Shape of you por Val8005
Summary:

Entre inúmeros desconhecidos, dois olhares se cruzam inesperadamente na multidão. E esse acaso pode mudar para sempre suas vidas.

Ps: Essa pequena história foi escrita em parceria com a querida autora Sônia Germany.    


Categoria: Romances Characters: Original
Challenges:
Series: Nenhum
Capítulos: 1 Completa: Sim Palavras: 6858 Leituras: 2206 Publicada: 18/04/2021 Atualizada: 18/04/2021

1. One-Shot - O início de tudo por Val8005

One-Shot - O início de tudo por Val8005

 

 

Dias atuais

 

Devidamente vestida, em frente ao espelho, Julianne finalizava sua maquiagem para ir àquele jantar especial.

Essas datas sempre vinham acompanhadas com uma
sensação de leveza pelas decisões tomadas havia alguns anos. E, a belíssima aliança, devidamente colocada em seu dedo anelar esquerdo, era o símbolo daquela comemoração.

Distraída, ela cantarolava as músicas que aleatoriamente tocavam. No entanto, uma canção chamou-lhe a atenção.

Parou por um instante, nascendo em seus lábios um terno sorriso ao recordar um passado não tão distante...

 

Quatro anos antes...

 

The club isn't the best place
A balada não é o melhor lugar
to find a lover
para encontrar um amor
So the bar is where I go
Então o bar é pra onde eu vou

 

De forma alguma planejaram aquilo, verdade seja dita, elas nem queriam.

Sequer acreditavam que seria possível sentirem-se hipnotizadas por uma estranha em meio à multidão.

Mas, de fato, estranharam a sensação de compreenderem a crucial diferença entre o ver e o enxergar. Como se olhassem para uma tela surrealista ou uma figura de sentido duplo e, conseguissem entendê-la com tamanha clareza, como se fosse de sua própria autoria.

Viam tudo à volta, os sons, as conversas, todo movimento. Porém, no instante em que seus olhares se cruzaram, genuinamente, se enxergaram.

 

Me and my friends at the table,
doing shots
Eu e meus amigos na mesa,
virando doses
Drinking fast and then
we talk slow
Bebendo rápido e então
falamos devagar

 

Após um longo suspiro, sentada à mesa de um bar qualquer, Amber escutava as mesmíssimas piadas infames de seus amigos, Ora sorria por educação, ora por falta de opção.

Quando o tédio fez-se presente, veio o desligamento dos diálogos alheios, sua mente vagou para algo minimamente interessante e este veio em forma de uma batida agradável, fazendo seus dedos baterem contra a mesa, tentando seguir o ritmo daquela canção.

Um leve balançar de cabeça, o contentamento com a letra e em uma sutil mudança em seu foco de visão, dois olhares encontram-se. 

Um discreto sorriso no canto dos lábios surgiu, imperceptível aos outros que as cercavam, porém, tangível a elas.

 

Come over and start up a conversation with just me
Venha e comece uma conversa só comigo
And trust me, I'll give it a chance
E confie em mim, eu te darei uma chance

 

Ao notar aquela bela mulher de cabelos negros fitando-a, Julianne Hill logo pensou: Ela não está olhando para mim!

Ingenuamente, olhou para um lado, depois para o outro, procurando o motivo daquela morena estar olhando em sua direção, mas logo constatou que estava realmente sendo observada por aquele olhar, que classificou como extremamente profundo.

_ Vou buscar umas cervejas. _ disse aos amigos da mesa, que imediatamente assentiram.

Sentiu seus movimentos serem gravados pelo olhar da estranha, levantou-se e seguiu abrindo espaço entre as inúmeras pessoas que tinham seus corpos embalados pelo ritmo delicioso daquela música.

Encostou no balcão aguardando ser vista e nem mesmo ousou olhar na direção da desconhecida.

Sem perceber, cantava o refrão da música, interrompendo apenas para fazer seu pedido.

Aguardou.

_ Olá...

O som daquela voz atravessou seu corpo como uma corrente elétrica, um simples olá, que fez os cabelos da nuca arrepiarem de maneira instantânea.

_ Oi... _ respondeu despretensiosa, voltando a atenção para o barman.

_ É sério isso? _ questionou a misteriosa morena com visível escárnio.

_ Desculpe? _ olhou-a com os olhos semicerrados.

_ Você estava flertando comigo daquela mesa. _ apontou _ E, agora está me ignorando?

_ Eu não flertei com você. Nem te conheço.

_ Flertou. E, meu nome é Amber Walsh. _ estendeu-lhe a mão.

_ Hum... _ olhou desconfiada para a mão estendida, por fim, retribuiu _ Anne.

_ Okay, Anne. Agora que me conhece, poderia parar de fingir que não flertou comigo? _ aquela mulher era realmente debochada.

_ Meu Deus, você acha que só por alguém olhar na sua direção está flertando com você?

Ela olhou para cima pensativa, antes de responder.

_ Basicamente, sim.

_ Uau. Que modesta! E, só para constar, eu não te conheço, apenas sei o seu nome.

_ Você é sempre chata assim?

_ Não, só com pessoas que, aparentemente, se acham o centro do universo. _ as duas se encaravam em desafio, mas a pequena guerra foi interrompida de maneira inesperada.

_ Julie! E, as cervejas!? _ gritou Brooke da mesa.

Ouvindo seu nome, a loira fechou os olhos e apertou os lábios, desejando jogar cada bebida na cabeça da amiga dedo-duro.

_ Julie... _ caçoou Amber  _ Parece que além de chata, também é mentirosa, não é, Anne!?

Ela voltou-se para a desconhecida irritante.

_ Não é mentira! Esse é meu outro apelido e... _ desistiu de explicar _ Na verdade, não te interessa qual é meu nome. Nem sei porque estou falando sem parar diante de uma estranha, que visivelmente está rindo da minha cara. _ o semblante de Amber era indecifrável, mas o sorriso era sem dúvida sarcástico _ E eu agradeceria se parasse de me olhar assim, ou acabarei desperdiçando todas essas bebidas em você, aliás as cervejas estão esquentando e meus amigos vão querer me matar por isso. _ pausou tomando fôlego.

_ Só uma pergunta... _ fitou-a.

Ao ouvir isso, Julie revirou os olhos.

_ Ok.

_ Onde desliga?

_ Como assim? _ Julie não entendeu.

_ Onde desliga sua matraca!

Julie abriu a boca para argumentar, mas desistiu ao vê-la pegando algumas cervejas do balcão e indo até a mesa de seus amigos.

_ Que maluca! _ pegou o restante das bebidas, levando-as também à mesa.

_ Olá, cerveja para todos! Eu sou Amber, amiga da Anne, ou melhor, da Julie. _ havia ironia em sua voz.

_ Hey, sente-se conosco! _ disse um dos amigos.

Todos acolheram a morena, sob o olhar observador da outra mulher. E, em poucos minutos todos riam das piadas malucas dela, que em grande parte eram acontecimentos da sua própria vida.

A certa altura, já lhe chamavam pelo apelido e bebiam juntos.

_ Amb, venha nos visitar quando for ao Arizona. _ convidou-a Jamal, um rapaz de descendência árabe que também acompanhava Julie.

_ Não convidem porque acabo aceitando. _ brincou.

_ Mas, é sério. _ falou Jon, um dos amigos que ali estava _ Anota aí meu número. _ o bonito negro, adiantou-se a entregar-lhe seu celular.

Em silêncio, Julie observava aquela troca de contatos.

_ Aí você vai conhecer um bom churrasco. Não aquilo que vocês comem em NY. _ brincou a simpática Brooke.

_ Ou a nova-iorquina vai ensinar a prepararem o melhor churrasco da vida de vocês. _ rebateu a morena divertida.

_ Vai sonhando! _ retrucou Jamal. Depois virou-se para Julie _ Onde você encontrou isso tudo? _ cochichou no ouvido da amiga, referindo-se a bela mulher.

Ela fez uma cara indecifrável como resposta, mas falou consigo atentando-se à Amb: Acho que foi ela quem me encontrou...

 

E os assuntos continuaram.

 

_ Julie, está divertido assistir a isso. _ Brooke sussurrou para a amiga, em uma conversa paralela.

_ O quê?

_ Eles babando em cima da morena, quando na verdade, ela não tira os olhos de você.

_ Quanto você já bebeu?

_ O suficiente para perceber seus olhares também. _ piscou para Julie, que balançou a cabeça de um lado ao outro em negação.

 

Mal terminaram aquele diálogo e outro já se iniciou.

 

_ Fechou mesmo a matraca? _ Amber finalmente voltou a falar com ela.

_ Por que você só fala comigo para me alfinetar?

_ Porque sua cara é impagável! _ gargalhou, mesmo sendo fuzilada pelo olhar daquela loira de delicados traços.

Foram interrompidas por uma amiga de Amber que passou pela mesa.

_ Amb, vamos indo...

_ Okay... _ virou-se para os outros _ Pessoal, essa é Zoe, minha amiga de todas as horas.

Zoe cumprimentou a todos, dedicando um olhar mais intenso à Brooke, que retribuiu.

_ Pode ir na frente, daqui a pouco também vou. _ avisou à sua amiga, que logo saiu em companhia de outra pessoa.

_ Galera, é cedo mas, é melhor também irmos. Pela manhã voltamos para casa. _ disse Jon e virou-se para a nova amiga _ Garota, te esperamos no Arizona!

_ Pode deixar!

_ Eu vou ficar mais. _ avisou Jamal e tentou, em vão, persuadir Amber a fazer-lhe companhia, porém, alegando cansaço ela despediu-se do rapaz.

No entanto, com discrição, falou ao ouvido de Julie.

_ Vem comigo... _ novamente aquela voz causara-lhe arrepios.

_ Está louca!?

A morena somente olhou-a nos olhos, com uma firmeza que fez suas pernas estremecerem.

E isso bastou.

_ Vou... _ Julie respondeu sem saber porque disse aquilo, sentiu-se surpresa com sua própria resposta. Depois voltou-se aos amigos _ Pessoal, vou pegar uma carona com a Amber. Nos vemos amanhã!

Eles acenaram.

Brooke sorriu, aquilo foi a confirmação de sua teoria: A amiga estava interessada em uma mulher, mesmo sendo comprometida com um homem, que aliás, ela não nutria grande simpatia.

_ Divirta-se! Você está precisando... _ Brooke falou quase em mímica, antes de entrar no carro.

A loira de belos olhos azuis ainda estava na frente do bar, quando Amb aproximou-se, observando também eles partirem.

_ Você é algum tipo de serial killer ou coisa assim? _ inesperadamente Julie indagou-lhe, fazendo-a gargalhar.

Depois, já com seriedade, respondeu sem pestanejar.

_ Descubra sozinha... _ puxou-a​ pela mão.

E, minutos depois, estavam em um táxi, conversando naturalmente. E, para a surpresa de Julie, sentiu-se tão à vontade, que até esquecera que mal se conheciam, nem mesmo questionou para onde estavam indo, julgou que dirigiam-se a outro bar.

Tudo entre elas, parecia tão familiar... Habitual.

_ Chegamos... _ avisou, abrindo a porta, assim que o carro estacionou.

Julie deparou-se com a entrada de um hotel acolhedor.

_ Espere. Vamos ao bar desse hotel? _ questionou descendo do veículo.

_ Se quiser... Mas, também podemos subir para minha suíte e bebermos por lá. _ andou dois passos, mas voltou por vê-la parada _ Anne?

_ Você está me dizendo para entrar em um quarto no início de uma madrugada com uma total estranha!?

Dessa vez foi Amber quem revirou os olhos, enfadada.

_ Não pira, Anne. E, não se ache tão irresistível assim... _ deu-lhe as costas _ Vamos... _ disse sem nem mesmo olhar para trás.

Julie deu um grande suspiro.

_ Hum... _ adentrou e em segundos estava ao lado da morena dentro do elevador.

Ela batia o pé de forma nervosa enquanto o elevador seguia até o andar selecionado por Amb. Olhou disfarçadamente para a morena e sentiu o coração pulsar com intensidade. Instantes depois, desesperou-se ao notar o que estava fazendo. Mas, seu temor chegou tarde demais, as duas já estavam chegando à suíte.

Aquele era um lugar bonito e agradável. Julie entrou notando cada minúsculo espaço do local.

Abriram umas bebidas e voltaram a falar de suas vidas, sentadas na poltrona.

Amb, falou sobre sua paixão por publicidade, mas que jogava pôquer profissionalmente. Julie contou-lhe de seu trabalho como Física e do Congresso que participara em San Francisco, cidade onde estavam.

Francamente, a loira falava sem parar...

Amber respirou longamente, ela via o nervosismo da outra mulher, o falar desenfreado parecia uma arma para se proteger.

Pena que não iria funcionar.

_ Shape Of You. _ disse fazendo com que Julie ficasse em silêncio e a encarasse confusa  _ Esse é o nome da canção do bar, eu vi como você gostou do ritmo, seu corpo vibrou com ele.

_ Não sou o tipo que dança.

_ Existem dois tipos de pessoas, as que não dançam e as que acham que não dançam.

_ Em qual das categorias você se encontra, Amber Walsh?

_ Posso mostrar a você... _ novamente a mão estendida fez Julie pensar sobre o que fazer _ Levante-se!

Não foi necessário uma quantidade de tempo significativa para os corpos ficarem próximos, uma sequência de movimentos depois e Julie já tinha a cintura enlaçada pelo braço de Amb, a perna da morena ficou entre as suas e os olhares intensos deram-lhe a certeza de que aquilo não iria parar por ali.

Elas começaram a se moverem, Amb guiava o quadril da loira que não conseguiu conter o tom rubro das bochechas.

_ A canção diz: "Estamos saindo no nosso primeiro encontro... Conversamos por horas e horas sobre os altos e baixos... "

A bela morena não cantava, apenas recitava a letra, Julie não precisou ouvir o ritmo, ela o sentia presente, estava ali no remexer dos quadris daquela mulher.

Continuou...

_ "Saímos e pegamos um táxi, nos beijamos no banco de trás... Garota, você sabe que quero seu amor."

A boca pronunciava cada palavra com extremo fascínio, Julie flagrou-se encarando aqueles lábios. Imediatamente parou de se mover, sua mente já procurava desculpas para sair daquele quarto, as palavras já estavam prontas para escapar de sua boca e...

Abruptamente, Amber beijou seus lábios.

A princípio somente um toque, com toda resistência por parte de Julie, que sequer se mexeu.

Mas, quando sentiu o toque daquela língua tentando invadir sua boca, permitiu-se abrir os lábios e sentir todas as sensações que ela trazia.

Bloqueou seus pensamentos e, com um sutil inclinar de cabeça, encaixou seus lábios e retribuiu aquele beijo em todas suas nuances. As línguas tocavam-se, com sugadas fortes da loira, que aumentou ainda mais a excitação que percorria todo corpo.

Por fim, a intensidade do beijou assustou-as e afastaram-se, com um profundo e intenso fitar.

_ Por que você fez isso? _ Julianne respirava ofegante e mesmo com voz suave, questionou.

_ Porque você não tirava os olhos dos meus lábios.

_ Eu não fiz isso...

_ Fez.. _ disse incisiva.

_ Não, Amber!

_ Ahan.

Sem alternativa, ela desistiu de negar o óbvio.

_ Okay, eu fiz.

Amb sorriu vitoriosa.

_ Fique à vontade... _ disse tirando suas roupas e jogando-as pelo chão.

_ O que... O que você está fazendo? _ indagou diante da atitude da morena.

Ela virou-se completamente nua.

A loira evitou encará-la.

_ Vou tomar um banho, só isso! _ deu de ombros, indo para o banheiro e ligando a ducha.

 

Ao ouvir a água caindo, Julie olhou para a porta da suíte pensando em sair dali, porém, foi até a pequena sacada. Admirou-se com a beleza da noite na capital californiana, sequer percebendo o tempo passar.

_ Que bela vista... _ instante depois, disse aquela voz grave. E ela não se referia à beleza da cidade.

Ela virou-se vendo Amb, de braços cruzados, vestindo apenas calcinha e uma camisa azul clara com mangas e somente dois botões fechados.

Dessa vez não evitou seus olhos passearem por aquele corpo, enquanto ela andava lentamente em sua direção.

_ É melhor eu ir embora... _ falou dando um passo para o lado e foi interrompida por uma mão forte que segurou seu braço.

Ficaram lado a lado.

_ Você não quer ir...

_ Eu nem sei porque estou aqui, Amb.

_ Então... _ a morena pôs-se de frente _ Fique e descubra.

Amber segurou seu rosto entre as mãos, trazendo-a. Seus lábios se tocaram com um desejo que até então desconheciam. Havia algo novo e inevitável entre elas.

Aquele beijo continha o inegável desejo, mas também sensações que não se explicam, pois, é preciso vivenciar para compreender. Não entendiam, mas decidiram não mais buscarem respostas plausíveis.

As mãos de Julie ainda mantinham o punho cerrado, como em negação de seus próprios instintos. Mesmo que seus lábios respondessem de outra forma, afinal, consentia que a língua de Amb invadisse cada espaço de sua boca. E, em cada compasso, afrouxava-se a força daquelas mãos fechadas, até finalmente, irem parar nos cabelos negros. E, imediatamente, Amb entrelaçou-a com seus braços.

Era tudo tão intenso que quando Julie percebeu, suas roupas nem mais estavam em seu corpo e o mais estranho foi, não constranger-se com isso.

Ela estava entregue diante daquela desconhecida, não havia mais como evitar. Desejava aquela mulher!

Amb sentia-se extasiada com aquela timidez e sensualidade. Com alguns passos, colocou a loira na parede, mas não intempestiva e sim calmamente.

Beijando-a, desceu a boca por seu corpo, com apenas uma parada... O meio de suas pernas. Arrancando todos os tipos de suspiros da loira, quando sentiu sua língua tocá-la. Foi um beijo de língua torturante e prazeroso. Desacreditava nas sensações que aquela boca lhe trazia.

_ Aiii Amb... _ gemeu entre palavras.

Bruscamente, Amb afastou-se sorrindo da feição de protesto de Julie.

Levou-a até a cama, sentou-se fazendo-a também sentar-se, mas em seu colo, de frente para ela.

Abraçou-a, beijando seus lábios, que eram de uma maciez que a excitava por completo. Passou as mãos pelas costas nuas de Julie, enquanto a loira segurava seu rosto, encaixando ainda mais seus lábios, num vai e vem de línguas inquietas.

Naquela boca Julie sentiu seu próprio sabor... Adorou!

A morena procurou por seu pescoço, lambendo-o por inteiro, descendo por um caminho pré-determinado, chegando aos seios dela e, sem mais pensar, abocanhou-os seguindo todos os seus instintos.

Sugou... Chupou... Deliciou-se.

_ Huuum... _ voltou a gemer com os olhos fechados e lábios entreabertos. E, prendendo-a pelos cabelos, aumentou o contato.

_ Você é tão linda... _ sussurrou. Amber realmente sentiu-se fascinada por aquela mulher.

_ Isso é loucura... _ repetiu inúmeras vezes. E, o gemido tornou-se grito, quando sentiu dois dedos de Amb lhe invadirem.

A respiração parecia pesar os pulmões, voltou seu olhar para aqueles olhos intensos, iniciando um mexer de quadris, lento, no entanto, ritmado.

Na morena aquele olhar trouxe uma estranha sensação: A de enxergar-se através dos olhos de alguém. Coisa inesperada para aquela mulher que buscava o máximo de diversão que a vida pudesse lhe proporcionar, nada mais.

Sentindo-se assim, não mais se segurou, puxou a loira para outro beijo ardente, com uma intensidade de sentimentos que ela mesma não conseguia explicar. Afinal, mal se conheciam, então, por que aquela mulher conseguia mexer tão profundamente com os seus sentidos!?

Aumentaram cada gesto e todo movimento. Julie rebolava enlouquecida nos dedos ágeis de Walsh. Cravando as unhas em suas costas, mas ela estava em êxtase, nem mesmo dor sentiu. Pois, atentar-se ao quanto prazer a loira sentia, tornou-se o seu prazer.

_ Goza pra mim... _ sussurrou sexy. Julie inclinou a cabeça para trás, em um gesto involuntário e, gemendo insana, obedeceu não só aquele pedido, como também a necessidade do seu corpo.

_ Ahhhhhhh...... Que delícia...

Amb jogou-a na cama, seu tesão não permitia tempo para pausas.

Deitou-se sobre o corpo suado de Julie, encaixando seu sexo na coxa da bela e exausta loira, que só a observava com um singelo e enigmático sorriso.

Se esfregou abandonando quaisquer sutilezas, apenas seguia seus desejos, que eram muitos.

Julie pegou seu rosto, trazendo para um beijo molhado, fazendo agora Walsh sugar sua língua, que dançava dentro da boca.

Sentir aquele beijo, fez com que acelerasse ainda mais o seu rebolado e atrito de corpos.

Ao perceber que Amber estava no limite, prendeu seus olhos nos dela, mais uma vez.

_ Agora, você... Você goza para mim... _ ordenou a voz pausada.

_ Quem é você afinal!? _ Amb sussurrou.

Mas, realmente questionou-se, diante do estranho poder que aquela mulher possuía sobre seu corpo.

_ Anne... aiiii.... Huuumm... _ não mais segurou a excitação, sua respiração acelerou, juntamente com seus movimentos, provocando em si um orgasmo delicioso e impetuoso.

Extasiada, jogou-se ao lado.

Permaneceram alguns instantes deitadas em silêncio. Julie olhava o teto do quarto, Amb de bruços, com a cabeça virada para o lado, olhava o rosto da loira.

_ Por que ainda me chama de Anne e não Julie como todo mundo?

_ Eu não sou todo mundo...

_ Percebi... _ sorriu.

_ Aos meus olhos, você é a Anne.

Aquela frase foi dita com tamanha ternura, que ganhou a atenção da loira, que olhou-a.

_ Julianne... _ finalmente disse seu nome.

_ Eu já imaginava. _ agora ela sorriu.

Olharam-se emudecidas.

_ Posso confessar uma coisa? _ falou a mulher de cabelos loiros.

_ Sim...

_ Eu nunca estive com uma mulher... Tipo... Desse jeito. _ admitiu constrangida, recebendo um sorriso.

_ Eu sei.

_ Como você sabe? Foi tão ruim assim?

Ela tocou-lhe o rosto, acariciando com delicadeza, parecia desenhar cada traço, para guardar na memória.

_ Foi maravilhoso! _ respondeu vendo-a rir enigmática _ Do que está rindo?

_ Você...

_ O que tem "eu"?

_ Você é firme nas suas atitudes e ao mesmo tempo tão delicada.

_ Eu delicada? _ gargalhou.

_ Pelo visto você se conhece pouco, Amber Walsh. _ finalizou levantando-se.

_ Onde vai?

_ Tomar um banho... Só isso... _ deu de ombros imitando o gesto anterior de Amb.

_ Louca! _ falou consigo.

_ Eu ouvi isso! _ gritou do banheiro.

 

Então era isso? Ela havia conseguido, havia levado a garota de olhos lindos para cama, ambas gozaram e tudo que foi imaginado desde o primeiro minuto em que viu Julie se concretizou. Porém, algo não parecia certo. Seu coração estava apertado e seu corpo parecia vibrar mesmo depois do orgasmo.

O som da água despertou ainda mais seus instintos, levantou-se e seguiu até o banheiro.

O corpo molhado foi observado com deleite, suas mãos estremeceram de desejo. Era como se fosse a primeira vez que via com desejo a nudez de uma mulher, seus olhos perderam-se naquelas curvas, Julie era um labirinto de prazer e ela pretendia descobrir todos os possíveis trajetos.

Seus passos não foram ouvidos, quando a loira registrou a presença da outra mulher já estava presa entre seus braços, um abraço íntimo e intenso por trás.

A sensação do corpo quente contra o seu frio foi inexplicável, assim como a sequência de movimentos ousados feitos por Amb.

Julie jamais seria capaz de esquecer o atrito do sexo da morena em sua nádega, ou a respiração ofegante em seu ouvido, o arrepio sentindo ao ter aquelas mãos sobre seus seios. Tudo era novo e deliciosamente surpreendente, não conteve um gemido ao sentir a língua quente passear por seu pescoço.

Em uma descida desenfreada Amber tinha novamente em mãos o sexo úmido dela, seus dedos brincavam com ele, faziam uma exploração pecaminosa, como se estudassem o melhor momento para penetrá-la.

O som escapou da sua garganta sem que ela pudesse pará-lo, dentes cravaram em seu ombro segundos antes que os dedos de Amb mergulhassem profundamente dentro da cavidade molhada, o arrepio percorreu seu corpo inteiro, a sensação deixou seus seios rijos.

Como uma dança ela sentia o vai e vem, o mergulho certeiro de Amb dentro dela, sua boca estava aberta deixando murmúrios, palavras desconexas e muitas vezes impróprias saírem.

Amber sentiu o cheiro que se desprendia daquele corpo delicioso, ela não conseguiu conter-se diante da pele macia. Sua língua desceu pelas costas da loira, enquanto seus dedos trabalhavam dentro dela, seus lábios beijam, seus dentes mordiam, sua língua excitava, todo centímetro de Julie que era capaz de alcançar. Seus joelhos tocaram o chão e ela distribuiu beijos no traseiro firme, mas foi impossível não bater na forma arredondada.

_ Amb! _ protestou.

A bronca rendeu a Julie uma segunda palmada.

Ouviu-se apenas um xingamento inaudível.

E, não houve tempo para mais reclamações, suas pernas foram abertas rapidamente, ela mal registrou o momento em que Amber iniciou uma sequência de lambidas, o prazer incendiou seu corpo mais uma vez, suas mãos encontraram apoio da parede fria. Ela realmente precisou se segurar.

_ Huuuum.... Aiiiii.... _ gemeu mordendo seu próprio lábio.

Amb encontrou o caminho para dentro dela, a língua morna era movida com maestria. E, ao olhar por sobre o ombro, Julie conseguiu ver a cabeça da morena mexer-se com avidez, a mesma voracidade foi sentida nas sugadas seguintes.

A mão daquela mulher sensual mais uma vez entrou em cena, seu dedo fez círculos sobre o clitóris inchado, assim o prazer se tornou quase insuportável.

Restando apenas uma pergunta, em palavras que saíram confusas diante da respiração ofegante.

_ O que... ahh... O que está fazendo comigo?

_ Estou comendo você por trás. _ ela foi direta.

Diante dessa resposta, Julie não conseguiu conter mais o prazer que sentia, ela moveu-se naquela boca e gemendo gozou demoradamente, sendo amparada pelos braços de Amber, que levantou-se acolhendo-a.

Ela sentiu a água cair sobre sua pele, dessa vez as mãos de Amb tocaram seu corpo com menos pressa. Fechou os olhos diante do carinho recebido, a morena estava agora lavando seu corpo, uma fragrância deliciosa invadiu seus sentidos, o cheiro lembrava algo familiar. Virou o corpo lentamente até fitar aqueles olhos intensos, que rapidamente aprendeu a gostar.

Procurou a boca que casou tão bem com a sua, um beijo lento fora trocado embaixo da água morna. Sentia uma sensação nova todas as vezes que beijava aqueles lábios, como se eles fossem cada vez mais doces e macios.

Permaneceram naquele acalento por alguns minutos, até decidirem se secarem.

_ Você está com fome? _ Amber perguntou vestindo-se com um roupão branco.

_ Um pouco. _ ela também vestiu-se com um dos roupões do hotel.

_ Um pouco? Você gozou várias vezes, deve estar faminta.

_ Então esse é seu plano? Você seduz mulheres, dorme com elas, então as alimenta. Me diga... O que vem depois?

_ Eu fodo com elas novamente. _ debochou e recebeu um olhar que jamais esqueceria. Riu disso.

_ Você é uma cretina! _ Julie irritou-se de verdade.

_ Já que seu radar para ironias não funciona, saiba que eu estava brincando. _ falou com certa seriedade.

_ Toda brincadeira tem um fundo de verdade.

_ Então, vamos falar hipoteticamente.

_ Pode ser. _ respondeu sisuda.

_ Hipoteticamente, eu começaria tudo de novo.

_ Sexo?

_ Sim.

_ E quem garante que essas mulheres iriam querer ficar com você mais uma vez?

_ Hum.... Isso vamos descobrir em breve. _ havia um ar de riso em seu semblante.

A loira realmente desejou voar no pescoço daquela mulher e esganá-la.

_ Mas, para sua informação, não costumo seduzir mulheres em bares, você foi a primeira. _ continuou Amber.

_ Quer mesmo que eu acredite nisso, Walsh?

_ Não, mas é a verdade. _ mudou o rumo da conversa _ Que tal alguns sanduíches?

_ Pode ser.

Ela fez o pedido e as duas se sentaram mais uma vez nas poltronas.

Amber pôs-se de lado, fitando-a.

_ Você me acha mesmo uma vadia?

_ Eu não disse isso.

_ Disse sim.

_ Não!

_ Você acha que vivo pegando mulheres em bares. Então, disse sim.

_ Talvez...

_ Mas, não sou.

_ Ok, então, me responda... Qual foi a última vez que teve um relacionamento estável?

_ Golpe baixo!

_ Viu.

_ Eu namorei muito e me apaixonei pouco... Só isso.

_ E amou nunca... _ completou Julianne.

_ Touchê.

Aquela pequena frase foi tão verdadeira que calou a mulher sexy.

_ Quer uma bebida? _ por enquanto, encerrou aquele assunto.

Ela recusou com um aceno.

E, estranhamente o silêncio caiu sobre elas, principalmente sobre Julie. Ela estava falante quando chegaram, porém, agora parecia perder-se dentro de si mesma.

Amb via os primeiros sinais de culpa surgindo em seus olhos, entendeu que Julie possivelmente lembrara de algo importante ou quem sabe... alguém especial.

Batidas na porta fizeram as duas abandonarem seus devaneios particulares.

Um rapaz entrou tímido, deixando os sanduíches e sucos. Na presença dele, Julie ficara visivelmente constrangida, como se estivesse fazendo algo terrivelmente errado ali.

_ Obrigada. _ Amber agradeceu o jovem, dando-lhe uma gorjeta e fechando a porta, logo que ele saira.

Sentaram-se nas cadeiras ao lado de uma pequena mesa, na antessala da suíte.

_ Existe alguém no Arizona? _ a mulher de cabelos longos e negros quebrou o silêncio.

_ Existem muitas pessoas lá. _ foi evasiva.

_ Você entendeu. Falo sobre um namorado, noivo ou... Marido... _ a ultima palavra saiu com dificuldade.

_ Há alguém... _ Amber continuou encarando-a, praticamente exigindo mais detalhes _ Um noivo... _ sem opção, respondeu tomando um longo gole do suco de laranja.

_ Esse é o momento em que você se arrepende de tudo que fizemos?

_ Não sei, Amb. Na verdade, não sei por onde começar a me arrepender. Se por ter feito o que fiz ou por continuar desejando... 

Os olhares se prenderam mais uma vez, o peso das palavras ditas agora estavam sobre os ombros de cada uma.

A bem da verdade, pouco comeram. O tic-tac do relógio trazia um incômodo palpável.

_ É melhor eu ir.

_ Você não precisa ir embora, pode continuar aqui...

_ Presa em um quarto, transando loucamente?

_ É muito absurdo?

_ Não, é muito tentador. Mas...

_ Mas... Não é possível. Entendi.

_ São seis anos, Amb. Ele é um homem bom.

_ Um homem bom... É só o que tem a dizer?

_ O que mais poderia dizer?

_ Que o ama, oras.

O silêncio de Julie não conseguiu ser quebrado por uma afirmação, ela nem ousou mentir ou tentar enganar a si mesma.

_ Sabe como imagino o amor?

Julie ficou surpresa com aquela indagação.

_ Não...

_ Acredito que o amor é como um toque suave. _ a mão de Amb segurou a dela  _ Que se torna intenso com a aproximação dos corpos. E cria forma quando os lábios encostam. Pode ser inesperado, ousado... Pode acontecer entre pessoas de sexo diferentes ou do mesmo sexo... _ pausou _ Pode acontecer entre mim e você.

Julie retirou sua mão com rapidez, desconsertada. Seus olhos perderam a coragem de encarar os da morena.

_ Uma noite e você já fala de amor?

_ Seis anos e você não consegue falar dele?

_ Não estamos seguindo um roteiro, Amb! Isso é real, nós dividimos um momento, algo que não irei esquecer, mas...

Ela não pôde finalizar sua frase... Um beijo calou Julie mais uma vez e ela não resistiu. Os lábios se devoravam mascarando o medo do adeus que não tardaria a chegar.

Amb mais uma vez guiou a loira até a cama. Os roupões que envolviam seus corpos ficaram pelo caminho. Elas continuavam a explorar a boca uma da outra, os seios tocando-se, as mãos entrelaçadas.

Julie abriu as pernas acomodando o corpo de Amb entre elas, a nudez das duas foi um facilitador para a paixão mais uma vez ressurgir. O mexer dos quadris da morena começou sutil, mas Julie sentia o sexo dela contra o seu e, diante disso, não conseguiu conter o levantar dos próprios quadris, ela queria sentir aquela parte macia de Amb contra ela, queria ver o exato momento em que o sexo dela se molharia de prazer.

As respirações ficaram ofegantes em poucos instantes, Amb se movia com mais rapidez, o encaixe dos sexos estava quase perfeito. Julie já dava gemidos contidos. E, diante do olhar profundo de Amb, ela se viu rubra, virando o rosto para o lado, quis esconder-se dela.

_ Olhe pra mim! Quero ver em seus olhos o quanto está gostando disso.

Ela se sentia como um escudeiro que devia obedecer seu mestre. Olhou para a morena, mais do que isso, encarou os olhos dela com fascínio.

Amb, então, mexeu seu quadril em círculos, a forma excitante como fazia aquilo tirou mais gemidos de Julie.

Amber apoiou as mãos sobre o colchão, o esfregar dos sexos fazia um som alucinante.

_ Olhe! Você e eu juntas.

Julie olhou para baixo, vendo o sexo dela contra o seu. Os dentes prenderam seu lábio, suas mãos seguraram o traseiro da morena fazendo com que ela aumentasse o ritmo.

_ Mais... rápido. _ implorou, sem tirar os olhos daquela cena.

A partir daí, realmente, a conversa ficou impossível, porque os quadris de Amb circulavam com avidez. Ela praticamente sentou-se sobre o sexo de Julie, em um frenesi excitante. Suas mãos deslizaram atravessando a barriga plana, passando pelas costelas e subindo até os seus seios, fazendo com que eles ficassem completamente rijos.

O que era isso... Julie se perguntou na pequena parte da sua mente que foi ainda capaz de pensar, quando as mãos de Amb estavam nela... Que poder era esse capaz de fazê-la enfraquecer-se ao toque mais leve desta mulher...?

Ela sentiu uma onda de desejo que a deixou tremendo e úmida. Já era possível sentir a tensão familiar, aquela denunciadora umidade entre as suas pernas que significava que logo ela atingiria aquele pedacinho do Nirvana.

Suas costas ficaram arqueadas de prazer, os olhos semicerrados de Julie se abriram de repente, pois, ela notou que as mãos de Amb deixaram seus seios e ajustaram-se nos seus ossos do quadril,  levantando-os.

Ainda segurando-a, com os olhos nos dela, ela acelerou ainda mais o esfregar dos sexos e Julie sentiu. Senhor, ela sentiu-se plena! Ficou tão excitada que segurou o seio esquerdo de Amb, sentiu o coração da morena batendo sob sua palma.
Como ela suspeitava, estava pulsando tão rápido quanto o dela.

_ Aiiiii....

As duas gemeram em uma perfeita sintonia, Amb moveu o quadril em um delicioso desespero, então, veio o abandono da razão, o gozo atravessou o corpo das duas mulheres.

Amber com a cabeça inclinada. Julie arrancando os lençóis da cama. Cada uma expressou a sua maneira o êxtase daquele momento.

Ela caiu sobre Julie, seu rosto escondido no vão do pescoço delicado. A respiração ruidosa demonstrou o tamanho da satisfação que foi viver aquele momento.

Deitadas na cama, as duas viam os primeiros indícios de que o sol estava quase nascendo. As horas ali compartilhadas começavam a findar, logo seria necessário dizer as palavras.

Amb levantou-se, cobrindo a nudez com o roupão, de repente ficou difícil demais ficar despida perto dela, não soube explicar o porquê.

Caminhou pelo quarto tentando encontrar algo que acalmasse a sensação ruim que nascia em seu peito. Juntou as roupas espalhadas pelo chão, colocando-as sobre a poltrona. As luzes solares entraram, de fato, pelo quarto. Avisando que seu tempo havia se esgotado.

Olhou para Julie deitada na cama, a loira tinha um dos braços sobre os olhos.

_ Vou pedir o café da manhã.

_ Não, não será necessário, não tenho muito tempo. _ avisou saindo da cama.

_ Quando sairá seu voo?

_ Dentro de três horas.

_ Fique mais um pouco.

_ Não posso, Amb, realmente não posso.

Ela observou com tristeza, a loira pegar suas roupas e vesti-las. Em poucos minutos ela não mais estava nua e disponível.

Suspirou diante da constatação que não mais se viriam, Julie certamente não iria querer aquilo, uma convivência que a fizesse lembrar da traição que cometera.

No recolhimento da bolsa se caracterizava o final do ato, da história, do compartilhamento... Tudo seria findado ali, no dizer de uma palavra e no abrir e fechar de uma porta.

_ Obrigada. _ a loira disse.

_ Pelo que exatamente?

_ Por não ser uma Serial Killer.

Amber riu.

_ Não mereço nem mesmo seu telefone?

_ Eu não atenderia depois da segunda vez. É complicado...

_ Então, fique um pouco mais.

_ Amb... _ aquele era um lamento, um suspiro, um não.

_ Estou pedindo que fique, não achei que fosse fazer isso, eu não queria fazer isso, mas... Eu realmente quero que fique aqui comigo. Quero te conhecer e que você me conheça...

Julie sorriu indo até ela e segurando seu rosto entre as mãos.

_ Você, Amber Walsh, é a mulher mais bonita que já vi em toda a minha vida e a pessoa mais fascinante que já conheci. Eu gostaria de ter a coragem de ficar. Mas...

_ Você tem medo de me conhecer?

_ Pavor! _ admitiu.

_ Por quê!? _ era incompreensível para ela.

_ Infelizmente não posso fazer isso. Mas, eu sempre me lembrarei e...

_ Eu não quero ser uma lembrança! Não quero que pense em mim em um dia chuvoso ou me encare como algo nostálgico.

_ Não poderei nem mesmo sentir saudade? _ a pergunta desarmou Amb, que se calou.

O dedos finos contornaram os lábios da morena.

_ Vou sentir falta da sua boca e do seu cheiro. _ Julie passeou o nariz pela pele alva.

_ Algo aconteceu aqui, bem mais do que sexo. E você sabe disso.

Agora Julie silenciou.

_ Se disser que está indo para os braços do homem que ama, talvez eu consiga entender...

_ Você saberia que é mentira, Amb.

_ E, mesmo assim, prefere ir... _ aquilo foi uma constatação.

Amber afastou-se e, com as mãos nos bolsos do roupão, caminhou até a varanda.

_ Adeus, Anne. _ despediu-se sem sequer virar-se.

Julie seguiu até a porta, sua mão segurou a maçaneta com força, permitiu-se um último olhar.

Amb permanecia de costas, olhando o horizonte.

Assim, a loira saiu, fechando a porta atrás de si. Andou pelo corredor que pareceu frio em demasia, sentiu o calor se esvair, como se ela perdesse o contato com o sol.

Sem dificuldade encontrou um táxi, deu o endereço e seguiu para o hotel, dessa vez não atreveu-se a olhar para trás, pois, sabia que acabaria cometendo uma loucura ainda maior, tinha certeza que acabaria voltando para aquela suíte e iria perder-se naqueles olhos.

Não foi necessário uma explicação, Brooke já a esperava com as malas prontas, ela apenas tomou um banho e, em poucos minutos já estavam em outro táxi, dessa vez seguindo para o aeroporto e logo para casa, o lugar onde tudo era certo e cronometrado.

Suspirou ganhando um olhar da amiga, sorriu e permaneceu em silêncio, tentava acalmar o coração, em guerra interna tentava se convencer de suas certezas anteriores, queria acreditar que não era nada sério, que foi apenas uma noite, somente isso, algo que não se pode viver para sempre.

Em passos vagarosos andou pelo aeroporto, logo seu voo seria chamado. Sentou-se alheia às conversas que ali eram iniciadas por seus amigos, o tédio instaurou-se. Se desligou de tudo, queria apenas se conformar com suas escolhas.

Olhou para a TV, uma canção tocava, seus dedos bateram seguindo o ritmo, seus olhos se distraíram na letra da música. Um fechar de olhos, um balançar de cabeça e, então, abraçou sua decisão definitiva.

 

I'm in love with the shape of you
Estou apaixonado pelos seus contornos
We push and pull like a magnet do
Nos atraímos e nos repelimos como um ímã
Although my heart is falling too
Embora meu coração esteja se apaixonando também
I'm in love with your body
Estou apaixonado pelo seu corpo

 

A morena olhava para longe, o som da TV no último volume, o ritmo fazia seu coração bater dolorido. Poucas horas após a partida de Julie e ela se via como uma adolescente apaixonada, que não conseguia parar de suspirar por sua paixão secreta.

Será que ela se lembraria? Será que ela pensou em voltar? Mas, isso não importava mais.

Respeitando a decisão de Julie de não terem contanto, pegou o celular deletando o número do amigo da loira, para não cair em tentação em algum momento.

 

And last night you were in my room
Ontem à noite, você esteve no meu quarto
And now my bedsheets smell like you
E agora meus lençóis têm o seu cheiro
Everyday discovering something brand new
Todos os dias descobrindo algo novo
I'm in love with your body
Estou apaixonado pelo seu corpo

 

_ É isso aí, Ed. _ dialogou com o cantor. Balançou a cabeça rindo sozinha, sentia-se idiota.

Um tempo considerável depois ouviu-se batidas na porta.

Aquilo fizera com que seus pensamentos fossem interrompidos. Estava à espera de Zoe, as duas combinaram de passarem a manhã juntas, talvez isso fosse bom, a amiga iria adorar rir do seu atual estado.

Dirigiu-se até a porta, estava a espera de um amontoado de cabelos castanhos, mas sua visão foi agraciada com um par de olhos azuis.

_ Anne?

Um sorriso acanhado e um leve balançar de ombros, foi a resposta da loira. Ela decidira ficar alguns dias, nada mais do que isso, mas aquela era sua forma de despedir-se da pessoa que havia lhe encantado tanto em tão pouco tempo.

Amber nada disse, imediatamente, puxou-a beijando apaixonadamente seus lábios e depois um longo abraço aconteceu.

Elas se olharam e a loira levou os lábios ao seu ouvido.

_ Faz amor comigo... _ sussurrou como em um sopro.

Amb sorriu e Julie conduziu-a pela mão, fechando a porta.

 

Come on, be my baby, come on
Venha, seja minha namorada, venha
Come on, be my baby, come on
Venha, seja minha namorada, venha
(I'm in love with your body)
(estou apaixonado pelo seu corpo)
Everyday discovering something brand new
A cada dia descubro algo novo
I'm in love with the shape of you
Estou apaixonado pelos seus contornos

 

Dias Atuais

 

As lembranças trazidas por aquela música, fizeram com que Julianne Hill-Walsh não conseguisse tirar o sorriso dos lábios, porém, logo se apressou em finalizar sua maquiagem e ajeitar os últimos detalhes.

_ Anne... Vamos! _ ouviu aquele chamado já impaciente com seu atraso.

Encarou o espelho com o mais largo dos sorrisos.

_ Vou... _ sorriu.

E, apagando a luz, foi ao seu encontro.

 

 

Notas finais:

Música: Ed Sheeran - Shape of You


https://youtu.be/VJ2rlci9PE0

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