Sentimentos ocultos! por Bia Ramos
Summary:

 


“Tudo o que um sonho precisa para ser realizado é alguém que acredite que ele possa ser realizado.” (Roberto Shinyashiki)


 


Categoria: Romances Characters: Original
Challenges:
Series: Nenhum
Capítulos: 7 Completa: Sim Palavras: 13206 Leituras: 11363 Publicada: 12/09/2020 Atualizada: 10/10/2020
Notas:

 

 

Embarque em mais uma de minhas aventuras, e como eu, também se surpreenda no final!

Ao som de Gino Vannelli - Hurts to be in love (letra bem sugestiva)

https://www.youtube.com/watch?v=ydf_AxHeI1U&list=RDydf_AxHeI1U&start_radio=1

 

 

1. Caps. 1 – Provocações por Bia Ramos

2. Caps. 2 ? Conhecendo um pouco dela por Bia Ramos

3. Caps. 3 ? Invadindo intimidades por Bia Ramos

4. Caps. 4 ? Revelando sentimentos por Bia Ramos

5. Caps. 5 - Saciando os desejos (penúltimo) por Bia Ramos

6. Caps. 6 – Entrega total (último) por Bia Ramos

7. EXTRA - A História de Marina – Lilly Porto por Bia Ramos

Caps. 1 – Provocações por Bia Ramos

 

Uma ruiva alta se sentou ao meu lado, já a conhecia, todas as noites naquela mesma boate, ela chegava com olhar “satisfeito”, mas profundamente triste. A olhei sorrindo, e quando me olhou, desviei os meus olhos para o copo em minha frente, tomei uma dose de minha bebida dizendo:

– Acho um grande desperdício uma mulher linda como você, perder seu tempo apenas satisfazendo esses homens.

– Não que eu deva satisfações a você, – pegou o coquetel que o barman serviu, tomou uma dose, voltando a falar: – mas eu estou muito satisfeita com o meu trabalho.

– Servir aos homens? Bobagem, você merece muito mais que isso.

– E quem é você para me dizer o que mereço ou não?

– Apenas uma pessoa que observa.

– Entendi... – me olhou divertida, porém, disse irônica: – Que tal parar de ficar observando a minha vida, e cuidar da sua?

– Uiii, ela é arisca! – Sorri, mas aquilo não me intimidou, disse apenas: – Agora eu entendo o porquê desses caras ficarem atrás de você, além da sua beleza, claro, é selvagem.

– Como se atreve?

A mão levantou certeira em direção ao meu rosto, mas a peguei antes que o fizesse, a puxando com tudo para junto do meu corpo, senti o calor imediato, quase perco o sentido, mas me recuperei rápido, e me aproximei de seu ouvido dizendo:

– Quando estiver cansada desses riquinhos metidos a bestas, que acham que estão satisfazendo uma mulher como você... – Não pude evitar, meu nariz percorreu o pescoço dela sentindo aquele aroma maravilhoso, que me inebriou na hora, sorri sussurrando ainda em seu ouvido: – Me procura, talvez eu possa dar o que você tanto procura nesses caras.

– Você se acha... – Sorriu sarcástica, abaixou o braço, mas ainda permaneceu próxima, vi que ela não ficou imune ao meu contato, balancei a cabeça e a deixei dizendo apenas:

– A única coisa que eu acho, é que está perdendo seu precioso tempo com homens que não dão o devido valor, que uma mulher como você, merece ter. – Tomei a última dose de minha bebida, levantei, ousada ainda toquei o rosto dela mal podendo evitar um sorriso apaixonado. Era nítido os meus sentimentos por aquela que havia tomado meu coração há muito tempo, inspirei fundo e sussurrei: – Se cuida Marina, você é muito preciosa.

– Como sabe meu nome?

– Nos encontramos por aí... – Saí sem responder sua pergunta, ela veio atrás ainda, mas fui mais rápida, entrei no carro e meu motorista saiu antes dela nos alcançar, fechei os olhos dizendo apenas: – Vamos para casa, José.

– Sim senhora...

Em menos de uma hora estava entrando em meu quarto, arrancando minha roupa pelo caminho até o banheiro, quando entrei no box, estava completamente nua. Deixei a água cair sobre meu rosto, mas nada afastou aquele aroma que estava impregnado em minhas narinas, sorri encostando na parede, passei a mão em meu corpo, estava em brasas.

Meus dedos certeiros foram parar em meu sexo que latejava, pensando naquela ruiva comecei a me estimular até que gozei chamando baixinho por ela. O corpo em espasmos, a água caindo sobre mim e ainda assim sentia o desejo aumentar por aquela mulher.

Longe de ser um desejo carnal, eu a desejava em corpo, mente e coração... Se não fosse para ser por inteira, não a queria pela metade. Ao menos, era assim que eu pensava naquele momento.

Me arrastei até minha cama, e nua me deitei sucumbindo ao sono quase que de imediato, a noite foi blindada com Marina em meus sonhos, o que fez meu corpo acordar em chamas, e mais uma vez ter que aliviar-me para conseguir acalmar, por hora, aquele desejo insano. Adormeci novamente acordando horas mais tarde, olhando pela janela abracei meu travesseiro sussurrando entre um sorriso bobo que sempre se formava ao vê-la em minha mente:

– Ah! Quando será que terei a felicidade de acordar com você ao meu lado, senhorita?

Sorri, inspirando fundo e correndo para o banheiro, tomei um banho relaxante e demorado. Quando desci, tomei um café reforçado, uma amiga me ligou me chamando para uma festa na casa dela, o domingo prometia. Me arrumei e segui para lá, fui dirigindo, queria receber o vento em meus cabelos, aquela sensação de liberdade que minha BMW dava, era indescritível.

Não pensem que sou uma riquinha metida a besta que gosto de me mostrar, não, muito pelo contrário, tive que batalhar e muito para chegar onde estou agora e não me arrependo, o mínimo de conforto possível, era o necessário para mim, não gostava de extravasar, gastar dinheiro atoa, mas esse carro em especial, foi um presente que há muito eu cobiçava, e assim que me vi com condições de tê-lo, o fiz.

Quando cheguei a mansão de minha amiga, lotada para variar, as festas dela sempre eram assim, sem contar que era apenas uma reunião com os amigos mais íntimos na piscina. Enfim, ao contrário de mim, ela gostava de esbanjar. Cheguei e alguém estava lá direcionando os carros para seus devidos lugares, ao entrar na casa, fui recebida por garçons servindo champanhe e canapés, me servi de uma taça e segui para a piscina.

– Hei, você veio.

– Não perderia isso por nada.

Minha amiga me abraçou forte, éramos quase como irmãs, sorriu me guiando para onde o pessoal estava, cumprimentei a todos, e logo começamos a sorrir e conversar animadamente.

Por volta das dezesseis, pedi licença, precisava fazer uma ligação, acabei saindo da casa indo em direção aos carros, algo me atraía para lá. Fiz minha ligação, quando finalizei olhei em volta soltando um pequeno gemido involuntário, seguido das batidas frenéticas do meu coração, sorri, como era linda. Em silêncio me aproximei, perguntando:

– Amante de carros?

– Sim, eu gosto de admirar... – Virou em minha direção, e o pequeno sorriso que se formava em seu rosto sumiu, dando o ar de seriedade quando perguntou: – Você?

– Gosta de admirar a mim? Isso sim é algo prazeroso de se fazer. – Como eu gostava de provocá-la, embora soubesse que não era a melhor forma de chegar até ela, que disse apenas:

– Não foi o que eu quis... Quero dizer... – Se atrapalhou, sorri, meu coração parecia que ia sair pela boca: – O que faz aqui, está me seguindo?

– Bom, eu até poderia dizer que estava seguindo você, mas isso não esconderia a minha agradável surpresa em vê-la aqui.

– Está me dizendo que é coincidência?

– Meramente...

– Pois eu duvido muito disso, mesmo assim, não quero ficar aqui conversando com você, quando tenho uma companhia melhor me esperando lá dentro.

– Ain... Sabia que falando assim você me fere profundamente? – Sorri simplesmente.

– Que bom, porque essa foi a intenção... Se me der licença...

E saiu caminhando naquele rebolado maravilhoso, me perdi até perdê-la de vista, inspirei fundo encostando em meu carro, era ele que ela estava admirando, ao menos alguma coisa em mim, chamava a atenção dela, mesmo que esse não fosse o propósito.

Segui para a festa, e a partir daquele momento, passei a observá-la de longe, não queria liberar sua fúria em mim novamente, ou queria? Sorri!

– Apesar de que, se ela levantasse a mão novamente para me bater, não a impediria...

Sorri com o que havia acabado de falar, quando alguém se aproximou perguntando:

– Falando sozinha, Beatriz?

– Estava em reunião comigo mesma, afinal, preciso de boas ideias as vezes.

– Alguém já disse o quanto você é arrogante?

– Umas dez vezes durante o dia. – Encostei na janela, olhando sorrindo para ele que disse apenas:

– Um dia, alguém irá derrubar essa sua empáfia toda, e eu quero estar perto para ver isso acontecer.

– Ah meu caro, não sonhe tão alto, porque se isso vier mesmo acontecer, não será fora de um quarto e não quero você lá para estragar tudo.

– Ridícula, esse modo de falar é intolerante em uma mulher.

– Só porque a mulher que vos fala, é a mesma que tentou levar para a cama várias vezes e não conseguiu. – Dei um impulso e segui até ele, olhei de cima para baixo: – Meu modo de falar, não se assemelha ao seu e de vários homens que conheço, que não admite que uma mulher possa comandar.

– Como ousa?

– Ousando, afinal, você é meu primo, e isso só me afasta de você.

O deixei e fui de encontro as meninas na piscina, estava quente naquele dia, e apesar do sol estar quase se pondo, arranquei meu short e pulei na piscina. Modéstia à parte, Deus foi generoso comigo, e meu corpo era maravilhoso, sabia que arrancava suspiro por onde passava, no entanto, a única pessoa que eu queria que me visse realmente, estava lá, na companhia do meu “amado” primo.

Odiei aquilo, nadei mais alguns minutos tentando não pensar nos dois juntos, dei a volta e saí da piscina perto deles, joguei os cabelos para trás, passei a mão em uma das toalhas que estavam em cima de uma mesa próxima, caminhei de encontro a minha amiga, perguntando:

– Jú, posso usar seu banheiro para tomar um banho?

– Claro, mas não vai cair mais na piscina?

– Não, infelizmente eu vou ter que ir embora, mas podemos nos encontrar na boate mais tarde, vai ter um DJ muito bom tocando lá hoje.

– Jura? Convite aceito então. – Se aproximou beijando meu rosto, sorri dizendo:

– Irei embora direto, nesse caso, obrigada pelo convite, e espero você a noite.

– Estarei lá, fica a vontade, a casa é sua também...

Mandou um beijo no ar, me enrolei na toalha, olhei para a mulher ao lado, essa que um dia iria me matar de tanto amor, mas desviei os olhos quando os braços de meu primo passaram sobre sua cintura. Segui para o andar de cima, onde tomei um banho, peguei uma roupa qualquer de minha amiga e segui para casa, não tinha compromissos, só estava evitando ficar no mesmo ambiente que Marina, e saber que ela não estava em minha companhia.

 

Notas finais:

Tarde moças!

 

Pois é, estou em falta com vocês por um lado, mas por outro, tento ir compensando como posso... hehe

 

Espero que curtam o início desse pequeno romance... Encontro com vocês amanhã a tarde com o segundo caps...

 

Bjs a todas, se cuidem!

 

Bia

Caps. 2 ? Conhecendo um pouco dela por Bia Ramos

Fui para casa, passei o final da tarde jogada em um sofá, pensando no que faria. Enfim, veio o desanimo e uma decisão, se eu não posso tê-la ao meu lado, teria que me apaixonar por outra pessoa, se seria fácil? Não, mas não poderia viver a mercê daquele amor não correspondido.

Tomei um banho de sais por horas na minha hidro, quando estava me arrumando para sair, recebi uma ligação. Arrumei uma companhia para aquela noite, passei em sua casa e fomos juntas para a boate, onde nos divertimos muito, a propósito.

Embora a noite tivesse desandado quando meu priminho querido chegou na companhia de Marina, mesmo assim, não me deixei abater e me esforcei para não chegar perto dela.

Infelizmente tive êxito até decidir ir embora, quando na saída sem querer, acabei esbarrando com ela. Mas, como havia decidido não passar aquela noite sozinha, minha companhia me salvou daquele constrangimento e me guiou para fora da boate, seguimos para o hotel onde ela estava hospedada e lá passamos a noite.

Saí na segunda, passava das dez, fui em casa tomar banho e depois segui para minha empresa, onde tive reuniões atrás de reuniões a semana toda, salvando a sexta, quando mais uma vez, uma “amiga” me ligou e seguimos juntas para a boate.

As semanas passaram assim, acabei me envolvendo com uma mulher, nosso relacionamento durou pouco mais de três meses, terminamos por incompatibilidade, infelizmente, porque ela era ótima, mas estava percebendo que não me doava na mesma medida, e conversando com ela, decidimos dar um fim na nossa relação.       

Sei que parece clichê dizer para sermos amigas depois de um envolvimento, mas aconteceu realmente, fui cem por cento, sincera com ela, apesar de a ter decepcionado um pouco, continuamos a conversar. E assim passou mais um mês, cinco meses que se passaram, quase nem vi a Marina, o que para mim foi bom, meu coração não corria riscos.

Mas, naquele final de semana quando cheguei na boate, foi diferente, encontrei com algumas amigas, inclusive a garota com quem eu havia me envolvido, estávamos conversando quando de longe eu a vi, passar chorando em direção ao banheiro, algo me dizia para não ir atrás dela, mas quem disse que mandamos em nosso coração com essa intensidade?

Pedi licença para as meninas e segui para lá, o banheiro privativo da ala vip da boate, estava praticamente vazio, entrei e vi que um dos reservados estava fechado, um grupo de meninas saíram, fui até a porta e me certifiquei que não tinha ninguém, a tranquei, entrando de volta e esperando em frente ao espelho, aquele reservado ser liberado, ela levantou os olhos e me olhou.

Olhos vermelhos de tanto chorar, combinavam com os cabelos vermelhos, naquele dia ela trajava uma roupa social preta que combinava com ela, acho que a única coisa que não combinava com ela, era eu. Fiquei triste com aquele pensamento, desviei os olhos e perguntei:

– Você está bem?

– Isso não diz respeito a você.

– Calma, eu vim em paz, juro.

– Duvido muito, você adora me provocar com esse seu jeito arrogante de ser. – sorri, ela me olhou e disse:

– Desculpa, não quis ser rude.

– Tudo bem, eu mereci. – virei em direção a ela, mal conseguindo esconder meus sentimentos, perguntei novamente: – Você estava chorando, aconteceu algo?

– Meu irmão, sofreu um acidente a caminho de casa, infelizmente não resistiu aos ferimentos... – mais lágrimas, aquilo me destroçou por dentro, sem me conter me aproximei e a aconcheguei nos braços, sussurrando:

– Eu sinto muito... Gostaria de poder fazer alguma coisa por você.

Ela se afastou de meus braços, sorriu, o primeiro sorriso que ela dava para mim em quase um ano que a conheci. Tocou em cheio meu coração. Desviou os olhos indo em direção a pia onde lavou o rosto, se enxugou e retocou a maquiagem dizendo:

– Estou afastada da minha família há muitos anos, acho que nem eu posso fazer nada.

– Desculpa, não quis ser invasiva... – ela sorriu, perguntei: – Porque do sorriso?

– Você sempre que se aproxima, mesmo que não seja por querer, é invasiva. – sorri, ela tinha razão, concordei dizendo:

– Ao menos dessa vez, não quis ser propositadamente.

– Tudo bem... – tocou de leve meu braço e disse sincera: – De qualquer forma, obrigada pelo apoio.

– Disponha, se eu puder fazer mais alguma coisa pela senhorita, ficarei honrada.

– Talvez possa.

– Qualquer coisa...

– Pode chamar um taxi para mim? Assim, quando eu sair do banheiro, passo direto para a saída, minha companhia não está agradável hoje.

– Farei melhor, venha comigo.

– Para onde?

– Eu a levarei em casa...

– Não precisa se incomodar, eu pego...

– Eu insisto. – algo em minha voz a fez parar e apenas concordar com o meu pedido, saímos da boate até meu carro, abri a porta para ela entrar e tomei conta do volante, ganhamos a avenida, ela admirada perguntou:

– Deixou sua namorada para trás? Se fosse eu, não a perdoaria nunca. – sorri olhando de lado para ela, que disse apenas: – Desculpa, dessa vez eu que não quis ser invasiva.

– Se você fosse minha namorada, estaríamos em um lugar com menos pessoas, possivelmente apenas nós duas. – vi que seu rosto ganhou um leve rubor, saí do assunto: – Mas respondendo sua pergunta, não tenho mais namorada, faz mais ou menos um mês que terminamos.

– Hum...

Além de seu endereço, ela não disse mais nada, seguimos em silêncio, morava em uma parte nobre da cidade, em um condomínio fechado, o que me surpreendeu um pouco, mas engoli aquela surpresa para mim.

Quando entramos que parei em frente ao prédio enorme que se perdia nas nuvens, o porteiro autorizou nossa entrada, na garagem, quando saí do carro, abri a porta para ela sair.

– Posso te acompanhar até seu apartamento?

– Claro... – mostrou o caminho, o qual também seguimos em silêncio, quando chegamos na porta do apartamento dela, disse ao abrir a porta: – Obrigada pela companhia e pela carona.

– Disponha, sempre que precisar. – sorri, dei dois passos em direção ao elevador, ela disse atrás:

– Espere... – veio até mim, olhei curiosa para ela que sorrindo disse: – Está tarde já, perigoso também, você foi tão gentil, que tenho o dever de retribuir, fica comigo essa noite... Quero dizer, no meu apartamento, e você vai embora quando amanhecer.

– Não quero atrapalhar e nem tirar a sua privacidade, não tem problema, eu tomo cuidado até em casa.

– Por favor, dessa vez eu que insisto. – segurou em meu braço, inspirou fundo: – O acidente com meu irmão se deu por ele estar dirigido altas horas e.... – ficou em silêncio, quando abaixou a cabeça, toquei seu queixo e disse apenas:

– Está bem, eu fico até amanhecer, obrigada. – ela me olhou, ainda séria, indicou o caminho, pedi licença entrando. Um belo apartamento, uma sala ampla, separada por um balcão que dava acesso a uma cozinha americana muito linda. Não queria ficar olhando tudo em volta, mas chamava a atenção, sorri dizendo: – Muito lindo aqui, aconchegante também.

– Sim, esse é o meu lar, onde procuro sempre para descansar. – inspirou olhando em volta: – É aqui que me sinto segura de tudo, onde busco minha solidão para acalmar minha alma.

– Sei como se sente... – havia entendido perfeitamente, assim como eu, ela preferia não levar suas visitas noturnas para seu refúgio.

Notas finais:

Hei meninas... Bom dia!

Ontem tive um imprevisto e não consegui postar, mas aqui está o segundo... Espero que curtam...

Volto no fds... ;)

Bjs a todas... se cuidem..

Bia

Caps. 3 ? Invadindo intimidades por Bia Ramos

Olhei para ela, admirada, os olhos brilharam, percebi a verdade em cada palavra, segundos depois ela me olhou, nos perdemos naquele contato por algum tempo, até ela desviar perguntando:

– Quer uma taça de vinho?

– Irei aceitar se não for incomodar.

– Não irá, e assim me faz companhia. – seguiu para o bar que não percebi mais afastado, da parede tirou uma garrafa, me ofereci para abrir, ela pegou as taças e pediu que a acompanhasse, se sentou no sofá me oferecendo um lugar ao seu lado, agradeci nos servindo o vinho, mas preferi me sentar no outro lado, um pouco mais afastada, o que não passou despercebido por ela, que perguntou assim que tomou a primeira dose da taça dela: – Está com medo de mim?

– Porque diz isso?

– Ofereci o lugar perto e você foi se sentar do outro lado.

– Ah! Não tenho medo de você, apenas me certifiquei que não invadiria seu espaço.

– Você tem me impressionado desde a primeira vez que falou comigo naquele banheiro, hoje.

– Eu causo isso nas pessoas, às vezes.

– Ok, já está se achando de novo. – e diferente do que eu imaginava, ela sorriu lindamente, perdida naquele sorriso, não percebi o que havia falado, me desculpei dizendo:

– Desculpa, me distrai, não ouvi o que disse.

– Eu disse apenas que o vinho estava uma delícia.

– Sim, concordo.

Foi o que eu disse apenas, tomamos uma segunda taça que ela nos serviu, mas em silêncio, apenas trocando olhares. Sabe o quanto aquilo estava mexendo comigo? Quando a minha vontade era de tomá-la em meus braços e mostrar o quanto era importante para mim.

Enfim, não contei quando e porque esse sentimento tomou conta de mim, na verdade, nem sei direito. Três anos atrás, na inauguração da minha boate, quando coloquei os olhos nela, soube que algo mudaria em mim, mas foi exatamente um ano atrás, quando descobri o quanto estava envolvida, apesar de ter trocado palavras com ela pela primeira vez quase dois anos depois de a ter conhecido.

Todos os finais de semana vendo-a na companhia de diversos homens, não só na boate, como em restaurantes e festas, fizeram com que minha curiosidade tomasse conta de mim. Descobri que ela era acompanhante de luxo, isso não me intimidou, pelo contrário, fiquei mais curiosa para saber o que havia levado ela a viver aquela vida! Mas, não tive coragem de ir mais a fundo, apertava meu peito saber que não era comigo que ela passava as noites, e pior, por escolha dela, suas companhias eram todas masculinas.

Fui me apaixonar por uma acompanhante de luxo, hétero e que não dava a mínima para mim. Ironia? Só pode...

– Beatriz? – escutei meu nome e olhei para ela, tinha saído de órbita pensando naquelas coisas, ela sorriu: – Tudo bem?

– Sim, desculpa, estava lembrando uma coisa maluca aqui.

– Entendi... Bom, preciso descansar, se quiser, posso te acompanhar até o seu quarto.

– Quero sim, também preciso de banho e cama.

Levantei, ela me olhava, mas caminhou em direção a um corredor que dava acesso a um banheiro social e duas suítes, abriu a porta e entrou no primeiro dizendo:

– Pode ficar à vontade, tenho algumas roupas no closet, toalhas no banheiro. – indicou cada porta e finalizou: – Estarei no quarto ao lado, precisando, pode chamar.

– Muito obrigada! – sorriu apenas.

– A cozinha está à disposição, caso precise de alguma coisa, tenha uma ótima noite.

– Muito obrigada, Marina... – estava próximo à porta, voltou os olhos em minha direção perguntando:

– Como você sabe meu nome?

– Talvez eu te conte um dia... – sorri, ela me olhava séria, concordou apenas, deu boa noite novamente e saiu.

Quando ela fechou a porta, inspirei fundo, tão perto e, ao mesmo tempo, longe. Precisava de um banho, arranquei minhas roupas, entrei no banheiro e deixei a água correr pelo meu corpo, ele ainda ardia de desejo por aquela mulher que estava a uma porta de distância, mas aquela vontade dela, crescia cada vez mais, que não aliviava mais o meu desejo, deixava-o fortalecido com isso, embora tivesse “desistido” de conseguir conquistar aquela mulher, ainda guardava um pingo de esperança.

Voltei para o quarto, enrolada em uma toalha, alcancei minha bolsa e peguei meu creme, sempre andava com um ou dois na bolsa para ocasiões como aquela, dormir fora de casa. Comecei a passar em meu corpo, pernas, coxas, braços, arranquei a toalha e comecei a espalhar em meu corpo, estava com as mãos em meus seios, quando ouvi uma batida na porta e ela ser aberta em seguida.

Levantei a cabeça, paralisei na hora quando a vi com aquele short doll preto, desenhando seu corpo delicioso, assim eu não conseguiria me concentrar em mais nada, ela disse:

– Eu... Nossa... Desculpa... – virou as costas, o que não me ajudou muito, as curvas do corpo dela... nossa... eu estava quase sem ar: – Deveria ter perguntado se podia entrar.

– Está na sua casa, tem esse direito. – estar nua na frente dela não me deixava constrangida, pelo contrário, me sentia muito bem.  

– Se soubesse que estava se arrumando para dormir, não teria vindo. Mais uma vez, me desculpe.

– Tudo bem, na verdade, eu durmo assim mesmo. – sorri, porque não provocá-la? Já que mal me olhava e estava tão vermelha quanto seu cabelo.

– Nua?

– Sim, não gosto de nada apertando meu corpo durante a noite, com algumas exceções, claro. – sorri e ela virou me olhando, vi quando percorreu meu corpo com os olhos discretamente, mas ele reagiu em fogo, quando sentia seu olhar, agora estava ficando com medo dela perceber meu desconforto, não por ela estar me olhando, mas por estar pensando loucuras com ela naquela cama. – Queria me dizer algo?

Seus olhos voltaram para os meus, confusos:

– Como?

– A senhorita invadiu o quarto como se a casa estivesse em chamas. – sorri, ela corou novamente e disse:

– Eu quero saber... – voltei a passar o creme em meu corpo, ela parou novamente, sorri:

– Quer saber o quê?

– Co... Como sabe meu nome?

– Ah! Isso... – desviei os olhos dos dela, mas senti a intensidade ainda, bom, se ela queria saber, contaria a ela. – Há cerca de um ano mais ou menos, pedi um favor a uma amiga e ela descobriu para mim.

– Uma amiga, quer dizer detetive? Estava me espionando?

– Não, não ousaria tanto.

– Algo me diz que ousaria sim. – olhei para ela e sorri, estava certa, mas como havia dito antes, parei de querer saber sobre ela por ciúmes, no fim, apenas o nome me satisfez, disse apenas:

– Talvez tenha razão, mas não o fiz, na verdade, tudo aconteceu por acaso, quando contei sobre meus sentimentos a essa amiga e ela ficou sensibilizada. – peguei a toalha e enrolei no corpo, parecia que agora eu estava mais quente diante daquilo.

– Seus sentimentos?

– Todos a conhecem como Andressa, mas eu prefiro ser uma exceção a isso.

– Espera... Que sentimentos? – sorri, aquilo me deixou sem jeito, desviei os olhos dos dela, disse apenas:

– Descobri que estava apaixonada por você, e por isso, minha visão das coisas foram mudando, principalmente se algo dizia respeito a você.

 – Você era apaixonada por mim? – concordei apenas, ela se aproximou, perguntou novamente: – Quanto tempo? Quero dizer, como isso foi acontecer?

– Eu não sei como e nem quando, de repente me vi sentada na boate e senti que era diferente.

– A primeira vez que falou comigo, foi rude e invasiva a ponto de quase levar um tapa.

– Sim, peço desculpas por aquele dia, era meu eu com ciúmes.

– Você foi ousada...

– Tive uma oportunidade e aproveitei, foi apenas isso.

– Oportunidade?

– Sim, mas algo me diz que sabe do que estou falando. – ela desviou os olhos dos meus, sorri, meu corpo ainda reagia ao que eu fiz naquele dia, quando a tive dentro dos meus braços por alguns segundos, sem perceber, estávamos mais próximas, conseguia sentir o aroma pós banho dela, me deixou tonta, parei, inspirei fundo.

Notas finais:

Hei meninas... Bom dia!

Eis aqui o terceiro caps... Espero que curtam...

Volto amanhã... ;)

Bjs a todas... se cuidem..

Bia

Caps. 4 ? Revelando sentimentos por Bia Ramos

– Você está bem?

– Estou sim... – ela se aproximou, senti seus dedos em meu braço, sua pele assim como a minha se arrepiou com aquele contato: – Viu o que você faz comigo?

– Não fiz nada...

– Mexe comigo, me deixa sem ação diante de você... Meus pensamentos se perdem...

– Está tentando me seduzir?

– Não sei, estou? – percebeu meu olhar e o desejo que nele continha, deu um passo para trás, sorri: – Não precisa ter medo de mim, não represento perigo.

– Não é medo... Pelo menos não de você. – olhei confusa para ela, perguntando:

– Poderia explicar isso?

– Eu nunca estive com nenhuma mulher, ao menos nunca me senti atraída por uma... De repente, naquela noite você fez aquilo comigo e passei a questionar isso.

– O que eu fiz com você?

– Me tomou em seus braços, encostou seu corpo ao meu... Seu rosto próximo ao meu pescoço... Fez eu sentir algo nunca sentido antes, ou depois. Foi ousada de uma forma que nunca ninguém foi ou deixei ser.

Sem me conter me aproximei dela, em meus olhos o fogo do desejo, não escondi aquilo, não daquela vez, disse quase sem voz:

– E agora, como se sente estando aqui comigo?

– Confusa... Curiosa... Estranhamente envolvida.

– Estranhamente envolvida? – sorri, aquilo era novo, até para mim, ainda assim, explicou olhando em meus olhos.

– Não vou mentir, não quis ficar longe desde o momento em que entrou no meu apartamento, por isso invadi seu quarto dessa forma.

– Seu quarto, quis dizer...

– Seu, a partir do momento em que entrou... – seus olhos perdidos nos meus, ainda disse: – Estava curiosa, você me deixou assim.

– Curiosa para saber como descobri seu nome, sei...

– Não Beatriz, estou curiosa para saber o que acredita que eu procuro nos homens.

– Como assim? – sorriu sem jeito, desviou os olhos por segundos, mas voltou novamente dizendo:

– Naquela noite em que conversamos pela primeira vez, você disse “Quando estiver cansada desses riquinhos metidos a bestas, que acham que estão satisfazendo uma mulher como você... Me procura, talvez eu possa dar o que você tanto procura nesses caras.” – Quero saber o motivo de ter dito aquilo.

– Guardou minhas palavras?

– Não é todo mundo que fala daquela forma comigo, sim, guardei com um certo ódio. – Mas no final sorriu, me deixando aliviada para continuar com meu flerte bobo.

– E está com ódio de mim hoje, foi isso que moveu você até aqui?

– Não, meu ódio há muito tempo se transformou em curiosidade... Vai me responder?

– Você é uma mulher linda, esbanja sensualidade por onde passa, é misteriosa, desculpa a expressão, mas é muito gostosa, a ponto de deixar aqueles homens fascinados e com desejo de ter você entre os braços deles apenas com um propósito, se satisfazerem com uma beldade de mulher e se gabarem disso depois, mas posso garantir, que muitos não chegaram nem perto de satisfazer você como merece e necessita.

– Uau, e com esse discurso todo, está me dizendo que pode fazer isso, me satisfazer?

– Não, aliás, já pensei muito nisso, ao menos em comparação com alguns homens que vi em sua companhia, pela sua expressão...

– Como assim, expressão?

– Queria estar e desejava ser possuída por todos eles?

– Não fui para cama com todos os homens com quem eu saí, está tomando uma visão diferente de mim.

– Desculpa, não foi essa a minha intenção, mas aparentava, por isso pensei como tal.

– Entendo... – desviou os olhos dos meus, ainda que estivéssemos próximas, não ousava me aproximar mais, porém, sussurrei:

– Não sente vontade de estar com uma mulher?

– Com você? – me olhou, buscando alguma coisa em meus olhos, sorri dizendo apenas:

– Qualquer mulher, você é livre para buscar realizar seus desejos e vontades.

– Já tive vontade sim, quando entrei para a faculdade, onde pode-se experimentar de “tudo”, mas não surgiu desejo e nem oportunidade.

– Entendi... – aquela não foi a resposta que eu queria, mas já esperava.

– Mas posso confessar? – uma pitada de esperança talvez? Ainda assim não fiquei tão ansiosa, ela disse: – Depois daquela nossa conversa, fiquei pensando no assunto, as vezes tenho essa vontade sim.

– E agora, está com essa vontade? – dei um passo em sua direção, ela me olhou, sorriu discretamente, não a toquei, mas podia sentir seu hálito quente em meu rosto... sua respiração mudou, sussurrei: – Quer ter essa primeira experiência comigo?

– Você é boa de conversa...

– Sou?

– Sim... Envolvente... Sedutora... – olhou em meus olhos agora, umedeceu os lábios antes de dizer: – Se eu disser que sim, como faria?

– Só irei fazer o que seu corpo mandar.

– Como assim?

– Ora, você não é leiga nisso, só posso dizer que a meta é a satisfação total.

– Você se acha, sabia? – disse quase sem voz, sussurrei também:

– Já me disse isso... – nossos olhos se cruzaram por alguns segundos, ela era um pouco mais alta que eu, tomou a iniciativa, aproximou os lábios e sussurrou entre os meus:

– Estou tentada... – buscou minha língua com a sua e sugou forte, seus braços em volta do meu pescoço... Meu coração foi de zero a cem em questão de segundos.

Deixei que ela ditasse as regras, e me deixei levar naquele beijo inesquecível... Ora brincando com minha língua... Ora mordiscando meus lábios, ela estava me deixando inebriada com um simples beijo... Simples? Não, complexo... Delicioso... Incomparável... Seus gemidos me levavam a uma outra dimensão... Posso estar pensando bobagens, mas navegar nela era o que eu mais queria.

 Quando suas mãos deslizaram pelos meus braços que se arrepiaram, sem pudores minhas mãos caíram sobre sua cintura, buscando sua pele por baixo daquelas peças minúsculas... Ela beijava tão bem que foi impossível evitar um gemido de prazer entre seus lábios... Levantei a parte de cima, tocando seus seios sem tirar a peça, eles couberam certinho entre meus dedos... Brinquei com o bico que rijo me arrancou mais um gemido...

Marina se afastou, não saberia dizer das duas, quem estava com a respiração mais oscilante... A tomei em meus braços e segui com ela para a cama, onde a deitei e me coloquei por cima, buscando sua língua com a minha mais uma vez. Agora meus dedos exploravam seu corpo... dos seios para a coxa e dela para o interior de suas pernas, onde seu sexo pulsava quente, salivei e gemi mais uma vez.

Notas finais:

Hei meninas... Bom dia!


Mais um caps para vocês... Espero que curtam...


Volto no fds com a finalização... ;)


Bjs a todas... se cuidem..


Bia


 

Caps. 5 - Saciando os desejos (penúltimo) por Bia Ramos

 

Levemente tirei sua camiseta deixando a mostra seus seios suculentos, levei minha boca e passei a língua de leve sobre um deles, mordisquei sentindo ela impulsionar o corpo, com ele entre meus lábios o suguei com vontade, os gemidos dela me incentivavam a prosseguir. Busquei o outro com os dedos, e depois com a boca, fiquei brincando de sugá-los por alguns minutos.

Meu sexo estava explodindo, meu desejo por ela era tanto que sentia meu líquido me molhar inteira, mal pude conter meu gemido de quase satisfação, mas me segurei, queria mais dela e fui buscar, deslizando minha língua por sua barriga, encontrando um piercing em seu umbigo, com o qual brinquei um pouco, passando minha língua em volta e dentro dele.

Desci meus dedos de leve e passei por cima de seu micro short doll, ela estava apenas com ele e marcava sua pele desenhando seu sexo perfeitamente, sem me conter, passei a língua por cima, ela gemeu gostoso. Em um impulso, arranquei ele de sua pele e olhei pela primeira vez, o contorno de sua pele deliciosamente depilada deixando apenas aquele caminho de pelos, o qual dizia: “É por aqui que você encontra a felicidade”. Perfeita, se abriu para mim.

Contornei aquela obra de artes com a ponta dos meus dedos, marcando e decorando cada pedacinho. Fui de encontro aos lábios dela, os quais me receberam com uma leve mordida, em seguida sugou minha língua. Busquei com um dedo, entrar nela para sentir o fogo que a consumia, tirei e coloquei dois, entrando e saindo de acordo com o ritmo de seu corpo.

Tirei os dois e coloquei três, sentindo uma resistência deliciosa, mas abrindo passagem para estocadas mais rápidas e certeiras. Ela rebolava com o entre e sai das minhas estocadas, até que parei, abriu os olhos resmungando:

– Não para...

– Não vou, mas necessito sentir seu gosto, seu gozo entre meus dedos e lábios. – sorri tirando meus dedos de dentro dela, desci com ela me olhando e fui ao encontro do seu clitóris, o qual beijei de leve, em seguida passando a língua de baixo para cima, ela gemeu alto. Desci encaixando minha língua entrando e saindo dela, me deliciando com seu rebolado mesclado com seus gemidos deliciosos.

Fui ao encontro do seu clitóris novamente, encaixando meus dedos entrando e saindo intercalando sugadas, lambidas e chupadas. Senti o corpo dela se espasmar e o gozo escorrer entre meus dedos. Ia parar de chupá-la para me deliciar em seu gozo, mas ela segurou minha cabeça pedindo mais. Como negar aquele pedido?

Segui novamente, gemendo deliciosamente, já tinha perdido a conta de quantas vezes havia gozado ao ouvir os comandos e pedidos dela acima de minha cabeça e seu corpo entrar em espasmos mais uma vez. Dessa vez ela não segurou minha cabeça, mas permaneci ali, sugando cada gota que ela me doou, e depois que estava mais calma, subi em busca de sua língua, queria um beijo e olhar nos olhos dela ao gozar mais uma vez. Gemi entre os lábios dela que mordiscou os meus. O desejo ainda tomando conta de mim, mas freei meu desejo para não assustá-la, escondi meu rosto em seu pescoço, onde me deliciei com seu aroma.

Quando fui retomando a respiração, comecei a deslizar meus dedos em sua barriga, brincando com seus seios, atiçando-os para ficarem duros. E quando ficavam, sugava-os com vontade, sempre olhando nos olhos da mulher deitada naquela cama, ela sorria faceira, o desejo estampado em seus olhos.

Isso passava das quatro da manhã, embora o cansaço estivesse presente, nossos lábios não desgrudavam. E posso afirmar, meu amor aumentou ainda mais por ela, mesmo que no outro dia me mandasse embora, tinha valido a pena cada segundo daquela noite. Sorri triste, esperava por aquilo, mas dentro do meu coração tinha esperanças de que ela enfim me desse uma chance.

– Porque o sorriso triste? – olhei para ela, passei os dedos de leve em seu rosto contornando seus lábios, inspirei fundo dizendo apenas:

– Bobagem... Nem deveria estar pensando... – Aproximei meus lábios dos dela, ela ainda me olhava, mas insisti e ela aceitou minha língua e ficamos nos beijando, até o corpo se acender novamente e terminar com ela gozando em minha boca.

Passava das seis quando finalmente cansadas, adormecemos, ela em meus braços, segura e protegida e, pela primeira vez em quase dois anos, não sonhei com ela, porque inconscientemente, sabia que estava em meus braços...

Quando acordei, ainda com preguiça, apesar da claridade no quarto, estranhei a princípio, mas Marina se mexeu em meus braços, e acabei despertando de vez. Fiquei ali namorando-a por alguns minutos, até levantar sem acordá-la e ir para o banheiro tomar banho. Localizei minha roupa da noite passada e mesmo amassadas coloquei, a deixei na cama dormindo serena e segui para a cozinha, como na noite passada ela havia me dado liberdade, aproveitei.

Estava com fome, preparei um café forte, separei algumas frutas, torradas e geleia, sobre a mesa, estava tomando um copo fumegante quando a vi aparecer na sala, apenas de camiseta e calcinha, até esqueci o que estava fazendo, quase me queimei com o café quente. Ela olhou para os lados e me localizou vindo em minha direção... Seu olhar estava neutro, havia tomado banho, peguei um copo e coloquei café oferecendo para ela que tomou um gole assim que pegou o copo em suas mãos.

– Delicioso, obrigada.

– Disponha... – sorri, mas desviei os olhos dos dela, que colocou o copo sobre o balcão perguntando:

– Você está bem?

– Estou sim, só um pouco sonolenta.

– Eu também, porque não dormiu mais um pouco?

– Sinceramente? – sorri sem jeito, ela concordou, disse: – Eu não sabia qual seria a sua reação ao me ver na cama com você, então para evitar embaraços, saí dela antes de acordar.

Ela me olhou, tomou mais uma dose de café e deu a volta no balcão, se colocou ao meu lado, preparou uma torrada com geleia, se posicionou em minha frente contra o balcão, mordeu a torrada ainda me olhando, fiquei confusa, o que ela estaria pensando? Pegou um guardanapo, limpou a boca, segurou o cós de minha calça e me puxou para junto dela, deslizou os dedos pelos meus braços e disse:

– Fiquei surpresa quando me falou de seus sentimentos, claro que não esperava por isso, mesmo assim, sabendo deles, não iria para a cama com você apenas por estar curiosa de como seria. – inspirou fundo e seguiu: – Ainda assim, nossa noite foi além do que eu esperava, você foi tão gentil em cada toque, beijo... Jamais fui tocada por alguém assim. Claro que tive noites inesquecíveis, e você não vai querer saber disso... – sorriu e eu concordei:

– Acredito que não mesmo!

– Então... – sorriu lindamente, levantei uma de minhas mãos e passei sobre seu rosto dizendo:

– Não se sinta responsável pelos meus sentimentos, não sou criança, embora não aceite a palavra não, não quer dizer que não posso viver com ela.

– O que quer dizer?

– Quero dizer que foi maravilhoso passar a noite com você, tudo o que eu esperava encontrei nessa noite. Não matei totalmente meu desejo por você, porque calculo que ele não seja mensurado. – sorri e ela jogou a cabeça para trás gargalhando, mas continuei: – Não quero forçar nada com você, pelo contrário, gostaria que as coisas fossem sem planejamento, sem esperar, que simplesmente fossem acontecendo com o tempo.

– Concordo com você, ainda assim, podemos ir nos curtindo nesse meio tempo. – segurou minha mão: – Você despertou uma curiosidade nunca sentida por mim, e quero aproveitar o tempo que for necessário para usar e abusar disso.

– Quer usar e abusar de mim?

– Só se você deixar, claro. – disse sensual, mordiscando meus lábios, lógico que eu deixaria, era um risco que eu estava decidida a correr, sorri perguntando:

– Quer passar o dia comigo e me deixar mostrar outra impressão sobre mim?

– Além daquela que eu tive essa madrugada?

– E qual foi a impressão que teve de mim essa madrugada?

– Não tenho certeza ainda, mas se pudesse me mostrar mais um pouco, talvez eu formasse algo concreto... – a tomei nos braços colocando-a sobre o balcão, agora agia por extinto, joguei sua camiseta que arranquei, longe, sugando seus seios com desejo, enquanto ela jogava a cabeça para trás gemendo.

Fiz com que deitasse metade do corpo sobre o balcão e suguei seu sexo com paixão. Lambi, mordi, chupei até ela se derramar em gozo em meus lábios. Queria mais dela e assim busquei... Finalizamos aquela manhã no tapete da sala, exaustas e jogadas no chão. Quando nos recuperamos, seguimos para o banheiro, onde tomamos um banho maravilhoso.

Ela pegou algumas roupas e objetos que iria usar, seguimos para minha casa, onde fiz questão de estrear com ela, o lugar onde várias vezes passei noites e mais noites desejando-a. Foi delicioso, passamos em um restaurante, pegamos nosso almoço, e no fim, parei o carro no píer da cidade, já tinha pedido para adiantarem as coisas lá, entramos na lancha da Júlia, minha amiga, que pedi emprestado, almoçamos naquele clima maravilhoso. Depois seguimos mar adentro.

 

Notas finais:

Hei meninas... Boa noite!

 

Eis aqui o quinto e penúltimo caps... Espero que curtam...

 

Volto amanhã com o último... ;)

 

Bjs a todas... se cuidem..

 

Bia

Caps. 6 – Entrega total (último) por Bia Ramos
Notas do autor:

Gostaria de pedir desculpa pela demora a postar o último caps... Acabei ficando sem PC e vocês podem imaginar a minha agonia...

Enfim, estou aqui... Encontro com vocês, nas NOTAS...

Boa leitura!

Próxima parada? Seria uma ilha a poucos quilômetros da cidade com um enorme Resort no centro dela, mas havia reservado um pequeno espaço do outro lado, com uma cabana e praia particular só para nós, a qual conhecia muito bem.

Estava morrendo de vontade de possuí-la naquela praia onde só estaríamos nós duas. Queria aproveitar o momento, e se o destino quis assim, com ela ao meu lado, quem seria eu para dizer não?

Estava deitada enquanto eu guiava a lancha, mas logo ela levantou e veio em minha direção, me abraçou pela cintura, ficamos conversando e rindo. Quando avistamos a ilha, ela desfez o abraço e senti falta daquele contato, começou a se afastar, a segurei de leve pelo braço, seguiu com os olhos até onde minha mão pousou e depois me olhou sorrindo, a puxei de volta, seu corpo se encaixou direitinho ao meu.

No mesmo instante, desliguei os motores, cerca de vinte minutos da nossa parada final, mas não aguentava mais esperar, segurei seu rosto entre minhas mãos e antes de tomar seus lábios, sussurrei:

– Quero você agora...

Minha boca tomou a dela, buscando sua língua com desejo. Senti seus braços pousarem em meus ombros me abraçando. Minhas mãos, passeavam livre pelo seu corpo, até alcançar os nós, que prendiam seu biquíni, puxei os laços e no segundo seguinte às duas peças foram parar no chão.

Nossas bocas ainda grudadas, os olhos dela encontraram os meus, sorriu safada. Dei um passo atrás para apreciar aquela beleza única, minha boca salivou queria sentir novamente, seu sabor entre meus lábios.

Ela virou de costas, pegando em minha mão e me guiou para o interior da lancha, onde vi a satisfação, estampados nos olhos dela, tinha uma enorme cama no centro do pequeno quarto... Ela se aproximou de mim, tirou minha camiseta, e desatou os nós que prendiam o meu biquíni, agora.

Me vi sendo desnudada por ela, e o melhor, ela me puxou para seus braços, deslizou seus dedos pelo meu corpo e sussurrou:

– Agora... Você será minha...

– Mas...

Não deixou que eu terminasse, me empurrou sobre a cama, deitando com metade do seu corpo sobre o meu, propositalmente encaixou uma de sua coxa entre minhas pernas e pressionou meu sexo, me fazendo gemer deliciada. Jogou os cabelos de lado, no instante em que tomou meus lábios e me beijou... Ainda sentindo seu corpo junto ao meu... Sua coxa me proporcionando um desejo insano...

Tentei me virar, mas ela me prendeu, sugando minha língua ferozmente... Estava prestes a me derramar em desejo, quando ela me privou daquilo, afastando sua perna do contato com meu sexo, me deixando a desejar.

Mas no segundo seguinte, deslizou a mão sobre minha pele, indo parar em meu seio, onde circulou com a ponta dos dedos, me fazendo arrepiar novamente. Não me olhou, mas pressenti o que ela ia fazer, e segundos depois senti sua boca pousar em mim...

Fechei os olhos sabendo que nada era tão prazeroso, quanto sentir ela me tomar daquela forma... Inocente e, ao mesmo tempo, atrevida... Me sugou e mais um gemido escapou de meus lábios.

Abri os olhos e ela me encarou, um misto de surpresa e desejo em seus olhos... Como eu a desejava... E estava nítido em seus olhos... Movimentos... Toques... Que ela me desejava com a mesma intensidade... Sorriu safada e capturou o outro seio, não queria que ela saísse mais daquele contato... Quase gozei com aquele nada simples, porém um toque “inocente”.

Mas, ela me frustrou novamente, deixando meus seios e se encaixando entre minhas pernas, sorri imaginando se ela teria coragem de ir até o fim, mas fui surpreendida quando ela disse:

– Estava aguardando por esse momento, desde ontem a noite... – olhou-me no mesmo instante que senti seus dedos me tocarem intimamente, já não controlava mais meu corpo, ele passou a ter vida própria sendo conduzido por ela que disse ainda: – Não conhecia esse desejo incontrolável que aflorou em mim nessas últimas horas.

– Pode ser mais específica?

Seus olhos caíram sobre os meus, seus dedos deslizaram para o interior de minhas pernas e se encaixaram perfeitamente em meu sexo, entrando como se fizesse parte de mim, fechei os olhos, quem estava com o desejo descontrolado agora, era eu...

– Onde está a sua arrogância e prepotência agora, Beatriz?

Abri os olhos, ela me olhava safada, sorri e disse apenas:

– Perdi no instante em que você entrou naquele quarto ontem.

– Me diz o que você quer de mim agora?

– Me fode gostoso, nada mais importa nesse momento...

Minha voz se perdeu no instante em que senti a boca dela sugando meu clitóris, no ritmo em que seus dedos entravam e saiam de dentro de mim... Minhas mãos agarram os lençóis, ninguém nunca havia me tocado com tanta intensidade... Aliás, ninguém nunca me tocou como ela estava fazendo naquele momento, parecia que sabia cada reação que causava em mim...

Senti meus batimentos falharem, quando minutos depois meu corpo sucumbiu em espasmos repetidos... Um orgasmo que arrancou minhas forças, mas o mais incrível, era que eu não queria que ela parasse… E como se soubesse o que ia na minha mente, continuou até que gozei novamente...

Anestesiada, era essa a palavra, Marina me deixou assim, estremeci quando senti seus dedos saírem de dentro de mim... Senti sua boca passar por todo o meu sexo e sugar cada gota do meu gozo... Incrível como ela conhecia meu corpo, sem nunca antes ter me tocado.

Sem forças para pedir, queria que ela me beijasse, mas não conseguia abrir meus olhos, sorri apenas... E como se lesse novamente meus pensamentos, ela veio até mim e me beijou, senti o gosto de meu gozo quando ela sugou minha língua, gemi novamente, dessa vez baixinho... Ela se afastou, mordiscou meu lábio inferior, abri meus olhos, o brilho que vi em seus olhos, fez meu coração falhar novamente... Eu a amava com todas as minhas forças, levei minha mão ao seu rosto que sorriu dizendo:

– Agora você é minha...

– Você não soube? – ela me olhou indagando, em um impulso a virei na cama ficando por cima dela, deslizando minha língua entre seus lábios e sussurrando antes de tomá-los: – Eu sempre fui sua...

E antes que ela dissesse alguma coisa, a beijei... Minutos depois estava entre suas pernas... Lambendo... Chupando... Me deliciando com seus gemidos... Ela estava solta, não reprimiu seus desejos, seus gemidos e gritos ecoavam pelo pequeno quarto...

“Minha boca não consegue mais, desgrudar da sua pele, da sua saliência... Dos seus sais...”

Horas mais tarde, estava deitada atrás dela agora, nossas mãos unidas, meus lábios entre seu pescoço, beijando e mordiscando de leve... A canção de Isa Tavianni na minha cabeça, ecoava alto. Marina virou em minha direção e me beijou docemente, em seguida virou seu corpo se encaixando em meu abraço, estávamos exaustas, senti a respiração dela ficar mais leve e adormecer serena... Segundos depois, fechei os olhos e acabei adormecendo também...

Acordei primeiro que ela, conduzi a lancha para mais perto da ilha, onde parei e logo avistei alguém vindo de barco nos buscar. Naquele momento ela apareceu me abraçando, seu corpo colado ao meu, senti o calor emanar e o desejo aflorar quando seus lábios tocaram meu pescoço e sussurraram em meu ouvido:

– Chegamos? – fechei os olhos mal acreditando que aquilo fosse possível, voltei meus olhos para ela no instante em que meus lábios caíram sobre os dela, nossas línguas se encontraram em uma dança deliciosa, meus braços tomaram conta de sua cintura aproximando mais nossos corpos, quando nos separamos, sussurrei ainda entre seus lábios:

– Sim, e não vejo a hora de tê-la em meus braços novamente.

– Já estou ansiosa para chegarmos...

– Quero aproveitar cada minuto na sua companhia.

Segundos depois que desembarcamos, seguimos para o Resort onde fizemos o check-in, um Jipe estava a nossa espera, o conduzi até o outro lado da ilha e assim que pisamos na varanda da cabana, ela beijou meus lábios novamente, e me abraçou. Embarquei naquela aventura, tendo junto a mim, a mulher de meus sonhos.  

(...)

 

Notas finais:

Apesar dos obstáculos enfrentados, como alguns males vem para o bem... hehe


Tenho uma surpresa para vocês. Um EXTRA que não estava nos meus planos, apareceu, e com a ajuda de uma amiga, Lilly Porto, ele surgiu...


Ansiosa para saber o que vocês acharam...   


Bjs a todas... se cuidem..


Bia

EXTRA - A História de Marina – Lilly Porto por Bia Ramos

Nunca me imaginei fazendo o que faço hoje em dia para sobreviver, ou melhor, viver. Me acostumei com os pequenos luxos que minha atual profissão me permite, e após aquela briga horrível com meus pais, não achei que valeria a pena tirar o meu diploma de arquitetura da “gaveta”, para mostrar-lhes que eu consegui me tornar uma moça “direita” como eles tanto desejavam que eu fosse.

Deixe-me ver como está minha agenda hoje à noite, ah, não. Estou começando a achar que esse cara quer exclusividade. Na minha profissão, não posso me dar ao luxo de escolher clientes, muito menos, deixar que eles pensem que podem ser meus donos, apenas por terem uma carteira “recheada”.

Maquiagem perfeita, vestido vermelho, combinando com as unhas e um scarpin branco nos pés, uma verdadeira anjinha, a nora que toda mãe pediu a Deus, se não fosse a minha forma de “ganhar a vida”, sorri com esse pensamento bobo. O porteiro acabou de anunciar que meu taxi chegou.

Hoje vou acompanhar um cliente a inauguração de uma boate, acho que esse termo é antigo, porém, foi o que ele me disse, marquei de encontrá-lo na porta do estabelecimento, não gosto de dar meu endereço aos clientes. Nunca se sabe o que eles podem fazer depois de um “não”.

O ambiente é bem aconchegante, apesar da companhia não ser das melhores, afinal, o homem ao qual acompanho esta noite é um riquinho metido a besta, que gosta de mostrar a mulher que o acompanha como se fosse um troféu, e isso me deixa exausta, sorri para um e outro por 6h seguidas é um tanto quanto enfadonho.

Noite finalizada com sucesso, e enfim volto para o meu refúgio, onde posso ser eu outra vez!

– Vamos maninha, prometo que eles não vão te atacar dessa vez, eu não vou deixar. Prometo.

– Não dá Caio, eu queria muito ir, mas não vou criar um climão em um dia tão especial em sua vida.

– Mana, não faz assim, você tem mais direito de estar lá que eles. Foi você que bancou minha faculdade, Deus sabe o quanto precisou abrir mão dos seus princípios para isso, para que hoje eu pudesse bater no peito e dizer que sou médico, não faz essa desfeita, por favor! – Meu irmão mais novo alegava do outro lado da linha, tentando me convencer a ir em sua formatura.

– Não fala assim, o pai e a mãe ralaram bastante para fazerem de nós dois pessoas de bem. Sabe muito bem que não tive escolha, era isso ou...

Ele me interrompeu depressa:

– Você não tem culpa do pai ter perdido o emprego e gastado o que tinha em jogo. É por isso mesmo que tem direito de ir a minha formatura, você faz parte da família, abdicou da sua vida para cuidar de todo mundo, se hoje a mãe tem o ateliê de costura dela e consegue manter as contas de casa com o que o pai ganha na metalúrgica, é graças a você, mana. Foi você que deu adeus ao seu sonho de sair do país, de fazer mestrado em Londres, de batalhar pela vaga de emprego naquela multinacional quando as contas começaram a se acumular por aqui.

– Para, Caio, eu fiz o que precisava ser feito, não me arrependo disso. – Lágrimas molhavam meu rosto, sempre que falava sobre o meu passado, ficava com um nó na garganta. – Não quero impor minha presença, acabei de fazer o pagamento da parcela da casa, imprime e entrega o comprovante a mãe, por favor. Na próxima semana almoçamos juntos, vou a cidade, estou com saudade daquela compota de ameixa que só vende aí. Aproveito e vejo nossos pais mesmo que seja de longe

– Já vi que não vou te convencer. Você é muito boa, mesmo eles não querendo te ver, você nunca deixou de ajudá-los.

– É minha obrigação, eles podem não se considerarem mais meus pais. Mas eu ainda me considero filha deles, e o que puder fazer para tornar a vida deles mais confortável, farei. Agora preciso ir, tenho um compromisso logo mais.

– Tudo bem. Se cuida, por favor. Você é muito importante para mim. – Ficou mudo por alguns segundos, sua respiração parecia descompassada quando voltou a falar: – Mana, muito obrigado por cuidar de nós, eu te amo e tenho muito orgulho de tê-la como irmã, nada no mundo me fará ter vergonha de você, é uma mulher muito corajosa.

– Te amo, meu amor, – limpei uma lágrima teimosa que correu por meu rosto sem permissão – também tenho muito orgulho do homem que se tornou, se cuida e cuida dos nossos pais. Beijo.

Encerrei a chamada pensativa, exatamente cinco anos que meus pais tinham cortado laços comigo. Me mudei para a capital na esperança de conseguir um emprego na minha área de formação, mas a grana que consegui juntar enquanto estava na faculdade, fazendo alguns projetos para a vizinhança, estava chegando ao final, e nada de encontrar emprego, afinal, quem contrataria uma arquiteta recém-formada, vindo do interior, sem experiência suficiente na área?

Nesse meio tempo, meu pai foi demitido da fábrica em que trabalhava e torrou toda a grana da rescisão em jogos de apostas, na mesma época em que ele e minha mãe tinham conseguido realizar o sonho da casa própria. As parcelas foram se acumulando, minha mãe “pirando”, meu irmão mais novo na faculdade de Medicina, com as mensalidades atrasadas também. Até que encontrei uma antiga colega da faculdade que me contou como estava “ganhando” a vida.

Foi aí que virei uma acompanhante de luxo, no início me associe a casa noturna em que ela trabalhava, mas o serviço era muito, a comissão pouca, a maior parte ficava para a casa, e a grana que ganhava malmente dava para pagar as mensalidades do Caio.

Conheci um cliente que costumava pagar a mais nos serviços, se estendêssemos a companhia por algumas horas, e ele sugeriu que eu virasse minha própria “patroa”, abrindo um site ou coisa do tipo, com certeza ganharia mais. Pesquisando na internet encontrei alguns vídeos a respeito de criação de site e pessoas que trabalhavam com isso, e assim, abri o meu próprio negócio.

E hoje, trabalho os dias que quero e acompanho apenas quem quero também, mentira, ainda tenho contas a pagar, não consegui me dar esse luxo ainda, mas já avancei nesse quesito, e atendo apenas clientes “conhecidos” indicados por algum outro cliente, ou com uma “ficha limpa”, sim, tenho alguém que pesquisa os antecedentes, digamos assim, dos clientes que aparecem de paraquedas em meu site.

Só não contava que algum dos meus antigos vizinhos encontrassem meu site e mostrasse aos meus pais como eu estava “ganhando” a vida. E foi assim, que eles deixaram de falar comigo, mas assumi o compromisso de pagar as prestações da casa e as mensalidades do meu irmão, o pequeno negócio que montei para minha mãe, não cobririam todas as despesas.

Dessa forma, me “fechei em mim”, consegui comprar meu próprio apartamento, modesto, mas muito aconchegante, é onde deixo de ser “Andressa, a acompanhante de luxo” e posso ser Marina, a menina do interior, cheia de medos, vergonhas e muita saudade dos pais.

Agora chega de falar de coisas que me fazem chorar, vamos trabalhar, que por mais que pareça, eu não ganho dinheiro com a facilidade que as pessoas pensam.

– Você nunca pensou em casar?

– Até pensei, mas hoje, não me vejo mais como uma esposa dedicada ao lar, filhos e marido.

– Já foi pedida em casamento alguma vez?

– Não, – sorri imitando uma timidez que não me pertencia – no meu ramo de atuação isso não é algo comum, se é que me entende.

– Entendo, mas é uma mulher muito bonita. – Sorriu sedutor. – Quem sabe se abandonar esse serviço, não consiga um bom partido, que banque todos os seus luxos.

– Não estou à procura de ninguém, nem bom, muito menos maus partidos. Além do mais, posso não ter o melhor emprego do mundo, mas é esse que paga as minhas contas. E depender de homem, não faz o meu tipo, ou então não teria saído da casa do meu pai.

– Quer dizer que mesmo casando vai continuar com esse serviço? – Levou a taça aos lábios com uma certa hesitação.

– Acho que não entendeu, não estou à procura de casamento, pelo contrário. – Olhei para o relógio em meu pulso, dele para o celular que vibrava sobre a mesa – Bom, muito obrigada pela companhia, o jantar estava ótimo. Mas, preciso ir.

– Espera, – segurou meu braço com mais força do que deveria, o olhei de soslaio, enquanto voltava a falar: – paguei para jantar comigo, não para me largar sozinho na mesa.

– Caso não lembre, – tirei sua mão cautelosamente do meu braço, não queria um escândalo, muito menos chamar mais atenção para a nossa mesa – você pagou por duas horas, e passamos metade delas, conversando em seu carro, não posso fazer nada, tenho outro compromisso agora.

– Não vai me deixar aqui sozinho, eu pago mais uma hora se o problema for esse, – fez menção de esticar a carteira do bolso do paletó – pago até a noite inteira.

– Não precisa fazer isso, – interrompi seu movimento, evitando chamar ainda mais atenção das pessoas que ocupavam as mesas perto de nós – tenho outro compromisso, sinto muito, não posso ficar. Você precisa se organizar melhor, tenha uma ótima noite, com licença.

Uma noite mal dormida, mesmo por conta de um bom sexo, jamais pode ser recuperada, estou exausta. E ainda vou pegar a estrada para almoçar com meu irmão, dirigir nessas condições nem pensar. Ainda bem que contratei um motorista de aluguel, dessa forma, consigo dormir nas três horas de viagem.

O tempo realmente voa, três anos desde que tive um último encontro decente com meu irmão. Depois de um ano de formado, ele recebeu uma proposta para trabalhar em Belo Horizonte, e com sua rotina louca, alegando que encontrará um tempo para me visitar, ainda não o fez, quando marquei de ir vê-lo, meus pais parecem ter pressentido o meu planejamento e se anteciparam, quando fiz uma chamada de vídeo para ele, para contar a novidade, minha mãe apareceu na tela, com cara de poucos amigos, dizendo que ele tinha saído e demoraria a voltar, tentei sondar como eles estavam, e ela simplesmente encerrou a chamada.

E hoje, mais uma vez, ao ligar para ele, descobri que não estará disponível na semana que planejei viajar.

– Está bem, quando tiver disponibilidade, avisa, assim não fico marcando e desmarcando passagem.

– Desfaz esse bico. – Sorriu faceiro – Se tivesse me avisado antes não teria me inscrito no simpósio. Estou louco para te ver, quero que conheça o meu cantinho. Sabe disso.

– Se quisesse mesmo, já teria encontrado um horário para mim nessa sua agenda cheia. – Afirmei birrenta.

– Fica tão fofinha com ciúmes, maninha. Agora tenho que ir, te amo. Se cuida, e nada de chegar tarde em casa, toda maquiada assim, deve estar trabalhando.

– Estou mesmo, também preciso ir. Te amo, estou com muita saudade, até mais, beijo.

Mais uma vez, encerrei a ligação frustrada, estar com meu irmão, mesmo que por poucas horas, me fazia lembrar de quem eu era de verdade, do que eu era sem aquelas roupas, maquiagens e sapatos caros.

Meus pensamentos foram interrompidos por alguém, que até então, não conhecia.

E agora que conheço, apenas de vista, preferia não ter conhecido, que mulher arrogante. Quem pensa que é, para se intrometer na minha vida, e ainda me dar conselhos tortos. A julgar pelas vestes, e o Chanel em seus pés, é mais uma riquinha metida a besta.

Último cliente da noite feliz pelo meu trabalho, e lá vou eu para o meu mundo particular, ainda bem que amanhã estou de folga, passarei o dia inteiro na cama. Droga, comemorei cedo demais, acabei de receber uma notificação do meu site e alerta da minha conta bancária que tenho trabalho amanhã, esqueci de fechar a agenda, como é um cliente regular, não posso simplesmente devolver o pagamento e dar por encerrado o passeio.

– Segunda-feira é sua folga Marina, e você fará o que quiser! – Falei para o meu reflexo diante do espelho.

Até que a programação não é de toda ruim, uma festa na piscina. Muita gente bonita e divertida, alguns esnobes, claro, para não fugir à regra desse mundo, sorri com meu pensamento.

Meu cliente está bem animado, prefiro quando esse em especifico está assim, torna o trabalho mais fácil, e me dá a certeza que depois das horas já pagas, vou direto para minha casa, sem passagem por motéis luxuosos.

Essa maldita dor de cabeça tinha que me incomodar logo agora, pedi licença a ele para me recompor, muito solícito perguntou se não era melhor que saíssemos dali, aleguei que não, que precisava apenas respirar e andar um pouco e, em poucos minutos estaria renovada.

Me afastei da piscina, indo em direção onde estavam os carros, alguns modelos muito luxuosos, porém, estranhos, por assim dizer, para mim, está aí uma coisa que ainda não quis investir, em um automóvel, quando estou atrás de um volante, é sempre de um veículo alugado, carro demanda muitos gastos, ainda mais o que eu “sonho” em ter, acabei de encontrar o modelo aqui, um BMW Z4, simplesmente lindo!

Ah, não, era só o que faltava, encontrar essa mulher outra vez. Criaturinha mais chata, nossa.

Me afastei em direção a casa, alguma coisa me atraía a olhar para trás, percebi que o carro que admirava era dela. Não falei, mais uma riquinha esnobe, agora tenho plena certeza disso.

– Está melhor?

– O que? Eu... – Me dei conta que ele falava da minha dor de cabeça, com a pequena irritação com a fulana lá, acabei esquecendo que estava com dor. – Estou melhor, vamos nos divertir.

– Essa é a minha garota! – Enlaçou minha cintura, me fazendo revirar os olhos em desagrado, esse é um dos piores momentos referentes a minha profissão, fingir gostar de algo que odeio, esse sentimento de posse me dá náuseas.

Fomos para perto da piscina, onde fui apresentada a dona da casa, meio doidinha, mas muito simpática. Conversávamos sobre política, quando ouvi barulho de água se espalhando, como por reflexo olhei para a piscina, e vi quando a fulana emergiu perto de nós, passou pouco tempo na piscina, e logo saiu, vindo em nossa direção, não sei ao certo o motivo, mas prendi a respiração quando a vi fora da água apenas de biquíni, não sou de olhar a vida dos outros, mas diria que apesar de arrogante, ela tem um corpo espetacular.

Depois disso não a vi mais, deve ter ido embora, não sei, e nem quero saber na verdade. Trabalho do dia concluído com sucesso, e agora é hora de descansar. Tomei um banho relaxante, me joguei no sofá com uma garrafa de vinho, uma taça e o controle remoto do meu aparelho de som.

Estava degustando meu vinho, ao som de Calmô – Liniker e os Caramelows, me peguei pensando naquele contato nada discreto que aquela fulana teve comigo na boate, até que ela é uma bela mulher. Mas como ela sabe o meu nome? Nunca o disse para nenhum cliente, sem falar, que nunca atendi mulheres, na verdade, nunca fui contratada para tal. E que história era aquela de me satisfazer? Será que ela é mesmo isso tudo que julga ser...

– Acorda, Marina! Está quase derramando o vinho no sofá. Melhor ir dormir, tomei sol demais, é isso. – Respirei fundo, me arrastando para o quarto.

Uma boa noite de sono, sem hora para acordar, me fará muito bem!

*****

– Você parece estranha hoje! Não quer dançar?

– Desculpa, estou com cólica. – menti, e nem pensei antes de falar. – Sinto que não estou sendo uma boa companhia hoje.

– Não se preocupe, – apoiou a mão sobre a minha – está tudo bem. Achei que fôssemos esticar a noite. – tentou me beijar, mas virei o rosto.

– Não hoje, na verdade, queria dizer... – No mesmo instante meu celular tocou – com licença, preciso atender. – Me afastei na tentativa de ouvir melhor o que falavam do outro lado da linha – Sim, sou eu. Pode falar.

– Encontramos seu número como contato de emergência do senhor Caio Monteiro. A senhora é parente dele?

– Sim, o que aconteceu com o meu irmão? – Perguntei temerosa, passei o dia com um aperto no peito.

– Senhora, só posso falar pessoalmente...

Interrompi o homem as presas:  – Pode falar, eu estou longe, até conseguir chegar aí meu irmão já pode ter m... – Sufoquei um grito, e nem precisei terminar a palavra.

A voz calma e preocupada do outro lado dizia pesarosa: – Senhora, seu irmão sofreu um acidente, e infelizmente acabou de falecer, precisamos que alguém da família compareça ao hospital para fazer o reconhecimento.

– Entendo, – minha voz estava pastosa, nem eu mesmo entendia, eu só precisava encerrar aquela ligação, aquilo não podia estar acontecendo, meu irmãozinho não tinha morrido, não podia ser. – vou providenciar isso, moro em outro estado, é bem possível que não consiga chegar aí antes do meio dia de amanhã.

– Não se preocupe, sei que é uma situação difícil e que precisa tomar algumas providencias antes de vir para. Me desculpe o transtorno pela notícia por telefone, tenha uma boa noite.

Encerrei a ligação correndo para o banheiro, precisava chorar, gritar, brigar com o mundo. Meu irmão não podia ter morrido, com quem eu ia desabafar, conversar no meio da madrugada, fazer carinho depois de brigar por bobagem.

– Não é possível, eu não posso ter perdido a pessoa mais importante da minha vida. – Respirei fundo, tentando conter as lágrimas que teimavam em correr pelo meu rosto sem permissão.

Depois de conseguir falar com meu pai o que tinha acontecido, e ele gritar que não precisava da minha ajuda para ir reconhecer o corpo do filho, saí do reservado na tentativa de que a água lavasse a minha alma, e levasse toda a dor que eu estava sentindo embora.

Encontrar alguém ali, a minha espera, foi uma grande surpresa. Apesar de ter as minhas diferenças com ela, a Beatriz foi muito gentil, ainda bem, eu não estou em condições de brigar com ninguém.

Confesso que desde aquele dia na piscina passei a olhá-la de uma forma diferente, sempre bem vestida, passos leves, olhar enigmático.

Ainda não entendi como ela conseguiu descobrir o meu nome, o vinho fez bem, assim como ter um ombro para chorar e um abraço apertado. Por mais curiosa que estivesse não podia deixá-la ir embora sozinha àquela hora, não podia perder outra pessoa em minha vida, não hoje, não agora que a gente está se dando melhor.

***

Chega a ser surreal tudo o que senti e vivi com a Bia de ontem para hoje. Ela é tudo o que nunca imaginei que fosse, linda, meiga, carinhosa, charmosa e maluca. Imaginem que agora estamos em uma ilha, onde pelo o que pude entender, passaremos o dia e é bem capaz de dormimos por aqui também.

– Bia, posso falar com você?

– Claro, em que posso ser útil? – perguntou sorridente, me dando um beijo suave nos lábios.

– Imagino que você tenha planejado todo o nosso dia, mas... – as lágrimas molhavam meu rosto, minha voz embargou e corri para o banheiro.

Não queria que ela me visse assim, passamos um dia tão bom, não quero que pense que não gostei de algo, ou até mesmo que me arrependo de tudo o que fizemos, mas preciso dar adeus ao meu irmão, e rever meus pais, preciso saber como eles estão neste momento difícil.

Encostei na porta lembrando dos momentos maravilhosos que passamos em família, deveria ser proibido que os irmãos caçulas morressem antes dos mais velhos, ele tinha tantos planos, tantos sonhos.

– Porquê meu Deus, porquê?

Só agora dei vazão as minhas lágrimas, a dor estava dilacerando meu peito, eu queria vê-lo, eu preciso enfrentar meu medo e encarar meus pais.

– Marina... – Ouvi batidas na porta, e a voz dela parecia preocupada.

– Só um minuto, já saio.

Passei água no rosto e saí, precisa dizer a ela que nosso passeio precisava ser finalizado, eu preciso ir para casa.

– Está tudo bem?

– Sim. – Respondi seca, sem encará-la, ou então não teria coragem de continuar. – Preciso ir embora agora.

– Como assim? – sua voz saiu assustada. – Estava tudo bem entre nós, eu fiz...

– Shiuu... – Coloquei o indicador sob seus lábios – Você não fez nada de errado, continua tudo bem entre nós, desculpa, mas mesmo querendo muito ficar aqui com você, eu preciso me despedir do meu irmão.

– Marina, perdão. – Me envolveu carinhosamente em seus braços – Te afastei da sua família nesse momento difícil, eu não queria ser insensível, só não queria me afastar de você assim, do nada.

– Está tudo bem, Bia, amei passar esse tempo contigo, eu nem sabia que precisava disso. Mas agora sinto que tenho que voltar para casa, devo isso ao meu irmão.

As lágrimas teimosas já corriam por meu rosto outra vez, ela acariciava meus cabelos e falava palavras carinhosas em meu ouvido.

Não demorou muito para que a Bia conseguisse alugar um helicóptero para ir nos buscar. Viajamos em silêncio, ela fez questão de me levar para casa e ainda se ofereceu para ir comigo para a casa dos meus pais, achei invasivo demais, mesmo porquê, sabia bem como seria recebida por meus pais, e ninguém além de mim precisava passar por isso.

Por mais que eu tenha tentado evitar, não consegui fazer com que a Bia desistisse de me acompanhar, e assim, seguimos para o interior, com ela na direção do carro, hora ou outra acariciando minha mão.

Confesso que nunca fui tão bem tratada por ninguém assim antes, mas me incomodava não poder retribuir em igualdade a tamanha atenção e cuidado que ela estava tendo comigo.

Assim que paramos no hotel da minha cidade, tentei me redimir.

– Bia, muito obrigada por ter me acompanhado, mas você merece uma companhia melhor. Não quero abusar de você...

– Shiu, – ela selou meus lábios com um beijo calmo e acolhedor – não se preocupe com isso. Parei aqui para você descansar, não conhecia a cidade, mas pedi a minha secretária que reservasse um quarto de hotel para nós, achei que quisesse tomar um banho antes de ir para a casa dos seus pais, descansar talvez.

– Se não se importa, eu vou agora. Pelo horário, é bem provável que o corpo dele já tenha chegado.

– Meu bem, – segurou minha mão, virando meu rosto em sua direção – já é madrugada, não é melhor descansar?

– Não, eu preciso ir. – Saí andando a passos firmes.

Não demorou muito para que me alcançasse no corredor e me abraçasse carinhosamente. Mais uma vez dei vazão ao meu prato em seus braços. Seguimos para a casa dos meus pais, onde já havia uma pequena aglomeração. Entrei quieta, sem chamar atenção, não estava ali para incomodar ninguém, só precisava me despedir do meu irmão, do meu elo com a minha família, do meu sentido da vida.

– O que faz aqui? – Ouvi a voz gélida do meu pai logo atrás de mim, preferi ignorar sua pergunta, não queria me indispor com ele naquele momento. – Você não é bem-vinda aqui, saia. –Aquelas palavras tiveram o efeito de socos no meu estomago, não consegui responder, e apenas me deixei ficar ali, alisando o lindo rosto do meu irmão, sob suas vestes brancas. – Não me ouviu, – esticou meu braço com força – saia daqui você não pertence mais a esse lugar.

– Eduardo, pare com isso, está chamando a atenção de todos. Isso não é hora para brigas. – Minha mãe entrou em minha defesa, enquanto eu continuava ali, imóvel e muda.

– Não vê que ela está zombando da nossa dor. Veio tripudiar em cima do corpo do irmão. Mostrar a vergonha que se tornou para nós, ainda por cima veio como puta.

– Homem de Deus, para com isso. Deixa essa história para lá.

– Como, Edineia, me diz. Olha como sua filha se comporta. Trouxe até a cafetina dela para cá.

– Se está se referindo a mim, – Beatriz afirmou calmamente – não atuo nesse ramo, mas caso queira conhecer alguém que o faz, precisa procurar um pouco mais. Quanto a sua filha, é melhor que a respeite, e pare de causar tumulto, quando o que ela quer é apenas se despedir do irmão. Deixe de ser mesquinho, não foi só você que perdeu um filho, Marina perdeu um irmão, e pelo o que pude ver aqui, a única pessoa que se importava com ela, além de mim. Caso queira continuar com o seu espetáculo, vou avisar que ninguém aqui é obrigado a testemunhar.

– Quem pensa...

– Pare com isso ou... – cochichou alguma coisa no ouvido de meu pai que logo se afastou.

O dia já corria solto, quando abracei minha mãe, me despedindo sem saber quando voltaria a encontrá-la.

*****

Um ano se passou desde que passei aquela noite inesquecível com a Bia. Nos encontramos sempre que podemos, não é que seja um namoro, está longe disso, mas gosto da companhia dela e faço o que posso para estarmos juntas, a cobrança existe por parte dela, mas me acostumei a ser independente, e também com a vida “luxuosa” que o meu trabalho me permite ter, e isso a Beatriz insiste em não entender.

– Já conversamos sobre isso, não vou parar te trabalhar para ser sustentada por você.

– Que mal existe nisso! Eu te amo Marina, me deixa provar isso.

– Quer provar o seu amor me tornando dependente de você! Me poupe, Beatriz. Isso eu não vou admitir.

– Você gosta dessa vida, um dia com um, um dia com outro e quando não tem ninguém para sair, chama a idiota aqui...

O tapa que dei em sua face foi tão forte, que achei ter machucado minha mão. Que ódio por ter feito isso, mas ela estava me ofendendo.

– Quer saber, eu cansei disso. Temos propósitos diferentes na vida, e você precisa de alguém que possa lhe acompanhar como sua namorada, esposa um dia, quem sabe. E essa pessoa não sou eu.

– Você me convenceu agora, não irei mais atrapalhar a sua vida...

Ela segurava a lateral do rosto, em que eu havia batido, me olhou com pesar, caminhando a passos largos para a porta do meu apartamento, quando por descuido virou o rosto em minha direção ao fechar a porta, vi lágrimas em seus olhos, uma angustia invadiu o meu peito e corri atrás dela.

Por sorte, a encontrei entrando no elevador. Segurei seu braço a puxando para fora, me joguei em seus braços beijando seus lábios.

– Me desculpa, não tinha o direito de lhe agredir, eu fiquei sem saber o que fazer depois que me disse aquelas coisas. Eu te amo, Bia, e estou muito confusa. Não quero depender de você e nem quero que aceite o meu trabalho. Queria muito poder ficar apenas contigo, mas não posso pedir que espere o dia em que isso irá acontecer.

– Você disse que me ama, é isso? – Um sorriso largo e encantador tomou forma em seus lábios, ela rodava comigo em seus braços no corredor gritando que me amava.

Contagiada por sua alegria comecei a sorrir, eu amava aquela mulher, talvez desde o primeiro dia em que a vi, eu só não havia me dado conta disso.

*****

Com a ajuda da Bia consegui um emprego na minha área de formação, algum tempo depois disso, a pedi em namoro. Ela já estava cansada dos meus “nãos” aos seus pedidos, e assim, resolvi me redimir e fiz eu mesma o pedido de namoro, que ela demorou a aceitar, talvez, tenha sido a sua forma de vingança.

Mas eu não ligo para isso, estou muito feliz ao lado dela, e a cada dia que passa me apaixono ainda mais por ela.

Meus pais a amam, se vacilar, preferem mais a ela do que a mim, assim que voltamos a conviver como “pais e filha”, contei para eles da minha orientação sexual e do meu envolvimento com a moça, que ameaçou de mandar prender o meu pai, no dia do enterro do próprio filho, por estar me ofendendo.

A Bia é uma figura, uma mulher sensacional, que eu não penso mais em viver longe, justamente por isso, estou chegando na casa dela neste instante, com um buquê de flores e um par de alianças, para pedi-la em casamento.

Porém, o meu limite de espaço está acabando, e não terei como contar a vocês se ela aceitou o meu pedido ou não. Desse modo, deixarei que ela decida, se fará isso ou não... Quem sabe um dia eu não volte e conte... Quem sabe, não é mesmo!

Notas finais:

Enfim... O fim!

Não poderia falta, um agradecimento especial a todas que me acompanharam até aqui... Agradecer também, Lilly por ter aceito o meu desafio... Apesar de ter deixado no ar o que iria acontecer no final... hehe... Adorei a visão da Marina, sobre a sua perspectiva.

Fico muito feliz em finalizar mais uma de minhas histórias, e dar segmento a todas as outras que ainda faltam acabar... Espero que como essa, apareça inspiração para mais...

Bjs a todas... Se cuidem!!

Bia

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