em frente e saí da sala com o coração na mão. Infelizmente me dei conta de que a pessoa pelo qual me apaixonei só devia existir em meus sonhos. Como isso foi acontecer comigo?

Segui para a minha sala e logo depois Luana entrou.

- Você não bate mais na porta não Luana?

- Ih, a poderosa te pegou de jeito mesmo hein.

- Tá doida Luana?

- Você acha mesmo, que apesar de tudo que aconteceu, eu não percebi como você ficou quando viu a cara da mulher. - Riu debochando. - Foi amor à primeira vista meu bem?

- Acho melhor você voltar para sua sala e procurar algo pra fazer. Se você não tem nada pra fazer, eu tenho bastante coisa.

- Tá bom, tá bom. - Lua coloca as mãos para o alto em sinal de rendição. - Já tô indo, mas depois você vai me explicar essa história direitinho viu!

- Tem história nenhuma não, Luana. Tchau. Bom trabalho. E fecha a porta quando sair.

Respiro aliviada, pois levei um susto, achando que Luana havia percebido alguma coisa.

Pego meu celular. Vou à minha galeria de fotos. E vejo a última foto que ela me enviou. Linda, sorrindo com o pôr do sol ao fundo.

 

"Como pode ser gostar de alguém / E esse tal alguém não ser seu / Fico desejando nós, gastando o mar / Pôr-do-sol, postal, mais ninguém / Peço tanto a Deus / Para lhe esquecer / Mas só de pedir me lembro / Minha linda flor / Meu jasmim será / Meus melhores beijos serão seus / Sinto que você é ligado a mim / Sempre que estou indo, volto atrás /Estou entregue a ponto de estar sempre só / Esperando um sim ou nunca mais / É tanta graça lá fora passa / O tempo sem você / Mas pode sim / Ser sim amado e tudo acontecer / Sinto absoluto o dom de existir / Não há solidão, nem pena / Nessa doação, milagres do amor / Sinto uma extensão divina / É tanta graça lá fora passa / O tempo sem você / Mas pode sim / Ser sim amado e tudo acontecer / Quero dançar com você / Dançar com você / Quero dançar com você / Dançar com você" (Amado - Vanessa da Mata e Marcelo Jeneci)

 

Meu telefone vibra, é uma mensagem da minha irmã perguntando se podia almoçar comigo, pois precisava de ajuda para resolver um problema. Oh Deus! Mais alguma bomba vindo por aí. Respondo para ela passar daqui à uma hora.

 

Meio-dia. Chamo o elevador e quem está dentro dele? Fernanda.

 

 

 

 

Coração partido por preguicella
Notas do autor:

A música do capítulo de hoje é My heart is broken, do Evanescence. Segue o link.

https://www.youtube.com/watch?v=f1QGnq9jUU0

Entro sem falar nada. Finjo estar concentrada no celular. Chegamos ao térreo. E ela me faz um convite.

- Almoça comigo Mariana. - Reduzo o passo, respondo sem me virar.

- Obrigada, mas já tenho companhia.

Saio, mais uma vez sem olhar para trás.

Quando chego lá fora, Carlinha já está me esperando.

- Oi irmã! - Me dá um beijo no rosto. - Que cara é essa Mari?

- Ai Carla, problemas no trabalho. Melhor nem comentar, porque depois do almoço tem tudo pra piorar!

Vamos almoçar no meu restaurante árabe preferido, sinto que vem um pedido de empréstimo pela frente.

Não deu outra, Carla quer fazer um intercâmbio de seis meses com os amigos da faculdade. E quer ajuda financeira. 

Carlinha é doze anos mais nova que eu. Sempre fiz tudo que podia para ajudar, inclusive financeiramente. Ela é dedicada aos estudos. Nunca nos deu trabalho. Não que ela seja uma santa. Mas nunca foi nenhuma peste. Já que estava virando sócia do escritório ia poder ajudá-la. Ela me conta todos os detalhes e ficamos de falar com mamãe à noite.

Terminamos o almoço e volto para o escritório.

Entro em minha sala e Luana está lá.

- Poxa, nem pra me chamar pra almoçar hein.

- Ah Lua, desculpa. A Carlinha me mandou mensagem chamando pra almoçar, pois precisava falar comigo. Depois daquela reunião fiquei meio baratinada.

- Com a reunião ou com a Fernanda?

A Luana me conhece como ninguém. Sabe que tem alguma coisa com relação à Fernanda. Eu preciso contar essa história toda para ela. Mas agora não é o momento.

- Depois a gente conversa sobre isso ok. Já, já, vão nos chamar para falar sobre o tal problema da Fernanda.

- E o que a gente tem a ver com isso?

- O problema é que ela quer que você aceite o caso dela. Pedir a guarda das filhas dela.

- Não mesmo! - Levanta e fica andando pela sala.

- Lua, se ela vai ser nossa sócia e é amiga pessoal do Ricardo, não tem porquê você não aceitar o caso dela.

- Tem vários advogados aqui no escritório. Não tem por que ser eu a aceitar esse caso.

- Tem sim, porque você é a melhor nessa área.

Alguém bate na porta da minha sala.

- Pode entrar.

Era a Marta, secretaria do escritório avisando que eles já estavam nos aguardando.

- Mariana, o doutor Ricardo está aguardando vocês na sala dele.

- Ok, obrigada Marta.

- Já que não tem jeito, vamos logo. - Luana levanta e vamos em direção a sala do Ric. - Mas ainda não terminamos a nossa conversa não viu.

- Ai Lua! Já falei que mais tarde tá.

- Vou cobrar, pode esperar.

Bato na porta. E ouço a voz da Fernanda.

- Entrem e se acomodem, por favor.

Sentamos em frente a sua mesa. Ricardo que já estava acomodado começa a falar.

- Meninas, vocês estão aqui porque são as melhores da nossa equipe. Luana, você é a melhor em direito de família que nós temos. E o caso da Fernanda não é simples. - Se volta para Fernanda e pede que ela explique.

- Então, eu fui casada durante 8 anos com a Manuela. Quando nos conhecemos ela tinha acabado de ficar viúva, Clara e Geovana tinham um ano. Quando resolvemos nos assumir e morar juntas. As nossas famílias não aceitaram muito bem, porém a família do Carlos odiou a ideia da Manu estar com uma mulher e principalmente que essa mulher fosse conviver com as crianças. Ameaçaram entrar na justiça pedindo a guarda das meninas, mas uma das irmãs do Carlos foi contra e não permitiu que dessem entrada no processo. Há dois anos nos separamos. Mas continuei participando da vida das meninas normalmente. Acontece que a Manuela morreu há seis meses, vítima de um acidente de carro. E a tia das meninas, que nos ajudava, foi morar em Nova York. E a guerra começou novamente. Eles querem me tirar minhas filhas. Eu não as adotei, entretanto todo mundo sempre soube que a Manuela queria que as crianças ficassem comigo caso acontecesse alguma coisa com ela. - Faz uma cara de culpa. - Eu sei, casa de ferreiro o espeto é de pau. Mas a gente nunca espera que algo assim aconteça com a gente. Eu sei que as meninas podem expor sua vontade ao juiz. Mas eu não quero correr nenhum risco. Por isso aceitei vir para o Rio trabalhar aqui no escritório. Conseguiria manter uma distância razoável da família do pai delas. Estaria perto de você que é a melhor na área Luana. E estaria perto da minha namorada.

Nesse instante ela me encarou e desviou o olhar. E eu percebi que estar perto da Fernanda me deixa fora do ar. Sim eu prestei atenção em tudo que ela falou. Uma droga a família querer separá-las. Mas a parte da namorada me matou mais um pouquinho.

Me dei conta que estavam todos em silêncio esperando a Luana falar alguma coisa.

- Eu vou pegar essa causa e vai ser descontada do seu salário, porque vou querer receber cada centavo. Você não é minha amiga Fernanda, aliás, eu não te conheço. Mas acredito que uma família deve permanecer unida, independente de como os laços são formados, se elas se sentem suas filhas e querem ficar com você, eu farei todo possível para que isso aconteça. - Faz uma pausa. - Quero todas as informações, fotos, documentos, tudo que ligue a relação estável de vocês. E já adianto que vou querer conversar com essa Laura. Quando você tiver tudo em mãos me procura. Ah e quero falar com as meninas também. - Olha para o relógio. - Agora preciso ir porque tenho uma audiência.

- Obrigada por aceitar o caso Luana. Não imagina o alívio que sinto ao saber que você estará à frente do processo.

- Agradeça quando tudo isso terminar.

- Mariana, depois eu gostaria de falar com você. - Escuto Fernanda falar comigo.

- Ok, assim que tiver um tempo volto aqui.

No final do expediente resolvo ir logo saber o que tanto a Fernanda quer falar comigo. A secretária libera minha entrada.

- Ela deixou sua entrada liberada Mariana.

- Obrigada Tina.

Bato na porta e entro direto.

- Estou aqui Fernanda. O que você precisa falar comigo?

- Eu só queria que a gente a gente não ficasse num clima ruim Mariana. Eu gosto de você. A gente se divertia, tínhamos uma boa amizade. Sinto muito que não possa corresponder os seus sentimentos.

Corto a fala dela.

- Fernanda, a gente não tem mais nada para falar a respeito desse assunto. Para mim ele foi encerrado no dia que me declarei e você disse que não sentia o mesmo. Não vejo porque estamos falando novamente sobre isso.

- Eu percebo que você está estranha comigo.

- E você queria o que Fernanda? Infelizmente não vim com um botão que liga e desliga meus sentimentos. Certamente vai demorar um tempo, mas eu vou conseguir esquecer isso. Não precisa se preocupar comigo ok.

O tempo vai passando. Sete meses depois, Luana consegue ganhar o caso da guarda das meninas. O namoro da Fernanda fica a cada dia mais sério. E eu cada dia mais triste e deprimida. E para melhorar ouvi uma conversa entre Fernanda e Ricardo, que fez com que eu me decidisse largar tudo e me livrar desse sentimento, que só estava me fazendo mal.

Carlinha volta dos seis meses de intercâmbio. Fala super bem da aventura que foi passar esse tempo fora. Acabo me empolgando e começo a pesquisar sobre mestrados na Inglaterra e encontro um que me chama a atenção em Londres, com ênfase na área de gestão e direito. Me inscrevi e fui aceita, mas ainda não tinha certeza se iria ou não. Minha família e Luana não queriam que eu fosse. Mas eu precisava me afastar.

Até que recebo o incentivo que precisava para confirmar minha ida para a Europa.

Uma tarde de sexta-feira no final do expediente, fui até a sala do Ricardo levar a cópia de um documento que ele havia me pedido. A secretária dele não estava. A porta estava entreaberta, quando fui bater escutei ele conversando com Fernanda.

- Então todo esse estranhamento entre você e a Lua é porque a Mariana é apaixonada por você? Como eu não percebi isso? Por isso a Mari é tão distante de você. Ela nunca participa de nada que você esteja. Se a sua namora estiver então.

- Ric você está me saindo um belo fofoqueiro viu.

Quando vou entrar, escuto uma pergunta que me faz dar um passo atrás.

- Mas se vocês se davam tão bem, por que você não deu uma chance a Mari?

- Eu acho a Mariana um encanto de pessoa, divertida, gentil, inteligente, mas não é o tipo de mulher que me atrai. Não conseguiria ter um relacionamento com ela. Ser lésbica já é complicado, imagina estando com uma pessoa que não usa uma saia, vestido, maquiagem. É complicado. Minha família já não engolia a Manuela que era totalmente feminina. Imagina alguém como a Mariana. Fora que estava conhecendo a Scheila, que tem tudo a ver comigo.

Meus olhos se enchem de lágrimas, que luto para conter.

 

"I will wander till the end of time / Torn away from you / I pulled away to face the pain / I close my eyes and drift away / Over the fear / That I will never find a way / To heal my soul / And I will wander till the end of time / Torn away from you"

 

Vagarei até o fim do tempos / Dilacerada longe de você / Eu me afastei para enfrentar a dor / Fecho meus olhos e me desvio / Sobre o medo / Que nunca encontrarei uma maneira / De curar minha alma / E vagarei até o fim dos tempos / Dilacerada longe de você" (letra e tradução My heart is broken, Evanescence)

 

A ficha finalmente caiu! Sirvo para ser a amiga distante, a mulher não. Fora que sou gordinha. E a Scheila a namoradinha é praticamente uma modelo, magra e linda.

Preciso sair daqui. Acho que nunca mais vou conseguir olhar pra ela. Percebo que estou chorando. Viro as costas pra sair. Dou de cara com a Marta.

- Mariana, o que aconteceu? Você está passando mal?

- Não Marta, tá tudo bem. Só recebi uma notícia ruim, vou ter que ir embora. - Vou saindo. Volto. - Entrega esses documentos pro Ricardo, por favor!

Nem me dou conta que a Marta certamente ia falar que me encontrou do lado de fora da sala chorando e eles provavelmente perceberiam que eu ouvi a conversa.

 

Saí do escritório para não voltar mais, até hoje.

Cara a cara por preguicella
Notas do autor:

 

Cara a cara

Um ano sem colocar pés no escritório. Continuava com meus vencimentos. Ainda mais depois que Luana soube o que me motivou a viajar, ela exigiu que eles aceitassem a minha licença remunerada. Uma parte do meu trabalho poderia ser feito a distância. Colocamos Flávia, que era minha assistente como responsável pelo setor. Combinamos que tudo que precisasse da minha atenção seria feito por vídeo conferência. 

 

Durante esse tempo quase não se tocava no nome da Fernanda. E foi assim até a minha volta ao Brasil.

 

Marcamos com Luana após o almoço, na expectativa de conseguirmos encontrar alguma informação sobre a família de Adele.

 

Estávamos na sala da Luana, quando alguém bate na porta e vai entrando.

 

- Lua, já que você está livre agora à tarde a gente podia começar a ver... - Ela se cala quando percebe que tem mais gente na sala além de Luana. Abre e fecha a boca, sem saber o que dizer ao se dar conta que Adele e eu estávamos alí. Até que consegue falar. - Desculpa Luana, sua secretária não estava lá fora, eu fui entrando. Desculpa mesmo.

 

- Tudo bem Fernanda. Sem problemas. Mariana você já conhece. Só não foi apresentada ainda a namorada dela. Adele essa é a Fernanda. Fernanda, Adele. - Luana faz as apresentações. Minha inglesinha estende a mão, e tem o gesto retribuído.

 

- Prazer Fernanda. Ouvi falar bastante de você. 

Fernanda me olha e fico vermelha na mesma hora. Adele não precisava ter falado isso. Se bem conheço a peça, ela queria ver a reação da Nanda.

 

- Como vai Mariana? - Vem me cumprimentar. - Pensando em voltar a trabalhar com a gente ou é só uma visita?

- Ainda não resolvi se volto ou não pra Inglaterra, mas é o mais provável que aconteça. Namorar a distância nunca foi minha praia, mas como ainda estou de férias, nada está decidido.

 

- Entendi. Bem, eu volto outra hora Luana. Vocês devem estar ocupadas e não quero atrapalhar. - Vira-se e sai da sala.

Luana percebendo o climão entra no assunto que nos trouxe ao escritório.

- Então, me digam que informações vocês têm sobre a sua família Adele.

- Só consegui descobrir o nome da minha avó. Catarina Souto Carvalho. Sei que ela é do interior de Minas Gerais, mas não sei mais nada.

 

- Nem o nome da cidade?

- Nadinha. Fizemos uma busca na internet, não encontramos nada, nem mesmo nas redes sociais. Só sabemos que ela deve ter por volta de sessenta e quatro anos. 

 

- Bom, vamos passar esses dados para o pessoal da pesquisa. Eles têm acesso a vários sites, cartórios, vamos começar por Minas e depois vamos expandindo.

 

- Não sei como te agradecer Luana. E você também meu amor. Brigada! Vocês não fazem ideia do quanto eu gostaria de conhecer a família da minha mãe. Ser filha única de pais sem parentes é muito ruim.

 

- Imagina Adele, é um prazer te ajudar. E você já faz parte da nossa família.

O telefone da Luana toca.

- Oi. Não acredito que ela vá querer, mas vou perguntar. - Tapa o fone, para que a pessoa do outro lado não escute o que ela vai falar. - Mariana, é a Fernanda querendo saber se pode dar uma palavrinha com você. Cinco minutos no máximo.

 

- Agora não Lua.

Adele aperta minha mão.

- Vai lá Mari. Cinco minutos passa rápido. Eu fico aqui esperando com a Luana.

- Mas eu não tenho nada para falar com ela. - Digo chateada.

- Mas ela parece ter algo para falar com você. Vá ver do que se trata.

- Adele, você é completamente doida. 

- Por você meu anjo, doida por você. 

- Tá bom. Vou lá e volto correndo. - Dou um beijo de tirar o fôlego na minha inglesinha. - Vai nem sentir minha falta.

- Aff, vamos parar com esse agarramento aqui, por favor. - Luana não perde a chance de brincar com a gente.

Sigo em direção à sala da Fernanda. Lá chegando a sua secretária libera minha entrada. Dou duas batidinhas na porta e entro.

 

- Pode falar Fernanda.

- Nossa você já foi mais gentil, Mariana.

- É sério que você quer discutir sobre gentileza comigo?

- Ok, Mari. Eu pedi para você vir aqui porque quero oficialmente te pedir desculpas pelo que você ouviu aqui a pouco mais de um ano atrás. E...

 

A interrompo.

- No aeroporto eu te disse que isso já não era mais necessário, Fernanda. Para mim isso já não tem mais nenhuma importância.

 

- Então prova isso pra mim.

- Como assim?

- Aceita jantar na minha casa amanhã. - Jogou o convite.

- Tenho que ver com a minha mulher se ela pode me acompanhar e o que ela acha a respeito disso.

- Eu gostaria que você fosse sozinha. Para nós termos a conversa que não tivemos até hoje. 

- Eu não quero ter conversa nenhuma com você Fernanda! Que saco! Você teve toda oportunidade de conversar comigo, mas você fugiu, veio trabalhar aqui no escritório, sabia quem eu era, que ia me encontrar aqui, mas não teve a mínima consideração em falar comigo. Só pensou em você e nos seus problemas. Inclusive quando chegou aqui. Enquanto eu era a sapatão amiga na internet, tava tudo bem. A sapatão na vida real não pode existir. Não sei o que mudou depois que você soube que eu ouvi a conversa de vocês. A consciência pesou? 

 

Percebo que os olhos dela estão lacrimejando. Mas não consigo deixar de ser dura. 

- Não precisa de nada disso: desculpa, consciência pesada. Relaxa! Na hora doeu, sofri, me senti uma bosta. Quis mudar, aliás, tentei mudar. Mas percebi que mudar quem eu era pra agradar alguém, que não me queria, era ainda pior que ser rejeitada. Não se preocupe. Como pode ver. - Dou uma volta. - Continuo a mesma lésbica de sempre, sem grandes vaidades, continuo não usando vestido, maquiagem e nada de salto alto. Mas feliz, bem feliz! Sabe por quê? No momento que desisti de tentar mudar, consegui conquistar aquela mulher linda e maravilhosa que tá lá na sala da Luana me esperando. Se bem que acho que foi ela que me conquistou.  Mesmo eu usando coturno, calça jeans e camiseta com estampa de banda de rock. - Ufa, cansei! Estou me sentindo leve! - Desculpa Fernanda! Eu não queria ser grosseira, mas simplesmente não aguento mais você me pedindo desculpas. Acabou! Ficou no passado.

 

- Você sabe bem que não acabou, Mari. Se tivesse acabado você não estaria assim tão nervosa e fazendo questão de frisar o quanto você está bem e feliz. Eu sei que você ainda sente alguma coisa por mim e vou continuar lutando por uma chance de te mostrar que eu mudei. 

 

Ameaço interromper, mas ela não deixa.

- Não senhora, agora é a minha vez de falar! - Sai de trás da mesa e vem se aproximando de mim. - Naquele dia no aeroporto, eu senti seu corpo tremendo junto ao meu, então não venha com essa de que eu sou passado. Eu sei que errei com você, que fui preconceituosa sim. Naquela conversa que você ouviu, eu estava tentando me convencer que não sentia nada por você. Eu não queria sentir nada por você, se já havia sido complicado com a Manuela, imagina com alguém que não era a feminilidade em pessoa. Confesso que me recusava a sentir a atração por você, mas ao mesmo tempo me recusava a ficar afastada. Você me fazia tão bem. Foi me conquistando com esse seu jeito bobo, gentil, sincero, meio moleque, mas extremamente atenciosa. Infelizmente, eu só percebi isso depois que você viajou. 

Quando ouvi Fernanda falar isso, olhei para ela sentindo um misto de surpresa e raiva. Ela então prosseguiu com suas desculpas.

 

- As coisas foram ficando mais sérias entre eu e a Scheila. E eu percebi que não era ela, que eu queria ali ao meu lado. Precisava terminar com ela, resolver algumas questões com a minha família, comigo. - Senta na cadeira ao meu lado e segura minha mão. - Eu precisava me sentir livre das minhas amarras, preconceitos. Para então ir atrás de você. - Eu faço cara de surpresa. - Pode perguntar a Luana. Quando consegui resolver tudo, vim atrás dela querendo seu endereço. Eu já tinha até reservado passagem para ir pra Londres. Aí ela me deu um banho de água fria dizendo que você estava feliz e namorando há alguns meses. Disse que não iria me ajudar, pois finalmente você estava feliz, seguindo em frente. E o que eu podia fazer depois disso? Ir atrás de você e descobrir que você havia me esquecido? Fiquei com medo. - Abaixa a cabeça e percebo uma lágrima correndo no seu rosto. - Confesso, fiz ela me mostrar suas redes sociais e lá você estava linda e parecia feliz com a sua namorada. Aí não me senti no direito de te procurar, até porque você podia continuar com raiva de mim. Enfim, deixei pra lá. 

 

Nanda faz um carinho em meu rosto. Confesso que fiquei balançada com todas essas coisas que ela estava me falando, mas me afastei. Não podia fazer isso com Adele.

 

- No dia que entrei na sala da Luana e vocês estavam conversando e falando da sua volta, meu coração acelerou e pensei que ainda podia ter uma chance com você. Por isso fui ao aeroporto. Precisava te ver de perto. Olhar nos seus olhos e pedir desculpas pessoalmente. O brilho que vi nos seus olhos me deu forças pra insistir em conversar, em estar perto de você. E é esse mesmo brilho que eu estou vendo agora, aqui tão de perto. Então não venha me dizer que você não sente nada por mim porque os seus olhos dizem uma coisa completamente diferente. E não, não vou te deixar em paz, enquanto você não me der uma chance. A inglesa lá que me desculpe, mas eu vou lutar por você sim!

 

Fernanda vai se aproximando do meu rosto e quando me dou conta ela está me beijando. E que beijo! Que boca macia, uma delícia. Quero sair do beijo, mas não consigo. Quando sua língua invade minha boca então, perco a noção de tudo. Nanda me abraça apertado com medo de eu tentar fugir. Me lembro de Adele e me afasto correndo. Preciso sair daqui.

 

- Você não devia ter feito isso Fernanda. Eu não quero nada com você. 

- Não é o que o seu corpo e seus olhos dizem.

- Dane-se o que meu corpo diz. Qualquer mulher bonita que venha se esfregar em mim, meu corpo vai reagir assim! - Precisava ter o prazer de tirar aquele sorrisinho de vitória do rosto dela. E foi exatamente isso que aconteceu, assim que terminei aquela frase. Fernanda voltou a ficar séria.

 

- Se é assim, tentando me ferir, que você acha que eu vou desistir. Você tá muito enganada meu bem. Quando menos esperar você vai ser minha. A batalha entre o Brasil e a Inglaterra está só começando. - Ela vai até a porta. - Melhor você ir ou daqui a pouco a Luana vem atrás de você. Aproveita e começa a se despedir da sua inglesinha.

Filha da mãe, ela tem a coragem de tirar onda com a minha cara. Não podia dar o gostinho de ela dar a última palavra.

- Vai esperando deitada Fernanda. Porque de você, eu só quero distância!

- Vamos ver. 

Nanda ri e fica com a última palavra, pois eu prefiro sair correndo daquela sala, para não cair em tentação.

 

 

Notas finais:

A música de hoje é Baby Can I Hold You, da Tracy Chapman, esse é o link para quem quiser ouvir: https://www.youtube.com/watch?v=kjRo_CHSdt0

"Forgive me / Is all that you can't say / Years gone by and still / Words don't come easily / Like forgive me forgive me

Perdoe-me / É tudo que você não pode dizer / Os anos se passaram e contudo / As palavras não vêm facilmente / Como "perdoe-me", "perdoe-me"(Baby can I hold you, Tracy Chapman)

A cantora inglesa por preguicella
Notas do autor:

Olá mais um capítulo pra vcs! 

Passo no banheiro, jogo uma água no rosto, para dar uma esfriada e sigo para sala da Luana.

- Amor, vamos para casa. Já ocupamos demais a Luana.

 

- Imagina, amiga! Você sabe que sempre tenho tempo para vocês. - Luana me olha como se percebesse que algo não estava bem.

 

- Vamos sim, meu bem. Tô cansada, acho que ainda não me recuperei da diferença de fuso. Luana, qualquer coisa você me avisa.

 

- Vou acompanhar vocês até a porta.

Quando estamos passando pela recepção, Fernanda sai da sala dela.

- Já estava indo lá atrás de vocês.

Estremeço só de imaginar o que ela vai falar.

- Nós já estamos indo embora, Fernanda. Outra hora conversamos. - Tento sair sem deixá-la falar nada, pois eu quero contar sobre o beijo para Adele.

 

- Mas é rápido. Quero só reforçar o convite para jantar amanhã lá em casa. Lógico que vocês, Adele, Luana, também estão convidadas, além do Ricardo e a namorada. As meninas vão adorar te rever Mariana.

 

Olho para Adele, que já vai respondendo.

- Podemos ir, né amor?!

- Se você faz questão, nós vamos.

- Então pode confirmar nossa presença Fernanda. - Adele segura minha mão.

Olho para Luana que faz cara de quem não sabe o que fazer.

- E você Lua? - Fernanda questiona.

- Pode contar comigo também. Não perco esse jantar por nada. - Levanto minha sobrancelha. - Tô com saudades das meninas e finalmente estaremos todos reunidos novamente. - Se apressa em esclarecer.

 

- Ricardo já confirmou que vai com Luciana. Espero vocês amanhã a partir das oito. Você pode me passar seu telefone Mariana? Assim eu mando uma mensagem com o meu endereço.

 

- Não precisa, a Luana nos dá uma carona, não é mesmo amiga?

- Sim, claro.

- Deixa de ser mal educada Mariana. - Diz Adele. - Luana, passe o número daqui do Brasil para a Fernanda. Ainda não guardei de cabeça. Senão eu mesma te daria. Agora vamos meu amor. Tô doida para chegar em casa e descansar grudada em você. Bye, bye.

 

- Vamos sim. Até amanhã meninas. - Saio abraçada com minha inglesinha doida. E sinto o peso do olhar de Fernanda em minhas costas.

 

Seguimos em silêncio até chegar em casa. Confesso que Adele me deixa meio confusa, com essa vontade de me deixar perto da Fernanda. Parece que quer me jogar para cima dela.

 

Deixo Adele na sala com minha mãe, alegando precisar de um banho e deitar um pouco, por estar com dor de cabeça.

 

Saio do banheiro secando meu cabelo e a vejo sentada na cama. Óbvio que está me esperando para conversar. Procuro uma roupa na gaveta da cômoda. Jogo a toalha em cima da cama e começo a me vestir, sentindo os olhos da minha inglesinha me acompanhando. Ela não aguenta mais o meu silêncio e pergunta:

- Por que você não está falando comigo? Ficou chateada porque aceitei o convite para jantar?

 

Sem pensar, disparo.

 

- Ela me beijou. Ela queria que eu fosse a esse jantar sozinha. E pode acreditar que ela não quer só jantar comigo.

Adele se mexe desconfortável na cama.

- E como você está se sentindo a respeito dessa situação. - Me encara perguntando.

- Adele, ela disse que quer me conquistar, que vai lutar por mim. E que é para você se preparar. Você ouviu que ela me beijou?

- Eu não sou surda Mariana. Eu quero saber como você se sentiu. - Insiste na pergunta.

Respiro fundo. Sento na cama, seguro suas mãos.

- Você sabe que ela me balança. O beijo mexeu comigo sim, não posso negar, mas discuti com ela. Disse que está fora de questão acontecer qualquer coisa entre nós duas, nosso tempo já passou. Até porque eu estou com você. E gosto do que nós temos.

- Mas teve vontade de ficar com ela.

- Confesso, senti um misto de desejo e raiva.

- Raiva porque só agora ela se deu conta que te quer?

- Ela disse que se sentia atraída por mim, mas não queria, não aceitava. Eu era diferente demais. - Abaixo a cabeça.

- E... - Adele me incentiva a continuar.

Conto como foi toda conversa.

- Então, Fernanda está disposta a disputar você comigo. Tenho que admitir que gosto de saber que ela quer entrar no jogo, mas não pense ela que vai ser fácil te tirar de mim não.

- E nem eu pretendo te deixar, Adele. Eu já disse que te amo.

- Nós já tivemos essa conversa minha linda. Você pode me amar, mas ela ainda está aí dentro e mexe muito com você. - Olho pra ela angustiada, quero negar, mas infelizmente é verdade. - Eu sei que você não quer isso meu amor, mas tem coisas na vida que a gente não tem como fugir. Ou melhor, até tem como fugir, mas fica nos perseguindo. O melhor a fazer é viver. Nem que seja para perceber que quem você queria de verdade estava com você o tempo todo. Vamos fazer o seguinte. Amanhã você vai a esse jantar sozinha. Depois que seus amigos forem embora, fica e conversa com ela. Abre seu coração de verdade. Dá espaço para ela se aproximar. Não me olha como se eu fosse louca meu bem. Acredite, meu coração fica partido só em imaginar que ela te tocou, te beijou, mas eu ficarei ainda mais infeliz se souber que você está comigo só pra fugir do que você ainda sente por ela. Não negue, não fuja disso, encara minha querida.

- Eu não quero nada disso Adele.

- Tem certeza disso? Tem certeza de que você vai ficar comigo e em nenhum momento vai se questionar sobre como teria sido se você tivesse dado essa oportunidade a ela?

- Eu não tenho nem a certeza que a gente vai ficar junto meu anjo!

- Pois é minha linda, mas a vida é feita de oportunidades e escolhas. Durante muito tempo você quis essa mulher e agora pode tê-la. Só está resistindo porque eu estou entre vocês duas. Fora a raivinha porque ela não te quis antes. Já te disse minha linda, se permita. Se dê o direito de tentar ser feliz. Se não for do jeito que você quis, a gente vê depois o que faz.

- Eu não quero ter que fazer essa escolha. Eu quero ficar com você!

- Desculpa Mari, mas eu não quero você pela metade. - Adele segura meu rosto com as duas mãos, me fazendo olhar para ela. - Minha linda, amanhã à tarde eu vou para São Paulo. Aquele empresário que me contratou para o show na semana que vem me mandou um e-mail perguntando se eu não tinha interesse em fazer mais uma apresentação. Ele disse que sabe que estou de férias, mas se eu estiver disposta poderia me apresentar no sábado. Teria que ir amanhã porque preciso ensaiar com a banda. E eu disse que daria a resposta hoje à noite.

- E você só me fala isso agora? Você tá fazendo tudo de caso pensado não é mesmo? - Eu a acuso revoltada. - Eu não queria que as coisas acontecessem dessa maneira.

- Meu anjo, me desculpe, mas você precisa resolver isso. E não nego que estou dando um empurrãozinho. Porque eu quero você toda minha. Eu quero você livre e só pensando em mim! Você pode pensar nela sim, mas só como uma suave lembrança.

- Eu não sei se quero que as coisas aconteçam desse jeito. Vou para São Paulo com você amanhã e depois eu penso nisso.

- Não senhora dona Mariana. Você não vai viajar comigo, não. Eu vou sozinha. Encara logo seus problemas de frente meu anjo. Quanto mais rápido você fizer isso, mas rápido sua felicidade vai ser completa.

- Adele. - Falo como se estivesse implorando para ela me deixar ir junto para São Paulo.

- Não Mari, você fica, mas quero minha despedida hoje, até porque pode ser nossa última vez.

Abraço minha inglesinha bem apertado.

- Nem brinca com isso meu amor! Eu vou estar aqui te esperando.

- A gente vê isso quando eu voltar.

- E quando você volta? - Eu questiono.

- No domingo à tarde. Toma banho comigo?

- Claro!

Deixo o assunto de lado, porque sei que Adele não quer mais falar. Sei que não ia adiantar ficar tentando argumentar com ela. E o pior, ela não está nada longe da verdade. Se já me sentia balançada pela Fernanda antes, imagina depois que ela me beijou.

- Vamos linda?

- Vamos sim. - Sigo em direção ao banheiro tirando a roupa.

- Amor, eu... - Fica sem palavras, quando se dá conta que já estou tirando a roupa. - Você não perde tempo né, sua safada!

- Não mesmo, principalmente porque só vou te ver no domingo. Muitos dias sem você. Quem sabe assim não consigo te convencer a me deixar ir junto hein.

- Shii, esquece esse assunto. Agora só quero que você me ame! - Adele vem para cima de mim e me agarra.

- Te amo tanto!

Eu a amava sim, mas no fundo sabia que precisava ter uma conversa definitiva com Fernanda, porque só assim nós poderíamos seguir em frente.

 

Entreguei-me de corpo e alma para essa mulher que me conhecia tão bem. Adele é forte e decidida, mas também é sensível. Eu sei que ela está me dando toda essa liberdade de escolha, mas sei que por isso mesmo ela está sofrendo pelo simples fato de não saber o que vai acontecer. Que decisão eu vou tomar.

 

Fizemos amor como se fosse nossa última noite juntas. Trocamos beijos repletos de amor e carinho, mas cheio de tesão e desejo também. Nossas mãos percorriam nossos corpos em uma carícia urgente, gostosa, que parecia que a gente ia pegar fogo. Aquela necessidade de sentir, dar prazer. Nos amamos a noite inteira e dormimos agarradas.

 

No dia seguinte, ao acordar, busco por Adele ao meu lado na cama, mas só encontro um bilhete no seu travesseiro, onde ela explicava que estava a caminho de São Paulo. Não me acordou porque sabia que não conseguiria se despedir. Desejou um ótimo jantar e disse para deixar rolar o que tivesse que acontecer.

 

Não tinha a menor vontade de ir a esse jantar, queria estar com Adele ao meu lado ali, na cama. Fechei os olhos, senti seu perfume e acabei me lembrando do dia que nos conhecemos.

 

Estava chateada e de saco cheio de tentar ser diferente do normal.  Estava usando saia e salto, mas não aguentava mais isso. Tinha feito amizade com um casal de meninas, Juliet e Michelle, que logo perceberam que eu também era lésbica e me levaram ao grupo delas, que ainda tinha Tim e John. Um dia elas me convidaram para um showzinho intimista em um pub. Seria a reestreia de uma cantora, segundo elas, maravilhosa. Não tinha nada pra fazer mesmo, acabei aceitando ir e não me arrependi. Foi quando conheci Adele.

 

Chegamos ao pub e a fila para entrar estava enorme, mas como o Tim trabalhava lá, foi só enviar uma mensagem e rapidamente ele nos colocou para dentro.

 

Arrumamos uma mesa no meio do bar e começamos a beber. Eu dificilmente bebia, era fraca para álcool, mas tomava alguns drinks.

 

Uma pessoa esbarrou em mim, fazendo com que eu derrubasse parte da minha bebida sobre a mesa e no meu colo. Juliet se levanta reclamando. Quando me viro para ver quem era o desastrado, qual não é a minha surpresa ao perceber que é uma linda mulher de olhos cinza. Ficamos nos encarando por algum tempo, até que Juliet nos traz ao presente.

 

- Você devia prestar mais atenção por onde anda, Adele.

 

- Des... Desculpe-me. - Ela dá uma engasgada. - Não era minha intenção. Eu posso te ajudar? Juliet, ao invés de brigar comigo, você devia ajudar sua amiga.

- Você faz a cagada e eu que tenho que ajudar, Adele?

- É sério que vocês vão ficar discutindo sobre quem vai ajudar a Mariana? - Michelle interrompe as duas. - Vocês duas não mudam mesmo.

- Desculpa Mariana. Desculpa... - Adele fala se dirigindo a mim.

Que voz linda essa inglesa tem gente.

- Tudo bem, sem problemas. - Fiquei tão encantada, que acabo me esquecendo e respondendo em português.

- Oh você é brasileira?

- Sim, sou do Rio de Janeiro.

- Minha mãe é brasileira, de Minas Gerais. Mas eu nasci aqui. - Fala em português, com um leve sotaque. Fica ainda mais charmosa. Que perdição!

Quando vou responder, um rapaz chega até ela e fala no seu ouvido.

- Desculpe, preciso ir. Qualquer coisa mande a conta da tinturaria para mim.

- Isso sai fácil. Não esquenta a cabeça.

Ela me olha como se não quisesse ir, mas o rapaz a chama mais uma vez.

- Bye.

- Alguém pode me explicar o que aconteceu aqui? - Michelle pergunta.

Eu ainda me encontro aérea, pois fico acompanhando Adele até ela entrar em uma porta perto do palco.

- Ei! - Percebo que estão falando comigo. - Mariana, você tá bem? - Juliet me questiona.

- Tô sim. Desculpa, eu não ouvi o que vocês falaram.

- Também, tava dando uma secada na Adele.

Sinto que fiquei vermelha. Abaixo meus olhos.

- Ela é linda, não consegui evitar. - respondo.

- Percebemos. E também vimos que ela também gostou de você. E acredite, nunca vimos Adele ficar assim com ninguém. - Diz Juliet. - Vou pegar mais uma bebida pra gente.

- Imagina, ela deve ter ficado sem graça, por ter derrubado a bebida. Aliás, vocês se conhecem?

- Ah para Mariana. Você é muito bonita. Tenho certeza que ela vai vir atrás de você depois do show. E sim, ela é nossa amiga.

- Você está me dizendo que ela é a cantora?

- Isso mesmo, meu bem. - Mary indica o palco com a cabeça.

Ia responder, mas começamos a ouvir os acordes do violão. E não é que Adele está lá e começa a cantar.

Hometown Glory - Adele

"Are the wonders of my world /Are the wonders of my world / Are the wonders of this world / Are the wonders of this worldSão as maravilhas do meu mundo / São as maravilhas do meu mundo / São as maravilhas agora / São as maravilhas agora"

Nossa conexão foi imediata. Ela passou a noite toda cantando e olhando pra mim. Foi impossível desviar o olhar.

Ela terminou a sua apresentação, cumprimentou algumas pessoas e veio direto em minha direção. Nenhuma mulher nunca chegou assim tão direto em mim. Acho que esse foi mais um dos motivos para eu baixar a guarda tão rápido com ela. Ela é toda decidida, direta, sem mi, mi, mi. E acabamos naquela mesma noite na cama. Confesso que sou dessas que evita ir pra cama no primeiro encontro, mas com ela não resisti, na verdade nem pensei na possibilidade de não ir. Só pensava em saciar a minha vontade dela. Ela é tão irresistível, sexy, gostosa e aquela voz falando no meu ouvido tudo o que ela tinha vontade de fazer comigo. Ai meu pai! Não resisti e acabamos indo parar na casa dela que não era muito longe do bar. E tive a minha melhor noite nos últimos anos.

Na verdade até hoje estou tendo noites e dias maravilhosos, pois desde então não nos desgrudamos mais.

 

E hoje a noite tem esse bendito jantar. Eu vou sim, mas somente para encerrar essa história de uma vez.

O jantar por preguicella

O dia passou arrastado. Eu estava irritada, tentei falar duas vezes com Adele, mas ela não me atendeu. E me mandou mensagem dizendo para ficar calma e deixar as coisas acontecerem. Avisa que só vai falar comigo no dia seguinte.

Luana chegou mais cedo lá em casa e ficou conversando com a Carlinha. Não sei se eu estou muito estressada com o jantar, mas senti um clima meio estranho entre elas. Depois vou pegar as duas para conversar.

Fui me arrumar. Coloquei um jeans, all star preto e camiseta com a bandeira da Inglaterra e uma jaqueta. Passei um perfume, um batom cor de boca. Como o cabelo é curto, não precisa de muita coisa para ficar bonito.

Chego à sala e vou em direção ao bar tomar uma dose grande de Baileys para ver se consigo dar uma anestesiada nos nervos.

– Querem beber alguma coisa? – Eu pergunto.

– Não, você já tá bebendo por nós duas, pelo tanto que você colocou no copo. – Luana responde.

– Não enche Lua.

– Você já quer chegar lá doidona?

– Eu não quero nem ir.

– Não vá então minha filha. – Minha mãe se mete. – Não creio que essa moça mereça toda essa consideração sua. Diz que se sentiu mal.

– Ah mamãe, uma hora eu vou ter que encarar. Melhor ir logo. Até porque Adele ia ficar me enchendo o saco se eu desse para trás.

– Essa Adele parece doida de ficar te empurrando para cima da Fernanda.

– Eu entendo, ela só quer que eu deixe isso definitivamente para trás mamãe. Vamos logo Luana. Ficar enrolando não vai me deixar mais tranquila, então vamos logo.

– Vamos sim. Vou pela praia assim você se distrai.

– Onde ela está morando?

– No Leblon.

– Pelo menos não é na distante Barra.

Entramos no carro.

– Tá estressada, né amiga? Medo de cair em tentação?

– Quase certeza de que vou cair em tentação Lua.

– Oi?

– A Fernanda me beijou ontem no escritório.

– O quê?

– E eu correspondi! Que droga Lua. Eu não queria, mas ela mexe demais comigo. E eu contei para Adele.

– Caramba. Por isso que ela viajou?

– Ela tinha a proposta para um show amanhã. Já havia decidido ir, mas só me falou ontem. Acho que ela queria que esse encontro acontecesse logo de uma vez. Aí uniu o útil ao agradável. Se é que tem algo de agradável nisso tudo.

– Ai, eu não teria essa coragem que ela tem. Eu te levaria para bem longe da Fernanda, nunca te colocaria próxima dela.

– Eu acho que também não teria esse desprendimento todo Lua. Por isso minha inglesinha é tão especial. Ela me quer inteira e feliz ao lado dela.

– Estamos chegando.

– Nossa, nem percebi.

– Força amiga. E se precisar de ajuda para fugir, conta comigo.

– Sei, você tá toda amiguinha da Fernanda. Vai é fugir e me deixar lá.

– Ah, para Mari. Antes de ser amiga de qualquer uma, eu sou sua amiga e quero sua felicidade. Independente se com Adele ou Nanda. Eu consigo entender Adele. Acredito que estar com uma pessoa que pensa em outra não deve ser fácil.

– Também não é assim Lua. Eu já não estava mais pensando nela. Eu não devia era ter vindo nessas férias para cá.

– Talvez seja melhor você resolver logo isso. Confesso que tava morrendo de saudades amiga. E queria muito que você ficasse aqui e não voltasse mais pra Londres.

– Ah, Lua! eu também tava com muitas saudades, de você, da família, do Brasil. Confesso que não sei se quero voltar, mas eu quero estar perto da minha inglesinha linda.

Estacionamos e seguimos em direção ao prédio da Fernanda. Luana fala com o porteiro,  que autoriza a nossa subida.

– Força amiga! Qualquer coisa a gente foge! – Luana diz rindo. – Se bem que você é uma mulher de atitude amiga. Então enfrenta a fera logo.

– Na frente da Fernanda eu me sinto uma fracote. Quando ela me encara com aquele olhar de “vou te devorar”, me derreto toda.

– Não queria estar na sua pele,  Mari.

– Eu também não, Luana. – Falo rindo.

A porta do elevador se abre e Fernanda já está à porta nos aguardado. Parece estar ansiosa.

– Boa noite meninas. – Se aproxima para nos beijar.

– Boa noite Nanda. – Luana responde.

– Boa noite Fernanda. – Ela me dá dois beijos. Um bem próximo da boca.

– Você tá linda Mari.

Levanto minha sobrancelha.

– Você também está muito bonita Fernanda. – Na verdade ela está linda, mas não quero dar o braço a torcer. Veste calça jeans justíssima, havaianas, blusa de alcinha fina preta, pelo visto sem sutiã. Aff, como é que eu presto atenção nessas coisas?

– Fiquem à vontade. O Ricardo e a Renata já devem estar chegando. Querem beber alguma coisa?

– Por enquanto não quero nada. – Respondo.

– Cadê as meninas Nanda? – Luana pergunta. – Acho que vou de água mesmo.

– Elas foram dormir na casa de uma amiguinha. Elas têm um trabalho do colégio para fazer. E a mãe da Julia vai levá-las para fazer a pesquisa amanhã. Aí pediram para ir logo hoje e estão fazendo uma festa do pijama. Deixaram beijos para vocês, em especial para você Mari e disseram que querem te ver.

Não respondo nada.

– Vou para a cozinha finalizar o jantar. Mais uma vez, fiquem à vontade e abram a porta para o Ric quando ele chegar.

Fernanda vai em direção a um corredor.

– Você tinha que ver a sua cara olhando para ela Mari. Pior que ao mesmo tempo você foi tão fria.

– Ela que não pense que é só estalar os dedos, e eu vou correndo. – Falo meio revoltada.

– Onde você está mesmo, hein?! – Luana me provoca.

– Ah Luana, não enche meu saco.

A campainha toca e Luana vai atender a porta. Vou em direção à varanda, respirar um pouco de ar puro, porque estou me sentindo sufocada. Fico um tempo e sinto a presença de alguém.

– Você não está muito feliz em estar aqui né Mari? – Ouço a pergunta feita pela razão do meu mau humor.

– Estou me sentindo pressionada Fernanda. E sinceramente não gosto de me sentir assim. Você puxa de um lado, Adele empurra do outro.

– Acho que estou no lucro. Se te puxo e Adele está te empurrando, tudo me leva a crer que você vai vir para o meu lado. – Sorri.

– Não pense que eu gosto disso não. Muito menos que as coisas são simples.

– Eu sei que as coisas não são nada simples Mari, mas a gente pode tentar simplificar.

– Eu não sei...

– Então é aqui que vocês estão se escondendo. – Ricardo chega brincando.

– Ric! Saudades de você chefinho! – Dou um abraço apertado. – Senti muito sua falta, viu?!.

– Sentiu nada. Quase não falava comigo. Já estou sabendo que tá pensando em voltar definitivamente pra Londres.

– Não é bem assim, não.

– Mas vamos deixar isso para outro momento. Vamos lá pra dentro, quero que você conheça minha namorada.

– Renata finalmente você vai conhecer a Mariana. – Deus tá me zoando, só pode!

– Como vai Renata? – Percebo que ela está tão surpresa quanto eu.

– Mari! Que surpresa! Jamais imaginei que a Mari do Ricardo era você!

– O mundo é uma ervilha minha querida!

Nos abraçamos. E percebemos que estão nos olhando sem entender.

– Ai gente é isso aí. Eu e Renata nos conhecemos. Ah! E também já ficamos, quando entramos na universidade, nada sério. – O queixo do pessoal caiu de vez.

– Como assim? Conta isso direito. – Luana, que não vale nada, já coloca pilha.

– Não tem o que contar, éramos jovens. Me senti atraída pela Mariana. Ficamos em algumas festas da faculdade, mas nada sério. Acabamos nos distanciando com o passar do tempo. Nossos cursos eram diferentes. Normal isso acontecer. – Percebo que ninguém fala nada. – Ricardo desfaz essa cara, eu já te contei que na época da faculdade eu gostava de ficar com meninas, então, sem essa cara de surpresa!

– Tudo bem. Só nunca imaginei que a Mari estaria entre essas pessoas. Enfim, como foi que você disse mesmo Mariana?! O mundo é uma ervilha.

– Eu vou trazer umas entradinhas para gente comer. Tem também vinho, suco, refrigerante e outras bebidas no bar. Luana, você pode providenciar bebida para o pessoal? Eu quero vinho tinto.

– Claro, Nanda.

– Mari, você pode me ajudar a trazer as coisas da cozinha?

– Claro. Luana eu quero refri.

– O vício continua.

– Larga do meu pé vai.

O jantar foi melhor do que eu esperava. Apesar de Fernanda aproveitar toda oportunidade que aparecia para me tocar, roçar o seio nas minhas costas ou no meu braço sempre que ia me servir alguma coisa. O que acontecia o tempo todo, já que ela fazia questão de me servir tudo. E meu corpo reagia a cada toque. Não podia negar que ela me atraia muito.

Já passava das onze quando Ricardo e Renata se levantam dizendo que iam embora, pois tinham compromisso no dia seguinte bem cedo.

Luana diz que também está cansada e Fernanda protesta.

– Ah sacanagem. Tão cedo ainda. Nem deu meia-noite. Fica mais um pouco Luana!

– Eu estou cansada, mas vamos fazer o seguinte, se a Mariana quiser ficar deixo meu carro com ela e vou de carona com o Ric.

Fernanda me olha entre ansiosa e triste. Provavelmente imagina que eu não vou querer ficar.

– Não vai precisar deixar seu carro não Lua.

– Então vamos logo.

– Mas eu ainda não vou embora. Pode ir tranquila. Eu pego um taxi para ir pra casa.

– Ok, se você prefere assim.

– Eu e Fernanda ainda temos algumas coisas para conversar, e quanto mais rápido fizermos isso, melhor.

– Então tá bom! Amanhã a gente conversa! Beijos meninas e juízo viu! Não façam nada que eu não faria! – Dá uma piscadinha e vai em direção à porta.

– Adorei o jantar Nanda. Você está se superando na cozinha. Depois vamos marcar alguma coisa lá em casa e você leva sua namorada para gente conhecer Mari. – Fala Renata, sem saber de tudo que tá rolando.

– Vamos sim Renata!

– Vocês são muito sem graça indo embora tão cedo viu. – Reclama mais uma vez Fernanda.

– Mas você vai ficar em boa companhia Nanda. – Lua brinca.

Eles vão embora. Vou até a mesa e pego uma taça de vinho para mim.

– Você quer vinho Fernanda?

– Quero sim Mari.

Levo uma taça até ela. Sento no sofá em frente ao que ela está.

– Agora somos só nós duas. E sinceramente eu não sei por que eu fiquei.

– Será que não foi porque você queria ficar perto de mim? – Fernanda fala enquanto caminha em minha direção. Senta-se ao meu lado. – Você ficou tão quieta durante o jantar, quase não comeu. Eu não quero que você fique mal por estar perto de mim Mari.

– Sinceramente Nanda, eu não estou confortável mesmo com essa situação.

– Fala de novo.

– O que? Falar o que? – Pergunto confusa.

– Nanda. Tem tanto tempo que você não me chama assim Mari. Você tem sido tão fria e distante comigo. Menos ontem durante o beijo. – Coloca a taça dela sobre a mesa de centro e se aproxima mais de mim. Toca meu rosto, me derreto com esse carinho e fecho os olhos. – Me desculpa por te magoar. – Abro os olhos e ameaço falar, mas ela não deixa. – Eu sei que fui idiota, preconceituosa. Você não devia nem querer falar comigo, mas desde que te vi no aeroporto, não consigo te tirar da minha cabeça. Seu cheiro me persegue. E depois do beijo de ontem, só penso em grudar minha boca na sua e nunca mais largar. – Fico sem ação, porque no fundo, no fundo, nesse momento eu não queria pensar em mais nada. Só queria sentir. A pele dela na minha, o gosto dela na minha boca. Coloco minha taça ao lado da dela, sobre a mesa de centro. Levo minha mão até a sua nuca, me aproximo e colo minha boca na dela, em um beijo urgente, ardente e molhado. Só nos separamos quando o fôlego acaba. E mesmo assim minha boca ainda continua grudada nela. Beijo seu rosto, pescoço, subo para sua orelha. Ela solta um gemido o que só serve para aumentar o meu desejo.

Quando me dou conta, Fernanda já está sentada no meu colo, de frente pra mim, com as mãos no meio dos meus cabelos, me puxando como se quisesse grudar ainda mais nossos corpos. Volto a beijar sua boca e dessa vez, ela aproveita para beijar todo meu rosto, pescoço, morder minha orelha. Em meio a isso tudo minhas mãos vão passeando pelas suas costas, pernas, lateral do corpo. Até que vão parar na bunda, me fazendo puxá-la ainda mais. As mãos dela vão descendo pelos meus ombros e chegam aos meus seios. Me dou conta de para onde estamos caminhando. Vou diminuindo o ritmo dos beijos. Coloco minhas mãos sobre as dela e a afasto do meu corpo. Fernanda abre os olhos como se não entendesse o que estava acontecendo.

 

– Por que você parou? Você quer tanto quanto eu. – Fala tentando voltar à respiração ao normal.

– Eu quero. Quero muito Nanda. Há muito tempo que eu queria ter você assim nos meus braços, mas agora não sei se isso é certo. Se não é só um desejo que tenho por não ter tido você lá atrás.

 

– Não fica pensando, só sente. Sente como é tão bom ficar assim juntinho. Como é gostoso sentir a minha pele na sua. Dá uma chance pra gente.

 

Nanda solta as suas mãos das minhas. Faz um carinho de leve na minha bochecha e com a outra mão segue o contorno da minha testa, nariz e lábios. Se aproxima e me dá um beijo delicado, praticamente um roçar de lábios. Encosta a testa na minha, roça o nariz no meu e me abraça apertado.

 

– Eu quero muito uma chance com você, mas não quero que você se sinta mal por isso meu anjo. Eu sei que eu vacilei e forçar a barra não é a melhor maneira de trazer você pra mim né. Desculpa, é que quando a gente fica assim tão perto, tudo que eu mais quero é me jogar nos seus braços.

 

Me solta e tenta se levantar, mas não deixo. Seguro em sua cintura. Nos encaramos, olhos nos olhos e peço.

– Fica.

 

 

Vale night por preguicella

"I gave you all the love I got / I gave you more than I could give / I gave you love / I gave you all that I have inside / And you took my love / You took my love

 

Eu te dei todo o amor que eu tinha / Te dei mais do que poderia dar / Eu te dei amor / Eu te dei tudo o que tenho por dentro / E você levou meu amor / Você levou o meu amor!" (No Ordinary Love - Sade)

 

E assim, sem falar nada começamos a nos beijar novamente. Dessa vez com calma, carinho, como se estivéssemos nos reconhecendo, mas o desejo logo chegou e foi nos dominando, dando lugar a uma fome, uma vontade enorme de entrar uma por dentro da outra. As mãos ganharam vida novamente, começando as carícias, o reconhecimento. Enfio minhas mãos por baixo da sua blusa, vou arranhando sua barriga, enquanto encho seu ombro de beijos. Nanda puxa meu rosto em busca da minha boca. E continuamos assim, até que beijos e carinhos já não são mais suficientes para aplacar o fogo que estávamos sentindo. Ela se afasta, levanta e me estende a mão.

- Vem, vamos pro meu quarto.

Seguro sua mão e vamos caminhando, mas isso não é suficiente, a envolvi novamente em meus braços e vamos assim, em meio a beijos e afagos para o quarto dela, esbarrando nos móveis, nas paredes, até que nos vemos perto da enorme cama no meio do quarto.

Nanda começa a tirar a blusa, mas eu interrompo seu movimento e ela me olha confusa.

- Deixa que eu tiro.

Recebo um sorriso largo e encorajador de presente. Me aproximo mais e vou subindo sua blusa lentamente, fazendo questão de deixar meus dedos roçarem pelo seu corpo, sentindo sua pele se arrepiar. Passo a blusa pela sua cabeça e fico encantada diante da beleza dos seus seios pequenos, que mostram toda sua excitação.

Sua respiração está ofegante, parece desesperada pelo meu toque. Não demorei a atendê-la, pois estava tão ansiosa quanto ela por esse momento. Avanço em sua direção, fazendo-a se deitar. Sento em suas pernas e começo a acariciar sua barriga, subindo lentamente até chegar aos seios, macios e perfeitos. Nanda solta um gemido. Aí eu perco o pouco controle que me resta e começo a acariciar de maneira mais ousada. Cubro seu corpo com o meu e vou em direção ao seu rosto, onde deposito beijos molhados na sua boca, queixo e vou descendo em direção ao seu pescoço, passo pelo seu colo nu, até que chego naqueles montes tão desejados. Os gemidos continuam e vão aumentando de volume à medida que vou aumentando a intensidade dos toques naqueles dois montes, o que só me incentiva a continuar matando meu desejo.

- Você não tem ideia do quanto eu desejei estar assim com você Fernanda. - Me afasto e falo com a voz rouca.

- E você não imagina o tesão que eu fico ouvindo você falar meu nome assim. Há muito tempo espero por esse momento.

Não consigo mais controlar o desejo e começo a tirar o restante da sua roupa. Olho seu corpo nu.

- Você é linda, e muito gostosa Nanda.

- Por que você ainda está vestida?

- Porque eu já não estou mais aguentando de vontade de te sentir.

- E como você acha que eu estou me sentindo, hein? - Nanda força meu corpo para o lado e fica por cima de mim. - Mas vamos tirar toda essa roupa primeiro.

Suas mãos vão direto para o botão da minha calça. Enquanto isso ela vai dando beijos pelo meu corpo até tirar minha calça. Vai subindo e dando suaves mordidas pelas minhas pernas e barriga, até tirar a minha blusa. Sem perceber começo a gemer com esses toques, o que parece provocá-la ainda mais, pois ela ataca meus seios, alternando a boca entre um e outro, sugando, beijando, mordendo, lambendo e me levando a loucura. Me apertando contra seu corpo como se quisesse garantir que eu não ia fugir. Sobe novamente e volta a beijar minha boca avidamente. Pega minha mão e leva até o meio das suas pernas.

- Sente como você me deixa e imagina como eu vou ficar quando você me possuir. - Fala com a voz rouca.

Eu pego sua mão direita e levo até o meio das minhas pernas.

- Eu não fico muito diferente meu bem, você também me deixa louca de tesão. Eu quero gozar junto com você. - Continuamos a nos tocar, fazendo os mesmo movimentos, a cada instante aumentando a intensidade dos gestos. As bocas coladas numa fome enlouquecedora. - Goza comigo Nanda, goza. Eu não vou conseguir resistir por muito tempo. Vem comigo. - Até que atingimos o orgasmo praticamente no mesmo instante. Ela cai sobre o meu corpo. Mesmo ofegante continuo abraçada a ela, querendo sentir seu corpo junto ao meu.

Assim que Nanda recupera o fôlego começa a distribuir beijos pelo meu rosto, invade a minha boca dando mordidas de leve nos meus lábios, começa a chupar a minha língua me puxando pela nuca para grudar ainda mais nossos lábios. Ficamos assim por um tempo até que ela se afasta.

- Eu quero sentir seu gosto. - Vai descendo pelo meu corpo dando beijos, mordidas e lambidas até se deter no meu sexo e depois de algum tempo, Nanda me leva a um orgasmo delicioso. Já amanhecia quando fomos dormir.

- Bom dia dorminhoca! - Acordei com Fernanda dando beijos nas minhas costas. - Desculpa te acordar, mas estou cheia de fome. Queria sua companhia para tomar esse café da manhã especial que preparei pra gente.

Viro de frente para Nanda, fico meio encabulada, e puxo o lençol já que estou nua.

- Que horas são hein? - Pergunto me espreguiçando e disfarçando.

- Hum, não se cobre não. - Fala Nanda tentando puxar o lençol. - Se espreguiçando toda linda assim, acho que o café vai ficar pra depois. Você é tão gostosa que vou querer te provar primeiro. E já vai dar uma hora da tarde!

Fico vermelha e aproveito para mudar de assunto.

- Nada disso, estou com fome, você também, então nós vamos comer e depois preciso de um banho. E preciso urgentemente ligar para minha mãe.

- Poxa, não vou ganhar nem um beijinho de bom dia? - Nanda pergunta quase colando a boca na minha.

Seguro seu rosto e vou beijando sua bochecha, nariz, queixo e finalmente sua boca. Nanda sobe no meu corpo começando a se esfregar, intensificando os beijos, mas minha barriga denuncia o tamanho da minha fome, já que não havia comido bem na noite anterior.

- Agora eu preciso de comida!

- Então vamos. Eu ia trazer o café na cama, mas imaginei que você ia estar com muita fome, então preparei tudo lá na cozinha. - Nanda me estende a mão para me ajudar a levantar.

- Onde estão as minhas roupas? - Levanto enrolada no lençol.

- Hum, estão dobradas ali na poltrona, mas não coloca não. - Levanto minha sobrancelha. - Vou te dar um roupão, boba. Se você for tomar café sem roupa, vai acabar ficando com fome. - Fala com um sorriso cheio de malicia.

Quando chegamos na cozinha, tem uma mesa linda pronta nos esperando. Tinha de tudo um pouco, ovos mexidos, pães, bolos, iogurte, morangos, suco, café, leite e mais algumas coisas.

- Como não sabia o que você gosta de comer de manhã fiz de tudo um pouco. - Nanda justifica a mesa enorme.

- Com a fome que eu to, eu como um pouco de tudo que tem aí. Se bem que se eu fizer isso, vou espantar você.

- Claro que não boba! Também estou morrendo de fome. A noite foi intensa, gastamos muita energia. Temos que repor para continuar o segundo tempo. - Nanda fala maliciosa.

Abaixo a cabeça e me lembro de Adele.

- Eu preciso ir embora.

- Ah não! Fica comigo! Avisa a sua mãe e fica comigo esse final de semana. - Fernanda fala com os olhos pidões.

- Não faz assim Nanda. Você sabe que não é só por causa da minha mãe.

- Mas ela não vai ficar em São Paulo? - Pergunta, se referindo a Adele.

- A questão é maior que isso. Eu estou toda errada. Não devia ter ficado com você.

- Você está arrependida. - Nanda mais afirma do que pergunta. E abaixa a cabeça. - Sabia que isso ia acabar acontecendo.

- Não me arrependi não, Fernanda. Só acho que devia ter feito diferente.

- Eu sei! Não queria magoar ninguém, mas não consigo evitar te querer. - Nanda fala.

- Sabe o que é mais louco? Adele me mandou pra cá sabendo que provavelmente isso ia acontecer. Desde que nos viu no aeroporto, ela me manda resolver a minha questão com você.

Nanda faz cara de espanto.

- É serio isso?

- Seriíssimo! Ela quer me ter inteira, sem o "fantasma da Fernanda" entre nós, ou então quer que eu seja feliz com você.

- Nossa! Nem sei o que dizer. - Levanta, vai até a geladeira e pega gelo. - Essa mulher te ama muito ou é completamente doida.

- Ela me ama sim, muito. E eu te digo que também a amo muito, mas você me bagunça demais, Nanda. E confesso que não sei o que fazer.

- Então fica comigo esse final de semana. Assim a gente vê como seria nós duas juntas. E quem sabe assim, não descobre como as coisas estão dentro de você.

- Não sei Nanda.

- Me dá uma oportunidade Mari!

- Vamos tomar café, eu tomo um banho e ligo para a minha mãe.

- Tá bom, mas promete que vai pensar com carinho, por favor!

- Com carinho. Fome, muita fome, deixa eu comer! - Respondo rindo e tentando aliviar o momento.

- Come logo! - Nanda entra na brincadeira. - Não quero que me acusem por cárcere privado, sem direito a alimentação.

Assim que terminamos de tomar o café da manhã Fernanda me manda tomar banho enquanto fica arrumando a cozinha. Não sei o que fazer, quero ficar com a Nanda, mas também quero ficar com minha inglesinha. Tomo um banho quente e relaxante, tentando resolver o que fazer se fico ou se vou.

Saio do banheiro usando o roupão que a Nanda havia me emprestado. Pego meu celular e vejo que havia ligações da minha mãe, Luana e Carla, já sabia que ia ter bronca e um monte de perguntas da Luana. Mando mensagem para Lua e Carla avisando que estava tudo bem e assim que desse ligava para elas. Liguei rapidamente para a minha mãe, que me questionou se eu sabia o que estava fazendo, quando disse que estava na casa da Nanda. Disse que depois nós conversaríamos. E fiz o que sabia que ia ser mais complicado, ligar para Adele.

- Oi amor, tava pensando em você. Estou com saudades. - Diz minha inglesinha.

- Oi meu anjo. Também estou com saudades de você.

- Duvido que você tenha se lembrado de mim. - Responde séria.

- Não tem como esquecer você meu anjo. Você tá no meu coração. - Respondo com sinceridade e com a consciência pesada também, porque só me lembrei dela pela manhã.

- Vou fingir que acredito, Mari. - Ela suspira, como quem busca forças. - Como foi a noite com a Fernanda?

- Preferia conversar pessoalmente com você,  Adele. Estou pensando em ir assistir sua apresentação hoje.

- Você ficou com ela, nem precisa negar. Sua mãe me ligou atrás de você de madrugada. - Adele faz uma pausa, respira fundo. - Eu sabia que você não ia resistir quando ficassem sozinhas.

- Meu anjo, eu não ia negar nada. O nosso relacionamento não permite mais isso. Só não queria ter essa conversa por telefone.

- Tá bom Mari. A gente conversa quando eu chegar, no domingo à noite. Agora eu tenho que ir, tenho o último ensaio com o pessoal.

- Ok,  meu anjo. Espero que dê tudo certo à noite. Você me liga depois do show? - Pergunto com receio da sua resposta.

- Não sei, você acha que a Fernanda vai deixar você me atender?

- É claro que eu vou poder te atender.

- Você está com ela ainda não é mesmo? E tenho certeza de que ela quer que você passe o final de semana aí. Aproveita,  Mari e curte. Como é mesmo aquele negócio que você me falou lá em Londres, quando um casal libera o parceiro para sair sozinho à noite? Sei que tem night no meio.

- Vale night? - Eu começo a rir. - Só você mesmo,  Adele. Você tá me dando um vale night amor?

- Não, claro que não. - Ela ri. - Aproveita que estou te dando um vale weekend.

- Você está me dizendo mesmo para ficar aqui o final de semana todo?

- Claro que sim. Você sabe o que eu acho a respeito disso tudo Mari. Curte meu bem. Quando eu voltar nós conversamos sobre tudo isso. Preciso ir. Depois conversamos.

- Ok, mais tarde me liga para dizer como foi tudo. Te amo!

Olho em direção a porta e percebo que a Fernanda está encostada no batente. Não sei o quanto ela ouviu da conversa. Não sei o que vai acontecer depois desse final de semana, mas vou pagar para ver. Desvio o olhar.

Percebo que Adele suspira do outro lado.

- Tchau linda, beijos.

- Arrasa mais tarde minha linda. Milhões de beijos. Tchau.

Desligo o telefone. Nanda não me encara.

 

- Vou tomar meu banho. - Diz caminhando em direção ao banheiro. Entra e fecha a porta.

A escolha por preguicella

Penso na possibilidade de entrar no banho com ela, mas quando lembro que vou ter que mostrar meu corpo com muita luz, desisto. Deito na cama para esperá-la sair, mas ela acaba demorando tanto que caio no sono.

 

Acordo sentindo a Nanda grudada em minhas costas. O calor da sua mão possessivamente posicionada sobre o meu seio, por dentro do roupão, os seios colados nas minhas costas, o sexo grudado no meu bumbum e a respiração quente no meu pescoço, vão me aquecendo e dando uma vontade enorme de fazer amor com ela. Começo a me mexer lentamente de encontro ao corpo dela. Coloco o braço para trás para puxá-la e tentar um contato maior, quando sinto sua mão apertando meu seio, sinal que ela acordou. Viro de frente para ela e ficamos deitadas de lado, cara a cara.

Começo a dar beijos no seu pescoço, ombros, colo e vou subindo para beijar sua boca. Começo um beijo lento, aproveitando pra sentir sua boca, passo a língua, dou mordidas de leve. Fernanda não responde ao beijo, quer fazer jogo duro, provavelmente por ter me escutado ao telefone com Adele, mas não ia ficar assim por muito tempo porque sou insistente, e começo a intensificar o beijo e forçar a entrada da língua na sua boca. Faço força com meu corpo para ficar por cima do dela. Apoio meu corpo sobre o braço direito para não ficar pesando e com a mão esquerda puxo sua cabeça para intensificar o beijo. Afasto-me um pouco e pergunto:

- Não vai me beijar não?

Nanda não responde. Dou um risinho de lado e desço os beijos pelo seu pescoço novamente e com a mão livre começo a acariciar seu seio que ainda está coberto com o roupão. Sinto sua respiração ficar pesada e escuto um gemido.

- Eu quero tanto você, Nanda. Faz amor comigo, faz.

Sem pensar muito Nanda me puxa pela nuca e começamos um beijo cheio de desejo. Ela começa a passar as mãos nas minhas costas, me fazendo arrepiar. Sento sobre as suas pernas e abro seu roupão. Olho com desejo para o seu corpo. Subo minhas mãos até sentir os seus seios, tocando-os com as pontas dos dedos, sem deixar de olhar para o seu rosto, pois não queria perder nenhuma reação dela ao meu toque. Não consigo resistir por muito tempo e vou descendo meu corpo sobre o seu até encostar a boca em seus seios e tomá-los para mim.

Sinto uma vontade louca de experimentar o corpo da Fernanda como se fosse a primeira vez. E é o que eu faço, um passeio pelo seu corpo com minhas mãos e boca, sentindo sua pele cheirosa, ouvindo seus gemidos à medida que os toques se tornam mais intensos. Me afasto e falo com a voz rouca:

- Você é tão linda Nanda.

Sua resposta vem na forma de um gemido. E volto a explorar seu corpo, do ponto em que havia parado na altura da sua barriga, e inicio a descida em direção ao seu sexo. Quando estou perto, paro e olho para cima. Encontro Nanda me olhando com seus olhos verdes escuros de desejo, ela pede:

- Para de me torturar Mari!

Impossível não atender a esse pedido, se não fosse por ela, seria por mim, que já estava com água na boca ao perceber a umidade entre as suas pernas, principalmente por saber que eu a havia deixado desse jeito. Sem demora mergulho no seu sexo. Sinto Nanda rebolar no mesmo ritmo que a minha língua passa pelo seu centro de prazer. Até que sinto seu corpo se contrair, e Nanda explodir em um orgasmo. 

Ficamos mais um tempo na cama nos curtindo. Nanda me chamou para tomar banho, falei para ela ir na frente, mas Nanda é insistente.

- Por que toda vez que te chamo para tomar banho comigo você foge?

- Porque não me sinto a vontade mostrando meu corpo pra você Nanda.

Fernanda fica sem graça e abaixa a cabeça.

- Mari, você não faz ideia do quanto eu me odeio por ter dito aquelas idiotices. Juro que jamais quis te magoar. Infelizmente, naquele momento eu me sentia tão dividida entre querer ficar com você e esses pré-conceitos que a gente acaba cultivando durante a vida. - Ela senta ao meu lado e segura a minha mão.

- Para de ficar pedindo desculpas Nanda. Eu não quero mais falar nisso.

- Mas você não quer nem tomar banho comigo.

- Confesso, não vou me sentir a vontade para ficar sem roupa na sua frente.

- Na cama você não tem problema em ficar sem roupa. - Nanda retruca.

- Aqui está sempre à meia luz, eu estou deitada. - Respondo e abaixo a cabeça.

- Se o problema é a luz, a gente só acende as lâmpadas que ficam sobre a pia para maquiagem. E que fique registrado, não por minha vontade, eu não vejo problema nenhum em celulite, estria, pneuzinho e nenhuma outra falha que você acha que tenha. - Nanda faz uma pausa. - Vamos tomar banho comigo vai. Eu deixo você dar banho em mim. E se fizer questão eu fico de olhos fechados. Vamos vai! - Faz aquela cara de gatinho do Shrek.

- Tá bom! Você venceu, vamos tomar banho, mas quero meia luz e eu vou te dar banho. - Falo dando um sorriso safado.

- Não sei não, mas acho que você me enrolou com essa história toda, só para se aproveitar de mim hein.

- Imagina! Jamais faria isso com você. - Solto uma gargalhada. - Vamos logo, antes que eu me arrependa.

Sigo em direção ao banheiro e logo sinto Nanda atrás de mim.

Tomamos banho à meia luz. Nanda fazendo o possível para me deixar a vontade, brincando e ao mesmo tempo me provocando. Não resisti, acabei me rendendo e fizemos amor.  

O que me fez lembrar Adele, quantas vezes fizemos amor tomando banho. E sua sensibilidade em perceber que eu não me sentia a vontade em mostrar meu corpo. E como em pouco tempo ela me deixou tão a vontade que eu já estava andando sem roupa, com a luz do dia. Senti uma saudade enorme da minha inglesinha. Talvez eu seja uma grande cafajeste por estar com uma mulher pensando em outra.

Nanda intensifica suas carícias me fazendo esquecer momentaneamente de Adele.

Passamos o restante da noite entre assistir filme, pedir pizza, conversar amenidades e trocar carícias! Evitamos falar sobre o que iria acontecer com a gente.

Meu telefone vibrou, vi que era Adele e fui atender na varanda.

- Oi anjo! Como foi o show?

- Oi Mari. Foi excelente. O público parece ter gostado bastante. - Adele faz uma pausa. - Senti sua falta meu bem.

- Eu estou morrendo de saudades de você Adele.

- Como estão às coisas por aí?

- Estão bem. - Tento mudar de assunto. - Que horas você vai chegar? Quero ir te buscar no aeroporto.

- Ainda não tenho confirmado, mas acho que depois das 17:00.

- Não tem como chegar mais cedo meu anjo?

- Não sei Mari. Vou ver com o Marcos. Meu bem estão me chamando. Quando chegar ao hotel te mando uma mensagem ok. Te amo! Beijo.

- Te amo. Beijo.

Desligo e continuo na varanda. É tão ruim sentir que o clima entre a gente não está legal. Adele me faz tão bem. E eu estou me deixando levar por um desejo que talvez não passe disso. E não sei se quero arriscar perder tudo de bom que a gente construiu nesses últimos meses.

Volto para o quarto e vejo que Fernanda continua deitada de olhos fechados, mas não parece dormir. Fico um tempo admirando seus traços.

- Você vai voltar pra ela não é mesmo? - Nanda me pergunta, num tom de quem já sabe a resposta.

- Você vai me achar muito cafajeste se eu disser que não queria ter que escolher e, que adoraria ficar com vocês duas? - Respondo com outra pergunta. Ela me olha de cara feia. - Não me olha assim, eu sei que isso é impossível.

- Com certeza, eu nunca conseguiria viver um relacionamento assim, dividindo a minha mulher.

- Confesso que adoraria ser moderna como esse povo que vive o poliamor, ter um relacionamento com duas pessoas ao mesmo tempo. Só tem um porém, imagina três mulheres vivendo juntas, seria a maior dor de cabeça que eu poderia arrumar na vida. O máximo que consigo pensar é num ménage, mesmo assim não sei se rolaria. 

- Mariana para a brincadeira e responde a minha pergunta.

Percebo que seu olhar fica triste, vou até a cama, me sento ao lado dela e seguro suas mãos.

- Fernanda, você morou nos meus sonhos por muito tempo, eu dormia e acordava pensando em você, mesmo sem querer, durante muito tempo eu sonhava que você ia atrás de mim, admitindo que eu sempre fui tudo que você queria e, isso não aconteceu. Tudo que eu queria era fazer parte da sua vida. Eu teria aberto mão de tudo, mudaria toda minha vida se você tivesse me dado uma chance lá atrás. Infelizmente não foi nosso momento. Aí Adele chegou e foi preenchendo o espaço que estava vago e, a dor e a tristeza em que eu vivia foram passando.

- Se a sua intenção sempre foi ficar com ela, o que você veio fazer aqui Mariana? - Nanda levanta falando. - Eu não acredito que você foi capaz de vir aqui, ficar comigo, só para se vingar.

- Claro que não Nanda! Você acha que eu seria baixa a esse ponto? Pelo amor de Deus!

- Eu nem sei o que dizer ou fazer, além de pedir desculpas, por ter te magoado tanto e ter de alguma maneira te deixado traumatizada com a questão do seu corpo. - Nanda fala entristecida.

- Não vou nem responder a essa questão Nanda, nós já falamos a respeito disso. - Respiro fundo, tentando arrumar forças para falar. - Infelizmente, sinto que nosso momento passou! Desculpa por ter te dado esperança, ter vindo aqui e levado você a acreditar que nós teríamos uma chance. Acredite, eu não vim ao jantar com nada planejado, aliás, a minha intenção era jantar e ir embora, mas nós temos essa questão entre nós mal resolvida. Nós duas queríamos tudo isso que aconteceu, a questão é que eu preciso fazer uma escolha.

- Mas a gente se deu tão bem, Mariana! Nós temos tanto em comum. Por que não tentar? Por que não nos dá a chance de construir uma relação?

- Porque nesse momento, não estou disposta a abrir mão de Adele. A nossa ligação é forte demais, ao ponto de ela estar disposta a abrir mão do nosso relacionamento para me ver feliz. Nosso relacionamento é baseado em amor, carinho, amizade, paixão e principalmente segurança. Apesar de tudo que eu e você temos em comum, dessa conexão maravilhosa que nós tivemos na cama, eu não estou preparada para desistir do que tenho com Adele. Não me sinto segura com você. Quem sabe no futuro, em outra vida, sei lá. Só sei que agora tudo que eu quero é construir minha vida com Adele.

Percebo que Fernanda está chorando e a abraço, consolando-a. Ficamos assim por um tempo, até que Nanda levanta a cabeça e me beija e pede:

- Fica comigo até amanhã. Já que não é tão ruim fazer amor comigo, me ama até amanhã.

- Eu sempre te achei maravilhosa Nanda. Lembra o que eu sempre te disse?

- Não fala mais nada. Só me beija.

Como resposta, puxo Nanda pela nuca e começamos um beijo apaixonado e, a nossa noite de despedida.

 

"Eu me lembro sempre onde quer que eu vá
Só um pensamento em qualquer lugar
Só penso em você
Em querer te encontrar
Só penso em você
Em querer te encontrar

Lembro daquele beijo que você me deu
E que até hoje está gravado em mim
E quando a noite vem
Fico louca pra dormir
Só pra ter você nos meus sonhos
Me falando coisas de amor

Sinto que me perco no tempo
Debaixo do meu cobertor

Eu faria tudo pra não te perder
Assim
Mas o dia vem e deixo você ir

Deixo você ir
Deixo você ir
Deixo você ir
Deixo você ir"

Ivete Sangalo - Deixo

Notas finais:

O link da música do capítulo de hoje, Ivete Sangalo - Deixo

 

https://www.youtube.com/watch?v=bJA6iJgZwr8

 

Então meninas, preparem seus corações, Recomeçar está na reta final.

 

Espero que curtam bastante!

Girassóis por preguicella
Notas do autor:

Penúltimo capítulo no ar!

 

Acordo procurando Nanda na cama e não a encontro ao meu lado. Fico olhando para o teto, pensando em como o dia hoje vai ser difícil. Dizer adeus a Fernanda e reencontrar Adele.

 

- Bom dia Mariana.

 

- Bom dia Nanda. Acordou cedo? - Olho meu celular e vejo que já são 10 horas.

 

- Não dormi muito bem. Preferi ficar te vendo dormir já que não terei esse prazer novamente.

 

- Fala cabisbaixa, sentada em uma poltrona em frente a cama.

 

- Ah Nanda, não faz assim!

 

- Você não pode me pedir para não sofrer Mari. Você sabe que eu queria que nós estivéssemos começando um relacionamento agora, e não tendo um final de semana de despedida.

 

- Infelizmente nem tudo acontece do jeito que a gente quer. Não veja essa situação como uma vingança, como se eu não estivesse querendo dar o braço a torcer, em ficar com você. É que nesse último ano aconteceu a Adele e, ela foi conquistando espaço em minha vida, no meu coração. Você ainda mexe comigo, eu sinto a atração por você, e sinto falta daquela ligação que nós tínhamos quando estávamos somente na esfera da amizade. Tenho saudades das nossas horas e horas de conversa. Talvez eu realmente tenha confundido as coisas naquela época. Não nego a atração que sinto por você, afinal de contas você é linda, inteligente, tem um papo excelente. Só que o nosso tempo passou e nesse momento, o que sinto por Adele é mais forte do que o que eu sinto por você. Eu mudei, cansei de esperar por você e o que eu sentia por você foi mudando.

 

- Não tem mesmo nenhuma chance de você decidir dar uma chance pra gente?

 

- Sinto muito, mas não Fernanda.

 

- Eu poderia implorar, mas vou te poupar dessa situação constrangedora. Enquanto você toma banho, vou preparando o café. Imagino que Adele vai chegar hoje e você vai querer encontrá-la. - Fala com ar derrotado.

 

- É, eu preciso ir embora.

 

Vou tomar banho e fico pensando como será a conversa com Adele. Será que vamos ficar numa boa? Mesmo que ela esteja chateada eu vou lutar para que a gente fique melhor que antes desse final de semana.

 

Tomamos o café sem trocar muitas palavras, o que eu não queria acabou acontecendo. Fernanda ficou magoada com a minha decisão de continuar com Adele. Assim que acabamos de tomar o café, me ofereço para ajudá-la com a louça, mas ela me dispensou.

 

- Prefiro que você vá logo embora, Mari. Vou buscar as meninas na casa das amigas delas.

 

- Se você não se importar eu gostaria de depois encontrar com as meninas. Quem sabe levá-las ao cinema ou algum outro programa.

 

- Tudo bem, depois você combina com elas. - Fala sem me olhar.

 

- Então eu já vou indo Nanda.

 

- Que droga Mari, não foi assim que eu imaginei que a gente ia se separar hoje. Você saindo correndo para ir atrás de outra mulher. - Ela desabafa e vai para a sala. Vou atrás dela.

 

- Fernanda...

 

- Não fala nada. Só me beija. - Ela se joga nos meus braços, sem me dar a chance de recusar o contato.

 

Cheguei à casa da minha mãe cheia de ideias sobre o que faria para recepcionar minha inglesinha e torcendo para que ela não estivesse magoada comigo. Depois do almoço pedi o carro emprestado a Carla, e fui para o shopping providenciar algumas coisas que ia precisar para fazer uma surpresinha para Adele. Nesse meio tempo recebi uma mensagem dela dizendo o horário que chegaria.

 

No shopping entrei em várias lojas e não consegui encontrar o que estava procurando, até que na última loja encontrei o que eu queria. Segui para o hotel de frente para a praia que havia feito reserva, queria deixar tudo preparado para quando o meu amor chegasse. Tomo banho, me perfumo e sigo para o aeroporto.

 

Fico esperando no portão de desembarque e quinze minutos depois do esperado surge a minha inglesinha, puxando sua pequena mala. Assim que me vê ela dá aquele sorriso largo que me faz derreter toda. Parece que não nos víamos há meses. Adele está linda, mas percebo que seus olhos carregam uma tristeza e tentou esconder as olheiras com maquiagem.

 

Ficamos abraçadas por um bom tempo, quando me afasto para dar um rápido selinho, ela vira o rosto e beijo sua bochecha. Não estranho, pois certamente ela está chateada com tudo isso que aconteceu esse final de semana. Mesmo que ela tivesse incentivado a me resolver com Fernanda antes de dar continuidade ao nosso relacionamento.

 

- Como você está meu anjo?

 

- Cansada Mari, precisando de um banho relaxante e dormir até amanhã.

 

- Seu desejo é uma ordem, meu amor! - Pego sua mala e vamos em direção ao estacionamento. - Como foi o show de ontem?

 

- Foi bem.

 

Tentei conversar com Adele, mas ela não queria muito assunto comigo. Estranhei porque ela é sempre tão falante.

 

- Não quero conversar agora, Mari. Nem sei se quero ouvir o que você tem pra me dizer.

 

- Ok, vou respeitar seu tempo, meu bem. - Sigo dirigindo sem falar mais nada. Já imaginando que vacilei feio em ter ido ao jantar e ficado com Fernanda. Com esse final de semana distante Adele teve tempo para refletir e perceber que, apesar de ter incentivado meu encontro com Fernanda, não queria ter sido traída. Percebo que ela está magoada e triste, com toda razão. Quando paro em frente ao hotel, que fica no Aterro do Flamengo, com vista para o Pão de Açúcar, Adele me olha sem entender porque estávamos parando ali. - Acho que precisamos de um tempo pra gente e um pouquinho de privacidade para conversarmos. Então decidi que não seria ruim fazer isso aqui nesse hotel, mas se você não quiser, nós podemos ir embora. Só preciso pegar minhas coisas no quarto e fechar a conta.

 

- Tudo bem, podemos ficar por aqui. Talvez seja melhor a gente resolver as coisas com mais privacidade. - Adele responde sem muito entusiasmo. E seguimos em silêncio até o quarto no último andar do hotel.

 

Abro a porta do quarto e Adele percebe a decoração especial. Eu havia espalhado alguns girassóis pelo quarto, pois essa flor me lembrava do sorriso que ela sempre me dava quando nos encontrávamos. Ela percebeu a minha intenção, que era dizer que eu não havia me esquecido dela.

 

Como não gosto mais de deixar as coisas para depois fui logo falando:

 

- Adele, eu sei que você não quer conversar, tudo bem eu respeito isso, mas eu preciso falar. Você sabe que eu não faço a linha super-romântica. Nunca tive no meu repertório lindas e impactantes frases de amor, mas isso não quer dizer que eu ame menos, ou com menor intensidade que as pessoas que tem o dom da palavra. Sei que vacilei com você. Agora entendo que lá no fundo, toda vez que você me dizia para ir atrás da Fernanda, você queria que eu dissesse que tudo que eu queria eu encontrava em você. E de fato, tudo que eu sempre quis, quero e preciso, eu encontro em você. Não vou negar que foi muito importante passar esses dias com a Fernanda, porque eles me deram a certeza de que não é dela que eu preciso para ser feliz e me sentir completa. Eu preciso, sim, do seu sorriso, do seu olhar brilhante e apaixonado para mim. - Adele senta na cama de costas para mim, e percebo que algumas lágrimas correm pelo seu rosto. - Eu preciso sentir o encaixe perfeito da sua boca na minha, do seu corpo junto ao meu quando fazemos amor, de você cantando pra mim quando eu estou estressada por qualquer motivo. Preciso ter a certeza de que você é tão minha quanto eu me sinto sua.

 

Aproximo-me da cama, fico de joelhos, seguro suas mãos e miro seus olhos.

 

- Por tudo isso e tudo que vivemos nesses últimos meses, eu gostaria de saber se você quer continuar sendo o sol que ilumina os meus dias, o motivo do meu sorriso, a razão da minha existência. - Tiro a caixinha vermelha do meu bolso e, mostro as alianças em ouro branco com as nossas iniciais gravadas na parte de dentro.  - Adele, quer casar comigo?

 

Para meu espanto, Adele se levanta chorando mais que já estava, corre em direção ao banheiro e lá se tranca. Assim que me recupero do susto vou até a porta do banheiro.

 

- Meu amor, fala comigo! O que foi que aconteceu? Eu falei alguma coisa errada? Você não quer casar comigo? - Escuto o choro dela cada vez mais alto. - Adele, não faz isso comigo, meu anjo!

 

- Não quero falar com você Mariana. - Fala entre soluços.

 

Sigo desolada em direção à janela. Nem a linda vista do Pão de Açúcar me anima. Tenho certeza que Adele não me quer mais. Como pude decepcionar a pessoa que mais me fazia bem. Que droga, como pude entender tudo tão errado? Mais uma vez Fernanda ferrando com a minha vida. Não, a culpa não é dela. Eu que fui idiota mesmo!

 

Depois de alguns minutos me dou conta que não havia mais o som do choro vindo do banheiro. Preocupada com o silêncio, vou até a porta, quando levanto a mão para bater, esta se abre. Minha inglesinha aparece com os olhos inchados e vermelhos pelo choro.

 

- Adele, eu imagino que você esteja magoada...

 

- Não fala mais nada Mariana. - Me interrompe de maneira fria. - Você não faz ideia do que eu estou sentindo. De como me senti esses dois dias, sabendo que você estava na cama daquela mulher. Você não tem noção do quanto eu me odiei por ter te incentivado a ir nesse jantar. Como eu me senti idiota.

 

- Meu amor, você foi a mulher mais corajosa e altruísta que eu conheço. Pensou primeiro em mim, na minha felicidade, me deixou livre para que eu decidisse o que eu queria para a minha vida. No fundo, eu sempre soube que você é o que eu quero para a minha vida. O meu tempo com a Fernanda passou. Você chegou e preencheu maravilhosamente todos os espaços da minha vida. Hoje eu sei que tudo que eu quero e preciso para ser feliz é ter você na minha vida. Por isso eu volto a pedir, apesar de ter feito você passar um final de semana de cão, casa comigo e me deixa fazer você a pessoa mais feliz do universo!

Adele vai até a janela e fica olhando a paisagem.

 

Case-se comigo - Vanessa da Matta

Antes que amanheça
Antes que não pareça tão bom pedido
Antes que eu padeça
Case comigo
Quero dizer pra sempre
Que eu te mereço
Que eu me pareço 
Com o seu estilo
E existe um forte pressentimento dizendo
Que eu sem você é como você sem mim
Antes que amanheça, que seja sem fim
Antes que eu acorde, seja um pouco mais assim... 

Notas finais:

Esse é o link da música do capítulo! 

https://www.youtube.com/watch?v=WESr_W20MCY

 

Recomeço por preguicella

- Não Mariana, eu não quero casar com você.

Senti um aperto no peito, meus olhos se encheram de lágrimas e as pernas fraquejaram, tive que sentar. Fui uma idiota e acabei perdendo meu amor, por conta de uma história que não consegui deixar para trás.

- Eu peço desculpas por te fazer sofrer Adele. - Levanto e sigo em direção à porta. As lágrimas já corriam soltas. - Nunca foi minha intenção te magoar, mas magoei né? Eu não vou mais te incomodar. Você pode ficar aqui por dois dias, já está tudo pago. Eu vou ficar na casa da minha mãe, quando você quiser conversar é só me procurar. - Abro a porta e sinto seus braços em volta da minha cintura.

- Ei, eu só disse que não quero casar com você. Não que não quero mais você na minha vida. - Não aguento mais segurar as lágrimas e caio num choro convulsivo. Adele me vira de frente pra ela e me abraça. - Não fica assim meu anjo. Eu não imaginava que te apoiar e deixar livre para estar com Fernanda ia me machucar tanto, preciso de um tempo para digerir isso tudo.

- Eu pensei que tinha perdido você. - Falo entre soluços. - Por que você me deu um susto desses? Sua boba. - Dou um tapa em seu ombro.

- Vamos sentar na cama. Eu sou louca por você Mari, mas foi tão difícil saber que você estava com ela, pensar que você podia escolher ficar com ela, e me deixar. E agora você vem assim, e me pede em casamento. Não é assim que as coisas têm que acontecer. Nessa correria toda. Eu não consigo pensar nisso agora. A gente tem que conversar, as coisas estão tão estranhas, mas a gente vai ter que conviver com isso. Só que agora eu só quero ficar grudada em você. Eu estou tão cansada, não dormi nada esses dias, eu preciso descansar. Deita comigo?

- Claro meu amor, tudo que você quiser e precisar.

Adele deita em meu peito, fico fazendo carinho em seus cabelos, até perceber que ela dormiu. Fico pensando em tudo que aconteceu em minha vida nessa última semana. Sem perceber pego no sono também.

- Ainda está com muito sono minha Bela Adormecida? - Acordo sentindo os carinhos de Adele em meu rosto.

- Hum, acordar assim é tão bom!

- Estou com fome Mari, vai providenciar nosso jantar.

- Tô aqui gatinha, pode aproveitar a vontade.

- Deixa de ser besta Mariana, eu vou tomar um banho enquanto você pede o jantar.

Pedi uma massa para Adele, e um filé com fritas para mim, para acompanhar um vinho tinto português que ela adora, e pedi uma caipirinha para mim. Como sobremesa pettit gateau com sorvete. Enquanto esperava ela sair do banho, coloquei uma seleção de músicas que gostávamos para tocar.

Minha inglesinha saiu do banheiro de roupão, com os cabelos molhados caindo sobre seus ombros e eu ali babando no quanto ela fica linda assim ao natural. Fica vermelha ao perceber meu olhar de cobiça.

- Vou tomar um banho rapidinho, se a comida chegar você recebe meu amor?

- Vai lá minha linda, não se preocupe.

Tomei um banho relaxante, e quando saí o jantar já tinha chegado, a mesa estava posta e Adele estava com uma taça de vinho na mão.

- Espero que você não fique chateada por eu já estar bebendo, meu anjo. Hoje você vai me acompanhar numa taça?

- Claro que não me importo amor. Aceito um taça sim. - Adele começa a me servir o vinho, e vou me aproximando dela mesmo com medo de ser rejeitada. Passo o braço em sua cintura e dou um beijo em seu ombro. Percebo que sua mão dá uma leve tremida enquanto coloca o vinho na taça, mas não se esquiva do meu toque.

- Vamos comer logo, antes que esfrie?

- Claro. - Me aproximo de seu rosto e dou um selinho, que é correspondido.

Jantamos no mesmo clima de leve que sempre tivemos, trocamos olhares apaixonados, carinhos e damos muitas risadas. Adele estava mais solta, brincava, e não só pelo incentivo do vinho, mas por conta da nossa cumplicidade e companheirismo.

Assim que terminamos fomos para a sacada e ficamos apreciando a vista, a cidade iluminada e o céu estrelado. Eu, que não sou besta nem nada, fui me aproximando, assim como quem não quer nada, até ficar bem juntinho dela, passando meu braço por sua cintura.

- Mari, não pense que eu não estou percebendo você se chegando não, viu, sua bobinha. - Adele se vira para mim e fala. - Não precisa ficar com essa carinha de cachorro que caiu da mudança não, meu amor. Eu continuo te amando e querendo ficar com você. Só a questão do casamento que a gente vai repensar mais tarde. Enquanto isso a gente vai namorando, se amando, namorando mais um pouquinho, até a gente decidir o que vai fazer. O que você acha da minha ideia?

- Desde que você esteja comigo, eu topo qualquer coisa que você me propuser, mas nesse instante, mesmo sabendo que eu tenho dois pés esquerdos, dança comigo?

Estava tocando thank you, da Dido. Colamos nossos corpos e seguimos o ritmo da música. Adele passou os braços em torno do meu pescoço, enquanto eu fazia carinhos nas suas costas, pescoço e cintura. A cada toque mais ousado sentia que sua respiração se tornava mais ofegante. Não deixando por menos, ela colocou as mãos por dentro do meu roupão, me fazendo soltar um gemido e perder o passo na dança, foi alisando minha barriga, minhas costas. Não aguentando mais puxo seu rosto para um beijo cheio de vontade.

Sem que eu percebesse, Adele me conduzia até a cama. Só percebo quando caio sentada e ela sobe no meu colo, sem deixar de me beijar. Só nos afastamos quando perdemos o fôlego. Ela me olha com tanto desejo. Enquanto suas mãos afastam o roupão do meu corpo, e eu tiro seu vestido com pressa. Minha inglesinha não perde mais tempo, me faz deitar na cama e toma meus seios com paixão. Abraço seu corpo com medo dela se afastar e querendo aumentar o contato entre nossos corpos. Meu corpo parecia queimar de desejo. Seus olhos brilharam ao ver como eu enlouquecia com seu toque. Delicadamente eu passo as mãos nos seus seios, ela fecha os olhos e solta um gemido. Levanto meu tronco e faço carinho em seus seios com a minha boca. Adele faz com que eu me deite e fala:

- Hoje você é minha e você vai ficar bem quietinha.

Deitou sobre meu corpo, deu beijos no meu pescoço, e vai descendo, passa pelos meus seios, barriga e pelo ventre, chegando até o meu sexo. Não consigo mais me conter e estremeço a cada toque em meu corpo. Puxo Adele para cima, beijo sua boca e peço:

- Amor, eu preciso te sentir, goza comigo. - Minha inglesinha junta nossos sexos, começamos a nos movimentar no mesmo ritmo, e rapidamente atingimos o orgasmo. E nos amamos mais algumas vezes, para matar a saudade e afastar aquele sentimento incômodo que ficou com a possibilidade da gente se separar.

Alguns dias depois de nos entendermos, e eu ter aceitado que ainda não seria o momento de nos casarmos, voltamos para a casa da minha mãe, onde ficamos até o final das férias.

Decidimos de comum acordo voltar para Londres, Adele teria mais chances de decolar a carreira na Europa, e eu aceitei a proposta de trabalho. Minha família ficou meio arrasada porque decidimos partir. Deixei Luana encarregada da minha saída da sociedade do escritório, não fazia o menor sentido eu continuar sem pretensão de trabalhar novamente com eles, e sem a menor previsão de quando voltaria ao Brasil.

Não encontrei mais com Fernanda, nem fui visitar as meninas, como tinha prometido. Não quis dar margem para que Adele ficasse insegura a respeito do que eu sentia por ela.

Descobri que Luana e Carla estavam de rolo. Segundo elas disseram, estavam se conhecendo, romanticamente falando, e que tudo começou depois que elas se reencontraram com a minha volta ao Brasil. Estavam com medo da minha reação, duas bobas, porque eu fiquei muito feliz pelas minhas duas irmãs estarem juntas, fiquei na torcida para que tudo desse certo entre elas, mas mesmo assim dei uma puxada na orelha da Lua, ela que se comportasse e tratasse bem a minha irmãzinha caçula.

Infelizmente estávamos voltando para a Inglaterra sem nenhuma pista da família de Adele no Brasil.

Chegou o dia da nossa volta, entre lágrimas, sorrisos e abraços, vamos nos despedindo da enorme caravana que foi nos levar ao aeroporo. Com direito a minha família, Luana, Ricardo, Renata, Marta e de longe Fernanda. Não fiquei surpresa, acho que já esperava por isso, ela veio me ver chegar de longe, não duvidei em momento algum que ela viria me ver ir embora. Só que dessa vez eu não fui até ela dar um abraço. Dessa vez não havia espaço para esse carinho, já que definitivamente eu havia me dado conta que não precisava mais dela para ser feliz, que a minha felicidade estava bem ali ao meu lado, junto da minha querida inglesinha. Dei um sorriso para ela, abracei Adele e seguimos para o embarque.

Sentadas nas nossas poltronas confortáveis, preparadas para 11 horas de viagem, Adele já vai se aconchegando em mim e dispara.

- Amor, tenho que te confessar uma coisa.

- O que você aprontou, hein, dona Adele? - Falo brincando.

- Eu não achava que você ia voltar comigo para Londres. Principalmente quando a gente chegou e a Fernanda estava aqui te esperando.

- Você achava mesmo que eu ia escolher ficar com ela? - Afasto meu corpo e levanto o rosto de Adele.

- Eu percebi o quanto você ficou mexida com ela. Por isso insisti tanto para que você fosse encontrá-la. E não pense que eu não a vi aqui hoje, porque eu vi. Você até podia ter ido se despedir dela.

- Meu amor, o espaço que ela teve na minha vida foi completamente preenchido por você, e te peço mil desculpas por ter feito você sofrer. Só me dei conta de que já não precisava mais da presença dela depois daquele final de semana. - Falo olhando bem dentro dos seus olhos para que ela não tenha a menor dúvida a respeito dos meus sentimentos. - Eu não fui falar com ela porque tudo que nós tínhamos para falar já foi dito naqueles dois dias. Agora minha vida é você. Te amo muito, meu anjo.

- Te amo mais! - Trocamos um beijo apaixonado. - A Europa que nos aguarde!

 

O tempo foi passando e a nossa interação estava cada dia era maior. Adele acabou se tornando uma grande produtora musical, e precisava viajar constantemente pela Europa, produzindo novos talentos. Eu acabei me tornando a gerente do setor de informação do escritório de advocacia que fui contratada, e também precisava viajar constantemente, fazendo visitas aos escritórios espalhados pela Europa e algumas vezes também tinha que ir para a America do Norte.

Vai fazer dez anos que estou morando em Londres e já não me sinto mais feliz. Estamos numa fase em que praticamente não nos encontramos mais, e está ficando insustentável viver assim. Quando uma está em casa a outra não. Apesar do amor, carinho e amizade, nós começamos a nos afastar. Já não há mais aquela felicidade do reencontro. Nós ainda tentamos viver assim já faz alguns anos mais não está dando certo. Eu ando sentindo uma saudade absurda da minha família, do meu Rio de Janeiro, do calor carioca, coisa que sempre disse que jamais iria sentir falta. Me deu uma vontade doida de largar tudo aqui e voltar pra casa.

Em um dos poucos momentos em que conseguimos nos encontrar, cara a cara e não através de vídeo na internet, chamei Adele para conversar. Estávamos sentadas em nossa sala de TV conversando sobre tudo que estava acontecendo nas nossas vidas.

- Anjo, nós precisamos conversar sério sobre nosso casamento. Eu sei que você não quer falar sobre isso, mas a gente tem que falar sobre essa distância que estamos vivendo e que não está nos fazendo bem. Eu te amo e vou amar para sempre, você vai ser sempre a minha maior amiga e a pessoa que mais me entende, mas como casal a gente não está mais funcionando. - Falo com lágrimas nos olhos. - É duro admitir isso por conta de tudo que a gente já viveu, mas nós precisamos encerrar esse ciclo minha linda.

- Eu sei. - Me responde chorando. Vou até ela e a abraço.

- Não precisa ficar assim, minha linda. A gente só não vai mais estar casada, mas vamos continuar nos falando como sempre, via internet. - Acabamos rindo.

- Mas é estranho saber que você não vai ser mais minha. Eu sei que a maior parte da culpa de chegarmos nesse ponto é minha, me dediquei demais ao trabalho e deixei você de lado.

- Não fala isso. - Interrompo sua fala. - Nós duas somos culpadas, porque eu também tenho culpa. Eu percebi que estávamos nos afastando e não fiz nada para mudar isso. Também comecei a viajar aumentando a distância entre nós.

- A gente pode tentar fazer terapia. Ainda nos amamos.

- Meu anjo, é claro que a gente se ama. Nós estamos juntas há dez anos, são anos de cumplicidade, respeito e amizade, mas já não temos mais tesão, você chegou e a gente nem se deu ao trabalho de tentar fazer amor. Eu sei que uma hora o tesão acaba diminuindo, que um casamento não vive só de sexo. Não adianta mais ficar tentando consertar o que já não tem mais jeito. E eu quero voltar para o Brasil. Eu tô com saudades da minha família, do calor do Brasil.

- Você vai me deixar aqui sozinha?

- Adele, sem dramas meu anjo. Nós passamos a maior parte do tempo sozinhas. Quando você quiser me ver, é só fazer uma escala rápida no Rio.

Depois dessa conversa, nós chegamos à conclusão que seríamos mais felizes nos separando, e cada uma seguindo o seu caminho. Pedi demissão, não aceitaram. Como já estávamos em processo de expansão, me deram a possibilidade de ser a gerente de informação da América Latina, com base no Rio.

E cá estou eu de volta à cidade maravilhosa, vendo meu Rio querido do alto e ouvindo tocar no meu fone, "minha alma canta, vejo o Rio de Janeiro, estou morrendo de saudades..." Cheguei sem contar nada para ninguém, vai ser uma mega surpresa para todo mundo.

Desembarco e aguardo minhas malas aparecerem na esteira quando uma menina lourinha chama a minha atenção por achar que a conhecia de algum lugar. Ela devia ter uns vinte anos, e de vez em quando também me dava umas olhadas. Não, eu não estou paquerando a menina e acredito menos ainda que ela esteja. Coincidentemente nossas malas estão lado a lado na esteira. Coloco minhas malas no carrinho e sigo em direção ao portão de saída. Como não havia ninguém me esperando, não me dei ao trabalho de procurar algum rosto conhecido. Estou concentrada no meu celular procurando o aplicativo para pedir um táxi, quando sinto o meu carrinho batendo em outro. Levanto a cabeça para pedir desculpas e qual não é a minha surpresa em perceber que bati no carrinho da lourinha. De repente escuto uma voz que já não ouvia há anos.

- Clara meu amor, mal chegou e já está batendo no carrinho dos outros. Moça desculpa a minha filha, ela sempre foi desastrada assim mesmo.

- Mãe, pelo amor de Deus, eu não preciso que você peça desculpas por mim. - A lourinha se vira em minha direção e fala. - Desculpa aí moça.

Eu não queria acreditar que essa coincidência estava acontecendo e me viro em direção à mãe da menina. E percebo a sua cara surpresa ao ver em quem a filha dela esbarrou. Fernanda abre e fecha a boca várias vezes sem saber o que falar.

- Mariana, que surpresa.

- Como vai Fernanda? Acho que podemos dizer que o aeroporto é o nosso ponto de encontro preferido não é mesmo? - Falo sorrindo.

- Acho que tá mais para brincadeira do destino mesmo. Você está vindo passar férias aqui? Muitas saudades da família?

- Não são férias, estou voltando para ficar. E sim, muita saudade da minha família. - Percebo um brilho diferente em seu olhar.

- E cadê Adele?

- Adele ficou em Londres, mas talvez mude para Nova York, não sei ao certo. Nós nos separamos. - Fernanda parece ficar sem saber o que dizer.

- Sinto muito Mariana. Separação nunca é fácil.

- Acredite, estamos bem, terminamos o nosso casamento de comum acordo.

-  E não tem ninguém te esperando?

-  Não avisei que vinha. Quero fazer surpresa.

- Bem, nós podemos te dar uma carona, não é mesmo Clara?

Havia esquecido que a menina estava ali.

- Por mim tudo bem, desde que a gente saia logo daqui. Eu estou louca por um banho e pela minha cama.

- Eu não quero atrapalhar vocês.

- Ah, deixa de bobeira Mari. Vamos lá. Sua mãe continua morando no Grajaú?

- Continua, sim.

Vamos em direção ao estacionamento. Ajudo Fernanda a guardar a bagagem na mala. Clara senta no banco de trás já se encostando para dormir mais um pouco, e deixa o carona para mim. Ficamos em silêncio até sairmos do aeroporto e entrarmos na linha vermelha.

- Sem querer parecer curiosa, mas já sendo, não sei quais são os seus planos, me antecipo em dizer, que sempre haverá uma vaga para você lá no escritório. Tenho certeza que falo por todo mundo.

- Obrigada Nanda! Mas eu já vim com emprego. Aliás, continuo trabalhando na mesma empresa, só mudei de cargo e país. Outra hora conversamos sobre isso. - Mudo de assunto. - Me conta de você, casada, namorando, enrolada?

- Solteira. - Responde olhando bem dentro dos meus olhos, volta a prestar atenção no trânsito e continua. - Tive alguns casos, mas nada sério. Continuo esperando o grande amor da minha vida chegar.

Minha vez de ficar sem saber o que dizer. Será que isso foi uma indireta, bem direta para mim? Não, não acredito que ela esteja ainda pensando que nós podemos ter alguma coisa. Será, gente, que depois de tanto tempo ela não tenha me esquecido?

- Imaginava qualquer coisa, menos que você estivesse solteira. Onde essas mulheres andam com a cabeça em deixar um mulherão como você solta pela cidade? Essas cariocas não são mais de nada, viu.

- Talvez a futura dona do meu coração não estivesse na cidade. - Ela responde rindo. E eu entro na brincadeira.

- E será que ela já chegou? - Respondo com outra pergunta.

- Tenho certeza que sim. Vou dar só um tempinho para ela se adaptar à cidade e vou pegar ela definitivamente para mim. - Dá um sorriso de lado e pisca para mim...

"Vou deixar, a vida me levar, pra onde ela quiser. Seguir a direção de uma estrela qualquer..." (Skank, vou deixar)

Notas finais:

Queridonas, Recomeçar chegou ao seu último capítulo, vou sentir saudades, mas acho que logo, logo tô voltando!

Gostaria de pedir desculpas pela demora em publicar, como algumas de vocês sabem, tive problemas pessoais, mas agora as coisas estão entrando nos eixos. E aproveitar para agradecer por cada comentário, elogio, incentivo e paciência!

Beijos no coração de todas!

Esta história está arquivada em https://www.projetolettera.com.br/viewstory.php?sid=648