Desejo e mentiras - degustaÇÃo por Anna Straub
Summary:

Olá queridas leitoras, o livro Desejo e Mentiras está em sua versão completa com 18 capítulos à venda nas versões digital e física e gratuito para kindle unlimited.


Deixo aqui uma degustação contendo os 9 primeiros capítulos da história, acessem o meu perfil no Instagram @anna_straub75 para conhecer um pouco mais do meu trabalho e ver o que as pessoas que leram acharam do livro além de ter acesso aos links para o livro digital e físico.


 


Muito obrigada e espero vocês lá


 


SINOPSE 


 


Já se perguntou porque todo desejo vira mentiras? Ou será melhor não saber a resposta?


 


Jackie e Alicia se envolveram em um jogo perigoso de paixão, desejo, sexo e mentiras, um jogo de encontros e desencontros onde a dor e o prazer eram inevitáveis, mas o sentimento de que uma pertencia tão profundamente a outra e que nenhum outro estado afetaria isso as deixava confortáveis até que tudo mudou.


 


"Um triângulo Amoroso explosivo e uma história que irá ter surpreender do início ao fim"


Literatura do gênero hot, vocês lerão muitas cenas de sexo, portanto só sigam com a leitura se realmente estiverem preparadas!


Categoria: Romances Characters: Original
Challenges:
Series: Nenhum
Capítulos: 9 Completa: Sim Palavras: 42820 Leituras: 25757 Publicada: 06/07/2020 Atualizada: 12/10/2020

1. Capítulo 1 - Sessão de Fotos por Anna Straub

2. Capítulo 2 - O Dia Seguinte por Anna Straub

3. Capítulo 3 - Lembrançs de Alicia por Anna Straub

4. Capitulo 4 - A Mulher Misteriosa por Anna Straub

5. Capítulo 5 - Jogo Perigoso por Anna Straub

6. Capítulo 6 - O Inevitável por Anna Straub

7. Capítulo 7 - O Começo de Tudo por Anna Straub

8. Capítulo 8 - Aquela Noite por Anna Straub

9. Capítulo 9 - De Volta a Boate por Anna Straub

Capítulo 1 - Sessão de Fotos por Anna Straub
Notas do autor:

 

Aqui se inicia a história de Jackie e Alicia em seus encontros e desencontros pela vida, muito desejo, paixão, mistério e muitas mentiras envolvem a vida delas, do gênero hot, vocês lerão muitas cenas de sexo, portanto só sigam com a leitura se realmente estiverem preparadas!

 

 

Espero que gostem e boa leitura!

 

 

São Paulo, tempos atuais

Olhei pela janela no rápido intervalo para as últimas fotos de a campanha publicitária de lingerie que comecei as duas da tarde, enquanto a modelo ajeita os cabelos louros e longos vejo que a noite chegou e uma tempestade parece se aproximar, nossa até que enfim o dia acabou, hoje particularmente me sinto exausta, creio que fiz mais de trezentas fotos da modelo, minhas roupas eram sempre confortáveis mas aquela hora tudo já estava me incomodando, eu usava um jeans, uma camisa preta de tecido leve, mangas compridas que estavam arregaçadas até acima dos cotovelos, o que dava para ver meus braços totalmente tatuados e com botões abertos até parte dos meus seios aparecerem levemente, nos pés um coturno, meus cabelos pretos e lisos estavam amarrados em um coque para não atrapalhar no manuseio da máquina fotográfica. Então escuto Laura, a modelo me chamar, acho que ela deve ter me chamado umas três vezes até eu escutar porque eu realmente estava hipnotizada pelos raios que cortavam o céu.

 

- Jackie, estou pronta, vamos lá? Já não aguento mais esses saltos, pelo amor de Deus quem consegue usar isso o dia todo? Meus pés parecem que nem existem mais, não consigo senti-los, isso é normal ou amanhã não vou conseguir levantar da cama – disse soltando uma gargalhada.

 

- Ok Laura, vamos lá, agora falta pouco e fique tranquila, amanhã você ainda terá pés não se preocupe – falei com um sorriso sacana.

 

- Agora fique de costas, quero umas fotos mais sensuais, incline seu corpo para frente e coloque os cabelos para um dos lados e vire sua cabeça lentamente, quero ver uma cara de desejo, morda o canto dos lábios, isso, está ótimo, vamos novamente, para o outro lado agora, quero pegar em movimento, isso, ótimo.

 

Laura é uma mulher de se dar inveja, já fiz diversos trabalhos com ela, é fotogênica demais e extremamente sexy, tem um corpo que parece ter sido esculpido, ela é dona de belíssimas curvas e uma bunda que deixaria qualquer um louco por ela, para esta sessão ela estava usando peças da nova coleção de lingerie de uma marca relativamente nova, mas que já ocupou seu espaço no mercado, as peças são verdadeiros acessórios para o corpo, a própria marca diz que seu propósito é adornar mulheres de espírito livre e autênticas. A peça final do dia é um conjunto em renda preta praticamente transparente, dava para identificar claramente os bicos de seus seios, era tão ousada quanto luxuosa e estava contrastando com seu corpo quase alvo, por mais que eu estivesse acostumada a fotografar mulheres fantasticamente lindas, Laura era gostosa e isso me tirava um pouco da concentração não tenho como negar, ela estava apenas de lingerie com sapatos de salto altíssimos também pretos, a calcinha na parte de trás era apenas um fio o que deixava a visão de sua generosa bunda ainda melhor, senti um calor subindo pelas minhas costas até chegar ao meu pescoço e minhas mãos suadas, mas rapidamente me recompus, afinal era meu trabalho e eu tinha que me manter profissional e concentrada.

 

De fato não me atraio muito pelas loiras, acho que as morenas tem um “quê” a mais, elas normalmente já tem uma aura tão sexy, sem precisar de nenhum esforço, principalmente as latinas... há as latinas, melhor eu parar de pensar preciso terminar essas fotos, estou exausta.

 

- Só mais duas Laura, assim, vira pra esquerda agora, vamos terminar – peguei uma cadeira preta e coloquei em frente ao painel de fundo que era em veludo vermelho carmim.

 

- Vamos fazer mais algumas aqui para terminar, senta na cadeira de frente para mim, abra um pouco as pernas , abaixa seu tronco, deixa os cabelos caindo do lado direito, isso, curva mais um pouco o corpo, vamos Laura pensa em algo que te excita, preciso de uma cara provocadora agora, preciso de um olhar matador.

 

Todo o estúdio estava escuro e apenas um canhão de luz iluminava a cadeira onde Laura estava sentada, esse facho de luz criava sombras mágicas sobre suas curvas e ela levou a sério e acho que ela realmente estava excitada, impossível fazer aquela expressão, ela tinha um olhar quente, seus olhos verdes estavam mais escuros, ela passou a língua levemente sobre os lábios cobertos por um vermelho intenso e mordeu o canto, sua fisionomia havia mudado completamente. Eu já havia feito todas as fotos, mas ela permanecia com aquele olhar em minha direção, fiquei parada com a máquina fotográfica em minhas mãos e meus olhos vidrados nela, foram alguns longos segundos de troca de olhares entre mim e Laura, eu já podia sentir uma gota de suor descer por entre meus seios até que respirei fundo, enchendo meus pulmões de ar até estufar meu peito, meu corpo ficou ereto até eu liberar todo o ar de forma lenta sem que tivéssemos desviado nossos olhares quando de repente meu telefone que estava no bolso da calça tocou acabando com o clima, Laura rapidamente se levantou e foi direto para o pequeno camarim que havia no estúdio com uma expressão de decepção, ela estava com aquela maldita lingerie e quando virou de costas pude ver novamente o quão gostosa ela é, mas não vou negar que foi em boa hora, se me conheço bem aquele clima entre eu e Laura iria terminar em uma sessão de desejo, tentação e sexo selvagem, eu nunca tive conhecimento de que Laura curtia sair com mulheres, nunca tratamos deste tipo de assunto, mas aqueles olhares que trocamos eram de puro desejo.

 

O telefone ainda tocava enquanto eu via Laura indo para o camarim e eu ainda sob o efeito daqueles olhares travava uma briga feroz para conseguir tirar o celular do bolso justo da calça, atendi com uma voz meio ofegante e rouca, era minha melhor amiga Alex, imagina uma pessoa completamente maluca, extrovertida, linda com um humor impar e boca suja, essa é Alex, com um pouco mais de 1,70 metro de altura, magérrima, praticamente não se reparava em seus seios, cabelos castanho claro e extremamente curto, totalmente tomboy, quando saímos as meninas ficavam loucas por ela, com todo esse jeito ela era muito sexy e sempre se maquiava muito bem o que dava um contrate imenso com seu jeito e deixava as pessoas sem saber exatamente se ela era mulher e ela se divertia demais com isso, afinal ela é original.

 

- Fala lésbica delícia – falou Alex ao telefone.

 

- Oi Alex – falei com a voz baixa, trêmula, ofegante e meio rouca.

 

- Filha da puta, você estava trepando né? Que porra de voz é essa? Fala anda, quem foi a vítima hoje? – Alex falou dando uma gargalhada.

 

- Cala a boca Alex, você fala muita merda – fui me afastando em direção a janela, lado oposto ao camarim onde Laura estava se trocando para que ela não escutasse minha conversa.

 

- A tá Jackie, você não me engana, essa sua voz de sexo dá pra identificar a quilômetros de distância, fala, anda, onde você está, com quem você está, me conta tudo, quero todos os detalhes até os sórdidos – falou soltando outra gargalhada.

 

- Porra Alex, estou no estúdio trabalhando, terminei a sessão da Laura agora e estou cansada só isso.

 

- Você está cansada porque deve ter trepado com a Laura por horas a fio, eu sabia que um dia você não iria resistir a loira e atacaria ela, meu Deus Jackie você está a tanto tempo sem sexo para sair com loira agora? Se te conheço bem das vezes que vi você com uma loira você estava mais bêbada que um porco, não seria capaz de diferenciar uma mulher de um cachorro – Alex gargalhava do outro lado da linha, eu podia imaginar sua reação.

 

- É sério agora, eu preciso desligar, Laura já deve estar terminando de se trocar para ir embora e eu também gostaria de ir para minha casa, estou exausta hoje – falei calmante.

 

- Nossa Jackie você não é mais a mesma de antes, precisamos sair mais e você precisa trabalhar menos, enfim, eu te liguei para dizer que amanhã é sexta e que a Lena me ligou e disse que vai inaugurar uma boate nova e claro que precisamos ir, então nem me venha com desculpas, se apronta amanhã passo na sua casa pra te pegar as vinte e duas horas – falou com um tom intimidador.

 

- Tá bom Alex, vemos isso amanhã agora eu realmente tenho que desligar – eu já via Laura saindo do camarim e pegando seu sobretudo e sua bolsa para ir embora.

 

- Tudo bem, mas nada de desculpas, amanhã você vai sair conosco nem que seja arrastada, se o que aconteceu aí hoje não foi sexo se prepare para trepar horrores amanhã, disseram que o lugar será absurdamente excitante, um beijo sua vaca, falamos amanhã.

 

Enquanto terminava a ligação com Alex pude ver Laura saindo do camarim, agora totalmente vestida, mas sua calça era tão justa que o volume de sua bunda ainda era tentador, mas ela realmente não estava com uma cara das melhores, parecia desapontada e um tanto puta por meu telefone ter tocado em uma hora totalmente errada. Bem eu não tocaria no assunto com ela, fingiria que nada aconteceu, então desliguei o telefone e fui caminhando em direção a ela que já havia vestido seu sobretudo e já estava com a bolsa nas mãos de frente a porta de saída, cheguei devagar tocando seus cabelos de forma delicada para me despedir e praticamente para minimizar a situação estranha que ficou com aqueles olhares e depois o telefone tocando e tudo indo por água abaixo, deslizei meus dedos de forma gentil sobre os cabelos de Laura que estava com a cabeça baixa, parecia não querer encontrar meus olhos novamente.

 

- Laura, me desculpe pelo que aconteceu - falei baixo bem próximo a sua orelha, ainda com as mãos em seu cabelo.

 

 Laura levantou um pouco o olhar até encontrar os meus olhos novamente e em seu olhar já não estava mais com aquela aura excitante e sim desapontada, ela suspirou profundamente antes de falar.

 

- Suas desculpas foram pelo telefone ter tocado, não é? – falou de forma para que tivesse certeza que eu não estava me desculpando pelo clima excitante em que estávamos antes do maldito telefone tocar.

 

- Sim, Laura minhas desculpas são pelo telefonema – falei com malícia na voz esperando para ver qual seria sua reação.

 

Pude ver seus olhos brilhando novamente e um sorriso sacana surgiu no canto de sua boca, dando uma leve mordida em seus lábios, estávamos ali paradas na porta novamente em uma atmosfera totalmente sexual, eu podia sentir seu hálito doce de tão perto que nossas bocas estavam, minhas mãos já estavam suando e meu corpo estava novamente quente, mas o que Laura estaria querendo? Já trabalho com ela a mais de um ano e esse clima nunca tinha rolado, está certo que muitas das vezes não estávamos somente nós duas, sempre havia outras modelos, a equipe da agência, maquiadores, enfim, será que ela já me observava e eu nunca havia percebido? Não creio muito pois eu tenho uma sensibilidade para isso que até me irrita, mas então o porquê desse desejo repentino de Laura por mim? Eu com certeza jamais farei essa pergunta a ela e só saberei se ela um dia resolver me falar.

 

- Jackie, não é de hoje que você me enlouquece, há tempos que sinto um desejo profundo por ser possuída por você, é um desejo carnal, uma coisa incontrolável, eu nunca me envolvi com nenhuma mulher, mas quando olho para você, seu corpo, suas mãos habilidosas manuseando sua máquina fotográfica e sua boca sensual eu simplesmente tenho vontade de me jogar em seus braços e me render ao prazer – falou com a voz baixa quase sussurrando e cheia de tesão e desejo.

 

Confesso que fiquei parada olhando a loira por alguns segundos tentando digerir tudo que ela acabara de me dizer, eu não tinha condição nenhuma de pensar em nada além de simplesmente possui-la naquele momento, já sentia meu sexo quente, eu definitivamente já estava toda molhada e muito, mas muito excitada, eu só conseguia olhar para sua boca quando em um ato diabólico Laura passou a língua deixando-os úmidos como se suplicasse pela minha boca junto a dela. Agora não adiantava mais pensar, a partir daquele momento não haveria mais a razão em nossas mentes, apenas o desejo e a luxúria que tomava conta de nossos corpos.

 

Minhas mãos ainda estavam tocando delicadamente seus cabelos, mas em um ímpeto após ouvir suas palavras e sentir seu corpo vibrando junto ao meu, segurei seus cabelos com força junto a sua nuca e levei meus lábios com desejo ao encontro de seu pescoço alcançando seu ponto de pulso, ela colocou a cabeça levemente para o lado me dando a entender o consentimento no que eu estava fazendo, senti ela arfar respirando em um ritmo fora do normal, e soltando um leve gemido.

 

- oh, Jackie – ouvi de forma prazerosa saindo de seus lábios.

 

Logo envolvi minhas mãos em sua cintura e de forma abrupta trouxe seu corpo gostoso mais próximo ao meu enquanto ainda estava com meus lábios em seu pescoço, podia sentir seu corpo totalmente encostado ao meu, podia sentir seu corpo estremecendo e pequenos gemidos saindo de seus lábios bem baixinho.

 

- Jackie, ouvi ela sussurrar em meu ouvido.

 

Eu continuei deslizando minha língua por todo seu pescoço passando pelo lóbulo de sua orelha onde chupei com mais força fazendo Laura gemer, eu já podia sentir suas unhas cravadas em minhas costas, subi minha língua novamente pelo seu pescoço passando pelo seu queixo até alcançar seus lábios carnudos e tão quentes, podia sentir seu hálito quente e sua respiração ofegante entre gemidos, minhas mãos desceram de sua cintura em direção a sua bunda, há... como eu queria tocar aquela bunda tão gostosa, apertei com força até ela soltar um gemido mais forte e logo levei minha língua aos seus lábios, suguei seu lábio inferior com força e ela magicamente abriu uma pequena fração de sua boca como se pedisse que eu a beija-se, mas continuei a lamber seus lábios, dando pequenas mordidas, porra isso estava me enlouquecendo também, eu sentia meu corpo vibrar, eu já estava fodidamente molhada e tinha certeza que ela também estava.

 

- Me beija logo, não aguento mais – disse Laura colocando sobre mim aquele olhar malicioso e quente e cravando ainda mais suas unhas em minhas costas.

 

Logo levei minha boca de encontro a dela a tomando em um beijo intenso, nossos lábios roçavam de forma a quase se machucarem, minha língua invadiu sua boca serpenteando junto a dela em um beijo quente e excitante, Laura estava com tanta vontade quanto eu, nossos corpos estavam dizendo isso, logo o seu corpo se chocou de encontro ao meu fazendo eu sentir em minhas costas a parede fria, soltei um gemido de prazer.

 

- Laura, não estou aguentando eu quero você agora – falei com a voz embargada em desejo.

 

- Shiii, hoje eu mando em você, faremos apenas o que eu quiser, Jackie, do meu jeito – Laura falou olhando dentro dos meus olhos e segurando meus dois braços pelos pulsos.

 

Confesso que não esperava isso dela, fiquei chocada ela queria dominar a situação e eu fiquei sem reação, eu normalmente dominava sempre, eu tinha sempre as mulheres aos meus pés, não admitia ser dominada, mas aquilo foi tão espontâneo partindo dela que resolvi deixar e ver onde aquilo ia dar.

 

- E o que acha que vai fazer comigo Srta Laura? – perguntei com um sorriso malicioso.

 

- Você fará comigo Jackie, mas do jeito que eu quiser.

 

- E o que você quer Laura? Perguntei de forma sarcástica

 

- Quero que me foda Jackie, que me foda intensamente.

 

 

Notas finais:

Calma meninas, curiosas?

 

Deixo aqui um pouco de imaginação de como foi a noite entre Jackie e Laura! conto tudo no próximo capítulo, prometo!!

 

Mais uma coisa, calma que a Alicia ainda não apareceu na história, tenham paciência, não vão se arrepender, beijos !!! até a próxima...

Capítulo 2 - O Dia Seguinte por Anna Straub
Notas do autor:

 

Olá Pessoal, tudo bem com vocês? bem, vamos lá para mais um capítulo e a partir deste capítulo farei menção a várias músicas que irão dar um clima especial a diversas cenas, então vou deixar abaixo a lista das músicas e um aviso no texto onde deve ser iniciada cada uma delas,ok? 

Música 1 - Supermassive Black Hole - Muse

Música 2 - Money Can't Buy it - Annie Lennox

Música 3 - Earnet It - The Weeknd

Música 4 - Love is a Bitch - Two Feet

Música 5 - Glory Box - Portshead

 

 

Maldito telefone, eu ouvia que estava tocando em algum lugar, mas não o encontrava, tateava minha cama, no meio dos lençóis que me enrolavam, levantei os travesseiros, porra eu estava dormindo, quem liga para alguém a essa hora da manhã?  O quarto ainda estava um tanto escuro, olhei em direção a janela, mas a cortina estava fechada, levantei puxando os lençóis para tentar encontrar aquele maldito celular que não parava de tocar, se for a Alex de novo eu juro que a mato, até que puxei um dos lençóis e o celular caiu no chão, me abaixei para pega-lo, meus pés se enroscaram em um dos travesseiros que estavam no chão e quase caí.

 

- Eu não acredito que meu dia vai começar desse jeito, falei irritada atendendo ao telefone.

 

- Alô vadia, boa tarde – disse Alex com aquele seu humor de sempre.

 

- Porra Alex, não sei por que, mas eu tinha certeza que era você, isso é hora de ligar para alguém? Ainda está escuro, eu estava dormindo e quase caí para pegar a porra do celular.

 

- Jackie, você está bem? Bebeu demais ontem à noite né? São quase onze horas da manhã sua louca – falou rindo muito.

 

- Como assim onze horas, está maluca? – falei indo em direção a janela e abrindo a cortina, de repente aqueles raios de sol quase me cegaram, não era mais noite, merda.

 

Merda, merda, merda eu não podia ter dormido tanto assim, preciso ir para o estúdio, tenho todas as fotos da sessão de ontem com a Laura para retocar e enviar para a agência ainda hoje. Por uma fração de segundos lembrei do que aconteceu na noite anterior com Laura no estúdio, soltei um leve sorriso para logo sentir minha cabeça doer na hora, tipo uma pontada bem na lateral, na têmpora, levei meus dedos fazendo uma leve pressão para ver se diminuía, mas eu estava escutando uma voz longe me chamando, nossa a Alex, esqueci ela no celular falando sozinha pensei rindo.

 

- Desculpa Alex, eu não tinha ideia que já era tarde, para mim ainda nem havia amanhecido e estou bem fodida, tenho todas as fotos de ontem para tratar e mandar para a agência hoje – falei querendo desligar.

 

- Jackie, que horas você saiu daquele maldito estúdio ontem? Passei em frente já eram mais de três da manhã e vi algumas luzes acessas – falou com uma certa curiosidade na voz.

 

- Nem lembro que horas eu saí, só lembro que ainda estava escuro – falei com um tom de satisfação.

 

- Haaa, eu sabia, estava trepando, eu sabia que você não ia deixar aquela loira gostosa ir embora sem se aproveitar dela, você não tem jeito mesmo Jackie, não pode ver uma boa bunda sem colocar suas mãos nela – Alex ria tanto que até eu comecei a rir.

 

- Não é nada disso que você está pensando, não é bem assim – falei tentando me convencer que Alex estava errada, mas no fundo eu realmente não poderia deixar passar uma bunda daquelas, ri em minha mente.

 

- Jackie é o seguinte, acho melhor você se curar dessa ressaca de boceta porque você está péssima e tem compromisso a noite comigo e nem me venha com desculpas então vê se vá tomar um banho gelado, e vá se preparando porque quero saber de cada fucking detalhe do que fez com a coitada da Laura ontem, vou desligar agora, tenho que comprar uma lingerie especial para a noite, sério, Lena hoje não me escapa, passo para te pegar aí as dez horas, ok?

 

- Tá bom Alex, agora me deixa tomar meu banho e trabalhar – falei já desligando o celular.

 

Meu Deus, Alex é uma pessoa maravilhosa, mas as vezes é irritante e sempre, sempre liga nas piores horas, mas vamos lá preciso mesmo de um banho gelado, preciso despertar já que devo ter dormido no máximo seis horas depois da noite prazerosa.

 

Caminhei em direção ao meu banheiro, esticando meus braços acima da cabeça para me alongar, deixando para trás minha enorme cama com lençóis macios e vários travesseiros onde com certeza eu ficaria hoje o dia todo largada, tirei a camiseta e a calcinha, adoro dormir assim, nada me apertando, apenas uma larga e surrada camiseta de algodão sobre o corpo, quando olho no espelho e vejo meus cabelos totalmente desgrenhados, arregalei os olhos para ver se eu estava dormindo ou se aquilo estava ali mesmo e assustada notei a quantidade de arranhões que haviam nos meus dois ombros, passei os dedos sobre eles que ainda estavam doloridos e avermelhados, Laura definitivamente havia acabado comigo, fiquei alguns segundos em frente do espelho olhando aquilo e lembrando das loucuras que fizemos na noite passada e abri um pequeno sorriso de canto e dizendo para mim mesma:

 

- Jackie, Jackie, você não tem jeito mesmo, mais uma noite que você se acaba em bebida e sexo.

 

Liguei o chuveiro deixando a água quase totalmente gelada, eu precisava despertar e só a água gelada faria o sangue circular rapidamente pelo meu corpo me dando a energia que eu precisava, o dia ainda seria longo e a noite pelo jeito também. Me pus abaixo da água que caía deixando meu corpo totalmente arrepiado, fechei meus olhos e encostando minhas duas mãos espalmadas na parede a frente do box, deixando aquela água toda correr pelas minhas costas, era uma sensação de alívio, mas ao mesmo tempo eu sentia todos os arranhões queimando, Laura definitivamente havia acabado comigo.

 

Depois de praticamente belos vinte minutos de banho desliguei o chuveiro, já se passava do meio dia, abri o box peguei minha toalha macia e me sequei lentamente sentindo cada centímetro do meu corpo pulsar, eu estava pronta para o dia que começaria, caminhei ainda descalça e com a toalha em volta do corpo até o quarto, em direção ao guarda roupas para me vestir, respirei fundo e resolvi nem abusar de roupas justas hoje, minhas costas e meus ombros estavam em frangalhos, escolhi uma blusa branca de mangas curtas com tecido leve e que eu pudesse usar sem sutiã e que ficava solta em meu corpo, um jeans um pouco mais justo e meu inseparável coturno, dei uma olhada no espelho e até que estava bom, um pouco informal e despojado, mas hoje não receberia ninguém no estúdio, iria apenas trabalhar nas fotos de ontem então nada melhor que estar totalmente confortável, terminei de me vestir, dei uma sacodida nos cabelos, passei pela fruteira pegando uma maçã, peguei minha bolsa, as chaves e saí, meu apartamento ficava a menos de meia hora de caminhada até o estúdio.

 

(play na música 1)

Enquanto descia as escadas de prédio e antes de chegar à rua, já peguei meus fones de ouvido, eu precisava que meu dia fosse bom depois de ter acordado daquele jeito, fones plugados, ok, agora uma playlist, bem pra acordar vamos de MUSE, play e música foda pra começar o dia, abri a porta do prédio e logo já estava na rua caminhando em direção ao estúdio com fones nos ouvidos e comendo minha maçã, eu estava disposta a ter um dia muito bom, apesar de ter sido acordada pela maluca da Alex, lembrava de algumas cenas da noite com Laura e ria sozinha pela rua, notava que algumas pessoas me olhavam de canto de olho, mas tudo bem, eu já estava acostumada, quase chegando no estúdio a menos de uma quadra e lá está, minha cafeteria preferida, Le Café, meus olhos até brilharam quando avistei Lucas o dono da cafeteria e meu amigo de tempos abaixado em frente a uma placa tipo lousa negra escrevendo as delícias do dia do Le Café.

 

Aproveitei que ele estava de costas e fui chegando bem devagarzinho e logo coloquei meus braços em volta de seu pescoço e lhe dando um beijo no rosto, senti ele sorrir no mesmo momento.

 

Luc como gosto de chama-lo é um grande amigo desde a época de nossa adolescência, ele tem uma alma tão linda, é doce, generoso e amigo confidente, coitado ele já me aguentou tantas vezes na vida em minhas crises existenciais, minhas bebedeiras por causa de mulher que ele merecia um prêmio, além de ser lindo, aquele cabelo lisinho castanho claro com uma pequena franja que cai sobre seus olhos verdes e aquele corpão definido e com quase 1,90m e uma voz suave e calma que deixa homens e mulheres tão loucos por ele e sim Luc é bissexual, na verdade ele gosta de pessoas o resto é só detalhe como ele mesmo gosta de dizer, se tiver “química” o resto é só o resto.

 

- Ai que saudades de você sua chata, o que aconteceu essa semana que você nem passou por aqui hein? – falou Lucas se virando para mim e com um sorriso generoso que aquece qualquer coração partido.

 

- Luc, precisamos de umas três horas de conversa para eu te dizer só o que aconteceu a noite passada imagina o resto da semana – falei com um sorriso sacana.

 

- Nem vem Jackie, você sabe que morro de curiosidade por favor, me diga tudo, vamos entrar e tomar um café, ou almoçar? Nossa nem vi a hora passar hoje.

 

Olhei para o relógio e já eram quase treze horas e eu lembrei que além de trabalhar nas fotos de Laura, Alex ainda queria sair a noite e já pisei na bola com ela das últimas vezes e não poderia fazer isso novamente. Eu não poderia ficar muito tempo com Luc e quando começamos a falar o tempo simplesmente some, e não poderia falar nem metade do que havia acontecido na noite passada.

 

- É sério me amor, eu estou totalmente fodida hoje, acordei tarde e tenho que tratar umas fotos que fiz ontem para enviar para a agência hoje e a Alex quer sair a noite e não posso mais dizer não para ela, só na última semana deixei ela na mão duas vezes.

 

- Há, então é assim vai sair com Alex e me deixar morto de curiosidade? – falou Luc com cara de dó.

 

- Não Luc, jamais te deixaria curioso, até porque agora o Senhor vai me mandar mensagem de dez em dez minutos até eu te contar tudo – falei e logo soltei uma gargalhada.

 

- Vamos fazer o seguinte, que tal sair conosco a noite e eu prometo que te conto tudo, ou melhor a Alex vai me pegar as vinte e duas horas em casa, que tal você chegar lá as vinte horas e bebemos algo e conversamos antes de sair?

 

- Agora sim garota, fofoca com hora marcada – falou Luc dando uma gargalhada tão alta que alguns clientes de dentro do café olharam.

 

- Mas afinal onde a maluca da Alex quer te levar? Aposto que deve ser mais algum antro de perdição ela só pensa em sexo e você também não fica longe, tenho até medo de chegar nesse lugar e as mulheres estarem com aquelas roupas de couro, com algemas e amordaçadas implorando para apanhar – falou soltando outra gargalhada.

 

- Não Luc, para com isso, pelo que ela me falou foi a Lena que ficou sabendo que tem uma nova Boate abrindo hoje, mas de fato não sei mais detalhes, vamos ter que descobrir juntos.

 

- Está bem Srta. Jackie, estou mesmo precisando relaxar um pouco, seja lá o que for espero que tenha música e bebida, assim pelo menos quando você sumir porque se atracou com alguma mulher eu fico de boa, então te encontro as vinte horas em seu apartamento e não se esqueça que vai ter que me contar tudo, exatamente tudo que aconteceu na noite passada.

 

Me despedi de Luc com um longo abraço para logo seguir ao estúdio, aproveitei e peguei na cafeteria um copo gigante de café preto, acho que tem meio litro desse líquido preto amargo e delicioso em minhas mãos, mais alguns metros e eu já chegava ao local onde fica meu estúdio, um prédio de dez andares da década de 1950 na área central da cidade. Respirei fundo para o exercício do dia já que o estúdio fica no sétimo andar e nem fodendo eu entro nesse elevador antigo com portas pantográficas de ferro, tenho verdadeiro pânico de elevadores principalmente esse que parece que vai despencar a qualquer momento tipo em filme de terror sabe, quando a mocinha está fugindo, dá de cara com o elevador e todo mundo sabe que vai dar merda mas ela entra mesmo assim e a porra do elevador despenca, aff pra mim não dá, prefiro me torturar, chegar sem nenhum pouco de ar nos meus pulmões mas subir pelas escadas mesmo.

 

Depois de sei lá mais de cem degraus até o sétimo andar lá estava eu em frente a porta do estúdio, mas estava morta, exausta e sem ar, abaixei meu tronco colocando minhas mãos nos joelhos tentando achar ar em algum canto, depois de quase um minuto nessa posição peguei as chaves na bolsa para entrar e quando abri a porta me deparei com uma cena de absoluto caos, tinha de tudo jogado no chão, roupa, garrafa de vinho, todas as almofadas do meu sofá e uma calcinha de renda preta, parei de frente para tudo aquilo e comecei a rir e só conseguia pensar que realmente a noite havia sido ótima, mas enfim eu tinha que me concentrar no trabalho, tinha que entregar o material até as dezessete horas e já eram quase quatorze horas, eu teria apenas três horas para tratar todas as fotos e escolher as melhoras para enviar para a agência, já havia recebido duas mensagens no celular da dona da agência me lembrando que precisava do material hoje sem falta. Rapidamente recolhi as coisas jogadas pelo chão enquanto meu computador ligava, hoje vai ser difícil nem sequer consegui almoçar, peguei umas castanhas que guardo no estúdio e resolvi comer aquilo mesmo, pelo menos me daria um pouco de energia e a noite antes de sair como alguma coisa com o Luc em casa.

 

E como não há vida sem música, vamos para a playlist do momento, quando faço o tratamento e a separação das fotos gosto de colocar uma playlist que tem haver com o tipo de fotografia que fiz, assim o clima fica perfeito pra que eu escolha as melhores imagens, parece que cria uma clima, uma atmosfera e consigo mais do que ver, sentir as imagens. No caso da sessão de ontem eu precisava com certeza de músicas quentes, com um som envolvente e sexy, afinal eram fotos de uma mulher vestida apenas com lingerie.

 

(play na música 2)

 

Computador ligado, fotos descarregadas e som ligado, já começando com uma música que eu gosto muito e tem tudo haver com as fotos de ontem, abri as imagens e comecei observa-las uma a uma procurando as que eram perfeitas, as que passavam a sensação de desejo, afinal esse foi a encomenda que fossem fotos sensuais que emanassem desejo, paixão e luxúria. Comecei olhar uma por uma, algumas fui descartando e separando outras quando me deparei com as últimas fotos daquela sessão, no exato momento que minha playlist me traiu tanto quanto aquela imagem a minha frente.

 

Eu estava vendo pela primeira vez as fotos finais onde Laura já estava com um desejo intenso, essas fotos com certeza passavam a verdade em seu olhar, na postura e inclinação de seu corpo, no quanto sua boca estava entreaberta, eu podia sentir o desejo exalar pelos poros dela através de uma fotografia, tenho certeza de que essa será escolhida pela agência, fiquei com os olhos fixos nessa imagem lembrando da noite de prazer que tivemos, virei a cabeça lentamente olhando para o sofá ao lado de minha mesa e tudo foi ficando em câmera lenta até que em alguns segundos eu já estava perdida nas lembranças, eu podia sentir o cheiro doce de seu perfume...

 

(Play na música 3 e 4)

 

- E o que acha que vai fazer comigo Srta Laura? – perguntei com um sorriso malicioso.

 

- Você fará comigo Jackie, mas do jeito que eu quiser.

 

- E o que você quer Laura? Perguntei de forma sarcástica

 

- Quero que me foda Jackie, que me foda intensamente.

 

Eu ainda estava com as costas na parede e Laura com seu corpo totalmente colado ao meu, mas depois de suas palavras perdi o juízo totalmente, já que começamos agora vamos até o fim Srta. Laura, pensei já segurando em sua cintura e a arrastando em direção ao sofá, sem pensar comecei a tirar sua roupa, joguei o caso de lado e comecei a abrir os botões de sua blusa, seu jeans era tão justo que ela me ajudou a tira-lo e quando olhei ela estava com a mesma lingerie das fotos, sentei no sofá a afastando um pouco para admirar aquele corpo tão gostoso e perfeito, suas coxas grossas, sua barriga lisinha e aqueles seios que eu queria em minha boca, Laura então deu um sorriso sacana e lambeu seus lábios e com as mãos jogou seus longos cabelos loiros para o lado,  joguei as almofadas no chão e bati em minha perna para que ela sentasse em mim.

 

Laura arqueou seu corpo em direção ao meu rosto, chegando tão perto que eu sentia seu hálito doce, nossos lábios se tocaram levemente e ela virou o rosto chegando com sua boca bem perto de meu ouvido.

 

- Eu já disse que eu mando em você hoje – sussurrou com uma voz rouca cheia de desejo.

 

- Agora tira sua roupa para mim, é minha vez, quero você completamente nua para mim.

 

Eu fiquei alguns segundo olhando para ela que se afastou um pouco para me ver tirar totalmente minha roupa.

 

- Agora se senta novamente – ela disse me empurrando para o sofá.

 

Seus olhos eram puro desejo, pareciam estar em chamas, assim que sentei ela continuou me olhando, ela analisava cada centímetro do meu corpo até que veio em minha direção chegando bem próxima, e simplesmente se virou de costas.

 

- Filha da puta – disse pensando em como aquela bunda era gostosa, ela fez de proposito provavelmente sabia o quanto eu já havia admirado suas curvas volumosas.

 

- Gosta do que vê Jackie? Passou toda a tarde admirando e agora?

 

Eu nem pensei duas vezes, coloquei minhas mãos em sua bunda, agarrando e fazendo uma leve pressão.

 

- Isso, aperta, sente como ela enche suas mãos – Laura falou gemendo baixo

 

Ela me deixou sentir sua bunda por alguns segundos e logo se virou de frente para mim e começou a descer sua calcinha lentamente, céus ela estava só de cinta liga, meias e salto alto, tudo nela era deliciosamente perigoso e eu já estava totalmente molhada e meu sexo pulsava. Colocou suas pernas por fora das minhas subiu no sofá de joelhos, eu logo segurei em seus cabelos atrás da nuca trazendo sua boca de encontro a minha, eu podia sentir sua excitação, sua respiração estava ofegante e seu corpo estava trêmulo.

 

- Vem Laura, eu quero sua boca – falei quase gemendo.

 

Ela inclinou seu corpo até tocar seus lábios nos meus, nesse exato momento começamos nos beijar com uma intensidade alucinante, minha língua serpenteava em sua boca e sentia sua língua quente na minha, soltávamos pequenos gemidos entre os beijos molhados, minhas mãos estavam em sua cintura onde eu apertava com força até trazê-la a sentar em meu colo e senti seu sexo junto ao meu.

 

- Jackie, você é tão gostosa, estou tão molhada

 

Nós nos beijávamos loucamente enquanto Laura esfregava seu sexo ao meu, ela estava totalmente molhada.

 

         - Porra Laura, você é tão gostosa – eu disse enquanto ela rebolava e eu podia sentir seu líquido escorrer pelas pernas.

 

        - Sou gostosa Jackie? então me fode, eu não aguento mais – sua voz quase não saia mais.

 

Claro que eu não faria tão rápido assim, ainda deixaria Laura com mais tesão do que já estava, baixei minha cabeça e com minha língua comecei a descer pelo seu maxilar, Laura inclinou a cabeça para o trás, estava com os olhos fechados e com a respiração ofegante, desci por seu pescoço até chegar aos seus seios, tão lindos, eles estavam duros de tanto tesão, minhas mãos deslizavam por suas costas enquanto beijava seu seio, eu podia sentir o corpo de Laura  ter pequenos espasmos involuntários, ela estava com tanto tesão quanto eu, ela queria tanto aquilo que estava acontecendo, eu podia sentir em seu corpo, ela estava se entregando totalmente ao prazer, podia ouvir seus leves gemidos, quando de repente ela se levantou, com os pés ainda sob o sofá abriu suas pernas e encostou seus joelhos no encosto do sofá atrás de mim, uma perna de cada lado de meus ombros ela simplesmente deixou sua boceta de frente com a minha boca, sem pensar agarrei em sua bunda e trouxe sua boceta até minha boca, nesse momento eu pude ouvir Laura arfar alto, ela segurava em minha cabeça e rebolava em minha boca, e eu a chupava  com vontade, ela estava tão molhada, eu podia sentir seu gosto.

 

- Porra Jackie, assim eu vou gozar, não para – ela falou com a voz trêmula e embargada em tanto tesão.

 

Eu confesso que também já estava a ponto de gozar só de sentir sua boceta quente em minha boca quando ouvi Laura falar.

 

- Jackie, me fode, por favor, não aguento mais, preciso te sentir dentro de mim.

 

Minha boca continuava em sua boceta, minha língua em seu clitóris, fazendo movimentos circulares e depois colocando a ponta de minha língua dentro de sua boceta e sentia que ela estava cada vez mais excitada e se eu continuasse ela iria gozar ali mesmo, mas não era isso que eu queria, eu daria a ela o que ela estava praticamente me suplicando foi quando parei de chupar sua boceta e a segurei pelos ombros fazendo-a sentar em minhas pernas novamente, fui descendo minhas mãos pelas suas costas lentamente mas fazendo uma pressão, eu podia ouvir seus gemidos contidos, sua cabeça estava arqueada para trás, continuei descendo as mãos até chegar novamente em sua bunda apertando com força.

 

- Porra Jackie

 

Então novamente tomei seus lábios em um beijo forte, quase agressivo, eu estava tão louca quanto ela, podia sentir meu líquido escorrer pelas pernas, levei minhas mãos aos seus seios que estavam tão rijos, fui descendo uma das mãos pelo seu abdômen até chegar a seu sexo, estava tão molhado, assim que toquei Laura arfou e novamente colocou sua cabeça para trás em total prazer com meus dedos circulei seu clitóris com movimentos lentos mas pressionando, seu corpo começou a tremer sem parar, eu só queria que aquela sensação continuasse.

 

        - Filha da puta, me fode Jackie, agora – Laura praticamente gritou

 

Foi então que eu notei que se eu não a tocasse ela gozaria assim mesmo, cheguei minha boca perto de seus ouvidos.

 

- Laura, vou acabar com você disse murmurando em seus ouvidos e agarrando seus cabelos com força.

 

 - E como vai acabar comigo Jackie? – sussurrou provocante.

 

Eu a olhei nos olhos e disse assim Laura, deixei meus dois dedos descerem por sua boceta esfregando mais algumas vezes até metê-los até o fundo de sua boceta.

 

- Oh porra – ela gemeu alto

 

Continuei a movimentá-los dentro dela, entrando e saindo seguidas vezes, ela rebolava em meus dedos e gemia alto enquanto eu a fodia exatamente como ela me pediu.

 

- Você é tão gostosa Laura

 

- Sou é?

 

- Demais, eu vou gozar só de te foder desse jeito

 

Eu já não sabia mais o que estava acontecendo, a loira rebolava em meus dedos e gemia enlouquecidamente pedindo para fode-la mais e mais, eu a fodia com força, a sensação de sentir meus dedos sendo engolidos pela boceta de Laura era incrível, era tão delicioso sentir meus dedos pressionados por sua boceta, tão apertada, tão quente e tão molhada.

 

- Maldita Jackie, fode, mete tudo, eu vou gozar

 

- Goza pra mim Laura, estou sentindo

 

Nossos corpos já estavam totalmente suados, o calor naquele lugar já era insuportável, ela mexia seu quadril em cima de mim pra frente e para trás.

 

- Porra, eu vou gozar! Jackie

 

O corpo de Laura começou a tremer totalmente e ela se mexia rapidamente para saciar seu desejo desesperado de gozar, quando de repente ouvi um gemido alto, quase um grito que saiu de sua boca, sua cabeça se arqueou para traz e pude sentir o poder devastador de orgasmo que eu acabava de dar a ela.

 

- Oh, porra Jackie

 

Eu não consegui me conter com o orgasmo que Laura tinha sentada em cima de mim, eu podia sentir sua boceta apertar meus dedos dentro dela e num instante senti meu corpo entrar em colapso e gozei junto com Laura.

 

- Porra Laura, como você é gostosa – foi a única coisa que consegui falar enquanto nossos corpos entravam em um êxtase de prazer.

 

Após alguns minutos de orgasmo, ela apenas colocou sua cabeça entre meus seios, respirou fundo e suas últimas palavras naquele dia foram.

 

- Maldita Jackie !!!

 

Novamente a porra do telefone tocando, eu não podia acreditar naquilo, de repente acordei das lembranças e percebi que eu ao ver a foto de Laura imediatamente me transportei para a noite anterior, lembrando e sentindo em meu corpo com todos os detalhes tudo que havia nos consumido, mas aquele maldito telefone continuava tocando, porra, quem será desta vez, atendi rapidamente, e tentei disfarçar a voz pois depois das lembranças da noite alucinante tenho certeza que eu estaria com voz de quem estava transando naquele exato momento.

 

- Alô, quem está falando? Disse tentando disfarçar a voz fraca

 

- Jackie é Alana da agência, pelo amor de Deus são dez para as cinco, cadê as fotos? O lançamento da companha é hoje preciso das fotos agora – falou com um certo tom de desespero na voz.

 

- Alana, desculpe eu já estou enviado, estava fechando o arquivo exatamente agora, dentro de cinco minutos estará em seu e-mail, eram muitas fotos e deram trabalho para escolher, mas de uma coisa eu tenho certeza, com as fotos que escolhi sua campanha será um grande sucesso, Laura foi demais, ela estava simplesmente radiante – falei já desligando o telefone.

 

Merda, preciso mandar as fotos agora, mas eu estava segura, as fotos de Laura estavam demais, ela estava com tanto desejo no olhar que não tinha como não dar certo.

 

Ufa, porra de Laura que me deixou assim, não consigo esquecer tudo que fizemos aqui ontem e que no final depois de tudo ela simplesmente vestiu sua roupa, me deu um leve beijo na ponta dos lábios, me olhou com aquele olhar matador e disse.

 

- Muito bem Jackie, me fodeu gostoso – disse com um sorriso diabólico, pegando sua bolsa e saindo pela porta do estúdio sem olhar para trás.

 

- Filha da puta – foi só o que consegui dizer antes dela sumir completamente.

 

(play na música 5)

Olhei para o relógio e notei que já eram quase dezoito horas, eu precisava ir embora afinal havia marcado com Luc em casa antes de sairmos com Alex e Lena, comecei a guardar as coisas, enquanto minha playlist ainda estava rolando, quando de repente entrei em um estado quase hipnótico, paralisada e olhando para o nada, subitamente deixei cair no chão a taça de vidro que estava segurando, eu estava recolhendo a bagunça da noite anterior, vi como em câmera lenta a taça escorregando de minha mão até se espatifar no chão, olhei para a palma da minha mão onde minha cicatriz parecia pulsar, eu ainda não estava entendendo o que estava acontecendo naquele momento, levantei a cabeça olhando ao redor e tudo parecia silencioso e frio, foi quando meus ouvidos começaram a captar o som da música que parecia ir aumentando de volume de forma lenta e gradual, foi então que identifiquei a música e meu coração disparou, parecia que iria rasgar meu peito, levei minha mão ao peito fazendo uma leve pressão com a intenção de fazer aquela sensação parar, minha respiração estava veloz e pesada, aquela maldita música estava despertando em mim lembranças de um tempo ao qual eu não queria lembrar, lembrar daquela maldita noite com Alicia definitivamente não estava em meus planos, e reviver a sensação de vazio que ela me deixou, mesmo após dez anos eu ainda podia sentir tudo a flor da pele, podia sentir o calor de seu corpo, o cheiro envolvente de seu perfume, o gosto de sua boca e seu rosto não saía de minha mente, eu seria capaz de descrever aquele rosto nos mínimos detalhes.

 

Durante todos esses anos eu acordo todos os dias e a primeira lembrança que vem a minha cabeça é o rosto de Alicia, mas eu aprendi rapidamente fazer essa imagem sumir de meus pensamentos, pois cada vez que alimento as lembranças eu mergulho em um estado de desespero e vazio tão profundos na ânsia de saber por onde ela anda que vira como uma paranoia e eu acabo perdendo dias de minha vida nesse abismo antes de conseguir me recompor novamente.

 

Corri em direção ao meu computador e simplesmente puxei o fio da tomada, aquela música precisava parar ou eu novamente entraria naquele pesadelo, assim que a música parou meus batimentos cardíacos foram diminuindo, eu já respirava de forma mais lenta, minhas mãos foram parando de suar, peguei minha bolsa, as chaves e saí do estúdio, eu precisava agora ir para a rua para que toda essa sensação desaparecesse de vez, preciso correr meu Deus, Luc vai me matar se eu atrasar e ainda precisamos comer algo pois eu nem havia almoçado aquele dia e iriamos cair na noite, eu fatalmente beberia horrores e precisava estar bem para isso.

 

Já estava em meu apartamento preparando uma bela massa, eu precisava de muito carboidrato pra aguentar a noite que estava por vir, meu dia tinha começado de um jeito horrível, e depois vieram as lembranças da noite com Laura e por fim a Maldita Alicia assombrando minha cabeça, eu precisava mesmo me divertir e esquecer daquele dia estranho, enquanto preparava a massa ouvi o interfone tocar, era Luc com certeza, olhei no relógio e ainda não eram vinte horas, mas ele é muito curioso mesmo, falei rindo sozinha com a certeza de que Luc mal conseguia se aguentar de tanta curiosidade para saber dos detalhes sórdidos de minha noite passada, atendi o interfone.

 

- Jackie, abre logo essa porta já estou plantado aqui a cinco minutos – falou Luc rindo.

 

Já fui em direção a porta e a destranquei para que Luc entrasse, eu estava com as mãos cheias de farinha da massa que estava preparando quando ouvi a porta bater e aquela voz doce.

 

- Aiiii que cheiro bom é esse pelo amor de Deus? – perguntou Luc sentindo o aroma do molho de tomates frescos com manjericão que estava fervendo no fogão.

 

- Luc, se queremos sobreviver a bebedeira que está por vir precisamos estar bem alimentados.

 

- Você maravilhosa como sempre, adoro sua comida, olha o que eu trouxe parece que estava pressentindo – falou com uma garrafa de vinho nas mãos.

 

- Pois então abra, vamos iniciar os trabalhos – falei com uma gargalhada

 

- É pra já, mas só te servirei de vinho quando começar a me contar o que aconteceu na noite passada, vai, conta tudo, não me esconda nada.

 

- Nem os detalhes sórdidos?

 

- Tá louca isso é o que mais me interessa, nem pense em omitir nenhum mísero detalhe Jackie.

 

Luc serviu duas taças de vinho, sentou-se na bancada da cozinha e enquanto eu terminava de prepara a massa para nossa jantar comecei a contar ao Luc o que havia acontecido em eu e Laura, e a cada frase que eu falava eu via as caras de espanto de Luc, aquilo realmente estava engraçado.

 

Notas finais:

Espero que tenham gostado deste capítulo e olha só, Alícia já permeia a mente de Jackie novamente!! como será a noitada de Jackie ?

 

Até a próxima !!

 

Capítulo 3 - Lembrançs de Alicia por Anna Straub
Notas do autor:

 

Boa Leitura e não esqueçam da playlist deste capítulo!!


Música 1 - Mad About You - Hooverphonic

Música 2 - Too Deep - Ritual

Música 3 - Brasa - Jade Beraldo

Música 4 - Brain - Banks

 

 

 

Nosso jantar foi delicioso, contei para Luc tudo que aconteceu na noite anterior entre eu e Laura e foi muito divertido, ele com suas caras e bocas e seus comentários hilários me fizeram relaxar um pouco, após o jantar enquanto Luc fuçava em minha estante de livros eu fui tomar um banho, pois em pouco tempo, Alex passaria para nos buscar.

 

Eu precisava relaxar e quem sabe conhecer alguém interessante que me fizesse esquecer Alicia de vez, até hoje nenhuma mulher havia conseguido isso, meus relacionamentos sempre foram superficiais, bem mais por uma boa noite de sexo do que por qualquer outro tipo de sentimento, ninguém havia mais despertado em mim todas as sensações que sinto com Alicia, estar ao lado dela é como viver a beira de um abismo e talvez seja isso que me prenda tanto a ela.

 

Entrei em meu quarto e já me despindo, deixando as roupas caírem pelo chão a caminho do chuveiro, tirei a última peça de roupa que cobria meu corpo e entrei embaixo d'água que estava morna fazendo meu corpo inteiro se arrepiar e relaxar, fechei os olhos e deixei que a água descesse pelos meus cabelos enquanto lembrava do dia que conheci Alicia, não sei porque mas hoje eu estava com meus pensamentos ligados ao dela e sempre que isso acontecia algo relacionado a nós duas vinha a tona e eu definitivamente não estava confortável, mas o que haveria de acontecer, ela estava a quilômetros de distância de São Paulo, estava em outro continente e bem casada, como ela mesmo fez questão de me dizer na última mensagem que me enviou a cerca de quatro anos quando tivemos contato pela última vez, mas eu podia sentir um aperto no coração hoje, eu não gosto desta sensação, mas enfim, continuei com meus pensamentos lembrando do dia em que nos conhecemos a muitos anos atrás.

 

(play na música 1)

 

Era noite e eu estava entrando no prédio onde fazia meu curso de fotografia, estava apressada pois estava atrasada, Luc vinha junto comigo e estávamos conversando, ele fazia curso de design no mesmo prédio e sempre nos encontrávamos na porta para jogar conversa fora antes da aula e quase sempre nos empolgávamos na conversa ao ponto de nos atrasarmos toda vez, neste dia eu estava com um jeans claro meio rasgado, uma camiseta básica e uma pequena mochila com minha câmera nas costas, totalmente casual, nada que chamasse a atenção, estávamos nos dirigindo para a entrada, Luc já havia passado pela catraca e eu estava logo atrás dele quando senti alguém pegar em meu braço por trás e ou vi uma voz meio rouca e sensual bem próxima aos meus ouvidos.

 

- Posso falar com você?

 

Eu me virei e me deparei com ela, foi como se o mundo parasse de girar, nada tinha movimento e eu só conseguia olhar para aqueles olhos castanhos e profundos, um sorriso lindo e sacana em seus lábios carnudos, seus cabelos quase longos e encaracolados, ela usava um jeans junto que mostrava suas curvas tão perfeitas, naquele corpo de um pouco mais de 1,60m, apesar de sua pouca estatura naquele momento ela parecia dominar totalmente a situação, tinha um ar poderoso em suas atitudes e aquele perfume que nunca mais pude esquecer.

 

Eu não conseguia falar nenhuma palavra e ela ainda segurava em meu braço, virei em direção ao Luc que estava parado igual uma estátua com a boca aberta, virei olhei para ela novamente que me abriu um sorriso delicioso, aquele sorriso seria a perdição da minha vida e eu ainda nem sabia disso, olhei para Luc e fiz sinal com a mão para ele seguir.

 

- Luc, depois nos falamos – disse com a voz trêmula.

 

Não sei porque mas tinha certeza que eu não conseguiria assistir aula naquele dia, Luc me olhou com cara de quem sabia que eu não podia ver uma mulher bonita que largava tudo, mas era diferente, naquele momento meu corpo todo tremia, minha boca não tinha sequer uma gota de saliva, minhas mãos estavam suadas e eu estava sem reação nenhuma, sequer havia conseguido dizer uma só palavra para aquela mulher, uma menina, isso estava me confundindo, ela aparentava ter em tordo de vinte e poucos anos, mas as atitudes de seu corpo eram de uma mulher tão poderosa e tão confiante de si, confesso que sempre fui eu a tomar as atitudes e a abordar as mulheres e talvez o fato de ter sido abordada por ela havia me desestabilizado eu realmente não estava bem.

 

- Sim, pode - respondi com a voz embargada e meio engasgada.

 

Ela novamente abriu aquele sorriso que estava me matando, segurou minha mão e me levou para o outro lado da rua onde havia menos movimento, pois estávamos paradas na frente da catraca do prédio em um horário de entrada das pessoas de diversos cursos que eram ministrados alí, as pessoas estavam desviando de nós e olhando com uma cara nada agradável. Chegando ao outro lado da rua ela começou rir e segurou minha mão com suas duas mãos e a levou de encontro ao meu peito bem perto do coração e manteve seus olhos fixos nos meus.

 

- Você está tremendo, está tudo bem? – disse ainda rindo da situação.

 

- Sim, estou bem disse puxando minha mão e a colocando no bolso da calça – tenho certeza que eu estava com uma cara de pavor.

 

Por um instante o silencio tomou conta daquele lugar e apenas nos olhávamos tão profundamente que sentia meus olhos queimarem, um calor foi subindo dos meus pés e senti um arrepio percorrendo minha coluna até chegar a minha cabeça, ela também parecia estar em uma hipnose, eu não estava sozinha naquela sensação, meu olhar foi descendo de seus olhos em direção a sua boca quando pude ver ela molhar os lábios com a língua e engolir seco. Nenhuma de nós sabia o que dizer, só estávamos sentindo uma energia tão forte em nossos corpos que nada, mas nada ao nosso redor poderia afetar aquele estado de êxtase, quando ela resolveu quebrar o silêncio.

 

- Eu te vejo a muito tempo aqui e sempre tive vontade de falar com você, mas nunca tive coragem – disse ela com aquela voz rouca e sensual.

 

- Mas hoje eu tive coragem, não podia mais te ver passando todos os dias e não falar nada, te vejo por aqui com seu amigo e fico de longe admirando e querendo falar com você, mas você tem um semblante tão sério que achei que me dispensaria antes mesmo de eu dizer oi, mas eu queria muito te conhecer, não tinha nada a perder – disse com um sorriso sacana nos lábios.

 

Foi neste momento que ela me desmoronou, e eu sorri para ela.

 

- Não sou um bicho papão não, jamais iria te ignorar ou ser grosseira com você, só sou um tanto reservada e confesso que o que você fez hoje comigo me deixou desarmada, você foi um tanto atrevida e eu gostei – disse sorrindo para ela.

 

- Haha, atrevida, adorei, nunca ninguém me chamou de atrevida também – disse ela gargalhando.

 

Era estranho como parecia que já nos conhecíamos, por mais que estivéssemos conversando a poucos minutos parecia que nos conhecíamos tão profundamente que estava me assustando de verdade.

 

- Desculpe, não foi de forma pejorativa que eu falei, a tá, deixa prá lá, vou acabar me enrolando – falei rindo e de repente estávamos as duas rindo da situação.

 

Era uma sensação mágica, sua energia me envolvia de uma forma inexplicável e eu estava totalmente confortável com sua presença apesar de estar com meu corpo em colapso.

 

- Eu me chamo Alícia e você?

 

- Jackie

 

- Prazer Srta. Jackie - disse ela chegando com seus lábios bem próximos ao meu ouvido.

 

Ela tinha um ar excitante e misterioso, algo inexplicável que eu jamais havia sentido em qualquer outra mulher, ela fazia meu corpo ter reações espontâneas e inesperadas e ela sabia disso e parecia adorar, cada vez que meu corpo se descontrolava ela sorria, como se soubesse exatamente o que estava fazendo e fazia de propósito.

 

- Posso te perguntar uma coisa? Disse olhando em seus olhos.

 

- Claro que pode Jackie, diga o quer saber.

 

- O que te fez falar comigo? Porque eu nunca te vi por aqui. – falei com um ar de curiosidade.

 

- Bem, eu te quis desde o primeiro dia que te vi, sentia uma vontade enorme de beijar teus lábios e não sabia porque, mas nunca tive coragem de te abordar e talvez você não tenha me visto por que eu não quis, eu queria te apreciar anonimamente, me dava prazer te desejar de longe – disse Alicia com uma voz manhosa.

 

- E como nunca te vi, isso é estranho, você estuda aqui?

 

- Sim, na verdade estou finalizando meu curso e era a última oportunidade de falar com você.

 

- Mas eu já estudo aqui há um bom tempo, por que não falou comigo antes? Falei querendo entender mais sobre o que estava acontecendo.

 

- Tudo tem a sua hora, seu momento certo e decidi que hoje era o momento e te abordei, mas confesso que fiquei com medo – falou com a voz embargada.

 

- Medo do quê? Já disse que não a trataria mal – falei de forma carinhosa.

 

- Eu não tinha medo de você, meu medo era de seu corpo não sentir o mesmo que o meu corpo sente, que suas mãos não ficassem trêmulas como as minhas ficam toda vez que te vejo, medo de sentir sozinha todo esse calor queimando cada canto do meu corpo – falou com a boca tão próxima da minha que pude sentir seu hálito doce e sua respiração ofegante.

 

Aquelas palavras caíram sobre a minha cabeça como uma bomba, eu não estava entendendo nada do estava acontecendo, meu Deus de onde saiu essa mulher? Não é possível que eu não tenha notado, ela é linda e não é uma beleza comum, eu a teria notado, tenho certeza disso, sempre fui atenta a mulheres com essa presença de Alícia, ela invade os lugares com sua energia, ninguém fica indiferente a sua beleza, ela é empoderada, dona de si, tem um olhar penetrante, não há como permanecer indiferente a ela.

 

Naquele momento eu não conseguia dizer mais nada para ela, aquelas palavras entraram por meus ouvidos e tomaram conta de cada célula do meu corpo que novamente voltou a tremer por inteiro, eu só sentia seu perfume, seu hálito doce e me perdia no profundo castanho de seus olhos, quando de repente senti suas mãos segurarem as minhas com força e seus lábios suavemente tocando minha testa.

 

- Eu preciso ir agora, nos vemos por aí – disse ela com aquele sorriso que me deixa perdida e com seus olhos diretos que pareciam incendiar tudo, se virou e foi embora.

 

Eu confesso que fiquei ali parada na mesma posição até ver alivia virar a esquina, eu não tive nenhuma mísera reação, estava paralisada, quando meus olhos não podiam mais alcançar sua imagem respirei fundo, olhei para os lados para ver se alguém estava apreciando a cena patética de eu estar parada no meio da calçada olhando para o nada, percebi que em volta a vida corria normalmente, eu de fato não sabia muito bem o que fazer naquele momento, apenas ascendi um cigarro e dei uma tragada longa, deixando aquela nicotina tomar conta de minha corrente sanguínea e me acalmar, eu precisava parar de tremer, eu mal conseguia andar daquele jeito.

 

Não sei por que, mas eu sinto que essa mulher seria a minha ruína, e o que ainda estaria por vir seria muito mais intenso do que aquele primeiro encontro.

 

A água ainda escorria pelo meu corpo quando escutei Luc batendo na porta do quarto desesperadamente e me chamando, eu fechei o chuveiro rapidamente, me enrolei em uma toalha e saí do banheiro em direção a porta do quarto deixando um rastro de água pelo chão, abri a porta do quarto e lá estava Luc e Alex.

 

- Jackie, porra, você ainda está assim? – falou Alex olhando pra minha cara de assustada enrolada na toalha.

 

- Não podemos nos atrasar, há, você estava se masturbando no chuveiro né filha da puta – disse Alex gargalhando.

 

- Alex, deixa de ser idiota – disse brava com ela.

 

- Há deixa de ser puritana Jackie, você está com cara ótima e isso só tem uma explicação, gozou né?

 

- Alex você não é desse planeta, juro que não sei como Lena te aguenta, eu estava apenas tomando um bom banho, meu dia foi uma merda.

 

- Por favor, vocês podem discutir depois, agora até eu já estou ansioso, Jackie por favor veste logo uma roupa e vamos – disse Luc agoniado.

 

- OK, mas me deixem em paz por dez minutos, nem escolhi uma roupa descente ainda.

 

Bati a porta na cara dos dois e fui em direção ao meu guarda roupas, separei umas coisas e enquanto escolhia ouvia as risadas do Luc e da Lena enquanto Alex falava suas besteiras, ela não tinha jeito mesmo.

 

Abri a porta do quarto e logo ouvi Alex gritando.

 

- Vadia, porra, você quer matar quem hoje? Que fucking roupa é essa? Até eu fiquei com vontade de trepar com você agora – disse ela rindo.

 

Lena rapidamente lhe deu um tapa no braço.

 

- Alex que horror, isso é jeito de falar? – disse Lena com aquela voz calma e doce, não sei como ela aguentava a Alex, elas são completamente diferentes, bem, vai ver que é por isso que dá certo.

 

Jackie, desculpe, mas eu tenho que concordar com Alex, até eu te pegaria hoje se você não fosse tão minha amiga – disse Luc gargalhando.

 

- Há, vão a merda vocês dois, não me encham e vamos logo vocês não disseram que eu estava demorando demais?

 

- Ok Srta Sexy, vamos embora, mas fica longe de mim senão não respondo pelos meus atos – disse Alex gargalhando.

 

- Há, foda-se Alex, vamos embora logo, preciso beber e muito hoje – falei com malicia.

 

- Eita, que hoje é dia da mulherada cair matando na Srta. Sexy aí – disse Luc rindo e me dando um tapa na bunda.

 

Saímos então os quatro do apartamento rindo e descendo as escadas, Alex estava de carro e íamos todos juntos, afinal ela e Lena sabiam onde íamos, eu e Luc não tínhamos a menor ideia, pois elas fizeram questão de manter o segredo.

 

Em cerca de meia hora chegamos enfim, o local estava bem movimentado, já havia uma fila na entrada e eu podia ver muitas mulheres, elas eram com certeza a maioria ali, todas bem arrumas e maquiadas, já vi que podia me dar bem essa noite.

 

- Alex, pelo menos você me trouxe em um lugar que posso realmente me dar bem – falei olhando pela janela do carro e vendo aquelas mulheres na fila.

 

- Jackie, eu disse que você iria adorar, quando me falaram o que rola aí dentro sabia que adoraria – falou com um ar sarcástico.

 

- Alex estou com medo, olha isso essa mulherada está pronta para matar – disse Luc gargalhando.

 

(play na música 2)

 

Alex então parou o carro bem na porta, enquanto o manobrista se aproximava abri a porta do carro, eu e Luc estávamos no banco de trás, descemos e só então eu puder ver com detalhes a entrada do lugar, parecia um antigo galpão de uma fábrica, a fachada é extremamente alta, deve ter uns seis ou sete metros de altura, toda em tijolos aparente, que creio ser ainda da época da construção do local, pois estavam desgastados do tempo e aquilo dava um ar interessante, ao centro há uma enorme porta preta de folha dupla com detalhes na madeira e nas laterais grandes faixas em veludo vermelho caem do topo do galpão até quase tocar o chão, luminárias iluminam essas faixas de baixo para cima, projetando sombras incríveis, dos dois lados da porta tochas acesas, não há um nome na porta apenas imagens de palavras sendo projetadas na parede, fiquei por alguns instantes olhando todas aquelas palavras e posso dizer que me deparar com tudo aquilo até eu estou com uma mistura de medo, curiosidade e desejo de entrar nesse lugar, esse fogo nas tochas e palavras obscenas e provocadoras como, luxúria, prazer, desejos, sussurros iam sendo projetadas na parede de tijolos e o som da música que vinha de dentro era de fato instigante, de uma coisa eu tenho certeza, se aquilo era algum tipo de marketing estava funcionando pois havia um certo frenesi entre as pessoas que estavam aguardando para entrar.

 

- Gente o que está acontecendo, as pessoas estão em alvoroço, Alex me conta o que você sabe, afinal foi você que me convidou, não é possível que não saiba de nada – disse com extrema curiosidade olhando diretamente para Alex.

 

- Eu juro que não sei de nada, a Lena que leu em algum lugar que abriria este lugar e eu adoro novidade né? Falou Alex com sarcasmo.

 

- Sim, saiu uma matéria grande naquele site de diversidades falando sobre a inauguração desta casa, e na matéria apenas falava de forma superficial, parece que nem eles tinham muito acesso às informações, só disseram que uma empresária de fora do Brasil estava trazendo um novo conceito de diversão para mulheres que apreciam mulheres e que as pessoas então fossem a essa inauguração e triam certeza de nunca ter estado em um local tão inusitado e sensual - disse Lena

 

- Meninas parem de falar porque a porta abriu e agora a curiosidade vai acabar, assim que chegar nossa vez de entrar porque meu Deus olha o tamanho dessa fila – Luc falou gargalhando.

 

Eu não nego que estou ansiosa, na verdade o fato de sair e jogar na noite já me deixa animada, mas todo esse clima deste lugar e o fato de não saber o que há lá dentro está me deixando excitada, sinto que grandes coisas me esperam lá dentro.

 

Quando abri meu guarda roupas fiquei alguns minutos olhando para escolher uma roupa que fizesse jus a minha excitação da noite, só de pensar que estaria ouvindo música, bebendo e com a possibilidade de conhecer pessoas novas e quem sabe ter uma ótima noite de sexo, então optei pelo que me deixaria confortável mas atraente, escolhi uma calça preta justíssima o que deixaria minhas curvas evidentes, uma bota preta com um salto médio e uma camisa preta praticamente transparente que mostrava minha lingerie preta de renda, deixei os botões de cima abertos até dar uma visão parcial dos meus seios, uma maquiagem leve evidenciando meus olhos e nos lábios algo bem sutil, apenas para dar um certo brilho e claro que me encharquei de perfume.

 

Já estávamos na fila a uns vinte minutos e agora chegava enfim a nossa vez de entrar, a porta se abriu e entramos.

 

(play na música 3)

 

- Puta que pariu - foi só o que eu consegui dizer.

 

Aquela porra de música começou a tocar e eu só podia ouvir a letra da música e sentir o clima daquele lugar, era um grande galpão, havia no centro um enorme bar circular, dentro do bar só haviam mulheres vestidas apenas com corpetes em renda preta e calças de couro tão justas que juro não sei como conseguiam se mexer, todas com cabelos longos e perfeitamente arrumados, elas estavam maquiadas e impecáveis, havia também um palco mais adiante com uma cortina de veludo vermelho que o fechava, na sua frente uma pequena pista de dança, mas o forte do lugar eram pequenas saletas com sofás confortáveis e mesas de centro, não haviam mesas de bar, eram como se fossem pequenas salas de estar, com iluminação baixa e avermelhada o que deixava o lugar com uma atmosfera tão sexual que eu já estava ficando nervosa, quando de repente as luzes se aparam e somente a música ao fundo continuava tocando quando alguns holofotes que estavam localizados no piso ao redor do bar se ascendem em direção ao teto e eis que meu queixo quase foi ao chão, os holofotes iluminaram grandes argolas tipos bambolês desses tipos de circo pendurados no teto e em cada um deles havia uma garota e estavam vestidas apenas com uma lingerie e meias com cinta liga fazendo movimentos de malabarismo nestas argolas ao som desta música foda, elas faziam um show incrível, elas dominavam aquele elemento e deixavam os movimentos tão sexy que eu juro que poderia ficar molhada só de ver aquilo por mais uns minutos, as argolas começaram a descer até chegarem ao chão e as mulheres então se misturarem entre as pessoas que estavam ali.

 

As pessoas estavam em êxtase, mas parecia que haviam ainda mais surpresas, foi quando novamente as luzes se apagaram e somente um holofote apontava para o teto bem acima do palco, todos então ficaram em silêncio quando a música começou a tocar.

 

(play na música 4)

 

E lá do alto desce enrolada em duas faixas de tecido uma mulher completamente nua, usando a técnica de tecido acrobático ela tirou gritos de todos que estavam lá, ela se enrolava com maestria nos tecidos e seguia o ritmo da música sensual e provocativa que tocava, o lugar estava totalmente escuro, somente aquele holofote a iluminava e aquele jogo de luzes e sombras em seu corpo nu estava me levando a loucura, que porra de lugar é esse, ela ia dançando e fazendo acrobacias apenas presa a este tecido, isso é tão sensual e sexual ao mesmo tempo, em alguns momentos o tecido roçava em seu sexo e ela tinha em seu rosto uma expressão de prazer, ela tinha cabelos compridos em um tom cobre, seus olhos verdes e brilhantes me deixou vidrada, e ela tinha um corpo escultural, era possível identificar todos os músculos de seu corpo, eu estava tão alucinada que fui andando em direção ao palco para ficar mais perto, aquilo era surreal, a música tinha umas batidas mais fortes e ela acompanhava o ritmo e ia descendo lentamente em movimentos que simulavam um orgasmo e assim foi até chegar ao chão onde já havia uma mulher a aguardando com uma peça que parecia um sobretudo em renda preta que amarrava na cintura tipo um roupão, ao final da música ela já com os pés tocando o chão, virou de costas até o último acorde da música e se vestiu apenas com aquela peça de renda, quando se virou seus olhos se fixaram nos meus, eu estava imóvel, ela me olhava fixamente e andava em minha direção, quando passou ao meu lado, encostou sua boca em meus ouvidos e disse:

 

- Gostou do show? – disse com uma voz levemente rouca e cheia de desejo.

 

Aquela sensação do meu corpo queimar por inteiro, fazia tempo que nenhuma mulher me fazia sentir aquilo, mas será que era porque eu havia lembrado de Alicia que aquelas sensações estavam me consumindo neste momento?

 

Ela se virou sem dizer mais nada e continuou em direção a parte de traz do palco sem olhar para traz, e com a cabeça erguida com seu ar de superioridade absoluta, só podia ouvir os gritos da mulherada que estavam no local, ela nem sequer se abalou com nada do que estava sendo dito, simplesmente sumiu e eu fique parada em choque e só consegui pensar uma coisa.

 

- Porra, que mulher é essa? Acho que minha noite pode ser melhor do que eu imaginava.

 

Notas finais:

 

Espero que tenham gostado deste capítulo e olha só, Alícia já permeia a mente de Jackie novamente!! como será a noitada de Jackie ?

Até a próxima !!

 

Capitulo 4 - A Mulher Misteriosa por Anna Straub
Notas do autor:

 

Olá Meninas, prontas para passar um pouco de raiva e outras emoções? Então aproveitem este capítulo que está especialmente delicoso!!

Há, não esqueçam a Playlist!


Música 1 - Gemmini Feed - Banks

Música 2 - Wise Enough - Lamb

Música 3 - Love is a Bitch - Two Feet

Música 4 - Strangers - Halsey and Lauren Jauregui

Música 5 - Wallflower - Kimberly August

 

 

Parada no meio da pista de dança bem em frente ao palco como uma estátua, ouvi a voz de Alex, levantei a cabeça e a vi vindo em minha direção rindo e com uma cara de quem não estava acreditando no que viu.

 

- Puta que pariu Jackie, você é uma vadia sortuda, anda me fala o que ela te disse, pensa que não vi ela falar algo no seu ouvido? – Alex falava pegando em meu braço.

 

Eu ainda estava meio sem saber o que tinha acontecido e ainda estava hipnotizada com aquele show e aquela mulher, estava tudo um tanto confuso naquele momento, meu corpo tremia por inteiro, apenas por causa daquela mulher.

 

- Calma Alex, pelo Amor de Deus, eu preciso de uma bebida forte neste momento, mal consigo engolir minha saliva. – disse já me dirigindo ao bar logo atrás de mim, eu podia sentir uma gota de suor escorrer pelo meu rosto.

 

Encostei no balcão e logo vi Luc também chegando com uma cara de curiosidade e excitação, meu Deus será que todos notaram que a mulher falou comigo? Não pode ser, foram apenas três palavras, tudo isso em menos de dois segundos.

 

- Haaaa, pode falar logo, que porra aconteceu naquele show? Aquela mulher fez tudo aquilo que fez sem tirar o olhar de você nem um segundo, eu estava de longe observando e vocês estavam uma olhando para a outra que pareciam que iriam se comer ali mesmo, juro que quando te vi indo em direção ao palco e aquela mulher chegou ao chão totalmente nua vocês iriam se atracar ali mesmo. – Luc disse empolgado.

 

Eu ainda não conseguia falar uma palavra sequer, eu precisava de algo para molhar minha garganta, me virei de frente para o balcão e quando ia pedir minha bebida uma das moças que estava dentro do balcão simplesmente vinha em minha direção com um copo longo com bastante gelo e um líquido vermelho, chegou bem perto de mim para entregar o copo e falou:

 

- Mandaram lhe entregar esta bebida, creio que deve ser sua predileta.

 

Só ouvi Alex gargalhando atrás de mim, eu fiquei olhando para a moça por alguns instantes e ela com o copo na mão fez sinal com a cabeça para que pegasse o copo de sua mão, eu estava um tanto paralisada, que porra está acontecendo? Primeiro aquela mulher que me deixou em um estado deplorável, agora essa moça me entregando uma bebida pronta sem eu ainda ter pedido dizendo que alguém mandou me entregar e que era minha bebida predileta, peguei o copo das mãos da moça ainda sem acreditar no que estava acontecendo, ela se virou e continuou atendendo as outras pessoas, não me parecia que estava interessada em mim. Então levei o copo até meus lábios para beber, fechei os olhos enquanto aquele líquido descia pela minha garganta no momento que senti seu gosto amargo, era Campari com muito gelo e suco de limão, mas calma, como ela sabia que essa era minha bebida predileta? Fiquei ali parada pensando e lembrei que ela disse que mandaram me entregar a bebida, ou seja isso não saiu da cabeça dela, tá só pode ser Alex tirando onda com a minha cara.

 

- Alex, sua infeliz, você mandou ela me entregar essa bebida não foi? Só para me deixar maluca? Falei um tanto irritada.

 

- Você está louca Jackie, eu nem consegui chegar perto desse balcão, é sério, não fui eu. – Alex era meio maluca, mas parecia estar falando a verdade.

 

- Luc então foi você, porque não conheço mais ninguém nesse lugar, ou seja, quem mais além de vocês dois poderiam saber disso? Vocês estão de brincadeira comigo?

 

- Jackie, fique calma pelo amor de Deus, não fomos nós, sei lá vai que tem alguma mulher que você já saiu por aqui e mandou te entregar essa bebida? Falou Luc com cara de que de fato não tinha sido ele.

 

- Não sei não, pouquíssimas pessoas sabem que realmente essa é minha bebida predileta entre todas, posso contar nos dedos de uma mãos e entre todas essas pessoas somente vocês dois estão aqui, agora terei que incluir a Lena nesta lista já que acabou de ficar sabendo disso, ou seja se vocês dois estão me dizendo que não disseram eu começo a ficar com medo. - disse de forma pensativa.

 

Jackie, Jackie, vamos lá se concentra, pare de tremer e beba mais um pouco pensei em voz alta enquanto não queria acreditar no que estava acontecendo, além de Alex e Luc apenas minha mãe e Alicia sabiam que Campari era minha bebida predileta de fato e preparada daquela maneira em copo longo com bastante gelo e suco de limão, mas tenho certeza que minha mãe não está aqui, porra então é ela, só pode ser, saí feito um furacão andando por todo aquele lugar com o copo na mão, não podia ser, ela está aqui, só pode ser ela, andei como uma maluca de um lado para o outro olhando em cada mísero canto daquele lugar e não encontrei Alicia, eu estava visivelmente transtornada foi quando Alex chegou perto de mim por trás e segurando com forma em meu braço e me puxando.

 

- Jackie, por favor, o que está acontecendo, você parece uma psicopata procurando alguma coisa, já estão todos olhando para você, vamos para aquela área externa conversar. – disse Alex praticamente me arrastando pelo braço para uma pequena área com um jardim e externo que havia no lado oposto ao palco.

 

Abri a porta e pude de fato respirar profundamente, eu realmente estava descontrolada naquele momento e Alex me conhecia tão bem que notou no mesmo instante que eu precisava respirar. Abri minha pequena bolsa e tirei o maço de cigarros de dentro, eu precisava de nicotina, precisava me acalmar ou iria ter um treco bem ali e acabar com a noite, ascendi meu cigarro e dei uma longa tragada sentindo a nicotina percorrer minha corrente sanguínea e ir me acalmando lentamente, Alex me conhecia e ficou quieta por alguns instantes até eu minimamente me recompor, pois quando estava assim eu não ouvia nada do que falassem para mim. Após umas quatro tragadas eu já estava melhor, Alex se colocou a minha frente e me abraçou forte.

 

- Jackie, o que aconteceu? Porque você ficou assim descontrolada. – falou com uma voz calma, ela era um tanto maluca, mas nos momentos sérios ela era uma boa amiga.

 

- Alex, meu dia está sendo uma merda, essa é a verdade, hoje já aconteceu de tudo, perdia a hora, fui para o estúdio e pensando na transa com Laura quase perdi o prazo de entregar o material da agência, enquanto tomava banho lembrei em detalhes o dia que conheci Alicia e agora essa loucura da bebida, porra Alex você sabe que além de você, Luc e minha mãe só Alicia sabe que essa é minha bebida predileta, ou seja se não foi nem você nem Luc e minha mãe definitivamente não está aqui, quem poderia ser? Eu fiquei pirada, comecei a vasculhar todos os cantos desta maldita boate para encontrá-la, mas não encontrei.

 

_ Jackie, fica calma, pode ter sido apenas uma infeliz coincidência ou alguma maluca com quem você saiu que ficou sabendo desta bebida e de alguma maneira e está tentando te provocar, você sabe que já deixou muitos corações partidos pelo caminho, não é?

 

- É pode ser, não dá para descartar essa possibilidade e afinal Alicia está muitos e muitos quilômetros de distância daqui, não quero mais pensar nela hoje pelo menos. Disse com um pouco de alívio.

 

- Vamos, relaxe, vamos entrar e nos divertir, afinal você já ganhou a noite hoje, só precisamos encontrar aquela mulher, assim você tem uma ótima noite de sexo selvagem e esquece a louca da Alicia.

 

Lembrei da mulher e dos olhares que trocamos enquanto ela deslizava naqueles tecidos vindo do teto até o chão, aquele corpo fodidamente gostoso e perfeito e aquela voz em meus ouvidos, será que ela estaria ainda por aqui ou será que só fez o seu show e foi embora? Bem eu precisava descobrir, afinal ela havia despertado algumas sensações em meu corpo que há tempos não sentia.

 

(play na música 1)

 

Alex como uma boa amiga, com um sorriso sacana ficou ao meu lado, lançou seu braço sob meus ombros e entramos juntas, assim que abrimos a porta pude ouvir aquela música deliciosamente sexy tocando, tudo nesse lugar é feito propositalmente para nos causar sensações, eu realmente nunca havia ido a um lugar assim e posso confessar que se a intenção era essa estava funcionado. Fomos em direção a uma das saletas onde estavam Lena e Luc, os dois estavam rindo horrores, já deviam estar embriagados.

 

- Gente, vocês estão bem? Falei rindo da cara deles.

 

- Jackie, isso aqui é uma loucura a gente fica com tesão só de estar aqui e nós estamos nos divertindo com a pegação, a mulherada não está pra brincadeira não, eu e Lena não conseguimos parar de olhar para essa sala ao lado, olha aquilo a loira sentada no colo da outra e detalhe a mão da morena está por dentro de seu vestido, ales estão transando ali mesmo. – disse Luc empolgado.

 

- Bom, eu preciso de outra bebida, já ia me dirigindo ao bar quando Alex segurou meu braço.

 

- Jackie, deixa que eu pego uma bebida para você, senta aí antes que aconteça mais alguma coisa, ou alguma louca pule em seu pescoço. – disse Alex rindo e indo em direção ao bar.

 

Eu dei um sorriso de leve para ela e assenti com a cabeça, afinal vai saber né? Melhor eu ficar por aqui um pouco mesmo, sentei-me em um dos sofás a frente de Luc e Lena, no centro entre os dois sofás havia uma mesa com algumas velas, que deixava o lugar ainda mais instigante e sensual. Aproveitei para olhar todo aquele lugar com detalhes já que logo que entramos aquelas mulheres começaram a descer do teto e não vi mais nada além disso e logo depois eu dei uma pequena surtada, mas enfim, já estou recomposta.

 

Olhava ao redor e prestava atenção em todas aquelas mulheres, todas muito bonitas e bem vestidas, de fato era um local sofisticado e todas estavam a altura do lugar, eu adoro sair e ficar quieta em um canto analisando as reações das pessoas, como elas se comportam, as reações de seus corpos ao álcool é algo interessante, até a mais tímida das mulheres após algumas doses pode ser bem sexy e provocante, é como coragem líquida, a bebida na medida certa nos tira a inibição e nos traz à tona nossos desejos mais profundos e obscenos e é incrível como até a postura de nosso corpo muda quando estamos nesta situação.

 

Eu estava imaginado de quem seria aquele lugar, quem teve a ideia de montar um lugar desse tipo e porque, esse lugar exala luxúria e prazer, a intenção é clara e objetiva, tipo divirtam-se e liberem seus desejos mais profundos, é essa a mensagem que vejo e sinto em cada centímetro do meu corpo com a sensações causadas pelo espaço, pelas músicas que tocam, tudo leva a esse clímax. Alex disse que leu na reportagem que era uma empresária de fora do País, meu Deus eu imagino o que se passa na cabeça de uma mulher dessas e fico até com medo de conhece-la pois posso imaginar se tudo isso saiu de sua cabeça como seria uma noite com ela.

 

(play na música 2)

Alex já havia trazido minha bebida, eu ainda estava sentada no sofá observando tudo ao redor, ela e Lena já estavam nos amassos no sofá a frente e Luc, há, esse já estava perdido por aí, eu segurava meu copo e com a ponta do dedo indicador mexia de forma circular o gelo dentro do copo, isso era pra mim como um ritual, então baixei os olhos enquanto mexia o gelo tirei o dedo do gelo e o levei diretamente a minha boca enquanto levantava meu olhar novamente em direção as pessoas ao redor, ainda com o dedo na boca, senti como se alguém estivesse me observando, levantei meu olhar em direção ao bar, e paralisei por alguns segundos, não acredito no que estou vendo, era ela, a dançarina, eu mau consegui tirar o dedo da boca e nossos olhos já estavam fixos novamente, aquilo era arrebatador, nenhum músculo do meu corpo se movia, eu só podia sentir meu peito pulsar, eu podia sentir minha artéria do pescoço saltar e minhas mãos molhadas, ela estava absolutamente incrível, estava vestida em um vestido preto, longo e extremamente justo, que marcava perfeitamente seu corpo escultural, perfeito e delicioso, suas curvas pareciam milimetricamente proporcionais, seu vestido tinha um rasgo na lateral que chegava até a parte de cima de suas coxas bem torneadas, na frente o decote descia bem abaixo dos seios, que por sinal eram volumosos, ela estava com aqueles cabelos cor de cobre soltos e levemente ondulados e com uma maquiagem incrível que ressaltava de forma majestosa seus belíssimos olhos verdes tão profundos, nos pés uma sandália preta com pequenas pedras transparentes que davam um brilho especial com as luzes ao redor, os saltos altíssimos a deixavam elegante e sexy, em sua mão ela segurava um pequeno copo com um coquetel de cor alaranjada. Ela estava ali, parada com seus olhos fixos em mim e com um sorriso tão sacana que eu poderia me jogar em seus braços naquele exato momento, ela levou o copo até seus lábios bebendo um pouco da bebida, passou a língua levemente em seus lábios mordendo levemente, ela sabia que aquilo me deixaria alucinada e de fato deixou, eu já podia sentir meu sexo quente, eu estava molhada só com aquele olhar, meu Deus ela é um demônio, isso vai acabar comigo.

 

De repente vejo um rapaz bem jovem chegando perto dela e falando algo em seus ouvidos, parecia lhe dar algum recado, nossos olhos ainda estavam conectados, ela não olhou para ele, apenas assentiu com a cabeça e manteve seus olhos fixos nos meus, me deu um sorriso e levantou o copo em sinal de brinde, eu retribui seu gesto com um sorriso sacana, ela virou as costas e foi em direção a parte de trás do palco.

 

Porra, eu estava temendo da cabeça aos pés, quando olhei para Alex e Lena, as duas estavam paradas olhando para mim de boca aberta, eu dei um sorriso de canto e elas começaram a rir como se já soubessem o que estava rolando.

 

- Jackie, o que foi aquilo? Era a dançarina não era? Aquela mulher que desceu dos céus nua enrolada em fitas – falou rindo.

 

- Nossa, até eu fiquei em choque com o jeito que ela te olhou Jackie. – disse Lena com sua voz doce e suave.

 

- Que porra Jackie, vai atrás dela pelo amor de Deus, porque se você não for, vou eu. – disse Alex entusiasmada.

 

- Alex, eu juro que hoje eu te mato Alex, vai atrás daquela mulher e acabo com sua vida – falou Lena dando vários tapas no braço de Alex e gargalhando.

 

- Calma meu amor, foi só força de expressão, mas você há de convir que Jackie tirou a sorte grande, pelo menos mais da metade das pessoas que estão aqui incluindo homens e mulheres estão desejando aquela mulher e ela só olhou para Jackie.

 

- Meninas eu não posso, sinto que aquele diabo vai acabar comigo, porque aquela mulher só pode ser um demônio tentando me testar. – falei rindo.

 

- Vocês viram os olhos dela? É um verde tão profundo que dá para se perder dentro deles, estou com uma sensação que isso não daria certo.

 

- Há, por favor Jackie, nos poupe disso, sabemos que você adora exatamente as diabas, não é? - disse Alex com um tom de sarcasmo.

 

- Sim, adoro mesmo, mas meu corpo me diz que essa mulher será meu fim, minha perdição.

 

Não sei por que, mas meu corpo estava sedento por possuir aquela mulher, mas algo nela me incomodava o suficiente para que eu hesitasse, se não fosse por essa sensação eu com certeza já teria ido atrás dela, não tenho dúvidas disso. Resolvi permanecer exatamente onde eu estava, chega de confusão por hoje, apesar de meu corpo desejar profundamente aquele corpo eu ia ficar exatamente onde estava, continuei bebendo e tirei os olhos da porta por onde ela entrou na lateral do Palco.

 

- Meninas vou até o Toilette, já volto. – disse já me levantando do sofá e apoiando meu copo vazio na mesa a minha frente.

 

- Sim Jackie, vai lá mesmo e aproveita e se seca, porque você deve estar toda molhada a essa altura. – disse Alex.

 

- Nossa Alex, você não tem jeito mesmo, mas pode deixar vou me secar, fica tranquila. – disse gargalhando.

 

Me dirigi ao Toilette, entrei e me deparei com outro lugar inesperado, será que tudo aqui foi realmente estrategicamente pensado para nos deixar maluca? As paredes, piso e teto eram de um revestimento vermelho carmim, pareciam pequenas pastilhas em vidro, mas não eram tão brilhantes, eram meio aveludadas, eu nunca havia visto aquilo antes, nas paredes haviam enormes fotografias em tamanho real de mulheres nuas mas como se estivessem tendo orgasmo, eram somente silhuetas, mas dava para sentir cada sensação, há uma bancada enorme que vai de uma ponta a outra de pedra preta com um espelho na frente e a iluminação é baixa e alaranjada, meus Deus é só um banheiro, eu vim pra me recompor e fiquei pior, parei em frente a bancada de pedra, abri a torneira, molhei as mãos e coloquei atrás de meu pescoço, na nuca para ver se meu corpo esfriava um pouco, fiz uma leve pressão coloquei a cabeça de lado e fechei os olhos um pouco, tentando ficar calma, abri os olhos, me olhei no espelho deu um sorriso sarcástico e balancei a cabeça em sinal de negação, eu sabia que aquela noite ia dar merda, eu me conhecia, então peguei uma tolha de papel, sequei minhas mãos e fui em direção a saída no toilette, precisava de mais uma bebida e muita calma.

 

Assim que saí, já dentro do grande salão, senti alguém pegar em meu braço por trás, eu levei um susto e me virei rapidamente, dei de cara com aquele rapaz que havia falado algo no ouvido da dançarina, céus o que ele queria comigo?

 

- Srta. Tenho um recado para lhe entregar. – disse o rapaz com uma voz de anjo e estendendo a mão para me entregar um pequeno papel dobrado que estava em suas mãos.

 

- Obrigada. – respondi meio engasgada, ele apenas sorriu e foi embora.

 

Lá estava eu, parada no meio do salão olhando para aquele pedaço de papel dobrado em minhas mãos, mas não sei o que era maior, a curiosidade ou o medo de saber o que havia escrito ali.

 

Fiquei por alguns minutos segurando aquele pequeno pedaço de papel até decidir abri-lo, a curiosidade venceu, abri lentamente o papel que estava dobrado ao meio.

 

“Te espero ansiosa - camarim 2”

 

Eu sabia, tinha certeza que aquele demônio ia me tirar o resto de razão que eu ainda tinha, por mais que minha intuição dissesse para eu não ir, meu corpo não, ele estava tremendo de desejo por aquela mulher, guardei o bilhete em meu bolso e fui em direção a lateral do Palco, os camarins só poderiam ser ali, pois das duas vezes ela se dirigiu para aquele lugar, cheguei perto do palco e uma cortina preta com abertura no centro estava a minha frente, coloquei minha mão na abertura para ter alguma visão da parte de dentro, notei que havia um corredor todo preto, com alguma luminárias no piso que de fato não estavam iluminando tanto assim, fui entrando devagar no corredor e pude ver algumas portas de ambos os lados, foi caminhando devagar, mal podia enxergar o chão com aquela iluminação, eu estava de salto e isso poderia ser uma tragédia, passei por duas portas e nenhuma delas tinha identificação, será que estou no lugar certo me perguntei, bem vou seguir um pouco mais e logo a minha frente havia mais uma porta do lado esquerdo e uma pequena inscrição indicando camarim 1, bem pela lógica deve ser a próxima porta, deu mais uns quatro passos e pude ver a outra porta camarim 2, meu coração disparou neste momento, eu parei em frente a porta por alguns segundos, engoli seco, respirei fundo e decidi entrar.

 

(play na música 3)

Coloquei a mão na maçaneta e a girei lentamente até a porta ir se abrindo lentamente, pela fresta da porta eu podia ver como se fosse uma pequena sala com um enorme sofá de veludo vermelho, um belíssimo tapete felpudo branco e algumas velas espalhadas pelo chão e em cima de um pequeno bar, parecia que era a única coisa que estava iluminando aquele lugar, abri mais um pouco da porta já colocando um de meus pés para dentro pude sentir seu  perfume, era um aroma excitante, levemente adocicado com notas de especiarias e madeiras, havia algo picante, tinha a sensação que podia senti-lo em meu paladar, ouvia uma música ao fundo, abri mais um pouco a porta e ouvi sua voz rouca e arrastada, totalmente sexy.

 

- Entre, estava te esperando.

 

Abri o restante da porta e lá estava ela, em pé a poucos metros de mim, de costas para a porta bem ao fundo do camarim, estava com um copo em suas mãos e pude ver mais de perto o seu vestido, ele deixava suas costas completamente nua, então ela se virou e pude ver aqueles olhos verdes novamente, fechei a porta atrás de mim, mas sem tirar os olhos dela que agora me abria um sorriso malicioso e venha caminhando lenta e elegantemente em minha direção, a cada passo que dava a abertura de seu vestido deixa suas coxas a mostra, aquele vestido valorizava seu corpo, como se aquilo fosse preciso pois seu corpo era perfeitamente delicioso, eu podia sentir o calor subindo pela minha coluna até chegar a minha cabeça, eu realmente estava muito excitada, ela foi se aproximando até ficar de frente para mim, eu estava totalmente imóvel e sem reação, ela estava tão próxima que eu podia sentir seu hálito quente, cheirava a cereja e álcool, neste momento seus olhos estavam em uma tonalidade mais escura, ela mordeu levemente seus lábios.

 

(play na música 4 e 5)

Em uma fração de segundos ela beijava minha boca com força e desejo e eu retribuí, sua língua serpenteava com fervor, ela sugava e mordia meus lábios, fui ficando enlouquecida e a puxei com força de encontro ao meu corpo, suas mãos estavam totalmente entrelaçadas em meus cabelos, coloquei minhas mãos em sua cintura apertando contra meu corpo até alcançar com uma das mãos suas coxas por aquele rasgo de seu vestido e subindo até sua bunda, apertando com força enquanto nossas bocas já ardiam com aquele beijo sedento e cheio de tesão, ela foi me arrastando para próximo do sofá e me empurrou, caí sentada totalmente desajeitada com os cabelos desgrenhados, passei a língua em minha boca e pude sentir o gosto de sangue, a filha da puta havia me mordido com vontade, ela estava agora parada em minha frente ao som desta música sensual começou a dançar de forma sensual, balançando seu quadril de um lado para o outro coma cabeça levemente arqueada para o lado e os cabelos longos sobre um dos lados caindo pelos ombros até seus seios, tinha no rosto uma feição de malícia e desejo que eu jamais havia visto em outra mulher, desencostei do sofá e levei minhas mãos em direção a suas coxas, ela segurou minhas mãos com força.

 

- Não me toque, esse é o trato, apenas admire

 

Filha da puta, ela definitivamente queria me matar de tesão, eu já estava completamente molhada e ela continuava a dançar, agora ela colocava uma de suas mãos em sua coxa e foi subindo até alcançar seu sexo e começou a acaricia-lo, ela foi levantando seu vestido até eu poder ver sua lingerie preta de renda e sua cinta liga, ela estava fazendo de propósito, em sua boca um sorriso de luxúria e sua respiração ofegante, eu já estava em uma situação deplorável eu apenas queria fodê-la, eu queria colocar minha boca em seu sexo quente e molhado, eu podia notar que ela estava excitada.

 

- Gosta do que vê? Ela me perguntou com a voz embargada de desejo.

 

- Sim, adoro o que estou vendo, mas deixe-me te tocar por favor.

 

- Não – disse ela sorrindo

 

- Porra, eu não estou aguentando, eu quero seu corpo.

 

Ela então se aproximou, abriu suas pernas colocando-as por fora das minhas, eu permanecia sentada, novamente levei minhas mãos até suas coxas e ela as tirou.

 

- Já disse para não me tocar.

 

- Porra, o que você quer de mim, quer me matar, é isso? Eu já quase não tinha mais voz.

 

Ela então se virou de costas e continuou a dançar, seu quadril ia de um lado para o outro e suas mãos entrelaçadas em seus longos cabelos, eu podia ouvir seus leves gemidos, ela estava ali com a bunda praticamente no meu rosto e eu não podia tocar, eu sabia ela era um demônio, eu poderia ter um orgasmo só de olhar, ela então levantou um pouco mais seu vestido dando liberdade a suas pernas e continuou a rebolar em frente ao meu rosto, de repente deu uma leve olhada para traz com uma cara devastadora, eu podia ver todo desejo em seus olhos.

 

- Só vou falar mais uma vez, não me toque.

 

Então ela foi descendo e sentou em minhas pernas esfregando e rebolando aquela bunda deliciosa em meu sexo, filha da puta, porque ela está fazendo isso comigo, parece quase que um castigo, ela arqueou o corpo para trás até encostar suas costas em meus seios onde roçava lentamente, virou apenas seu rosto e tomou minha boca em outro beijo quente e feroz.

 

- Porra, você está me deixando louca, eu posso gozar com você assim sabia?

 

- Não, você não vai gozar, não hoje.

 

- Como assim, eu não estou mais aguentando, deixa eu te tocar.

 

Ela simplesmente se levantou, abaixou seu vestido e seguiu até seu copo de bebida, me deixando ali plantada e imóvel no sofá, ela colocou seus longos cabelos para trás deixando-os cair sobre suas costas nuas, me olhou de longe e sorriu, eu não estava entendendo nada porque ela simplesmente parou do nada e se levantou? Então caminhou até mim, colocou sua mão em meu queijo o apertando e me fazendo levantar do sofá e levando minha boca bem próxima a sua, lambeu meus lábios de um lado ao outro, ainda segurando meu queixo com força.

 

- Acabou a diversão, por hoje é só. - Ela disse empurrando meu rosto e se afastando novamente indo até o bar e colocando um pouco mais de bebida em seu copo.

 

- Como assim? – perguntei com um ar de espanto, eu não estava entendendo porra nenhuma do que estava acontecendo.

 

- Simples assim – pode ir agora.

 

- Mas

 

- Amanhã me apresento novamente, venha me ver.

 

Eu estava em choque, mas ela não iria mudar de ideia eu sentia isso, seus olhos já estavam em um verde mais claro e sua feição já não era de desejo, como ela consegue fazer isso, há um minuto atrás pensei que ela iria gozar se esfregando em mim e agora ela já está totalmente recomposta.

 

- Quem lhe garante que eu venho amanhã? -  Disse com um ar de superioridade tentando deixar ela desestabilizada.

 

- Seu corpo, ele garante que você estará aqui amanhã – ela disse com um sorriso tão malicioso que fiquei até com raiva.

 

Ela simplesmente abanou a mão para que eu saísse dali.

 

- Filha da puta – eu disse com raiva

 

E mesmo indignada eu saí e bati a porta com força e pude ouvir suas risadas do lado de dentro.

 

Neste momento eu estava muito puta, aquela filha da puta me fez de idiota e nem sequer falou seu nome, que ódio, era o que eu estava sentindo, saí daquele corredor como um furação, fui em direção a porta e simplesmente fui embora daquele lugar, nem lembrei de Alex, Lena e Luc que estavam lá, chamei um taxi e fui para meu apartamento, chega, hoje definitivamente eu deveria ter continuado em minha cama quando acordei.

 

Notas finais:

Será que Jackie voltará?

Capítulo 5 - Jogo Perigoso por Anna Straub

Olá meninas, demorou mas esta aí um capitulo novinho e cheio de novidades, agora o jogo começou pra valer, aproveitem a Leitura e não esqueçam a Playlist, boa Leitura!!


Música 1 - Girls Go Wild - LP

Música 2 - Brain - Banks

Música 3 - Love is a Bitch - Two Feet

Música 4 - Strangers - Halsey and Lauren Jauregui

Música 5 - Wallflower - Kimberly August

 

 

Acordei com o sol batendo no meu rosto, ainda estava envolta em meu lençol, vestida somente de calcinha, eu havia chegado tão emocionalmente exausta que apenas arranquei a roupa e me deitei, me espreguicei e pude ver toda minha roupa espalhada pelo chão.

 

Ainda em estado sonolento fui relembrando de toda loucura da noite anterior, daquela dançarina que me deixou alucinada de desejo e ódio ao mesmo tempo, era um misto de pensamentos e sensações que tomam conta do meu corpo e mente neste instante, eu ainda sentia raiva por ela ter me feito de idiota, mas por outro lado a reação dela me deixou intrigada e como não dizer curiosa, acabei saindo daquele lugar tão rapidamente que nem sequer perguntei seu nome e só lembro da frase que ela disse antes de praticamente me enxotar do camarim, logo eu, que estou acostumada a ser dona da situação me senti indefesa e inerte diante de tamanha insolência daquela mulher.

 

Bem, melhor eu tomar um bom banho para tentar esquecer tudo aquilo, preciso ainda me desculpar com Luc, Alex e Lena, eu simplesmente sumi daquele lugar sem nem dizer nada, eles devem estar minimamente curiosos para entender o que aconteceu.

 

Levantei da cama e vi que meu celular estava no criado mudo e cheio de notificações, nossa deve ter umas cinquenta mensagens da Alex, tenho certeza, quando abri as mensagens estava lá, comecei a gargalhar sozinha com as mensagens dela, era uma pior que a outra, mas por fim o que de fato ela queria, era saber como foi minha noite de sexo e luxúria já que sumi depois de ler o bilhete da dançarina, pôr fim a mensagem diz que nem que eu não esteja em condições de andar ela aceitaria um não como resposta e que me encontraria no Le Café para almoçar hoje as treze horas em ponto, olhei para o relógio e vi que já era quase meio dia, eu teria que me apressar, afinal depois do meu sumiço me senti mau por não ter avisado nada para eles e simplesmente ter vindo embora, não que eles já não estivessem acostumados com isso já que por diversas vezes me enrosco com alguma mulher e acabo acordando no dia seguinte em algum motel perdido na cidade, mas ontem de fato não foi exatamente isso que aconteceu.

 

 

(Play na música 1)

 

Caminhei até o banheiro para minha higiene matinal, mas antes de mais nada coloquei uma boa música para acompanhar este momento, eu precisava de uma música com muita energia para acordar, sim esta é perfeita, liguei o chuveiro, tirei minha calcinha e entrei embaixo d'água, apoiei as palmas das mãos na parede à frente, arqueei a cabeça para frente e deixei a água quente cair sobre minha cabeça e nuca até sentir descendo pelas costas, a sensação é muito prazerosa, posso sentir todos os meus músculos relaxando, deixei aquela água cair sobre mim por pelo menos uns dez minutos, ensaboei todo o meu corpo lentamente, minhas mãos vão deslizando por cada centímetro do meu corpo nu e me relaxando ainda mais, fiquei aproveitando o banho por pelo menos meia hora, logo me encontraria com Alex, Luc e Lena e sabia que eles iriam me sugar até eu falar tudo sobre a noite passada.

 

Não me demorei muito pois já estava praticamente atrasada e não queria deixá-los me esperando por muito tempo e eu também estava morta de fome.

 

Coloquei uma roupa bem casual, uma bermuda jeans, uma regata branca e um tênis, afinal era sábado e eu ia apenas almoçar com meus amigos, peguei minha pequena mochila e sai, o Le Café ficava a apenas algumas quadras do meu apartamento.

 

Já na entrada vi Alex de longe, lá estava ela toda espalhafatosa, fazendo gestos com as mãos e falando, falando, a coitada da Lena tem uma paciência que não é desse mundo.

 

Logo Luc me avistou entrando, eu estava de óculos escuros e assim fiquei, eu estava com olheiras enormes e realmente preferia ficar embaixo daqueles óculos para não me sentir tão patética contando o que havia acontecido para eu simplesmente sumir daquela maneira.

 

Sentei-me na mesa junto cm eles e pedi um café bem forte, antes de almoçar eu precisava é que a dor de cabeça fosse embora.

 

- Aí está a ela, e pelo jeito a noite foi boa né vadia, nem vai tirar os óculos? - Disse Alex já vindo em minha direção.

 

- Por favor deixa eu ver os arranhões e roxos no seu corpo. - Foi falando e levantando minha blusa e verificando ao redor de meu pescoço e rindo.

 

- Porra Alex, para com isso, não tem nenhum arranhão e nem roxo, simplesmente porque não aconteceu nada.

 

- Nem vem Jackie, não acontecer nada não é com você, pode contar como se livrou das mordidas, chupadas e arranhões? - Disse gargalhando.

 

- Nossa Alex, deixa ela em paz, ela me parece que está dizendo a verdade. - disse Lena puxando Alex para sentar-se.

- Mas, Jackie confesso que agora até eu estou curiosa.

 

- Pessoal, eu vou contar, mas por favor me deixem ao menos terminar de tomar esse café para ver se minha dor de cabeça melhora.

 

E terminei meu café e comecei a contar para eles o que havia acontecido logo que saí do Toilette, desde o momento que recebi o bilhete e a cada frase que eu falava eles permaneciam de boca aberta parecendo não acreditar naquilo tudo, pela primeira vez consegui contar tudo sem que eles me interrompessem.

 

 

 

 

Point of View - Katherine

 

 

(Play na música 2)

 

 

Finalizei a descida e não havia como me manter inerte aos olhos dessa mulher, eu a notei lá do alto, seu olhar parecia hipnotizado em meu corpo e não foi diferente comigo, a música que eu havia escolhido para o show desta noite parece ter causado um efeito surreal em nossas mentes, era para ser apenas mais um show de tantos que fiz pelo mundo, mas ela estava deixando tudo diferente, eu só pude notar seus cabelos negros, lisos e compridos, uma maquiagem leve mas que marcava muito bem seus olhos, ela está com uma calça preta extremamente justa marcando totalmente as curvas de seu corpo, e sua camisa preta é praticamente transparente o que deixou à vista sua lingerie de renda e parte de seus seios à mostra, seus braços são totalmente tatuados, definitivamente ela chamava muito minha atenção, o que normalmente não acontece em meus shows pois sempre estou muito concentrada na performance e não reparo em nada ao redor, mas ela me deixou excitada.

 

Fui descendo no tecido e sentindo um calor imenso em todo meu corpo, não conseguia tirar os olhos daquela mulher, quando na parte da apresentação onde o tecido se entrelaça em meu sexo, não estava conseguindo evitar a excitação, creio que ela tenha percebido que eu estava excitada naquele momento, mas eu não poderia perder o controle, não posso mostrar nenhum tipo de fragilidade ou interesse, muito menos deixar transparecer o quanto ela havia me deixado interessada e totalmente desesperada por tê-la em meus braços, em beijar aquela boca, em ser tocada por aquelas mãos.

 

Então me recompus, fiz a descida final ficando de costas para a plateia, respirei fundo, coloquei meu roupão de renda, me virei, fixei meus olhos nela, mantive o semblante sério e frio, caminhei em sua direção, aproximei minha boca de seus ouvidos e lhe perguntei:

 

- Gostou do show?

 

Juro que pude sentir o corpo dela tremer por completo, mas ela ficou imóvel sem mexer um fio de cabelo sequer, parecia hipnotizada, me virei, ergui minha cabeça e fui em direção ao meu camarim, tenho certeza de que ela me achou um tanto esnobe, mas esta era a intenção naquele momento, eu podia ouvir a mulherada toda gritando para mim, palavras de desejo e outras coisas mais, eu apenas segui e não olhei para trás.

 

Logo eu estava em meu camarim e John meu fiel amigo e confidente entrou logo atrás de mim, ele estava eufórico e eu, morta de sede, ele rapidamente já foi em direção ao pequeno bar que tenho dentro do camarim e me serviu um Gim com tangerinas, água tônica e muito, mas muito gelo, sentei no sofá, eu estava suada e em êxtase, sempre fico assim após um bom show, mas o de hoje foi especialmente excitante.

 

- Kath, o que foi esse show? Você estava diferente, é sempre muito bom, mas hoje vou confessar você estava radiante, sexy demais - disse John com empolgação.

 

- Imagina John, foi só mais um show, acho que a empolgação tenha sido por ser a inauguração da casa e precisava ser um show memorável, só assim deixaríamos o público alvoraçado, como tem que ser, esta é a proposta deste lugar, lembra?

 

- Não Kath, esquece, você não me engana, já acompanhei mais de cem shows seus pelo mundo todo, acha que não vi a troca de olhares com aquela morena maravilhosa, meu Deus o que é aquele cabelo negro e aqueles braços tatuados? Só tenho medo desta mulher ser confusão.

 

- Tudo bem, você me conhece tão bem que não vou conseguir te enganar, mas isso morre aqui entre nós, ela realmente me tirou do sério - falei dando uma pequena gargalhada.

 

- Ela me hipnotizou, não sei, ela tem algo que me atrai e não é só sua beleza, tenho certeza, mas não posso me envolver, minha relação já é bem conturbada para eu ainda ter que administrar essa mulher, não quero nem pensar se a Sra. Jenkins descobre que flertei com alguma mulher, minha vida iria virar um inferno, ainda bem que ela ainda não está no Brasil, achei estranho não vir para a inauguração já que é um dos seus projetos mais ambiciosos, mas achei melhor nem questiona-la, ela estava resolvendo problemas da casa de Berlin, disse que viria somente no próximo mês.

 

- Kath, me desculpa a sinceridade, mas você não é mulher de se incomodar ou se privar de um boa noite de sexo por causa de Jenkins, mas enfim, não falarei mais nada, olha só, boca de siri, bem, vá colocar uma roupa nesse corpo gostoso para darmos uma volta no salão, vamos ver o quanto você deixou essa mulherada maluca essa noite - disse gargalhando.

 

John falou já saindo do camarim para que eu pudesse me vestir e dar uma volta no salão, eu só esperava não encontrar aquela mulher, pois seria bem difícil ficar longe dela.

 

Levantei do sofá, dei uma bela esticada no corpo que agora já havia esfriado por completo e eu já não estava mais tão suada, mas sempre depois dos shows gosto de passear entre o público e sentir a reação, ouvir os comentários e receber os elogios, afinal quem não gosta de ser bajulada?

 

Abri o pequeno armário do camarim e lá estava meu vestido matador, longo, preto, justíssimo com uma grande abertura que deixaria minhas coxas amostra e um grande decote com total visibilidade para meus seios, afinal eu sei que tenho um belo corpo e porque não tirar partido disso e me divertir um pouco com os olhares de todas aquelas mulheres e quem sabe, vai que encontro aquela morena que confesso ter me deixado incomodada, mas com certeza eu não iria transparecer nenhum ponto de fraqueza, seu olhar profundo me desafia, mas ela não conhece Katherine Ann Jenkins, eu posso ser a melhor ou a pior pessoa a ser conhecida.

 

Eu já podia sentir meu corpo e mente se transformar na dançarina sexy, fria e meticulosa que acabara de se apresentar e a deixar aos meus pés.

 

Então saí do camarim, vestida para impressionar a todas naquele lugar, me encharquei de perfume, levantei a cabeça e fiz cara de superioridade, era isso que as pessoas esperavam, elas queriam conhecer a personagem, a dançarina e era isso que eu daria as elas.

 

Já entrando no salão pela parte lateral do palco e indo a caminho do bar eu já notava as mulheres em alvoroço, elas sorriam para mim, outras comentavam, e algumas mais desinibidas me diziam palavras quentes, mas eu fingia nem ouvir e nem notar o que estava ocorrendo, fixei meu olhar em direção ao bar e assim segui em passos firmes, com a cabeça erguida e fisionomia séria, o que deixava todas as mulheres enlouquecidas, e eu sabia disso, mas confesso que por dentro eu queria rir, aquilo me divertia demais, mas mantive o foco.

 

Eu queria estar ao lado do bar pois de lá eu teria uma visão privilegiada de quase todo aquele espaço e quem sabe ver a morena novamente, eu sabia que aquilo era confusão na certa, mas eu meu desejo por ela era maior e eu sabia que não conseguiria resistir aquela boca carnuda, aqueles braços tatuados e aquele olhar quente, meu Deus, aquele olhar, posso sentir um calor subindo pela minha coluna ao lembrar como ela me olhava lá de baixo.

 

Cheguei próximo ao bar e logo já recebi da bartender minha bebida, meu coquetel feito de gin, tangerinas e tônica, rapidamente tomei um gole da bebida e ao levantar os olhos me deparo com a morena sentada em um dos sofás das saletas na lateral do bar, ela estava com as pernas cruzadas e aquela calça justa deixava suas curvas marcadas, aquilo era muito sexy, ela segura um copo longo com um líquido vermelho vibrante e está com a cabeça baixa e com o dedo indicador dentro do copo parece mexer o gelo em movimentos circulares, pode não parecer, mas aquilo é extremamente sexy, eu fixei os olhos nela quando lentamente ela levou o dedo indicador à sua boca, aquilo foi o êxtase daquele momento, eu pude sentir o calor em meu sexo no mesmo instante, eu estava vidrada nela, aquela energia era tão forte que tudo ao redor parecia paralisado, foi  quando ela levantou seu olhar em minha direção, ainda com o dedo nos lábios e a única reação que tive foi um grande e sarcástico sorriso que abri para ela, levei meu copo à boca para beber mais um gole de minha bebida e ainda sem desviar o olhar dela passei a língua lentamente em meus lábios e ao final mordi o canto da boca, eu queria que ela percebesse que eu a estava notando e que a estava desejando, mas ainda mantendo meu ar de soberania sobre ela, eu pude notar que seu corpo estava tendo reações espontâneas a todo aquele clima.

 

De repente sinto John ao meu lado, mas mantive meu olhos nela, ele veio perto de meus ouvidos para me dizer que a Jen estava ao telefone e queria falar comigo, com certeza queria saber como estava sendo a noite de inauguração, eu apenas ouvi as palavras de John sem tirar os olhos dela, assenti com a cabeça para ele, soltei um sorriso para a morena e levantei o copo em sinal de brinde, ela prontamente retribuiu e com um sorriso tão sacana que minha vontade era de correr imediatamente para seus braços e deixar que ela me tomasse de todos os jeitos possíveis e impossíveis, mas eu tinha que manter minha compostura, apenas me virei de costas e fui atender ao telefone lá no camarim.

 

- Oi Jen, como você está? Como estão as coisas aí em Berlin?

 

- Kath, não está nada fácil, mas vamos resolver tudo, fique tranquila, e aí como está a inauguração? Como foi o show e a reação das pessoas? Eu queria muito estar aí, mas infelizmente não tive alternativas.

 

- Jen, isso aqui está uma loucura, está simplesmente lotado, havia uma fila enorme na entrada, acabei de ir até o salão após o show e estão todos enlouquecidos, comentários, e comentários além de estar totalmente lotado. O show foi muito bom, foi diferente pois tudo era novidade para essas pessoas, a casa está com um clima sensacional, você iria amar estar aqui e sentir todo esse clima.

 

- Kath, eu juro que gostaria de estar aí, afinal já são quase 5 anos sem voltar ao Brasil, toda a reforma deste local eu gerenciei por aqui, mesmo com todas as fotos que recebi e as diretrizes do projeto, não é a mesma coisa, mas enfim, são negócios e são imprevistos que não temos como escapar. Mas tudo bem, já estou finalizando as coisas por aqui, creio que mais três ou quatro semanas estarei por aí, bem, vá se divertir amanhã te ligo com calma para falarmos melhor.

 

- Ok Jen, falamos amanhã e te conto tudo com detalhes.

 

Nossa, mesmo sabendo que Jen não está aqui me dá um frio na espinha desta situação com a morena do show, desliguei o telefone e suspirei fundo, fiquei parada no meio do camarim olhando ao redor, com o telefone na mão e imaginando aquela mulher, eu já me senti atraída por outras mulheres, mesmo estando casada com Jen eu já havia dado uns beijos aqui e outros alí, mas era tudo uma questão de ego, mas essa mulher, ela definitivamente mexeu com algo em mim que eu nem podia imaginar o que era, eu só sabia que a queria de qualquer maneira.

 

Ouvi a porta do camarim se abrir e olhei para trás, era John, com cara de assustado.

 

- John, está tudo bem?

 

- Sim, está, e aí o que a toda poderosa Jenkins queria com você? Falou com um ar de apreensão e curiosidade.

 

- Nada específico, só queria saber como estava tudo por aqui e como havia sido o show, nossa as vezes parece que ela sente o cheiro de encrenca. Falei dando um longo suspiro.

 

- Ela me disse que deve vir para o Brasil em três ou quatro semanas, as coisas em Berlin estão quase ajeitadas, não entrou em detalhes, mas parece que a coisa foi séria.

 

- Kath, vou te dizer uma coisa, ainda bem que ela não está aqui hoje, pois seria difícil você esconder o desejo que está sentindo por aquela mulher, quando fui te dar o recado você estava totalmente vidrada nela e ela em você, eu tinha a impressão que iam se comer ali mesmo. - Falou rindo.

 

- John, nem me fale uma coisa dessas, está tão na cara assim?

 

- Olha, eu posso te dizer que já te vi interessada em outras mulheres, mas nada parecido com o que está acontecendo hoje, estou com medo Kath, por favor tenha cuidado.

 

- Eu terei, tenha certeza, mas não consigo não pensar nela, imaginar aquela boca em minha boca, aquelas mãos grandes tocando meu corpo, isso está me deixando realmente fora de órbita, será que ela ainda está lá no salão?

 

- Não sei, mas creio que sim, pois ela parece ter te desejado tanto quanto você a ela.

 

- John pegue uma caneta e um pedaço de papel, rápido, por favor - disse com a voz apressada.

 

- O que você vai fazer kath?

 

- Eu não, você vai, vai entregar um bilhete para ela e garantir que ninguém perceba que fez isso e garantir que ninguém virá até aqui até que eu te diga que está tudo ok e dê um jeito de sumir com o segurança que está aí na porta.

 

John me entregou um pequeno papel e uma caneta, eu abaixei um pouco e apoiei o papel em cima do pequeno bar do meu camarim e escrevi apenas uma frase: Te espero ansiosa - camarim 2, dobrei o papel ao meio e entreguei ao John.

 

- Você sabe o que fazer, certo? Entregue isso a ela e não diga uma palavra sequer e cuide para que ninguém se aproxime deste camarim, somente ela.

 

- Meu Deus, eu farei isso, mas por favor tome cuidado, é arriscado demais ela aqui com você.

 

- Eu sei, mas meu corpo não aguenta mais, ele precisa do corpo dela, estou deverás enlouquecendo e preciso entender porque, quem sabe com ela aqui tão perto isso mude e eu veja que é só mais uma boca que eu beijarei, vá logo, se apresse.

 

Assim que John saiu pela porta do camarim a procura da morena para entregar o bilhete, eu fiquei andando de um lado para o outro, meu corpo estava tremendo por inteiro, minhas mãos suavam, e eu não conseguia me concentrar e não poderia de forma alguma demonstrar minha fraqueza, ou que eu estava totalmente perdida de vontade de me entregar em seus braços, bem, eu nem sabia se ela ainda estaria lá, ou se aceitaria meu convite, mas pensando bem, sim ela aceitaria, o corpo dela me mostrou isso durante o show e naquele momento no bar eu pude sentir mesmo de longe que seu corpo vibrava.

 

Respirei fundo, e resolvi colocar uma música para me deixar mais calma, eu precisava me recompor, afinal eu não deixaria ela notar o quanto eu estava desconcertada e a desejava, nada seria diferente do que ela viu, eu seria ousada, mas deixaria claro quem controlava a situação.

 

(Play na música 3)

 

Eu estava em pé bem ao fundo do camarim e de costas para a porta e bebia um pouco, confesso que estava nervosa e ansiosa, não sabia se ela viria, até que notei que alguém abriu a porta lentamente, eu tinha certeza que era ela, eu podia sentir um perfume poderoso, com aroma que aquecia mais ainda meu corpo, me mantive de costas e notei que ela parecia hesitar em abrir a porta totalmente e entrar, eu apenas sussurrei para ela.

 

- Entre, estava te esperando.

 

Então ela abriu o restante da porta e entrou no camarim, mas permanecia a frente da porta, parada, estática, me virei de frente para ela que no mesmo instante fechou a porta em suas costas, mas sem tirar os olhos de mim, fui caminhando lentamente até ela, nossos olhos estavam em chamas, eu podia notar que seu olhar por vezes ia em direção as minhas pernas, cheguei bem perto dela, eu confesso, meu corpo está quente, eu estou em êxtase com essa mulher a minha frente, eu sentia meus olhos mudando de cor, isso sempre acontecia quando estava exageradamente excitada, agora eu estava tão perto de sua boca que pude sentir seu hálito adocicado e alcoólico, ela estava imóvel, sem nenhuma reação, mas eu podia sentir que ela estava tão excitada quanto eu, olhei bem profundamente em seus olhos e mordi  o canto de meus lábios.

 

 

(play na música 4 e 5)

 

Eu não estava mais aguentando, baixei meu olhar para seus lábios e eles estavam entreabertos, eu estava tão sedenta por aquele beijo que praticamente a ataquei, comecei a beijar aquela boca que eu estava desejando desde a hora do show, eu não quis saber de cuidados, o beijo chegava a ser até violento, eu sugava seus lábios, sua língua e até cheguei a morder seus lábios e sentir gosto de sangue em minha boca, eu estava com minhas mãos emaranhadas em seus cabelos longos quando senti suas mãos em minha cintura, ela me puxou com força de encontro ao seu corpo, desceu uma de suas mãos e pela abertura do meu vestido, ela alcançou minha coxa e foi subindo até apertar minha bunda com força, ainda nos beijávamos, assim que senti aquela mão em minha bunda arfei soltando um leve gemido, eu já estava totalmente molhada, já podia sentir o líquido quente escorrer pelas minhas pernas quando a empurrei com força para cima do sofá, ela caiu totalmente desajeitada, por um segundo eu permaneci a sua frente apenas a admirando, senti a música ao fundo e decidi dançar bem à sua frente, eu sabia que aquilo a deixaria ainda mais louca, fui balançando meu quadril de um lado para o outro no ritmo da música que tocava ao fundo, joguei meus cabelos para cima de um dos meus ombros, arqueando minha cabeça para o lado, eu tinha certeza que estava com uma feição de desejo intenso, eu não iria conseguir me controlar, eu queria aquela mulher, queria ser possuída por ela de qualquer maneira, mas eu era difícil e não deixaria ela me dominar, jamais deixaria aquela situação me deixar vulnerável.

 

Ela então veio com suas mãos em minha direção tentando alcançar minhas coxas, eu apenas segurei suas mãos com força e as tirei de minhas pernas.

 

- Não me toque, esse é o trato, apenas admire

 

Eu ia deixá-la simplesmente perdida por mim, mas não a deixaria me tocar, claro que aquilo também me mataria um pouco, mas ela iria entender que quem domina ali sou eu.

 

Continuei a dançar em sua frente e podia ver em sua feição que ela estava chegando ao seu limite, acho que ela gozaria ali mesmo só de me ver, eu dançava de forma sensual, levei minhas mãos às coxas e fui subindo lentamente até tocar meu sexo acariciando devagar, eu podia ver ela alucinando e eu também estava alucinada, fui levantando meu vestido até deixar minha lingerie a mostra, sinto que estou com uma feição de pura luxúria neste momento, minha espiração estava ficando ofegante de tanto tesão que eu estava sentindo, mas eu iria provoca-la ainda mais.

 

 

- Gosta do que vê? Perguntei com a voz trêmula

 

- Sim, adoro o que estou vendo, mas deixe-me te tocar por favor.

 

- Não - eu disse sorrindo

 

- Porra, eu não estou aguentando, eu quero seu corpo.

 

Aquele jogo de sedução estava muito interessante e por mais que eu quisesse me entregar inteiramente a ela, eu não o faria, não hoje, fui me aproximando dela abri minhas pernas colocando-as por fora das pernas dela, ela novamente tentou me tocar e eu empurrei suas mãos novamente

 

- Já disse para não me tocar.

 

- Porra, o que você quer de mim, quer me matar, é isso? - disse a morena quase sem voz.

 

Mas antes de parar eu ainda iria deixa-la mais louca do que já estava, então virei de costas para ela, levei minhas mãos acima da cabeça entrelaçando-as em meus cabelos rebolei minha bunda bem próximo de seu rosto, levantei um pouco mais meu vestido, virei minha cabeça em direção a seu rosto e a olhei bem nos olhos, eu realmente estava muito excitada e falei:

 

 

- Só vou falar mais uma vez, não me toque.

 

Eu estava me controlando demais, mas isso estava muito bom, fui descendo minha bunda em direção à suas pernas e sentei, agora eu estava sentada em suas pernas, rebolando e esfregando minha bunda em seu sexo, confesso que não estava sendo fácil aguentar, mas eu precisava, arqueei meu corpo para traz e pude sentir seus seios tocando minhas costas, fechei os olhos e pude ouvir ela gemer, então virei meu rosto e fui novamente de encontro a seus lábios, eu precisava beijar aquela boca deliciosa e assim o fiz, eu podia sentir o cheiro de sexo que inundava aquele camarim e o desejo era surreal, estávamos quentes, soltando pequenos gemidos.

 

 

- Porra, você está me deixando louca, eu posso gozar com você assim sabia? - disse a morena com a voz totalmente embargada

 

- Não, você não vai gozar, não hoje. Eu disse já me levantando de seu colo.

 

- Como assim, eu não estou mais aguentando, deixa eu te tocar.

 

Eu então levantei por completo de seu colo, abaixei meu vestido e segui em direção ao bar para pegar minha bebida, eu não sei onde eu estava com a cabeça para fazer aquilo, pois eu estava completamente louca por ela, mas não poderia dar o braço a torcer, ela teria que saber que eu domino e não ela, joguei meus cabelos longos para trás deixando os cair sobre minhas costas nuas a olhei de longe e dei um sorriso sarcástico.

 

A coitada ainda estava sentada com uma cara de assustada, eu sei que o que estava fazendo era arriscado, mas o que eu estava sentindo por ela era mais que desejo e eu precisava ter certeza que ela estava sentindo o mesmo e de que aquilo não seria apenas uma boa noite de sexo para ela.

 

Fui me aproximando dela arqueei meu corpo um pouco, segurei seu queixo com força e a fiz levantar do sofá, com ela em pé na minha frente e ainda segurando seu queixo com força eu lambi seus lábios de um lado ao outro, soltei seu queixo a empurrando para longe de meu corpo e com um ar de superioridade e auto controle lhe disse:

 

- Acabou a diversão, por hoje é só.

 

Dei um gole em minha bebida enquanto olhava para ela, em seus olhos havia um ar de desespero, com certeza ela não fazia ideia do que eu estava fazendo, porque eu havia chamado ela lá para simplesmente a dispensar.

 

 

- Como assim? - ela perguntou com cara de quem não estava entendendo nada que estava acontecendo, ela estava tão assustada que eu até cheguei a pensar que eu havia passado dos limites e que ela iria me odiar.

 

- Simples assim - pode ir agora eu disse de forma irônica

 

- Mas

 

- Amanhã me apresento novamente, venha me ver.

 

Essa era a chance de saber se eu não seria apenas mais uma noite de sexo para ela, se ela voltasse eu teria certeza que ela também está sentindo algo de diferente entre nós.

 

Ela estava visivelmente puta com tudo aquilo, mas também estava incrédula e não via raiva em seu olhar, apenas espanto com tudo aquilo que acabara de acontecer, ela vai voltar, tenho certeza.

 

- Quem lhe garante que eu venho amanhã? -  Ela disse com um tom de voz tentando retomar o controle da situação.

 

Bem, agora era a hora da cartada final, depois do que iria dizer na sequência ela poderia simplesmente me mandar a merda e sumir ou ela com certeza voltaria para me ver.

 

- Seu corpo, ele garante que você estará aqui amanhã - Disse com um enorme sorriso sarcástico

 

Então abanei a mão para que ela saísse do meu camarim.

 

- Filha da puta - ela disse antes de sair

 

Saiu puta da vida e bateu a porta com força, eu apenas dei uma gargalhada bem alta para que ela pudesse ouvir, ufa eu sei que foi uma cartada alta, mas amanhã a verdade aparecerá.

 

Puta que pariu, eu não sei nem seu nome, foi tudo tão intenso que não sei seu nome e nem ela o meu, isso realmente foi enlouquecedor, eu nunca havia feito isso com nenhuma outra mulher, é um jogo perigoso, mas que eu estou disposta a jogar com todas as minhas cartas.

 

 

 

Agora é aguardar para ver se ela estará aqui amanhã, mas pela reação de seu corpo ela virá, tenho certeza.

 

Capítulo 6 - O Inevitável por Anna Straub

 

Agora e história começa a esquentar e o que fará Jackie com todo esse emaranhado de situações acontecendo em sua vida?

 

E para acompanhar a Leitura a Playlist especial

 

Música 1 - Warm - SG Lewis

Música 2 - Long Time Coming - Caitlyn Smith

Música 3 - Tanto Faz - DAY

Música 4 - West Coast - Lana Del Rey

 

(Play na música 1)

 

Alex, lena e Luc ouviam a história em silêncio, algo difícil de acontecer já que eles sempre interagiam, davam risada, faziam comentários na maioria das vezes impróprios, mas o fato é que adoram quando conto minhas histórias e eu adoro a reação deles.

Desde a época que Alicia se foi da minha vida eu tinha mais tempo para eles, foi uma fase extremamente conturbada onde por conta de tudo que eu estava vivendo com ela acabei me afastando um pouco dos meus amigos, o que definitivamente foi um erro, não que eles tivessem me abandonado, muito pelo contrário, mas não tê-los por perto naqueles momentos me fez com certeza tomar decisões equivocadas e me afundar em bebida e desespero.

- E por fim eu bati a porta com força, ouvi aquele diabo gargalhando dentro do camarim, saí batendo os pés, com um misto de ódio e desejo de voltar e simplesmente agarrar aquela mulher, mas eu não baixaria a guarda, saí feito um furacão, peguei um taxi e fui para casa, arranquei a roupa e deitei, eu só precisava dormir - disse finalizando a história e dando um gole na água que estava no copo sob a mesa à minha frente.

Levantei a cabeça e eles ainda estavam lá parados olhando para mim.

 

- Gente, vocês estão bem? Já acabei, tá! Podem me massacrar agora - disse em tom sarcástico.

 

- Jackie, não consigo falar nada, sério - disse Luc com cara de assustado.

 

- Caralho, parece que estou vendo o mesmo filme na minha cabeça Jackie e sério, estou com medo - Alex falou com a voz um tanto embargada.

 

- Calma galera, está tudo bem, olha só estou inteira, sem arranhões, mordidas ou coisas do tipo - falei rindo.

 

Continuei olhando para os três e Alex estava com cara de assustada, Luc com um olhar baixo e Lena olhava para os dois e depois para mim e estava com cara de que não estava entendo absolutamente nada, e eu confesso que também não estava entendendo.

 

- Pessoal, é sério, isso é uma brincadeira de mau gosto, que caras são essas? Parece que alguém morreu ou algo do tipo - falei com um tom de preocupação.

 

Luc olhou para Alex e assentiu com a cabeça parecendo pedir permissão em silêncio para dizer algo, Alex arregalou os olhos e negou com a cabeça, eu estava só observando os dois, eu sabia que eles queriam falar algo mas não estavam entrando em um consenso se deveriam ou não, até Lena que estava perdida na situação olhava para os dois e para mim sem ter ideia de como reagir naquela situação.

 

Até que Alex começou a falar, ela estava com um semblante entristecido, falando baixo e de forma pausada e Luc prestava atenção a cada palavra que ela dizia mexia com a cabeça como se concordasse com o que Alex estava falando, eu comecei a ouvir aquelas palavras que foram entrando em meus ouvidos e me rasgando por dentro como um punhal e então entendi porque eles estavam daquele jeito.

 

- Sabe Jackie, estamos um tanto preocupadocom o que nos relatou agora sobre o que aconteceu na noite passada, porra Jackie nós te amamos e não queremos ver você sofrer novamente, a maneira como nos contou, o seu tom de voz e como descreveu a situação com aquela dançarina automaticamente nos fez lembrar de Alicia, sei que não gosta quando tocamos no assunto e nem no nome dela, mas entenda, foi inevitável não fazer uma comparação, nós te conhecemos muito bem e sentimos na sua voz o mesmo sentimento que sentimos quando nos contou sobre o primeiro encontro com Alicia e juro, parece que estamos vendo o mesmo filme passar em nossas cabeças, não queremos te perder e sinceramente vou falar por mim, nunca mais gostaria de te ver sofrer tanto.

 

- Foram apenas dois anos, mas Alicia quase acabou com você e até hoje você tem cicatrizes, nunca mais conseguiu se relacionar seriamente com nenhuma outra mulher, desde aquele tempo sua vida parece um livro de uma única página, cada vez que vira a página é tudo diferente, cada noite está com uma mulher, não mantem relação próxima, de preferência nem precisa saber o nome da mulher que se deitou nua em sua cama na noite anterior, sei que aquela maluca te deixou marcas profundas e que depois por um bom tempo ela ainda aprecia de vez em quando, a sensação que eu tenho é que ela acha que você será dela para sempre, sabe, cada vez que ela aparece você larga tudo e se envolve com ela novamente, como se você ficasse ali intocada a espera dela e ela tem certeza disso e o que mais me dá raiva é que você sempre cai na mesma historinha dela. Falou Alex olhando no fundo dos meus olhos.

 

- Foram apenas dois anos, mas Alicia quase acabou com você e até hoje você tem cicatrizes, nunca mais conseguiu se relacionar seriamente com nenhuma outra mulher, desde aquele tempo sua vida parece um livro de uma única página, cada vez que vira a página é tudo diferente, cada noite está com uma mulher, não mantem relação próxima, de preferência nem precisa saber o nome da mulher que se deitou nua em sua cama na noite anterior, sei que aquela maluca te deixou marcas profundas e que depois por um bom tempo ela ainda aprecia de vez em quando, a sensação que eu tenho é que ela acha que você será dela para sempre, sabe, cada vez que ela aparece você larga tudo e se envolve com ela novamente, como se você ficasse ali intocada a espera dela e ela tem certeza disso e o que mais me dá raiva é que você sempre cai na mesma historinha dela. Falou Alex olhando no fundo dos meus olhos.

 

Uma coisa ei de concordar com Alex, a dançarina realmente mexeu com meus sentidos de uma forma forte e profunda, não como alicia, mas algo diferente, será possível que eu me apaixonaria novamente e ela me faria esquecer a maluca da Alicia?

 

- Alex e Luc, sei que estão preocupados e vocês tem razão, eu sofri demais e até hoje tenho cicatrizes disso tudo, ela ainda é uma sombra em minha vida, mas pela primeira vez senti pela dançarina algo diferente do que tenho com as outras mulheres, por mais que ela tenha todas as características de uma mulher que possa acabar novamente com minha sanidade tem algo nela que eu não sei explicar, é algo além de puro desejo, de obsessão, de sexo casual, não sei explicar, mas é algo intrigante, tem algo nela que desperta um sentimento em mim que ainda não consigo identificar, mas é uma atração além do sexo, do desejo. Falei de forma calma, mas mostrando a eles o quanto é diferente do que foi com Alicia.

 

- Mas Jackie, tome cuidado nós te amamos e não queremos te ver sofrendo novamente - disse Luc com um sorriso tão lindo que me confortou.

 

- Fiquem tranquilos, é diferente, eu sei disso mais do que ninguém.

 

- Eu sei que nos conhecemos a pouco tempo Jackie, mas Alex fala tanto de você, da amizade que tem e de como você sofreu que até eu fico com medo - disse Lena com um sorriso tímido.

 

- Não sei exatamente tudo que aconteceu entre você e Alicia pois Alex nunca me falou em detalhes, mas ela tem tanta raiva dessa mulher que eu também tenho por tabela.

 

- Gostaria de um dia saber tudo que houve - disse Lena com ar de curiosidade.

 

- Lena por favor, isso é coisa que se pergunte? Disse Alex esbravejando com Lena por saber que a mais simples lembrança de alicia deixava Jackie mau por vários dias.

 

- Deixa ela Alex, hoje eu já lido melhor com tudo que aconteceu, afinal já faz um bom tempo que a maluca não aparece em minha vida, Lena eu te contarei um dia, quem sabe marcamos um jantar em casa, nós quatro, enchemos a cara e te conto as mazelas da maluca, mas prepare-se é história para a noite toda. - disse rindo e quebrando um pouco aquele clima estranho que ficou no ar.

 

Quando olhei para o fundo do café, pude avistar nosso almoço chegando, Luc havia pedido para o pessoal preparar algo leve para nosso almoço e eu podia sentir o cheirinho bom chegando, realmente eu estava com fome.

 

- Jackie, só uma pergunta disse Alex com uma cara de safada.

 

- Fala Alex, o que mais quer saber? Já contei tudo, até os detalhes - falei rindo.

 

- Uma pergunta que não quer calar e está martelando na minha cabeça.

 

- Sim, diga logo mulher

 

- Você vai naquele lugar hoje? Vai se encontrar com a dançarina hoje? Falou dando uma enorme gargalhada.

 

- Alex, isso é coisa que se pergunte - disse lena dando um tapa no braço de Alex.

 

- Claro que é, acha que eu vou ficar nessa curiosidade?

 

- Alex, Alex, você não existe mesmo - disse negando com a cabeça e rindo.

 

- Na verdade ainda não sei - falei baixando os olhos em direção ao meu prato e dando uma garfada na comida e levando até minha boca.

 

- Sua Filha da Puta, você vai, tenho certeza - disse Alex gargalhando.

 

Eu não consegui me conter e gargalhei junto com ela, quase me engasgando com a comida.

 

- Alex, você é foda, me conhece tão bem que eu tenho até medo, mas esquece isso agora, vamos comer que esse peixe que o Luc mandou preparar está divino e eu morta de fome.

 

Continuamos ali, comendo, falando besteiras e rindo, era muito bom ter meus amigos por perto.

 

Point of View - Alicia


Acordei com o sol entrando pelas grandes janelas e em meio aos lençóis macios daquela cama de hotel, já eram quase oito da manhã, me espreguicei ainda deitada naquela cama enorme de lençóis brancos, a minha volta havia pelo menos uns cinco travesseiros tão macios que poderia ficar ali mais umas boas horas, mas já estava com uma ligeira fome, liguei para a recepção e pedi que levassem meu café da manhã no quarto, eu precisava de um bom banho, a viagem foi longa e cansativa, Marcus me pegou no Aeroporto as três da manhã e pedi que me trouxesse para o hotel, eu precisava de uma boa noite de sono e paz, eu já havia combinado com ele de deixar o carro no estacionamento do hotel pois hoje eu sairia pela cidade, mas não queria motorista, queria sair sozinha.

 

Enquanto aguardava o café da manhã tirei minha camisola de seda e caminhei em direção a enorme banheira que havia naquele hotel, eu já havia enchido enquanto pedia o café da manhã e aquela altura era somente enche-la de espuma e relaxar, mesmo quando eu morava em São Paulo sempre me hospedava neste hotel quando queria desaparecer um pouco, era meu segredo, meu canto de segurança, somente Marcus sabia daquele lugar e ele jamais ousaria revelar este segredo, ele era uma pessoas simples e de minha inteira confiança, logo depois de eu receber um dinheiro de herança e investir em alguns negócios que me davam um certo trabalho contratei Marcus, ele era mais que um simples motorista, minha vida particular era bem restrita e ele não sabia de detalhes, mas o mais importante é que ele sempre fez o que pedi e nunca, mas nunca mesmo me fez uma só pergunta, isso para mim já me bastava, não precisar dar nenhuma explicação do que estava fazendo ou onde estava indo e com quem estava, e nisso ele era muito bom e muito discreto, e especialmente por enquanto seria isso, não queria que ninguém soubesse que estava de volta à São Paulo, não pelo menos por enquanto, apesar de ter casa aqui, iria ficar por uns dias no hotel.

 

(Play na Música 2)

 

Entrei na banheira e afundei meu corpo naquela agua quente e reconfortante, a espuma cobria toda a parte de cima da água, fiquei uns bons dez minutos relaxando, não poderia me demorar muito pois logo meu café estaria no quarto, escorreguei meu corpo pela borda da banheira até estar com todo o corpo submerso, fui descendo até estar com toda a cabeça dentro da água, por ali fiquei por alguns segundo até submergir lentamente, passando as mãos no rosto, retirando qualquer resquício de espuma, estava um silêncio delicioso naquele lugar e pela janela ao lado da banheira eu via grande parte da cidade, eu sempre ficava no último andar, era minha suíte predileta, ela me dava a visão do skyline da cidade que nenhum outro lugar tinha, aqueles prédios enormes, aquela selva de pedra que é São Paulo, o sol refletia nas vidraças dos prédios e iluminava tudo ao redor, um pouco de verde surgia entre os prédios dando uma boa sensação de frescor e ali fiquei mais alguns minutos admirando toda a cidade aos meus pés e pensando em nada, somente observando cada detalhe do amanhecer.

 

De repente algo me tirou daquele semi transe, era o interfone, com certeza era meu café da manhã, no primeiro momento fiquei irritada, mas eu realmente estava com fome, levantei lentamente e ainda dentro da banheira estiquei meu braço e alcancei um roupão branco ao lado da banheira, vesti e logo peguei uma pequena toalha para secar rapidamente meus cabelos longos e encaracolados, eles definitivamente ficam muito pesados quando encharcados e eu ainda poderia molhar todo o chão do quarto, coloquei-o de lado por cima do ombro direito e com a cabeça inclinada apenas o exprimi com a tolha tirando o excesso de água, saí de dentro da banheira, segue os pés no tapetinho ao lado e fui de roupão e descalça mesmo atender a porta e receber meu esperado café da manhã.

 

Abri a porta e à frente um rapaz novo, com um carrinho coberto por uma grande toalha branca educadamente pediu licença, entrou e arrumou meu café lindamente na mesa que havia no quarto, eu o agradeci e então ele saiu, tranquei a porta e fui correndo em direção aquela mesa, havia várias delícias, uma travessa cheia de frutas picadas, havia morangos, tangerina, kiwi e manga, fui pegando pedaços destas frutas com a mão mesmo e colocando as na boca, enquanto já avistava pequenos croissants com manteiga derretendo, eles estavam quentinhos e pareciam extremamente macios, enfim, me sentei à mesa e saboreei aquele delicioso café da manhã de forma calma, tinha geleias, queijos, iogurte e cereais, era um paraíso para minha fome, afinal foram mais de quatorze horas de voo e comida de avião não é comigo.

 

Fiquei saboreando aquele café da manhã por bons trinta minutos, levantei da mesa e fui em direção a uma pequena poltrona à frente da janela, ainda de roupão e descalça com as pernas encolhidas me sentei e com a minha xícara de café nas mãos olhei pela janela e com o pensamento nela, onde ela estaria? O estaria fazendo naquele exato segundo? Será que ainda pensava em mim o quanto eu pensava nela? Será que estaria lá para mim como sempre esteve?

 

Respirei fundo, dei o último gole no meu café preto e fiquei sentada ali por mais uns poucos minutos.

 

Levantei-me e caminhei em direção a minha mala de roupas, como ficaria uns bons meses por aqui eu havia trazido uma boa quantidade delas, tinha negócios a resolver em São Paulo e nunca se sabe quanto tempo isso levaria. Parei em frente a mala e fiquei olhando por alguns instantes e pensando que roupa colocar, era Sábado e eu queria dar uma volta de carro pela cidade e talvez parar para almoçar em algum lugar legal, algum bistrô pequeno daqueles que eu adorava ir com Jackie, ai, droga, merda, é só eu chegar nesta cidade que essa mulher não me sai da cabeça, parece que tudo aqui me lembra ela que inferno, enfim.

 

Escolhi uma roupa simples, mas com certa elegância, uma calça preta justa com a barra um pouco alta, uma sandália de salto preta e uma camisa branca bem fresca e semi transparente, abusei dos acessórios e coloquei um cordão comprido com contas de madeira que comprei de um artesão na África, aquilo caia super bem sobre o decote da camisa e sobre meus seios, passei meu perfume predileto, apanhei minha bolsa e desci o elevador em direção ao estacionamento do hotel para pegar meu carro, decidi nem secar muito meus cabelos, eles estão longos e bem encaracolados e secar os deixa volumosos demais e eu queria algo mais natural hoje.

 

(play na música 3)

 

Entrei em meu carro e logo já liguei um bom som rodar pela cidade, essa música tem uma batida legal, aumentei o volume e abri a janela, quando passei pela cancela que dava acesso a rua pude ver as pessoas na porta do hotel me olhando, eu em uma SUV preta enorme, acho que escolhi um carro grande para compensar minha baixa estatura, camisa branca, cabelos soltos e cantando com a música no último volume, foi engraçado, eu apenas consegui olhar e sorrir.

 

O Hotel fica próximo a região da Avenida Paulista, por isso a visão da cidade toda da janela do quarto, saí em direção ao centro, ali havia uns bistrôs legais, eu poderia rodar um pouco e quando desse fome já estaria perto de algum lugar elegante e aconchegante para comer e relaxar.

 

Enquanto rolava a música eu ia rodando pelas ruas da cidade e cantando dentro do carro e por onde eu passava podia notar as pessoas olhando com certeza achando que eu era louca, mas eu não me incomodo com isso, posso dizer que até gosto de chamar atenção, mas minha cabeça sabia que eu rodava a cidade para talvez encontrar Jackie, eu já estava casada a mais de 8 anos mas de fato saber que nos pertencíamos era algo que me deixava segura, eu era dela e ela era minha, independente de qualquer outra coisa que ocorresse em nossas vidas, ela sempre estaria me esperando, nem sempre foi tranquilo, muito pelo contrário, nossa relação foi sempre muito conturbada e regada a mentiras, dor e desejo, mas de fato quando estávamos juntas era como uma droga potente que entrava pela corrente sanguínea e tudo ao redor desaparecia, sempre muita paixão, muito tesão, luxúria e um desejo interminável, parecia em alguns momentos que se morrêssemos ali naquele instante no ápice do prazer estaria tudo bem.

 

Enquanto eu rodava pelas ruas da cidade meus pensamentos iam longe, longe até demais e eu precisava tomar cuidado, ninguém sabia que eu estava em São Paulo então achei melhor subir os vidros do carro que eram totalmente escuros e de fora não se podia identificar quem estava dentro. Continuei rodando de carro até que senti uma vontade de parar um pouco, tomar um suco ou algo bem gelado, meu café da manhã foi espetacular e eu provavelmente só teria fome mais no final da tarde, mas eu não queria ficar exposta em nenhum local com a cara pra rua, então lembrei de um lugar que ia com Jackie, eu sabia que era arriscado, e que o dono do lugar é amigo dela, mas que se foda, o que realmente eu mais queria era encontrá-la mesmo ou que alguém dissesse a ela que me viu, então pensei, porque não? 

 

E imediatamente fiz o retorno na próxima rua e fui em direção ao "Le Café", já passava das quinze horas e seria uma boa hora para um café também. Eu estava a alguns minutos de lá, fui chegando perto, diminui a velocidade do carro vi que estava aberto, havia algumas pessoas nas mesas próximas a calçada, não era ninguém conhecido, então avistei uma vaga logo a frente embaixo de uma grande árvore e fui encostando o carro e estacionei, peguei minha bolsa, olhei no espelho, ajustei os cabelos, respirei fundo e saí do carro, mesmo com minha pouca estatura eu sempre tive um ar imponente o que fazia com que eu parecesse maior do que meus 1,68m de altura.

 

Fechei a porta do carro e já andando em direção ao "Le Café" acionei o alarme do carro e continuei andando, já bem próximo ao local confesso que pensei em desistir.

 

- Alicia, o que você está fazendo, isso pode ser um desastre - falei em voz baixa para mim mesma.

 

Mas eu decidi continuar, coloquei meus óculos escuros, levantei a cabeça e entrei no café, dei apenas uns quatro ou cinco passos em direção a parte dos fundo onde eu ficaria mais a vontade quando o mundo a minha volta simplesmente parou, nada mais fazia sentido naquele momento, lá estava ela em pé, de costas para a entrada ao lado de seus amigos, linda, totalmente casual de bermuda jeans, regata branca e tênis, aqueles cabelos soltos em tons avermelhados e seus braços totalmente tatuados, levantou um dos braços passando as mãos em seu cabelo e falando algo que fez seus amigos rirem no mesmo momento, eu estava gelada, paralisada, minhas mãos suavam e meu coração batia com tanta força que sentia meu peito estufar, não podia ser, por mais que no meu subconsciente eu queria encontrá-la, admito que não estou conseguindo lidar com a situação, não sei o que fazer, não consigo mexer um só musculo do meu corpo, não sei se fujo ou vou ao encontro dela, isso poderia ser uma tragédia considerando tudo que ocorreu da última vez que nos falamos, foi algo bem ruim e eu fui dura com ela, disse coisas que talvez a tenham realmente a machucado, mas que naquele momento era necessário, eu precisava fazer aquilo senão iriamos enlouquecer juntas, por mais que eu saiba que uma relação com Jackie nunca dará certo eu não consigo esquecê-la e a ver ali a apenas alguns metros de mim despertou tudo de mais profundo que sinto por ela, ela é como um imã, ela exerce uma atração sob mim que mesmo no meu mais intimo desejo eu não consigo ficar longe dela.

 

(Play na música 4)

 

Continuei ali parada sem saber o que fazer, não ia para frente e nem me virava para ir embora antes que ela me visse, mas nossa ligação é algo tão surreal que enquanto eu estava paralisada pude perceber ela virando seu rosto lentamente em minha direção, como se pudesse sentir minha presença e eu sei, ela sente, da mesma maneira que eu tinha certeza que ela estava lá ela me sentiu.

 

Em um instante estávamos, frente a frente separadas por alguns metros, imóveis, sem nenhuma reação espontânea, eu apenas ergui minha mão e tirei meus óculos escuros lentamente e pude sentir nossos olhos se encontrarem e se fixarem, senti um calor subindo pelo meu corpo desde a base da coluna até minha cabeça, minhas pernas tremiam que achei que poderia desabar em um segundo, a feição dela mudou assim que colocou os olhos em mim, ela estava sorrindo ao se virar em minha direção, mas assim que me avistou seu rosto era um misto de desejo e ódio, ela fixou os olhos nos meus e assim ficamos por alguns segundos, imóveis, nos encarando, eu com certeza também não estava com uma cara muito boa, me sentia ansiosa e louca de vontade de pular em seus braços, mas eu não faria isso, mas não poderia ficar do jeito que está.

 

Engoli seco e caminhei até próximo dela, sem tirar os olhos de seus olhos, era como se mais nada existisse a nossa volta, não havia som, pessoas, mesas, paredes, nada além de nós duas frente a frente, cheguei tão perto dela que pude sentir seu hálito e sua respiração ofegante, ainda com os olhos cravados uma na outra mais alguns segundos se passam, eu podia sentir em seu olhar o desejo, a minha vontade era de lhe dar um beijo frenético, violento e quente e sabia que ela estava com o mesmo desejo, minha boca foi se aproximando de sua boca até quase tocar seus lábios, até que ela deu um passo para trás.

 

- Que porra você está fazendo aqui? Jackie falou olhando para mim.

 

Em seu olhar agora eu não via mais o desejo e sim puro ódio, eu ia falar, mas ela colocou seu dedo na boca em sinal de silencio.

 

- Cala a boca, não quero te ouvir, nada, nenhuma palavra que saia de sua boca.

 

Pegou sua bolsa, passou por mim feito um furacão e simplesmente foi embora, eu não consegui me mexer nem para olhar para trás a única coisa que consegui pensar foi, será que tudo mudou? Por que Jackie se comportou desta maneira?

 

Eu também não tive condições de ficar naquele lugar depois do que acabara de acontecer, enchi meus pulmões de ar, coloquei meus óculos escuro, virei e saí do café em direção ao meu carro e simplesmente fui embora de lá.

 

Capítulo 7 - O Começo de Tudo por Anna Straub

Playlist

 

Música 1 - West Coast - Lana Del Rey

Música 2 - Hunger of the Pine - Valts, Jody Wisternoff

Música 3 - Cavalier - James Vincent McMorrow

 

 

Point of View - Alex

 

 

- Eu não acredito o que acabei de ver acontecer aqui - disse para Lena e Luc.

 

- Alex, o que mais me surpreendeu foi a reação de Jackie, ela parecia que ia ceder novamente, mas de repente ela simplesmente mandou a maluca calar a boca, eu nunca vi ela reagir assim em nenhuma das vezes que Alicia apareceu em sua vida, ela sempre cedia e acabava se envolvendo com ela novamente - disse Luc um tanto assustado.

 

- Luc eu vou atrás de Jackie, ela não deve estar nada bem, mas que porra essa mulher aparecer novamente, bem que Jackie estava sentido algo, ela já estava a alguns dias lembrando dela e aquele episódio da bebida na boate acho que foi demais.

 

Peguei minha mochila em cima da cadeira, levantei-me rapidamente para ir atrás de Jackie.

 

- Lena, eu preciso ir atrás de minha amiga, não sei o que ela é capaz de fazer e a reação dela me deixou um tanto intrigada, nos falamos mais tarde, ok?

 

Saí apressada do Le Café já pegando o celular para ligar para Jackie, eu não sabia se ela havia ido para sua casa ou sei lá para onde, apesar da resposta atravessada que ela deu para Alicia eu sabia que não estava bem, aquela maldita mulher ainda vai acabar com minha amiga, desde que conheceu Alicia nada foi mais o mesmo, essa mulher causou uma bagunça em sua vida, eu definitivamente não gosto de Alicia por conta disso, não acho ela uma pessoa má, mas porque toda vez ela aparece, as duas passam um tempo juntas como se o mundo ao redor não existisse e depois ela some, ou aparece com outra pessoa na frente de Jackie, não entendo porque elas não ficam juntas já que a ligação das duas de fato é algo tão surreal que até para mim que estou de longe é possível sentir, a forma como se olham, como se tratam é como se fosse um amor de almas, como se de fato uma fosse a metade da outra, nada as afeta quando estão juntas, mas a personalidade de Alicia parece a impedir de estar com Jackie, ela é inconstante e fria em alguns momentos, ela some sem dar sequer uma explicação e da mesma maneira reaparece do nada de tempos em tempos, isso é insano.

 

- Porra atende Jackie, por favor, anda, anda, atende essa porra de telefone.

 

Continuei andando em direção a seu apartamento enquanto ligava para seu celular sem sucesso, ela não atende, estou com medo dela sozinha depois do que acabou de acontecer, preciso encontra-la o mais rápido possível, se bem conheço ela vai se isolar, creio quem nem ela esteja conseguindo lidar com o fato de pela primeira vez em todos esses anos ter simplesmente ignorado a presença de Alicia, mas também cacete, como Alicia sabia que Jackie estaria lá? Será que alguém avisou ela? Se bem que a ligação delas é tão forte que pode ter sido atração mesmo, que tenha sido algo não planejado, mas a egrégora em tono delas é tão poderosa que isso já aconteceu várias vezes, elas acabavam se encontrando em locais totalmente improváveis, é como um imã, tá louco, porra de ligação inexplicável dessas duas viu, não sei porque não conseguem simplesmente ficarem juntas e se amarem, viver essa paixão avassaladora que uma tem pela outra, por que tem que ter tanto sofrimento, tanta mentira e tanto sexo, há isso sim é assustador, Jackie sempre me contava detalhes de suas noites com Alicia e confesso que nunca ouvi ou vivi nada parecido, é para enlouquecer mesmo.

 

Cheguei na porta do prédio de Jackie e continuava ligando para ela incessantemente e nada dela atender a porcaria do telefone, toquei o interfone e nada, eu já estava ficando preocupada de verdade quando a porta do prédio se abriu, um morador saia e eu aproveitei para entrar, não tinha certeza de que Jackie estaria em seu apartamento, mas eu tentar, ia insistir, nem que eu tivesse que ficar plantada em sua porta o resto do dia. Subi de escada mesmo, seria mais rápido.

 

- Nossa que merda, preciso fazer exercícios, ainda faltam dois andares e eu mal consigo respirar - falei abaixando o tronco e apoiando minhas mãos nos joelhos e fazendo uma pausa na subida, realmente estava sem fôlego.

 

Me apoiei no corrimão, respirei fundo olhei para cima vendo mais e mais degraus a minha frente, mas eu tinha que subir, era por uma causa nobre.

 

- Vamos Alex, sobe essa merda de escada, só falta mais um pouco - falei para mim mesma.

 

Cheguei a porta do apartamento de Jackie e resolvi não bater, fiquei em silêncio para tentar escutar algum barulho lá dentro, assim eu saberia se ela está lá ou não, se eu chamasse ela poderia simplesmente não atender e fingir que não estava lá, me sentei no chão ao lado da porta e fiquei em silêncio apenas prestando atenção para tentar ouvir algo, eu já havia feito mais de quinze ligações para seu celular e ela não havia atendido.

 

 

Point of View - Jackie

 

Já estávamos a umas boas horas falando bobagens depois do almoço delicioso que o Luc havia mandado preparar, e o clima já estava melhor depois deles entenderem que eu estava bem e que a dançarina não havia me enfeitiçado e que nem de longe a atração que eu estava sentindo por ela lembrava o sentimento tumultuado por Alicia, será que ela faria eu esquecer de vez que Alicia existe?

 

Eu podia sentir que ela era um demônio e me faria perder a lucidez, mas também sentia algo diferente, não sei explicar, seria talvez uma paixão repentina, do tipo à primeira vista?

 

Acho que Alex tinha razão, eu voltaria naquela boate, mesmo que fosse apenas para mostrar para aquela dançarina que eu sabia o que queria e era ela, afinal eu fui simplesmente escorraçada de dentro do camarim sem nenhuma explicação, saí de lá sem nem saber seu nome, mas isso não ficaria assim, eu vou voltar hoje a noite e dessa vez ela não escapa, ela irá conhecer meu lado dominador, não vou deixar ela me dominar.

 

Já estávamos sentados há horas e minhas pernas já não estavam mais aguentando, então me levantei um pouco para esticar a coluna e fiquei em pé ao lado da mesa, mas continuamos conversando, me espreguicei enquanto Alex falava suas bobagens.

 

- Há Jackie, vai, fala a verdade você vai voltar naquela boate hoje, né? Depois do que me contou e conhecendo bem você, tenho certeza que não vai deixar barato - Alex disse rindo muito e me provocando.

 

- Afinal, como ela se chama, Jackie? - disse Lena.

 

- Puta que pariu, além de tudo que aconteceu eu ainda saí de lá sem saber o nome daquele demônio - falei gargalhando.

 

Quando percebemos estávamos os quatro rindo muito de tudo aquilo e estava um clima gostoso e descontraído, levantei meu braço passando uma de minhas mãos no cabelo quando senti uma sensação estranha, senti como se alguém estivesse me observando, senti um calafrio que tomou conta de todo o meu corpo e logo em minha mente já veio a imagem de Alicia, era incrível como eu podia sentir sua energia a quilômetros de distância de mim, não podemos negar que temos uma ligação de almas tão forte que nada ao redor afeta esse estado.

 

(Play na música 1)

 

Lentamente virei meu rosto para trás em busca de algo que eu não sabia o que era e em um instante pude vê-la a poucos metros de mim, eu estava sorrindo mas quando me deparei com a imagem dela na minha frente senti que minha feição mudou, ela estava parada, estática na minha frente, ela está linda e sexy como sempre, tem um ar imponente, mesmo com pouca estatura, vestida em uma calça preta justíssima, marcando cada curva de seu corpo tão gostoso, usava uma sandália de salto e uma camisa branca transparente que deixava à mostra seus seios fartos e simetricamente perfeitos, seus cabelos encaracolados e totalmente soltos estavam mais cumpridos que lembro da última vez que nos vimos, estava com a bolsa em uma das mãos e seu único gesto daquele momento foi levar sua outra mão ao rosto e tirar os óculos escuros , estávamos imóveis, sem nenhuma reação, foi quando nossos olhos se cruzaram, isso sempre acontece, é como uma atração inevitável, meu corpo começou a tremer por inteiro, sentia uma certa fraqueza em minhas pernas como se pudesse falhar a qualquer momento.

 

Foi quando notei que ela caminhava em minha direção, nosso olhar não se desviou, parecia que fazia um silêncio descomunal naquele lugar, minha garganta estava seca e o que eu mais queria naquele momento era cair em seus braços, ela chegou muito perto, eu sabia que ela podia me desvendar pelo olhar, ela podia ver meu desejo em tê-la naquele exato momento, então ela se aproximou tanto que seus lábios quase tocaram o meu, eu podia sentir sua respiração ofegante e o calor de seu corpo, em um segundo passou em minha cabeça como um filme as suas últimas palavras para mim da última vez que nos encontramos, e senti como um punhal me ferindo por dentro e em um segundo de lucidez fiz algo que nunca achei que seria capaz de fazer na vida, não quando se tratava de Alicia.

 

Dei um passo para trás me afastando da tentação de me render a seus encantos, fechei meu semblante no mesmo instante.

 

- Que porra você está fazendo aqui? Disse ainda olhando profundamente em seus olhos, mas com um semblante de ódio e não mais de desejo.

 

Alicia ia dizer algo, mas definitivamente eu não queria ouvir nada dela, nada do que dissesse poderia apagar suas últimas palavras para mim, coloquei o dedo em minha boca em sinal de silêncio e disse:

 

- Cala a boca, não quero te ouvir, nada, nenhuma palavra que saia de sua boca.

 

Aquilo me machucou mais que a ela, tenho certeza, mas eu não poderia mais ser refém daquele sentimento avassalador e que nos embriagava de sexo, paixão, mentiras e dor.

 

Simplesmente peguei minha bolsa e saí a passos largos e firmes do Le Café, nem sequer olhei para trás para saber se ela estava vindo atrás de mim ou não, mas sinceramente eu nunca havia falado com ela desta maneira, muito pelo contrário, o feitiço dela sobre mim era tão forte que sempre que ela aparecia eu caia em seus braços, nunca pensei um dia ser capaz de tomar essa atitude, acredito que Alicia também esteja em choque e sem entender como  e porque eu fiz aquilo.

 

Fui para a rua meio sem saber exatamente para onde ir ou o que fazer, eu estava irritada e tremia da cabeça aos pés, estava sentindo um misto de ódio e desejo por Alicia que achei que poderia enlouquecer, tudo naquele momento estava a flor da pele, decidi que ia para meu apartamento e tentar me acalmar, não queria tomar nenhuma atitude precipitada com a qual eu pudesse me arrepender depois, fui andando rapidamente com medo dela vir atrás de mim e daí eu não saberia o que fazer, não sei se conseguiria manter a distância e me manter firme ou se cairia em seus braços novamente.

 

Enquanto caminhava e pensava em tudo ao mesmo tempo, pude sentir algumas lágrimas escorrendo em meu rosto, era inevitável sentir aquela dor e vazio, quando senti meu telefone vibrar dentro da bolsa e fiquei tensa, mas quem poderia ser?

 

O medo era tão grande que nem peguei o celular para ver quem me ligava insistentemente, logo cheguei ao meu apartamento, tranquei a porta, larguei a bolsa de canto e sentei no sofá, apoiei meus cotovelos nas pernas e levei minha cabeça em direção as mãos, eu só olhava para o nada, em silêncio e tudo começou a passar em minha cabeça, desde o dia que nos conhecemos até as suas últimas palavras a cerca de quatro anos por uma mensagem, foi como reviver tudo desde o início.

 

 

(Play na música 2)

 

 

Depois daquela noite que nos conhecemos na porta do meu curso de fotografia nossas vidas nunca mais foram as mesmas, passado uns dois dias eu estava na sala de aula, estava tendo aula de fotografia com modelos, fotografar pessoas não é assim tão simples, exige muito de observação, luz, movimento e interação com os modelos, quando alguém bateu na porta e lentamente abriu, éramos em uns 8 alunos mais o professor além de quatro modelos que estavam sendo fotografados, todos sem exceção olharam para a porta e eis que surge por uma pequena fresta aquele rosto, aqueles olhos profundos que vieram em minha direção imediatamente e uma voz doce.

 

- Professor, me desculpe interromper sua aula, mas é algo importante, poderia tirar Jackie de sua aula por alguns instantes? Disse Alicia

 

O professor apenas me olhou e disse:

 

- Vamos logo Jackie, converse do lado de fora para não atrapalhar os demais. Disse o professor com uma cara de quem não tinha gostado muito da situação.

 

Eu pude ouvir alguns cochichos dos meu colegas e alguns risos baixinhos também, nesta altura eu com certeza estava com o rosto todo corado, eu podia sentir um calor subindo do pescoço até o topo da cabeça, olhei para Alicia que ainda estava com a porta entreaberta e notei nela um sorriso de canto, um tanto provocador enquanto eu saia da sala ou vi um assovio de uma de minhas amigas, olhei rapidamente para ela e saí antes que me matassem por interromper a aula.

 

Eu não podia acreditar que ela tinha feito isso comigo, quase morri de vergonha, fechei a porta atrás de mim e lá estava ela, linda, exuberante com os cabelos soltos, jeans e camiseta, seus olhos, castanhos tão profundos e sua boca perfeitamente desenhada e aquelas curvas perfeitas que nem uma roupa simples podia esconder, ela estava com um sorriso manhoso e sexy ao mesmo tempo, ela é diferente de qualquer mulher que eu já havia conhecido, meu corpo já tremia por inteiro, eu realmente estava nervosa.

 

- Olá tudo bem Srta Jackie - disse ela olhando profundamente dentro de meus olhos.

 

- Olá Alicia, tudo bem-disse com a voz trêmula

 

- Você parece um tanto nervosa, eu te deixo nervosa Jackie? Alicia falou com um sorriso sarcástico.

 

- Bem, é, enfim

 

Foi o que consegui falar naquele momento, ela soltou uma deliciosa gargalhada.

 

- Bem, definitivamente te deixo nervosa, mas espero que eu também a acometa com outras sensações.

 

Como ela podia ser tão direta? Como podia me desestabilizar apenas com palavras? Ela é tão segura de si que de fato me deixa com medo e curiosidade ao mesmo tempo.

- Bem, acho melhor sairmos do corredor, estamos paradas como estátuas aqui. Disse já pegando em minha mão e me levando em direção as escadas de emergência.

 

- Onde está me levando? Perguntei, mas já me arrependi da pergunta no mesmo momento, puta pergunta imbecil.

 

- Em um lugar um pouco mais calmo - disse Alicia rindo e me arrastando.

 

Entramos pela porta que dava acesso à escada, ela olhou em meus olhos e sentou-se em um dos degraus.

 

- Vem pra cá, ou vai ficar aí em pé com essa cara de assustada?

 

Eu caminhei em sua direção e sentei-me uns dois degraus abaixo que o dela, não nego que eu estava totalmente atraída por aquela mulher, e como me conhecia era melhor manter a distância pois poderíamos acabar nos atracando ali mesmo.

 

Ela olhava tão profundamente em meus olhos que me causava uma sensação de descontrole absoluto, minhas mãos estavam suando e eu com certeza estava transparecendo todo aquele nervosismo.

 

- Posso te fazer uma pergunta? Disse Alicia

 

- Sim, pode, espero conseguir te responder - disse rindo de nervoso.

- O que você sente quando me olha?

 

- Eu sabia que a pergunta não seria fácil de responder, mas você quer sinceridade? Disse com nervosismo, ela é direta demais.

 

- Sempre, nada menos de que toda a sua sinceridade me bastará.

 

- Você me enfeitiça, eu perco meus sentidos, eu te desejo, desejo seu corpo, sua boca, seu calor, sua alma - não sei como aquelas palavras saíram da minha boca, sério.

 

 

(Play na música 3)

 

 

Por alguns instantes ela permaneceu em silêncio apenas olhando profundamente em meus olhos, sua feição que até então era um tanto sarcástica passou para puro desejo, notei sua pele alva ficando corada, passou lentamente sua língua nos lábios de um lado para o outro deixando-os molhados e mordeu o canto da boca, antes que eu conseguisse ter qualquer reação ao que via ela se levantou, sentou em meu colo de frente para mim, com as pernas abertas passando por fora das minhas, agarrou meus cabelos pela nuca e me embriagou em um beijo de paixão, eu sentia sua boca, seu hálito, seu gosto e sua respiração em mim, suas pernas prendiam com força meu quadril e o beijo continuava intenso, eu podia sentir minha boca arder de tanto atrito com aqueles lábios carnudos, sua língua serpenteava em minha boca e o beijo era tão perfeito, nossas bocas estavam em perfeita harmonia, era um encaixe perfeito, não conseguíamos parar o beijo, suas mãos já estavam em minhas costas e suas unhas mesmo por cima de minha roupa me feriam, mas aquela dor era prazerosa, retribui colocando minhas mãos em sua bunda e trazendo seu corpo para mais próximo do meu, como se fosse possível, estávamos tão entrelaçadas naquele beijo e eu sentia seus seios tocarem os meus, eu já estava totalmente enlouquecida e com um desejo de arrancar toda a roupa de Alicia ali mesmo.

 

O Beijo continuou, ela estava com seu sexo encostado no meu e mesmo por cima da roupa eu podia sentir o seu calor, ela se mexia em um vai e vem em meu colo, eu podia ouvir seus pequenos gemidos dentro de minha boca, sentia seu ventre se contrair, estávamos em um inebriante momento de paixão e desejo, confesso nunca ter sentido nada parecido, não era só o desejo do corpo, havia uma conexão, era como se eu realmente houvesse encontrado minha outra metade, e ela a dela, em um momento em que abri meus olhos eu pude ver lágrimas correndo pelo seu rosto, não era tristeza, era algo muito maior e imediatamente eu também estava com lágrimas nos olhos, aquilo foi mágico, não dissemos uma só palavra, apenas estávamos nos sentindo, nos reconhecendo, nos reconectando de alguma forma, era como se tivéssemos matando uma saudade de séculos, eu podia jurar que já havia sentido aquele beijo, aquele gosto e aquele aroma que exalava de seus poros, a sensação era indescritível para ambas, ela acomodou sua cabeça em meu ombro de forma carinhosa e intensa, eu alisei seus cabelos cacheados com carinho e delicadeza, suas lágrimas ainda corriam em seu rosto, fiz menção de falar algo, ela delicadamente colocou sua mão em minha boca e olhando em meus olhos como se dissesse que não precisávamos falar nada naquele momento, nenhuma palavra sequer conseguiria definir o que sentimos ali.

 

Ainda ficamos por alguns minutos naquela posição, ela sentada em meu colo com a cabeça repousada em meu ombro, até que ela levantou o rosto me olhou novamente dentro dos olhos.

 

- Onde você esteve todo esse tempo?

 

- Por onde você andou?

 

Eu nada consegui falar, mas eu tive vontade de lhe perguntar a mesma coisa, mas me mantive em silêncio, apenas lhe sorri e nos abraçamos intensamente, começamos a ouvir um falatório, parecia que havia pessoas descendo do andar superior pelas escadas, ela então se levantou de meu colo, ficando à minha frente tinha um semblante tranquilo, ajeitou seu cabelo para trás de suas costas e me fez um pedido.

 

- Me leve até em casa, por favor.

 

- Claro que levo - respondi com a voz embargada

 

- Me espere lá embaixo, só vou pegar minhas coisas e já desço.

 

Ela então se virou e saiu pela porta, eu fiquei ali ainda mais alguns segundo tentando encontrar uma lógica no que eu havia acabado de vivenciar com Alicia, mas não conseguia encontrar nenhuma razão em toda aquela emoção e sentimento de pertencimento tão poderoso que tomava conta do meu corpo e da minha mente.

 

Fui até a sala de aula, o pessoal já estava saindo, entrei peguei minha mochila e minha máquina fotográfica e desci as escadas para encontrar com Alicia e levá-la para casa como ela havia me pedido.

 

Eu já estava na porta do prédio, acendi um cigarro e dei uma longa tragada, eu ainda estava inebriada e porque não dizer atordoada, quando olho em direção às catracas e lá vem ela, dona de si e com um sorriso para mim que confesso nunca havia visto igual.

 

- Vamos - disse Alicia

 

- Caro, mas não sei onde você mora, então terá que me guiar.

 

- Moro aqui perto, podemos ir caminhando - falou pegando em minha mão e andando em direção a esquina.

 

Foram aproximadamente quinze minutos de caminhada e o mais louco é que não trocamos uma palavra sequer o caminho todo, ela vez em quando segurava meu braço e apoiava sua cabeça na lateral de meu braço, aquilo era reconfortante, era uma sensação de pertencimento tão profundo que eu não saberia descrever.

 

Até que chegamos a uma praça, ela parou, ficou de frente para mim, segurou em minhas mãos e disse:

 

- Moro logo ali - falou apontando para uma pequena rua que derivava desta praça.

 

- Daqui já posso ir sozinha, te vejo amanhã?

 

- Sim, nos vemos amanhã, mas me diga uma coisa, isso foi um sonho? Falei sorrindo.

 

- Não Jackie, apenas um reencontro - disse Alicia já se virando e caminhando para a pequena rua em direção à sua casa.

 

Eu fiquei olhando-a de longe até vê-la sumir entre as árvores da praça, onde minha visão já não alcançava mais. Dali mesmo eu voltei para a porta do curso, eu havia combinado de esperar o Luc para comermos algo depois da aula e sério, eu precisava falar para ele o que aconteceu, não seria capaz de guardar aquilo dentro da minha cabeça e assimilar sozinha.

 

Eu na verdade não via a hora de chegar logo o dia seguinte para vê-la novamente. Depois deste dia nos víamos praticamente todos os dias e era sensacional, nós riamos, ela me contava de coisas que gostava, lia poesias para mim, me escrevia cartas, me dava origamis e bilhetinhos com coisas escritas todos os dias, parecia que tudo era perfeito.

 

Em uma segunda feira ela me ligou e disse que ficaria fora até o final da semana, que faria um curso fora da cidade, aquilo já me deixou agoniada, mas compreendi, e passamos esta semana praticamente incomunicável, mas na sexta-feira pela manhã ela já estava de volta, me ligou e perguntou se eu poderia sair com ela após a aula naquele dia, eu disse que sim então ela me mandou um endereço e disse que me esperava as vinte e duas horas, eu respondi afirmativamente e ela disse que estava enlouquecidamente com saudades, depois daquele beijo quente que tivemos na escadaria nunca mais chegamos ao ponto de desejo extremo, era como se estivéssemos nos conhecendo, haviam beijos sim, mas era algo mais doce e menos voraz, não por falta de desejo, mas porque o momento que estávamos vivendo pedia que fosse assim, deixamos fluir, sem expectativas e sem cobranças.

 

Confesso que meu desejo por ela aumentava a cada dia, mas as coisas aconteceriam na hora certa e pelo tom de voz dela parecia que estava preparando algo para nós naquela noite e eu estava ansiosa, o dia praticamente se arrastou até que a noite chegasse.

 

Capítulo 8 - Aquela Noite por Anna Straub

Aproveitem que este capítulo está quentíssimo e cheio de revelações !! e neste em especial eu aconselho usar a playlist, fará toda a diferença, eu garanto !!

 

Música 1 - Crazy in love - Sofia Karlberg

Música 2 - Wise Enough - Lamb

Música 3 - Lento - Lauren Jauregui

Música 4 - You Don't do it for me Anymore - Demi Lovato

 

O dia passou arrastado desde que recebi a ligação de Alicia pedindo para lhe encontrar hoje depois da aula, fique o dia todo imaginando coisas, situações, mas com ela nada era previsível, não adiantaria eu fantasiar nada com ela era tudo diferente, mas o fato é que eu estava disposta a passar a noite com ela, eu já não aguentava mais o desejo que sentia por possuir seu corpo, tudo que estávamos sentindo uma pela outra era mágico, mas os desejos do corpo estavam falando mais alto, eu estava ansiosa e apreensiva, não queria criar expectativas mas eu queria que fosse perfeito e passei o dia com isso em minha mente.

 

Perto da hora de ir pra aula fui tomar meu banho, eu estava um tanto atrasada já que havia trabalho mais horas do que o esperado para o dia, mas mesmo assim precisava de um tempo para relaxar no banho e estar completa para encontrá-la nesta noite.

 

Escolhi uma roupa casual, ela não havia me dito se iriamos em algum lugar ou não, o endereço que me deu era de sua casa, eu notei pois quando pesquisei lembrei do dia em que a levei até bem próximo de sua casa, decidi usar um jeans básico, meio justo, meu coturno preto predileto e uma regata preta, eu adorava como meus braços totalmente tatuados ficavam bem em uma regata e claro que me encharquei de perfume, sempre lembro de ouvir Alicia dizendo de como gosta de meu perfume e que as vezes ela anda na rua e sente o perfume e fica procurando ao redor para ver se estou por perto, isso é impressionante pois acontece comigo também o tempo todo em relação ao perfume dela.

 

Já eram vinte uma e trinta, eu sentada na sala de aula olhava para o relógio a cada cinco minutos e eu podia jurar que os ponteiros estavam andando para traz, mas agora eram só mais dez ou quinze minutos e eu iria ao encontro de Alicia. Sai da aula e decidi ir de taxi, não queria chegar lá suada e os quinze minutos de caminhada já seriam suficientes para isso já que fazia uma noite quente, pedi ao taxista parar em um empório que havia no caminho e decidi levar uma garrafa de vinho, como eu não tinha a menor ideia do que me esperava achei melhor pelo menos não chegar de mãos abanando.

 

(Play na música 1)

 

Chegando na porta da casa cujo endereço ela me mandou pude notar que apenas uma das janelas estava levemente iluminada, parecia algo a meia luz, não sei se velas talvez era uma luz bem amarelada e bem difusa, paguei o taxista, abri a porta e desci com uma pequena mochila em minhas costas onde estava minha máquina fotográfica e nas mãos a garrafa de vinho, olhei para o relógio e eram vinte e duas horas em ponto, respirei fundo, notei o taxi partindo e fui em direção ao portão baixo em busca da campainha, mas a rua era bem escura e a frente da casa não estava tão iluminada, enquanto procurava ouvi a porta se abrir, imediatamente meu coração acelerou, achei que ia pular do meu peito, imediatamente meu olhar encontrou ela, fiquei quase sem ar, subiu um frio em minha barriga e logo um sorriso tomou conta de meus lábios, a visão de Alicia era como magia, a porta entreaberta e aquela luz difusa ao fundo pouco a iluminava, mas fazia um jogo de sombras em seu corpo, era possível identificar toda sua silhueta, seus cabelos estavam presos em coque acima da cabeça e apenas pequenos fios escoriam sobre seu rosto, dando movimento, seu corpo estava perfeitamente acomodado em um belo e simples vestido preto e justo, apenas uma abertura na lateral deixando parte de suas coxas à mostra e um decote em "v" que destacava ainda mais seus seios fartos e perfeitos, ela estava com um semblante tranquilo mas desafiador, algo nela era puro mistério, ela exalava desejo, paixão e encrenca.

 

- Entra, o portão está aberto - ela disse quase sussurrando

 

Abri o pequeno portão subindo três ou quatro degraus de encontro a ela, meus olhos não conseguiam desviar dos seus, era um magnetismo assustador, tudo parecia estar em câmera lenta até que estava parada de frente à ela, mas não tínhamos reação, apenas nos olhávamos tão profundamente que qualquer palavra dita naquele momento seria inútil, nada descreveria o que estávamos sentindo até que ela simplesmente se virou e entrou fazendo um sinal com a mão para que eu também entrasse, e eu obedeci prontamente, entrando pela porta da sala pude ver que a luz difusa realmente eram velas, muitas delas, era impossível contar, estavam em todos os cantos, pelo chão e pelos móveis, então caminhei mais um pouco, ela imediatamente pegou a garrafa de vinho de minha mão e foi em direção a um corredor na lateral da sala que provavelmente dava acesso à cozinha, eu fiquei ali no meio da sala observando tudo ao redor, a decoração era minimalista, pouco móveis de linhas retas, alguns quadros nas paredes com motivos místicos e algumas fotos de cidades em preto em branco, caminhei até uma estante repleta de livros que estava ao lado oposto ao corredor por onde Alicia havia entrado, e fiquei alguns segundos observando a quantidade absurda de livros que havia nesta estante, senti um aroma adocicado com um fundo um pouco picante que fez com que minha boca enchesse de água, aquilo realmente foi inesperado, olhava ao redor e não via exatamente de onde partia este aroma, mas era delicioso e estimulante, continuei próxima a estante avaliando os títulos até sentir a respiração de Alicia próxima de meus ouvidos e então virei meu corpo lentamente em sua direção, ela segurava duas taças com o vinho que eu havia trazido e estendeu sua mão com uma das taças para que eu pegasse, ergueu a sua em sinal de brinde e já com um olhar de puro desejo sussurrou novamente.

 

- Aos desejos mais insanos que possamos nos privilegiar esta noite.

 

(Play na música 2)

 

Eu apenas levantei a taça retribuindo o brinde, mas de fato não consegui dizer uma palavra sequer, apenas dei um gole no vinho, ela se afastou um pouco de mim e foi em direção a um pequeno aparelho, parecia tipo uma dock station onde seu celular estava conectado iniciando uma música deliciosa que inicia lentamente apenas com uma voz feminina em sussurros em súplicas, até entrarem batidas mais graves, esse som inundava a sala e parecia preencher todos os espaços vazios entre os móveis e nossos corpos.

 

Alicia então caminhou lentamente em minha direção, ela estava descalça caminhando sobre um enorme tapete que tomava praticamente toda a sala, seus pés afundavam nas fibras macias era uma visão alucinante e tudo era perfeito, as velas, o aroma, a música e ela vindo em minha direção, seu olhar penetrava meu corpo como se pudesse me despir, ela me olhava de ponta a ponta enquanto caminhava em minha direção com sua taça de vinho nas mãos, a cada passo que ela dava eu podia notar suas pernas deslizando pelo tecido do vestido e aquilo foi me deixando quente, trêmula e sedenta por toma-la em meus braços, até que ela enfim estava bem a minha frente, tão próxima que pude sentir o aroma do vinho exalarem de seus lábios e aquele perfume inebriante, quente e excitante que ela usava.

 

- Isso tudo é para me matar? Perguntei baixinho com meus lábios quase tocando os dela.

 

- Só se for para morrermos juntas esta noite - disse sem tirar os olhos de minha boca.

 

Eu não sabia o que aconteceria aquela noite, era tanto desejo envolvido que nenhum limite seria possível, nada seria contido eu podia sentir nossos corpos vibrando e sedentos de algo que ainda nem sabíamos, senti seus lábios delicadamente tocarem os meus e logo já havia se transformado em um beijo sedento de paixão, nossos lábios rocavam com força eu sentia sua língua em minha boca e sentia o sabor adocicado do vinho, em segundos apoiamos nossas taças em uma pequena mesa ao lado, ela entrelaçou seus braços em minhas costas e conforme o beijo ficava cada vez mais forte suas unhas eram fincadas em mim, envolvi seu quadril em minhas mãos e a trouxe para mais perto se é que isso fosse possível.

 

(Play na música 3)

 

Eu podia sentir seus pequenos e contidos gemidos em minha boca, eu sentia a contração de seu abdome cada vez que eu apertava minhas mãos em seu quadril, quando pude ouvir ao fundo uma música com uma sonoridade latina, sexy e sugestiva, parecia que ela havia escolhido cada detalhe daquela noite, tudo acontecia de uma forma inusitada e que permeava todos os nossos sentidos fazendo nossos instintos mais profundos ficarem a flor da pele, meu corpo se arrepiava seguidamente sem parar, eu podia sentir o calor entre nossos corpos aumentando a cada instante até que ela me empurrou no sofá logo atrás de nós, parou na minha frente e começou a dançar aquele ritmo latino de forma tão sensual que era impossível manter a sanidade, o balanço de seu corpo ao ritmo da música levando suas mãos aos cabelos e soltando o coque deixando seus cachos escorrerem pelas costas, suas mãos passeavam por suas curvas, seus seios, seu sexo e seus rosto , tocando em seus lábios, levantando levemente seu vestido deixando suas coxas mais aparentes, ela tinha luxúria no olhar, definitivamente ela sabia exatamente a sensação que estava me causando e eu ali desmontada naquele sofá, com o corpo arqueado para frente com os cotovelos apoiados no joelho e meu queixo apoiado em uma de minhas mãos, eu estava a observando dançando tão próxima de mim mas eu não queria tocá-la naquele momento, eu queria admirar ela dançar para mim, aquilo era tão surreal, tão excitante até que ela se aproximou, abriu suas pernas se sentou de frente em meu colo, e novamente nossos beijos eram ardentes e sedentos.

 

A música continuou e outras músicas foram entrando na sequência que no final eu já não estava mais prestando atenção nelas.

 

- Você me enlouquece, o que está fazendo comigo? sussurrei em seu ouvido.

 

- Não farei nada que não queira, mas os limites não existem hoje Jackie, esperei muito tempo por estar assim com você, apenas sinta e me faça sentir - disse com a voz embargada

 

Ela então levou as mãos ao seu vestido e o retirou, eu pude ver sua pele alva, seu corpo deliciosamente quente, sua lingerie vermelha toda em renda, a calcinha mal cobria suas generosas curvas e seus seios estavam perfeitamente encaixados naquele sutiã, ela então levou as mãos aos cabelos que caiam sobre seu rosto, os enrolou e colocou para trás curvando seu corpo em minha direção, tirou minha regata e seguiu com seus lábios em direção aos meus seios, eu apenas coloquei minha cabeça para trás a dando liberdade para tocar seus lábios em mim, eu podia sentir sua língua quente percorrer meus seios por cima da renda de meu sutiã e suas mãos cravadas em meus ombros, subiu com sua língua em direção ao meu pescoço e beijava meu ponto de pulso me deixando enlouquecida, eu soltava pequenos gemidos e ela sorria sarcasticamente pois sabia exatamente as sensações que estava causando em meu corpo, eu não pude resistir a levei minhas mãos até sua bunda apertando-a em direção ao meu corpo, senti Alicia arfar enquanto beijava meu pescoço a cada vez que apertava sua bunda.

 

Estávamos a alguns minutos nos tocando, nos beijando e nos sentindo intensamente, era tudo completamente diferente com Alicia, nada, absolutamente dana do que eu estava sentindo com ela eu já havia sentido antes, não era só tesão, excitação, era algo maior, o sentimento envolvido preenchia todos os poros do meu corpo e poderia dizer que ela estava sentindo a mesma sensação, seu corpo reagia de uma forma totalmente diferente de outras mulheres com quem eu havia me relacionado, era magia pura, amor de verdade, uma enorme sensação de pertencimento e de reencontro de duas almas, era surreal.

 

Nesse ponto já estávamos repletas de desejo e queríamos mais, muito mais.

 

- Jackie, me leva para a cama - disse em sussurros

 

Alicia se levantou de meu colo, me pegou pelas mãos e fomos em direção a seu quarto, abrindo a porta eu puder perceber mais velas acessas e uma enorme cama com lençóis brancos perfeitamente esticados, ela se virou em minha direção e começou abrir minha calça de forma voraz ela parecia não estar com muita paciência, eu ajudei a abrir o botão e ela logo abaixou minha calça, abaixei um pouco para arrancar meus sapatos e quando levantei minha cabeça lá estava ela deitada naqueles lençóis macios e completamente nua, era a visão mais perfeita que eu já havia visto, suas curvas eram perfeitas e o desejo em seu rosto estava me enlouquecendo.

 

- Vem Jackie, tira essa roupa e vem, eu preciso de você em mim - seu olhar era voraz e sua voz arrastada e rouca me tirou do sério.

 

Rapidamente tirei o resto de roupa que me restava e fui de encontro ao seu corpo nu, deitei-me ao seu lado, admirando cada centímetro daquele corpo fodidamente gostoso, minhas mãos iam deslizando do seu rosto, passando por sua boca e ela não perdoou, colocou meu dedo totalmente dentro de sua boca, eu podia sentir sua língua em torno do meu dedo ela envolvia e chupava meu dedo de uma forma absolutamente prazerosa eu realmente não poderia imaginar o quão prazeroso isso poderia ser.

 

- Porra, gemi assim que senti sua língua em meu dedo

 

Ela apenas levantou o olhar e continuou a chupar meu dedo, ela deslizava da ponta até o fim repetidamente até que tirou meu dedo de sua boca e levou minha mão de encontro ao seu sexo, assim que senti seu sexo molhado em minha mão subiu um arrepio por minhas costas até minha cabeça, ela estava totalmente molhada e excitada, sua boceta estava quente, ela sentiu minha mão e imediatamente soltou um gemido alto e levou uma de suas mãos à cabeça.

 

- Você está me enlouquecendo filha da puta - eu disse já tomada pela excitação.

 

- Não fale nada Jackie, apenas me toque, deixa eu sentir suas mãos, sua língua e seu corpo em mim.

 

Então ao ouvir suas palavras eu senti uma vontade imensa de chupa-la e não pensei duas vezes, comecei a beijar seu pescoço desci em direção ao seu seio eu podia sentir seu corpo se retorcer sobre aqueles lençóis, Alicia tem um corpo que você mais desejaria possuir e naquele exato momento ele era totalmente meu, passei minha língua em seu mamilo de forma suave fazendo movimentos circulares até que não consegui resistir e tomei seu seio totalmente em minha boca, senti ela segurando parte do lençol com força tentando manter o controle que eu com certeza a faria perder em instantes.

 

- Gosta do que sente ao me ver assim tão entregue a você?

 

- Adoro o que vejo, mas gosto mais do que sinto, você me deixou totalmente molhada, posso sentir meu líquido escorrendo pelas minhas pernas.

 

- Que delícia, eu quero te sentir também

 

Deslizei minha língua por sua barriga chegando ao seu umbigo e a cada centímetro que eu descia eu podia sentir sua excitação aumentando, ela estava quente, com o corpo suado, e eu confesso que poderia gozar só de toca-la, mas eu não deixaria isso acontecer, eu queria prolongar ao máximo nosso prazer, continuei descendo minha língua até alcançar seu sexo e lentamente passar minha língua em torno de sua boceta.

 

- Porra Jackie !!!!

 

Ouvi Alicia falar com a voz rouca e cheia de desejo, estávamos a algum tempo desejando que essa noite acontecesse.

 

Continuei até que Alicia se levantou, me fez deitar e se ergueu sobre minha cabeça fazendo com seus joelhos se afundassem no colchão, eu não podia acreditar no que ela estava fazendo.

 

- Me chupa agora - ela ordenou

 

Eu prontamente a obedeci até ouvir um gemido forte no exato momento que coloquei minha língua em sua boceta, eu podia sentir seu corpo tremendo, ela mexia seu quadril para baixo e para cima em movimentos que iam aumentando de intensidade.

 

- Filha da puta, como você me chupa gostoso, não para agora continua assim - alicia gemia forte 

 

Eu deitada embaixo dela com minhas mãos sobre suas coxas não a deixaria escapar dali, eu a puxava em direção a minha boca e podia sentir seu gosto delicioso, ela estava excitada, eu sentia seu líquido escorrer para dentro de minha boca, era quente, continuei chupando Alicia enquanto ela rebolava sobre minha boca, endureci minha língua enquanto metia e tirava seguidas vezes da entrada de seu sexo.

 

- Isso Jackie, mete assim - suspirou forte

 

Eu podia sentir seu corpo entrar em um orgasmo profundo naquele exato momento.

 

- Porra Jackie, não para eu vou gozar em sua boca.

 

Em um instante eu pude sentir todo o corpo de alicia entrar em colapso em uma espécie de frenesi, seu corpo se mexia acima de mim eu ouvia seus gemidos desesperados e seu gozo escorrendo pela minha boca e eu sugava cada gota de seu liquido quente, até que em um movimento súbito ela se virou sobre a minha cabeça e baixando o seu corpo até alcançar o meu sexo.

 

- Jackie, quero que goze comigo, quero que sinta o que estou sentindo.

 

- Você, não vai fazer o que estou pensando, puta que pariu você fez.

 

Alicia simplesmente deitou sobre mim e colocou sua boca em meu sexo, eu gemi ainda com a boca também em seu sexo, aquela maldita sensação estava me enlouquecendo eu podia sentir meu ventre se contrair, eu estava com tanto tesão que mexia meu quadril rapidamente e podia sentir o ápice a qualquer momento.

 

- Jackie, vamos goze comigo eu já não estou aguentando mais - disse Alicia tirando sua boca de mim apenas para me suplicar que gozasse junto com ela.

 

Nossos corpos estavam entrando em um estado de puro êxtase, nos movimentávamos em perfeita sincronia, aquilo era perturbador, como alicia sabia exatamente o efeito que causaria em mim fazendo aquilo, eu sentia sua língua me penetrando tão profundamente e eu confesso estar adorando, eu então coloquei minhas mãos sobre sua bunda e a puxei forte sobre minha boca e neste exato momento ela gemeu tão alto, quase como um grito, senti a vibração de seu gemido dentro de mim e aquilo desencadeou em nós duas um orgasmo mútuo, nos duas estávamos nos chupando e gozando loucamente uma na boca da outra entre chupadas nosso gemidos alucinados, nossos corpos quentes e aquela sensação era interminável, estávamos tendo orgasmos múltiplos e não conseguíamos parar, seu líquido já escorria pelo meu queixo e eu podia sentir aqueles lábios carnudos e aquela língua deliciosa em minha boceta, algo nela me deixava presa, o que eu estava sentindo naquele momento não era simplesmente prazer do sexo, era algo mais.

 

Ao final de nosso orgasmo alicia não parecia querer parar de sentir tudo aquilo e confesso que eu também não, ela se levantou, se virou, eu me levantei e fiquei sentada na cama, ela veio em minha direção abriu suas pernas e sentou em mim, nossos seios se tocavam e aquilo parecia dar pequenos choques em meu sexo, que porra de mulher é essa, o que ela está fazendo comigo, ela colocou a cabeça de lado colocando seus longos cabelos para trás dos ombros, ela tinha um ar de superioridade neste momento, parecia querer me mostrar quem mandava ali, ela se curvou em minha direção e começou a lamber meu pescoço e me chupar, eu sabia que aquilo me deixaria marcas por alguns bom dias, mas eu estava com tanto tesão que nem pensava em pedir que parasse.

 

- Oh, porra Alicia, isso é tão bom

 

- Gosta disso Jackie, gosta de ser dominada? Alicia disse com um sorriso sarcástico e logo voltou a chupar meu pescoço.

 

- Sua filha da Puta, isso vai me deixar marcas

 

- Não serão apenas estas que deixarei em você, agora você me pertence, posso fazer o que quiser com você.

 

Aquilo era loucura demais pois havíamos acabado de ter um orgasmo múltiplo e eu ainda estava com tesão, eu poderia gozar novamente e ela também.

 

Ela então colocou sua mão em minha nuca, puxando meu cabelo para trás até minha cabeça arquear, soltei um gemido que misturava dor e prazer e fixou aqueles olhos castanhos em mim, sua cara era de puro desejo, pura luxúria.

 

- Você é minha, eu mando aqui, você vai sentir tudo que eu quiser que sinta.

 

Ela estava transformada neste instante, eu pude conhecer esse lado um tanto dominadora.

 

Segurei em seu quadril e deixei que uma de minhas mãos descesse até sua boceta, ouvi Alicia gemer e a vi morder os lábios com os olhos semi cerrados assim que comecei a masturbá-la.

 

- Filha da puta - ouvi saindo de seus lábios

 

Alicia estava com o corpo arqueado sobre o meu eu sentia sua respiração no meu ouvido enquanto eu esfregava meus dedos em seu clitóris inchados, seu corpo suplicava por mais, eu podia sentir.

 

- Você é deliciosa, Alicia

 

- Sou mesmo? Então me fode, Jackie

 

Aquelas palavras entraram por meus ouvidos me fazendo perder o resto de sanidade que ainda restava em mim, eu simplesmente segurei nos ombros de Alicia e a tirei de cima de meu colo fazendo-a ficar de quatro na cama, e quando olhei ali estava ela, a visão mais maravilhosa da noite, aquela bunda virada para mim, me aproximei e apertei sua bunda com força até ela gemer, eu não tinha a menor ideia do que estava acontecendo, meu corpo estava totalmente tomado pelo tesão que aquela mulher me fazia sentir, eu já não tinha mais pudor ou medo, eu estava totalmente possuída pelo desejo de possuir aquela mulher.

 

Cheguei por traz dela, bem próxima de seu corpo, com uma das mãos eu segurei em seus cabelos longos que caiam sobre suas costas e com a outra mão num ímpeto de desejo eu percebi que fodia aquela mulher com tanta força e rapidez como se fosse a ultima vez que eu faria sexo com ela em toda a minha vida, ela retribuía meus movimentos alternando os movimentos de seu quadril em direção aos meus dois dedos que estavam agora dentro de sua boceta, seus gemidos eram uma mistura de dor e prazer, ela começou a pronunciar palavras sujas e de pura luxúria.

 

- Sua vadia, gosta de me foder, não é?

 

- Adoro, você é gostosa demais

 

- Está bem para você assim - disse com se soubesse a resposta.

 

- Ainda não, é só isso que consegue? Alicia falou de forma provocativa

 

- Que filha da puta, quer mais ainda?

 

Eu soltei seus cabelos e a fiz levantar o tronco ficando de joelhos sobre minhas pernas e ainda com os dedos em sua boceta eu a fodia com força e agora mordia seu ombro com força, ela gemia alto, eu sabia que era um misto de dor e prazer, ela movia seu corpo como se dançasse sobre minha mão, ela estava totalmente suada e seus cabelos já estavam começando a molhar ao encostar em suas costas, ela mantinha os movimentos fazendo sua bunda rocar em minhas pernas enquanto eu a fodia intensamente, aquilo poderia enlouquecer qualquer pessoa.

 

- Isso Jackie, fode assim, gostoso

 

- Assim? Eu disse introduzindo meus dedos até o fundo de sua boceta.

 

Quanto mais eu entrava e saia com meus dedos de sua boceta mais ela ia enlouquecendo, aquele atrito dela sentada em minha mão fazia pressão em meu sexo e novamente eu sabia que iriamos gozar juntas, eu podia sentir o calor de seu corpo suado em mim.

 

- Porra, eu vou gozar de novo! porra Jackie, sua filha da puta, por que faz isso tão bem?

 

- Não fala mais nada, goza para mim, eu murmurei em seus ouvidos colocando minha outra mão em sua barriga e a apertando em minha direção.

 

Em um instante pude sentir o corpo de Alicia tremer sem parar e imediatamente o meu corpo entrou na mesma sintonia e lá estávamos novamente tendo um orgasmo juntas, seus gemidos eram o sinal do orgasmo que eu havia dado a ela naquele momento.

 

- Oh, Porra!

 

Foram as únicas palavras que ouvi sair de sua delicada boca até estarmos embriagadas, lentamente retirei meus dedos de dentro dela e fomos deitando lentamente nossos corpos sob os lençóis brancos, o único som que ouvíamos naquele instante era o de nossa própria respiração, ofegante e o cheiro que sexo que pairava pelo ar, eu levei meus dedos à minha boca para sentir seu gosto mais uma vez e pude ver seu sorriso sana ao ver meu gesto, ela parecia admirar seu poder sobre mim.

 

Ficamos por algum tempo deitadas uma ao lado da outra sem trocarmos nenhuma palavra, ainda estávamos sob os efeitos de nossos orgasmos, eu nunca havia tido tantos ao mesmo tempo e em sequência.

 

A luz das velas iluminava parte de seu rosto e fazia um jogo de sombras que eu não resisti.

 

- Espera um pouco aqui, não se mexa, eu já venho - disse já me levantando da cama.

 

- Sua louca, onde você vai, volta aqui, eu ainda preciso de seu corpo Jackie.

 

Sai apressada do quarto em direção a sala, eu estava atrás da minha mochila, eu queria minha máquina fotográfica, eu queria fotografa-la naquele instante, seu rosto, seu corpo perfeito e aquele jogo de luzes era perfeito, abri minha mochila peguei a máquina e voltei para o quarto, assim que entrei nua com uma máquina fotográfica nas mãos eu pude ver Alicia rindo de nervoso.

 

- Para Jackie, você não vai fazer isso - disse com semblante de vergonha e com um sorriso no rosto.

 

- Me deixa, você está linda, essas luzes em você, seus cabelos suados e sua feição de satisfação, eu preciso te fotografar.

 

(Play na Música 4)

 

Só então pude ouvir que ainda havia música pela casa, e isso era perfeito para o momento, Alicia estava deitada na cama e eu a fotografava de diversos ângulos, eu queria guardar aquela feição para sempre caso um dia e se um dia minha memória falhasse, ela estava esplêndida, aquelas sombras da luz das velas em suas curvas tão perfeitas, aquele sorriso safado e sua expressão de satisfação, nenhuma outra mulher me causou essa vontade de fotografa-la após o sexo, mas com ela tudo era diferente.

 

- Você é tão linda, tão perfeita - eu disse com a voz baixa quase melosa.

 

Eu tinha certeza que estava perdidamente apaixonada por aquela mulher, mas eu também sentia que de uma maneira ou outra ela seria o meu fim.

 

- Jackie, eu preciso te contar uma coisa - disse Alicia com um ar de suspense.

 

Confesso que a maneira como ela me falou, me gelou a espinha, mas o que ela teria de tão louco para me falar depois do que acabávamos de fazer?

 

- Fala logo, está me matando de curiosidade - eu disse largando minha máquina fotográfica de lado sob a cama e me aproximando dela.

 

- Me promete que não falará nada, absolutamente nada depois do que eu vou te falar, não faça me arrepender de ter dito isso a você e me prometa que nunca usará isso para me machucar.

 

- Meu Deus Alicia, você está me assustando, é sério.

 

- Calma, fique tranquila, não é para ficar com medo - disse sorrindo para mim.

 

Ela por vezes era anjo e por vezes demônio e aquilo nela me atraia profundamente.

 

- Eu estou calma, mas pelo amor de Deus, fala logo - eu disse engolindo seco.

 

- Jackie, você foi a minha primeira mulher, eu nunca, em toda a minha vida havia me envolvido com outra mulher, nem sequer um simples beijo, hoje eu me entreguei a você como nunca havia me entregado em toda a minha vida e o que você me fez sentir eu nunca vou esquecer.

 

Mesmo que ela não houvesse dito para eu não falar nada depois do que iria dizer eu não conseguiria dizer nada, aquelas palavras entraram em meus ouvidos e foram rasgando meu corpo por dentro, eu estava inerte sem reação, eu apenas sorri para ela e deitei ao seu lado e ali adormecemos juntas.

 

Capítulo 9 - De Volta a Boate por Anna Straub

Playlist para o capítlulo !!!

 

Música 1 - Crying in the club - Camila Cabello

Música 2 - No Less - Sg Lewis, Lois Mattrs

Música 3 - Settle - Baynk

Música 4 - Wicked Games - The Weeknd

Música 5 - Too Deep - Ritual

Música 6 - Wise Enough - Lamb

 

 

Point of View - Alex

 

 

Já fazia pelo menos meia hora que eu estava sentada na porta do apartamento de Jackie e nada, nenhum sinal dela, mas se bem a conheço ela estava lá dentro se afogando em bebida e dor, foi quando ouvi um barulho estridente, com certeza era um copo se espatifando, rapidamente me levantei do chão e comecei a bater na porta e chamar seu nome.

 

- Jackie, Jackie, por favor abre essa porta eu sei que você está aí - falei gritando e esmurrando a porta.

 

Em segundos ouvi passos dentro do apartamento e a chave na porta a abrindo rapidamente.

 

- Alex, sua maluca, o que você está fazendo aqui, como entrou? Venha, ande, entre logo ou os vizinhos vão achar que é uma briga - Disse Jackie com cara de assustada.

 

Eu rapidamente me abaixei, peguei minha mochila do chão e entrei.

 

-Jackie eu estava preocupada com você, te liguei umas quinze vezes desde que saiu do café, saí correndo atrás de você, mas quando cheguei na rua já não a encontrei e decidi vir para cá na esperança de que você tivesse vindo para casa, aff, ainda bem que você está aqui.

 

- Tá bom Alex, mas como conseguiu entrar?

 

- Eu interfonei e ninguém atendeu, daí um rapaz estava saindo e eu aproveitei para entrar, subi e fiquei aqui na porta sentada esperando entender se você estava em casa, fiquei com medo de bater e você não querer abrir a porta para mim, eu realmente fiquei preocupada com você.

 

- Alex, você é maluca mesmo, porque não bateu na porta, quando tocou o interfone eu deveria estar subindo as escadas ainda e não ouvi - disse Jackie rindo.

 

Eu realmente estava achando a reação dela muito estranha, ela aparentava estar muito calma depois do ocorrido, será que ela estava se curando da dependência de Alicia?

 

- Ok, mas não tente me enganar, o que foi o barulho de vidro quebrando que ouvi?

 

- Foi um copo Alex, ele pulou da minha mão, sabe, se atirou na parede - disse com um ar sarcástico.

 

- Agora deu para ser engraçadinha, vamos, anda, fala logo, como você está? O que foi aquilo no café?

 

- Não sei explicar também, Alex, eu achei que nunca seria capaz de dizer aquelas palavras duras para Alicia, confesso que minha única vontade naquele momento era me jogar em seus braços, ela estava linda como sempre, aquele olhar que me mata, eu só queria beijá-la até o mundo acabar, mas enquanto a olhava nos olhos fui sentindo a vontade de me render a ela se transformando em raiva por tudo que ela me fez passar, o tanto que me fez sofrer, eu ainda sinto como se nossas almas pertencessem uma a outra, isso é inevitável, mas eu não posso mais, não posso ser fraca e me entregar a ela novamente.

 

- Jackie, mas agora ela está de volta novamente, como serão as coisas? Fatalmente iremos cruzar com ela em outros lugares e se bem conheço Alicia, ela não vai desistir de você assim tão fácil, assim que você foi embora ela ainda ficou uns breves segundos parada no mesmo local, parecia não acreditar no que você havia dito a ela, mas em instantes seu rosto já se transformou e tenho certeza que ela não vai deixar você em paz, ela foi embora como um furacão, mas com um ar de superioridade que juro, eu tive vontade de pular no pescoço dela naquele instante, mas estava mais preocupada com você.

 

- Eu sei que ela virá atrás de mim e não sei se serei capaz de repeli-la novamente como fiz hoje, pois eu a desejo ainda e muito, mas naquele momento em que lhe disse aquelas palavras algo estranho aconteceu comigo, eu só tive um único pensamento, aquela dançarina me veio a cabeça e dominou meus pensamentos de uma forma estranha e perturbadora.

 

- Hahaha, eu sabia, sua filha da puta, a forma como você falou dela me cheirava encrenca, Jackie você está apaixonada por uma mulher quem nem sabe o nome - disse gargalhando.

 

- Alex, é estranho isso, eu realmente fiquei incomodada com aquela mulher, mas talvez seja por ela ter feito aquele absurdo comigo de me deixar totalmente na vontade e me mandar embora, talvez seja apenas meu ego falando mais alto.

 

- Duvido disso Jackie, se fosse só isso porque ela permeou seus pensamentos bem quando Alicia estava à sua frente?

 

- Isso eu não sei, e é a única coisa que está me deixando intrigada, nem mesmo eu sei porque aquele maldito diabo veio em meus pensamentos, mas eu estou com um desejo imenso de voltar lá, ela sabia que eu voltaria, aquela filha da puta, só fez aquilo porque sabia que eu voltaria, mas o que diabos ela quer comigo?

 

- Olha Jackie eu não sei, mas se for para você esquecer a maldição da Alicia e voltar a viver eu acho mais é que tem que voltar, só cuidado para não se envolver em outra roubada, afinal você é um imã para mulheres diabo e encrenca - disse gargalhando

 

- Olha eu não sei se ela é encrenca, mas vou te dizer uma coisa, se for eu quero é me encrencar muito com ela, que mulher gostosa e sexy ela é, eu só fico lembrando dela descendo enrolada naquele tecido e eu lá embaixo toda molhada - Jackie falou rindo

 

- Mas tem uma coisa que você ainda não me falou, por que você estraçalhou aquele copo na parede?

 

- Enquanto você estava lá fora sentada no chão feito uma mendiga eu estava aqui no sofá, sentada e lembrei nos mínimos detalhes a minha primeira noite com Alicia, sério  eu pude sentir cada sensação, cada detalhe daquela noite e me enfureci em pensar que depois daquela noite que parecia ser o início de uma relação sensacional, de um amor inexplicável, tudo virou do avesso da noite para o dia e sinceramente eu busco naquela noite uma explicação para tudo que aconteceu nos meses que se seguiram e que mudaram nossas vidas de uma forma absurda e sem sentindo, mas eu nunca encontro a resposta e me deu uma súbita raiva em pensar que eu nunca fui capaz de compreender o que aconteceu para tudo virar o caos que virou e atirei o copo na parede, mas daí passou, fiquei mais calma pelo menos por enquanto.

 

- E quer saber, não quero mais falar de Alicia, não pelo menos por hoje, pois eu quero descansar um pouco pois eu irei naquela boate hoje, vou atrás da dançarina, não vou deixar aquilo barato para ela.

 

- Jackie, sua vadia, eu não acredito como você tem um fogo que não apaga, então vai lá e acaba com ela, mostra quem manda na porra toda - disse gargalhando.

 

Neste momento eu pude perceber que Jackie estava bem, dentro do possível, depois de ter encontrado com a víbora da Alicia, mas eu conheço minha amiga, essa história ainda não acabou, apesar de aparentemente ela estar com uma paixão súbita por aquela dançarina, Alicia ainda vai infernizar sua vida e vamos ver até onde Jackie irá suportar se manter longe dela.

 

 

 

Point of View - Katherine

 

 

(Play na música 1)

 

Aproveitei o dia para descansar meu corpo, fazer muito alongamento, ensaiar um pouco e me hidratar bastante, hoje eu preciso fazer o melhor show de todos, ela estará lá, a morena vai voltar hoje, eu tenho certeza, pode parecer loucura da minha cabeça, mas ela sentiu por mim o mesmo que senti por ela, eu percebi em seu olhar, eu sei que não deveria estar fazendo isoo e muito menos sentir o que estou sentindo, eu sou casada e se Jen descobrir ou sequer imaginar isso, ela seria capaz de me matar literalmente, ela é extremamente possessiva e nunca aceitaria me perder para outra mulher, eu estou com medo mas o que estou sentindo é maior que meu medo, eu já havia mesmo casada, trocado uns beijos com uma ou outra mulher, mas tudo superficial, sem sentido, apenas beijo por beijo, mas o que essa morena está me fazendo sentir é algo diferente.

 

- Kath, Kath, você se apaixonou por uma mulher sem nem saber quem é, sem nem saber seu nome? Eu já estava falando sozinha.

 

Mas que porra eu estou fazendo, em algumas semanas Jen estará no Brasil e isso não poderia acabar bem, mas algo em mim não me deixava parar de desejar a morena, mesmo sabendo de todo perigo envolvido.

 

Aumentei a música no último volume e continuei dançando no meio de minha sala, ainda não escolhi a música do show de hoje, mas essa música me deixa animada e preciso suar muito para parar de pensar naquele corpo e naquela boca deliciosa, meu Deus.

 

 

 

 

Point of View - Jackie

 

 

Depois da conversa e ao perceber que eu estava bem, Alex decidiu ir embora, afinal havia deixado Lena no café para vir atrás de mim, ela é uma ótima amiga, eu sinto seu carinho e sua preocupação comigo, sempre está ao meu lado nos melhores e nos piores momentos e isso é muito importante em minha vida, além do mais, ela é extremamente divertida e mesmo nos piores momentos ela me faz rir.

 

Bem, se eu quero realmente ir aquela boate hoje preciso me preparar, preciso da melhor roupa que tiver, além de estar psicologicamente preparada para aquele diabo que se finge de dançarina, hoje eu não saio daquele lugar sem saber seu nome e sem possuir aquele corpo deliciosamente esculpido, me lembro daqueles olhos verdes, aquele cabelo comprido, o sabor de sua boca e aquela bunda, há aquela bunda, que merda de bunda gostosa ela tem, mas hoje eu vou enlouquece-la, ela verá quem manda.

 

(play na música 2)

 

Já é noite, acabei de tomar um longo e delicioso banho, melhor eu beber algo pra relaxar, de fato estou me sentindo um pouco tensa, então vamos lá, um som pra animar e um bom whisky é o que preciso, eu estava apenas de lingerie, hoje escolhi uma branca com muita renda, eu queria que ela ficasse incomodada e sentisse muito, mas muito desejo por mim, isso garantiria que ela não fugiria novamente.

 

Aumentei o som sensual e relaxante, sentei-me em meu sofá apenas de lingerie, com as luzes da sala apagadas, apenas a luz do quarto ao longe estava acessa, com meu copo de bebida nas mãos e os olhos fechados fui sentindo cada batida da música entrar em meus ouvidos e percorrer todo meu corpo, ao abrir os olhos pude ver pela janela todos aqueles prédios com suas luzes acessas, a noite de São Paulo ganhava vida, era Sábado e eu estava excitada para essa noite, o que será que ela ira aprontar, será que haveria algo mais sensual do que aquela descida pelos tecidos da noite passada?

 

A única coisa que eu sabia é que não sairia de lá de mãos vazias, continuei ali no sofá até a música acabar, sentindo as batidas e relaxando todo meu corpo.

 

Ao fim da música, levantei-me, apoiei meu copo no móvel da sala e fui para o quarto escolher minha roupa, já estava quase na hora de sair e eu não queria me atrasar de jeito nenhum, eu não podia perder o show daquele diabo, pensei e dei um leve sorriso com o canto da boca.

 

Depois de uns bons minutos eu estava pronta, já maquiada e apenas faltava um toque final, meu perfume e eu me encharquei dele, sem dó.

 

Caminhei até um espelho de corpo inteiro que fica perto da porta do meu quarto para ver como estava o conjunto, eu precisava estar simplesmente maravilhosa, hoje definitivamente eu queria era mesmo chamar a atenção.

 

Eu não consigo muito fugir do meu estilo, calcas pretas justíssimas e o bom e velho coturno, mas escolhi uma camisa branca de corte reto e com os quatro primeiros botões abertos que quase mostravam minha barriga, levemente aberta era possível ver o contorno dos meus seios, cabelos soltos e uma leve maquiagem que realçavam meus olhos era o suficiente, era sóbrio e sexy.

 

Hora de ir, senão posso perder o show, com certeza aquela fila interminável poderia acabar com tudo, chamei um taxi já descendo as escadas de meu prédio em direção à rua, assim que abri a porta do prédio o taxi já estava encostando e logo já estaríamos chegando à boate.

 

Foi a meia hora de percurso mais demorada de toda a minha vida, eu estava literalmente ansiosa e nervosa, vim o caminho todo apertando as mãos que teimavam em ficar suadas e geladas, enfim chegamos e logo pude ver aquele lugar maravilhoso, novamente aquelas tochas acesas e aquela enorme porta preta da entrada, a fila como eu previa já estava enorme, mas ainda era cedo, eu conseguiria entrar antes do show com certeza, foram mais uns vinte minutos de espera e enfim chegou minha vez de entrar.

 

(Play na música 3)

 

Já com os pés lá dentro e com o som rolando e aquele burburinho, muita mulher bonita e as pessoas conversando, aquele lugar definitivamente me deixava com sensações inexplicáveis no corpo, era tudo tão sexy, tão quente que era impossível ficar inerte, caminhei mais alguns passos até chegar ao bar, eu precisava de uma bebida e rápido, encostei no balcão e pedi um whisky eu não ia misturar as bebidas hoje, eu queria estar relaxada e não bêbada, assim que peguei minha bebida pude ver que o palco estava preparado de forma diferente da noite anterior, onde nada havia no palco e o show vinha do alto, hoje havia apenas uma cadeira bem ao centro e um canhão de luz que vinha de cima e que iluminava apenas a cadeira e mais nada, eu confesso que não poderia imaginar o que poderia acontecer.

 

Fiquei observando tudo ao redor, reparando no alvoroço das pessoas, era apenas a segunda noite que aquele lugar estava funcionando e já estava lotado, as pequenas salas já estavam ocupadas e a mulherada já estava se pegando enlouquecidamente, confesso que aquele clima era propício para isso.

 

Eu estava visivelmente ansiosa mas podia notar que eu havia conseguido o resultado esperado, pude notar ao redor algumas belas mulheres me olhando e sorrindo, algumas um pouco mais ousadas e outras de forma mais acanhada, mas o fato é que eu estava chamando a atenção e não vou negar que gostei, faz bem para o ego, afinal eu já não era nenhuma menina de vinte e poucos anos, mas ainda chamava atenção delas, eu apenas bebia meu whisky e sorria para essas mulheres, afinal o que eu esperava era ver a dançarina e não apenas ver, eu a queria, eu a desejava aquela noite, minha, totalmente minha, a bebida começou a fazer efeito e me deixando relaxada o suficiente para aproveitar a noite, minhas mãos já estavam normais, mas eu ainda estava extremamente excitada.

 

Em um instante as luzes se apagam, apenas o bar está iluminado agora, eu caminhei para próximo do palco, eu queria estar ali na primeira fila, não perderia aquele show por nada eu queria estar bem à vista, eu queria que ela me visse ali.

 

De repente aquele rapaz que na noite anterior havia me entregado o bilhete sobe ao palco e pega um microfone, parecia que ia anunciar o show e eu já comecei a ficar nervosa novamente, estava com o copo na mão e antes dele começar a falar dei um gole que acabei com a bebida que havia nele e o apoiei em uma pequena mesa que havia ao lado, eu queria minhas mãos livres.

 

 

- Senhoras e Senhoritas é um imenso prazer ter vocês aqui novamente e hoje quebrando um pouco os protocolos da casa e com um show especial nossa atração principal fará um show mais intimista e estará bem próxima de vocês, apenas pedimos para que aproveitem o show e por favor não subam no palco, tenho aqui esses dois belos rapazes que garantirão que isso não acontecerá - falou rindo e apontando para dois seguranças enormes e musculosos que estavam estrategicamente posicionados um de cada lado do palco.

 

Agora sem mais espera, com vocês a rainha da casa a estrela desse show: Katherine Ann Jenkins.

 

Eu só pude ver que todas as luzes estavam apagadas agora, inclusive as luzes do bar, era um breu total e eu acabara de descobrir seu nome, já era um começo.

 

 

(play na música 4)

 

 

No mesmo instante que a música começou a tocar o canhão de luz iluminou apenas o ponto central do palco onde estava a cadeira e eis que lá estava ela, sentada na cadeira com as pernas cruzadas e as mãos apoiadas nas laterais da cadeira, com a cabeça levemente arqueada para trás e uma cara de desejo, ela vestia apenas uma lingerie de renda totalmente preta, seus seios quase não cabiam nela e a parte de baixo mal cobria seu sexo, com meias e cinta liga e aqueles cabelos longos, levemente ondulados e ruivos totalmente soltos sobre seus ombros e saltos altíssimos, seus olhos verdes brilhavam com as luzes em sua direção, ela ainda sentada e aquele inferno de música tocando ela se mexia para frente e para trás simulando roçar sob as pernas de alguém, eu olhava diretamente em seus olhos, mas ela ainda não havia me percebido, realmente estava bem escuro na plateia até que algumas pequenas luzes no chão em volta do palco iluminaram as pessoas que estavam nas primeiras filas e num instante ela colocou seus olhos em mim, aquilo foi mágico, no mesmo instante pude perceber seu sorriso malicioso com o canto da boca e em seu rosto a satisfação da certeza que ela tinha que eu estaria ali esta noite e na primeira fila.

 

Assim que senti seus olhos em mim, meu corpo entrou em colapso e eu podia sentir ele tremendo por inteiro, definitivamente aquele demônio me causava sensações estranhamente prazerosas, eu pude sentir meu corpo esquentando e meu sexo ficando molhado de vê-la naquela posição.

 

A música continuava e ela se levantou da cadeira ficando de costas e arqueando seu corpo para frente e apoiando suas mãos no encosto da cadeira,  rebolando seu quadril de um lado para o outro no ritmo da música, céus aquela bunda, agora estava bem a minha frente e eu não podia tocar, ela virou um pouco o rosto para ver seu eu estava prestando atenção em seus movimentos, ela tinha desejo em seu olhar e ao perceber que eu estava literalmente de boca aberta soltou um grande sorriso, a filha da puta estava fazendo de propósito, a casa estava cheia mas ela parecia fazer um show particular para mim, então se virou e largou a cadeira para trás, caminhou a passos lentos em direção a plateia, mas do lado oposto de onde eu estava e bem perto das mulheres ela rebolava e levava suas mãos a cabeça e descia por seus cabelos tocando todo seu corpo, aquilo era extremante sexy e eu sabia que ela estava fazendo aquilo para me provocar, ela descia seu corpo quase até o chão e tocava seu sexo com uma mão e com a outra em seus lábios era uma cena de pura luxúria e provocação.

 

Ficou alguns segundos dançando na frente daquelas mulheres que estavam enlouquecidas com ela e eu estava um tanto puta com isso, mas eu sabia que era para me provocar, ela simplesmente largou aquelas mulheres e andou em minha direção, nossos olhos estavam vidrados um no outro, ela caminhava lentamente em minha direção passando sua língua em seus lábios e em gestos sensuais foi chegando perto, já de frente comigo ela literalmente me comia com os olhos, eu podia ver nela todo o mesmo desejo que eu estava sentindo, rebolando na minha frente ela coloca um de seus dedos na boca e os molha com sua saliva e vai lentamente descendo ele por seu pescoço, sua barriga até alcançar a sua calcinha e coloca a mão por dentro tocando seu sexo com aquele dedo molhado de saliva, eu pude ouvir gritos das mulheres ao meu redor , mas eu estava focada em seus movimentos, seu rosto era puro desejo e eu sabia que naquele momento ela estava totalmente molhada como eu, eu só queria subir naquele palco, mas bem ao nosso lado estava um daqueles seguranças infelizes, ela se agachou em minha frente tirou a mão de dentro da calcinha e levou seus dedos molhados à minha boca, eu os senti em meus lábios, ela os passava de um canto ao outro para que eu pudesse ficar com seu gosto em minha boca, eu quase enlouqueci neste instante e quando eu ia chupar seus dedos ela os retirou de meus lábios e fez sinal de não com o dedo, me deu uma porra de um sorriso sarcástico, quase uma gargalhada e voltou para o centro do palco, ela definitivamente iria me provocar até eu não aguentar.

 

Já no centro do palco e de costas o show parecia já estar no fim quando ela tirou o sutiã e o jogou para a plateia, confesso que aquilo me deixou irritada, ainda em sua dança tão sensual, foi baixando sua calcinha, eu não podia acreditar que ela ficaria totalmente nua naquele palco, mas foi exatamente isso que ela fez, ainda de costas desceu sua calcinha até os pés e a retirou, neste momento ela estava vestida apenas com as meias, a cinta liga e os sapatos e eu logo pensei, que se ela jogasse essa calcinha para aquelas mulheres eu seria capaz de surtar, a música já estava em seus últimos acordes então ela com a calcinha nas mãos caminhou até mim, curvou seu corpo em minha direção, me entregou sua calcinha e sussurrou em meu ouvido.

 

- Quer mais? Estou te esperando em meu camarim.

 

Filha da puta ela fez aquilo assim no meio de todas aquelas mulheres, obvio que ninguém ouviu o que ela me disse, mas era como se tivessem ouvido pois a gritaria e a histeria foi absurda assim que ela falou em meu ouvido bem no instante que a música chegou a seu último acorde, ela tinha absolutamente todos os movimentos cronometrados, as luzes se apagaram por alguns segundos e quando retornaram ela já não estava mais no palco.

 

Só se podia ouvir gritos, aplausos e assovios, de fato o que ela acabara de fazer naquele palco foi de tirar o fôlego, logo as pessoas foram se dispersando da frente do palco e eu, eu precisava de uma bebida para assimilar o que tinha acabado de presenciar e eu a queria de qualquer maneira, fui até o bar peguei outro whisky e virei quase que em um só gole, aquilo, como gosto de dizer é coragem líquida, afinal o sussurro em meus ouvidos ao final do show era um convite para um passeio ao inferno com aquele demônio e eu não poderia negar que eu só queria me entregar a ela totalmente, é incrível mas seu jeito de dominar a situação me deixa extremamente excitada.

 

Caminhei entre aquelas pessoas e fui em direção ao corredor atrás do palco para chegar ao seu camarim, novamente aquele corredor escuro e eu com um medo absurdo de cair, mas fui lentamente chegando mais próximo da porta de seu camarim, estranho é que não havia ninguém ali, nem os grandalhões que estavam a beira do palco durante o show, ela tinha um certo poder naquele lugar pois parece que simplesmente ordenou que todos sumissem de lá, talvez ela não seja apenas a dançarina da casa e sim a proprietária, mas isso eu teria que descobrir, pelo menos agora eu sabia seu nome o que já era o bastante até o momento.

 

Cheguei em frente a porta de seu camarim e meu coração batia tão forte que eu achei que meu peito iria estourar, minhas mãos estavam suadas e trêmulas, aquilo era muito excitante, mas eu também sentia que não era apenas desejo, tinha algo mais que eu ainda não sabia o que era, respirei fundo e coloquei a mão na maçaneta para abrir a porta e já pude ouvir a música que tocava lá dentro, definitivamente ela pensava em cada detalhe para me deixar louca por ela.

 

(Play na música 5)

 

Abri a porta lentamente e lá estava ela no mesmo local da noite anterior, no fundo do camarim e com um copo de bebida nas mãos, mas desta vez ela estava completamente nua, exatamente como saiu do palco, apenas suas meias finas ¾, cinta liga e saltos, seus longos cabelos cor de cobre caiam sobre suas costas e chegavam próximo a sua bunda, há meu Deus que bunda, como ela pode ser tão deliciosamente gostosa, suas coxas são bem torneadas e seus músculos bem marcados, ela tem um corpo escultural, forte e totalmente sexy, ao notar que a porta havia sido aberta ela logo virou sua cabeça em minha direção e tinha em seus lábios o sorriso mais mortal que eu já havia visto, era um misto de desejo, paixão, medo e alegria ao me ver entrar em seu camarim.

 

- Eu não disse que você voltaria? Que seu corpo me dizia que estaria aqui hoje? - ela disse com sarcasmo, ainda mantendo seu ar de superioridade.

 

- Não nego que você tenha razão Srta. ou seria Sra. Katherine - disse com a voz rouca e firme.

 

- Para você apenas Katherine, e você morena qual seu nome? Afinal você foi embora tão rapidamente ontem que nem me deu tempo para saber - disse ela dando uma gargalhada.

 

Filha da puta, ela ainda tem coragem de dizer que eu fui embora rapidamente ontem, ela praticamente me expulsou deste camarim, mas tudo bem, se ela quer jogar é bom saber que eu também sei jogar.

 

- E você acha mesmo importante saber meu nome? o que mudaria se não soubesse? - eu disse tentando impor certo controle da situação.

 

- Não mudaria nada, mas como vou dizer seu nome enquanto gozo em sua boca?

 

Maldita mulher, essa vai ser páreo duro, ela é perspicaz e muito rápida com os pensamentos e sempre tem uma resposta na ponta da língua, sempre ácida para me provocar.

 

- Bem se o caso é dizer meu nome enquanto goza eu creio ser um bom motivo para sabê-lo, Jackie, muito prazer. - Eu disse soltando um leve sorriso com o canto da boca.

 

Todo esse diálogo e eu plantada na frente da porta e ela no fundo do camarim totalmente nua, como ela pode ficar tão confortável estando totalmente despida na minha frente.

 

- Pois bem Srta. Jackie, está vidrada me olhando, gosta do que vê?

 

- Eu adoro o que vejo, mas melhor ainda seria tocá-la afinal você me provocou o bastante já, desde ontem.

 

 

- Acha que poderá me tocar Jackie? Quem te garante isso?

 

- Seus olhos me garantem que está com tanta vontade quanto eu, eles mudam de tom quando sente desejo, não pense que somente você sente o que meu corpo quer, seus olhos a denunciam Katherine.

 

- Gosta de jogar Jackie?

 

- Depende do jogo, se no final eu for vencedora eu posso te dizer que até aceito um jogo, mas o que você quer de mim? Apenas um jogo, uma noite?

 

- Ganhar no jogo é apenas um detalhe e um ponto de vista, você pode achar que está ganhando, ou eu posso fingir que te deixei ganhar, o fato é que você nunca saberá se ganhou ou não, quanto ao que eu quero, é simples, hoje eu quero você minha e quero ser sua, quero te dar o prazer que nenhuma outra mulher te deu até hoje e não espero nada menos de você, mas amanhã eu não sei, vou viver o hoje, amanhã é outro dia.

 

- Esse seu jeito me deixa excitada, você se mostra esnobe, mas confiante e sabe o que quer, eu gosto disso, só espero que você não seja meu fim.

 

- Eu serei o que você quiser, hoje, só hoje, então pare de falar e aproveite esse corpo que estou te dando de presente.

 

Que maldita mulher, ela disse isso já caminhando em minha direção, completamente nua e com um olhar que era difícil manter os meus tão fixados nos dela, eu podia sentir meu sexo esquentar e meus olhos lacrimejarem, engoli seco e então em um instante aquele demônio estava bem a minha frente, colocou sua mão em meus cabelos, próximo a minha nuca e o puxou em sua direção, eu pude ver ela passando a língua em seus lábios de uma lado ao outro e os deixando molhados e em seguida os levando com força em direção aos meus, começamos a nos beijar de forma quente, forte e porque não dizer um pouco violenta, rapidamente levei minhas mãos ao seu quadril a trazendo para mais perto do meu corpo, eu queria sentir seus seios tocando os meus e suas coxas nas minhas, apertei seu quadril com força e a trouxe colada em meu corpo, pude sentir um leve gemido quando a peguei daquela maneira, ela é durona, mas eu a faria se render ao prazer que eu poderia lhe proporcionar naquela noite.

 

(Play na música 6)

 

 

O beijo estava cada vez mais forte, mais intenso e enquanto nos beijávamos soltávamos pequenos gemidos, é inevitável com tanto desejo manter qualquer controle sobre nossos corpos, mas aquilo não bastaria para matar nossa sede de prazer aquela noite e eu podia notar que o corpo de Katherine estava totalmente tomado por um desejo enlouquecedor, assim como o meu, eu então a suspendi em meu colo com suas pernas abertas e a levei em direção à parede ao lado do pequeno bar, nossos corpos se chocaram com a parede e ouvi ela gemer mais alto no exato momento que suas costas nuas tocaram a parede fria, meu quadril a prendia na parede e continuávamos nos beijando e eu pressionava meu corpo contra o dela em direção a parede e cada vez que eu fazia esse movimento ela gemia.

 

- Porra Jackie, quer mesmo me matar?

 

- Matar não, apenas possuir o que é meu.

 

- Mas quem disse que sou sua?

 

Ela mesmo naquela situação não deixava a arrogância de lado, mas confesso que aquilo me deixava mais louca por ela.

 

- Não preciso que me diga, eu apenas sinto você minha.

 

Ela em um ímpeto de desejo e luxuria desceu de meu colo, passou o braço por cima do pequeno bar derrubando violentamente todas as bebidas e copos que ali estavam se pôs de costas para mim e debruçou sob o bar.

 

- Se sou sua então me fode Jackie, mas terá que ser muito boa no que faz e então te direi se sou sua.

 

Eu simplesmente não podia acreditar que ela estava naquela posição em pé com o corpo arqueado e apoiado sob o bar e oferecendo aquela bunda que eu tanto desejava e ela sabia disso, eu estava paralisada só admirando todo aquele volume à minha frente, ela inclinou sua cabeça e colocou seus longos cabelos para frente do obro para que nada pudesse atrapalhar aquele momento.

 

- Vamos Jackie, eu sei que gosta de minha bunda, aproveite.

 

- Filha da puta, eu vou te mostrar o quanto você é minha.

 

Me ajoelhei e fiquei com meu rosto bem de frente a sua bunda, segurei em seus quadris com força, apertando de uma forma que eu sei que deixaria marcas nela e ela estava adorando, eu via seu rosto de satisfação e seus gemidos quando eu a tocava, levei meu rosto de encontro a sua bunda e com a língua fui percorrendo cada centímetro dela, a cada lambida que eu dava eu podia sentir o corpo de Katherine ter espasmos involuntários, eu dava leves mordidas e lambia, fui me abaixando um pouco mais e me sentei no chão com as costas encostadas no bar e tive acesso perfeito ao seu sexo, sua boceta estava completamente molhada eu podia ver, até que com força a abocanhei e em um instante minha língua estava dentro dela, que de tanto prazer soltou um grito.

 

- Oh Jackie, sua filha da puta, vamos, me chupa, me fode - disse esmurrando a parede à sua frente.

 

Eu podia sentir todo seu desejo naquele momento e não posso negar que eu estava totalmente enlouquecida também, seu sexo estava quente e pulsando, seu líquido escorria e eu só conseguia dar leves gemidos já que estava com toda a sua boceta em minha boca, endureci um pouco a minha língua e comecei a fazer movimentos que entravam e saiam de sua boceta, tudo que eu queria neste momento era ver seu rosto, eu queria ver o quanto de prazer eu estava dando a ela, mas da posição que eu estava só via sua boceta à minha frente, continuei com os movimentos e apertando suas coxas e seu corpo se estremecia a cada vez que minha língua a penetrava com força, eu podia sentir que ela teria um orgasmo bem ali, debruçada sob aquele misero bar com minha boca entre as suas pernas.

 

- Jackie, eu quero mais, quero tudo, quero você dentro de mim - falou com a voz embargada.

 

Eu apenas levantei de onde estava e decidi tirar minha roupa, aquilo estava me incomodando, eu queria sentir minha pele em sua pele, queria sentir seu calor e seu suor em mim, assim que tirei toda minha roupa e estava completamente nua ela ainda estava naquela posição, agora com as pernas um pouco mais abertas como se implorasse para ser fodida ali mesmo, naquela posição e eu não a deixaria passar vontade.

 

- E agora podemos dizer que você é minha?

 

- Ainda não sei, o que mais pode fazer comigo Jackie?

 

Ela nem havia terminado a sua maldita frase e eu estava atrás dela com dois dedos dentro de sua boceta, assim que os coloquei novamente pude ouvir ela gritar de prazer.

 

- Assim, maldita, isso, nada menos que isso, eu quero te sentir assim, dentro de mim, me fode, me faz sua Jackie.

 

Eu não pensei nem um segundo e metia meus dois dedos dentro de sua boceta em um movimento de vai e vem com força, eu podia ouvir o som de sucção em meus dedos, a filha da puta é tão apertada, tão gostosa, e a cada movimento que eu fazia para dentro dela nossos gemidos se misturavam, aquilo também estava acabando comigo, eu poderia gozar apenas fodendo essa mulher, meu Deus, eu via o suor escorrendo por suas costas e ela mordendo seus próprios lábios de tanto prazer.

 

Estávamos em um êxtase absurdo, mas parecia que não queríamos gozar, não pelo menos naquele momento, queríamos ficar ali sentindo esse prazer absoluto, ela estava em uma posição de submissão e confesso que aquilo me dava mais prazer, levei minhas mãos aos seus cabelos e os puxei com força em minha direção enquanto ainda a fodia.

 

- Diga que você não é minha, olha para você, totalmente entregue a mim.

 

- Vem Jackie, me faz gozar e então serei tua.

 

No mesmo momento eu arqueei meu corpo sobre o dela e a fodia com mais e mais força e a cada estocada eu podia ouvir seus gemidos aumentando, ela estava ofegante, assim como eu, nossos gemidos foram aumentando de volume e intensidade assim como eu a fodia cada vez mais forte e rápido, eu podia sentir que entraríamos em um orgasmo absurdo a qualquer momento.

 

- Oh Jackie, vai, me fode, continua assim, não para eu vou gozar.

 

- Há, vai gozar? Eu quero ver e ouvir você gozando, goza em mim, na minha mão Katherine.

 

- Não para, é sério, eu vou gozar.

 

- Vem, gostosa, goza em mim que eu vou gozar com você, quero sentir seu gozo escorrer pelas minhas mãos.

 

Em um segundo entramos em um orgasmo absurdo, gemíamos tão alto que eram praticamente gritos, ela mexia seu quadril em direção a minha mão parecendo procurar por mais e eu continuei os movimentos na mesma intensidade, naquele momento estávamos flutuando de tanto prazer, seu gozo não parava, escorria pelas minhas mãos e descia pelo meu punho, até que ela ergueu seu corpo ainda com meus dedos dentro dela, inclinou a cabeça para trás e colocou as duas mãos na cabeça, ela ainda gemia muito e soltava palavras sujas e meu nome estava em sua boca como o seu nome na minha, aquela sensação ainda durou alguns instantes e ainda estávamos com os corpos colados e sentindo tudo que acabara de acontecer, eu sentia que ela queria mais e eu também, até ouvir alguém bater na porta.

 

Ela rapidamente saiu de perto de mim e olhava assustada para a porta e para mim, eu fiquei em silêncio e já fui pegando minhas roupas do chão e me vestindo e apenas a olhava, ela respirou fundo tentando recompor sua voz e perguntou:

 

- Quem é?

 

- Kath, sou eu, pelo amor de Deus Jen acabou de entrar na boate e está vindo para cá. Ouvi uma voz masculina e desesperada falando do outro lado da porta.

 

Katherine mudou sua feição no mesmo instante.

 

- Filha da puta, mas que merda, o que ela está fazendo aqui, ela só deveria chegar em algumas semanas. Falou já correndo para colocar algo sobre seu corpo.

 

- Jackie, coloca logo essa roupa - disse me olhando com cara de assustada.

 

Eu naquele momento já estava praticamente com toda minha roupa, estava apenas calçando os sapatos enquanto ela andava de um lado para o outro do camarim, ela parecia bem desesperada, só aí que eu me dei conta do que estava acontecendo.

 

- Agora posso te chamar de Sra. Katherine, não é?

 

- Porra Jackie, isso não é hora para brincadeira, se Jen te pegar aqui estamos mortas, eu garanto.

 

Katherine então foi até a porta abriu levemente para olhar no corredor e me chamou com a mão.

 

- Vem Jackie, olha, você vai sair daqui, mas não vai em direção ao palco, vá na direção oposta e espere até a Jen entrar aqui e depois disso você some daqui pelo amor de Deus, eu não quero te ver aqui dentro com esse bando de mulher lá fora.

 

Mesmo naquela situação toda ela ainda estava preocupada se eu me atracaria com alguma mulher, ela é maluca porque pelo jeito quem tem uma mulher é ela e não eu, mas que merda, onde fui me meter.

 

- Ok, mas está escuro pra caralho nesse corredor como vou saber que foi ela que entrou?

 

- Será ela eu garanto, mais ninguém entra em meu camarim sem bater, só ela.

 

Eu então nem quis questionar mais nada e rapidamente sai e segui as orientações, dei uns passos para o fundo do corredor e fiquei ali bem quieta, pude ouvir alguns passos no corredor vindo em minha direção e o medo era tanto que até a respiração eu prendi, como se aquilo fosse fazer alguma diferença, até que percebi que a porta do camarim de Katherine se abriu, mas estava tão escuro naquele lugar que eu não consegui enxergar nada, muito menos quem era, mas como ela disse que apenas essa tal de Jen entra sem bater logo deduzi que era ela e assim que a porta se fechou eu simplesmente vazei daquele lugar, nem olhei para traz, mas saí ajustando minha roupa que coloquei de qualquer jeito, espero que não esteja do avesso, meus sapatos ainda estavam desamarrados e eu com certeza estava totalmente descabelada, assim que entrei no salão novamente eu comecei a rir sozinha, não se se foi de nervoso ou sei lá porque, o fato é que de alguma forma aquilo foi engraçado, eu nunca havia passado por uma situação dessa, eu ainda sentia seu gosto em minha boca e o que é mais foda é que aquele camarim cheirava sexo, assim como eu e ela, eu não queria estar em sua pele para explicar aquele cheiro de sexo e todas aquelas bebidas no chão, mas enfim vou fazer apenas o que ela disse, vou embora antes que a tal Jen resolva procurar quem acabou de foder sua mulher e me encontrar aqui no meio da boate com cheiro de um bom sexo e totalmente descabelada.

 

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ESPERO VOCÊS POR LÁ.

ABRAÇO,

ANNA STRAUB

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