Amor atipico (volume 2): meu coracao e o teu lar. - história pausada. por Priscila_Cruz
Summary:

 


ATENÇÃO!


Essa história não é a continuação do livro que está sendo vendido pela editora Vira Letra 


A parte 2 (que ainda não tem data para ser lançada) mostrará a cerimônia de casamento de Leila e Raquel e o que veio depois.


 


A versão que está sendo postada aqui no Lettera se passa quatorze anos após o casamento das duas.


Sei que é confuso e peço desculpas por isso!


 


 


 


Sinopse:


Quatorze anos se passaram desde que Leila e Raquel se conheceram e se casaram. O tempo fez o amor das duas crescer e a família aumentar. Agora, a loira e a morena terão novos desafio a enfrentar: a criação dos filhos, o gerenciamento de seus negócios e um inusitado encontro com uma mulher sedutora e extremamente perigosa.


Tá a fim de conhecer as novas aventuras e Leila e Raquel? Acompanhe “Meu coração é o teu lar” e venha descobrir as novidades.


 


Categoria: Romances Characters: Original
Challenges:
Series: Nenhum
Capítulos: 24 Completa: Não Palavras: 34353 Leituras: 33050 Publicada: 07/08/2020 Atualizada: 02/11/2021
Notas:

ATENÇÃO!


Essa história não é a continuação do livro que está sendo vendido pela editora Vira Letra 


A parte 2 (que ainda não tem data para ser lançada) mostrará a cerimônia de casamento de Leila e Raquel e o que veio depois.


 


A versão que está sendo postada aqui no Lettera se passa quatorze anos após o casamento das duas.


Sei que é confuso e peço desculpas por isso!

1. Família Medeiros Montanari. por Priscila_Cruz

2. Não vejo a hora de te encontrar e continuar aquela conversa que não terminamos. por Priscila_Cruz

3. Saudade é vontade daquilo que já se sabe que gosta. por Priscila_Cruz

4. E a mudança levou tempo por ser tão veloz. por Priscila_Cruz

5. Malvadeza, judiar assim. Tenha dó do meu coração. por Priscila_Cruz

6. Eu quero ter você, Quando o dia amanhecer E quando a lua aparecer. por Priscila_Cruz

7. Quem sabe ainda estamos a salvo? por Priscila_Cruz

8. O meu coração é o teu lar. por Priscila_Cruz

9. Festa surpresa, ela não desconfiou. por Priscila_Cruz

10. O seu brilho é o meu abrigo. por Priscila_Cruz

11. Não consigo imaginar como seria sem você. por Priscila_Cruz

12. Fazer maldade é seu ideal. por Priscila_Cruz

13. A hora do encontro, é também despedida. por Priscila_Cruz

14. Você na multidão, você é diferente. por Priscila_Cruz

15. É bom ser criança, E não ter que se preocupar, Com a conta no banco, Nem com filhos pra criar. por Priscila_Cruz

16. Não custa nada. por Priscila_Cruz

17. Família ê, Família ah, Família. por Priscila_Cruz

18. Eu trocaria a eternidade por esta noite. por Priscila_Cruz

19. Toda vez, Que eu digo adeus, Eu quase morro. por Priscila_Cruz

20. Parece uma rosa, De longe é formosa. por Priscila_Cruz

21. Ficamos suspensos, Perdidos no espaço. por Priscila_Cruz

22. É toda recalcada, Alegria alheia incomoda. por Priscila_Cruz

23. Nota da autora. por Priscila_Cruz

24. Nota da autora (número 2) por Priscila_Cruz

Família Medeiros Montanari. por Priscila_Cruz

 

Amor Atípico (Volume 2).

O meu coração é o teu lar.

 

 

Capítulo 1

Família Medeiros Montanari.

 

Melody estava sentada no balanço sensorial. Ficar no casulo era a atividade favorita da menina nas sessões de terapia ocupacional, pois permitia que Melody sentisse cada parte do próprio corpo.

- A sessão acabou. – A terapeuta abaixou-se diante de Melody e estendeu a mão para a menina. – Hora de ir para casa.

Melody fechou os olhos e mordeu os lábios.

- Não adianta se esconder. – A mulher insistiu. – Está na hora de ir embora. – A terapeuta acariciou os cabelos claros de Melody e a segurou pela mão. – Sua mãe está te esperando lá fora e sei que vocês não querem se atrasar para buscar seu irmão na escola.

Melody deu um pequeno sorriso e deixou-se conduzir para fora. Antes de cruzar a porta, virou-se em direção ao balanço e acenou.

– Tchau! – falou.

A terapeuta sorriu.

- Não se preocupe. – falou. – Semana que vem você e seu amigo balanço poderão se ver mais uma vez. – Conduziu a menina para fora e a levou até o lugar em que Leila aguardava. – Aqui está. – Entregou Melody para a mãe.

- Obrigada. – Leila deu um pequeno sorriso e envolveu a menina em um abraço. – Se divertiu? – perguntou para Melody.

A menina assentiu, pegou uma mecha do cabelo de Leila e a levou para a boca. A morena riu e apertou a filha contra si com mais força. Melody havia herdado os traços e os cabelos e olhos claros de Raquel.

- Minha cheirosa. – Leila murmurou para a filha. – Tão doce e delicada quanto à mamãe Raquel.

Melody deu um pequeno sorriso e envolveu o pescoço de Leila com os braços. A morena aproveitou para pegar a menina no colo e levá-la para o carro.

 - Irmão. – A menina murmurou no ouvido de Leila.

- Isso mesmo. – Leila a beijou – Vamos buscar o Logan na escola.

Leila acomodou a filha na cadeirinha.

- Meu! – Melody apontou para a mochila da mãe.

- Quer brincar com seus brinquedos? – Leila tirou a mochila das costas e permitiu que a filha vasculhasse em um dos bolsos. Melody sorriu ao encontrar alguns Tangle Junior, um tipo de brinquedo tátil, ideal para autistas e pessoas com transtorno do processamento sensorial.

- Podemos ir? – Leila perguntou para a filha.

Melody sorriu e levou um dos Tangle Junior para a boca.

Leila assumiu a direção e colocou o carro em movimento. Olhou para Melody pelo retrovisor e perguntou.

- Está tudo bem?

Melody começou a cantarolar a canção de abertura de um de seus desenhos favoritos.

- Vou entender como um sim. – A morena sorriu e voltou sua atenção para o trânsito. O consultório em que Melody fazia Terapia Ocupacional ficava próximo à escola em que Logan estudava. Mesmo assim, Leila se sentia ansiosa, temendo chegar atrasada ao colégio do filho e perder a hora da saída. Era preciso que a morena recitasse os comandos necessários para manter o carro em movimento, assim ela conseguia dirigir em paz e não se envolvia em acidentes. – Falta pouco para encontrarmos seu irmão. – Leila falou para Melody.

A menina riu e bateu palmas. Ao contrário do que se esperava, Melody e Logan se deram bem desde o início. Apesar da pouca idade, o menino se mostrara cuidadoso e atencioso durante o tempo em que Raquel gestara Melody e após o nascimento da irmã sempre estava por perto, ajudando no que fosse possível. O sentimento era recíproco e o primeiro sorriso de Melody fora para Logan.

Leila sinalizou para entrar na fila de carros que se formara em frente ao colégio do filho e aguardou. Logan veio correndo assim que avistou o veículo da família.

- Olá. – O menino abriu a porta traseira e entrou no carro. Um sorriso lhe iluminava o rosto, expressão semelhante a que Raquel exibia quando estava feliz ou orgulhosa de si. Beijou o rosto de Leila e acomodou-se ao lado da irmã. – Vejam o que eu fiz. – Abriu a mochila e pegou um dos cadernos. – Hoje estudamos sobre animais marinhos e eu desenhei alguns. – Exibiu-os para a mãe e para a irmã. – Meu professor disse que ficaram tão bons quanto os desenhos que estavam nos livros.

- Parabéns, meu querido. – Leila deu um pequeno sorriso e virou-se para frente. – Verei seu trabalho com mais calma quando chegarmos a nossa casa. – Colocou o carro em movimento e voltou a concentrar-se no trânsito.

- Veja Melody. – O menino mostrou o caderno para a irmã. – Este é o cavalo marinho. – Apontou para um dos desenhos e continuou. – Ele tem cara de cavalo, mas na verdade é um peixe. Eles são bem pequenos e leves, por isso, precisam se segurar nas plantas aquáticas para não serem levados pela correnteza marítima.

Melody segurou o caderno do irmão e começou a folheá-lo.

- Infelizmente. – Logan baixou os olhos e suspirou pesaroso. – O cavalo marinho é uma espécie em extinção.

- Extinção! – Melody repetiu.

- Isso quer dizer que eles estão desaparecendo e, talvez, a gente nunca consiga ver um cavalo marinho na natureza. – Logan olhou para a mãe e perguntou. – A senhora já viu um cavalo marinho?

- Apenas em aquários. – Leila respondeu sem olhar para o filho, atenta ao movimento dos outros veículos.

- É errado retirar os animais de suas casas para colocá-los em gaiolas ou em aquários. – Logan falou. – Pelo menos foi o que o meu professor disse.

Leila sinalizou para entrarem no condomínio em que moravam. A família Medeiros Montanari havia crescido e o antigo apartamento em que morava não era grande o bastante para acomodar quatro membros com conforto, por isso, Ricardo, pai de Raquel, decidira comprar uma casa para a filha, a nora e os netos. Os primeiros meses foram difíceis para Leila, contudo, ela acabou se acostumando com o novo lar.

A morena dirigiu com cuidado pelas ruas do condomínio e parou o carro na vaga que havia em frente da casa.

– Mamãe Raquel e tia Solange estão no Home Office participando de uma webconferência e não devemos perturbá-las. – falou para os filhos. – Não façam barulho e esperem até que uma delas abra a porta do escritório para cumprimentarem sua mãe.

Logan assentiu e Melody colocou um dedinho em frente aos lábios.  O menino desceu do carro e correu para dentro. Leila ajudou Melody a sair da cadeirinha e a levou para casa. A morena torceu os lábios ao ver que o filho havia largado os tênis e a mochila na porta de entrada. Melody apontou para os sapatos do irmão, franziu o cenho e tampou o nariz.

- Sei como você se sente. – Leila resmungou para a filha. Procurou por Logan e o encontrou na sala de estar, preparando-se para jogar vídeo game. – Nada disso! – ralhou com o menino. – Vá recolher suas coisas e trate de tomar um banho.

- A senhora disse que não podemos fazer barulho. – Logan argumentou. – E o chuveiro é muito barulhento.

- O vídeo game é muito mais barulhento do que o chuveiro. – Leila insistiu. – E, acredite em mim, você está precisando de um banho caprichado.

- Está bem. – Logan resmungou e fez bico. Largou o controle do vídeo game no sofá e foi fazer o que Leila havia ordenado.

- Viu só? – Leila deu um beijo no rosto da filha. – É assim que as mães têm de fazer com os filhos. Precisamos ser firmes para mantermos as crianças limpinhas e bem alimentadas.

Melody riu e afundou o rosto na camiseta de Leila.

A morena ajeitou a filha nos braços e a levou para o andar de cima.

- Que tal um gostoso banho de espuma? – perguntou para Melody.

Na suíte de Leila e de Raquel havia uma banheira e a morena a usaria para preparar um banho para a filha. Leila testou a temperatura da água e espalhou o sabão.

- Quer agitar a água para fazer a espuma? – perguntou para Melody.

A menina deu um gritinho e aproximou-se da banheira na ponta dos pés. Esperou que Leila a despisse e estendeu os braços para tocar na água. Agitou com força e, em pouco tempo, a banheira transbordava espuma.

– Bolinhas! – falou.

- Já está bom. – Leila riu. – Não queremos perder você aí dentro. – Pegou a filha no colo, colocou-a na banheira e a banhou com calma.

Passados alguns minutos, Logan apareceu.

- Já estou limpo. – Resmungou. – Posso jogar vídeo game agora?

- Pode sim. - Leila deu um pequeno sorriso. – Mas deixe a televisão em volume mínimo.

O menino assentiu e correu para o andar de baixo.

Leila tentou tirar Melody da banheira, mas a menina resistiu.

- Não! – exclamou fazendo bico.

- Meu amor. – Leila acariciou o rosto da filha. – Preciso fazer o jantar. Sua outra mãe e seu irmão estão com fome.

O bico de Melody aumentou.

- Prometo que deixo você me ajudar. – Leila fez uma nova tentativa e, dessa vez, conseguiu tirar Melody da banheira. Envolveu a menina em uma toalha e a levou para o próprio quarto. – Quer escolher a roupa que vai usar?

Melody assentiu.

Leila a colocou no chão e deixou que a menina vasculhasse as gavetas. Melody escolheu as roupas e as estendeu para a mãe. A morena ajudou a menina a se vestir e lhe penteou os cabelos.

- Pronta? – Leila estendeu a mão para a filha.

A menina escondeu os braços atrás das costas e fez bico.

- O que foi? – Leila abaixou-se diante dela. – Quer colo?

Melody sorriu e estendeu os braços para Leila, mas recuou ao constatar o quanto a mãe estava molhada.

- Frio. – Resmungou.

Leila sorriu.

- Minha camiseta encharcada é resultado de sua farra na banheira. – falou.

A menina agitou os braços e mordeu os lábios.

- Está tudo bem, meu amor. Não estou brava com você. – Puxou Melody para si e a beijou. – Me espere aqui. – Sussurrou para a filha. – Estarei de volta em sessenta segundos. – Levantou-se e seguiu pelo corredor.

Melody fechou os olhos e começou a contar.

 

***

 

Desde que Raquel e Solange decidiram deixar o escritório em que trabalhavam para abrir a própria empresa de publicidade, dedicada, sobretudo, ao marketing inclusivo, a vida das duas havia mudado radicalmente. Os projetos que faziam para os clientes não eram as únicas ocupações que tinham. O número de pessoas interessadas em aprender a trabalhar em uma perspectiva inclusiva crescia cada vez mais e os convites para palestrar em Faculdades e Universidades e prestar consultoria em empresas eram constantes.

Ainda assim, a loira não gostava de afastar-se da família, por isso, Leila havia aparatado o Home Office da esposa, de forma que Raquel e Solange pudessem trabalhar sem, necessariamente, terem de viajar grandes distâncias. Em geral, as palestras e consultorias eram feitas por webconferências e, a cada mês, as horas que as duas passavam diante das câmeras aumentavam.

Discretamente, Raquel consultou o relógio. O tempo da palestra que ministravam havia se estendido e o corpo da loira começava a sentir os efeitos do longo período em que precisou ficar sentada. Foi com alívio que recebeu as despedidas da professora que mediava o evento.

- Nosso tempo acabou. – A mulher voltou-se para a câmera e sorriu. – Foi um prazer tê-las conosco.

- O prazer foi nosso. – Solange exibiu um largo sorriso.

- Se tiverem mais alguma dúvida ou, quem sabe, uma sugestão. – Raquel tomou a palavra. – Nos enviem um e-mail e teremos prazer em continuar nossa conversa.

- Agradecemos. – A mulher fez uma pequena referência. – Boa noite.

- Boa noite. – Raquel e Solange responderam juntas.

A loira suspirou aliviada com o fim da transmissão.

- Estou exausta. – Reclamou.

- Gostaria que tivessem nos permitido assistir aos aplausos dos estudantes. – Solange segredou para Raquel. – É a minha parte favorita.

A loira riu.

- Controle a vaidade. – Raquel falou para a amiga. Desligou os terminais e a câmera. - Você ainda não é uma Diva Pop.

- Quem sabe um dia. – Solange piscou para a loira e alongou o corpo. – Acho que terei de voltar à academia. – Massageou as pernas e torceu os lábios. – Passar tanto tempo sentada diante da câmera está começando a me fazer mal.

- Podemos repensar o tempo de nossa palestra e resumir alguns tópicos. – Raquel caminhou até a mesa e pegou alguns papéis. – Assim teremos mais tempo para responder as perguntas.

- Por falar em responder. – Solange retirou o celular do bolso, abriu o aplicativo de e-mail e o entregou para a loira. – A Resolute nos enviou um novo convite.

Raquel segurou o aparelho, leu o conteúdo da mensagem e se surpreendeu.

- Eles dobraram o valor que estavam nos oferecendo inicialmente! – falou.

- Sei que você não gosta de se ausentar de casa, por isso, me adiantei e conversei com o responsável pelo departamento de marketing. – Solange continuou. – Me ofereci para ir sozinha para Vila Velha e contar apenas com seu apoio virtual, porém, ele não aceitou. Se quisermos fechar negócio, teremos de aceitar os termos que a firma nos oferece.

- Uau! – Raquel devolveu o celular para Solange e meneou a cabeça. – Por essa eu não esperava.

Solange deu de ombros e levantou-se.

- Todos sabem que você é a garota estudiosa da dupla. – falou. – Sou apenas o rostinho bonito que atraí os rapazes.

- Boba! - Raquel riu. - Você é tão capaz quanto eu.

Solange apanhou a bolsa e o casaco e caminhou para a saída.

- Pense bem. – falou. - Não é sempre que recebemos uma oferta como essa e uma viagem para o Espírito Santo poderá nos fazer bem.

A loira cruzou os braços e baixou os olhos.

- Preciso conversar com Leila. – falou. – Não posso tomar uma decisão sem consultar a opinião dela primeiro.

Solange assentiu, estendeu a mão para a maçaneta e a virou. O impulso vindo do lado de fora a pegou de surpresa e, por pouco, a mulher não caiu quando Melody empurrou a porta. A menina entrou correndo, os braços estendidos diante do corpo.

- Mamãe! – Melody gritou para Raquel. – Saudades!

A loira riu e a pegou no colo.

- Olá meu amor. – Beijou-a no rosto e a abraçou. – Desculpe tê-la feito esperar.

A menina envolveu a mãe em um abraço apertado.

- Descobri a razão que te faz ser tão resistente a ideia de viajar. – Solange piscou para Raquel. – Sua mulher e seus filhos mimam você. – Mandou beijos para a loira e para Melody e deixou a sala.

- Isso é verdade? – Raquel sussurrou no ouvido da filha. – Você, sua mãe Leila e seu irmão Logan me mimam?

Melody riu e escondeu o rosto na blusa de Raquel.

- Vou entender isso como um sim. – A loira riu, ajeitou a filha nos braços e deixou o Home Office. Quando alcançou o corredor, Solange já havia ido embora. Raquel seguiu para a cozinha e encontrou Leila ocupada com as panelas.

- Já era hora de aparecer. – A morena falou para a loira. – Achei que teríamos de jantar sem você.

- Desculpe. – Raquel deu um beijo carinhoso nos lábios de Leila. – A conversa estava tão boa que tivemos de estender o tempo da palestra.

Leila assentiu.

- Quer ajuda? – a loira perguntou para a morena.

- Você poderia arrumar a mesa. – Leila respondeu. – Pensei em pedir para Logan fazer isso, mas ele teve um dia cheio na escola e merece descansar.

Raquel colocou Melody no chão e cruzou os braços.

- E quanto mim? – a loira perguntou. – Também tive um dia cheio. Não mereço descansar?

Leila deu um sorriso travesso.

- É claro que merece. – respondeu. – Mas primeiro você precisa arrumar a mesa para o jantar.

- Primeira alfinetada do dia. – Raquel falou para Melody. – Mamãe Leila está ficando cada vez mais malcriada. – A menina riu. – Não sei mais o que fazer com ela. – Abraçou a esposa por trás e colou o corpo no dela. – Talvez, seja preciso colocá-la de castigo. – Sussurrou.

- Desde que o castigo não atrapalhe as noites de sexta-feira. – Leila sussurrou de volta. – Não me importo.

Melody aproveitou a distração das mães para pegar uma colher e fugir com ela para o quintal dos fundos. A menina adorava a atmosfera bucólica do lugar, principalmente por causas das diversas texturas que podiam ser encontradas nas paredes, nos móveis e nos vasos de plantas.

- Cozinhar. – Melody havia contrabandeado outros itens da cozinha, uma panela grande, o suporte para temperos, o pote de farinha e uma garrafa de azeite, e os espalhara pela varanda. A menina sentou-se no chão, pegou a panela e, com a ajuda da colher, começou a enchê-la com os ingredientes que conseguira juntar. – Cozinhar. – Repetiu.

A voz de Melody atraiu a atenção de Raquel. A loira cruzou a porta dos fundos e ficou boquiaberta com o que viu.

- Meu Deus! – colocou as mãos na cintura e caminhou em direção à menina. – Que bagunça é essa? – perguntou para Melody.

- Come. – Melody encheu a colher com a massa que havia feito e a estendeu para a mãe.

- Agradeço, mas não estou com vontade. – Raquel abaixou-se diante da filha. – Além disso, a hora de brincar acabou. - Segurou o queixo de Melody e obrigou-a a encará-la. – Temos de guardar tudo.

Melody desvencilhou-se do toque de Raquel, franziu o cenho e resmungou.

- Ajudante.

Raquel bufou e voltou-se para a porta dos fundos. Leila estava encostada no batente, observando-as.

- Algum problema? – a morena perguntou sorrindo.

- Melhor dispensar sua ajudante. – Raquel endireitou o corpo e cruzou os braços. – Está começando a esfriar e Melody pode acabar adoecendo se continuar brincando aqui fora.

- Tem razão. – O sorriso de Leila aumentou. – O jantar está pronto. – falou para a menina. – Se não correr, seu irmão se sentará no melhor lugar da mesa.

Melody levantou-se em um salto e correu para dentro.

- Não se esqueça de lavar as mãos! – Leila gritou para a menina.

- Não devia se orgulhar das travessuras dela. – Raquel repreendeu Leila. A loira curvou-se e começou a recolher as coisas que Melody havia deixado na varanda.

A morena deu de ombros e foi ajudar a esposa.

- Jogos de faz de conta são importantes para o desenvolvimento das crianças. – explicou. – Melody é inteligente e tenho orgulho da esperteza dela. Mas ainda precisa aprender muitas coisas e as brincadeiras ajudam.

- E quanto a mim? – Raquel perguntou com um sorriso malicioso. – Sente orgulho da minha esperta?

- É claro que sim. – respondeu. – Especialmente nas noites de sexta-feira. – Deu um beijo carinhoso nos lábios da loira e caminhou para dentro.

Raquel seguiu-a com o olhar.

Leila havia mudado muito ao longo dos quatorze anos de união. Mudanças de rotina já não eram mais tão traumáticas quanto antes, especialmente em situações que envolvessem a esposa e os filhos, e as crises se tornaram esparsas.

A loira voltou para dentro. Largou os utensílios em uma das bancadas da cozinha, abriu uma gaveta e pegou um jogo americano. Arrumou-o na mesa da sala de jantar e voltou para buscar os pratos e os talheres.

Logan estava sentado diante da televisão, jogando vídeo game. Raquel observou-o por um tempo, então perguntou.

– Não vai me dar um beijo?

- Daqui a pouco. – O menino respondeu.

- Ficamos o dia todo sem nos ver. – Raquel reclamou. – E parece que o meu garotinho não sentiu saudades de mim.

O menino pausou o jogo e lançou um olhar aborrecido para Raquel.

- Não precisa ser tão dramática. – Logan largou o controle em cima do sofá, levantou-se e foi dar um abraço e um beijo na mãe.

A loira deu um pequeno sorriso.

- Você é tão romântico quanto sua mãe Leila. – falou e beijou os cabelos do filho.

- Concordo contigo. – Leila apareceu, trazendo uma jarra de suco e alguns copos. - Logan aprendeu comigo tudo o que sabe sobre romance. – A morena piscou para a esposa. – Porém, tudo o que ele sabe sobre chantagem emocional aprendeu com você.

Raquel torceu os lábios e cruzou os braços.

- Segunda alfinetada do dia. – falou. – Estou com a sensação de que já não sou mais tão amada quanto antes.

- Meu amor por você continua o mesmo. – Leila respondeu antes de voltar para a cozinha. – Porém, de vez em quando, tenho que ser firme contigo para te manter disciplinada.

Logan revirou os olhos.

- O vovô Ricardo tem razão. – O menino sentou-se no chão e voltou a jogar. – Mulheres são muito complicadas.

Raquel riu e falou para o filho.

- Hora do jantar. Desligue o vídeo game e vá lavar as mãos.

- Não posso. – Logan falou sem olhar para a mãe. – Melody está no lavado.

- Temos mais de uma pia em casa. Você pode subir e lavar as mãos em um dos banheiros do segundo andar. - A loira foi até o lavado e encontrou a filha caçula brincando com a água. – Já chega. – Raquel fechou a torneira, alcançou uma toalha e a entregou para a menina. – Podemos ir?

Melody assentiu e estendeu os braços parra Raquel.

- Você já é uma mocinha. – A loira acariciou os cabelos da filha. – Não pode ficar no colo o tempo todo.

A menina insistiu, fazendo beicinho.

Raquel sorriu e a pegou no colo.

- Manhosinha. – Sussurrou no ouvido de Melody. – Aposto que aprendeu a fazer birra com mamãe Leila.

Levou a filha para a sala, acomodou-a em uma das cadeiras e sentou-se. Leila havia colocado na mesa uma travessa com panquecas recheadas com carne, uma tigela com arroz e outra com batata frita e um prato de salada.

- O cheiro está maravilhoso. – Raquel comentou.

- Espero que o gosto também esteja. – Leila sentou-se diante da esposa e começou a servir Raquel e Melody.

– Logan! – Raquel falou o filho. – Pensei que tivesse lhe dito para desligar o vídeo game e lavar as mãos.

- Só mais um minuto. – Logan franziu o cenho. – Falta pouco para que eu complete o desafio.

- Logan Medeiros Montanari! – a loira insistiu.

O menino mordeu a língua e continuou a jogar.

- Xbox! – Leila bateu com os punhos na mesa. – Alerta de mãe zangada!

O aparelho reconheceu o comando, bloqueou o acesso de Logan e iniciou a contagem regressiva para a desativação do sistema.

- Espere! – Logan implorou para Leila. – Pelo menos me deixe salvar meu progresso.

- O que acha? – Leila olhou para Raquel. – Devemos dar uma chance para Logan?

O menino olhava de uma para outra.

- Por favor! – falou fazendo beicinho. – Prometo que desligarei o vídeo game e farei o que me pedirem.

Raquel olhou para a morena e assentiu.

- Xbox. – Leila falou. – Barra limpa.

O console interrompeu a contagem e liberou o acesso para Logan.

A loira curvou-se e sussurrou para Leila.

- Adoro quando faz isso.

Leila sorriu.

- Se algum dia a Microsoft descobrir que fiz uma pequena modificação no console deles. – falou. – Vão me processar e podem, inclusive, mandar me prender.

Raquel riu.

- Duvido muito que façam isso. – falou. – Especialmente quando todas as mães do mundo ficarem ao seu lado e desejarem incluir tal modificação no console dos próprios filhos.

- Só uma mãe me interessa e só quero uma delas a meu lado. – Leila falou em voz baixa.

- Espero que esteja falando de mim. – A loira piscou para a morena.

Leila riu.

- E de quem mais eu estaria falando? – perguntou.

Logan juntou-se a família.

O jantar transcorreu tranquilo. Cada membro da família teve a oportunidade de contar para os demais detalhes de seu dia e Logan aproveitou a ocasião para exibir o trabalho que havia feito na escola.

- Ficou muito bonito. – Leila comentou com um sorriso orgulhoso.

- É um verdadeiro artista. – Raquel beijou a testa do filho. – Igual sua mãe Leila.

- Posso mostrar para o vovô Ricardo? – o menino perguntou.

- É claro que sim. – A loira sorriu. – Quando terminamos de jantar, poderá ligar para ele.

Terminada a refeição, as mulheres foram organizar a louça e as crianças correram para ligar para o avô.

Logan ajeitou Melody diante do computador e postou-se ao lado da irmã.

- Não se esqueça. – O menino falou para Melody. – Quando vovô aparecer na tela, você deve dizer oi.

A menina assentiu.

Logan iniciou a ligação e esperou.

- Meus queridos! - Ricardo os atendeu com um sorriso largo. – É muito bom ver vocês.

- Oi vovô! – Logan cumprimentou Ricardo.

- Oi vovô! – Melody o imitou.

- E então? – Ricardo perguntou. – Quais as novidades.

Logan sorriu e começou a falar.

Raquel foi até a porta da cozinha e espiou os filhos.

- Ouvir atrás da porta é um costume muito feio. – Leila ralhou com a loira.

A morena terminou de lavar os pratos e alcançou um pano para secar as mãos.

- Terceira alfineta do dia. – Raquel cruzou os braços e caminhou até a esposa. – Estou com a impressão de que você está zangada comigo.

- Não estou zangada. – Leila desviou o olhar e mordeu os lábios. - Não mesmo.

- Tem certeza? – a loira perguntou dengosa.

Leila assentiu.

A loira passou o braço pela cintura da esposa e sussurrou.

- Acho que você está zangada por ter sido rejeitada hoje de manhã.

A morena baixou os olhos.

- Já disse que não estou zangada. – Resmungou. – Não poderia estar. – Estalou os dedos e continuou. – Temos um acordo. Quando uma de nós não estiver disposta a fazer amor, a outra não poderá se zangar.

Raquel beijou o pescoço de Leila.

- Eu lhe expliquei o motivo da minha recusa. – Ronronou. – Solange e eu tínhamos uma importante reunião pela manhã. – Apertou a cintura de Leila com um pouco mais de força e continuou. – E você precisava levar Melody para escola e Logan para a natação.

- Sempre teremos as noites de sexta-feira. – Leila suspirou.

- É a terceira vez que você menciona as noites de sexta-feira. – Raquel riu. – Alguma razão especial para isso?

Leila virou-se para Raquel e passou os braços pelo pescoço da loira.

- Gostaria de ter uma TARDIS. – Murmurou. – Eu a usaria para fazer o tempo parar e, então, todos os dias seriam sexta-feira e nós poderíamos fazer amor até não aguentar mais.

- Seria muito bom. – A loira beijou a morena com carinho.

- Mamãe Raquel! – Logan gritou da sala. – O vovô quer falar com a senhora.

Raquel desvencilhou-se de Leila.

 

- Continuaremos essa conversa mais tarde. – Piscou. – Quando as crianças estiverem dormindo.

 

Notas finais:

 

 

Publicar na Amazon é uma experiência muito interessante e quem não passou por ela deveria experimentar.

Contudo, depois de escrever e publicar Quebra de Rotina, percebi que sinto falta da interação com o público. É maravilhosos publicar um capítulo e receber a opinião dos leitores. Por isso, decidi que vou publicar o Volume 2 de Amor Atípico no site do Lettera.

Espero que vocês gostem do que está por vir e que comentem bastante. Vai ser legal conversarmos sobre as novas aventuras de Leila e Raquel.

Aguardo vocês!

 

 

OBS.

 

 

ATENÇÃO!

Essa história não é a continuação do livro que está sendo vendido pela editora Vira Letra 

A parte 2 (que ainda não tem data para ser lançada) mostrará a cerimônia de casamento de Leila e Raquel e o que veio depois.

 

A versão que está sendo postada aqui no Lettera se passa quatorze anos após o casamento das duas.

Sei que é confuso e peço desculpas por isso!

 

Não vejo a hora de te encontrar e continuar aquela conversa que não terminamos. por Priscila_Cruz

 

 

Capítulo 2

Não vejo a hora de te encontrar e continuar aquela conversa que não terminamos.

 

No restante da noite, Raquel ajudou Logan a fazer o dever de casa e Leila assistiu desenhos animados com Melody.

- Só vamos assistir mais um episódio. – Leila falou para Melody. A menina havia se aninhado no colo de Leila e enrolava as pontas dos cabelos da morena nos dedos. – Está quase na hora de dormir.

- Só vamos assistir mais um episódio. – Melody repetiu.

- Isso mesmo. – Leila riu. – Garotinha esperta.

A menina gritou de excitação quando a abertura do desenho começou e passou a cantar junto com os personagens.

- Adoro que ela faz isso. – Leila falou para Raquel.

A loira ocupava um dos assentos da mesa de jantar. Assim podia ajudar ao filho mais velho e observar a esposa e a filha caçula.

- Eu também. – A loira sorriu, sacou o telefone do bolso e fotografou Leila e Melody.

- Melody tem sorte. – Logan resmungou fazendo bico. Os livros e cadernos do garoto estavam espalhados por toda a mesa. – Ela não precisa fazer lição de casa.

- A vez dela vai chegar. – Raquel conferiu o que o menino havia feito e pegou uma borracha. – Se não melhorar sua letra. – Ameaçou. – Vou apagar o que escreveu e você terá que começar tudo de novo.

O bico de Logan aumentou.

- Sei o que fazer para melhorar seu humor. – a loira levantou-se e beijou os cabelos do filho. – Vou pegar leite e alguns biscoitos.

Logan e Melody comemoraram.

- Volto logo. – Raquel riu e se dirigiu para a cozinha. Voltou com uma travessa carregada de biscoitos de chocolate e três copos de leite. Entregou um copo para Logan, um para Melody e ficou com o último para si.

- E quanto a mim? – Leila perguntou. – Não vou ganhar leite?

- Somente as meninas boazinhas ganham leite com biscoitos. – falou com um sorriso malicioso. – Meninas malcriadas ficam de castigo.

Leila torceu os lábios e sussurrou para Melody.

- Pode me dar um pouquinho do seu leite?

A menina fez bico, abraçou o copo e respondeu.

- Meu!

- Só um gole? – Leila insistiu.

- Não! – o bico de Melody aumentou. – Castigo!

- Isso mesmo meu amor. – Raquel sentou-se no sofá e entregou alguns biscoitos para Melody. – Mamãe Leila está de castigo. – Tomou um gole de leite e sussurrou no ouvido da esposa. – Embora eu não me oponha em dar-lhe de mamar mais tarde.

Leila arregalou os olhos.

- Combinamos que esperaríamos as crianças dormirem para continuarmos aquela conversa. – Resmungou.

A loira piscou e voltou para a mesa a fim de supervisionar o trabalho do filho. O lanche renovou o ânimo de Logan e o menino não demorou em terminar a tarefa.

- Excelente. – Raquel ajudou o menino a reunir os materiais e os guardou na mochila de Logan. – Pode se juntar a sua mãe e sua irmã.

O garoto coçou atrás da orelha.

- Prefiro ir para o meu quarto, jogar no computador. – Sussurrou para Raquel. – Mamãe e Melody gostam de assistir ao mesmo desenho bilhões vezes, mas eu não já não suporto mais Hora de Aventura.

- Partilho do seu sofrimento. – A loira sussurrou de volta.

Logan lançou um olhar aflito em direção a Leila.

- Por favor, não diga nada para elas. – Olhou para Raquel e completou. – Não quero que elas fiquem tristes.

- Não se preocupe, seu segredo está bem guardado comigo. – A loira piscou para o menino. – Pode subir.

Logan deu um beijo nas mães e na irmã e correu para o quarto.

Raquel terminou de organizar a sala e sentou-se na escada para esperar pela esposa e pela filha.

- Só vamos assistir mais um episódio. – Melody falou assim que os créditos finais surgiram na tela.

- Bela tentativa. – Leila riu, alcançou o controle remoto e desligou a televisão. – Mas está na hora da Melody dormir. - Levantou-se e ajeitou a filha no colo.

- Melody não está com sono. – A menina murmurou.

- O que acha mamãe Raquel? – Leila perguntou para a loira. – Devemos deixar Melody acordada mais um pouco?

Raquel sorriu, levantou-se e beijou a esposa e a filha.

- Somente o tempo necessário para ouvir uma história. – A loira respondeu. – Depois disso, Melody terá que dormir.

A menina fez beicinho e escondeu o rosto no pescoço de Leila.

- Igualzinha à mamãe Leila. – A loira enlaçou os dedos com os da morena e a puxou escada acima.

Passaram em frente ao quarto de Logan. O menino estava sentado diante do computador, concentrado em um jogo.

- Vamos deixá-lo acordado? – Leila perguntou para Raquel. – Não quero que ele nos escute.

A loira riu.

- Não se preocupe. – Raquel respondeu. – Vamos colocá-lo para dormir assim que Melody adormecer.

Entraram no quarto de Melody. Leila ajudou a menina a colocar o pijama, enquanto Raquel arrumava os travesseiros e o cobertor da caçula.

- Venha. – A loira estendeu os braços para a filha.

Melody sorriu e correu para Raquel.

- Meu anjinho. – A loira aninhou a filha nos braços e a acalentou por tempo. Leila aproveitou para vasculhar a pequena estante de livros, em busca de um título.

- Que tal este? – a morena puxou um exemplar de uma das repartições e o mostrou para Melody. – A Princesinha de Vader. – Leu em voz alta.

Melody começou a cantarolar o tema de Star Wars.

Leila sorriu e disse.

- Vou entender como um sim.

Raquel acomodou a menina na cama e a beijou com carinho.

- Leia é a Princesinha de Darth Vader. – falou, sentando-se na cama. – E você é a nossa princesinha.

Melody riu e escondeu o rosto embaixo do cobertor.

Leila sentou-se do outro lado da cama e começou a leitura.

Melody havia decorado o texto de cada um dos livros que havia em sua estante, por isso, acompanhava o ritmo de leitura, falando junto com Leila as frases que compunham a história.

- Não demorará e Melody contará histórias para nós duas. – Leila comentou com um sorriso orgulhoso. Levantou-se e devolveu o livro para o seu lugar.

- Estou ansiosa por isso. – Raquel beijou a testa da menina.

Melody bocejou algumas vezes e coçou os olhos.

- Boa noite meu amor. – A loira sussurrou alguns segundos antes do sono alcançar a menina.

Leila curvou-se e beijou os cabelos da filha.

- Hora de colocarmos Logan para dormir. – Raquel segurou a mão de Leila e a levou para o quarto do filho mais velho.

O menino estava tão entretido com o jogo que não as viu entrando.

 - Faça sua mágica acontecer. – A loira piscou para a morena e sentou-se na cama do filho.

Leila sorriu, sacou o telefone do bolso e enviou uma mensagem para Logan.

- Hora de o grande aventureiro desligar o computador e ir dormir. – Escreveu.

O menino bufou quando a mensagem de Leila apareceu na tela.

- Ainda é cedo para dormir. – Resmungou sem tirar os olhos do jogo.

- Acabe logo com isso! – Leila insistiu. – Do contrário, pegarei meu computador e entrarei no jogo apenas para liquidar com seu avatar.

- Está bem. – Logan murmurou com o cenho franzido.

A morena guardou o celular no bolso e foi até o guarda-roupa, procurar um pijama para o filho.

Logan se trocou e largou-se na cama.

- Não vejo a hora de crescer e me tornar adulto. – Murmurou mal-humorado. – Daí eu poderei jogar vídeo game pelo tempo que quiser.

Leila riu.

- Ser adulto não é tão legal quanto pensa. – falou. – Adoro vídeo game tanto quanto você, mas não tive tempo de jogar hoje.

- A vida adulta é cheia de responsabilidades. – Raquel acariciou o rosto do menino. – Nem sempre podemos fazer o que queremos.

Logan continuou com o cenho franzido.

- Uma história melhoraria seu humor? – a loira perguntou.

- Não. – Logan respondeu. – Mas eu não me importaria se as duas se deitassem ao meu lado e esperassem até que eu adormecesse.

Leila e Raquel se entreolharam.

- Faz tempo que não fazemos isso. – A morena falou. – Será que cabemos todos na cama de Logan?

- Só tem um jeito de descobrir. – A loira deitou-se ao lado do filho e o puxou para junto de si. – Terá que se espremer no espaço que sobrou. – Piscou para Leila.

A morena sorriu e ajeitou-se na cama.

- Confortável? – perguntou para Logan.

O menino fechou os olhos e assentiu.

- Não tenha pressa para crescer. – Raquel sussurrou para o filho. – Quando for adulto, não poderemos mais colocá-lo para dormir.

- E é muito bom fazer isso. – Leila beijou os cabelos de Logan.

O menino adormeceu.

- Ele é muito especial. – A morena acariciou o rosto de Logan. – O garoto mais incrível que eu conheço.

- E quanto a mim? – Raquel alcançou a mão de Leila. – Sou a mulher mais incrível que conhece?

- É claro que sim. – A morena respondeu, entrelaçando os dedos com os da loira.

- Então. – Raquel sorriu com malícia. – Está na hora de terminarmos aquela conversa.

Levantaram-se com cuidado, temendo acordar Logan. Saíram de mansinho e fecharam a porta do quarto do menino.

- É bom ter você só para mim. – Leila murmurou.

- Digo o mesmo. – Raquel ronronou para a morena. Entrou no quarto primeiro e seguiu para a cama.

Leila fechou a porta atrás de si e a trancou. Virou-se para a loira e, em segundos, estava despida.

- Estou pronta. – falou com os olhos brilhando de desejo.

Raquel riu.

- Hora de ceder às vontades do meu benzinho. – Arrancou a blusa e deitou-se na cama.

Leila a atacou com voracidade, os gemidos da loira aumentando-lhe ainda mais a excitação.

- Me diz uma coisa romântica. – Raquel segurou as mãos de Leila, impedindo que a morena lhe arrancasse a calça.

- Você prometeu ceder às vontades do seu benzinho. – A morena reclamou.

- Por favor. – A loira ronronou.

- Você é a mulher mais linda do mundo. – Leila sussurrou, fazendo força para se libertar.

- Pode fazer melhor do que isso. – A loira sorriu.

Leila suspirou fundo. Ajeitou-se em cima de Raquel e aspirou-lhe o perfume.

- Seu eu pudesse recriar nosso planeta. – falou. – Faria com que todas as flores tivessem o seu cheiro.

Raquel mordeu os lábios e soltou as mãos de Leila.

- Sou toda sua.

Era madrugada quando as duas se sentiram satisfeitas.

- Foi muito bom. – Leila murmurou sonolenta.

- Também achei. – Raquel a beijou com carinho. – Não durma ainda. – falou. – Precisamos discutir um assunto importante.

Leila ajeitou-se na cama.

- Seu pai arrumou uma nova namorada? – perguntou.

- Não. – Raquel sorriu.

- Felizmente. – A morena bocejou. – As três últimas mulheres que ele nos apresentou eram intragáveis.

- Para nossa sorte. – A loira acariciou o rosto de Leila. – Seu Ricardo continua solteiro.

- Está pensando em ter outro filho? – a morena perguntou esperançosa.

- Não! – Raquel riu. – Dois é um bom número.

Leila deu de ombros.

- Seria legal ter outro bebê em casa. – falou.

- Que bom que pensa assim. – Raquel deu-lhe outro beijo. – Mas não é sobre isso que quero conversar.

A morena torceu os lábios.

- Espero que não tenha descoberto uma dieta nova. – falou. – Não estou disposta a renunciar à noite da pizza outra vez.

Raquel gargalhou.

- Dietas são mais fáceis quando feita em equipe. – A loira falou. – Você é minha esposa e precisa me ajudar a ficar bonita e saudável.

- Você está bonita assim e bastante saudável. – Os olhos de Leila passearam pelo corpo de Raquel. – Ficou ótima com seios maiores e quadril mais largo.

- Vou tomar isso como um elogio. – A loira sentou-se na cama.

- E foi um elogio. – Leila também se sentou.

- Melhor parar de tentar adivinhar e me deixar falar. – Raquel entrelaçou os dedos nos de Leila. – Teremos um dia cheio e precisamos dormir um pouco.

Leila assentiu e aguardou.

- Solange e eu recebemos uma proposta de trabalho. – Raquel explicou os termos que a empresa oferecia. – Nos ofereceram um bom dinheiro e, se fecharmos negócio, poderemos investi-lo na Terapia Ocupacional e na Fonoaudióloga da Melody. O tratamento está ajudando nossa filha e seria bom conseguirmos mais sessões semanais para ela. Contudo, terei que me ausentar de casa por três dias, viajar para o Espírito Santo junto com Solange.

A morena baixou os olhos e estalou os dedos.

- E quando você vai viajar?

- Em duas semanas. – Raquel segurou as mãos de Leila. – Mas não irei se você não quiser.

Leila mordeu os lábios.

- Nada é mais importante para mim do que a nossa família. – A loira insistiu.

- Você deve ir. – A morena ergueu os olhos. – Te apoiei quando decidiu abrir sua empresa e te apoiarei em tudo que precisar fazer.

- Tem certeza? – Raquel a beijou.

- Absoluta. É um pequeno sacrifico a se fazer pelo bem-estar da nossa filha. – Leila deu um pequeno sorriso. – Cuidarei da casa e das crianças até você voltar. Vai dar tudo certo.

- Sei que sim. – A loira puxou a morena para um abraço.

O contato com o corpo de Raquel fez Leila suspirar. A morena afundou o rosto no pescoço da loira e aspirou.

- Vou sentir falta do seu cheiro. – Murmurou.

Raquel acariciou-lhe os cabelos e a deitou.

- Sentirei falta de tudo em você. – Sussurrou. – Do seu cheiro, do seu gosto, do seu calor e até das suas rabugices.

- Não sou rabugenta. – Leila fez bico.

A loira riu e continuou a acariciar Leila.

- Boa noite. – Raquel murmurou alguns segundos antes da morena adormecer.

 

Notas finais:

ATENÇÃO!


Essa história não é a continuação do livro que está sendo vendido pela editora Vira Letra 


A parte 2 (que ainda não tem data para ser lançada) mostrará a cerimônia de casamento de Leila e Raquel e o que veio depois.


 


A versão que está sendo postada aqui no Lettera se passa quatorze anos após o casamento das duas.


Sei que é confuso e peço desculpas por isso!

Saudade é vontade daquilo que já se sabe que gosta. por Priscila_Cruz

 

Capítulo 3

Saudade é vontade daquilo que já se sabe que gosta.

 

Raquel abriu os olhos e estranhou o fato de Leila ainda estar na cama, pois a morena costumava levantar-se cedo para preparar o café da manhã da família.

O corpo de Leila estava colado ao de Raquel e o rosto da morena estava escondido no pescoço da loira.

- Leila. – Raquel a acariciou. – Está acordada?

Leila assentiu.

- Está tudo bem? – a loira perguntou.

A morena endireitou-se e intensificou a força do abraço.

- Queria aproveitar um pouco mais de sua companhia. – respondeu.

- Meu amor. – Raquel alisou os cabelos de Leila. – Já lhe disse que ficarei em casa se você assim quiser.

Antes que Leila pudesse dizer alguma coisa, Melody começou a bater na porta e a forçar a fechadura.

Leila levantou-se e pegou o roupão.

- Vou tomar um banho e preparar o café. – falou.

- Eu ajudo você. – Raquel a imitou.

- Não é preciso. – A morena deu um pequeno sorriso. – As crianças também devem aproveitar sua companhia. Apronte-se e cuide de nossos filhos. – Abriu a porta e deixou Melody entrar. – O desjejum estará pronto quando vocês descerem.

- Está certo. – Raquel pegou a menina no colo e a levou para o banheiro que ficava no corredor. – Hora de escovar os dentes.

Melody gemeu e tentou fugir, mas Raquel a manteve junto de si.

- Está tudo bem meu amor. – falou para a menina. – Não precisa ter medo.

Sentou a menina em cima da pia e pegou a escova e o creme dental dentro do armário.

- Escovar os dentes é gostoso e não machuca. – Raquel tentou levar a escova para dentro da boca, mas Melody segurou-lhe o braço. – Bobinha. – A loira riu. – Não vou me machucar.

Melody largou o barco de Raquel e tapou os olhos com as mãos.

Raquel levou a escova à boca e começou a friccioná-la contra os dentes. O barulho fez Melody se encolher.

- Terminei! – a loira anunciou após enxaguar a boca. – Agora é sua vez.

- Não quero. – Melody falou baixinho.

- Prefere ficar com bafo de múmia? – Raquel perguntou.

Melody riu.

- Bafo de múmia! – repetiu.

- Prometo que não vai doer. – Raquel segurou as mãos da menina e as puxou para baixo. – Veja. – Exibiu os dentes para Melody. – Não estão feridos.

A menina torceu os lábios.

- Se me deixar escovar seus dentes. – A loira insistiu. – Arrumaremos o desjejum na mesa do jardim e poderemos deixar migalhas de pão para os passarinhos.

Melody sorriu e abriu a boca.

Raquel escovou os dentes da menina com cuidado.

- Pronto! – a loira a beijou. – Está com um gostoso hálito de menta.

- Hálito de menta. – Melody repetiu.

- Venha. - Raquel a pegou no colo e a levou para o quarto. – Precisamos tomar banho e trocar de roupa. Depois, cumpriremos a tarefa mais árdua do dia.

- Acordar Logan! – Melody falou.

- Isso mesmo. - Raquel encheu o rosto de Melody de beijos e completou. – Menina inteligente.

***

 

Leila se banhou depressa e arrumou-se para trabalhar. Sentiu uma pontada no peito ao passar em frente ao banheiro do corredor e ver Raquel escovando os dentes da filha caçula.

- Minha esposa ainda não foi viajar e eu já estou com saudades. – Pensou. – Raquel enche nossa casa de vida.

Chegou à cozinha, abriu os armários e começou a reunir os ingredientes necessários para fazer uma das receitas de desjejum favoritas de Raquel.

- Espero que ela goste da surpresa. – Pensou. Um sorriso carinhoso lhe iluminava o rosto.

 

***

 

- Planeta Terra chamado Logan! – a loira chamou pelo filho.

Raquel e Melody entraram no quarto de Logan e encontraram o menino estirado na cama. O cobertor do garoto estava caído no chão e o travesseiro lhe cobria a cabeça.

– Está na hora de acordar! – Raquel insistiu.

O menino resmungou algo inteligível.

- Quer tentar acordar seu irmão? – a loira perguntou para a filha.

Melody riu e subiu para a cama de Logan.

- Está na hora de acordar! – a menina imitou o tom de voz que Raquel havia usado e começou a pular na cama do irmão. – Está na hora de acordar!

Logan tirou o travesseiro de cima da cabeça e estendeu a mão em direção a Raquel.

- Por favor. – Implorou. – Tire o furacão Melody de cima de mim.

- Farei isso, mas com uma condição. – Raquel cruzou os braços e sorriu. – Terá de prometer que vai se levantar da cama, escovar os dentes, tomar banho e se vestir para a escola.

 - Trato feito. – O menino bateu continência para Raquel.

- Venha. – A loira estendeu os braços e pegou Melody no colo. – Fez um ótimo trabalho.

Logan levantou-se coçando os olhos.

– Não consigo entender como Melody é capaz acordar tão cedo e com tanta energia.

Raquel deu um pequeno sorriso.

- Não é o único a se inquietar com tal mistério. – Beijou Melody no rosto.

O menino deixou o quarto arrastando os pés.

 - Deixarei seu uniforme em cima da cama. – A loira falou para o filho. – Arrume-se e desça. Esperaremos por você no jardim.

Logan limitou-se a emitir um muxoxo.

Raquel desceu pela escada, carregando Melody nos braços.

- Torradas com mel e canela! – a loira se empolgou ao chegar à cozinha e ver uma porção de torradas disposta em uma travessa. – Acompanhadas com suco de laranja. – Colocou a filha no chão, abraçou Leila e perguntou. – O que fiz para merecer tantos mimos?

- Responderei mais tarde. – A morena sussurrou para loira e indicou Melody com um aceno. A menina estava sentada no chão, brincando com uma panela. – Quando nossos filhos estiverem dormindo.

Raquel riu e beijou Leila com carinho.

- Importa-se se tomarmos o desjejum no jardim? – perguntou. – Tive que fazer uma pequena barganha para conseguir escovar os dentes de Melody.

- Não tem problema. – Leila pegou um prato contendo uma porção de pãezinhos com geleia e a jarra de suco e foi para o jardim.

Raquel a acompanhou, carregando a travessa com torradas e alguns guardanapos.

Melody passou pelas duas e pôs-se a correr pelo jardim.

– Vamos mencionar sua viagem para as crianças? – Leila perguntou.

- Melhor esperarmos até Solange e eu termos assinado o contrato e acertado os detalhes com a firma. – A loira respondeu.

Leila assentiu e colocou o que trazia em cima da mesa.

- Vou buscar os copos. – Murmurou.

Raquel ajeitou a travessa na mesa e sentou-se.

- Está bem. – Segurou a mão de Leila e a beijou. – Obrigada por tudo.

- Não precisa agradecer. – A morena curvou-se e beijou a loira na testa.

Raquel esperou Leila entrar na casa para chamar pela caçula.

- Melody! - pegou uma torrada e a quebrou em quatro partes. - Aqui está. – Entregou-as para a filha.

- Obrigada. – Melody deu um pequeno sorriso e correu para longe de Raquel. – Café da manhã dos passarinhos. – Esmagou os pedaços de torrada com a mão e espalhou as migalhas pelo chão. – Bom apetite. - Se escondeu embaixo de um banco de madeira e passou a observar.

Leila voltou para o jardim, trazendo quatro copos consigo. Sentou-se ao lado de Raquel e perguntou.

- Conseguiu fazê-la comer?

- Ainda não. – Raquel serviu-se de suco e pegou uma das torradas. – Melhor deixá-la alimentar os passarinhos primeiro.

Leila olhou para Melody.

- Passarinhos. – A menina sorria satisfeita ao ver as pequenas aves servindo-se das migalhas que espelhara.

- Melody deveria ser prioridade. – Leila insistiu.

Raquel riu.

- Melody precisa de bons exemplos. – falou acariciando o rosto da morena. – Se quisermos que nossa filha coma, devemos usar todas as ferramentas que pudermos encontrar para convencê-la. Inclusive a ajuda de nossos amiguinhos com penas. – Alcançou um pedaço de torrada e o levou aos lábios da morena. – Você também deveria dar exemplo para Melody.

Leila permaneceu com a boca fechada.

- Será que a nossa festinha não foi capaz de abrir seu apetite? – Raquel perguntou fazendo beicinho.

A morena sorriu e aceitou o oferecimento da loira.

– Acariciar e beijar seu corpo sempre abre meu apetite. – falou enquanto mastigava.

- Bom saber. – Raquel sorriu com malícia.

Passados alguns minutos Logan apareceu, trazendo um pote de gel e um pente.

- Pode dar um jeito no meu topete? – perguntou para Leila.

- Bom dia para você também. – Leila sorriu e começou a ajeitar o cabelo do filho.

- Bom dia. – Logan sorriu.

Raquel aproveitou-se para abraçar e cheirar o filho.

– O que acha? – a loira perguntou para Leila. – Logan está tão cheiroso quanto deveria?

- Vamos ver. - a morena sorriu e cheirou o pescoço do filho. - Está maravilhoso. – Deu um beijo no rosto do garoto e acrescentou. – Como sempre.

O sorriso de Logan aumentou. O menino desvencilhou-se das mães e sentou-se para tomar café.

- Não vai agradecer sua mãe por cuidar de seu cabelo? – a loira perguntou, fingindo indignação.

- Obrigado. – O menino falou com a boca cheia.

- Ele herdou seus bons modos. – Raquel provocou Leila. – Logan é um especialista em falar de boca cheia, assim como você.

- Pode ser. – a morena devolveu a provocação. – E de você ele herdou o estômago. Afinal, o apetite de ambos é o mesmo.

- Mais torrada. – Melody postou-se ao lado de Raquel, um grande sorriso lhe iluminava o rosto.

- Talvez mais tarde. – A loira segurou a menina e a puxou para o colo. – Agora é a sua vez de comer. – Tentou dar um pedaço de torrada para Melody, mas a garota recusou.

- Que tal um pedaço de pão com geleia de goiaba? – Leila cortou um dos pãezinhos em duas metades e levou uma aos lábios da filha. – É sua favorita.

Melody aceitou o oferecimento de Leila.

- Boa menina. – Raquel beijou a filha. – Se comer dois pãezinhos inteiros e beber um copo de suco, deixaremos que dê mais torrada para os passarinhos.

Melody apertou a mão de Raquel.

- Acho que temos um acordo. – A loira falou para a morena.

Leila riu e continuou a alimentar a filha caçula.

- Vocês estão diferentes. – Logan franziu o cenho, olhando de uma para a outra.

- Como assim? – Raquel perguntou.

- Estão calmas demais. – O menino se serviu com mais um pãozinho. – Vocês costumam acordar apressadas, como se estivessem fugindo do apocalipse zumbi. – Deu de ombros e finalizou. – Mas hoje não. Parece que estamos em uma manhã de sábado.

Leila e Raquel sorriram uma para a outra.

- Nossa noite foi muito boa. – A loira piscou para a morena.

- Deviam ter mais noites assim. – Logan falou de boca cheia.

- Sou obrigada a concordar com ele. – Leila sorriu.

Raquel alcançou o guardanapo e limpou os lábios de Melody.

– Aqui está, mas seja rápida. – Entregou mais alguns pedaços de torrada para a menina. – Estamos de partida.

- Arrumou suas coisas? – Leila levantou-se e perguntou para Logan.

- Sim. – O menino enfiou mais um pãozinho na boca. – Só falta pegar meu lanche.

A morena riu e meneou a cabeça.

- Deixei sua lancheira em cima de um dos balcões da cozinha. – falou. – Guarde-a na mochila.

- Está bem. – Logan correu para dentro.

Leila e Raquel levaram a louça para dentro.

- Vá buscar suas coisas. – A morena falou para a loira. – Darei um jeito na cozinha e pegarei a mochila de Melody.

- Está certo. – Raquel beijou os lábios de Leila e correu para o Home Office. Guardou o computador na maleta e reuniu alguns papéis em uma pasta. Antes de sair, olhou em volta, dando especial atenção às fotografias da família que mantinha em uma das paredes.

Algumas haviam sido tiradas por Roberto, pai de Leila e fotógrafo profissional. Outras eram mais espontâneas e capturavam momentos de diversão da família. Raquel as adorava, pois contavam a história dos Medeiros Montanari.

- Seria bom poder levá-los comigo e não apenas na memória. – Pensou.

- Está pronta? – a voz de Leila despertou Raquel de seu devaneio. – As crianças já estão acomodadas no carro.

- Estou sim. – A loira sorriu e caminhou em direção à porta. – Estive pensando. – Arriscou. – O que acha de irmos juntos para o Espírito Santo? Podemos tornar minha viagem a trabalho em uma viagem de família.

Leila torceu os lábios.

- Seus ganhos ficarão comprometidos se fizermos isso e você me disse que iríamos usar o dinheiro para ajudar Melody. – respondeu. – Além disso, também preciso trabalhar e as crianças têm escola.

Raquel deu um sorriso triste e baixou os olhos.

- Você tem razão.

A morena segurou o rosto da loira e a beijou com carinho.

- Nós iríamos se pudéssemos. – falou. – Sabe disso.

Raquel corou.

- Me sinto segura quando estou ao seu lado. – falou. – Como se o seu amor fosse uma blindagem, capaz de impedir o mal de me tocar.

- Estou me sentindo o Homem de Ferro. – Leila sorriu.

A loira mordeu os lábios e puxou a morena para um abraço.

- Você é muito mais forte do que qualquer herói das lendas e dos gibis. – falou. – E é por isso que eu a amo tanto.

- Tem muitas maneiras de estarmos com você em sua viagem. – Leila acariciou as costas de Raquel. – E nós já dominamos uma delas.

- De que está falando? – a loira afastou-se para olhar a morena nos olhos.

Antes que Leila pudesse responder, Logan surgiu no corredor.

- Detesto interromper, mas Melody está ficando impaciente. – falou. – E ela não para de puxar meu cabelo.

- Estamos indo. – Leila soltou-se de Raquel e acompanhou o filho de volta ao carro. – Não devia descontar sua raiva no cabelo de seu irmão. – Ralhou com Melody e assumiu a direção. – É muito feio fazer isso.

Melody escondeu o rosto atrás das mãos.

Raquel sentou-se no banco do carona.

- O que acham de almoçarmos juntos hoje? – propôs. – Faz tempo que não fazemos isso em uma quarta-feira.

As crianças comemoram.

Leila sorriu e olhou para Raquel.

- É uma ótima ideia. – Engatou a marcha e colocou o carro em movimento.

Notas finais:

 

 

E a mudança levou tempo por ser tão veloz. por Priscila_Cruz

 

Capítulo 4

E a mudança levou tempo por ser tão veloz.

 

Leila estacionou o carro e Raquel inclinou-se para beijá-la.

- Obrigada meu amor. – falou para a morena. – Tenha um bom dia.

- Você também. – Leila sorriu. – Quer que eu venha lhe buscar para almoçarmos juntos?

- Não precisa. – a loira segurou a mão da morena e a acariciou. – Pegarei um taxi.

- Está certo. – Leila retribuiu a carícia. – Nos encontraremos no Jin & Jin.

Raquel voltou-se para o banco de trás e despediu-se dos filhos.

- Nos vemos mais tarde meus amores. – enviou beijos para os dois e desembarcou.

A agência de publicidade que Raquel e Solange fundaram ficava em um conjunto de escritórios no centro da cidade. No início a equipe era pequena, porém, com o passar do tempo, a firma ganhou credibilidade e o número de empregados cresceu, bem como o espaço que precisavam locar.

Raquel entrou no prédio, cumprimentou os funcionários da portaria e correu para o elevador. O celular da loira emitiu um bipe assim que as portas se fecharam. Solange lhe escrevera uma mensagem, seguida por uma série de emoticons sorridentes.

- Está atrasada!

Raquel revirou os olhos.

 - A senhora Gonzalez e eu estamos lhe aguardando em minha sala para discutirmos a agenda do dia. – Solange continuou. – Não demore.

- Bom dia pra você também. – a loira escreveu.

A loira desceu no andar desejado e caminhou com passos apressados até a sala de Solange.

- Bom dia. – a amiga cumprimentou-a ao cruzar a porta. – Estou surpresa por ter chegado ao escritório antes de você. – lançou um sorriso debochado para Raquel e perguntou. – Aconteceu alguma coisa digna de nota?

- Sim. – a loira sentou-se diante de Solange e acrescentou. – Ao que parece você criou vergonha e decidiu chegar ao trabalho na hora certa. – voltou-se para a secretaria e a cumprimentou com um sorriso. – Bom dia senhora Gonzalez.

- Bom dia senhora Medeiros Montanari. – a mulher sorriu de volta. – Podemos começar?

A loira assentiu.

A senhora Gonzalez leu os compromissos que Raquel e Solange teriam de cumprir durante o dia de trabalho. Ao final da leitura, Gonzalez pediu para se retirar, mas a loira a deteve.

- Decidi aceitar o trabalho de consultoria para a Resolute. – Raquel falou para Solange. – Espero que você ainda esteja interessada.

- É claro que estou. – Solange cruzou as pernas e sorriu. – Sua companhia é sempre um prazer e o pagamento me será muito útil.

Raquel voltou-se para a secretaria e falou.

– Quero que responda o email que nos enviaram e confirme nossa participação. Assim que o pessoal da Resolute nos mandarem o contrato, a senhora o repassará para nosso departamento jurídico. Se tudo estiver em ordem, nós o assinaremos.

- Está bem. – a senhora Gonzalez deu um pequeno sorriso. – Mais alguma coisa?

- Vou almoçar com minha família. – Raquel falou com um pequeno sorriso. – Agradeceria se deixasse um taxi reservado para mim.

- Será feito. – a senhora Gonzalez fez uma pequena referência e retirou-se.

- Leila se chateou ao saber que ficará longe do grande amor da vida dela por três dias? – Solange perguntou, baixando o olhar.

- É claro que sim, mas agiu com maturidade e está me apoiando, como vem fazendo ao longo do nosso casamento. – a loira suspirou. – Vamos passar mais tempo juntas, como forma de suprir o tempo em que ficarei fora. Por isso, combinei de almoçar com minha família hoje.

- E quanto às crianças? – Solange cruzou os braços. – Como elas reagiram?

- Ainda não conversei com eles, mas vou fazê-lo em breve. – Raquel baixou os olhos. – Você também devia conversar com sua família. Aposto que seu marido e seu filho ficaram chateados por ver você partir.

Solange torceu os lábios e sacudiu a mão em um gesto desdenhoso.

- Tenho certeza de que Rodrigo pai ficará animado ao saber que terá uns dias de solteiro. – falou. – E Rodrigo filho só sentirá minha falta se a geladeira não estiver abastecida com comida.

A loira riu.

- Está subestimando o amor que seu marido e seu filho sentem por você.

- É uma pena que você não possa participar do almoço que vamos oferecer para os diretores da Hammound. – Solange falou, fazendo beicinho. - Eles são nossos clientes mais difíceis de agradar.

- Tenho certeza de que você os paparicará muito bem sem minha ajuda. – a loira lançou um sorriso debochado para a amiga. – E conseguirá renovar nosso contrato com eles. - levantou-se e seguiu para a saída.

- Viajar alegra o espírito. - Solange falou antes que Raquel pudesse cruzar a porta. – Tenho certeza de nossa viagem lhe fará muito bem.

Raquel olhou para Solange e mordeu os lábios.

- Espero que esteja certa. – falou e deu as costas para a amiga.

 

***

 

Leila deixou Raquel no trabalho e, em seguida, foi levar Melody para a escola. Estacionou o carro e ajudou a menina a sair da cadeirinha.

- Pronta? – perguntou para a filha.

- Sim. – a menina respondeu e pulou para fora.

Logan desembarcou, carregando os pertences de Melody. Deu a volta no veículo e entregou a mochila para a irmã.

- Obrigada. - Melody sorriu para o irmão e caminhou para o portão de entrada.

Leila e Logan deram as mãos e a seguiram.

- Não! – Melody voltou-se para os dois, ergueu o dedo indicador e franziu o cenho. – Melody é mocinha e já sabe para qual sala deve ir. Melody vai entrar na escola sozinha.

- Está bem. – Leila deu um pequeno sorriso.

Logan olhou para a mãe e disse.

- Não acho que seja uma boa ideia.

Melody lançou um olhar aborrecido para o irmão e disse.

- Logan não pode seguir a Melody!

O menino tentou argumentar, mas Leila o interrompeu.

- Fique tranquilo, meu querido. – falou. - Melody é inteligente e não vai se perder. – soltou a mão de Logan e abaixou-se diante de Melody. – Tenha um bom dia e, quando viermos buscá-la, nos conte se alguém for mau com você.

Melody assentiu. Virou-se em direção ao portão e seguiu o caminho para a sala em que estudava.

Leila endireitou-se e se postou ao lado do filho. Os dois ficaram vendo Melody se afastar.

- Devíamos segui-la para ter certeza de que ela ficará bem. – Logan insistiu. - Crianças podem ser más umas com as outras, especialmente com as que são diferentes, e alguém pode implicar com Melody antes que ela alcance a sala de aula.

– Fico feliz que se preocupe com sua irmã. – Leila passou o braço em volta dos ombros do filho e o puxou para si. – Porém, temos que deixar Melody lutar as próprias batalhas e já que ela se julga capaz de fazer alguma coisa sozinha, temos de apoiá-la. Se não fizermos isso, estaremos atrapalhando o crescimento dela.

Logan baixou os olhos e fez bico.

- Não quero que Melody tenha uma crise. – falou.

Leila beijou os cabelos de Logan.

- Também não quero que sua irmã tenha uma crise, pois sei o quanto as crises são horríveis. – falou. – Mas Melody precisa aprender a se cuidar. – Leila conduziu Logan para o carro e o sentou no banco traseiro. – E isso não acontecerá com sua irmã se nós a protegermos demais.

- Como assim? – Logan lançou um olhar confuso para Leila.

Leila terminou de acomodar o filho, deu a volta no carro e sentou-se no banco do motorista.

- Eu era muito parecida com Melody quando tinha a idade dela e as outras crianças costumavam implicar comigo. – Leila virou-se para Logan e explicou. – Seus avós e sua tia poderiam ter me cercado de mimos e me impedido de crescer, mas não foi isso que fizeram. Eles me ensinaram a me defender, me prepararam para enfrentar desafios e para a vida. Se não fosse por isso, eu jamais teria conhecido sua mãe. E você e Melody não estariam aqui.

- Então, se nós ajudarmos Melody a crescer e a prepararmos para enfrentar desafios e para a vida, um dia ela poderá conhecer alguém como a mamãe Raquel, se casar e ter os próprios filhos? – Logan perguntou.

- Sim, mas não apenas isso. – Leila sorriu e respondeu. – Queremos que Melody tenha fé em si mesma para poder ser o que quiser. Contudo, para que isso aconteça, precisamos acreditar que sua irmã é capaz de fazer qualquer coisa.

O menino sorriu.

- Eu acredito nisso.

Leila virou-se para frente e colocou o carro em movimento.

- Eu também. – falou com um sorriso orgulhoso.

Quando não tinha atividades extracurriculares para cumprir, Logan passava as manhãs junto com Leila. A morena dirigiu até uma das ruas adjacentes a loja, deixou o carro em um dos estacionamentos e caminhou com o filho até a Doctor Byte.

- O que temos para hoje? – Logan perguntou para Karen assim que ele e Leila passaram pela porta.

Karen torceu os lábios e cruzou os braços.

- Você é tão educado quanto sua mãe Leila. – falou para o menino.

- Bom dia tia Karen. – Logan cumprimentou-a com um sorriso travesso.

- Bom dia para você também, Wolverine. – entregou uma pasta para o menino. – Ficará feliz em saber que um Playstation acaba de ser deixado para manutenção.

Logan abriu a pasta e consultou as anotações que Karen havia feito.

Desde pequeno, Logan demonstrara aptidão no trato com as máquinas e, por isso, Leila decidira ensiná-lo e o menino passara a auxiliar no conserto dos equipamentos que eram deixados na loja. A curiosidade de Logan não se limitava aos computadores e, para agradá-lo, Karen e Leila acharam por bem incluir celulares e vídeo games na lista de produtos reparados pela Doctor Byte.

- O console está desligando sozinho após uma hora de uso. – o menino falou para Leila. – Deve estar com problemas no sistema de resfriamento.

- É bem possível. - Leila acariciou os cabelos do filho e o levou para o laboratório. Antes de cruzar a porta, voltou-se para Karen e falou. - O nome dele é Logan.

Karen riu e falou para Leila.

- Também amo você, irmãzinha.

- Coloque o Playstation na área de teste. – Leila falou para o menino. – Enquanto isso, eu guardarei nossas coisas.

Leila acomodou as mochilas dos dois em uma das estantes e guardou o lanche que dividiria com o filho na geladeira. Logan acomodou o console em uma bancada e o plugou na televisão.

- Pronto para fazer um teste? – Leila perguntou para o menino.

Logan voltou-se para ela e sorriu.

- É claro que sim. – respondeu, entregando um dos controles para a mãe.

Leila pegou o celular no bolso da calça e o programou para despertar.

- Que tal um jogo de luta? – perguntou para Logan. – Faz tempo que não disputamos um mano a mano.

O menino riu.

- Pode ser. – puxou uma cadeira e sentou-se. – Mas não espere que eu pegue leve contigo apenas por ser minha mãe.

Leila o imitou.

- Não me sentiria satisfeita se você não desse o melhor de si. – sorriu para o menino e iniciou o jogo.

Os dois começaram a jogar.

Apesar de ter apenas nove anos de idade, Logan era um jogador habilidoso. Porém, não o bastante para sobrepujar Leila. O console desligou no mesmo instante em que o despertador no celular da morena tocou.

- Excelente desempenho, meu jovem Padawan. – Leila lançou um sorriso presunçoso para Logan. – Mas precisa treinar um pouco mais.

O menino fez bico e largou o controle em cima da bancada.

- A senhora é uma péssima vencedora, mamãe. – falou.

Leila desplugou o vídeo game da televisão e o levou para a bancada de serviço.

Logan a seguiu.

A morena abriu o console e pegou em uma das prateleiras as peças que utilizaria no conserto.

- Posso instalá-las? – o menino pediu. – Por favor.

- Está bem. – Leila entregou as ferramentas e as peças para Logan. – Mas seja cuidadoso.

O menino sorriu e iniciou o conserto.

 

***

 

- Melody. – a professora chamou pela menina. – Quer se juntar a turma? – perguntou. – Está na hora da história.

Melody deu as costas para a mulher.

- Seria muito bom ter você conosco. – a professora insistiu. – Vamos ler um livro sobre viagens espaciais e, pelo que eu soube, sua mãe Leila gosta muito delas.

Melody resmungou e colocou as mãos nas orelhas.

A professora e a auxiliar se entreolharam.

- Importa-se em fazer companhia para Melody enquanto leio para a turma? – a professora perguntou.

- É claro que não. – a moça sorriu. – Posso ler o livro para Melody quando acabar de lê-lo para a turma se a senhora não se importar.

A professora assentiu e reuniu as demais crianças em uma roda.

A auxiliar colocou uma folha em cima da mesa e encheu a mão com gizes de cera. Exibiu-a para a menina e esperou. Ao sentir-se segura, Melody tirou as mãos das orelhas e estendeu-as em concha.

- Muito bem. – a auxiliar sorriu e colocou os gizes dentro das mãos de Melody. - Que tal desenharmos um pouco?

Melody assentiu.

- E, já que sua professora irá ler uma história que se passa no espaço, podemos fazer uma nave espacial e você poderá dar seu desenho para sua mãe Leila.

A menina sentou-se em um banquinho e começou a desenhar um dos modelos de nave de Star Wars.

- É um belo Caça TIE. – a auxiliar falou. – Tenho certeza de que sua mãe Leila vai adorar o presente.

Ao terminar de fazer a leitura para a turma, a professora tentou aproximar-se de Melody mais uma vez.

- Está tudo bem? – perguntou.

A menina começou a cantarolar a Marcha Imperial, tema música associado ao personagem Darth Vader e ao Lado Sombrio da Força em Star Wars.

- Acho que sim. – a auxiliar sorriu e respondeu por Melody.

A professora acariciou os cabelos da menina.

– Quer que eu leia para ela? – a auxiliar perguntou.

- É muito gentil da sua parte, mas eu gostaria de tentar. – a professora respondeu. – Ficaria agradecida se pudesse ficar de olho no restante da turma por mim.

- É claro. – a moça sorriu e levantou-se. – Será um prazer.

Fazia quatro meses que Melody tinha começado a estudar, porém, ainda não havia estabelecido vínculo com a própria professora, preferindo a companhia de Andressa, a professora auxiliar.

Felizmente, Marina era persistente e fazia o possível para criar um vínculo com Melody.

- Quer que eu leia para você agora? – sentou-se ao lado da menina e perguntou. – Ou prefere terminar de desenhar?

Melody apontou para o desenho que estava fazendo.

- Está bem. – Marina sorriu. – Eu espero.

A menina voltou a cantarolar a Marcha Imperial e Marina a acompanhou. Melody riu e escondeu o rosto atrás das mãos.

- Sua mãe Leila não é a única a gostar de Star Wars. – Marina puxou Melody para junto de si e, para sua surpresa, a menina não resistiu. Sentou-a no colo e puxou uma folha de papel em branco. – Meu personagem favorito é o Mestre Yoda. – pegou alguns gizes e começou a desenhar. – Você o conhece?

- Importante Mestre Jedi ele é. – a menina respondeu.

- Isso mesmo. – a professora riu. – No livro que vamos ler não temos Mestres Jedi. – finalizou o desenho e guardou o material. – Mas encontraremos um astronauta muito corajoso. – perguntou. - Sabe o que é um astronauta?

- O astronauta mora no espaço. – Melody respondeu.

- Correto. – Marina puxou o livro e o abriu. – Podemos começar?

Melody assentiu e ajeitou-se no colo da professora.

Marina sorriu e começou a ler.

 

***

 

Raquel teve uma manhã agitada. Assistiu as apresentações preliminares das campanhas feitas pelas equipes que coordenava e fez algumas sugestões para melhorar o trabalho. Também presidiu uma reunião com um novo grupo de clientes e revisou os materiais que usaria em uma webconferência que participaria ao final do dia.

Próximo à hora do almoço, a secretaria interfonou para Raquel.

- Seu taxi a aguarda senhora Medeiros Montanari. – a mulher lhe informou.

- Obrigada senhora Gonzalez. – Raquel pegou a bolsa. – Alguma resposta da Resolute?

- Sim senhora. – a secretaria respondeu. – Eles nos enviaram o contrato. O departamento jurídico está analisando-o conforme sua orientação.

- Está bem. – a loira despediu-se. – Nos vemos mais tarde. – apressou-se para a área em que ficavam os elevadores e deixou o escritório.

O taxi a aguardava em frente ao prédio. Raquel embarcou e passou o endereço para o motorista.

- Agradeceria se fizesse uma rota alternativa. – falou para o homem. – Odiaria me atrasar por causa do trânsito.

- Sem problemas. – o homem resmungou.

A loira recostou-se no banco e se permitiu relaxar. Apesar de Raquel adorar o trabalho que fazia, por vezes, sentia-se extenuada pela extensiva agenda de compromissos. Fechou os olhos e, devido ao cansaço, acabou cochilando.

Batidas no vidro a fizeram se sobressaltar.

- Olá Bela Adormecida. É um prazer vê-la novamente. – Karen sorria para Raquel. – Sua esposa me pediu para recepcioná-la. – indicou o restaurante Jin & Jin e continuou. – Ela está lá dentro, acomodando as crianças.

O motorista observava a loira pelo retrovisor.

- Espero que tenha feito uma boa viagem. – o homem fez força para não rir.

Raquel ajeitou-se no banco e apanhou a bolsa.

- Foi uma excelente viagem. - murmurou. – Obrigada. - pagou pela corrida e desembarcou.

- Está precisando de férias. – Karen lançou um sorriso debochado para Raquel.

A loira olhou-a atravessado.

- E você de tomar juízo. – falou. – Me assustou.

Karen passou o braço pelos ombros de Raquel e a levou para dentro.

- Deveria me agradecer. – falou. – Dormir dentro de carros de desconhecidos pode ser perigoso.

- Agradeceria se não mencionasse o fato para Leila. – a loira torceu os lábios. – Ela ficará preocupada.

- Não se preocupe. – Karen piscou para Raquel. – Seu segredo está a salvo comigo.

- Assim espero. – a loira resmungou, fazendo bico.

- Vejam o que eu encontrei! – Karen anunciou ao aproximar-se da mesa em que Leila, Logan e Melody estavam. – Uma Barbie!

Leila olhou feio para a irmã.

- Você conhece Raquel há quinze anos! – reclamou. – E ainda não aprendeu a chamá-la pelo nome certo!

- É mais divertido assim. – Karen piscou para a irmã e sentou-se ao lado do sobrinho.

Raquel beijou os filhos e a esposa.

- Como foi sua manhã no trabalho? – perguntou para Leila.

- Consertamos um Playstation. – a morena respondeu.

- Na verdade. – Logan sorriu com presunção. – Eu fiz o conserto e mamãe ficou apenas olhando.

- Você colocou as peças novas no console. – Leila se defendeu. – Mas foi eu quem as escolheu.

O menino deu de ombros.

- Sua ajuda é sempre bem-vinda. – falou.

A loira riu e apanhou a mochila de Melody.

- E como foi na escola, minha querida? – perguntou para a filha. – Se divertiu?

A menina assentiu.

Raquel abriu a mochila da menina e pegou o caderno de recados. Leu a anotação que a professora havia feito e sorriu.

- Melody aceitou que Marina lesse para ela. – beijou a menina e sussurrou para ela. – Estou orgulhosa de você.

- Ficará mais orgulhosa ao saber que Melody entrou sozinha na escola hoje de manhã. – Leila sorriu para Raquel.

- Isso é verdade? – a loira perguntou para a filha.

A menina riu e escondeu o rosto atrás das mãos.

- Que maravilha! – Raquel voltou a beijá-la.

- A mini Barbie está crescendo depressa. – Karen falou. – Logo teremos mais um membro da família Medeiros Montanari ajudando na Doctor Byte.

Melody olhou feio para Karen e apontou o dedinho em direção à tia.

- O nome dela é Melody! – falou, imitando o tão severo que Leila costumava usar ao brigar com Karen.

- Era só o que me faltava! – Karen gargalhou. – Ter duas criaturas rabugentas brigando comigo.

- Ninguém precisaria lhe repreender se você se comportasse. – Leila resmungou para a irmã.

Um dos garçons aproximou-se da mesa, anotou os pedidos e se afastou.

- Espero que a comida não demore. – Logan falou, alisando a barriga. – Estou morrendo de fome.

Leila olhou para Raquel.

- Não se atreva a repetir que o menino herdou meu estômago. – a loira resmungou. – Me disse isso no café da manhã e eu não estou interessada em ouvir outra vez.

- Eu não ia falar nada. – a morena deu um pequeno sorriso. – Estou feliz demais por tê-la aqui e não pretendo lhe provocar.

- Também estou feliz por estar aqui. – a loira segurou a mão de Leila e a acariciou. – E tentarei almoçar com vocês todos os dias antes de ter que viajar. – murmurou.

O sorriso de Leila murchou.

- Mestre Yoda ensinou que tentativas presumem falhas. – sussurrou. – É melhor fazer do que tentar. Assim você não falhará conosco.

Raquel a puxou para junto e a beijou com carinho.

- Vou fazer e não tentar. – murmurou. – Prometo.

A comida foi servida.

Melody estendeu os talheres em direção a Raquel e pediu.

- Ajuda a Melody.

- A Melody sabe comer sozinha. – a loira sorriu.

- Não sabe não. – a menina fez beicinho. – Por favor, ajuda a Melody.

Raquel e Leila se entreolharam.

- Sabemos do que Melody é capaz. – a morena falou. – Não vai fazer mal se você mimá-la um pouco.

A loira voltou-se para a filha, segurou os talheres que ela lhe oferecia e começou a alimentá-la.

- Manhosinha. – falou para Melody.

A menina riu e escondeu-se atrás das mãos.

Findada a refeição, Karen retornou para a Doctor Byte e Leila e Raquel levaram Logan para a escola e Melody para a casa dos avós. Quando não tinha terapias agendadas, a menina ficava com Vera e Roberto.

Vera as aguardava em frente ao prédio em que morava.

- Boa tarde mamãe. – Leila cumprimentou Vera ao estacionar o carro.

- Boa tarde dona Vera. – Raquel sorriu para a sogra. – É um prazer vê-la.

- O prazer é meu. – Vera sorriu para as duas e perguntou. – Logan está bem?

- Sim. – Leila contou as peripécias do menino na Doctor Byte. – Logan está cada dia mais inteligente.

- Assim como vocês. – Vera beijou Leila. – E como foi o dia de Melody na escola?

- Muito bom. – Raquel comentou sobre o bilhete que a professora da menina enviara. – E hoje Melody conseguiu entrar sozinha na escola. – a loira voltou-se para trás e acariciou a mão da filha. – Não é a toa que ela tenha pegado no sono a caminho daqui.

O sorriso de Vera aumentou.

- Vou colocá-la na cama assim que chegarmos ao apartamento. - a mulher abriu a porta traseira e tirou a menina da cadeirinha. – Melody estará descansada e pronta para a ação quando vierem buscá-la.

- Obrigada por cuidar dela. – Raquel agradeceu.

- Não precisa agradecer. – Vera acariciou os cabelos da menina. – É um privilégio poder cuidar da minha neta.

- Nos vemos mais tarde. – Leila despediu-se da mãe e colocou o carro em movimento. – Programe a rota no GPS. – falou para Raquel. – Quero fugir do trânsito.

- Está como pressa de se livrar de mim? – a loira perguntou, fazendo beicinho.

- É claro que não. – a morena lançou um olhar aborrecido para Raquel. – Adoro sua companhia, mas não tenho interesse em ficar presa no congestionamento. – torceu os lábios e acrescentou. – Além disso, tenho um serviço para terminar na Doctor Byte.

- Pena que você esteja compromissada em seu trabalho. – a loira alisou a perna de Leila. – Seria bom namorarmos um pouco.

- Pare com isso! – a morena ralhou com Raquel. – Quer que eu perca o controle do carro?

- Do carro não. – a loira riu e programou o celular conforme Leila pedira. – Mas seria bom que perdesse o controle de seu desejo e trocasse algumas horas de trabalho por sexo.

Leila meneou a cabeça.

- Podemos namorar em casa. – falou. – Quando as crianças tiverem ido para a cama.

- E se eu pedisse para você me levar para um motel agora? – a loira sorriu com malícia. – O que faria?

A morena tamborilou os dedos no volante.

- Enviaria uma mensagem para Karen e avisaria que iria me atrasar. – respondeu. – Depois faria o mesmo com sua secretaria.

- E o que mais? – a loira insistiu.

- Encostaria o carro, procuraria um motel na internet, de preferência um bem recomendado. Levaria você até lá e, depois de me certificar de que os lençóis haviam sido trocados, faria amor com você.

- E o que está esperando para colocar seu plano em prática? – o sorriso de Raquel aumentou.

- Você não me pediu para te levar para um motel. – Leila respondeu. – Nossa conversa está sendo baseada em uma hipótese e não em uma situação real.

A loira riu.

- Leila? – chamou pela esposa com voz manhosa.

- O que você quer? – a morena resmungou.

- Você sabe muito bem. – voltou a acariciar a perna de Leila. – Faz tempo que não fugimos do trabalho para namorar e eu estou com saudade.

Leila deu um pequeno sorriso e encostou o carro.

- Também estou. – murmurou ao pegar o celular no bolso da calça.

 

 

Notas finais:

 

Olá pessoas!

Recebi um comentário a respeito da Melody e já que chegamos ao capítulo quatro e vocês já tiveram tempo para conhecê-la, me diga: Vocês acham que a Melody é diferente das outras crianças? E se acham isso, o que os leva a pensar tal coisa? E se ela é diferente, o que vocês acham que ela tem?

Aguardo as teorias XD

 

Malvadeza, judiar assim. Tenha dó do meu coração. por Priscila_Cruz

 

Capítulo 5

 

Malvadeza, judiar assim. Tenha dó do meu coração.

 

- Para um lugar impregnado com o fedor de suor e de todo tipo de fluídos corporais. – Leila falou. – Este quarto não tem um cheiro tão ruim. – A morena estava deitada, a cabeça apoiada no ventre da loira.

Raquel riu e acariciou os cabelos de Leila.

- Ainda bem que seu precioso nariz está colaborando conosco. – falou. – Odiaria ter que deixar esta cama cedo demais.

Leila acariciou as coxas da loira e perguntou.

- Os dias que antecederem sua viagem serão assim?

- Não meu amor. – Raquel suspirou. – Não poderemos fugir de nossas responsabilidades todos os dias.

A morena levantou o rosto e encarou a loira.

- Quis lhe trazer aqui para selarmos um pacto. – Raquel continuou. – Cumpriremos com nossas obrigações diárias. – passou os dedos pelos lábios de Leila e sorriu. – Contudo, todos os dias, antes de eu viajar, nós teremos momentos a sós.

- É um bom plano. – a morena escalou o corpo da loira e a beijou. – Sempre faz propostas inteligentes.

Raquel riu.

- Tenho mais uma proposta para lhe fazer. – enrolou as pernas na cintura de Leila e sorriu com malícia. – O que acha de ficarmos mais uma hora nesta cama? Tenho certeza de que nossas sócias estão se virando muito bem sem nós.

Leila sorriu.

- Aceito. – falou e beijou a loira com ardor.

Ao sentirem-se saciadas, as duas se banharam e Leila levou Raquel para o escritório.

- Quer que eu venha lhe buscar? – a morena perguntou para a loira.

- Não é preciso. – Raquel a beijou com carinho. – Solange e eu temos uma webconferência em poucas horas e tenho certeza de minha amiga e sócia não se importará em me dar uma carona para casa. – abriu a porta e desembarcou. – Amo você.

- Também amo você.

Leila esperou até Raquel entrar no prédio para colocar o carro em movimento. Dirigiu com calma, assoviando algumas das melodias que mais gostava. Largou o carro no estacionamento e caminhou até a Doctor Byte.

- Finalmente você decidiu aparecer! – Karen ralhou com Leila.

- Eu lhe enviei uma mensagem dizendo que iria me atrasar. – Leila revirou os olhos e foi para o laboratório.

- De fato. – Karen a seguiu. – Mas, não me explicou o motivo.

Leila deu de ombros e se dirigiu para uma das bancadas de trabalho.

- Cheguei a pensar que havia acontecido alguma coisa ruim com você ou com Raquel ou com um de meus sobrinhos. – Karen insistiu.

- Raquel não gosta que eu fale a respeito de nossa vida sexual com ninguém. – Leila resmungou.

Karen bufou.

- Não acredito. – falou entre dentes. – Eu estava morrendo de preocupação, enquanto você transava com sua Barbie por boa parte da tarde.

- Foi uma parte muito boa mesmo. – Leila deu um pequeno sorriso. – E o nome dela é Raquel.

Karen suspirou e esfregou o rosto com as mãos.

- Não que seja da minha conta. – falou. – Mas, por acaso, estão pensando em ter outro filho?

Leila largou as ferramentas e olhou para a irmã.

- Não. – respondeu.

- Costumam dar escapadelas românticas em momentos que antecedem grandes mudanças. – Karen puxou um banquinho e sentou-se. – Importa-se em me contar o que está por vir?

- Não sei se devo. – Leila estalou os dedos. – Decidimos esperar para conversar com as crianças, entretanto, Raquel não me disse se também devo guardar segredo das demais pessoas.

Karen puxou um banquinho e o ofereceu para a irmã.

- Terá que decidir por si mesma. – falou.

Leila hesitou.

- Tem minha palavra de que não mencionarei nossa conversa com ninguém. – Karen deu tapinhas no banquinho. – Sente-se e desembuche.

- Está bem. – Leila sentou-se ao lado da irmã. – Raquel viajará a trabalho em duas semanas.

Karen riu.

- É só isso? – perguntou.

Leila lançou um olhar aborrecido para a irmã.

- Não tem direito de rir das preocupações alheias. – falou fazendo bico. – Coisas que são fáceis para você não são para mim.

- Tem razão. – Karen ergueu as mãos em sinal de rendição. – Me desculpe.

- Raquel e eu não gostamos de ficar separadas. – Leila baixou os olhos e estalou os dedos. – Mesmo que seja por poucos dias.

- O tempo passa e a chatice de vocês não muda. – Karen deu um pequeno sorriso.

Leila levou a mão ao bolso da bolso da calça e pegou um fidget cube.

- Raquel já precisou viajar a trabalho antes. – Karen ajeitou os cabelos da irmã. – E vocês ficaram bem. Tenho certeza de que não será diferente dessa vez.

Leila assentiu.

- Contudo, caso alguma coisa não saía como o planejado, você poderá embarcar em um avião e ir atrás da sua Barbie. – Karen sorriu. – E eu ajudarei você nisso.

- Obrigada. – Leila levantou-se. – É melhor eu trabalhar.

- Espero que tenha energia suficiente. – Karen também se levantou. – Gastou todas as calorias que conseguiu no almoço farreando com sua esposinha na cama.

Leila deu um pequeno sorriso e voltou-se para a bancada de trabalho.

 

***

 

- Boa tarde senhora Medeiros Montanari. – Gonzalez cumprimentou Raquel assim que avistou a loira. – A senhora Garcia está lhe aguardando.

- Obrigada. – Raquel sorriu para a secretária. Entrou na sala de Solange e largou-se em uma das cadeiras. – Desculpe o atraso.

Solange, que estava concentrada no computador, levantou os olhos e torceu os lábios.

- Pensei que teria de fazer a webconferência sozinha. – reclamou.

Raquel sorriu e enrolou uma mecha de cabelo nos dedos.

- Não me daria ao luxo de escapar do trabalho se não acreditasse em sua competência.

- Nem tende derramar mel em minha boca. – Solange cruzou os braços e olhou feio para a loira. – Terá que me compensar por cobrir você.

- Farei isso retribuindo sua gentileza. – a loira piscou. – Assim você e Rodrigo também poderão se despedir adequadamente.

Solange revirou os olhos.

- Duvido que eu tenha a mesma sorte que você. – resmungou. – Se convidar Rodrigo para dar uma escapadinha durante o expediente, terei que passar uma tarde aproveitando os cupons de desconto do McDonalds.

A conversa das duas foi interrompida pelo soar do interfone.

- Queiram me desculpar senhoras. – Gonzalez falou. – Mas o departamento jurídico aprovou o contrato que a Resolute enviou. Gostariam de assiná-lo agora?

- Sim senhora Gonzalez. – Solange respondeu. – Pode trazê-lo.

Raquel soltou um longo suspiro.

- Tem certeza de que está tudo bem? – Solange perguntou para a loira. – Se a coisa toda for sofrida demais para você, podemos desistir.

- É claro que está tudo bem. – Raquel ajeitou-se na cadeira e cruzou os braços. – Eu diria se não estivesse.

Solange deu de ombros.

- Com licença. – Gonzalez sorriu para as duas e entrou na sala de Solange. – Aqui está. – estendeu o contrato para Raquel.

A loira colocou os papéis sobre a mesa, alcançou uma caneta e assinou nos locais indicados.

- Feito. – deu um pequeno sorriso e passou os papéis para Solange.

- Felizmente você escolheu a carreira certa. – Solange também assinou o contrato. – Se tivesse sido atriz, teria morrido de fome.

Raquel lançou um olhar atravessado para Solange, mas não respondeu a provocação da amiga.

- Obrigada senhora Gonzalez. – Solange entregou os papéis para a secretaria. – Iremos para a casa de Raquel para participarmos da Webconferência. – piscou para a mulher e finalizou. – Poderá ir embora depois de mandar o contrato assinado para o pessoal da Resolute.

- Obrigada. – Gonzalez despediu-se das duas e saiu da sala.

Solange desligou o computador e o guardou na bolsa.

- Preparada? – perguntou para a amiga.

Raquel deu um pequeno sorriso.

- É claro que estou. – respondeu. – Mais preparada impossível.

 

***

 

Marcos suspirou ao receber a confirmação de que a consultoria prestada pela dupla de São Paulo aconteceria. O rapaz fora nomeado para a chefia do departamento de Marketing da Resolute há mais de um ano, porém, ainda não havia se acostumado com as excentricidades de Simone, sua chefe e uma das principais acionistas da empresa.

Em uma das muitas reuniões de trabalho, Simone mostrara a Marcos o trabalho desenvolvido por Raquel e Solange e intimara o rapaz a conseguir uma consultoria com as duas. Não que Marcos não acreditasse na relevância do tema. Afinal, para que um anúncio funcione é preciso que atinja ao maior número possível de pessoas e a parceira com a dupla paulista facilitaria a tarefa. Contudo, a conduta de Simone no escritório nem sempre ajudava na rotina de trabalho e, por isso, Marcos se preocupava.

Simone era competente, porém, tinha uma estranha necessidade de seduzir as mulheres com quem trabalhava e constantemente se envolvia em escândalos. Seus relacionamentos nunca acabavam bem e a lista de inimigas de Simone crescia a cada dia.

Marcos temia que os nomes de Raquel e Solange acabassem entrando nela e foi com relutância que encaminhou para Simone o email que havia recebido.

- Que os céus nos ajudem. – o rapaz resmungou para si. - Tudo acertado. – escreveu para Simone. – Providenciarei a recepção das duas.

O homem assustou-se ao receber a resposta imediatamente.

- Fique tranquilo Marcos. – Simone escreveu. – Eu mesma me encarregarei de tudo.

Marcos engoliu em seco e alisou o rosto com as mãos.

- Ok. – respondeu. – Me avise caso precise de alguma coisa.

Os temores de Marcos tinham fundamento. No entanto, o que o rapaz ainda não sabia era que Solange e Raquel eram velhas conhecidas de Simone e já estavam na lista de desafetos da mulher.

 

***

 

Simone recostou-se na cadeira e sorriu.

- Não se preocupe Marcos. – murmurou para si. – Você já fez o bastante.

A mulher abriu uma das gavetas da escrivaninha e de dentro dela retirou uma pasta. Interfonou para a secretaria e aguardou.

- Tenho uma tarefa para você. – estendeu a pasta para a mulher assim que ela entrou. – Formulei um plano de ação para recebermos algumas convidadas e preciso que o coloque em prática. – ergueu um dedo e acrescentou. - Não importa quanto custe, não deixe passar nenhum detalhe.

- Como quiser senhora. - a mulher murmurou e saiu.

Simone esperou a secretária fechar a porta para levantar-se da cadeira e ir ao bar pegar uma bebida. Largou-se em um dos sofás que havia em sua sala e tirou o celular de dentro do bolso da calça.

Conectou-se em um dos inúmeros aplicativos de redes sociais e passou a examinar algumas fotos. Raquel estava em todas elas, divertindo-se em momentos com a família ou trabalhando em seu novo escritório.

- Pensei que o peixinho dourado escaparia das minhas mãos. – Simone sorriu com deboche.

Em tempos passados Simone e Raquel haviam tido um relacionamento bastante conturbado, mantido à custa do espírito bondoso da loira. Raquel sofrera muito com a infidelidade de Simone e, mesmo após tanta dor, foi preciso que alguns anos se passassem antes que a loira conseguisse se livrar do fantasma da ex-mulher.

Simone nunca soube dizer a razão, mas o sofrimento das mulheres com quem se relacionava lhe era prazeroso. Quanto maior fosse o dano causado, maior era o divertimento de Simone.

Raquel fora uma das mulheres que Simone conseguira ferir com maior gravidade e ao deparar-se com a loira nas redes sociais, feliz com a nova família e prosperando no novo trabalho, sentiu-se contrariada. Cada sorriso que Simone havia captado no rosto de Raquel assemelhava-se um chamado para guerra

- Terei Raquel junto a mim novamente. – sorriu com desdém. - E, se tudo sair conforme o planejado, eu conseguirei partir o coração inocente dela mais uma vez.

 

 

Notas finais:

Agradeço as pessoas que responderam minha pergunta sobre Melody!

 

Um dos benefícios de publicar online é o contato com o público, pois a interação com quem lê, ajuda a pensar na hora da escrita.

 

Para mim estava claro que Melody é autista! Porém, pelos comentários percebi que para quem lê não está claro. Por isso, nos próximos capítulos vou falar a respeito.

 

E hoje, como não poderia deixar de ser, apresento a vilã do Volume 2. 

 

Espero que vocês a detestem bastante XD

Eu quero ter você, Quando o dia amanhecer E quando a lua aparecer. por Priscila_Cruz

 

Capítulo 6

 

Eu quero ter você, Quando o dia amanhecer E quando a lua aparecer.

 

Raquel acariciou o rosto de Melody com a ponta dos dedos.

- É tarde. - sussurrou para a filha. - A Melody já deveria ter dormido.

- A Melody não está com sono. - a menina falou para a mãe.

Raquel sorriu, deitou-se ao lado de Melody e puxou a menina para junto de si.

- A Melody tem escola pela manhã. - Raquel beijou a filha. - E ninguém consegue estudar se não estiver com a cabecinha descansada.

- A Melody não vai para a escola. - a menina se aninhou em Raquel. - A Melody vai ficar com a mamãe.

O sorriso de Raquel murchou.

- A mamãe adoraria ficar com a Melody. - falou. - Mas, preciso trabalhar.

- Não precisa não. - Melody pegou uma mecha dos cabelos de Raquel e levou-a aos lábios.

- Preciso sim. - Raquel fez cócegas na menina. - Se a mamãe não trabalhar, não teremos dinheiro para comprar coisas para a Melody e para o Logan.

- A Melody só quer a mamãe. - a menina murmurou, fazendo beicinho.

Raquel riu e deu um abraço apertado em Melody

            - Irei lembrá-la disso na próxima vez em que tiver um chilique por causa de seus brinquedos perdidos.

            Melody escondeu o rosto atrás das mãos.

            - Como ela está? - Leila entrou no quarto da filha, segurando uma caneca com leite morno.

            - Completamente desperta. - Raquel bocejou. - E caprichando na chantagem emocional.

            Leila riu e sentou-se no chão.

- Aqui está meu amorzinho. - estendeu a caneca para a menina.

Melody sentou-se na cama e empurrou a mão de Leila.

- Assopra!

- Não sei se é uma boa ideia. – Leila acariciou os cabelos da filha. – Se esfriar demais, eu terei que voltar para a cozinha e esquentar novamente.

Melody franziu o cenho.

- Assopra! – insistiu.

- Está bem. – Leila fez conforme a filha pediu.

- Melody tem você na palma da mão. - Raquel piscou para Leila.

A menina olhou para as mãozinhas e as exibiu para Raquel.

- Não tenho não. - falou. - A mamãe Leila não está aqui.

Leila lançou um olhar aborrecido para a esposa.

- Não confunda a cabeça dela. - resmungou.

- Desculpe. - Raquel fez força para não rir.

- Aqui está. - Leila entregou a caneca para a menina.

Melody bebeu todo o leite e lambeu os lábios.

- Estava gostoso. – falou para as mães.

- Ótimo. - Leila pegou a caneca das mãos da menina e a colocou em um móvel que ficava ao lado da cama. - Hora de dormir.

- A Melody não vai dormir. - a menina cruzou os braços e fez bico.

Leila e Raquel trocaram um olhar apreensivo.

- Já conversamos sobre isso. - Raquel alisou os cabelos da menina. - Tudo tem sua hora.

- E quando a noite chega é hora de dormir. - Leila completou.

- A Melody não pode dormir. - a menina baixou os olhos e fez beicinho. - A mamãe Raquel vai desaparecer se a Melody dormir demais.

Leila e Raquel trocaram outro olhar apreensivo.

- Meu amor. – Leila beijou a filha. – A mamãe Raquel não vai desparecer. – a morena levantou-se, pegou Melody no colo e a abraçou. – Ela vai viajar a trabalho. – explicou. – Isso quer dizer que mamãe Raquel ficará um tempo fora de casa, trabalhando. E, quando o serviço acabar, sua mãe voltará para nós.

- Promete? – Melody afundou o rosto no pescoço de Leila.

- Prometo. – Leila embalou a menina. - Não se preocupe meu amor. Mamãe Raquel nos ama.

Melody piscou algumas vezes e bocejou.

- Ela jamais nos abandonaria. – Leila sussurrou para a menina.

Melody adormeceu nos braços de Leila.

Raquel sorriu com orgulho ao observar a esposa cuidando da filha. Quando se conheceram, Leila afirmara que, talvez, não tivesse sido feita para a maternidade. Contudo, a prática mostrara o contrário. Leila revelou-se uma mãe cuidadosa, paciente e carinhosa. E, em geral, era ela quem conseguia acalmar Melody nos momentos de crise.

Leila curvou-se e colocou a menina na cama.

- Boa noite. - beijou a testa da filha.

A loira se levantou com cuidado, temendo despertar Melody.

- Por um momento, eu temi que Melody fosse ter uma crise. - falou a caminho do corredor. - Ainda bem que você conseguiu acalmá-la.

Leila a seguiu.

Raquel deu uma última espiada em Melody e fechou a porta do quarto da menina.

- Nossa filha é forte e ficará bem. - Leila pegou a mão de Raquel e a beijou. - Todos nós ficaremos.

A loira sorriu para Leila.

- Sei que sim. – Raquel envolveu Leila em um abraço apertado.

- Quer dar uma olhada em Logan antes de irmos para a cama? – a morena perguntou.

- Claro. – Raquel soltou Leila e a seguiu até o quarto de Logan.

Leila abriu uma fresta na porta do quarto do filho e espiou.

- Acho que Logan está dormindo. – falou para Raquel e entrou no quarto do menino. – Você não vem? – perguntou para a loira.

Raquel sorriu e abriu a porta um pouco mais.

- Não sou tão magra quanto você. – resmungou.

Aproximaram-se da cama de Logan com cuidado.

O menino estava largado na cama, dormindo profundamente. Raquel o ajeitou com carinho e Leila, que recolheu a coberta que caíra no chão, cobriu o menino.

- Agora eu entendo o significado da expressão “tal mãe, tal filho”. – a morena falou. – O sono de Logan é tão profundo quanto o seu. Poderíamos explodir uma bomba ao lado da cama de nosso filho e ele continuaria dormindo.

A loira cruzou os braços.

- Adoraria que você também ressaltasse as qualidades que nossos filhos herdaram de mim. – reclamou. – E não apenas os defeitos que minha genética legou para eles.

Leila fez força para não rir.

- Não tinha intenção de lhe aborrecer. – falou. – Adoro tudo em nossos filhos, assim como adoro tudo em você.

A loira descruzou os braços e estendeu a mão para a morena.

- Acho que nunca me acostumarei com isso. – falou. – Você consegue ser terrível e fofa ao mesmo tempo.

Leila sorriu.

- É meu poder mutante. – puxou Raquel para um abraço.

- Sorte minha. – a loira beijou o pescoço da morena e sussurrou. – Que tal irmos para a cama agora?

- Excelente sugestão. – Leila puxou Raquel para a suíte do casal. Empurrou a loira para dentro e fechou a porta atrás de si. – Parece que estamos viajando no tempo. Como se fossemos recém-casadas outra vez e pudéssemos fazer amor todas as noites. – abriu a blusa que a loira usava e começou a beijar-lhe os seios.

- E qual das suas esposas você prefere? – Raquel perguntou com um sorriso malicioso. – A Raquel do passado ou a Raquel do presente.

- As duas têm o mesmo cheiro e o mesmo gosto. – Leila empurrou a loira para a cama. – Difícil escolher.

A loira gargalhou.

- Quem sabe um dia você consiga fazer uma orgia com a Raquel do passado, a do presente e a do futuro. – falou. – Basta dominar o mecanismo da viagem no tempo e você conseguirá ter todas as suas esposas de uma só vez.

- Não me tente! – Leila deitou-se em cima de Raquel. – Tenho experiência suficiente em Doctor Who para construir minha própria TARDIS.

As duas sentiram-se saciadas quando a madrugada estava avançada. Dormiram abraçadas e Raquel gemeu ao ouvir o despertador tocar.

- O tempo voa quando estamos nos divertindo. - reclamou ao separar-se de Leila e levantar da cama.

A morena deu um pequeno sorriso.

- Se tivéssemos conseguido fazer Melody adormecer mais cedo, nós não estaríamos tão cansadas.

Leila foi para o chuveiro e Raquel a seguiu.

- Tem certeza de que é uma boa ideia tomarmos banho ao mesmo tempo? - a morena perguntou para a loira. - Melody poderá acordar e ficará aborrecida se não encontrar uma de nós a espera.

- Aceito correr o risco. - Raquel piscou para Leila. - Afinal, a maternidade não tirou nosso direito de passar alguns momentos agradáveis juntas.

As duas se banharam com calma e voltaram para o quarto para se vestir.

Raquel estava penteando os cabelos e Leila amarrava os sapatos quando Melody bateu à porta.

- Ela está atrasada. - Leila resmungou.

A loira fez força para não rir.

- Melody está se adaptando a mudança de rotina. - falou. - É normal que alguns comportamentos mudem.

- Sei disso. - Leila caminhou até a porta e a destrancou. Melody entrou correndo e abraçou-se a cintura de Raquel. - Mesmo assim, é um pouco estranho.

Raquel beijou a testa da filha e a pegou no colo.

- Bom dia meu amor. - sussurrou para Melody. - Você está bem?

Melody pegou uma mecha dos cabelos de Raquel e a levou a boca.

- Vou entender isso como um sim. - levou a menina até Leila e perguntou. - Não vai dar bom dia para a mamãe Leila?

A menina riu e escondeu o rosto no ombro de Raquel.

Leila segurou a mão de Melody e a beijou.

- Bom dia para você também. - falou para a menina.

- Melody e eu iremos até o quarto de Logan para acordá-lo. - a loira falou para a morena.

- Está bem. - Leila segurou a mão de Raquel e a puxou para o corredor. - Enquanto isso, eu prepararei o café da manhã.

Ao chegarem ao quarto de Logan, Leila seguiu para a cozinha e Raquel e Melody cruzaram a porta.

- Uau! - a loira exclamou ao ver o filho desperto e o quarto arrumado.

- Bom dia. - Logan cumprimentou a mãe e a irmã com um sorriso. O menino já havia se trocado e terminava de guardar os cadernos e os livros na mochila. - Estou pronto para partir.

- Estou vendo. - Raquel aproximou-se do menino e o beijou. - Bom dia meu querido.

- A senhora não precisa se preocupar com nada. - Logan colocou a mochila nas costas e sorriu para Raquel. - Enquanto estiver fora, acordarei cedo e ajudarei mamãe Leila a preparar o café da manhã e a cuidar de Melody.

- Obrigada meu amor. - a loira o puxou para um abraço. - É muita gentileza sua.

- Posso ajudar a trocar Melody se quiser. - Logan se ofereceu.

Raquel deu um pequeno sorriso.

- Não é preciso. - segurou a mão de Logan e o puxou para fora do quarto. - Mas, poderá ajudar sua mãe com o café da manhã.

- Está bem. - Logan soltou-se da mão de Raquel e correu escada abaixo.

A loira olhou para Melody e deu de ombros.

- Sei que não devia dizer isso. - falou para a menina. - Mas eu adoraria ter visto você pulando em cima de Logan na tentativa de acordá-lo.

Melody riu e escondeu o rosto atrás das mãos.

- Venha. - Raquel levou a menina para o quarto. - Hora de trocar de roupa.

 

 

***

 

 

- Bom dia. - Logan entrou correndo na cozinha. - O que posso fazer para ajudar? - largou a mochila em um canto e juntou-se a mãe

Leila surpreendeu-se ao ver o menino pronto para sair.

- O que aconteceu? - perguntou. - Por acaso você escapuliu de casa no meio da noite para xeretar em um laboratório de produtos químicos e acabou sofrendo um acidente e sendo atingido por um raio?

- Não! - Logan riu ao responder. - Acordei cedo para ajudar no que puder. Assim mamãe Raquel não ficará preocupada por ter de viajar a trabalho, pois ela saberá que estou fazendo a minha parte.

Leila assentiu.

- Pode passar geleia de goiaba nos pãezinhos da sua irmã. - a morena apontou para um prato cheio de pequenos pães cortados. - Quem sabe nós consigamos fazê-la comer um pouco.

- Ok. - Logan alcançou uma faca e começou a trabalhar.

- Cuidado para não se cortar. - Leila falou para o menino.

- Eu não sou um bebê. - Logan lançou um olhar aborrecido para a mãe. - Sei usar uma faca.

Leila deu um pequeno sorriso.

- Me preocupo com a sua segurança. - falou para o menino. - E isso não quer dizer que eu pense que você é um bebê.

Os dois trabalharam em silêncio.

Quando Raquel e Melody chegaram à cozinha, a mesa para o café da manhã já estava preparada.

Leila serviu uma xícara de café para a loira.

- Vocês demoraram. - falou.

- As negociações foram complicadas. - Raquel sentou-se e ajeitou a filha no colo. - Melody recusou boa parte das roupas que ofereci. - bebeu alguns goles de café e finalizou. - Espero que as coisas sejam mais fáceis no café da manhã.

Porém, apesar da insistência de Raquel e Leila, Melody se recusou a comer.

- Saco vazio não para em pé. - a loira falou para a menina.

Melody olhou em volta.

- Cadê o saco? - perguntou.

- Quantas vezes tenho que lhe dizer? - Leila falou com firmeza para Raquel. - Não confunda a cabeça dela.

- Estou fazendo o melhor que posso. - a loira falou em voz baixa. - Você deveria saber disso.

Logan olhou assustado de uma para outra, temendo que Leila e Raquel começassem a brigar. Por fim, para amenizar o clima de tensão, o menino pegou um pãozinho e o levou a boca.

- Já que a Melody não querer. - falou. - Comerei tudo sozinho.

- Não! - a menina tomou o pão da mão de Logan e o abraçou. - É meu.

- Então coma! - Logan olhou feio para Melody. - Se não o fizer, eu o farei.

Melody enfiou o pãozinho na boca, mastigou e engoliu. Em seguida, estendeu a mão para o prato e pegou mais um.

O menino sorriu para as mães.

- Podem me agradecer caprichando em meu presente de Natal. - falou.

- Obrigado querido. - Raquel bagunçou o cabelo de Logan. - Você é muito gentil.

- E muito esperto também. - Leila completou.

A morena recolheu parte da louça e a levou para a pia.

Raquel a observou por um tempo. Até o momento, Leila não havia reclamado, porém, a loira sabia o quanto aquilo estava sendo difícil para ela.

- Logan. - a loira falou para o filho. - Esqueci a mochila de Melody lá em cima. Importa-se em ir buscar?

- É claro que não. - o menino levantou-se e correu para fora da cozinha. - Não demoro.

- Eu vou com você. - Melody pulou do colo de Raquel e seguiu o irmão.

Raquel aproveitou o momento de privacidade para ir até Leila.

- Me desculpe. - a loira abraçou a morena pela cintura e a puxou para junto de si. - Não queria ter sido grosseira contigo.

- Sou eu quem deve se desculpar. Não tinha intenção de ferir seus sentimentos. - Leila virou-se para Raquel e a beijou. - Você é uma mãe maravilhosa e eu sei que faz o melhor por nossos filhos.

As duas trocaram um beijo carinhoso.

- Termine seu café. - a morena falou para a loira. - Arrumarei a cozinha e estaremos prontos para partir.

 A loira sentou-se a mesa novamente e comeu os pãezinhos que Melody havia deixado no prato.

- Aqui está. - Logan entrou na cozinha correndo. - Não foi fácil arrancá-la das mãos de Melody. - o menino apontou para a irmã. - Ela queria encher a mochila com brinquedos.

Melody entrou na cozinha com os braços carregados de ursos de pelúcia.

- A mochila é da Melody. - resmungou, fazendo bico.

- Sabemos que a mochila é sua. - Raquel levantou-se e conduziu a menina de volta para o quarto. - Contudo, a Melody não pode enchê-la como quer. É preciso levar os materiais certos e hoje não é dia de levar brinquedos para a escola. - empurrou a menina pela escada e a guiou pelo corredor. Abriu a porta do quarto de Melody e deu passagem para a menina. - Guarde seus brinquedos na caixa. - ordenou. - Esperarei por você aqui.

O bico de Melody aumentou e a menina não se mexeu.

- Meninas desobedientes ficam de castigo. - a loira cruzou os braços. - É isso que você quer? Ficar de castigo?

Melody negou com um aceno.

- Então vá guardar suas coisas. - a loira insistiu.

Melody entrou no quarto batendo os pés, mas fez conforme Raquel havia mandado.

- Ótimo. - a loira pegou a filha no colo e a beijou. - Você se saiu muito bem.

Desceu as escadas com a menina no colo. Foi até o escritório, recolheu alguns papéis e os guardou na maleta.

- Logan e eu estamos prontos. - Leila gritou do corredor. - Podemos ir?

Raquel deixou o escritório e a família se acomodou no carro.

- Vamos almoçar juntos mais uma vez? - Logan perguntou para Raquel.

- Lamento querido. - a loira voltou-se para o menino. - Mas terei um dia cheio no escritório.

Logan baixou os olhos e o sorriso que estava em seu rosto murchou.

- Terei a tarde livre amanhã para me preparar para minha viagem. - a loira estendeu a mão e tocou o nariz do menino com a ponta de um dos dedos. - Então, teremos bastante tempo para ficar juntos.

- É melhor do que nada. - Logan deu um pequeno sorriso.

Leila estacionou o carro diante do prédio em que Raquel trabalhava.

- Tenha um bom dia. - murmurou.

- Você também. - a loira segurou o queixo da morena e a beijou. - Amo você.

- Também amo você. - Leila deu um pequeno sorriso.

- Também amo vocês. - Logan soltou-se do cinto e pulo para o banco da frente, envolvendo Leila e Raquel em um abraço.

- Logan! - Melody repreendeu o menino. - Senta no seu lugar! Agora!

- Ouviu o que sua irmã falou. - Raquel beijou o menino. - Sente-se e coloque o cinto.

- Está bem. - Logan fez conforme a loira pediu.

- E se comporte. - Raquel piscou para o garoto.

- Pode deixar. - o menino deu um sorriso travesso.

- Você também. - a loira acariciou a mão de Melody. - Se comporte.

Melody cruzou os braços e virou o rosto.

- Só se eu quiser. - resmungou.

Raquel e Leila se entreolharam.

- Me ligue se tiver algum problema. - a loira falou para a morena.

- Não se preocupe. - Leila deu um pequeno sorriso. - Conseguirei cuidar de tudo.

- Tenho certeza que sim. - a loira apertou a mão da morena. - Nos veremos mais tarde. - E desembarcou.

Leila esperou Raquel entrar no prédio para colocar o carro em movimento.

 

Quem sabe ainda estamos a salvo? por Priscila_Cruz

 

Capítulo 7

 

Quem sabe ainda estamos a salvo?

 

Leila desceu do carro e foi tirar Melody da cadeirinha.

- A Melody não quer ficar na escola. - a menina resmungou. - A Melody não gosta mais da escola.

- Não estou certa quanto a isso. - Leila pegou a menina no colo e a colocou no chão. - Acho que a Melody ainda gosta da escola, mas não quer ficar na aula porque está zangada pelo fato de mamãe Raquel ter de viajar a trabalho.

Melody cruzou os braços e deu as costas para a mãe.

- Nós já conversamos sobre isso. - Leila insistiu. - Mamãe Raquel precisa ficar fora por uns dias, mas, em breve, tudo voltará a ser como sempre foi.

A menina bateu o pé no chão.

- A Melody quer voltar para casa. - resmungou.

Leila olhou para Logan, que assistia a discussão das duas em silêncio. A morena lembrou-se do truque que o menino usara contra Melody no café da manhã e decidiu arriscar.

- Está bem. - deu de ombros. - A Melody pode ir para a casa. - Apanhou a mochila da menina e seguiu para o portão. - Eu assistirei às aulas no lugar de Melody. Ouvirei as histórias que a professora de Melody contar, eu serei ajudada pela auxiliar que acompanha Melody, comerei o lanche de Melody e brincarei com os amigos dela.

Antes que Leila pudesse cruzar o portão, Melody passou por ela correndo.

- Boa jogada! - Logan juntou-se a mãe.

- Aprendi com o melhor. - Leila sorriu para o menino. Virou-se para trás e travou as portas do carro. - Venha. - passou o braço pelo ombro de Logan e o levou para dentro. - Temos que entregar a mochila para a professora de sua irmã.

Leila sorriu ao perceber que Melody espiava pela porta. Assim que viu a mãe e o irmão, a menina correu para dentro.

- Está tudo bem? - a professora de Melody recebeu Leila e Logan na porta.

- Espero que sim. - Leila entregou a mochila para a mulher e lançou um olhar desconfiado em direção à filha. - Nos ligue se tiver algum problema.

- Não se preocupe. - a mulher sorriu. - Melody ficará bem.

A morena assentiu e voltou com Logan para o carro.

- Só para constar. - o menino falou antes de prender o cinto de segurança. - Se algum dia decidir fazer para mim a mesma proposta que fez para Melody, eu aceitarei na mesma hora.

- Pensei que gostasse de estudar. - Leila olhou para o filho pelo retrovisor.

- E gosto. - o menino deu de ombros. - Mas gosto muito mais da minha casa.

 

 

 

***

 

 

 

Raquel revirou os olhos ao ler o bilhete de Solange.

- Se continuar o apertar o maxilar, quebrará seus dentes. - a mulher escrevera.

- Não estou apertando o maxilar. - a loira escreveu atrás do papel e, discretamente, o passou para Solange.

A mulher deu um pequeno sorriso ao ler a resposta.

- Nunca vi você tão tensa. - Solange enviou outro pedaço de papel para Raquel. - Tem certeza de que quer continuar com isso?

- Estamos no meio de uma reunião e não é educado trocarmos bilhetinhos. - a loira escreveu.

- Não mude de assunto! - Solange insistiu, já sem traços de diversão no rosto. - Podemos desistir se quiser.

A loira amassou o pequeno pedaço de papel e não respondeu.

As duas assistiram o restante da reunião sem se comunicar.

- Excelente trabalho pessoal! Continuem assim e, em breve, decoraremos nosso hall de entrada com os prêmios que receberemos. - Raquel parabenizou a equipe responsável pelo projeto que fora apresentado, reuniu os próprios pertences e dirigiu-se para própria sala.

Solange a seguiu.

- Está aborrecida comigo? - a mulher perguntou para a loira.

- Você é minha sócia e deveria me apoiar. - Raquel lançou um olhar atravessado para Solange. - Agradeço se não colocar ainda mais dúvidas na minha cabeça.

Raquel escancarou as portas do escritório, largou a valise em uma das poltronas e se jogou em outra.

Solange caminhou até a mesa da loira e interfonou para a secretária.

- Senhora Gonzalez. - falou. - Importa-se de nos trazer duas doses de Uísque?

- Isso é sério? - Raquel lançou outro olhar atravessado para Solange. - Não acha que é muito cedo para uma dose de Uísque?

- Nunca é cedo demais. - Solange deu de ombros e sentou-se diante de Raquel. - Quer conversar?

Antes que a loira pudesse responder, a senhora Gonzalez pediu licença para entrar. Mas mãos carregava uma bandeja com dois copos e uma garrafa.

- Obrigada senhora Gonzalez. - Solange agradeceu com um sorriso.

Apesar de ter ralhado com a amiga, Raquel estendeu a mão para um dos copos e tomou um gole.

- Melody está por um fio. - a loira suspirou e baixou os olhos. - A qualquer momento ela pode ter uma crise e, por conta disso, Logan está fazendo tudo o que pode para ser prestativo. Ele sabe o quanto a irmã fica vulnerável quando as crises acontecem e quer nos ajudar a cuidar dela. Mas não é justo que o menino assuma uma responsabilidade que não é dele.

Solange alcançou o copo e tomou alguns goles da bebida.

- Leila tem sido forte. - Raquel continuou. - Mas, temo que ela também acabe explodindo com a tensão.

- E quanto a você? - Solange perguntou. - Como está se sentindo?

A loira engoliu alguns goles da bebida antes de responder.

- Com medo. - murmurou. - Temo que tudo dê errado e que minha família sofra por isso.

Solange passou um dedo pela borda do copo, escolhendo as palavras com cuidado.

- Quer saber o que eu acho? - perguntou.

Raquel a encarou.

- Se alguma coisa der errado. - Solange continuou. - Sua esposa dará conta do recado.

- Confio em Leila. - a loira começou a falar, mas Solange a interrompeu.

- E mesmo assim, sempre resolve sozinha todos os problemas que aparecem.

A loira abriu a boca, mas Solange a calou com um aceno.

- Quando vocês se conheceram, eu temi que Leila fosse se tornar um fardo para você. - falou. - No entanto, ela se mostrou capaz e tem plenas condições de cuidar de você e de seus filhos. Não a subestime.

- Não estou subestimando minha esposa. - Raquel se defendeu.

Solange esvaziou o copo e levantou-se.

- Leila não estará sozinha. - falou. - Seus sogros, seus cunhados e seus filhos serão os X-Men dela. Se alguma coisa acontecer, tenho certeza de que Leila terá ajuda. E, caso você precise dela, sei que sua esposa não pensará duas vezes em lhe socorrer. - Solange andou até Raquel e colocou a mão no ombro da amiga. - Aquela mulher lhe ama e não teria medo de ir até o inferno por você.

 

O meu coração é o teu lar. por Priscila_Cruz

 

Capítulo 8

 

O meu coração é o teu lar.

 

- O que é isto? - Logan soltou a mão da mãe e correu em direção a uma vitrine.

Os dois estavam diante de uma pequena joalheira, que ficava perto da loja em que Leila trabalhava. A morena prestava pouca atenção ao lugar e se não fosse pela curiosidade de Logan, não examinaria a vitrine.

- Isto é um camafeu. - Leila explicou para o filho. - As pessoas o usam para guardar fotos de família.

- O meu coração é o teu lar. - Logan leu a inscrição da tampa. - É igual à letra de uma música.

- Uma das favoritas da sua mãe. - Leila colocou as mãos no ombro do filho.

- Posso ajudá-los? - uma vendedora aproximou-se sorridente.

Logan olhou para Leila.

- Podíamos comprar o camafeu para mamãe Raquel. - falou. - Seria um ótimo presente para acompanhá-la na viagem. - o menino voltou a fixar a joia e abriu um largo sorriso. - Eu poderia imprimir uma foto nossa e colocar dentro dele.

- Está certo. - Leila pegou o cartão dentro da carteira e o entregou para o menino. - Mas seja rápido. - falou. - Não quero me atrasar para o trabalho.

Logan apanhou o cartão e seguiu com a vendedora para dentro da loja. Leila os observava a distância e um sorriso orgulhoso lhe iluminava o rosto.

- Menino esperto. - murmurou para si.

Logan finalizou a compra e entregou o cartão para a Leila

- Aposto que mamãe Raquel ficará muito feliz com o presente. - falou sorridente, exibindo a caixinha que tinha mãos.

- Tenho certeza que sim. - Leila acariciou os cabelos do filho.

Os dois chegaram a Doctor Byte. A morena abriu a porta e deu passagem para o menino.

- Bom dia. - Karen os cumprimentou e estendeu uma pasta para o menino. - Preparado para mais um dia de trabalho?

- Hoje não. - Logan rejeitou a oferta da tia. Postou-se atrás do balcão e começou a vasculhar o computador. - Tenho uma tarefa que não pode ser adiada.

Karen lançou um olhar confuso para Leila.

- Ele comprou um presente para Raquel. - a morena explicou ao pegar a pasta das mãos de Karen.

- Algo que fará mamãe Raquel lembrar-se de nós enquanto estiver fora. - o menino mantinha os olhos grudados na tela do computador. Encontrou uma pasta com uma série de fotografias da família e começou a analisá-las.

- Duvido muito que sua mãe precise de um presente para lembrar-se de vocês. - Karen sorriu e acariciou os cabelos do sobrinho. - Ela os ama muito.

- É melhor prevenir do que remediar. - Logan falou.

Leila revirou os olhos.

- Não acredito que meu próprio filho recorrerá a jargões. - resmungou e seguiu para o laboratório.

 

***

 

- Muito bem crianças. - a professora recolheu as atividades e as guardou em uma pasta. - Agora que todos terminaram o dever, poderemos brincar com os blocos de montar.

A turma comemorou.

Melody encolheu-se e colocou as mãos nos ouvidos.

Andressa, a professora auxiliar de Melody, esperou até que a menina tivesse se acalmado para perguntar.

- Gostaria que eu apanhasse alguns blocos de montar para você?

Melody cantarolou.

- Vou entender como um sim. - a moça levantou-se e pegou alguns blocos coloridos para Melody.

Andressa voltou para onde a menina estava e espalhou os brinquedos em cima da mesa.

- E então? - perguntou. - O que vai querer montar?

Melody pegou os blocos e os levou para um canto da sala. Sentou-se no chão e começou a brincar.

Andressa e Marina trocaram um olhar apreensivo.

Melody começara a se adaptar a escola e, mesmo que precisasse de alguns momentos de solidão, costumava aceitar brincar com a auxiliar e, de vez em quando, com um dos colegas de classe.

- Eu fico com ela. - Andressa ameaçou levantar-se, mas Marina a deteve.

- Não é preciso. - Marina falou. - Por favor, fique de olho na turma. Eu tentarei brincar com Melody.

Marina apanhou alguns blocos de montar e sentou-se no chão ao lado da menina.

- Posso brincar com você? - perguntou.

Melody balançou as mãos e mordeu os lábios.

- Prometo que não vou atrapalhar. - Marina insistiu.

A menina balançou-se para trás e para frente por um tempo. Marina estava prestes a desistir quando, finalmente, Melody assentiu.

- Obrigada por me deixar participar. - Marina falou para Melody.

A mulher percebeu que a menina estava empilhando os blocos seguindo uma sequência de cores. Melody apontou para um dos blocos que estava no colo de Marina e indicou o topo da torre.

- Está bem. - Marina fez conforme Melody havia pedido.

As duas brincaram juntas por longo tempo. Melody colocava um bloco e, em seguida, Marina colocava outro. Aproveitando-se da concentração da menina, Marina apanhou o celular, tirou uma fotografia das duas e a enviou para Leila e para Raquel.

- Tudo tranquilo por aqui. - escreveu.

Quando os blocos acabaram, Melody levantou-se para buscar mais.

- A Melody não vai demorar. - sussurrou para Marina.

- Estarei aqui, esperando por você. - Marina falou, seguindo a menina com o olhar.

 

 

***

 

 

Leila largou a mochila ao lado da bancada de trabalho e tencionou abrir a pasta que Karen havia lhe dado. Porém, o celular da morena tocou antes que ela pudesse começar a trabalhar.

Uma mensagem de Raquel havia chegado.

- Você está bem? – a loira escreveu.

Leila leu a mensagem, mas não soube o que responder. Sentia-se orgulhosa por ver a empresa de Raquel prosperar, contudo, a iminente partida da esposa a angustiava. Guardou o celular no bolso da calça e correu os olhos pelas folhas impressas, porém, foi incapaz de registrar as informações que continham.

O coração de Leila martelou no peito.

- Serão apenas três dias. – murmurou para si. – E três dias passam depressa.

Leila fechou a pasta e a deixou em cima da bancada.

- Serão apenas três dias. – voltou a murmurar. – E três dias passam depressa.

Afundou as mãos nos cabelos e começou a andar de um lado para o outro.

- Serão apenas três dias. – repetiu. – Três dias.

Leila tateou os bolsos das calças em busca de um fidget cube, mas não encontrou nenhum.

- Serão apenas três dias.

O corpo da morena começou a tremer.

- Serão apenas três dias.

Leila sentou-se no chão e alcançou a mochila.

- Serão apenas três dias.

Abriu um dos bolsos externos e enfiou a mão dentro dele.

- Serão apenas três dias.

Fechou a mão em um objeto e o puxou para fora.

- Hey. - Leila sorriu ao dar-se conta do que havia encontrado. – Mais tranquilizante do que qualquer um dos meus fidget cube.

No ano em que Raquel e Leila se conheceram, a loira havia comprado para a morena um caderno de capa azul, semelhante ao que a personagem River Song usava em Doctor Who. Leila decidira transformar o caderno em um diário e registrara nele alguns dos acontecimentos vivenciados pelo casal. Desde então, o mantinha consigo, como um refrigério para os momentos que antecedem uma crise.

A morena se recostou na parede e abriu o caderno.

No verso da capa havia uma mensagem escrita por Raquel.

- Uma parte de nossa história está registrada nestas páginas e me sinto feliz e orgulhosa por ser uma das protagonistas em nosso Amor Atípico. Eu a amo muito e sempre estarei contigo. Com carinho, Raquel.

Leila sorriu e usou a ponta de um dos dedos para contornar a letra da esposa.

- Raquel é a melhor mulher do mundo.

Leila virou a página e começou a ler.

Sorriu ao relembrar o primeiro contato entre as duas. O primeiro encontro. O primeiro beijo. A primeira noite em que fizeram amor. Os primeiros conflitos que tiveram e as soluções que encontraram juntas para superar os obstáculos.

Reviveu a cerimônia de casamento e as muitas viagens que antecederam a lua de mel do casal. Riu das aventuras que viveram em Londres e se emocionou ao ler sobre a chegada do primeiro filho.

Leila estava tão distraída com a leitura que não percebeu a aproximação de Logan. O menino sentou-se de frente para ela e perguntou:

- Está tudo bem mamãe?

Leila ergueu os olhos das páginas de seu diário e sorriu para o filho.

- Está sim. – pousou o diário em cima da mochila e abriu os braços para Logan.

O menino se aninhou no colo de Leila.

- Tenho medo de ficar grande demais para o seu colo. – Logan sussurrou para a mãe.

Leila riu e beijou os cabelos do menino.

- Você nunca ficará grande demais para o meu colo. – falou.

Os dois ficaram abraçados por um longo tempo, desfrutando da cumplicidade que tinham. Por fim, Logan rompeu o silêncio.

- Tudo vai ficar bem. – falou para a mãe. – E, quando precisar, estarei ao seu lado.

- Sei disso e não esperava outra coisa de você. – Leila beijou-o. – É o melhor filho do mundo.

Logan sorriu e voltou a enroscar-se em Leila.

- Amo você mamãe.

- Também amo você.

Leila pegou o celular no bolso da calça e escreveu para Raquel.

- Sim. Está tudo bem.

 

 

Notas finais:

Pessoas, me desculpem. Mas estou em uma fase complicado do Home Office. Por isso, não respondi aos comentários que recebi.

Gosto deles. O retorno dos leitores me amina bastante.

Prometo que responderei a todos até o fim da semana.

Beijos.

Festa surpresa, ela não desconfiou. por Priscila_Cruz

 

Capítulo 9

 

Festa surpresa, ela não desconfiou.

 

 

Raquel tivera um dia agitado no escritório. Contudo, conseguira cumprir com sua agenda de compromissos.

- Boa noite senhora Gonzalez. – despediu-se da secretária. – Obrigada por tudo.

- Boa noite senhora Medeiros Montanari. – a mulher sorriu para Raquel. – Um taxi a aguarda em frente ao edifício.

A loira agradeceu e correu para o elevador. Alcançou o celular dentro da bolsa e conferiu as mensagens. Ignorou as que partiram dos clientes e sorriu ao ler as que haviam sido enviadas pelo filho.

- A senhora está vindo para casa? – Logan havia usado o celular de Leila para escrever para Raquel. – Por favor, não demore. A comida já está pronta e eu gostaria que jantássemos todos juntos. Mas não tenho certeza de que Melody vai conseguir esperar a senhora chegar para comer. Ela está ranzinza hoje.

- Não se preocupe meu querido. – a loira escreveu. – Estou a caminho.

Raquel localizou o taxi e embarcou. Aproveitou a curta viagem de carro para revisitar os álbuns de família que mantinha no celular. Começou com as fotografias da época em que ela e Leila se conheceram, passando para as que mostravam o nascimento e o crescimento de Logan e finalizou com as de Melody.

- Serão apenas três dias. – murmurou para si. – E três dias passam depressa.

- O que foi que a senhora disse? – o motorista perguntou.

A loira deu um pequeno sorriso.

- Não é nada. – respondeu. – Estava pensando alto.

- Preocupada com o trabalho? – o homem insistiu.

- Pode se dizer que sim.

Percebendo que Raquel não tinha interesse em conversar, o homem limitou-se a assentir e dirigiu em silêncio, voltando a falar apenas quando chegaram ao endereço desejado.

- Está entregue.

- Obrigada. – a loira pagou pela corrida e desembarcou. Caminhou apressada pelas ruas do condomínio em que morava e sorriu ao perceber que alguém a aguardava na porta de entrada de sua casa.

- Boa noite senhora Medeiros Montanari. – Logan fez uma reverência para Raquel. O menino usava roupas e sapatos sociais e o cabelo estava impecavelmente arrumado. – É um prazer que tenha se juntado a nós.

- Obrigada. – a loira sorriu e beijou a testa do filho. – O prazer é todo meu.

- Guardarei suas coisas em seu escritório. – Logan falou para a mãe. – Seu banho já foi preparado e a roupa que usará hoje a noite está separada.

O menino deu passagem para a mãe.

Raquel entrou na casa e foi seguida por Logan.

- Se eu soubesse que um jantar formal me aguardava. – a loira falou. – Teria vindo mais cedo para casa.

- Não se preocupe com isso. O importante é que está aqui. – Logan indicou as escadas. – Suba e se prepare. Estaremos lhe esperando no jardim dos fundos.

- Está certo. – Raquel fez conforme o filho havia pedido. Caminhou até a suíte e entrou. Sorriu ao constatar que um vestido e um par de sapatos haviam sido deixados em cima da cama. Antes de ir para o banheiro, espiou pela janela.

O sorriso da loira aumentou ao ver o que a aguardava no jardim.

 

***

 

- Ainda não conheço a pessoa com quem você vai se casar, mas já a invejo. – Karen falou para Logan.

- E quem disse que eu vou me casar? – o menino lançou um olhar aborrecido para a tia.

- Ninguém. – Karen deu de ombros. – Mas, sinceramente, você tem talento para o romance. Deveria pensar no assunto.

O menino deu um pequeno sorriso.

- Tenho certeza de que Raquel vai adorar a surpresa que está preparando para ela.

Logan voltou à atenção para a tela do computador. O menino havia decidido que a entrega do camafeu que comprara para Raquel deveria ser tão especial quanto o presente, por isso, fizera algumas pesquisas na internet e organizara um jantar para a mãe, planejando desde os pratos que seriam servidos até a decoração do ambiente.

- Não estou fazendo tudo sozinho. – falou. – Mamãe está ajudando.

- Em quê? – Karen torceu os lábios e olhou para a irmã. Leila estava concentrada em um conserto. – Ela inventariou os itens que vocês têm em casa e que podem ajudar na decoração. O que ela está fazendo poderia ter sido feito por uma planilha do Excel.

- Mamãe prometeu comprar os itens que não temos e vai pagar pelos pratos que comeremos no jantar. – Logan mostrou a lista que fizera. – Portanto, ela está ajudando.

Karen riu e beijou o sobrinho.

- Não tem graça quando você a defende. – falou. – Prefiro quando ela mesma o faz. É mais divertido.

- Desculpe. – Logan deu um sorriso travesso. – Eu não consigo evitar.

- Está na hora de buscar Melody na escola. - Leila largou as ferramentas e lacrou o terminal em que estava trabalhando. – Quer vir comigo? – perguntou para o filho. – Ou prefere acompanhar sua tia e adiantar as encomendas que pretende fazer?

Logan ponderou antes de responder.

- Melhor adiantar as encomendas. Assim teremos certeza de que não haverá atrasos.

- Ele é igualzinho a você. – Karen falou para a irmã. – Deviam tê-lo chamado de Leilo e não de Logan. Assim seu pequeno clone estaria ainda mais próximo da obra original.

Leila bufou e meneou a cabeça.

- Vou deixar Logan me defender. – falou para Karen. – Pode não ser tão divertido para você, mas eu prefiro assim.

Leila apanhou a bolsa e seguiu para a rua. Pegou o carro no estacionamento e dirigiu até a escola da filha. Estacionou o carro na área destinada aos pais e caminhou até a sala de aula de Melody.

A menina a aguardava na porta.

- Mamãe! – Melody correu e lançou-se nos braços de Leila.

- Está tudo bem? – a morena perguntou para a menina.

Melody sorriu e colocou na boca uma mecha dos cabelos de Leila.

- Obrigada. – Leila falou para Marina.

- Não precisa agradecer. – Marina falou para Leila. – É um prazer ser professora da Melody.

Leila deu um pequeno sorriso e se afastou.

- Logan? – Melody perguntou para Leila.

- Seu irmão está com sua tia. – a morena respondeu. – Comprando presentes para mamãe Raquel.

- Aniversário? – Melody insistiu.

- Não meu amor. – Leila beijou o rosto da filha. – O aniversário de sua mãe está longe, mas, mesmo assim, vamos fazer uma festa para ela.

A menina se encolheu.

- Melody está com medo da festa.

- Não tenha medo meu amor. – Leila destravou as portas do carro e acomodou a menina na cadeirinha. – Seremos apenas você, sua mãe, seu irmão e eu. Sem pessoas estranhas e sem música alta.

- Promete?

- Prometo.

- Então a Melody não tem mais medo.

Leila beijou a menina mais uma vez, assumiu a direção do veículo e dirigiu até o restaurante em que Karen e Logan estavam.

Logan acenou para a mãe e para a irmã assim que elas cruzaram as portas.

- Nosso jantar já está encomendado. – o menino estendeu a ordem de serviço para Leila. – Agora só faltam os itens de decoração.

- Comprarei o que nos falta assim que deixar Melody na casa de seus avós.

- Obrigado. – Logan sorriu satisfeito.

O garçom se aproximou e registrou os pedidos.

Enquanto aguardavam a comida, Leila e Logan elencaram as tarefas que teriam de cumprir até o final do dia.

- Nosso jantar ficara pronto às dezessete horas. – Logan tomou nota. – A senhora virá buscá-lo e depois irá até a casa do vovô e da vovó apanhar Melody. Então, me pegará no colégio e iremos para casa. Enquanto a senhora arruma a mesa para o jantar, cuidarei da decoração.

- Não se esqueça. – Leila pegou a caderneta da mão de Logan e fez uma observação. – Eu cuidarei das luzes. Não quero que você se machuque ou que leve um choque ao tentar instalá-las.

Logan revirou os olhos.

- Eu não sou um bebê. – reclamou.

- Sei disso. – Leila devolveu o bloco para o menino. – Um bebê não seria capaz de fazer o que está fazendo, mas, isso não quer dizer que você tenha idade suficiente para mexer com eletricidade sem ajuda.

- Está bem. – Logan torceu os lábios e guardou a caderneta no bolso da mochila.

- Ainda bem que vocês são boas pessoas. – Karen falou. – Se não fossem, o mundo correria perigo. São tão organizados que conseguiriam dominar nações em poucos dias.

Logan piscou para a tia.

- Quem sabe um dia a gente faça isso.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O seu brilho é o meu abrigo. por Priscila_Cruz

 

Capítulo 10

 

O seu brilho é o meu abrigo.

 

 

Raquel caminhou até o banheiro.

Sorriu ao perceber que a banheira estava com água pela metade e carregada de espuma. Curvou-se e testou a temperatura. Abriu a torneia de água quente e completou o que faltava.

Despiu-se e entrou na banheira.

- Se eu soubesse que seria tão bem tratada. – murmurou para si. – Teria aceitado a primeira oferta da Resolute.

Recostou-se na banheira, fechou os olhos e ficou um longo tempo desfrutando o prazer de ter o corpo imerso em água quente. Perdida em pensamentos, não percebeu a aproximação de Melody. A menina curvou o corpo para dentro da banheira, colocou as mãos dentro e começou a agitar a água.

- Bolinhas! – gritou.

A loira riu e ajeitou-se para que pudesse dar um beijo na filha.

- Como você está meu amor?

Melody encheu as mãos e jogou espuma para cima.

- Bolinhas! – gritou mais uma vez.

- Melody! – Leila chamou pela filha. - Você não deveria estar aqui. Combinamos que esperaríamos a mamãe Raquel no jardim. – A morena entrou no banheiro e tentou pegar a menina, mas Melody foi ágil e conseguiu escapar. – Ela está agitada. – falou para Raquel. - Não conseguiu respeitar nenhum dos combinados que fizemos.

- Sabíamos que isso aconteceria. – o sorriso da loira murchou.

- Terminou de se banhar? – Leila perguntou para Raquel. – O jantar já está servido.

- Terminei. - Raquel levantou-se e puxou Leila para um beijo. – Obrigada. Estou encantada com a surpresa que prepararam para mim.

- Fico feliz que tenha gostado. – Leila deu um pequeno sorriso. – Mas os créditos pertencem ao Logan, pois foi ele quem teve a ideia. Passou a manhã planejando tudo. Fiz apenas o que ele mandou.

- Bom saber. – Raquel riu e enrolou-se em uma toalha. – Pedirei ajuda a ele quando precisar lhe convencer a usar roupas sociais.

Leila deu um pequeno sorriso.

- Logan não escolheu minhas roupas. – falou. – Eu queria lhe agradar e sei que gosta quando me visto assim.

Raquel sorriu com malícia. Aproximou-se de Leila e sussurrou.

- Vou lhe recompensar quando as crianças estiverem dormindo.

- Recompensar! – Melody entrou correndo no banheiro e ficou dando voltas em torno das mães. – Recompensar!

- Creio que minha recompensa não chegará as minhas mãos tão cedo. – Leila falou para Raquel. – Venha cá. – Tentou segurar a menina de novo, mas Melody conseguiu escapar mais uma vez.

- Recompensar!

A menina mostrou língua para Leila e correu para fora do banheiro.

- Ela está ficando boa nisso.

Leila sorriu para a loira e seguiu atrás da filha.

Raquel terminou de se enxugar e foi para o quarto. As roupas que haviam sido separadas para ela estavam espalhadas pelo chão.

- Mais uma travessura de Melody. – resmungou.

Recolheu cada uma das peças do chão e as vestiu. Maquiou-se rapidamente e correu para o jardim.

Logan a aguardava na porta.

- Bem-vinda. – cumprimentou a mãe e estendeu o braço. – Por favor, venha comigo senhora.

- Obrigada. – Raquel deu o braço para o menino e o beijou na bochecha. – Você é um jovem encantador e um excelente anfitrião.

- Obrigado. – Logan sorriu com orgulho.

- Adorei a decoração. – os olhos da loira passearam pelo jardim. Pequenas luzes brancas adornavam as árvores e plantas maiores e havia uma quantidade generosa de pétalas de rosas espalhadas pelo chão e em cima dos móveis. A mesa estava posta, repleta de travessas de porcelana e decorada com pequenas velas.  – O jardim está maravilhoso.

- Aprendi muito sobre festas de adultos lendo as histórias em quadrinhos do Batman. – Logan adiantou-se. Puxou uma cadeira e ajudou a mãe a sentar-se.

- Lembre-me de escrever uma mensagem de agradecimento para a equipe de produção. – segurou o rosto do filho e o beijou na bochecha. – Será a primeira coisa que farei quando voltar de viagem.

- Não vou esquecer. – Logan envolveu Raquel em um abraço.

- O que temos para o jantar? – a loira perguntou.

- Comida mexicana. – Logan se empertigou ao responder. – A queridinha dos membros mais jovens da família Medeiros Montanari.

Melody irrompeu pela porta com Leila em seu encalço.

- Recompensar! – a menina gritou.

- Ela está mais teimosa do que o normal. – Logan sussurrou para Raquel. – Foi difícil mantê-la longe das travessas de comida.

- Você conhece sua irmã. Ela tem um olfato apurado e o cheiro da comida deve ter aberto o apetite dela. – Raquel destampou as travessas, alcançou um prato e começou a servir. – Melody! – chamou pela filha. – Gostaria de comer alguns tacos?

A menina interrompeu a corrida e alisou a barriga.

- Fome. – murmurou.

Leila a alcançou e a pegou no colo.

- Antes de comer você precisa lavar as mãos.

A morena levou a menina até uma pequena pia e a ajudou a se higienizar.

- Pronto. – colocou Melody no chão e deixou que a menina corresse para a mesa. – Espero que o gosto da comida esteja tão bom quanto o cheiro.

- Está sim. – Raquel falou com a boca cheia e piscou para a esposa. – Venha logo ou não sobrara nenhum taco para você.

- E pensar que no passado eu era repreendida por falar de boca de cheia. – Leila meneou a cabeça e juntou-se a família.

O jantar foi tranquilo. Raquel falou sobre o dia no escritório e Logan e Leila contaram como havia sido o planejamento do jantar. Melody limitou-se a se empanturrar com tacos e guacamole.

Findada a refeição, Raquel agradeceu pelo jantar.

- Vocês se superaram. – a loira acariciou e beijou o rosto da esposa e dos filhos. – Especialmente você meu querido. – falou para Logan. - Adorei a surpresa que preparou para mim.

Logan e Leila se entreolharam.

- O jantar não é a única surpresa que temos. – Logan levantou-se e correu para dentro da casa.

- O que mais vocês fizeram? – Raquel perguntou para Leila.

Leila deu um pequeno sorriso e cruzou os braços.

- Vai ter que esperar para descobrir.

Raquel torceu os lábios e puxou Melody para o colo.

- Você sabe do que se trata? – perguntou.

A menina riu e escondeu o rosto no pescoço da mãe.

A loira meneou a cabeça e resmungou.

- Não acredito que minha própria família está conspirando para me deixar ansiosa.

Logan retornou. Andava calmamente e tinha as mãos escondidas atrás das costas.

- Quem conspirou foi o destino. – falou para a mãe. – Pois ele permitiu que encontrássemos o presente perfeito. – aproximou-se de Raquel e estendeu a caixinha.

Raquel colocou Melody no chão e pegou a caixinha das mãos do filho. Abriu-a e sorriu ao ver o que ela guardava.

- É lindo. – murmurou.

- Tem uma foto nossa™ dentro dele. – Logan falou para Raquel. – Assim a senhora não se esquecerá de nós enquanto estiver viajando.

- Eu jamais me esqueceria da minha família. – Raquel pegou o camafeu e o colocou. – Mesmo que eu tivesse que viajar para outro planeta.

- Gostou? – Logan mordeu os lábios.

- É claro que sim. – Raquel puxou o menino para junto de si e o abraçou. – O segundo melhor presente que ganhei em minha vida.

- E qual foi o primeiro? – Logan perguntou com o cenho franzido.

- Minha família. – a loira sorriu e beijou a testa do filho.

 

 

 

 

 

 

 

 

Notas finais:

Pessoal, me desculpem mais uma vez por não responder os comentários.

Estou muito enrolada com o trabalho e a faculdade.

Mas, prometo que em breve responderei a todos.

Obrigada.

Não consigo imaginar como seria sem você. por Priscila_Cruz

 

Capítulo 11

Não consigo imaginar como seria sem você.

 

Melody fora dormir logo após o jantar. As emoções que vivera durante o dia a deixaram esgotada. Logan permaneceu ao lado das mães por mais tempo. Os três estavam sentados no sofá da sala, desfrutando da companhia uns dos outros.

- Vou sentir saudades. – Logan abraçou-se a Raquel.

O menino amadurecera mais rápido do que os outros garotos de sua idade, porém, ainda era uma criança e estava tão temoroso de afastar-se de Raquel quanto a irmã caçula.

- Também vou sentir saudades, meu querido. – Raquel puxou o menino para o cabelo e lhe acariciou os cabelos.

Logan permaneceu enroscado em Raquel até adormecer.

- Obrigada. – A loira sussurrou para o menino e o beijou na testa. Olhou para Leila e disse. – Sou a mulher mais sortuda do mundo. Tenho a melhor família que alguém poderia ter.

- Nós é que somos sortudos por ter você. – Leila acariciou o rosto de Raquel e levantou-se. – É melhor colocarmos Logan na cama. – Pegou o menino nos braços e o levou para o andar de cima. – Ele está ficando cada dia mais pesado. – Reclamou depois de colocar o garoto na cama.

- Logan está crescendo rápido demais. – Raquel ajeitou os cobertores e curvou-se para beijar o filho mais uma vez. – Não demorara para que nosso menino entre na faculdade, comece a trabalhar e encontre alguém com que possa dividir a vida.

- Espero que ele encontre alguém tão especial quanto você. – Leila falou para Raquel.

A loira sorriu, aproximou-se da morena e a envolveu em um abraço.

- Meu amor. – Falou. – Eu não sou especial, sou comum. É fácil encontrar pessoas como eu por aí. – Beijou delicadamente os lábios de Leila e continuou. – Você que é especial. E eu fui abençoada pelo destino, pois entrei em sua vida para nunca mais sair.

Leila sorriu e retribuiu o carinho de Raquel.

- O que acha de voltarmos para o jardim? – A loira perguntou. – O lugar está tão perfeito que eu não me importaria de passar a noite por lá.

- Vai ser difícil levar nossa cama para fora da casa. – Leila torceu os lábios. – Mas, podemos tentar.

Raquel riu, segurou a mão de Leila e a puxou para fora.

- Não será preciso. – A loira falou enquanto seguiam para o jantar. – Podemos improvisar.

Ao chegarem ao jardim, Raquel deitou-se no gramado e fez sinal para que Leila se junta-se a ela.

- A grama pinica minha pele. – Leila olhou em volta, procurando alguma coisa que pudesse usar para forrar o chão e decidiu-se pela toalha de mesa. – Só espero que minha roupa não fique com cheiro de tacos. – Resmungou antes de se deitar.

A loira riu e segurou a mão da morena.

- Não consigo imaginar como seria a minha vida sem você. – Falou.

Leila acariciou e beijou a mão de Raquel.

- Também não consigo. – Falou. – E, para dizer a verdade, nem quero imaginar algo assim.

As duas permaneceram em silêncio por um longo tempo, admirando o céu estrelado.

- Se precisar de mim. – Leila falou para Raquel. – Se algo não sair como o planejado, basta me chamar e eu irei buscar você.

A loira suspirou emocionada.

- Obrigada. – Murmurou. – É muito bom ouvir isso.

- Nada no mundo é mais importante para mim do que a minha família. – Leila continuou. – Sei que não sou tão destemida quanto deveria ser, mas, por você e por nossos filhos, faço qualquer coisa.

Raquel virou-se para Leila e a beijou com carinho.

- Não conheço mulher mais destemida do que você. – Falou. – Fez tantas coisas corajosas ao longo dos anos. Eu levaria a noite toda para enumerar.

- A noite toda? – Leila olhou-a espantada.

- Sim. Mas, não poderei fazer isso. – Raquel sorriu com maliciosa e aproximou-se um pouco mais de Leila. – Nós já temos outros planos.

- Acho que sei do que você está falando. – Leila moveu o corpo para o lado, afastando-se de Raquel. – E não podemos fazer isso aqui. Os vizinhos podem ver.

A loira riu.

- Se formos discretas. – falou. – Os vizinhos não vão ver.

- É ilegal fazer sexo ao ar livre. – Leila insistiu. – Se alguém decidir chamar a polícia, poderemos ser presas e nossos filhos serão levados para um abrigo.

Raquel gargalhou.

- Sendo assim. – a loira levantou-se e estendeu a mão para a morena. – É melhor entrarmos. O que fizermos no aconchego de nosso lar não poderá ser denunciado.

Leila aceitou o oferecimento de Raquel e deixou que a loira a levantasse.

- Amo você. – Falou.

- Também amo você. – A loira sorriu. – Sei que está preocupada, mas tenhamos fé. Tudo vai dar certo.

 

Fazer maldade é seu ideal. por Priscila_Cruz

 

Capítulo 12

 

Fazer maldade é seu ideal.

 

 

Carlos vistoriou o quarto uma última vez antes de pegar o telefone e ligar para Simone.

- Terminamos. – Falou assim que a mulher atendeu. – Gostaria de conferir o resultado?

- Certamente. – Simone respondeu e desligou.

Carlos fez sinal para que seu assistente se aproximasse.

- Simone está vindo. – Falou para o rapaz. – Desça até a portaria para encontrá-la.

O rapaz assentiu e se apressou para a porta da saída.

Simone era uma das mais importantes clientes do hotel e, também, uma das mais excêntricas. Com o tempo, Carlos deixou de se surpreender com os pedidos. Desde que o hotel lucrasse com eles, não havia o que questionar.

Não demorou para que o assistente voltasse, trazendo Simone consigo. A mulher viera acompanhada por outra, muito provavelmente, mais uma das muitas amantes que Simone tinha.

- E então? – Carlos perguntou. – O quarto está de seu agrado?

Simone olhou em volta, avaliando o ambiente.

O papel de parede fora recém colocado e era estampado com pequenas flores em tons de lavanda. Os móveis eram novos, variando do branco para o cinza claro. A cama era espaçosa e o colchão e os edredons pareciam ser absurdamente macios.

Simone sorriu.

O quarto ficara perfeito. O lugar ideal para emboscar Raquel.

- Seu pessoal trabalhou bem. – Simone respondeu com um sorriso malicioso. – Tenho certeza de que minha convidada especial aprovara.

- Ela deve ser uma mulher muito especial para receber tantos mimos. – A acompanhante de Simone resmungou.

- Você não faz ideia do quanto. – O sorriso malicioso de Simone aumentou.

- Gostaria de ver o outro quarto? – Carlos perguntou.

- Não. – Simone deu de ombros. – Independentemente do que tenha preparado para minha outra convidada, tenho certeza de que é muito mais do que ela merece.

Carlos assentiu.

- Mas, gostaria de provar as iguarias que encomendei e que serão servidas para minha convidada especial. – Simone caminhou até uma mesa e sentou-se. – Traga-as aqui.

Carlos fez uma breve referência e saiu, levando o assistente consigo.

- Não vai me convidar para acompanhá-la no jantar? – a mulher ronronou para Simone. – Também estou com fome.

- É livre para sentar-se à mesa se quiser. – Simone respondeu sem olhá-la. Alcançou o celular no bolso da calça e começou a conferir as mensagens.

A mulher caminhou com calma. Postou-se atrás de Simone e pousou as mãos em seus ombros.

- Você trabalha demais. – Ronronou. – Precisa relaxar um pouco. – Começou a mover as mãos, massageando os ombros e as costas de Simone.

Simone soltou um gemido de prazer.

- Quem sabe um dia eu mereça um quarto tão belo quanto este. – A mulher murmurou para Simone.

- Quem sabe. – Simone voltou a sorrir com malícia.

A reforma custara-lhe caro, porém, Simone tinha certeza de que valeria a pena. Conhecia Raquel. Sabia quais escolhas deveriam ser feitas para agradá-la e tinha certeza de que aquele gesto mexeria com ela.

Carlos regressou, trazendo consigo garçons e alguns carrinhos, repletos com comida e bebida.

- Sente-se. – Simone falou para a mulher. Em seguida, virou-se para Carlos e ordenou. – Pode servir.

A equipe de Carlos apresentou uma série de pratos exóticos. Simone provou a todas e aprovou a maioria. Fez algumas sugestões no cardápio.

- Posso fazer mais alguma coisa pela senhora? – Carlos perguntou assim que sua equipe deixou o quarto.

- Agende a troca dos lençóis para amanhã de manhã. – Simone respondeu.

- É claro. – Carlos entregou a chave do quarto para Simone e despediu-se com uma reverência.

- Por qual motivo os lençóis deverão ser trocados? – A mulher perguntou, fingindo inocência. – Eles me parecem ótimos como estão.

Simone voltou-se para ela e sorriu.

- Sei que sim. – Falou. – Contudo, creio que pela manhã eles não estarão apresentáveis. – Caminhou até a cama e deitou-se. – O que acha de continuar aquela massagem? – Perguntou. – Você tem razão. Estou mesmo precisando relaxar.

 

 

 

Notas finais:

Nota da autora.


 


Depois de postar o capítulo doze do volume dois de Amor Atípico, recebi alguns comentários, tanto públicos quanto privados, que me deixaram muito preocupada.


Por isso, decidi escrever esta nota.


Muitos me perguntaram o motivo de eu ter escrito o volume dois de Amor Atípico. Afinal, a história parecia fechada e (para alguns) não fazia sentido acrescentar mais capítulos ao que já está bom.


Para quem perguntou dei a seguinte resposta:


A “capacidade” maternal da Leila foi colocada em dúvida. “Sendo como é, será que ela tem condições de criar um filho?”.


Tal pergunta pode parecer inocente, mas, infelizmente, ela traz consigo um grande preconceito, o capacitismo.


O capacitismo é aquela velha (e deplorável) ideia de que a pessoa com deficiência não pode fazer as mesmas que as pessoas que não têm deficiência podem fazer. É algo tão comum no pensamento coletivo que, infelizmente, passa despercebido e é visto como uma coisa normal.


Leila é autista e, por conta disso, tivemos pessoas que não acreditavam que ela poderia ser uma boa mãe. Que seriam muitos desafios para alguém como ela.


Mesmo com tudo o que foi escrito no volume um, chegamos ao final daquela história com pessoas duvidando da Leila.


Resolvi fazer uma nova história, de preferência com um enredo desafiador, que mostrasse ao mundo todo o potencial da Leila.


Ok? Mas o que tal justificativa tem a ver com a história que está sendo contada no volume dois.


Vamos a sinopse (se não tiver interesse em um pequeno spoiler, por favor, para de ler agora):


“Quatorze anos se passaram desde que Leila e Raquel se conheceram e se casaram. O tempo fez o amor das duas crescer e a família aumentar. Agora, a loira e a morena terão novos desafio a enfrentar: a criação dos filhos, o gerenciamento de seus negócios e um inusitado encontro com uma mulher sedutora e extremamente perigosa.


Será que o casamento de Leila e Raquel sobreviverá aos acontecimentos que estão por vir? Acompanhe “Meu coração é o teu lar” e descubra.”


 


Vejam que os desafios serão partilhados. Leila e Raquel são um casal e precisam enfrentar o que vier juntas. E os desafios serão muitos.


No entanto, ao que parece, uma parcela dos leitores concentrou-se apenas no encontro inusitado com uma mulher sedutora e perigosa. A criação dos filhos e gerenciamento de negócios ficaram em segundo plano (Se é que foram considerados).


 


Gente...


 


Ao fazer uma sinopse é preciso escolher as palavras com cuidado, para não entregar acontecimentos e, ao mesmo tempo, chamar a atenção do público. Então, por favor, me digam: em que momento eu afirmei que Raquel trairia Leila?


Os acontecimentos que está por vir estão relacionados com os desafios que as duas tem para enfrentar, contudo, Simone não é o único deles.


Para ser sincera, só introduzi Simone na história para brincar com os nervos de vocês. E, olha a eficiência. Estou fazendo uma nota só por causa da maldita.


 


Tem muita coisa para acontecer ainda. Eu sou tipo Tolkien minha gente. Minhas introduções são longas e cheias de detalhes.


 


Compromisso firmado pela autora:


Raquel é e sempre será a Raquel.


E Leila é sempre será a Leila.


 


A imaginação de vocês está indo longe e, talvez por isso, vocês não tenham pensando que, de alguma forma, eu teria coragem de comprometer a beleza da história como um todo.


 


Se eu tivesse feito a sinopse da história de outra maneira, revelando o “verdadeiro” motivo pelo qual ela foi concebida, estaria fazendo um desserviço a representatividade.


 


Muitos autistas leem Amor Atípico.


 


Pensem em como seria para eles encontrar a seguinte frase na sinopse: “Será que Leila está preparada para enfrentar tais desafios?”. Não é preciso ser gênio para saber o quanto seria desmotivador, pois eu estaria colocando a capacidade de uma mulher autista em dúvida.


 


Imaginem o quanto seria difícil e desanimador ler algo semelhante na sinopse de um livro, algo que questionasse a maternidade da mulher lésbica.


 


Por favor, tenham calma!


 


Os acontecimentos que estão por vir não prejudicaram em nada a moral da Raquel.


Amor Atípico é uma comédia romântica, não um drama e, acredito eu, vocês sabem como histórias açucaradas terminam, não é?


 


Caso ainda tenha restado alguma dúvida, por favor, me procurem no quiche ao lado e eu daria todas as respostas que quiserem.

A hora do encontro, é também despedida. por Priscila_Cruz

 

Capítulo 13

 

 

 

A hora do encontro, é também despedida.

 

 

 

 

 

- Mamãe Raquel está demorando. – Logan consultou o relógio de pulso e fez bico. – Estou começando a achar que ela desistiu de nossa tarde de folga.

 

- É claro que sua mãe não desistiu. – Leila falou para ele. – Se algum compromisso importante tivesse surgido e os planos de sua mãe precisassem mudar ela teria nos avisado.

 

- Espero que sim. – Logan largou-se no banco, cruzou os braços e continuou fazendo bico. – Ela disse que aproveitaríamos a tarde de hoje para irmos ao cinema.

 

- Não podemos ir ao cinema. – Melody franziu o cenho e resmungou. – Logan tem que ir para a escola. Mamãe Leila e mamãe Raquel têm que trabalhar e a Melody tem que ir para a casa da vovó.

 

- Hoje não. – Logan falou para a irmã. – Vamos ter uma tarde diferente e você sabe disso.

 

- Não vamos não! – a menina ameaçou puxar o cabelo de Logan, mas desistiu ao ser repreendida por Leila.

 

- Melody! – Leila virou-se para trás e encarou a menina. – Nós já conversamos sobre isso. Rotinas são boas, porém, às vezes, elas precisam mudar para que possamos fazer uma atividade nova. E nossa rotina precisou mudar para que mamãe Raquel tivesse condições de viajar a trabalho. As coisas estão diferentes agora, mas em breve tudo voltará a ser como sempre foi.

 

Melody cruzou os braços e fez bico.

 

- Sei que você fica zangada quando a rotina de nossa família precisa mudar. – Leila continuou. - Mas isso não lhe dá o direito de descontar sua raiva em ninguém, especialmente em seu irmão. Ele é um bom menino e é seu amigo.

 

O bico de Melody aumentou.

 

- Quero que se desculpe com seu irmão. – Leila falou.

 

- Não! – A menina falou.

 

- Agora! – Leila insistiu.

 

Melody suspirou. Olhou de relance para Logan e resmungou.

 

- Desculpe.

 

Logan deu um pequeno sorriso.

 

- Está desculpada. – falou.

 

- Excelente. – Leila virou-se para frente. - Nossa tarde de folga seria bastante desagradável se vocês ficassem brigando.

 

Passados alguns minutos, Raquel apareceu.

 

- Finalmente! – Logan falou assim que Raquel embarcou. – A senhora demorou tanto que, por pouco, Melody não começou uma guerra aqui atrás.

 

- Me desculpe, mas eu tinha que passar algumas instruções para a equipe e acabei me atrasando. – A loira falou para o filho. Então, voltou-se para Leila e perguntou. – Está tudo bem?

 

- Sim. Os dois se desentenderam, mas nada que se compare a uma guerra. – Leila deu de ombros e colocou o carro em movimento. – Você conhece nossos filhos. – Continuou. – Eles ficam rabugentos quando estão ansiosos.

 

- Não ficamos não! – o menino reclamou.

 

- Nem posso imaginar com quem eles aprenderam a agir assim. – Raquel fez força para não rir.

 

Leila dirigiu até o restaurante em que a família iria almoçar. Parou em frente ao estabelecimento para que a esposa e os filhos pudessem desembarcar e seguiu para o estacionamento.

 

- Prontos? – Raquel perguntou para as crianças.

 

- Sim. – Logan respondeu alisando a barriga. – E morrendo de fome.

 

Melody baixou a cabeça e resmungou algo ininteligível.

 

- Vai ficar tudo bem meu amor. – Raquel pegou a menina no colo e a beijou. – Você vai ver. – Segurou a mão de Logan e levou os filhos para dentro do restaurante.

 

Um dos garçons os recebeu e os conduziu para uma mesa.

 

- Gostaria de fazer o pedido? – o homem perguntou para Raquel.

 

- Esperarei por minha esposa. – A loira respondeu.

 

O homem assentiu e se afastou.

 

- Não vejo motivos para esperar. – Logan lançou um olhar confuso para Raquel. – Mamãe Leila sempre pede a mesma coisa quando comemos aqui.

 

A loira sorriu e piscou para o filho.

 

- É uma questão de respeito. – explicou. – Conhecemos sua mãe e sabemos o que ela vai quer. Contudo, não é justo a privarmos de seu direito de escolher. Fazendo isso, mostramos a ela que nos importamos com o que ela pensa. Entendeu?

 

- Acho que sim. – Logan torceu os lábios e esperou por Leila.

 

A família fez o pedido assim que a morena chegou. O almoço foi tranquilo, embora Melody tenha dado sinais de que continuava aborrecida.

 

- Tenho uma ideia. – Raquel falou para Leila. – Talvez não seja a melhor ideia que eu tenha tido nos últimos anos, mas, pode ser que melhore o humor de Melody.

 

- Fale. – Leila lançou um olhar preocupado para a filha.

 

- O que acha de deixarmos Melody com sua mãe? – Raquel perguntou. – Seria bom se nossa família ficasse junta. Entretanto, é possível que Melody se sinta melhor se mantivéssemos a rotina dela.

 

Leila estalou os dedos.

 

- Você pode ter razão. – Murmurou.

 

- A Melody não quer ir ao cinema. – A menina falou. – A Melody quer ir para a casa da vovó.

 

- Ligarei para dona Vera e verei se ela está disponível. – Raquel falou.

 

Alcançou o telefone e fez a ligação.

 

- Boa tarde dona Vera. – Cumprimentou a sogra. – Sei que havíamos lhe dito que Melody passaria a tarde conosco. Contudo, nossa garotinha está muito mal-humorada por não poder cumprir sua rotina diária. A senhora se importa de ficar com ela?

 

- É claro que não. Será um grande prazer. – Vera riu. – Além disso, estava pensando em preparar um jantar de despedida para você e Melody poderá ser minha ajudante.

 

- É muita gentileza. – A loira agradeceu. – Vamos levá-la para a senhora. – Despediu-se da sogra e encerrou a chamada. – Pronta para ir à casa da vovó? – Perguntou para a menina.

 

Melody aplaudiu.

 

- Vou entender com um sim. – A loira deu um pequeno sorriu.

 

A família pagou a conta, deixou o restaurante e caminhou até o estacionamento.

 

Leila segurava a mão de Melody e Raquel a de Logan.

 

- Importa-se em dirigir? – Leila perguntou em voz baixa para Raquel. – São muitas mudanças em pouco tempo. Planejamos as coisas, mas, mesmo assim, não temos muito controle dos acontecimentos.

 

- É claro que não. – A loira beijou o rosto da morena.

 

Leila entregou as chaves do carro para Raquel e pegou a filha no colo.

 

- Vai ficar tudo bem. – Sussurrou para a menina.

 

Melody passou os braços em volta do pescoço de Leila e a abraçou com força.

 

- Mamãe Leila e Melody estão bem? – Logan sussurrou a pergunta para Raquel.

 

- Estão sim. – A loira sussurrou de volta. – Todos estamos bem.

 

 

 

 

 

 

 

 

Notas finais:

 

 

Nota da autora número 2.

Meus amores!

Chegou o momento de a titia abrir o coração.

Agradeço as mensagens que algumas de vocês me enviaram no particular. Tanto as que estavam preocupadas quanto as que me deram puxões de orelha. Sei que estou atrasada com as postagens e o fato de vocês reclamarem demonstra que a história é querida e eu fico orgulhosa disso.

Também sei que eu me ausentei do site depois de largar uma bronca em uma parte da galera. Porém, aquele incidente não foi a causa do meu sumiço.

A dor nas minhas costas também não foi o motivo. Embora eu sinta dores frequentes, conseguiria escrever.

Mas, por qual razão eu não fiz?

 

Tenho consciência de que vocês não me conhecem muito bem. Ao contrário de outras autoras do site, não sou tão acessível assim. Porém, hoje eu resolvi abrir um pouco mais a porta e vou deixar vocês verem uma parte do que se esconde atrás dela.

 

Anjos... eu sofro depressão crônica. Está em um nível moderado e, no momento, estou sendo tratada.

 

Não me dou ao direito de falar por todos que sofrem da doença, por isso, falarei do meu caso.

 

Na minha vida a depressão acontece em ciclos. Estou bem em alguns meses e em outros não. Nos meses em que estou bem sou bastante produtiva. Consigo ler, escrever, desenhar, trabalhar... Como se nunca tivesse sofrido de depressão. Mas, nos meses em que a depressão surge é muito difícil. Consigo fazer o básico e nada além. Tudo fica inacabado. Tudo fica pela metade. A única coisa que sinto é vontade de me largar na cama e dormir.

 

Sei que vocês vão me dizer: Se anima e confia em Deus que vai passar.

 

Amores, não é bem assim.

 

Eu sei que preciso me animar e ter fé de que a crise vai passar. Contudo, não é algo que se possa controlar. É mais forte que a vontade individual. É um peso, um buraco no peito, como se uma parte da alma da gente estivesse faltando.

 

A crise começou no início do mês de dezembro do ano passado e ainda não foi embora. Juro que eu tentei. Por mais de uma vez eu me sentei na frente do computador, mas, as coisas não fluem.

A única coisa que eu consegui fazer foi desenhar. E muito. Inclusive, fiz cursos e estou em uma jornada para me tornar ilustradora profissional.

 

Sim, consegui fazer uma coisa, mas não consegui fazer outra. Sei que não é justo com quem lê minhas histórias, porém, particularmente, considero uma vitória. O fato de ainda conseguir fazer coisas da vida em meio a uma crise demonstra que meu espírito ainda tem vontade de lutar. Minha alma, mesmo ferida, ainda quer viver.

 

Sendo assim, vou pedir uma gentileza. Uma que, talvez, eu não mereça. Tenham paciência comigo. A história chegará ao final. Entretanto, para escrever, preciso de uma alma completa e, no momento, a minha não está.

 

Ninguém neste mundo está mais frustrada do que eu pelos trinta e um dias de atraso e por não ter respondido aos comentários.

Cedo ou tarde o buraco vai fechar e conseguirei canalizar minha energia para escrita.

 

Mas, por enquanto, não dá...

 

 

PS: Agradeço pelas mensagens de apoio que me escreveram e, principalmente, por terem esperado. Meu estado de espírito está longe do ideal, mas já consigo fazer minhas coisas e escrever é uma delas.

 

Espero que gostem do capítulo.

 

Assim que possível responderei os comentários de vocês.

Você na multidão, você é diferente. por Priscila_Cruz

 

Capítulo 14

 

Você na multidão, você é diferente.

 

 

 

Raquel estava sentada entre Leila e Logan.

Os olhos do menino permaneciam grudados na tela panorâmica da sala de cinema, atentos ao filme que estava sendo exibido. O único movimento que Logan fazia era com os braços, para levar as guloseimas que estavam espalhadas em seu colo para a boca.

A loira sorriu e acariciou os cabelos do filho.

- Seria bom se Leila e eu conseguíssemos fugir de nossas preocupações como as crianças são capazes de fazer. – Raquel pensou.

Lançou um olhar discreto para a esposa.

Leila estava tensa.

Seus olhos estavam fixos na tela. Porém, Raquel conhecia a esposa o suficiente para saber que ela não estava prestando atenção ao filme. Ao baixar os olhos e procurar pelas mãos de Leila, percebeu que mesmo sem ter um fidget cube na mão, os dedos da morena continuavam se movendo como se estivessem apertando os botões do pequeno objeto.

Raquel sorriu e entrelaçou os dedos com os de Leila.

A morena olhou para a loira.

- Amo você. – Raquel apenas moveu os lábios.

- O que você disse? – Leila lançou um olhar confuso para a loira.

- Silêncio! – Logan ralhou com Leila.

- Brigue com sua mãe. – a morena tentou se defender. – Ela é quem está puxando conversa.

Logan limitou-se a lançar um olhar atravessado para as duas.

Raquel inclinou-se em direção a Leila e sussurrou.

- Eu disse: amo você.

- Não é o que parece. – Leila sussurrou de volta. – Logan brigou comigo por sua causa.

A loira fez força para não rir.

- Não era a resposta que eu esperava ouvir. – Ronronou.

Leila revirou os olhos.

- E o que você queria que eu dissesse? – perguntou.

- “Também amo você”. – Raquel inclinou-se e a beijou nos lábios com suavidade.

- Se eu soubesse que as duas ficaram conversando. – Logan resmungou. – Eu teria escolhido outro lugar.

- Está com vergonha de suas mães? – Raquel perguntou para o menino.

- É claro que não. – Logan revirou os olhos. – Mas a conversação das duas está atrapalhando minha concentração.

- Estamos assistindo a um filme de heróis. – A loira falou. – E não precisamos de concentração para isso. Os enredos são todos muito parecidos. Quem já viu um filme de heróis, já viu todos.

- Minha própria mãe blasfemando contra o sagrado universo do MCU. – Logan cobriu os olhos com as mãos e resmungou. – Não posso acreditar. É terrível demais para ser verdade.

- Seu bobinho. Eu não falei sério. – Raquel curvou-se e beijou os cabelos do menino. – Estava apenas implicando com você e com sua mãe.

- É bom mesmo. – Logan agarrou uma minhoca de gelatina e a mordeu. – Não se esqueça de que eu tenho uma Manopla em casa.

A loira riu e recostou-se na poltrona.

- Não se preocupe. – Leila sussurrou para Raquel. – Ele não teria coragem de usar a Manopla contra você.

- Eu sei que não. – A loira voltou a entrelaçar os dedos com os da morena.

- Logan ama você. – Leila continuou. – Todos nós amamos.

- Eu sei que sim. – A loira beijou a mão da morena.

- Eu não teria tanta certeza. – Logan resmungou de boca cheia. – As duas estão abusando da sorte.

Leila deu um pequeno sorriso, voltou-se para Raquel e disse.

- Também amo você.

 

Notas finais:

Sei que o texto está curto, mas não consegui guardá-lo em meu computador para esperar ficar maior.

Ele transmite o que estou sentindo no momento. A sensação de que a paz vai retornar finalmente.

 

Agradeço pela paciência e pelas palavras de apoio.

É bom ser criança, E não ter que se preocupar, Com a conta no banco, Nem com filhos pra criar. por Priscila_Cruz

 

Capítulo 15

 

É bom ser criança, E não ter que se preocupar, Com a conta no banco, Nem com filhos pra criar.

 

 

- 1, 2, 3. - Melody concentrou-se no painel do elevador, acompanhando o avanço dos andares. – 4, 5, 6...

- Estamos quase chegando. – A vovó sorriu e beijou a Melody.

- 7, 8, 9. – Melody continuou a contar.

- Só mais um andar. – A vovó falou mais uma vez. – E, então, vamos ver o vovô.

- 10!

Melody mordeu os lábios e agitou as mãos.

A porta do elevador se abriu.

- Bem-vindas, minhas queridas. – Vovô estava esperando pela Melody e pela vovó. – A rainha e a princesa do vovô estão bem?

Melody ficou tão feliz por ver o vovô, que escondeu o rosto no pescoço da vovó.

- A rainha do vovô está bem. – A vovó falou para o vovô. – E acredito que a princesa do vovô também esteja.

O sorriso do vovô ficou maior.

– Não vou ganhar um abraço? – Vovô perguntou e estendeu os braços para Melody.

A Melody riu e pulou dos braços da vovó para o abraço do vovô.

- Melhor assim. – O vovô beijou a Melody. – Estou muito feliz que tenha vindo passar a tarde conosco. Não seria a mesma coisa sem você.

A Melody riu mais uma vez, pois gostava de deixar o vovô feliz.

O vovô e a vovó levaram Melody para dentro do apartamento em que moravam. A Melody adorava passar as tardes ali, na companhia dos dois.

- Importa-se em cuidar de Melody sozinho? – a vovó perguntou para o vovô. – Quero fazer um jantar especial para Raquel e gostaria de deixar tudo adiantado.

- É claro que não. – O vovô riu e colocou a Melody no sofá. – Nós dois vamos nos divertir muito.

- Tenho certeza que sim. – A vovó sorriu e foi para a cozinha.

Melody tirou os sapatos, ajeitou as almofadas que usava para dormir e se deitou no sofá. O cobertor que a Melody usava para dormir estava na poltrona do vovô.

O vovô o pegou e o usou para cobrir a Melody.

- Bom descanso. – Vovô beijou os cabelos da Melody.

A Melody fechou os olhos e começou a murmurar uma história.

Mamãe Raquel e mamãe Leila sempre contavam histórias para ajudar Melody a dormir.

Melody não sabe dizer como aconteceu, mas ela acabou pegando no sono.

A Melody teve um sonho. Nele, a mamãe Raquel, a mamãe Leila, o Logan, o vovô Roberto, a vovó Vera, o vovô Ricardo, a tia Karen, o tio Caio e o primo Enzo estavam todos juntos e ninguém precisava viajar.

Melody lembrou que a mamãe Raquel iria viajar. Por isso, acordou assustada, chorando.

O vovô a pegou no colo e a abraçou apertado.

A vovó também veio abraçar a Melody e, aos poucos, ela se acalmou.

- Que tal assistirmos alguns episódios de Hora de Aventura? – o vovô perguntou.

Melody riu e correu para a frente da televisão.

O vovô sentou-se junto com ela e os dois assistiram desenhos juntos.

A vovó voltou para a cozinha.

Não demorou para que o cheiro de pipoca invadisse a sala.

A vovó entregou uma grande vasilha cheia de pipocas para a Melody.

O vovô pegou algumas e usou saliva para prendê-las nas sobrancelhas.

A Melody riu tanto e ficou tão feliz que esqueceu da viagem da mamãe Raquel.

Então, a Melody não chorou mais.

 

Não custa nada. por Priscila_Cruz

 

Capítulo 16

 

Não custa nada.

 

 

Raquel se espreguiçou quando os créditos finais do filme começaram a ser exibidos.

- Graças a Deus! – falou em um bocejo. – Eu já não aguentava mais.

Logan lançou um olhar feio para ela.

- O filme foi muito bom! – reclamou.

Raquel levantou-se, massageou as costas e movimentou as pernas.

- Eu não disse que o filme não foi bom. – Raquel se defendeu. - Mas poderia ser mais curto. Três horas de filme é um pouco demais para mim.

Leila lançou um sorriso provocativo para a loira.

- Eu nunca ouvi você reclamar do tempo que desperdiçamos assistindo A Casa do Lago. – falou. – Noventa e nove minutos de tempo perdido é demais para mim e eu fui obrigada a assistir aquele lixo mais de uma vez.

- Engraçadinha. – Raquel lançou um olhar aborrecido para Leila.

A loira tentou seguir para as escadas, mas Leila e Logan a impediram.

- Não podemos perder as cenas pós-créditos. – Logan falou para Raquel.

- Santo Deus. – Raquel meneou a cabeça. – Quantas são?

- Apenas três. – Leila respondeu.

Raquel soltou um muxoxo e sentou-se novamente.

- Um dia. – Resmungou. – Escreverei um e-mail bem malcriado para os produtores dos filmes de heróis e exigirei que eles acabem com as malditas cenas pós-créditos.

O sorriso de Leila aumentou.

- Espero que você inclua um parágrafo sobre a proibição do uso de viagens do tempo em filmes de romance. – falou. – Não tem nada pior do que ficar horas diante da tela do cinema vendo incongruências cientificas em nome do amor romântico.

- Silêncio! – Logan ralhou com as duas. – A primeira cena pós-crédito vai começar.

O menino ajeitou-se na cadeira e grudou os olhos na tela.

- Vocês viram? - Ao final da exibição, Logan estava bastante animado. – Precisarão fazer pelo menos mais seis filmes para explicar tudo o que foi mostrado hoje.

- E tenho certeza de que você e sua mãe Leila passarão horas agradáveis teorizando tudo que está por vir. – Raquel segurou na mão do menino e o conduziu para a saída.

- Pode apostar que sim. – Logan estendeu a outra mão para Leila. – Podemos passar na loja de games e comprar alguma coisa? – perguntou.

Leila olhou para Raquel.

- O que acha? – perguntou.

- Acho que é uma boa ideia. – respondeu. – Os dois se comportaram muito bem nos últimos dias e merecem um agrado.

Os três seguiram pelos corredores do shopping. Ao chegarem diante da loja desejada, Logan soltou-se da mão das mães e correu.

- Quem chegar por um último será eliminado pelos Daleks! – gritou.

Raquel olhou para Leila e perguntou:

- Não vai correr?

- É claro que não. – A morena segurou a mão de Raquel. – Se um dia eu for eliminada pelos Daleks, espero que seja ao seu lado. Então, se chegarmos juntas a loja, continuaremos assim até o final.

A loira riu.

- Eu preferia não passar pela experiência de ser exterminadas por uma raça alienígena. – falou. – Mas até que gostei do seu raciocínio. É estranhamente romântico.

Logan passou um bom tempo conferindo os produtos que a loja tinha em estoque. Por fim, acabou se decidindo por um boneco colecionável, uma edição limitada de um de seus heróis favoritos.

- Não vai levar nada? – Raquel perguntou para Leila.

- Ganharei meu presente no dia em que você voltar para casa de sua viagem. – respondeu.

A loira deu um beijo carinhoso nos lábios da morena.

- Fico feliz que pense assim. – murmurou. – E me sinto da mesma forma.

- Vamos comprar alguma coisa para Melody? – Logan perguntou para as mães.

- Sim. – Raquel respondeu. – Escolha alguma coisa de Hora de Aventura para ela. Tenho certeza de que sua irmã vai adorar.

Logan deu outra olhada nas prateleiras e se decidiu por uma pequena pelúcia de BMO.

Findada as compras, a família seguiu para o estacionamento.

- Não vamos comer nada? – Logan perguntou.

- Você se empanturrou de doces no cinema. – Leila torceu os lábios. – Cheguei a pensar que sua barriga fosse explodir.

- Doces são doces. – Logan cruzou os braços. – E lanches são lanches. Tem diferença, sabia?

Leila revirou os olhos.

- Confesso que lhe entendo. – Raquel segurou na mão do menino e o conduziu em direção ao carro. – Mas, sua avó se esforçou muito para nos preparar o jantar e seria indelicado da nossa parte aparecermos de barriga cheia.

- Lanches são lanches. – O menino insistiu. – E comida é comida.

Raquel e Leila se entreolharam.

- Não se atreva a repetir que o menino herdou meu estomago. – A loira resmungou.

Os três entraram no carro e Leila os levou para o apartamento em que Vera e Roberto moravam.

 

***

 

- Quer me ajudar a arrumar a mesa? – Vera perguntou para Melody.

A menina riu e correr em direção a gaveta em que a avó guardava o jogo americano.

- Vamos precisar de seis. – Vera falou para a menina.

- Seis não. – Melody corrigiu a avó. – Oito.

- Não meu bem. – Vera sorriu para a menina. – A tia Karen e o tio Caio não vão jantar conosco.

Melody pegou oito peças do jogo americano e as colocou em cima da mesa.

- Não. – Vera insistiu. – Precisamos de apenas seis.

- Oito! – Melody bateu o pé no chão.

- Mas a tia Karen e o tio Caio não virão. – Vera explicou.

- Oito! – Melody insistiu.

Antes que Vera pudesse argumentar, Roberto alcançou o telefone e fez uma ligação.

- Não importa o que estejam fazendo. – falou. – Precisamos de oito pessoas para o jantar. – E desligou.

- Oito. – Piscou para a neta.

Melody riu e lançou-se nos braços do avô.

- Está bem. – Vera deu de ombros. – Seremos oito então.

 

Família ê, Família ah, Família. por Priscila_Cruz

 

Capítulo 17.

 

Família ê, Família ah, Família.

 

 

- Mantenha a calma. – Raquel falou para Leila. – Você está indo bem.

Leila bufou e lançou um olhar aborrecido para a loira.

- Não vejo motivos para estacionar o carro em uma vaga tão apertada se temos espaços maiores a nossa disposição. – Resmungou.

- Você precisa praticar a baliza. – Raquel insistiu. – Não basta aprender uma manobra para passar em um exame. É preciso colocá-la em prática.

Leila revirou os olhos e xingou baixinho.

- Importam-se se eu descer? – Logan perguntou para as duas.

Antes que Leila pudesse abrir a boca para falar, Raquel respondeu.

- Não. – Lançou um olhar zangado para o menino e continuou. – Somos uma família e damos apoio uns aos outros.

- Eu não me importaria de apoiar as duas na segurança da calçada. – Logan resmungou.

- Não se preocupe. – Raquel falou para o filho. – Estamos em segurança.

- Eu não teria tanta certeza se fosse você. – A morena falou entredentes.

Leila manobrou o carro mais uma vez.

Faltava pouco para conseguir estacionar na vaga, mas uma buzina forte a assustou. O carro deu um pulo e por pouco não bateu no carro que estava estacionada na vaga da frente.

- Para mim chega! – Leila desligou o carro e puxou o freio de mão.

- Para mim também. – Logan aproveitou para correr para fora do carro.

Raquel fez força para não rir e pulou para o banco do motorista.

- Você quase conseguiu. – falou para a morena.

Leila enxugou o suor da testa com as costas da mão e suspirou.

- Não me obrigue a passar por isso outra vez. – Reclamou para a loira.

- Está tudo bem por aqui?

Leila enrijeceu ao ouvir uma voz familiar.

- O que estão fazendo aqui? – perguntou ao deparar-se com a irmã e o cunhado. – Aquela buzina infernal foi coisa de vocês?

- É claro que não. – Karen cruzou os braços e exibiu uma expressão ofendida. – Acha que nós seríamos capazes de algo assim?

- Com certeza. – Leila respondeu.

- Entendo a suspeita de Leila – Caio passou o braço em volta do ombro da esposa. - Nosso passado depõe contra nós.

- As suspeitas dela não nos torna culpados. – Karen tentou se defender.

- Mas, as câmeras de vigilância da vizinha podem contar uma história diferente. – Leila colocou as mãos na cintura e torceu os lábios. – E, se eu quiser, posso ter acesso a todas elas.

- E eu posso ajudar. – Logan cruzou os braços e deu um sorriso presunçoso.

Karen revirou os olhos.

- Não basta implicar comigo. – falou. – Minha própria irmã conseguiu colocar meus sobrinhos contra mim.

- De que está falando? – Raquel desceu do carro e se juntou ao grupo que estava na calçada. – Que eu saiba, Melody não está contra você.

- É o que você pensa. – Karen deu um pequeno sorriso. – Aquela coisinha caprichosa nos obrigou a vir até aqui.

- E por acaso é um sacrifício participar da minha festa de despedida? – Raquel perguntou em um tom ofendido.

Caio e Karen se entreolharam.

- A família Medeiros Montanari está sensível hoje, não acha? – Caio perguntou para Karen.

- Acho sim. – A moça concordou com um sorriso matreiro.

Leila abriu a boca para falar, mas foi interrompida pelo toque do telefone de Karen.

- Subam de uma vez! – os cinco ouviram a voz de Roberto. – Melody os viu parados na calçada e está impaciente.

- O senhor é quem manda. – Karen desligou o telefone e indicou a portaria. – Podem ir primeiro.

Leila e Raquel deram as mãos para Logan e seguiram para dentro. Caio e Karen vieram atrás.

- Espero que Melody esteja bem. – Leila sussurrou para Raquel assim que todos entraram no elevador.

- É claro que está. – A loira beijou o rosto da morena. – Impaciente não é sinônimo de estar em crise.

- Se fosse. – Karen se intrometeu. – Você estaria em crise o tempo todo.

Leila lançou um olhar zangado para a irmã, mas não respondeu a provocação.

A porta do elevador se abriu e Melody estava do lado de fora, esperando pelo grupo.

- Estão atrasados. – Reclamou.

- Desculpe meu amor. – Raquel estendeu os braços para a menina e a pegou no colo. – E, para compensar nosso atraso, trouxemos um presente.

Logan entregou para Melody a pelúcia que haviam comprado para ela.

A menina riu e deu um abraço apertado no brinquedo novo.

- A Melody adora o BMO. – falou.

- Ótimo. – Raquel ajeitou-a nos braços e levou-a para dentro e Logan e Caio a seguiram.

Leila fez menção de entrar, mas Karen a deteve.

- Você está bem? – perguntou.

- Já estive melhor. – Leila baixou os olhos. – Mas, ficarei bem em breve.

- Minha oferta ainda está de pé. – Karen insistiu. – Se for preciso, embarcaremos em um avião e resgataremos sua Barbie.

Leila deu um pequeno sorriso e abraçou a irmã.

- Obrigada. – Murmurou.

- Não precisa agradecer. – Karen falou.

- O que estão fazendo aqui fora? – Vera apareceu e olhou para as duas com desconfiança. – Por acaso ficaram para trás por estarem implicando uma com outra?

- É claro que não. – Karen levantou as mãos em sinal de rendição. – Brigamos de vez em quando, mas também temos nossos momentos de ternura.

Vera torceu os lábios e ameaçou entrar, mas Leila a deteve.

- Já que estamos aqui, preciso que me façam um favor. – Falou, lançou um olhar desconfiado para dentro e continuou. – Mas é segredo. Não quero que Raquel e as crianças fiquem sabendo.

- Pode falar querida. – Vera acariciou o rosto de Leila.

- Estaremos aqui para o que der e vier. – Karen completou.

 

Eu trocaria a eternidade por esta noite. por Priscila_Cruz

 

Capítulo 18.

 

Eu trocaria a eternidade por esta noite.

 

Melody adormeceu assim que Leila a acomodou na cadeirinha do carro.

- Obrigada dona Vera. – Raquel abraçou a sogra. – Foi uma noite maravilhosa.

- Não precisa agradecer querida. – Vera beijou o rosto da nora e continuou. – Prometa que vai se cuidar.

- Prometo. – A loira soltou-se da sogra e a beijou na testa. – Por favor, fique de olho em Leila e nas crianças.

- Pode deixar. – Vera sorriu.

- Nós dois cuidaremos disso. – Roberto estendeu a mão para Raquel. – Vá e volte em paz.

- Obrigada. – Raquel apertou a mão do sogro.

- E que a Força esteja com você. – Karen piscou para Raquel.

Leila revirou os olhos.

- Sabia que você não ia resistir e soltaria uma piadinha sem graça mais cedo ou mais tarde. – Resmungou.

- Você reclama, mas gosta. – Karen mostrou língua para a irmã. Depois, abaixou ao lado de Logan e perguntou para o menino. – O que acha de ficar comigo na loja amanhã de manhã? Sua mãe Leila estará ocupada e eu vou precisar da ajuda de uma pessoa inteligente.

- Pode contar comigo. – O menino respondeu com um sorriso orgulhoso.

- Raquel e eu deixaremos Melody na escola e, então, levaremos Logan para você. – Leila resmungou para a irmã.

- Não se atrase. – Karen falou para a irmã.

- Eu nunca me atraso! - Leila falou para a irmã.

Karen riu, mostrou língua para Leila mais uma vez e foi juntar-se a Caio. Os dois se despediram da família e foram embora.

Raquel, Leila e Logan despediram-se de Roberta e Vera e entraram no carro.

- O dia de hoje foi muito especial. – Raquel sussurrou para Leila e Logan. – Me diverti bastante.

- Mais especial e divertido do que o jantar de despedida que preparamos? – Logan perguntou enciumado.

- É claro que não. – Raquel voltou-se para o filho. – Cada momento que vivemos é especial e divertido a sua maneira.

Então os olhos da loira pousaram em Leila, que dirigia em silêncio.

- Eu poderia fazer uma lista gigantesca dos bons momentos que vivi com sua mãe e nenhum deles seria mais ou menos especial.

Leila limitou-se a sorrir.

- E comigo e com Melody? – o menino insistiu.

- Uma lista gigantesca de bons momentos para cada um de meus filhos. – Raquel respondeu. – Outra lista para seus avós, outra para seus tios e outra para seu primo. E, é claro, uma para os bons amigos.

- Levaria muito tempo para escrever. – Logan bocejou.

- Eu não me importaria de gastar todo tempo do mundo para revisitar boas memórias. – Raquel murmurou e deu um beijo no rosto de Leila.

- Comporte-se. – A morena resmungou. – Está escuro e eu preciso me concentrar muito mais do que durante o dia.

- A senhora é quem manda. – Raquel voltou a para Logan e sorriu ao ver que o menino estava lutando contra o sono. – Nossas crianças estão esgotadas. – Murmurou. – Acho que teremos de continuar minha festa de despedida sem elas.

- Não será tão ruim assim. – Leila sorriu mais uma vez.

- Não. Não será. – Raquel concordou.

As duas permaneceram em silêncio até chegarem em casa.

Raquel encarregou-se de levar o filho para a cama e Leila cuidou de Melody.

- Tudo certo com Melody? – a loira perguntou para a morena assim que duas se encontraram no corredor.

- Sim. – Leila respondeu. – E com Logan?

- Sim. – Raquel respondeu e puxou a morena para o quarto. – Adoro nossa família, mas estava ansiosa para ficar a sós com você.

- Eu também. – Leila deixou que a loira a conduzisse. - Eu trocaria a eternidade por esta noite.

 

Notas finais:

Sim!

Leila e Raquel ganharam um novo visual.

Na verdade, estou fazendo uma HQ para elas e estou publicando os quadrinhos no meu Instagram:

@priscilacruzart

 

Vocês são bem-vindos a conferir meu novo trabalho!

Toda vez, Que eu digo adeus, Eu quase morro. por Priscila_Cruz

 

 Capítulo 19.

 

Toda vez, Que eu digo adeus, Eu quase morro.

 

Leila tentou dormir, mas, por mais cansada que estivesse, não conseguiu relaxar e acabou passando a noite acordada.

Concentrou-se no ressonar de Raquel e lembrou-se de um trecho de uma música que ouvira uma vez: “toda vez que eu digo adeus, eu quase morro.”.

- Três dias passam depressa. – Murmurou para si, em uma tentativa de acalmar o próprio coração.

Levantou-se assim que o sol nasceu. Se arrumou e desceu para fazer o café da manhã. Preparou uma mesa farta. Queria impressionar a esposa mais uma vez.

Melody foi a primeira a aparecer.

- Bom dia. – Leila cumprimentou-a.

A menina passou a mão pelos cabelos desgrenhados e coçou os olhos.

- Dormiu bem? – Leila abaixou-se diante da menina e fez menção de abraçá-la, mas Melody recuou. – Sei como se sente. – A morena murmurou. – E gostaria de poder acelerar o tempo. Para o seu bem e para o meu.

- Tempo. – Melody repetiu.

Leila endireitou-se e estendeu a mão para a filha.

- Que tal subirmos? – perguntou. – Você precisa arrumar o cabelo e trocar de roupa.

- Tempo. – Melody tornou a repetir.

- Está bem. – Leila deu um pequeno sorriso. – Se precisa de um tempo, eu posso esperar. – E voltou a atenção para a mesa que ainda precisava de alguns utensílios.

Melody deu as costas para Leila e voltou para o andar de cima.

- Tempo. – Murmurou para si, enquanto caminhava em direção ao quarto das mães.

Abriu a porta e entrou.

Raquel já havia acordado e estava terminando de se arrumar.

- Bom dia meu amor. – A loira cumprimentou a menina com um sorriso. – Dormiu bem?

- Tempo. – Melody resmungou.

- Tempo? – Raquel estendeu os braços para a menina. – O que quer dizer com tempo?

Melody deixou-se envolver pelo abraço de Raquel.

- Tempo. – Repetiu mais uma vez.

- Tempo é uma palavra difícil de explicar. – Raquel a beijou. – O tempo pode ser muitas coisas.

- Muitas coisas? – Melody deu um bocejo.

- Sim. – Raquel voltou a beijá-la. – Muitas coisas. – Ajeitou Melody nos braços e a acalentou.

Não demorou para que Melody voltasse a dormir e Raquel a levou para o próprio quarto e a colocou na cama. Em seguida, desceu as escadas e foi para a cozinha.

- Bom dia meu amor. – Beijou os lábios de Leila com carinho. – Você vai me deixar mimada com tantas gostosuras na mesa.

- A ideia é essa. – Leila deu um pequeno sorriso e baixou os olhos. – Por isso, os mimos continuaram quando você voltar.

- Obrigada. – Raquel sentou-se e degustou um pouco de cada gostosura.

Leila a acompanhou, mas não quis provar nada.

– Você sabe me dizer o motivo de Melody estar curiosa sobre a palavra tempo? – Raquel perguntou.

Leila deu de ombros.

- Ela não queria se arrumar. – respondeu. – Então, achei que seria melhor respeitar o tempo dela.

Raquel assentiu.

- Você fez bem. – falou. – Ela estava sonolenta e acabou pegando no sono mais uma vez.

Leila coçou atrás da orelha.

- Devíamos ir buscá-los. – Leila falou. – Logan e Melody já deveriam estar acordados.

- Queria mais alguns minutos a sós contigo. – Raquel pegou a mão de Leila e a beijou.

A morena abriu a boca para falar, mas foi interrompida pela chegada de Logan e Melody. Os dois estavam vestidos e prontos para partir.

- Consegui convencer Melody a vestir o uniforme. – Logan falou em um tom orgulhoso. – Me custou alguns fios de cabelo, mas, no geral, me sai muito bem.

- Estamos orgulhosas de você, meu querido. – Raquel o beijou na testa.

Logan comeu com vontade.

Melody apenas provou alguns pãezinhos.

- Tem certeza de que não vai comer nada? – Raquel sussurrou para Leila.

A morena deu um pequeno sorriso.

- Não se preocupe comigo. – falou. – Eu estou bem.

A família terminou de se aprontar, as malas de Raquel foram guardadas no porta-malas e a família seguiu caminho. Melody, apesar de estar visivelmente aborrecida, foi deixada na escola e Logan foi deixado na Doctor Byte com Karen.

- Quer que eu dirija pelo restante do caminho? – Raquel perguntou.

- Não é preciso. – Leila respondeu. – Eu sei como chegar ao aeroporto.

- Está bem. – Raquel estendeu a mão e tocou a coxa de Leila. – Tudo bem pra você?

- Sim. – Leila respondeu. – Não vai me atrapalhar em nada.

As duas seguiram o restante do caminho em silêncio.

Leila estacionou o carro, tirou o cinto de segurança e voltou-se para Raquel.

- Se precisar de minha ajuda. – falou. – Não hesite em pedir.

- Eu não hesitaria. – Raquel curvou-se em direção a Leila e a beijou.

- Vou sentir sua falta. – Leila murmurou assim que os lábios das duas se separaram.

- Eu também. – Raquel a beijou na testa.

As duas desceram do carro, seguiram para o local de embargue e encontraram Solange e Rodrigo.

- Leila. – A rapaz sorriu ao ver a amiga. – Faz tempo que não jogamos juntos.

- É verdade. – Leila deu um pequeno sorriso. – Mas, Logan tem se divertido muito jogando e não quero tirar o videogame dele.

- Viu só? – Solange deu uma forte cotovelada em Rodrigo. – Ela é melhor nisso do que você.

Rodrigo riu e alisou o braço ferido.

- Leila é melhor do que eu em tudo. – falou.

- Ainda bem que admite. – Solange segurou Rodrigo pelo braço e o puxou para longe. – Vamos dar privacidade para elas, tenho certeza de que haverá uma grande cena de despedida e eu não quero ficar de vela.

Leila baixou os olhos e torceu os lábios.

- Expressões idiotas. – Reclamou.

- Ei. – Raquel aproximou-se com cautela. – Posso lhe dar um beijo?

- É claro que sim.

Raquel e Leila se envolveram em um abraço e trocaram um longo beijo.

As duas só se separaram quando o embargue foi anunciado.

- Não se preocupe. – Solange falou para Leila. – Eu cuidarei de Raquel para você.

- Obrigada. – Leila resmungou.

A morena postou-se em frente a grande janela de vidro e ficou observando até a aeronave desaparecer no horizonte.

- Você está bem? – Rodrigou perguntou para Leila.

Leila limitou-se a assentir e caminhou em direção a saída.

- Quer uma carona? – Rodrigo caminhou a lado dela.

- Não se preocupe. – Leila respondeu sem encará-lo. – Eu estou bem.

A morena seguiu até o local em que o carro estava estacionado, embarcou, mas não saiu com o carro.

Rodrigo a observou de longe, indeciso em relação ao que fazer. Passados alguns minutos, o telefone do rapaz tocou.

- Vai ficar me vigiando? – Leila enviou uma mensagem para ele. – Não seria melhor cuidar da sua própria vida?

Rodrigo gargalhou.

- Me desculpe. – respondeu. – Não pretendia ofender vossa excelência.

Leila enviou um emoticon com olhos revirados.

- Vá embora! – escreveu.

- Está certo. – Rodrigo digitou a mensagem, guardou o celular no bolso, acenou e caminhou em direção ao próprio carro.

Leila observou pelo retrovisor e viu Rodrigo embarcar no carro e seguir para a saída do estacionamento. Então, a morena olhou em volta e ao perceber-se sozinha, liberou a onda de sentimentos que ameaçavam afogá-la.

 

 

 

 

Parece uma rosa, De longe é formosa. por Priscila_Cruz

 

Capítulo 20.

 

Parece uma rosa, De longe é formosa.

 

 

Solange olhava pela janela do avião, atenta a paisagem que começava a ganhar forma.

- É lindo. – Murmurou. Voltou-se para Raquel e perguntou. – Quer dar uma olhada?

A loira, que se mantivera cabisbaixa ao longo de toda a viagem, não respondeu. Sua atenção estava voltada para o camafeu que havia ganhado de presente da família. Segurava a joia com uma mão e com os dedos da outra acariciava a inscrição que estampava parte do objeto.

- Meu coração é o teu lar. – Solange recitou. – Está para nascer pessoas mais bregas do que as da sua família. – Zombou.

Raquel lançou um olhar aborrecido para Solange.

- Seu eu soubesse que você ficaria tão chateada com a viagem, teria recusado o trabalho. – Solange cruzou os braços e torceu os lábios.

A loira abriu o camafeu e espiou as fotos que Logan havia colocado lá dentro.

- Eles vão ficar bem. – Solange suavizou o tom.

- Eu sei que sim. – Raquel resmungou.

- E nós duas também ficaremos bem. – Solange pousou a mão no ombro de Raquel. – Se quiser, podemos desistir do trabalho e voltar para casa.

Raquel a olhou com surpresa.

- Faria isso por mim? – perguntou.

- É claro que sim. – Solange deu um pequeno sorriso. – Mas, a multa rescisória seria toda sua.

A loira gargalhou.

- Você é um amor. – Raquel falou. – Mas, não será preciso. Demos nossa palavra de que faríamos esse trabalho e não podemos voltar atrás.

- Você é quem sabe. – Solange deu de ombros. – Só espero que, nos próximos três dias, você não fique com esta cara de quem chupou limão.

Raquel mostrou língua para Solange.

- Se o fizer. – Solange insistiu. – Assustará a equipe com quem vamos trabalhar. E não é o que queremos, certo?

- É claro que não. – Raquel ajeitou-se na poltrona. – E prometo melhorar minha cara a partir de agora.

As duas permaneceram em silêncio até o momento do desembarque.

A Resolute havia enviado para Solange e Raquel um cronograma detalhado, por isso, as duas sabiam que Marcos estava encarregados de buscá-las no aeroporto e levá-las para o hotel.

  - Esse tal de Marcos é uma delícia de homem. – Solange comentou com um sorriso maroto. – Se eu não fosse uma mulher casada...

- Solange! – Raquel falou em tom de repreensão. – Mesmo que você não fosse casada, teria que se comportar. Não foi para isso que viemos até aqui.

Antes que Solange pudesse responder a reprimenda de Raquel, uma voz masculina chamou por elas. As duas olharam na direção do chamado e viram que Marcos acenava e caminhava até o local em que as duas estavam. Porém, não estava sozinho.

- Meu Deus! – Raquel murmurou.

- Deus? – Solange falou com desprezo. – Aquilo ali é o diabo encarnado.

 

Notas finais:

 

Olá meu povo!

Me desculpem por ter demorado tanto para postar.

Mas, felizmente, tenho bons motivos.

Estou trabalhando na segunda parte do volume um que a Editora Vira Letra está publicando. 

 

Mas, assim que tudo estiver resolvido, voltarei a postar em intervalos melhores.

E não... eu não estou em crise! Na verdade, estou bem... bem como não me sentia fazia tempo.

Agradeço a preocupação.

Vou repetir o recadinho... Assim evitamos confusões:

ATENÇÃO!

 

Essa história não é a continuação do livro que está sendo vendido pela editora Vira Letra 

 

A parte 2 (que ainda não tem data para ser lançada) mostrará a cerimônia de casamento de Leila e Raquel e o que veio depois.

 

 

 

A versão que está sendo postada aqui no Lettera se passa quatorze anos após o casamento das duas.

 

Sei que é confuso e peço desculpas por isso!

 

 

Ficamos suspensos, Perdidos no espaço. por Priscila_Cruz

Capítulo 21.

Ficamos suspensos, Perdidos no espaço.

 

Leila recostou-se no banco e fechou os olhos.

O momento de crise foi curto, mas muito intenso.

Os músculos de Leila doíam e sua boca estava seca.

- Serão apenas três dias. – A morena murmurou para si. – Serão apenas três dias.

Batidas no vidro do carro fizeram Leila se sobressaltar e, por pouco, a outra crise não irrompeu.

- Serão apenas três dias. – Leila murmurou mais uma vez. – Serão apenas três dias.

- Querida. – Vera chamou pela filha. – Estou aqui para te ajudar.

Levou um tempo até que Leila conseguisse reunir forças para abrir os olhos e encarar a mamãe.

- Por favor, meu bem. – Vera insistiu. – Me deixe entrar.

Leila destravou as portas e pulou para o banco do passageiro.

Vera abriu a porta, entrou e sentou-se ao lado da filha.

- Podemos ir? – Vera perguntou para a filha.

A morena limitou-se a assentir.

Vera deu partida no carro e o colocou em movimento.

Leila recostou-se no banco mais uma vez e resmungou.

- Obrigada.

- Não precisa agradecer meu amor. – Vera falou. – É um prazer ajudar.

As duas permaneceram em silêncio durante longo tempo.

Vera pegou o caminho que levava para a Doctor Byte.

- Gostaria que andasse em círculos por um tempo. – Leila murmurou para a mãe. – Não estou pronta para ir para a loja.

- Está bem. – Vera fez conforme a filha pediu.

Leila vasculhou os bolsos e pegou um Fidget Cube.

- Serão apenas três dias. – Leila murmurou diversas vezes enquanto manipulava os botões do pequeno cubo.

Foi preciso que Vera dirigisse por quase duas horas para que Leila conseguisse se recuperar.

- Estou pronta. – Murmurou para mãe.

- Tem certeza? – Vera perguntou para a filha.

- Tenho sim. – Leila aprumou-se no banco e ajeitou os cabelos com a mão. – Raquel chegará ao seu destino em breve. – Guardou o Fidget Cube no bolso da calça e consultou o celular. – Além disso, Logan está preocupado comigo.

 

***

 

Logan consultou o relógio e torceu os lábios.

- Mamãe Leila já deveria ter chegado. – Reclamou para Karen.

- Não se preocupe garoto. – Bagunçou o cabelo do menino e sorriu. – Sua mãe está bem.

- Espero que sim. – Logan resmungou fazendo bico.

Tia e sobrinho estavam sentados lado a lado no balcão da Doctor Byte, fazendo um lanche.

Karen deu uma grande mordida em seu sanduíche e resmungou de boca cheia.

- Você é preocupado demais para um garotinho.

O bico de Logan aumentou.

- Não sou não. – Reclamou.

O menino largou o sanduíche, desceu do banco em que estava sentado e foi para o laboratório.

  – E já terminei de lanchar.

Seguiu para uma das bancadas de trabalho e alcançou um notebook.

Karen terminou de comer, limpou os dedos e os lábios com um guardanapo.

- A pequena maçã é idêntica a pequena árvore. – Resmungou para si.

Seguiu para o laboratório e recostou-se na soleira da porta.

- Pensei que gostasse de queijo quente. – falou para o menino.

Logan a ignorou.

Karen revirou os olhos.

- Tenho uma proposta. – Insistiu. – Eu lhe empresto meu telefone e deixo que envie uma mensagem para sua mãe.

Logan parou o que estava fazendo e voltou-se para a tia.

- Em troca. – Karen continuou. – Você volta para o balcão e termina de comer seu sanduíche.

- Trato feito. – Logan caminhou até Karen e estendeu a mão para ela.

Karen sorriu e apertou a mão para o sobrinho.

- Aqui está. – falou, entregando o telefone.

Logan pegou o aparelho e procurou pelo contato da mãe.

Escreveu uma mensagem e a enviou.

Esperou por um tempo, mas a resposta não veio.

- Tenho certeza de que ela está bem. – Karen puxou o menino para um abraço. – Agora. – Pegou o aparelho das mãos do menino e o levou de volta para o balcão. – Você precisa terminar de comer.

- Está certo. – Logan murmurou desanimado, deixando-se conduzir.

É toda recalcada, Alegria alheia incomoda. por Priscila_Cruz

Capítulo 22.

É toda recalcada, Alegria alheia incomoda.

 

- É um prazer poder encontrá-las pessoalmente. - Marcos foi afável ao cumprimentá-las. - O trabalho das duas foi muito bem recomendado.

- O prazer é nosso. – Solange sorriu para ele e estendeu-lhe a mão. – E, por falar nisso, estamos ansiosas para começar a trabalhar.

- Tudo tem o seu tempo. – Simone ronronou. – Marcos e eu cuidaremos de levá-las para o hotel e para almoçar. Somente quando estiverem acomodadas e satisfeitas voltaremos a pensar em trabalho.

- Desculpem a minha falta de tato. – Marcos deu um sorriso constrangido. – Permitam-me apresentar minha chefe, a senhora Simone. Ela é uma das acionistas da Resolute e a verdadeira responsável por trazer as senhoras até aqui.

- Tenho certeza que sim. – O sorriso de Solange se alargou. – Nós a conhecemos e sabemos do que ela é capaz. – Voltamos para a mulher, perguntou. – Como você está, Sisi?

- Estou bem, obrigada. – Simone com um sorriso matreiro. – E fico feliz por ver que você ainda se lembre do apelido carinhoso que nossos amigos de São Paulo me deram.

- Lembro-me de muitas coisas. – Solange piscou para Simone. – Prefere que eu relembre os bons momentos em ordem alfabética ou cronológica?

- Vocês já se conheciam? – Marcos foi incapaz de disfarçar o espanto.

- Não é óbvio? – Simone respondeu com doçura. – Somos velhas amigas.

- Pode apostar que sim. – Solange passou os braços em volta dos ombros de Raquel e a puxou para si. – Importam-se em cuidar de nossas malas? – perguntou para Simone e para Marcos. – Raquel e eu precisamos ir ao banheiro.

- É claro que não nos importamos. – Marcos deu outro sorriso constrangido. – Podem ir.

- Estaremos aqui. – Simone acrescentou. – Esperando por vocês.

Solange assentiu e afastou-se, levando Raquel consigo.

Esperou até as duas estarem distantes de Marcos e Simone para perguntar.

- Você está bem?

Raquel, que permanecera em silêncio durante todo o episódio, soltou um longo suspiro.

- Nunca imaginei que iria querer embarcar em uma TARDIS tanto quanto agora. – falou. – Se pudesse, voltaria no tempo e não assinaria aquele maldito contrato. Assim, não seria obrigada a reencontrar aquele embuste.

- Minha oferta ainda está de pé. – Simone abriu a porta do banheiro e empurrou Raquel para dentro. – E, para provar que falo sério, estou disposta a reconsiderar e dividir o pagamento da multa rescisória.

- Agradeço, mas não será necessário. – Raquel foi até a pia, abriu a torneira e lavou as mãos. – Viemos aqui para trabalhar e é o que vamos fazer.

- Tem certeza de que a presença da Víbora não fará mal a você?

- É claro que fará. – A loira molhou os pulsos e o pescoço. – Será impossível não relembrar os maus momentos. Mas, não quero que Simone pense que ainda tem algum tipo de poder sobre mim.

 - Está certo. – Solange torceu os lábios. – Vai contar a Leila que a Víbora está aqui?

- Sim. – Raquel voltou-se para Solange e completou. – Não escondo segredos de Leila.

- Acha que ela vai conseguir levar tudo numa boa? – Solange perguntou. – Eu não me sentiria confortável se estivesse no lugar dela.

- Leila sabe que eu a amo. – Raquel respondeu. – Vamos ficar bem.

- Espero que esteja certa. – Solange murmurou.

A porta do banheiro se abriu e Simone colocou a cabeça para dentro.

- Meninas? – perguntou. – Está tudo bem com vocês?

- Não poderia estar melhor. – Raquel cruzou os braços e ergueu o queixo. – Estamos prontas para ir.

- Excelente. – Simone escancarou a porta e deu passagem para as duas. – Bem-vindas ao Espírito Santo.

- E que Deus nos acuda. – Solange resmungou.

 

Nota da autora. por Priscila_Cruz

Pessoas, me desculpem.

Mas estou em crise outra vez.

Assim que possível eu volto.

Nota da autora (número 2) por Priscila_Cruz

 

Olá minha gente.

 

Me desculpem por demorar a aparecer.

Para ser sincera eu pretendia retornar com um capítulo escrito. Mas, ainda não foi possível. Na verdade, muita coisa não tem sido possível.

Ainda não consegui melhor. E, dessa vez, a coisa foi mais incapacitante do que eu estava esperando. Quem me segue nas redes sociais deve ter percebido que eu não tenho postado quase nada. Só algumas bobagens e piadas que (muitas vezes) só eu acho graça.

Não estou desenhando.

Não estou escrevendo.

E não sei o que está acontecendo.

 

Agradeço por ninguém ter me escrito pedindo um capítulo novo.

 

Sei que estou muito atrasada e agradeço por contar com a compreensão de todos.

 

Espero estar bem de novo em breve.

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