Como funciona?

O PVP Lettera é um desafio literário com um tema por dia, que ocorre durante o mês de janeiro de 2020. Você pode participar os dias que quiser, não precisa postar sobre todos os temas, e os textos não precisam ter ligação entre si. Você pode postar dos dias que passaram também.

Não é imprescindível citar a palavra do dia no texto, mas precisa ter algo a ver com a palavra.

A cada dia liberaremos a nova palavra no formulário de envio do texto, sendo assim não é possível postar texto sobre temas futuros, apenas sobre o tema do dia ou os temas anteriores.

Ao final do desafio, os 3 textos com maior pontuação total levam brindes do Lettera! Quanto mais votos e mais estrelas, maior a pontuação. É um prêmio por autora, mesmo que ela tenha 2 textos entre os 3 mais votados.

Cada pessoa pode votar uma vez em cada texto. Se mudar de ideia com relação à uma pontuação atribuída, basta votar novamente, isso irá alterar o valor do seu voto.

Não é necessário cadastro para postar nem para votar.

Só concorrem os textos postados aqui, mas você pode compartihar à vontade nas redes sociais! Use a hashtag #pvplettera

 


Textos participantes:

Leia e vote nas estrelinhas!


Amadurecimento

Autora: Chris
Todo ano gostava de curtir com os amigos, familiares, beber mais do que comer, quando não tinha isso ficava frustrada e mau humorada, com o passar dos anos fui percebendo que algo me faltava, pois não era normal esse comportamento ,comecei a busca pelo meu lado espiritual, pois o restante estava de boa, passei pela católica, evangélica, espírita e na umbanda me encontrei, perdi minha mãe de santo esse ano, não foi nada fácil, mais ficou seus encinamentos, comecei a valorizar mais meus cachorros, meus gatos, minha mulher, meus filhos, minha vo, minha mãe, e vi que temos que mudar de dentro pra fora não ao inverso, hj sinto que nada me falta tudo está absolutamente dosado, hj consigo contemplar o azul do céu a natureza em si.
Pontos: 28
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O azul é a nossa casa.

Autora: Jaci
Azul é a minha cor!
A sua cor!
A vossa cor!
A cor delas!
A cor deles.
Azul é a cor do teto da nossa casa!
Da minha casa!
Da sua casa!
Da casa deles!
Da casa delas.
Azul não há sexo!
Azul é acolhimento!
Azul é o céu!
Que acolhe o sol, a lua, as estrelas e também o arco-íris!
Azul é a nossa casa.
Pontos: 18
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Azul

Autora: Vane
Pra mim, azul é só uma cor primária
Nem que se misturem cores o azul se cria
E pra não me sentir uma completa otária
Termino este poema de forma hilária
Pensando no azul com alegria
Pontos: 48
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Meu Amor Azul

Autora: Suellen Godoi
Foi quando comparei seu sorriso
Ao azul mais lindo do céu
Que então pude ter certeza do amor.

Comparação onde o único veredicto
Foi um sorriso leve
Em meu rosto.

Beijo suave como ventos de outono,
Abraço gostoso como cama de madrugada,
Olhar sincero como poesia.
Minha vida se encontrou em você.

Lembrar de você
É como ingerir pílulas de saudade instantânea.
Estar com você
É como olhar pra felicidade em forma humana.
A minha felicidade.

Então só pode ser amor.
É amor.
Meu amor azul.

Deveria saber
Que nunca comparei nada
A perfeição do azul do céu.
Até você chegar.
Pontos: 38
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Tons

Autora: Artemísia
Sempre soube que não cabia ali, não cresceria, me lembro bem que era celeste a cor do céu e ainda era possível ver a lua minguando quando me decidi silencionamente que deixaria de existir ali pra de algum outro lugar resistir, como se pertencesse. Na lua nova era anil a cor do bilhete só de ida que me levaria para sempre longe dali, a esperança então transmutou-se de verde para azul. Quando o dia chegou o céu estava azul claro e nublado, cor que refletia nas lagrimas cintilantes e na tesoura que delicadamente ceifava cordas que me mantinham ali, foi um dia de lua e cabeça cheia, mas me trouxe até aqui.
Demorou, não sei bem, quantas luas e estações, talvez muitas mas possivelmente poucas, suponho que era crescente que em meio a fumaça, movimento e som, o azul neon, o dia que então, esvaziei meus pulmões e respirei aliviada, vestida em veludo marinho e silenciosamente agradeci por sentir por um momento que cabia aqui.
Pontos: 16
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Despertar

Autora: keique
Minha poesia desfalcada
Veio do muito que vivi
E do pouco que li

Alucinação ou nostalgia?
Como explicar esse meu gosto
Que vaga ao sabor dos dias.

Descobrir como me expor
Sem artifícios ou mentiras
Brincando com palavras
Inquietas e malditas
Muito pensadas e nunca ditas.

Qual é a graça me diga
De traduzir a vida
Sem um toque de fantasia?

Me sinto uma bailarina
Quando brinco de poesia!

Onde estava até agora
Onde se escondia
Essa vontade que se revela
Esse “QUE” de alegria?

Esperou guardado num canto
Até que ao amor azul se rendia!
Pontos: 17
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Maravilha curativa

Autora: Lorena Cova
Azul, sempre gostei dessa cor...
Lembro na minha infância, quando meus peixes estavam mal, o azul de metileno resolvia.
Os anos se passaram, os peixes morreram, comecei a criar caracóis, dentro e fora da minha cabeça...
Pintei meus cabelos com azul de metileno, mas minhas caraminholas não curaram...
Talvez azul não seja a minha cor, vou mudar pra violeta de genciana!
Sempre gostei de cores de "alguém"... As cores, pra mim, são remédios, acho que vou pintar meus cabelos outra vez.
Pontos: 72
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Azul

Autora: Laíne Kelve
Para os recém-nascidos no mundo, tudo é muito novo. Por isso, é fácil se encantar com o que para os outros é banal. Encantam-se com as cores, com os nomes, com os gestos... E esse processo de estranhamento seguido de encantamento é fundamental para a apreensão da realidade que lhes é nova. Lembro-me de quando eu era pequenina, devia ter uns seis ou sete anos, e decidi qual seria a minha cor preferida. Estava assistindo a um filme de comédia – sempre acreditei que fosse Dennis, o Pimentinha, mas nunca tirei a prova - e alguém perguntou ao menininho qual era a sua cor preferida. Essa foi a primeira vez que ouvi essa pergunta. Então, pensei: "Temos de ter uma cor preferida". O menininho respondeu: “azul”. E a sua voz ecoou no meu pensamento se misturando à minha voz interior: "azul". Desde então, sempre que vejo a cor azul me sinto feliz, e uma leve sensação de pertencimento me preenche como uma energia que percorre o corpo e desemboca num suspiro: "eu gosto da cor azul". Tantas pessoas assistiram ao mesmo filme. Quantas delas reagiram a essa cena como eu? Eis a beleza e a profundidade da experiência subjetiva - e, por isso, tão diversificada - do ser humano. Eis a beleza da originalidade do ser. Eis a beleza do historicismo - e, portanto, do não-determinismo - de tudo aquilo que faz de nós quem nós somos.
Pontos: 10
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Azul

Autora: Anne Kross
Azul

Eu te falei que não se preocupasse com as coisas materiais.
O que viesse de mais simples iria direto ao meu coração, sem dúvida.
O que você trouxe, dinheiro nenhum compraria.
O que nós vivemos, não é sob encomenda, nem tampouco pedindo.
O que nós temos, foi conquistado com o tempo, após tantas dúvidas, medos, distância e saudade.
Você me deu a mulher que eu sempre sonhei.
Egoistamente pra mim, mas, muito mais do que isso, a mulher que se descobre e se entrega.
E você se entregou.
Nós nos entregamos.

O clima era de comemoração e mistério.
E eu adoro isso.
Esperar você chegar é sempre preparação para momentos intensos e inesquecíveis.
Mas, como naquela noite...
Nosso vinho preferido na geladeira, luminosidade baixa no quarto, a não ser o tom azul das minúsculas luzes que eu trouxe pra nos iluminar.

Eu já tinha visto você com tesão.
Entregue aos meus carinhos, soltinha tocando em si mesma, exibida, mas, dessa vez, você se superou.
Não houve tempo ruim.
Interrupções, falta de tempo ou qualquer outro motivo que tirasse a sua dedicação a nós duas.
E isso, foi o principal para o que eu vi surgir na minha frente.
Primeiro que os seus carinhos em mim, levaram a um nível de prazer que eu ainda não havia experimentado.
O nosso encaixe, cada vez melhor, estava perfeito, e depois que você gozou pela primeira vez, e a luz azul ganhou seu rosto, você era outra.
Você aterrisou.
Teus cabelos caiam em seus ombros, peitos, seu olhar era de fera, mas, uma fera mansa, domada, domada pelo prazer de se dar e proporcionar prazer.
Foi estonteante. Eu ainda me perco, enquanto as cenas vão e vem na minha memória.
A luz azul acentuou as suas sardas, e mais uma vez, você ganhou de nocaute (preciso escrever especificamente sobre isso).
Beijaria você a noite inteira.
Abraçaria também, com o mesmo tesão.
Te faria carinhos com as mãos, com meu corpo colado no seu, por horas.
Eu faria tantas coisas, tantas.
Mas, o que mais pode ter sido melhor e mais bonito do que a nossa entrega?
Do que os nossos olhares?
Do que a nossa fome, uma pela outra?
Do que a certeza daquilo que queríamos?
Do que um dia ter tido a ousadia de abrirmos nossos corações e deixado nosso amor entrar?
Ansiosa agora, minha linda, estou eu....
Pontos: 41
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TransAzul

Autora: Jackie The Sampa
Azul ...não tinha um nome. Era uma pessoa que tinha integridade a toda prova...gostava de sexo como ninguém. Tinha aqueles olhos azuis, mas também não eram seus olhos que davam o tom da sua vida.
O azul era o céu que olhava. O azul era o mar onde mergulhava e renovava suas energias. Não eram apenas os olhos. Era tudo o que tinha, era tudo o que dava, tudo que tocava. Podia ser o azul do gelo.
O azul que congelava você no lugar. O azul de te impedir de fazer qualquer coisa ousada, sem sua presença. Mas também podia ser aquele azul do laser. O azul cortante, o azul que queima. Que incendeia, parte ao meio com incisões precisas. Ela não era ela. Mas também não era ele. Não se tinha certeza do que ela queria ou do que ela fazia. Ela sabia dela. Os outros não. Perfeita, uma poesia. Entre uma cor, uma dor, um amor...uma sensação. Ela era tudo. Era nada. Era emoção à flor da pele. Era razão por sentir e sentir por ter razão. Era uma mulher. Para outros talvez não fosse. Para si também não se bastava. Podia ser homem quando quisesse. Mas, não era. Não era disso que tirava sua força. Não queria que fosse feminina, nem que fosse masculina. Queria que fosse. E era. O próprio verbo ser no ser.
Pontos: 42
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A Capitã dos olhos de Mar

Autora: Rô Lourenço
Teus olhos eram tão azuis quanto o mais profundo oceano e teu sorriso brilhava mais que todo um universo de estrelas.

Bastou um segundo para esta chuva de pensamentos invadir o meu ser e um duelo entre mente e coração iniciarem.

Permaneci caminhando à beira da praia, numa noite silenciosa e de estrelas que mantiveram acesas a chama daquele encontro inusitado e um tanto quanto atrapalhado em um mercado com cenário de filme de faroeste.

Não sou exímia dona de casa, até hoje me atrapalho entre prateleiras e devo ter consumido uma dose considerável de produtos fora da validade, fora isso, dizem que minha saúde é ótima.

Chovia lá fora e minha mente vagava considerando mais graça nos pingos que escorriam das janelas com que tipo de prato vou tentar cozinhar mas que certamente pedirei uma pizza, até que ela surgiu.

Será que a vida podia vir com um alerta sonoro "Atenção, a garota dos seus sonhos atravessará o corredor da ala 5. Coloque-a na garupa da sua moto e fuja".

Dizem que não somos preparados para o amor. Que ele surge de repente e quando menos se espera você está sonhando acordado e vendo uma família de passarinhos verdes cantarolando "Oh happy day".

O amor esperou que eu estivesse com as mãos cheias de todas as guloseimas daquele mercado para esbarrarmos no corredor daquele pequeno fim de mundo. Não sei por onde andavam meus pensamentos mas minha atenção não estava ao redor e esbarramos de frente uma para a outra.

Ela se desequilibrou mas antes de cair por completo, abandonei minha refeição saudável e segurei-a a tempo e é justamente este segundo que não sai da minha mente. Seus olhos de um azul tão profundo como o oceano me invadiram. Senti-me uma capitã à beira de um naufrágio ou prestes a ser salva por algo que eu ainda não compreendia. Foram segundos eternos enquanto ela permanecia apoiada nos meus braços e nossos olhos conversarem antes de nós mesmas. Claro que este instante mágico foi interrompido pelo auto falante numa promoção imperdível de frango a passarinho e ela sorriu. Calma, ela sorriu. O que aconteceu? O teto se abriu e as estrelas desceram para nos fazer companhia? Ela parecia tão consciente daquele instante em que nos ligamos, mas como se nunca a vi antes?

Nos desvencilhamos sem jeito, fui cortês e ajudei-a a se recompor mas não podia disfarçar o quanto eu sorria por dentro. Não, não sorri de volta. Preferi permanecer em choque e ser aquele barquinho que naufraga na imensidão daquele olhos.

Ela não disse nada. Agradeceu num balançar afirmativo de cabeça e se foi rapidamente. Poderia ter corrido até ela e dito sobre a minha teoria de um segundo sobre o poder daquela troca de olhares mas o máximo que fiz foi "Uau".

Nunca sabemos o que é o amor verdadeiro até sentirmos ele fazendo morada em nosso peito assim, descompromissado, inesperado, sem sentido e com todo o universo conspirando a favor ou contra, no meu caso.

Cheguei em casa e adormeci num sono agitado que tornou-se um pesadelo. Acordei ofegante como que a pressentir por algum perigo. Levantei-me rapidamente, verifiquei todas as fechaduras, janelas e suspirei.

Que manhã agitada, muito embora, o agito esteja há mil quilômetros de mim e da qual espero não ter visitas inesperadas. Ouvi dizer que o passado fica ótimo trancado em um baú e jogado no fundo de um poço tão profundo quanto se possa imaginar. Ressentimento? Que nada, sou formada em filosofia de bar não alcoólico. Os recomeços precisam de partidas reais e justamente quando nos despedimos é que a surpresa do novo nos visita.

Anoiteceu, a lua cheia dava o ar de sua graça e eu não parava de pensar naquele encontro de logo cedo, nos olhos, no sorriso, na maciez da sua pele quando a apoiei sobre mim e principalmente o perfume de jasmim.

Arrumei-me com delicadeza, um vestido verde água longo, um colar de pedras naturais, uma flor delicada prendendo parte dos meus cabelos cacheados e longos. Claro, não pode faltar meus óculos fundo de garrafa. É aquele tcham a mais que não era necessário mas faz parte.

Desci, cumprimentei o porteiro e ganhei o mundo do calçadão de uma praia a noite. Casais andavam de mãos dadas, crianças corriam atras de borboletas e cachorros corriam atras de crianças suma sinfonia chamada final de semana no litoral.

Em minha caminhada senti um aperto no peito, a lembrança desconexa do pesadelo, os olhos dela sob mim, a vida dela sob a minha. Será que um dia irei revê-la? Existem outras vidas? Que sensação forte de já conhece-la. É como um fio há muito tempo afastado e agora se conecta e permaneço alerta à sua procura.

Sento na beira da praia procurando mirar o horizonte de mistérios que torna-se o mar a noite. Eis que avisto um ponto branco esvoaçante e uma mão ao alto gesticulando e a cada segundo perdendo velocidade.

Meus Deus, alguém está se afogando!

Tirei as sandálias e corri para o mar num ímpeto heróico e completamente maluco porque não sei nadar. Corri e corri e mergulhei atrapalhadamente até alcançar a jovem. Jovem? Segurei-a forte e puxei-a nadando de volta à terra firme. Nadando? Eu não sei nadar. Será que em níveis extremos descobrimos faculdades desconhecidas?

Foi tudo muito rápido. Coloquei-a na areia e meu coração apertou-se num desespero descomunal. Era ela. Era a moça com olhos da cor do mar. Aquela que visitou meus pensamentos durante todo o dia e se mudou para eles. Era ela. Indefesa, em perigo e alinhada ao meu desespero de perde-la. Ela não respirava. Olhei ao redor e ninguém havia. Caminhei além da conta. Éramos nós três, eu, ela, e minha angústia.

Eu tinha de fazer algo. Não temos tempo a perder. Comecei a massagear seu pulmão freneticamente, não sabia se era os respingos do mar ou minhas lágrimas que caíram por sob ela. Lembrei das aulas de primeiros socorros de Dona Filó. Uma senhorinha bondosa que serviu ao Corpo de Bombeiros da minha cidade por tantos anos. Ela dizia "Tem que se estar preparada o tempo todo". Eu não estava preparada e sim, desesperada mas procurei me acalmar e lembrei-me da voz de Dona Filó. Fiz respiração boca a boca, massageei o pulmão inúmeras vezes até que ela começou a cuspir água e eu por dentro apenas dizia "Meu Deus, Meu Deus". Ajudei-a a se sentar e ela espantou-se ao me ver: -Você?. Sério mesmo que ela sorriu? Como ela consegue sorrir? Quase não tivemos tempo em vida de pedi-la em casamento. Calma, qual a parte do vamos na calma e normalidade que não compreendi. Sorri de volta e mais do que isso a abracei. Ela se aninhou ao meu corpo numa mistura indefinida de gratidão e turbilhão de sentimentos que não conseguíamos descrever.

Nossos olhos se encontraram novamente e então pude ouvir a sua voz uma vez mais: -Obrigada por salvar a minha vida duas vezes hoje.

Arqueei a sobrancelha e perguntei:

-Porque duas vezes?

Ela chegou mais perto, o suficiente para meus lábios se juntarem aos dela em apenas 01 segundo mas nos detivemos saboreando aquele momento. Com voz pausada e cercada de mansidão, falou:

-Há muito tempo deixei de acreditar no amor. Ele era algo distante de mim e tudo o que surgia era tão raso e sem sentido que pensei ser fruto da minha imaginação a existência dele mas quando te encontrei hoje, eu pude senti-lo mas não pude explicá-lo e senti tanto medo...

Aproximei-me daquele segundo que nos separava e disse baixinho sem desviar-me da imensidão daquele olhar:

- Eu...

Mas fui interrompida pela graciosidade daquelas mãos que aproximou-se dos meus lábios e pediu silêncio. Me encarou longamente, as covinhas do rosto se alinhando num sorriso iluminado, cabelos tão negros quanto a noite mais escura e misteriosa. Sua camisa entreaberta contrastando com a cor dos olhos, ofegante, determinada e ao mesmo tempo tão frágil, vulnerável e irresistivelmente doce.

Sua voz invadiu meu ser de tal forma que confundi com um show de sussurros e a cada palavra eu pedia bis e assim sem desviar os olhos dos meus, ela disse enquanto deslizava os dedos entrelaçando nos meus:

-Vim ver o mar e não parava de pensar em você. Senti uma felicidade tão inexplicável que o mar me chamou. Mergulhe, viva e sinta! E eu fui...mas não senti as ondas me puxarem e...e...e...

-Ei, calma. Já passou, está tudo bem agora.

A abracei. Quanto tempo durou esse abraço? O suficiente para saber que era ela quem sempre esperei sem saber que estava esperando. Como explicar o que não tem explicação, a não ser se permitir? O aroma da sua pele ficou mais intenso e os cabelos molhados deslizaram por sob os meus ombros e eu sabia que ao olhá-la novamente não iria resistir. Meus olhos me entregariam e tudo o que há em mim seguiria o mesmo curso.

Desvencilhei-me o quão lentamente pude até minha respiração normalizar, o que claro, não aconteceu.

Seus olhos de mar me olharam e desta vez era eu quem estava prestes a se afogar e sem pedir por salvamento.
Sua respiração estava ofegante em sintonia com a minha. Cada centímetro mais perto era como sentir o céu descer e o paraíso se mostrar.
Nossos lábios se tocaram tímidos num beijo envolvente, quente, cheio de saudade. Saudade? Sim, saudade. Desisti de tentar explicar mas eis que o coração acelera, ela enlaça seus braços em meus ombros e deitamos na areia tendo como única testemunha a imensidão do mar.







Pontos: 25
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Conjunção

Autora: CRISTINA MEDEIROS
Eu vi o sol do fim da tarde, levantei a cabeça e o deixei tocar minha face
Gosto de fazer isso
Deixar o sol me enganar fingindo ser o seu calor
Pela manhã eu tinha um riso bobo na face
Resultado de sua doce companhia
A pouco meu animo começou a murchar
Como flores sem água
Agora noite e o dia batalham com cores lindas no céu
Talvez não seja uma batalha, mas sim uma troca
O dia cede para noite os tons mais belos para que ela inicie sua jornada
E a noite presenteia com tons escuros o dia que necessita descanso
Entre o azul, cinza e laranja pequenas estrelas no horizonte
A lua, júpiter, saturno, urano invisível a olho nu
Que planeta ou astro eu seria no céu?
De que cor você me pintaria para adornar suas paisagens?
Com azul de um dia lindo?
Com o cinza de uma solidão nublada?
Com o preto de um céu profundo e triste como minha saudade?
Eu quero você...
Tanto...
Mais que o beijo, mais que o corpo
Quero teu abraço
Somente o céu me faz companhia
Me ajuda a escrever mesclando sua beleza e a dele
Meu corpo está cansado
Meu espirito está cansado
Vou me deitar
Te levar comigo e sonhar
Sonhar, sonhar, sonhar...
Pontos: 49
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Autora: Juli Blue
Nós dias cinzas, quando a névoa do trabalho nos envonve e nos parta de nós, eu pinto azul com os dedos deliciosamente embebidos na tinta dos teu dias em que és minha e tua preguiça é minha insana e vadia, no meio da s lvageria destes dias te faço louca e desvairada, o tanto quanto sou caçada pelos meus azuis sombrios enquanto os dias cansativos, tristes e engradados cheios de cinzas que nos matam de deveres desprezíveis, porque amar, ah é em amar que se tornam belos os azuis dos dias e as luas mais sádicas nas noites mais arredias!
Pontos: 11
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Transcendental

Autora: Rose SaintClair
Duas piscinas.
Dois lagos plácidos, que conforme meus dedos invadiam seu ventre quente, úmido e pulsante, se tornavam revoltos e com uma coloração anil profunda.
Completamente hipnotizada eu me encontrava naquele momento. Seus cabelos vermelhos contrastavam com a pele branca. Manchas rosas subiam pelo pescoço... manchas que eu sabia que fora a causadora...
Cheirei a sua pele notando o aroma único de suor e perfume... aquilo me excitava mais ainda.
Os seus gemidos... finos... como se fossem uma gatinha ronronando... aumentaram alguns decibéis assim que eu mordisquei o seu queixo...
As paredes da sua vagina apertavam meus dedos como se quisessem me manter presa a ela... como se fosse possível...
Serrei os olhos tentando segurar o orgasmo que estava chegando. Não, ela não me tocava. Mas os seus gemidos, seu cheiro e sua buceta esmagando meus dedos... me fizeram gozar sem nem ao menos eu ter me despido.
Gritei seu nome... ela me acompanhou e desabamos no leito revolto.
Pontos: 130
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Azul dos teus olhos

Autora: Roza
O azul dos teus olhos aguça os meus sentidos
Numa caminhada sem visão
Ilusão

A busca pelo contato, de amassos
Do seu tato
Ouvindo seus gritos, gemidos
Teu apurado sentido
Seus mimos, meu abrigo

Fome é o que sinto
Em teus seios
Avisos
Um paladar de luxúria
De ternura, loucura

No limiar dos teus lábios
Eu encontro emoção

No mar azul dos teus olhos
É que encontro proteção
Pontos: 24
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As Cores do Amor

Autora: Naty
Azul é cor de menino, rosa de menina
Eu senti que sofreria, com certeza
Quando pedi um boneco de ação
E ganhei a barbie princesa

Nunca foi meu cabelo, mas que beleza
Eu deixei crescer, hoje acho bonito
Depois de uma fase de incertezas
Mãe, eu também mudei meu estilo

Aceitei o sapato rosa ridículo
Você sabia, mas você comprou
E a maquiagem foi um capricho
Pra tentar esconder o que sou

Mas eu ainda tenho todas as cores do amor
Quando ela sorri pra mim, e perdão família
Até hoje paleta nenhuma me mudou
E azul nunca foi minha cor preferida
Pontos: 32
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Feijãozinho Colorido

Autora: Man Wol
Existia nos anos 80 uma boneca que se chamava Feijãozinho Colorido, foi o primeiro presente que me lembro de ter ganhado, acredito que começou aí a influência para que azul por muitos anos fosse minha cor preferida.
Ah sim...elas eram de várias cores, as bonecas, aconteceu da minha ser azul, naquele tempo eu não era muito criativa, quem sabe até hoje não seja, porque seu nome era esse mesmo, Feijão e minha cor preferida, azul.
Feijão viveu comigo inúmeras aventuras, seu corpo perdeu a cor, seu cabelo a forma, depois de um tempo ela não tinha mais corpo, mas guardei sua cabeça por um bom tempo, escrevendo assim, até parece um pouco macabro, mas eu imaginava que poderia lhe dar um novo corpo, o dela era de pano, seu recheio foi perdendo a forma, com o tempo o tecido cedeu, eu já não lhe dava a mesma atenção, mas ela deixou esse legado, o legado da cor azul.
Depois das bonecas, meu "brinquedo" ou brincadeira preferida passou a ser um outro tipo de boneco, as crianças da rua usavam esses apetrechos vendidos em saquinhos no mercado como miçangas pra colares ou pulseiras.
Eles tinham formato de uma chupeta, vários tamanhos e formas, para mim eram pequenas pessoas, providencialmente cabiam dentro dos carrinhos a fricção, uma outra paixão infantil que eu tive.
O chefe da minha família de "bicos" era uma dessas miçangas em forma de chupeta, porte médio, cor azul, seu nome, Azul, essa foi a segunda geração de azuis na minha vida.
Depois tivemos os Power Rangers...preferido? Billy, coincidência ou não, o azul.
Filme preferido? Imensidão Azul.
Inconsciente ou não, um padrão.
Então conheci Carlos Pena Filho, eu já desconfiava, mas ele traduziu muito bem "extinguir em nós o azul ausente e aprisionar no azul as coisas gratas", é assim que quero viver esse "vinte vinte" que começa hoje... com toda a alegria que essa cor sempre representou pra mim, mesmo que a língua inglesa empreste à ela esses tons de tristeza e melancolia.
Pontos: 39
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Encontro

Autora: Cristiane Schwinden
Na pausa da leitura matinal,
Ergo meus óculos, e observando,
Céu e mar ao longe,
Dois azuis se tocando.

Mar, azul esverdeado, agitado,
Ao alto, o branco de duas nuvens,
Se desfazendo, num azul anil,
Remontam um quadro, recém iniciado.

Espero a natureza se manifestar,
Como numa escala crescente,
Aquele azul do mar, agora é verde,
E o céu se torna cinzento.

Chega a noite, mudando tudo,
Muda as cores, muda o tempo,
Até meus pensamentos,
Que mudam como os ventos.

E num ciclo perfeito,
Acordo, e vejo folhas em movimento,
Deitado sob uma árvore,
Havia dormido ao relento.
(em parceria com meu irmão, Rodrigo)
Pontos: 67
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Azul uma cor

Autora: J. Alexandra
Azul é uma cor
Com diversas variações
Não é de menina nem de menino
É para todas as gerações

Azul cor do mar
Que bate na areia
Azul cor do céu
Cama da lua cheia

Azul é uma cor
Para todas as gerações
Que encanta todo o mundo
Com as suas variações
Pontos: 24
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Inquietação

Autora: MissE
Juro, aquela era uma cena digna de enquadramento, para que pudesse durar mais que um momento, como em geral são as imagens presas às minhas retinas.
A paisagem era cinzenta, as pessoas e suas roupas, as coisas, as calçadas, as paredes, tudo. Sabe uma descrição de uma rua de um livro distópico? Era exatamente desse jeito. Tudo cinza, exceto o lenço preso ao pescoço dela, esvoaçante na pressa de seus passos rápidos. Era como um desses filmes em preto e branco que tem um detalhe, um vestido, alguns peixes na cor vermelha, só que no caso do lenço, era azul.

O azul era da cor do mar, como numa propaganda da ilha de Tahiti, pregada na parede de uma agência de viagens.

O lenço azul turquesa amarrado no pescoço dela trazia o mar, o céu estonteantemente azul. Acho que senti uma leve brisa marinha.
Pontos: 7
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Esperança

Autora: Nay Rosário
Já era madrugada, na véspera de Natal, quando uma campainha estridente soou. Louis despertou, de seu sono recém conquistdo, esperou que novamente tocassem a campainha. Vestiu um sobretudo jogado e acendeu as luzes dos degraus do corredor. Segurava-se para não cair e com o esforço de alguém extremamente mau humorado, chegou a porta. Ao abri-la tomou um susto.

-Claire?! Mas... O que...

-Desculpe interromper seu sono, Louis, mas aconteceu algo e preciso da sua ajuda.


Antes que a mulher processasse o que sua ex esposa havia dito, a viu vindo em sua direção com algo grande e coberto. O sono dificultava sua linha de especulações. Quando faltavam poucos passos pra estarem frente a frente, Louis ouviu um resmungar muito peculiar. Será que seus ouvidos estavm enganando-a?! Inquieta, esperou a outra completar seus passos.

-Eu ouvi um... barulho estranho... No que você quer minha ajuda?! - estranhamente sentia seu coração descompassado e os dedos da mão suando.
-A cuidar disso.


Um bebê. Naquela cesta de piquenique havia uma garotinha brincando com a manta que a cobria e soltando alguns gritinhos. Louis perdeu-se por instante naqueles olhinhos cor de turquesa e ganhou um sorriso banguela em resposta a pequena carícia no rostinho.

Ajudou Claire a entrar com a pequena. Foram para a cozinha e, enquanto a dona da casa preparava um leite, o outra trocava a frauda improvisada da garotinha e procurava algum indício na cesta de quem poderia ter abandonado esse lindo bebê em sua porta. Quando tencionava desistir, encontrou uma pequena carta bem dobrada.
Louis pegou a menina,enrolando-a na mantinha que imitava um céu estrelado e deu a mamadeira. Sua irmã havia esquecido e, graças aos astros, ela também havia esquecido de devolver. Enquanto andava pela casa com aquela preciosidade em seus braços, recordou-se de sua trajetória. Sua mãe, imigrante ilegal naquele país, a abandonando com uma tia, que por sorte a adorava. Cresceu com Zamora, sua prima-irmã. Pensou em ser mãe algumas vezes, porém não sentia-se capaz devido ao histórico familiar. O fracasso de seu casamento também pela questão "filhos". Ela amava crianças. A maior prova disso é que Gael, seu afilhado, a chamou de mãe primeiro do que a sua irmã, quando ainda tentava falar. Ela só não se sentia pronta para gerar uma nova vida, por mais que amasse a ideia e a Claire.

Sem que percebesse, cantarolava uma canção de ninar em sua língua materna. Sentia aquele pequeno e indefeso ser aconchegar-se em busca do calor que emanava de seu corpo. A levou para o quarto que seus sobrinhos dormiam. Com paredes simples, em tom claro e com um berço e duas camas de solteiro. Jeitosa, colocou a niña no berço enquanto finalizava a canção. Antes de soltá-la por completo, sentiu seu dedo ser segurado com toda força que um Bebê pode possuir. Seu coração comprimiu-se um pouco mais. Já instaladas na sala, liam a carta deixada pela genitora daquele serzinho.

Surpreenderam-se ao saber que a mulher lhes conheciam e deixou escrito na carta que sabia que sua pequena estaria em boas mãos, pois tinha ciência da imensidão de amor que ambas as mulheres nutriam entre si. Deixou também a certidão da pequena e Louis sorriu pela segunda vez naquela noite atípica ao ler no nome da garotinha.

-Angel...

-Sim. O anjo da anunciação das boas aventuranças.

Louis olhou profundamente sua visita inesperada. Seguindo suas emoções e contrariando a racionalidade, aproximou-se da outra. Trocaram um leve, inseguro e tímido sorriso. Louis contornou a face da outra com a ponta dos dedos e os pousou nos lábios finos e rosados. Decidiu não mais pensar e selou seus lábios em um beijo doce. Daqueles com sabor de recomeço e gosto de recordações. Abraçaram-se e a cama de Louis foi testemunha do amor e da entrega dos corpos. Muitas horas depois, ouviram um chorinho pela babá eletrônica. Antes que Claire fosse em busca do pequeno anjo, foi puxada de volta a cama e ganhou um beijo envolvente.

-Feliz Natal, Clair!

-Feliz Natal, Loui!
Pontos: 80
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Azul!

Autora: Bia Ramos
^_^
Das cores, a mais bela
Dos tons, o mais frio
De alma serena e tranquila
Às vezes maçante e monótona
Ainda assim, o tom da realeza
De vários significados, essa cor representa
O céu límpido e calmo
O horizonte infinito e cheio de harmonia
Pensemos com calma
De fria, esse tom não tem nada
Majestoso e profundo, busca a paz
Através do céu e das águas
Encanta por onde passa
Revela-se o mais intenso das cores
Despertando assim os amores!






Pontos: 48
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Passiva

Autora: CRISTINA MEDEIROS
Meus olhos e pensamentos perdiam-se na vista pela janela frente ao mar
Pensamentos banais que nada serviam enquanto seu cheiro ainda cobria meu corpo
Os primeiros raios do sol adornavam a manhã de nosso quarto
Só me dei conta de sua presença ao sentir teus seios surpreendendo minhas costas nuas
Seus braços vestiram meu corpo e seu calor me invadiu como o sol em nosso quarto
Beijou-me a nuca arrepiou-me e me curou com tua língua em minha pele
Em minha orelha palavras desconexas me permitiam ver o teu desejo
A noite foi intensa, mas minha musa parecia pedir mais.
Ontem tão passiva entregue ao meu poder, agora sua postura é mais decidida sedutoramente agressiva.
Estou de costas e assim você me mantem. Seus dedos enlaçam os meus elevam meus braços me empurram na parede enquanto seu corpo me aperta, incendeia, seus mamilos rijos em minhas costas pedem minha boca e na ânsia de fazê-lo tento me virar, mas é em vão.
O seu fogo te deixa forte, sem palavras decifro seus gestos: você não vai me soltar...
E é assim presa sem encarar teus olhos que você me ama
E como estariam, seus olhos agora?
Essa questão me enlouquece
Como queria ver teus olhos de minha dona
Mas já me sinto frágil, já tremulo de prazer, não articulo palavras ou tentativas de me defender.
Eu sou sua!
E uma de suas mãos me acariciava o corpo se enchendo com meus seios ora num ora noutro, se volta para meu rosto, um de seus dedos me invade a boca para comparar a próxima humidade a ser explorada, é para lá que você segue, eu sinto sua mão descendo forte, lenta, ousada, a tua língua ainda me diz coisas a pele da nuca.
Então você chega...
Atua mão chega entre minhas pernas o teu corpo se aperta mais em mim eu sinto os pelos do teu sexo em minhas nádegas, o dançar dos seus quadris enquanto teus dedos confirmam o meu prazer, mergulham minhas intimidades invadem meus segredos ali eles circulam, eles penetram, dedilham meus músculos a procura de minha alma.
Eu quero chorar, rir morrer e viver.
Sem reação além do gozo...
Você me solta...
Afasta-se... Lentamente
E difícil manter-me em pé, mas eu me viro e quase que gozo novamente ao enfrentar seus olhos.
Safada...
Sorri maliciosa leva seus dedos molhados em meu mel a boca e saboreia meu prazer
E eu não tenho dúvidas abocanho seus lábios, nos jogo na cama e adormeço em seu abraço.
Pontos: 17
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. ..- / - . / .- -- --- /

Autora: Man Wol
". ..- / - . / .- -- --- /"

A colherzinha de chá apoiada no sachê de açúcar era tamborilada em um ritmo cadenciado que não era de todo desagradável.

Os dedos ágeis continuavam a batida com pequenos intervalos, mas os sons de talheres, copos e risos abafava a repetição incessante, habitava em seus próprios pensamentos, olhar perdido.

Um toque gelado a tirou de seu estado de concentração, um olhar surpreso encontrou um olhar sorridente.

Não gostava de frio, mas vivia por aquele toque gelado e suave que frequentemente encontrava suas mãos quentes, em ocasiões circunstanciais ou em situações mais íntimas.

As unhas sem esmalte, mas com um tom violeta, como ela gostava de brincar, "roxo gangrena", os dedos longos e magros a faziam sorrir.

E ela sorria, com todos os seus dentes e seus olhos traduziam o que as batidas intentavam em seu código morse muito básico: "Eu te amo".
Pontos: 12
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Nosso Encaixe

Autora: Suellen Godoi
Sei lá,
Talvez nós sejamos um quebra-cabeças.
Daqueles com centenas de peças,
Onde seu beijo se encaixa no meu,
Sua voz se encaixa no meu silêncio,
Seus dedos se encaixam nos meus,
Sua alma se encaixa na minha.
E não importa se esse quebra-cabeças se desmonte
Ou se tentem bagunçá-lo.
As peças sempre serão as mesmas
E sempre poderemos juntá-las de novo.
Nossas peças são únicas.
Meu amor foi feito pra você e o seu pra mim.
Isso nunca vai mudar.
Pontos: 11
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Louca

Autora: Anne Kross
Ela me toma, não pede licença.
Sem me deixar alternativa.
Literalmente me come no chão.
Adoro quando é assim.
Com pegada, beijo esfomeado e taras sem fim.
A pressa ao tirar a nossa roupa que rapidamente fica espalhada no chão, como é deliciosa sua pele, seu cheiro.
Meus dedos se enfiam dentro da sua calcinha e já deslizam facilmente, você está tão molhada quanto eu.
O lugar é pequeno. Mas perfeito.
Improvável. Mas do nosso jeito.
Era tudo o que precisávamos.
Linda, faminta e descontrolada.
Abusada e indecente.
Tantos dias esperando, nossa vontade aumentando e foi lindo ver, sentir e ter você.
Começamos a realizar nossos desejos ali naquele chão, onde jamais imaginaríamos que seria tão perfeito, tão mágico.
E sabe porque?
Por que qualquer lugar se torna "nosso" quando estamos juntas, conectadas, sedentas, uma pela outra.
Pontos: 25
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Autora: Amanda Da Silva
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Autora: Helena Da Silva
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D-e-d-o-s

Autora: Lorena Cova
Estala os dedos, aqui estou
Me mostra os dedos, aqui molhou
Passando os dedos, me dá furor
Em todos os dedos, encontro amor...
Pontos: 35
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Sentir

Autora: Nay Rosário
-Do not leave me. I made up meaningless words that you understand. I will tell you about these lovers who have twice seen their hearts catch fire. I tell you the story of this dead king for not being able to find again.


Louis cantava para seu pequenino anjo de lindos olhos. Uma das pequenas mãos segurava firme os dedos da mulher. Havia uma atmosfera ímpar no ambiente. Existia também uma bolha que envolvia a mulher e a criança. Claire, que assistia as cenas de compreensão muda e trocas afetivas, convencia-se cada vez mais de que elas eram mãe e filha. Podiam não ter a carga genética biológica, mas era notório o quão parecida as personalidades eram.


Quando Louis estava feliz, irradiava o brilho do próprio sol. Assim como a pequena Angie. Mas quando ambas tinham fome eram mais perigosas que tormentas e furacões. Por ainda não saber falar, a pequena chorava a plenos pulmões. Já a adulta resmumgava incansavelmente até que aparecesse algo comestível. Olhando a garotinha ressonando no colo macio de sua ex-esposa e atual namorada, Claire repete o último verso da canção de maneira inaudível. Quase como se fosse uma súplica.


-Ne me quitte pas.
Pontos: 37
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Doce delírio, suave luxúria

Autora: Roza Nino Bahia
Os dedos inquietos em teu corpo
Escrevendo arrepios
Sempre junto dela
Com lábios ágeis de encontro a pele
E a língua nervosa desvendando sua boca
Despertando desejos infinitos
A vontade que não sacia
Só queria beijar, lamber, chupar...
O doce labro saliva
Em busca de alívio
Matando a vontade
Com cálidos gemidos
Sua tentação é o meu pecado
Teu júbilo é o meu deleite
E depois de tanto prazer
A transformação de nossos corpos
Em silhueta de amor, prazer e loucura
Doce delírio, suave luxúria
Pontos: 31
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Primeira vez

Autora: keique
Eis minha primeira poesia
Meu primeiro voo, minha alegria
Trôpega tentando acertar

Voo tardio de fato
Buscando afoita no espaço
Me redescobrir, reinventar

Menina de tantos encantos
Com a ponta dos dedos te pinto
Diga-me de novo o teu nome

Tua carne devoro e espero
Perdendo o prumo te quero
Nada tem o seu cheiro no mundo!

Pontos: 5
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Autora: Helena Da Silva
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Cuidado Sedutor

Autora: MissE
Eu cheia de dedos para não ultrapassar o seu sinal. Dada a tensão do momento, meus dedos viraram 90 dedos nervosos procurando sentir qualquer sobressalto ou contrariedade seus, pretendiam ler qualquer evidência para o avanço ou recuo dos 90 dedos.

A atenção redobrada nos sentidos que não a visão, já que os olhos estavam fechados por um momento. Por que fechados? Não sei, talvez para intensificar as sensações. Acho que já passei o sinal, será?

Enfim, era um voo às cegas, instrumentado pelos noventa dedos, saboreando a possibilidade do seu sim. Quero dizer, repetidamente sim.
Pontos: 4
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A Sereia - Parte 1

Autora: Bia Ramos
Certo dia, da janela do meu apartamento, avistei uma mulher sentada na areia da praia. Ficava lá por exatos trinta minutos e depois sumia, todos os dias naquela semana, olhava pela janela, e lá estava a mesma mulher sentada no mesmo lugar olhando as ondas que quebravam próximo aos pés dela.
Através da janela, parecia um quadro pintado, o céu estava azul e limpo, as ondas do mar, quebravam em sintonia, a bela mulher, com os cabelos soltos ao vento, tornavam aquela pintura ainda mais perfeita.
Passei a observá-la, e assim ficava durante aqueles minutos, e quando ela levantava, se perdia no meio da multidão e sumia. No sexto dia daquela semana, aquele mesmo ritual, só que no final dele, ela levantou, e como se percebesse que alguém a observava, olhou em volta, e foi impossível desviar os olhos quando os dela, cruzaram com os meus.
Levantei quando ela sorriu, me encantei no mesmo instante em que ela piscou e desviou os olhos. Sem entender o que estava acontecendo comigo e com o coração batendo na boca, saí apenas batendo a porta, corri antes que ela sumisse pela orla da praia e nunca mais a visse, mas infelizmente, quando pisei na areia, ela não estava mais lá.
Fiquei algum tempo parada lá, mas nada da moça aparecer. No dia seguinte, na esperança dela aparecer, fiquei parada na orla da praia, próximo ao local que ela sempre ficava, porém, ela não apareceu naquele dia. Passei quase uma semana rondando por ali ou da janela de meu apartamento olhando para o mesmo lugar, na esperança de que aquela que tomara meu coração com apenas um sorriso, voltasse.
Ela não voltou, e com o coração triste, desisti de procurar por ela. Talvez, não fosse para ser daquele jeito, me conformei.
Em uma noite fria, quase seis meses depois, deitada em minha cama, escutei uma música longe, apenas um cantarolar, sem letra. Me encantou, e como se não tivesse controle do meu corpo, flutuei até a janela, e para minha alegria, a bela mulher estava sentada no mesmo lugar.
Antes que a insegurança tomasse conta de mim, corri até ela, estava lá, sentada e para minha surpresa, cantarolando a canção, me aproximei e ela me olhou.
Sorriu, mas não deixou de cantarolar, e como se eu estivesse enfeitiçada me aproximei, ela me olhou novamente, sorrindo perguntou:
– Notei que estava a minha procura.
– Sim... Mas como sabe?
– Eu estive observando você também.
– Como? De onde? Porque não apareceu?
– Não é sempre que eu posso aparecer.
– Não entendo!?
Ela se levantou, deu dois passos em minha direção, levantou a mão, fechei meus olhos, e naquele momento senti uma paz enorme, o toque frio de seus DEDOS em meu rosto, levantei a mão para procurar a dela, mas não a encontrei.

Continua... #Deserto
Pontos: 25
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Amai ao próximo como a ti mesmo.

Autora: Jackie The Sampa
Estava separada há alguns meses. Não transava o mesmo tanto de tempo. O corpo dava sinais, ela ignorava. Até aquele dia, melhor, aquela tarde.
Deitou para sua habitual soneca vespertina. Os vinte e seis minutos da NASA. Entrou em órbita com o sonho realidade de seus dedos a masturbando. Com certa inabilidade, mas rapidamente retomada a rotina frenética de buscas e a recompensa do clímax. Acordou sentindo o pulsar no clitóris. A boca seca, o corpo mole. E nem acabara os vinte e seis minutos.
Por dias esperou que o sonho se repetisse. Como quem espera, ansiosa, pela amante voraz. Só que ela não veio.
Foi sua vergonha pela ânsia em ter prazer, como se fosse uma ninfomaníaca, que a vez perceber algo engraçado. E, aí, a vergonha foi por sua insanidade. A sua amante desejada, que não vinha, estava ali, ao alcance...de...suas...mãos. Se aborreceu com a ideia de ter prazer solitária. Depois, gargalhou por sua burrice pudica. E pensou “mãos à obra!”.
E que dedos maravilhosos daquelas mãos que eram suas, mas já foram para outras. Colocou dentro do próprio corpo os invasores que ela mesma, como dedilhando um controle, digladiava-se no game do sexo guloso, mas cauteloso, para que o fim não fosse rápido. Mas, tal qual no game, os dedos manipulavam e insistiam para passar de fase, quando ela mesma perdia a batalha com o próprio gemido de êxtase. Recobrava-se rapidamente, esquecia que os vizinhos pudessem acha-la uma louca mal amada, a se matar batendo siriricas homéricas, aos gritos e urros, e buscava novamente o controle, tentando passar para fases mais desafiadoras. Com requinte de contorcionista, enfiava os dedos em todos os buracos e deles saía lambuzada, gozada em si mesma.
Quando conseguia parar, um tanto abatida pelo “falso remorso religioso”, pensava nas mulheres que seriam as próximas e que perdiam de desfrutar dela, com ela, seus dedos milagrosos. Num último debochado arroubo religioso, pensava “amai a próxima como a ti mesma”. Que venha a próxima!
Pontos: 12
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Transcendental 2 (continuação)

Autora: Rose SaintClair
Continuação do Dia 1
________________

Meu coração ainda descompassado.
Meu rosto salgado pelas lágrimas que não consegui segurar frente ao que aconteceu... a emoção... o arrebatador sentimento de pertencer a alguém e ter a certeza de ser correspondida.
Estremeci ao sentir seus dedos finos traçando contornos imaginários nas minhas costas ainda vestidas com a camisa que usei durante o trabalho.
Não queria sair dali.
Não queria tirar o meu rosto da curva daquele pescoço alvo há tanto tempo desejado.
— Ash... por que você está chorando?

continua...
__________________________

Bom gatas, aquelas que me acompanham devem ter percebido que uma personagem minha está aqui. Sim suaslindas! A agente Ashley Rodriguez de Boa noite, Garotinha! e The Butcher (aqui no Lettera).

A minha ideia é a cada palavra/dia escrever uma parte desse capitulo que fara parte de RED meu novo conto.

RED trará de volta a história de Kate, a médica legista com passado sombrio, que foi sequestrada em Boa Noite, garotinha! (antologia de suspense da editora Pel) e da sua amiga Ashley. O que será que aconteceu? Kate estará viva? Como Ashley reagiu todo esse tempo? Tudo isso será mostrado em RED.
Pontos: 15
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Entre os nossos dedos

Autora: Jaci
Entre os meus dedos conheci o meu corpo!
Entre os teus dedos conhecesse o meu íntimo!
Entre os dedos nossos, conhecemos o prazer de estarmos entrelaçadas uma a outra.
Pontos: Sem votos ainda
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Contadora

Autora: Artemísia
Acredito que existam cerca de 150 pintas nela, contei-as algumas vezes mas sempre apressada. A primeira vez se deu enquanto a observava, tão leve quanto o ar, acredito ter contado umas 10 no braço, umas 3 na mão, uma peculiarmente fofa no seu dedo anelar que vi de relance e me chamou a atenção, fez meu coração afundar.
Tudo é estimativa boba, fruto de uma brincadeira casual entre meus próprios botões, "pura bobagem" pensei, mas quando dei por mim, voltei a contar. Naquela noite - em que posso jurar que além do meu corpo chegou a beber até da minha alma - acredito ter contado pelo menos mais umas 50, existe uma no pescoço extremamente perturbadora e outra no interior da coxa direita - sem comentários adicionais sobre essa.
Desisti novamente, pura bobagem, mas houve ainda uma recaída, uma terceira vez em que dei continuidade, tracei constelações em sua pele com meus dedos ao contar as pintinhas nas costas, foram 30 no mínimo, e juro que existe uma constelação de virgem ali.
Noutro momento, tentei mapear as pernas mas toda vez que começo se dá o enlace de nós e então esqueço, me perco no mergulho mas quando respiro novamente na minha mente ainda jaz a curiosidade. Tentarei de novo amanhã? Depois, enquanto ela retornar, mas acredito que acredito que existam cerca de 150, talvez 200, possivelmente menos 170, mas certamente muito mais do que posso apenas com meus dedos.
Pontos: 6
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Dedos

Autora: Vane
Dedos são uma boa medida |
"Dois dedos d´água"; "corta só dois dedos" |
Um dedo e dá uma volta, outro dedo na ida |
Seja lá quantos forem, dá uma boa f*dida |
E termino o poema assim simples sem segredos
Pontos: 18
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Luz dos meus olhos

Autora: Rosana Lourenço
Minhas mãos entrelaçaram em seus dedos
E nossas almas sorriram iluminando nossas faces.
Não mergulhe no medo
Eis um conselho para manter-se em sua verdade.

Se entregar ao vento que sopra em seu rosto
Respirar profundamente
Avançar em um ímpeto corajoso
e apenas seguir em frente.

Lembrei-me do teu sorriso...
É como cair de um abismo e voar.
Encontrar no teu abraço um abrigo
Saber que o destino se torna amigo
Quando o Amor se torna o nosso Lar.



Pontos: Sem votos ainda
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Virtual

Autora: MissE
Não arrumei uma namorada pelo Facebook, não sabia se ela era ela ou não.

Seria uma fake news?

Postaria as fotos apenas dos momentos felizes?

Será que realmente leu aquele livro do meu autor preferido?

Teria feito todas essas viagens de verdade?

Será que é apenas um rosto num livro?
Pontos: Sem votos ainda
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Transcendental 3 (continuação)

Autora: Rose SaintClair
Continuação do dia 2
Fará arte do conto RED a ser publicado no Lettera
_________________________
— Ash... por que você está chorando? - O que falar? Diria a verdade mesmo com o medo de parecer ridícula ou inventaria um desculpa qualquer? Ela sabe que às vezes eu me emociono com coisas aleatórias, até mesmo uma história de superação relatada em uma rede social.
— Nada demais. — Desconversei ficando de joelhos entre as suas pernas. — Um filme que eu vi... mas, agora... — Tirei a camisa e o sutiã. — Eu preciso sentir a sua pele na minha.
Ela abriu os braços e deitei colando nossos corpos. Meus seios tocando os dela. Os tons da pele contrastando. Noite e dia. Luz e escuridão.
Beijei seu pescoço descendo para o vale entre os seios... um aperto no meu peito foi maior ainda.
Comecei a acarinhar com meus lábios cada uma das finas cicatrizes que por ali jaziam.
Pontos: 5
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Fotografia

Autora: Roza Nino Bahia-
Ah como é linda
Essa doce guria
De longe eu a vejo
Faceira, sinuosa
Teu sorriso é um convite
Ao delírio insinuante
Admiro com fascínio
Sua face marcante
Esses olhos que dão vida
Aos sonhos molhados
Os beijos trocados
Meu delírio a imaginar
Vendo sua foto a marcar
Naquela rede obscura
Que vicia com loucura
Pontos: 5
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Face

Autora: keique

Nesse tempo de transição, de reflexão
Podemos mostrar o prazer de estarmos vivas
Esperando pelo tempo onde todos tenham voz

Não sabemos de fato quem namora,
Quem paga em dia, quem chora
Quem é de fato feliz!

Quem realmente se cobra ou se culpa pelas tragédias dos dias?

Cada um traz sua dor querendo mostra-la ou não
Cabe a cada um decidir qual o rumo a seguir.


Um picadeiro ou uma arena?
Hoje teremos guerras ou apenas trocas?
Podendo trazer ou levar também alegrias e fossas

VOCÊ DECIDE

Temos a ilusão de que podemos ser quem quisermos
Apesar da realidade, atrás de uma fantasia qualquer
Para isso temos os esperados Likes

É justamente isso que encanta e fascina
Despertando muitas vezes a ira!
Consta no script ser ouvida ou desprezada
Faz parte de todo desse enredo

Assim como em qualquer plataforma
Posso escolher se vou ou se deixo
Pois a realidade é dura e a vida é muito mais que isso!
Pontos: 14
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Facebook

Autora: Vane
Eu acho o Facebook uma porcaria |
Um canal para o qual volto jamais |
E dizendo por que lá eu não voltaria |
É um bosta, é chato, te ocupa demais, |
Indico o livro “10 argumentos para você deletar agora as suas redes sociais”
Pontos: 16
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O Facebook é a janela que não podemos nos tocar.

Autora: Jaci
Eis a janela da minha libertação?
Ou será que eis a janela da minha prisão?.

Com o Facebook podemos desabafar, podemos sorrir, podemos chorar mas não podemos nos tocar!
Com o Facebook podemos gritar, podemos dançar, podemos criticar, podemos nós conhecer mas não podemos nos tocar!
Com o Facebook podemos nos salvar, podemos nos suicidar, podemos condenar mas não podemos nos tocar!
Com o Facebook podemos xingar, magoar, escolher, escrever, falar mas não podemos nos tocar!
Com o Facebook podemos matar, magoar até mesmo se declarar mas não podemos nos tocar.

Pontos: 3
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Depois

Autora: Bel nobre
Quisera ter vergonha
Te amar só um pouco
Te arrancar do meu peito
Antes de ficar louca
Fuçando no teu face
Quisera ter amor próprio
Não te seguir nas redes sociais
Fingir que estou bem
E não chorar jamais
Queria tanta coisa
Depois de tudo que provei
Depois do amor que dei
No fundo eu só queria
Poder te esquecer
Pontos: 6
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Cara Livro

Autora: Man Wol
Facebook, eu já te amei.

2005 foi um ano muito feliz para nós dois, lembro com saudosismo nossos momentos de pescaria e corrida de obstáculos na terra Pet Society, nossas missões onde sempre me faltava “stamina” de Mafia Wars, descobrir monumentos e símbolos mundiais, antes mesmo de ter um passaporte com Geo Challenge,

Fomos felizes, eu e você.

Pessoas reais do outro lado, mas com as quais nunca precisei trocar nenhuma palavra. Esses foram nossos melhores momentos, os momentos leves, na verdade, eu não entendia como você poderia ter alguma outra serventia, mas você já tinha tudo planejado, não é?

Após completar a coleção de vacas mutantes na primeira versão de FarmVille, que vou confessar pra você, não lembro direito o nome, foram tantas, tão iguais, mas você sabe, sei que você sabe, nossa pequena vaquinha verde com capacete alienígena, que tinha uma garrafa de leite da cor daquele refrigerante radioativo que eu tomava enquanto jogava... bom, você sabe que depois disso o encanto foi diminuindo, seu propósito se tornou outro, interligar pessoas, que no final você sempre alegou ser seu objetivo...

Nos afastamos eu e você, tudo bem, eu me afastei, conta desativada e tudo mais, muitos anos longe passamos, mas eu voltei.

Quando voltei, endereço novo, sem meus “amigos” de jogatina, foi para atender aquele propósito da conectividade, amigos da escola, amigos de outros lugares, conhecidos, parentes que nunca conheci, fantasmas dos tempos de bate-papo, gente que já não fazia parte da minha vida, ou gente que começava a fazer.

Essa nossa relação social, sempre foi problemática, mas tudo bem, você vai dizer que a culpa é minha, porque você sempre foi um meio, quem executava as ações era eu, os resultados provinham de minhas relações e meus pensamentos e sentimentos problemáticos, ok, não acho que você esteja de todo sem razão, mas sempre foi mais fácil culpar você.

Ficamos nessa vida de amor e ódio por um tempo, a inclusão ou exclusão de álbuns de fotos era um reflexo dos nossos altos e baixos, até que em algum momento eu passei a não te contar mais para onde ia, quem conhecia, o que pensava ou fazia, fui me afastando, a indiferença, esse melhor remédio pra tudo na minha existência te atingiu.

Quando por final você se envolveu em escândalos de venda de dados pessoais, violou códigos de proteção de dados e se tornou uma ferramenta muito utilizada no mundo do marketing, já estava tudo acabado entre nós, nosso desligamento foi fácil, porque era um processo que já vinha acontecendo há muito.

Acredito que seja adeus, quem sabe você apareça novamente na minha vida, outro nome, outro rosto, mesmo objetivo, mas não sei, acho que você já não me engana mais.

Pontos: 3
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A face no book (tradução: uma face não livro ou o que está escrito mesmo!!! Kkkk)

Autora: Jackie The Sampa
Estávamos face a face. Nossos books abertos on the table. Depois de telas e telas de conhecimento, books e books discutidos online, a face oculta dos dias de tédio foi revelada à luz, para julgamento.
Conseguimos fazer a mais brutal dissecação dessa teia de faces e histórias. Nossa dissertação não poupou agressões, denúncias, palavras de repúdio e asco por mais esse oportunismo norteamericano. Uma teia na qual a aranha Zuckerberg tem devassada, com requinte, a vida da incauta vítima. Palavras novas (e feias) começam a povoar nosso dicionário de medos. Algoritmos, likes, alcance, envolvimento, cliques, fake News, nude, viralizar, orgânico, impulsionamento; não são apenas palavras, mas códigos de conduta, parâmetros de comportamento, mural de vidas espetadas ao meio.
Agora doutoras, mas amigas de longa data, através dos jurássicos meios de comunicação (nem sempre de conexão), respiramos aliviadas, já imaginando o merecido descanso.
Corremos, postar as fotos e os vídeos de nossa conquista. Nossos parentes, espalhados pelo mundo, nos acompanham quase em tempo real. Nossas contas de Facebook estão bombando, as chuvas de likes, emojis felizes, gifts saltitantes. Nossos books escritos em cada feed. Nossa vitória na boca da aranha.
Irônico? Hipócrita? Oportunistas?
Qual o fumante que sabendo tudo que o cigarro causa, deixou realmente de fumar? Ou, tendo largado, não teve recaída? Ou, não tendo recaída, se sente miserável? E, ainda por cima, aconselha que outros fumantes larguem.
Como a igreja diz “não devemos odiar o pecador, mas o pecado!”.
Não tem sexo e palavras picantes neste texto, pois seriam excluídas do moralista FB.
Se quiser pegação, volta para o MSN!
Curta a nossa página.
Pontos: 10
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Cristiane

Autora: Lorena Cova
O nome dela é CRISTIANE! eu encontrei ela no Orkut, que era o pai do Facebook
Não era a minha namorada, mas um dia ia ser...
O nome dela é CRISTIANE! eu encontrei ela no Orkut...
No meio de tanta sapata, era a minha destinada, isso tinha que acontecer...
Pontos: 50
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Porta de Entrada Para Mal Entendido

Autora: Nay Rosário
Loui, eu não tenho noção de quem seja essa mulher.
-Creio que não tenha mesmo. Mas é um tanto estranho que uma pessoa me envie solicitação em uma rede social se dizendo sua conhecida.


Louis caminhava de maneira agitada pela sala. Uns dias atrás, uma mulher de aparência jovem havia lhe contactado através do Facebook e dizia conhecer Claire. Ela não duvidava de sua parceira, pois sempre foram francas e sinceras uma com a outra. Ouviu um resmungar familiar pela babá eletrônica e tencionava ir ao encontro da garotinha quando estancou. Claire estava conversando com a pequena bebê.


-Oi, mon amour! Por que essa barulheira? Hein?!


Ao pegar a criança, sentiu que era hora da troca de frauda. Com jeitinho e traquejo, limpava o serzinho enquanto fazia seu monólogo já que a pequena só dav alguns gritinhos e balbuciava.


-Sua mamãe é bem difícil quando quer, não é?! Mas ela sabe que eu não sou uma ludibriadora de pessoas, principalmente quando a amamos. Sabe, Angel... Quando conheci a Louis, tive a certeza de que ela seria especial em minha vida e...
-Também tive essa certeza. Junto a perceção de que você é desastrada. - sorriram. - Desculpe-me. Fiquei um pouco irritada com esaa garota.
-Uma condição.
-Todas. - respondeu em tom dúbio.
-Vai me dizer o que põe no leite dessa bonitinha. - como se soibesse que ela era o centeo das atenções, resmungou de fome. - Sua vez. Hora de comer.


Passou a pequena para os braços de Louis, beijou a testa de ambas e saiu em direção a cozinha.
Pontos: 46
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Não Conte a Ninguém

Autora: Nay Rosário
Chérie se olhava mais uma vez em frente ao espelho. A tez pálida, os olhos castanhos sem vida, o lindo cabelo em tons difusos entre ruivos e castanhos. Olhou as mãos de dedos longos e finos. As unhas recém pintadas e bem aparadas. Olhou seu corpo também pálido, os seios pequenos e firmes, a barriga lisa e o pouco quadril. Constatou ser bem diferente das irmãs.


As batidas na porta do banheiro a despertou do seu rotineiro check up. Vestiu uma blusa de banda de rock dos anos 80 que disfarçava a magreza excessiva e um short de um conjunto de pijama. Sentou-se em frente a Tv para conversar com suas amigas enquanto o resto da família se organizava para o jantar.


Variantes LinguisticAmigas


-Oi!
JuhJunqueira: E aí? Falou com sua crush? Ficaram?
SPC: Bah! Deixa a guria falar.
Sol Camilo: @JuhJunqueira, duvido. Ela tem medo que alguém constate o óbvio. Enquanto você permanecer com esse medo do que sua mãe e irmãs falará e essa insegurança diante das adversidades não conseguirá muita coisa ou chegar na crush.
SPC: Sol, devagar. Tú sabes que a guria é nova nesse ramo. A gente tá aí batendo cabeça com as prendas a mais tempo.
-Eu falei com ela e tals. Ela é tão vívida e toda segura de si. Ela disse que me curtiu também e tem um papo tão bom. Ai ai! ????
@JUhJunqueira: E então?
-Ela vai pra outra cidade. ???? distância fica muito complicado. Fora que eu ainda tô nesse processo de descobertas.
Sol Camilo: Cher, se você gosta mesmo dela, corre atrás. Eu bem sei que distância é complicado. Namoro a topeira gaúcha do grupo e embora pareça perto a ponte aérea SC-RS é dolorida. Mas quando a gente se encontra...
SPC: Eita, amor! Muito amor!
-Gente, vou jantar. Volto daqui a pouco.


Ao levantar o rosto, percebeu que sua irmã caçula estava o tempo todo ao seu lado e provavelmente havia lido toda a conversa. Seus olhos arregalaram-se.


-Mana, tú só tá nesse armário porque quer. Nós te amamos e te aceitamos assim. Só que você não percebeu.
-Obrigada, mana. Mas não fale ainda pra mãe.
-Vem! Vamos jantar.
Pontos: 33
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Armário

Autora: Vane
Você abriu o meu armário
Vasculhou e jogou pro mundo, simples assim
A minha vida guardada - meu relicário
Até que chegou o momento enfim
Que não quis mais saber do meu “armarin”...
Pontos: 11
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Salto

Autora: keique
Ai meu Deus que vontade
De ver a vida mais adiante
Passar veloz e escorregadia
Sobre os dias mais distantes

Trazer o tempo para mais perto
Tocar o futuro que me consome

Queria ver o outro lado
Do túnel misterioso da sorte
Vislumbrar quem sabe a parte
Que me cabe dessa cidade

Para que tanto mistério
Que só me atormenta e me agoniza

Tudo por causa de um salto
Maior que a própria teimosia
Mais urgente que minha poesia
Tão grave quanto a hipocrisia
Quem sabe a minha redenção...

Às vezes finjo que não ligo
Como fiz por trinta anos
Quanto mais doía, mais fugia

Dor concreta, força abstrata

Me agarro a um fio de coragem
Rogo aos céus misericórdia
Quisera ser louca o bastante
Passar ao sol despercebida
E adiar um pouco mais

A felicidade
A vivacidade
A saúde!

A tomada de atitude
Ver o mundo com outros olhos

Vida nova que brota
Desse limbo doído
Dessa carne que sobra
Tão inflada de medo

Não consigo mais esperar
Não devo mais me punir
Já é hora de parar
Eu preciso tanto saltar!


Pontos: 18
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Entre a escuridão do armário.

Autora: Jacilene Tavares
Entre a escuridão do armário, tornei-me prisoneira domeu próprio pensamento!
Um objeto do qual a sociedade tinha o poder de arrancar todas as esperanças de um sorriso resplandecente!
Sem nenhuma piedade, em meio a monstruosidade tentaram matar a dona esperança, assim como o armário esvaziado e solitário, sem as belezas das xícaras sem as formosura dos pratos.

Entre a escuridão do armário tornei-me prisoneira do meu próprio pensamento!
Que durante a madrugada sofrimento começava sem nenhuma permissão, as mágoas em meu peito entravam,
e vontade de gritar o nome dela me perturbava.

Háaa que vontade de de soltar a minha voz para os quatros contos que eu amava!
Mas a malvada da sociedade não me deixava.
Entre a escuridão do armário tornei-me prisoneira do meu próprio pensamento!
Sempre escondendo a minha felicidade!
Sendo submissa a uma podre sociedade.
Pontos: 5
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Armário

Autora: MissE
Fechado dentro de seu quarto. O seu quarto dentro da casa de seus pais. A casa de seus pais dentro de uma congregação. A congregação dentro de uma cidade - estado - país. Não são as teias de aranha do seu armário que impedirão de todas essas portas se abrirem. Não são as teias de aranha de todos esses armários que impedirão seu armário de abrir.
Pontos: Sem votos ainda
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Ar-Mário

Autora: Lorena Cova
Do fundo do meu armário, sai com as roupas e as armas de um Jorge...
Consolo, carrego em punho, compassado num cavalgar, não pra matar o dragão, mas pra realizar a performance de uma libertação.
Como um Jorge, sem o mal que o presente da Páscoa carrega consigo, sucintamente me deileito em seu corpo, rendido e entregue, no tombar do rei.
Neste tabuleiro, pulei casas de boca à "boca", e o sal que traz o mar ao marinheiro saudoso, queimo meus lábios nas bordas de ti.
O entardecer cai e na penumbra nossos corpos se deformam.
É hora de devoler as roupas e as armas de Jorge ao armário íntimo e profundo do meu ser.
Era só um fim de tarde, onde deixei meus pensamentos me conduzirem novamente neste ciclo infinito de desejo, puro e profundo.
Temo que nunca chegue a completude, pois uma parte de mim sempre estará trancada na quele armário, debaixo dos escombros do meu coração.
Pontos: 27
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A Sereia - Parte 2

Autora: Bia Ramos
Assustada, abri os olhos e olhei em volta, ela não estava mais lá, dei dois passos para trás, seria ela um fantasma?
A água estava agitada naquela noite, a praia estava vazia, o mar DESERTO, pois nem barcos se via ao longe, assim com o meu coração que descompassado batia no meu peito, estava com medo, lógico, ou aquela mulher era um fantasma, ou eu estava completamente louca.
Balancei a cabeça, e apesar de ter procurado em todos os lugares possíveis, não encontrei aquela mulher, voltei para meu apartamento, estava tudo escuro, sussurrei:
– O que está acontecendo?
Começou a chover, minha cabeça começou a rodar, devo ter desmaiado, porque não lembrava de ter chegado até a minha cama, na manhã seguinte acordei, olhei em volta, inspirei fundo, sentei e sorri:
– Foi um sonho, só pode...
Simplesmente não pensei mais naquilo, não ia dar vasão as minhas fantasias, apaguei aquilo de minha cabeça. Durante aquela semana, saí com meus amigos, me divertir como sempre.
Era uma noite fria, quando meus amigos e eu resolvemos ir a um sarau na praia, organizamos tudo e seguimos para lá com nossas coisas. Um violão... A fogueira... Um vinho quente... bebemos até altas horas, adormeci vendo o fogo estralar na minha frente.

Continua... #OMAR
Pontos: 10
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Aquelas Coisas Não Palpáveis

Autora: Nay Rosário
Variantes LinguisticAmigas


Chérie Noyer: É como se eu tivesse andado quilometros naquela imensidão escaldante e arenosa sem um cantil, sem uma proteção solar e... Pá! Um bosque surgue. Uma jacuzzi com água fria e abundante para mim. Almofadas para descansar meus doloridos pés e uma odalisca a cuidar de mim.
Juhjunqueira: É o oásis em meio ao deserto.
SPC: Estás vivendo o primeiro amor, guria.
Chérie Noyer: É... Deve ser.
Sol Camilo: O que você pensa em fazer sobre toda essa coisa, Cher?!
Chérie Noyer: Infelizmente ainda não sei.
Juhjunqueira: "O amor é como um cavalo que passa pela gente e só nos resta montar."
SPC: Que lindo!
Juhjunqueira: Uma das falas do meu filme preferido. Filósofo Chicó.
Pontos: 25
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Ter e não ter

Autora: MissE
Eu tenho dois desertos, um com tempestades de areia, paisagens escaldantes, dunas se movendo atrás do vento e calor de infinita sede. E outro deserto, um mundo de concreto, com calçadas velozes, asfalto cheio de faixas brancas, carros errantes, buzinas roucas e vazio de você.
Pontos: 12
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Na busca pelo poema perfeito.

Autora: CRISTINA MEDEIROS
Na busca pelo poema perfeito construí uma estante com os livros das tentativas
Na busca pelo poema perfeito verti lagrimas amargas transmutadas em doces canções
Na busca pelo poema perfeito meu riso ao pensar em ti virou luz e energia que ilumina uma cidade com seu nome
Na busca pelo poema perfeito vivi mais as noites que do que os dias
Na busca pelo poema perfeito fiz das estrelas minhas amantes e do sol meu inimigo
Na busca pelo poema perfeito entreguei meu corpo a orgia e meus órgãos aos vícios
Na busca pelo poema perfeito meu desejo de prazer mantém acesa a vontade de viver
Na busca pelo poema perfeito
Enfrentei os mares, escalei as montanhas, sangrei meus pés no asfalto e no deserto deixando brotar um rastro de flores e solidão
Na busca pelo poema perfeito expus minha alma a fome e ao frio
Na busca pelo poema perfeito cortejei a morte e fui seduzida pela vida
Na busca pelo poema perfeito encontrei você
Perdi todos os meus conceitos de perfeição
Elegi o universo como o grande poeta
E você o mais belo e perfeito poema.
Pontos: 5
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A Sereia - Parte 3

Autora: Bia Ramos
Estava zonza, O Mar parecia bravo, entreabri os olhos, e antes que minha mente me traísse, escutei a mesma canção daquela noite, meu coração acelerou, não era possível. Abri os olhos, chamei uma amiga que estava ao meu lado, mas ela apenas resmungou e voltou a dormir.
A música soava baixo, olhei em volta e ela vinha de umas pedras que tinham logo a frente, tentei não sucumbir a minha curiosidade, mas acabei levantando. Se alguém estava tentando me confundir, iria descobri.
Segui andando lentamente seguindo o som, de longe avistei o contorno de uma mulher que aparentemente estava deitada sobre as pedras, segui para lá, ainda sem controlar minhas pernas.
E quando me aproximei, minha boca se abriu, ao mesmo tempo que disse quase sussurrando:
– Você... Você é uma... – a palavra não saía de minha boca, ela sorrindo concluiu por mim:
– Uma sereia? Sim, eu sou!
– Mas como isso é possível?
– Você está me vendo, pode me tocar, se não acredita.

Continua... #Sentidos
Pontos: 15
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SOS

Autora: MissE
Havia uma imensidão em seu olhar quando fixava em um ponto qualquer daquele bistrô. Eu vi seu rosto que perscrutava pelo significado mais profundo daquele encontro. Os pensamentos como ondas em um vai e vem aleatório. Tanto mar, tanto mar. Lá cabiam os momentos de felicidade extrema e também os enganos sob algumas feridas dolorosas, lá cabia tudo.

Desproporcionalmente as vagas com feridas se arremessavam às rochas com violência brutal, em contrapartida, havia apenas um fiapo de sol espremido na areia. Isso fazia com que minhas intenções ficassem à deriva no meio de seu mar castanho revolto.
Pontos: Sem votos ainda
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O Fim e o começo

Autora: CRISTINA MEDEIROS
A festa era em uma grande casa
Algo de desagrado me forçou a ir embora sem me despedir
Ao fechar a porta eu a vi num canto com amigos
Fechei a porta, mas por algum motivo voltei e a chamei com os olhos.
Prontamente você entendeu
Ao sairmos uma varanda deixava a beleza do céu exposta
Uma lua alva testemunhava nosso silencio
Nossos risos tímidos
Meu pavor
Sem pedir permissão eu a abracei como abraçaria uma criança
Movida mais por uma carência do que paixão
Sempre enalteci a delícia do seu abraço em meus sonhos
Você me acolheu nesse abraço
Com a cabeça apoiada sob seu queixo a ouvia dizer coisas que não entendia
Absorvia, mas ouvia como que em outra língua
No céu seu espanto e alegria ao ver algo passar destacando-se na luz da lua
O que vimos nunca saberei
Mas vimos algo que não pertencia a nossa realidade
Eu me importava mais com o calor do teu abraço do que eu qualquer objeto estranho no céu
E nesse calor eu percebi teu cheiro e a carência se transformou em desejo
Eu toquei sua pele ardente, vasculhei seu pescoço.
Que alucinógeno o aroma de sua pele
Levou-me a sua boca e você mergulhou comigo naquela vontade antiga
O abraço infantil cresceu amadureceu e ali você era agora a mulher que tanto desejava
Ali meu primitivo de tantas eras acordava uma fera faminta
Pouco conseguindo pensar me surpreendia o revide do seu calor
Que surpresa inesperada a audácia de seus carinhos
Eu a encostei na parede me desculpei pela fome dos meus toques ousados.
Você apenas sorria e me respondia com as mãos a me alimentar
O chão tremeu
O céu explodiu em raios coloridos
Abraçadas olhamos ao nosso redor e tudo ruiu
Paredes ruas prédios
Um pequeno pedaço do piso que nos sustentava ficou à deriva num imenso mar revolto
Estávamos ali em alto mar escuro
Escuridão cortada por raios e ventos velozes
Gigantescas ondas passavam sobre nós
Quebravam sobre nós, mas não nos atingiam.
Éramos luzes em meio ao mar nada nos abalava
Nada nos assustava
Nossos corpos foram destroçados pela força das águas
Mas nossa essência permaneceu intacta
Nosso desejo, calor e paixão continuaram intactos.
O mar gritava em fúria
O céu revidava em cores e estrelas
Uma batalha entre nuvens e a visão do universo profundo
Em meu corpo sentia tudo, toda a energia circular como se eu fosse a própria terra se chocando contra o sol
De você só via o sempre riso quente sendo você o astro rei
E sendo assim ali continuamos a nos beijar
Até o tocar do despertador a me devolver a realidade

Pontos: 5
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Imensidão

Autora: Nay Rosário
Chérie voltou para casa exultante na manhã daquela sexta-feira. Sua mãe e irmãs perguntaram se ela havia avistado um tal passarinho. Bobagem. Queriam brincar com a súbita alegria dela, mas hoje não. Entrou no banho e após relaxar com a deliciosa ducha quente, vestiu seu confortável pijama que consistia em uma calça moleton e uma camiseta cinza. Sentou na cama e procurou o grupo de suas amigas mais do que queridas.


Variantes LinguisticAmigas


CN: Bon jour! O dia está esplêndido.
SPC: Bom dia. Seu humor também.
Juhjunqueira: Conte-nos o que muito alegrou-te.
CN: Eu BEIJEI a garota dos meus sonhos. Tudo bem que não foi como pensei. Envolta de todo aquele clima romântico que vemos nos filmes.
SPC: Quem gosta de resumo é professor. Nós trabalhamos com detalhes. Dale.
CN: A gente estava convensando em um café literário e ela falou que iria pro lado oposto. Caminhamos um bom pedaço de mãos dadas. Em certo momento, ela me abraçou e foi... Ai ai! Paramos no deck e nossa risada cessou, nossos olhares se prenderam. Nossa! Meu coração batia furioso no peito. E ali, tendo o mar como testemunha, houve a aproximação dos rostos, os olhos se fecharam, as bocas entreabriram e... Nos beijamos. E ela segurou em minha cintura a puxando para ela em proteção e eu fui nas nuvens.

Juhjunqueira saiu.

CN: Ué?! Juh saiu do grupo por que?
Sol Camilo: As vezes, você é tão lenta, amiga. Jura que nunca percebestes?
CN: Lenta? Perceber o que?
SPC: Que a Juh sempre gostou de você.
CN: A Juh?! Nada. A Juh sempre foi pegadora. Se apaixonava como eu troco de roupa. Impossível essa paixão aí.
Sol Camilo: É?! Quem aprendeu a cozinhar só pra fazer seu doce preferido? Vai te buscar qualquer hora? Já saiu de casa de madrugada quando teus pais viajaram porque você ficou com medo de dormir só? Ela faz tudo por você... Cegamente.
CN: Mas... Não! Vocês estão viajando.
Sol Camilo: Se você abrir seus olhos e observar, saberá que não é viagem.


Chérie não se permitiar duvidar que as palavras de suas amigas pudessem ser a verdade. Decidiu confrontar a outra parte da história. Mandou a primeira menaagem. Não foi entregue. Algumas horas depois enviou a segunda e também não foi entregue. Dez mensagens e muitas horas depois, nada.


Passou a noite em claro revendo momentos nos quais Júlia havia participado direta ou indiretamente. Sábado de manhã e a campainha toca insistentemente. Mal humorada, Cher abre a porta e surpreende-se.


-Juh?! O que...


Sem qualquer aviso, sua boca foi silenciada por lábios desesperados. Passados os cinco segundos de surpresa, viu-se correspondendo aquele beijo que só parou por falta de ar nos pulmões das moças. Com os olhos fechados e o rosto afogueado, Júlia começou a tentar se explicar.


-Eu juro que tentei deixar pra lá essa coisa crescendo em meu peito. Saí com outras garotas e provei muitos beijos. Mas... Ainda assim era em você que eu pensava. Me desculpe, mas não sei exatamente quando me apaixonei por você.


Terminou seu discurso improvisado e a encarava em espera angustiante. Não tinha ideia do que viria. Passou anos ali, sempre ao lado, a espera de ser, finalmente, notada. Mas isso não ocorreu. Outra pessoa apareceu. Mas enquanto era uma amor platônico - assim como o seu - não a afetava tanto. Saber que elas haviam se beijado foi como se lhe roubassem algo precioso. Não poderia deixar que lhe roubassem seu tesouro. Mesmo custando sua amizade.


-Teus olhos são como o mar. - Cher sorriu ao pronunciar essas palavras.
-Como?
-Guardam uma imensidão de sentimenros e são de uma profundidade avassaladora. Daquelas que pode encantar e fazer com que as pessoas se percam nele.
-Isso... É bom? - engoliu seco.
-Não sei. Preciso me encontrar para lhe dizer.


Sorriram antes de iniciar outro beijo.
Pontos: 22
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Autora: Juli Blue
Mas profundesas dos teus olhos se afunda minha alma como um barquinho tragado pelo mar revolto, meus pés imersos no sal da água turva enegrecida pela solidez do olhar petrifica te, como uma Meduza dolorida com seu coração calcificado pelas dores do abondono divinal, como todo abandono é mortal, como esperar tua volta, o ardor dos dias a revelia no mar inóspito, enquanto o crepúsculo anuncia o explendir da Lua sagrada, pois vejo os sinais, anunciando seu retornar!
Pontos: Sem votos ainda
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Esse Mar

Autora: Carol
Ahn... Esse mar ....
Esse Mesmo Mar Que Me prende ,Me Toca ,Me Faz Delirar ,é o mesmo mar que me liberta ,no Qual Para Ser sincera ,Que Liberdade Seria essa Se Não Poder Ter o Alcance do Seu Olhar?????
O Mesmo Mar Que Me Mata De Arrependimento Por Me Entregar ,Ahhhh Minha Bela , Você É o mesmo Mar Que Me Mata De Desejo Por Assim Tê-lo Feito em Meus Sonhos Mais Loucos ...
Ahhh, É O Seu Mar minha bela ....Esse Pelo Qual Enlouqueço Todas As Noites Na Ânsia De Lhe Encontrar, Só De Imaginar a Fragrância Da Sua Brisa Quente , Me Faz Queimar Por Inteira , Só De Poder Sonhar Com Seu Toque ,Seu Gosto, Seu Cheiro,A Inexplicável Sensação De Prazer Dos Nossos Corpos Entrelaçados...
Ahhh Minha Bela ...Se Soubesses O Quanto Necessito Me Afogar No Seu Mar Para Assim Eternamente Sobreviver ...
Poderíamos Assim Dizer ...Eu Morri Por Ti,E Você Morreu Por Mim, No Mais Profundo e Absoluto Prazer...

Pontos: Sem votos ainda
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As ondas do teu corpo

Autora: Rô Lourenço
Sou como um marinheiro
Que navega pelas ondas do mar do teu corpo
Que do néctar sente o gosto
Numa mistura de mil sentimentos

És como sol que ilumina com o sorriso
Conectando-me com a vida.
Quis o espirituoso destino
Nos fazer dançar a mesma trilha

Somos como flores
No entardecer de tantas primaveras
Que desabrocha em tantas cores
Que dos teus olhos é a cor mais bela
Pontos: Sem votos ainda
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Curvas

Autora: Anne Kross
É diferente quando a gente se conhece tão intimamente, e está em trajes mínimos na praia.
Já se sabe o que vai ver pela frente.
Mas, como é gostoso quando o elemento surpresa nos presenteia com uma visão deliciosa e curvilínea de alguém que se gosta.
Eu deveria entender mais quando você reclama dos seus quilinhos a mais, afinal, também sou mulher, e nunca estamos satisfeitas com isso, mas...
Eu não entendo. E amo, cada pedacinho de você.
O biquini, pequeno, estampado, delineando teus seios. Lindos. Fartos. Em curvas que me deixam completamente apaixonada.
Somente realçam sua "deliciosidade", se essa palavra não existe, acabei de criar pra te descrever, abusadamente linda.

Fui expectadora privilegiada.
Deitada ao seu lado, vendo alguns grãos da areia fina colados em você, ai como eu queria ser um deles... Assim como o mar, que te lambeu inteirinha, de uma vez, engoliu, devorou.
Desci os olhos desavergonhadamente, desejando cada curva, cada centímetro de sua pele.
Medi teu corpo em milímetros.
Despi tua roupa em milésimos de segundos.
O sol te dourando.
O cheiro de maresia misturado aos seus cabelos, que ficaram lindamente bagunçados por causa da água salgada.
Você desperta do cochilo, ainda um pouco mole, vira em minha direção, e eu vejo sua pele avermelhada, ou bronzeada, já nem sei mais, entonteço.
Tuas sardas maliciosamente delicadas me provocando.
E me diz, sorrindo: que dia maravilhoso!
Maravilhoso, minha menina, é medir seu corpo, cada cantinho, cada lugarzinho secreto, e depois, descrever carinhosamente, transformando em letrinhas, um pouco daquilo que senti ao seu lado. Tem como não te amar?
Pontos: 7
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Da gota a imensidão do mar

Autora: Pri
Nada melhor que a praia.
Adeus, vida de gandaia!
O que eu quero?
Um amor sincero.
Luau para cantar,
O mar a se admirar
E uma moça acalentar.
Pontos: 5
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As cores do morango

Autora: MissE
As cores artificiais daquele catálogo de novos padrões da moda do ano novo a entediavam. No fundo, a artificialidade daquelas cores não mudava nunca, era eterno. E eterno não condizia com moda. Não mesmo.

Como arrumavam esses nomes? Cor C235, Morango com Suspiro. Cor Cxxx, Morango apoteótico com purpurina. Cor Cyyy, Morango Sandália de Plástico. Cor Czzz, Morango batom de adolescente.
Pontos: 7
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O Saborear Tem Que Ser Devagar

Autora: Nay Rosário
-Chef, não esquece das frutas para caldas.


Natan havia entregado a lista do que faltava no restaurante para Amanda, porém sabia que ela esqueceria um dos itens. Sua amiga e chef tinha um leve problema de memória. Todas as vezes que ela vai a feira, ele fica de prontidão para eventuais emergências.


-Sim, chef!


Amanda ralhou com seu amigo. Eles eram assim desde sempre. Nascidos e criados na mesma rua, dividiam tudo. O sonho de um dia ser chef foi mais uma informação compartilhada. Cresceram, batalharam muito e agora podiam dizer que venceram na vida.

Dia de compras era dia de escutar música nacional enquanto dirigia pelas ruas. A cada sinal fechado, a ruiva dos olhos peculiares fazia samba com os dedos no volante. Em pouco mais de dez minutos ela entrou no estacionamento da feira livre. Desceu do veículo trajando uma bata de modelo indiano na cor branca, os cabelos trançados atrás da cabeça e o óculos de sol. Andou pelas barracas escolhendo mercadorias e direcionando-as para o Rapadura Com Gengibre.

Já se preparava para ir embora quando lembrou das frutas. Saiu em busca e encontrou em uma das últimas barracas. Tinha uma variedade de cores e aromas. Sorriu ao sentir aquela mistura que aguça paladares. A responsável pela barraca molhava as ameixas extremamente vermelhas. Sentiu vontade de provar uma e não se furtou de seu intento.


-Olá! Quanto está a ameixa?
-Depende do gosto da cliente. Quer provar?


A jovem morena de sorriso faceiro pegou uma das mais maduras e deu a sua potencial cliente. Amanda aceitou de bom grado e mordeu. Um pouco do caldo da fruta escorreu pelo canto dos lábios e a moça passou a língua para tirar resquícios. A vendedora acompanhou atentamente seus movimentos e ao ser flagrada, sorriu.
Amanda pediu e comeu mais duas ameixas. Escolheu algumas frutas e pagou sorridente.

Compras feitas e a caminho do restaurante, ela cantava algumas músicas enquanto sorria lembrando daquele sorriso amistoso, da voz em tom doce, do cuidado com as frutas. Estacionou nos fundos do estabelecimento e junto com alguns dos rapazes que ali trabalhavam, retirou as compras entregando-as a seu sócio. Conferiram valores, guardaram as notas fiscais e após toda a burocracia, era hora de pôr a mão nas massas.

Amanda preparava a massa do macarrão quando seu amigo, nada contente por procurar algo que para ele naquele momento era de fundamental importância, perguntou.


-Amanda, cadê o morango?
Pontos: 35
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Talvez

Autora: Bia Ramos
Talvez eu sinta o sabor dos seus lábios, quando eu tocá-los com os meus...

Talvez eu mate meu desejo quando meus dedos percorrerem sua pele...

Talvez eu sacie minha vontade de tomar você, quando se derramar pra mim...

Talvez eu sinta o aroma de sua pele, quando meu nariz tocar em você...

Talvez eu desmaie quando meu corpo sucumbir aos espasmos de um delicioso orgasmos...

Talvez eu acorde do seu lado, depois de termos passado a noite fazendo amor...

Talvez eu te sirva MORANGOS, quando levar seu café da manhã e te acordar com um beijo...

Talvez eu esteja apenas planejando fazer tudo isso, sem você saber...

Desejo com todo o meu ser... Ah eu te prometo, que se isso tudo acontecer, serei tudo pra você...

Mas, talvez seja apenas talvez e isso tudo possa não acontecer...

Pontos: 54
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Moranguinho: Aventuras em Tutti Frutti

Autora: Lorena Cova
Te como no aço, no laço, cabaço
Mordo seu morango, arranco o pedaço, te espremo e aperto ouço bem de longe, gemido baixinho, quase sem força.
Mordendo a boca, me dá seu veneno, num mundo pequeno, só eu e você.
Te mordo de novo e viro seu rosto, vermelho pintado, morango amassado, sem muito pudor.
De lado melado, suado, cheirado, lambido e espremido, passamos calor.
Juntinhas na cama, sem nada a perder, me viro de novo, repriso o morder.
Dessa plantação, agora o melão, tem mais pra comer...
Pontos: 33
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Autora: Paula Chiodo
dias quentes de verão.
pele quente e suada. (eu deveria dizer grudenta).
aquela sensação de sauna que não passa. não há ventilador ou ar condicionado que alivia o mal estar dos 40°C que faz lá fora.
nos restas passar os dias de maiô, biquíni, ou apenas nuas. deitar no piso frio e tomar água com gelo. cerveja. gin. e qualquer coisa que amenize as quenturas que transbordam o corpo.
você me encontra largada na sacada, deitada com a cabeça em uma almofada olhando para o céu azul.
- não tem vento.
- não. o universo esqueceu da gente nesse fogareiro.
era possível ver o suor escorrendo pela sua testa, o cabelo preso em um rabo e milhares de grampos, suas maçãs do rosto estavam vermelhos demais, o suficiente para acharem que você havia corrido uma maratona.
- eu não sei vou aguentar
eu ria.
a ideia de aproveitar o verão às margens do rio São Francisco foi sua.
você havia nascido e crescido no interior seco do estado e dizia que era imune ao calor. era você que estava acostumada com as temperaturas próximas de deserto. mas ali, em Sobradinho, você dizia que era a cidade foi esquecida por deus bem pra lá de onde judas perdeu as meias.
você sentou sobre meu quadril e encostou teu lábios no meus. eu mordi o sorriso e uma possível gargalhada.
nem isso me anima, tá muito quente
e se jogou deitada do meu lado, deixando sua mão em minha barriga, brincando com os dedos na beira da minha calcinha.
eu ali, muda, sem me mexer, tentando evitar que o corpo esquentasse ainda mais. economizava movimentos deixando o corpo em total repouso, a fim de aliviar o calorão que percorria a pele e a alma.
tá tão quente que não tenho nem vontade de transar contigo. depois dizem que verão é época de pegação.
eu gargalhei.
- ah, é mesmo? sem contatos físicos até irmos embora daqui, então... e eu levantei. você me olhou emburrada, ao mesmo tempo que concordava que essa era uma possibilidade real.
tirei a camiseta larga que quase cobria minha bunda, joguei em cima do seu corpo, dei as costas e entrei para a sala.
escolhi qualquer playlist no spotify, e fui na cozinha pegar água.
voltei com um caju em mãos. sentei no chão em escorando no sofá.
você ria da sacada.
- eu sei o que você tá fazendo
- o que eu to fazendo, Oli? - levei a fruta a boca e mordi. o sumo escorria pelos cantos da boca. eu quase sorria. você tem essa coisa bonita de me achar sexy chupando qualquer fruta. - hein, que eu to fazendo?
- nada, Lily, nada. tá fazendo nada. - você cobriu os olhos com o braço. mas dava para ver você espiando pela espaço que sobrava. - por que mesmo a gente veio para aqui em pleno janeiro?
- porque você compra todas as minhas ideias mais louca e acha graça nelas. eu falo ‘vamos fazer uma trilha de 4 horas?’ e você só coloca o tênis. eu falo ‘e se a gente mochilar 3 meses pela europa sem rumo?’ e você separa os passaportes e pesquisa passagem só de ida. e se eu digo que quero 48 horas com você sem saírmos na cama, você tira sua roupa e me prende entre as pernas. você é um perigo para nossa integridade física e moral, queridinha.
acho que talvez seja isso que eu mais amo em você. você não me dá tédio. até quando é para não fazermos nada e morrermos de preguiça, eu gosto.
- vem cá…
eu fui engatinhando até você na sacada, com o caju na boca e escorrendo tudo por meu pescoço, colo e seio. você balançava a cabeça inconformada e sorria aquele seu sorriso que mostra todos os dentes e que eu vivo dizendo que tem gosto de amor.
eu sentei ao seu lado, você se apoiou nos cotovelos projetando seu peito para mim.
Gal cantava “você me dá sorte na vida, meu amor” e eu me debruçava para te beijar com gosto de caju.
- gostoso
- é o caju. experimenta, amor
eu arranquei um pedaço do caju, colocando na sua boca e te beijando ardentemente em seguida. eu gosto de você assim: quente. mordo teu lábio, beijo a ponta do seu nariz. você me derruba no chão.
eu rio. você ri.
- passeio de barco no Velho Chico?
- vamos!
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Quão Difícil É Cortar as Amarras?

Autora: Nay Rosário


-Sua bênção, mãe?
-Deus te abençoe, filha. Como foi seu dia?
-O de sempre. Cansativo.


Bárbara jogou-se no sofá e tirou as sapatilhas que calçava desde as 5 horas da manhã. Todos os dias, ela acordava as 3 da manhã e estava na frente da ceasa assim que abria. Escolhia as frutas do seu agrado e ia, de carona para a feira livre, na velha caminhonete do Almeida, um senhor simpático que sempre levava sua mercadoria. Descarregava com ajuda de uns garotos e as 6 horas abria sua banca. Às 17 horas começava a guardar e arrumar tudo para fechar. Algumas frutas que sobrava ela dava aos meninos que ficavam por ali e levava algumas para casa. Breno, seu irmão caçula, adorava tomar suco no jantar.

Havia começado a trabalhar desde ceso para ajudar nas despesas da casa. Na época, seu pai havia ido embora com outra mulher e sua mãe estava grávida. Fez alguns biscates até conseguir essa barraca com uma amiga que também trabalhava na feira.

Já de banho tomado, ajudou o irmão com as lições passadas pela escolinha. Marinalva, sua mãe, terminava de aprontar o jantar e pediu que a filha olhasse as panelas para tomar banho. Havia chegado da casa de sua patroa e só havia dado tempo de fazer a janta.

Em meio ao jantar e conversas, Bárbara contou sobre a moça que comprou ameixas em sua mão e na expressão de prazer ao provar a fruta. Sua mãe percebeu algo em seu olhar e chegou a comentar, lembrando-a das impossibilidades de pensar em envolvimento.


-O Vander estava rondando de novo. Dona Marta me falou.
-De nada adianta, mãe. Já prestei a queixa e consegui a tal da medida protetiva. Mas das vezes que chamamos a polícia ele escapou.
-Eu temo por nossa segurança, filha. Principalmente por você.
-Vai acabar esse inferno. Acertei com Almeida e ele fará nossa mudança. Vai ser como a gente combinou. A senhora e Breno soltam que a gente vai pras bandas da tia Nélia.
-Certo. Vou dormir, filha. Amanhã você pode me encontrar lá no trabalho?! Minha patroa me deu algumas coisas, mas sozinha não dá para trazer tudo.
-Vou sim, mãezinha. Boa noite.


O dia amanhecia cinzento, como todos os outros dias, naquela cidade. Marinalva e Bárbara sairam em direções opostas. A jovem levou o irmão a escola e foi conversar com a advogada sobre o processo por agressão que movia contra o ex-marido. Contou a mulher sobre a proximidade do rapaz e a sensação de ameaça eminente. Contou também sobre a suspeita de seu ex ter colocado os amigos para vigiá-la. Saiu de lá confiante.

Pegou a condução em direção ao bairro onde sua mãe trabalhava. Desceu em frente ao condominio e se identificou tendo sua entrada liberada. Andava em direção a casa que lhe foi indicada. Achou facilmente e bateu na porta de serviço que logo foi aberta.


-Oi, filha. São essas três sacolas ali. Vou só falar com a patroa.


Sacolas de plástico reforçado guardavam alguns utensílios domésticos: um multiprocessador, uma sanduicheira e alguns alimentos. De repente, vozes se fizeram presentes e Bárbara achou uma delas familiar. As mulheres chegaram a cozinha ainda conversando.


-... E você pode ficar tranquila, Nalva. Tire esses dias de folga para fazer sua mudança em paz.
-Certo. Dona Amanda, essa é minha filha, Bárbara.


As mulheres sorriram brevemente antes de partirem. A mulher que havia provado a fruta com tanto deleite era patroa da sua mãe. Que coincidência, não?! Voltaram para casa conversando. No dia seguinte foi a mudança com a promessa de paz. O periodo de adaptação para Breno foi mais fácil porque a diferença entre as casas eram poucas e era em um bairro próximo que lhe permitiria estudar na mesma escola.

Passado algumas semanas, Bárbara precisou substituir sua mãe na faxina devido a um pequeno acidente doméstico. Volta e meia sentia-se observada por Amanda, mas aqueles olhos despertavam outras sensações em seu corpo. Arrepios conhecidos e que a muito tempo não sentia, através de olhares femininos cobiçosos sobre si. Seu ex-marido tinha um ciúmes doentio, pois além de sua beleza e jeito espontâneo que atraia pessoas ao seu redor, ele tinha ciência da sua sexualidade e sentia-se constantemente ameaçado.

No primeiro dia, Ela recusou a carona de Amanda. No segundo e terceiro dia, não se viram. No quarto dia, ela aceitou a carona e foram conversando trivialidades. No quinto e último dia, Amanda tomou coragem e convidou-a para um encontro combinando um horário.

Bárbara vestia uma saia longa preta e uma blusa cinza com alguns brilhos, sandálias de salto e uma leve maquiagem. Amanda ficou maravilhada ao ver a morena produzida. Jantaram em um restaurante simples e aconchegante. A noite foi tão agradável que passou sem ser sentida. Assim que Amanda parou o carro em frente a casa da outra, pensou em inventar um pretexto para qualquer coisa, mas antes que se pronunciasse, foi surpreendida com um beijo. Lento, delicioso e instigante beijo. Bárbara olhava o carro partir com uma sensação de felicidade. Ao virar-se para abrir o portão da casa, escutou passos.


-Pensou que ia si ver livre de mim, vagabunda?


Tremeu com o arrepio que lhe correu o corpo. Não precisava virar para saber de quem se tratava. Os anos de abusos e agressões fisicas, verbais e psicológicas passaram em sua mente. Pensou em pedir socorro, mas sentiu um impacto em sua nuca e desmaiou.
Pontos: 116
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Autora: MissE
Os objetos estavam todos exatamente no mesmo lugar na estante. Os livros dispostos sobre a mesa, os cadernos e canetas, a luminária torta para iluminar o lugar certo. Nada havia sido movido, nem as almofadas para liberar o sentar, a cortina entreaberta da maneira como você deixou. Depois desse tempo todo, depois que você saiu pela porta na última vez, a casa ficou intocada. Um registro talvez do amor que deixamos em casa.
Pontos: 10
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Bicho Papão

Autora: MissE
Penso em como lhe dizer. Imagino as situações possíveis, pegando o telefone, a entonação da voz, lhe dirigindo as palavras, tentando um ar casual, a escolha das palavras ensaiadas incansavelmente, suas prováveis respostas. Não, isso não vai dar certo, ela não vai querer sair comigo. Ou, será que ela aceitaria? Tenho que pensar isso melhor, vai dar certo. Novos planos elaborados, intercalados com a sensação de fracasso e porque não, novas esperanças. As mãos suando, o telefone nas mãos, ensaio mais uma vez, a centésima vez, a milésima vez. Acho que sempre serei só.
Pontos: Sem votos ainda
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Monstros

Autora: Cristiane Schwinden
É difícil ser monstro nos dias de hoje. A concorrência com os humanos é desleal, estão mais violentos do que nunca, assustam muito mais do que nós.

Antigamente as criancinhas se assustavam a noite e corriam para o quarto dos pais, gritando que eu estava embaixo da cama, ou no armário. Agora gritam dizendo que tem ladrão em casa.

Eu não quero roubar nada, apenas apavorar esses protótipos humanos que chamam de crianças. Acabo assustando adultos às vezes também, por diversão. Sabe aquele barulho apavorante que você houve no quarto, que parece vir de baixo da cama, justamente quando está tudo escuro? Sou eu te sacaneando. Ou algum colega meu se divertindo.

Adoro ver pés para fora da cama, sempre dou um jeito de correr minhas unhas compridas por eles, os humanos acordam num salto, com a certeza que tem um inseto ou algo pior no quarto.

Com crianças eu prefiro o jogo do armário infernal, fico lá dentro por horas, até a criança chegar ao limite do medo, e começo a grunhir sons quase demoníacos, ruídos de pessoas sofrendo, lamúrias, todo tipo de som que destrua os nervos mirins.

Funcionou, não funcionou?
Pontos: 12
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Uma desculpa boba..

Autora: Bia Ramos
Entrei na sala e lá estava ela tomando açaí, enquanto olhava para algum noticiário na tv, não prestei muita atenção, pois os movimentos que ela fazia me tiravam a visão de tudo.
Cruzei meus braços e passei a olhá-la mais avidamente, e naquele momento levou uma colher cheia a boca, sua atenção na tv, acabou deixando cair um pouco em seu queixo e depois pingou em sua camiseta, distraidamente falou:
– Droga... – tentou tirar o excesso com o guardanapo, mas não adiantou.
Levantou e tirou a camiseta, veio na direção em que eu estava, me olhou e sorriu, perguntando:
– Faz tempo que está aí?
– Um pouco... – sorri me aproximando e dizendo sensualmente:
– Se quiser posso te ajudar?
– Como faria isso? – perguntou interessada.
Caminhei até ela enlaçando sua cintura com meus braços, e a guiei de volta para o sofá, ela de costas e eu sussurrando em seu ouvido:
– Com minha língua...
– Hummm...
Ouvi seu gemido baixo e desejoso, quando chegamos ao sofá, a deitei, peguei a tigela e a colher, coloquei um pouco em minha boca apenas para experimentar aquela iguaria saborosa, e para saber o gosto dela depois do que estava preste a fazer.
Peguei um pouco e levei até sua boca, propositadamente deixei que caísse em seu rosto, me aproximei passando minha língua e tirando o excesso, em seguida passei a colhei em seu pescoço formando um caminho até seu ombro, ela sussurrou:
– Está gelado isso meu bem.
– Calma, já vai passar... – sorri me aproximando e sugando cada pedacinho daquela pele suculenta, eu estava em brasas, perguntei provocando: – Ainda está com frio amor, está arrepiada?
– Mas não é de frio, certamente...
Me puxou para ela me deitando no sofá e se colocando por cima, abaixou capturando meus lábios mordiscando de leve, depois desceu para meu pescoço me provocando, estava adorando aquela brincadeira, pressionei minhas mãos contra suas coxas e apertei de leve encaixando meus polegares em sua virilha, apertei e senti que ela se afastou um pouco, me olhou sorrindo.
Passou a mão por trás abrindo o fecho de seu sutiã, e ofereceu o seio para que o sugasse, não esperei um segundo convite e abocanhei aqueles pequenos botões rosados em minha frente, pedindo para serem sugados. Ela gemia e intensificava mais o nosso contato rebolando em meu colo me deixando louca por ela.
Depois que fizemos amor, levantei e comecei a pegar minhas coisas, ela se mexeu no sofá, sorri me aproximando e beijando seus lábios, sussurrando ela perguntou:
– Onde vai?
– Embora, como sempre.
– Não, hoje não quero que você vá. – a olhei interessada, em quase seis meses saindo com ela, nunca havia me pedido para ficar, até tinha me acostumado com aquela “condição”, perguntei interessada:
– Porque mudou de ideia hoje?
– Porque... Porque... – olhou em volta tentado achar uma resposta, mas sorriu dizendo apenas: – Tenho medo do bicho-papão. – sorriu lindamente.
Sorri arrancando as peças de roupas que havia colocado em meu corpo e a peguei no colo levando-a para seu quarto. Colei nossos lábios em um beijo profundamente apaixonado, quando nos separamos, sorri dizendo:
– Obrigada.
– Por?
– Por pedir que eu ficasse.
– Tenho interesses nisso também.
– Tem é?
Me virou na cama e montou em cima de mim, mordiscando meus lábios, gemi com aquele ato... Seus cabelos caindo em meu rosto e seu corpo colado ao meu... Sem pressa ela foi descendo e me tomando com seus lábios e língua me levando a loucura, não pensei em mais nada, apenas naquele maravilhoso orgasmos que ela estava me proporcionando...
Pontos: 15
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Purgatório

Autora: Nay Rosário
-Parado aí, bonitão. - Uma voz feminina ressoou na rua deserta.

Vander estava com uma pistola apontada para o corpo de sua ex-esposa. Diante de seus olhos, passava um filme de quando se conheceram em uma das inúmeras inaugurações da pracinha do bairro. Se gostaram, ao menos era o que ele achava. Pouco tempo depois de se envolverem, ele descobriu que ela também ficava com mulheres. Poderia ser bom para ele também, afinal é um fetiche de uma parcela dos homens, verem duas mulheres transando. Quando assumiram namoro, ele ainda trabalhava como vigia em uma escola pública. Marinalva, sua ex-sogra, nunca gostou dele. Alertava a filha que ele escondia algo.

Não demorou muito para que a máscara de bom moço quebrasse. Houve um assalto grande a um hipermercado localizado no litoral. Os bandidos tiveram êxito no intento, porém deixaram um rastro. Por descuido, o crachá de vigilante de Alisson, irmão de Vander, caiu embaixo de um balcão. Um dos investigadores da polícia encontrou. Dois meses depois, a policia batia na porta de Bárbara em busca do marido. Ao saber do motivo, colaborou com os agentes. Assim que os homens saíram, ela ligou para sua mãe e pediu abrigo. O marido foi preso tentando fugir e passou um tempo preso.

Bárbara só foi visitá-lo uma única vez para anunciar que estava rompendo relações. A partir desse dia, o homem passou a perseguí-la com ajuda dos comparsas mais chegados. Ligava ara a casa dela, colocou os amigos para vigiá-la e espantar qualquer pretendente. Quando houve oportunidade, escapou em uma fuga em massa e ficava rondando a casa da ex-sogra. Bárbara era sua e se não ficasse com ele, não ficaria com ninguém.

-Já largou essa arma?! Coloca em cima do muro e se afasta, bonitão. Não vou falar de novo.
-E quem você pensa que é pra mandar em mim? Quando eu terminar com a vadia aqui, te dou um trato pra tu saber o que é um homem de verdade.
-Se acha esperto, né?! Está preso.

Antes que Vander pudesse pensar, sentiu seu corpo ser empurrado na parede, a arma ser puxada de sua mão e um homem que parecia ser mais alto e forte algemá-lo. Foi virado de maneira bruta e jogado no fundo do camburão. A Samu chegou em seguoda e levou Bárbara ainda desacordada para o hospital. Acordou algumas horas depois com seu irmão e mãe sentados no sofá do quarto enquanto Amanda conversava com o médico. A primeira pessoa que percebeu seus olhos abertos foi Breno.

-Mana, pensei que fosse ficar igual a bela adormecida.
-Não gosto. Ela é preguiçosa. - respondeu acariciando os cabelos recém cortados do irmão.
-E bicho vai deixar a gente em paz agora?! - o menino a olhou esperançoso.
Bárbara entendeu de quem o menino falava e lhe respondeu. -Vai sim, mano. Vai sim.


Alguns Meses Depois


Bárbara havia preparado um jantar simples naquela noite para receber a namorada. A mãe e o irmão estavam na casa de uma tia liberando a casa para elas. Os encontros continuaram acontecendo. Elas diziam estar se conhecendo melhor e que não havia exclusividade, mas tinham ciência de não ser assim. A noite foi bastante agradável. Jantaram com boa música e assistiram a um filme que ambas gostavam. Perto da meia noite Amanda anunciou sua partida sendo prontamente impedida pela outra.

-Fica. - fez uma expressão comovente.
-Bem que eu gostaria, mas sua mãe pode chegar e...
-Ela só volta amanhã. E pensei que poderia passar essa noite deliciosa agarradinha na cama com minha namorada. - abraçou-a pelos ombros.
-Ah! Sim. Claro que pode passar... Com quem?!
-Minha namorada. A menos que você não queira ficar aqui... Ou ser minha namorada.

Amanda puxou mais o corpo da outra para si pela cintura. Guiou uma das mãos pelas costas até alcançar a nuca prendendo os cabelos da moça entre seus dedos. Beijou-a de modo lento e apaixonado no princípio, mas a chama do desejo havia sido inflamada e aquele beijo tomava proporções que prometiam uma noite e madrugada bastante agitadas.
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A Sereia - Parte 4

Autora: Bia Ramos
E claro, que aceitando me aproximei dela, minha mão tocou primeiramente seu rosto, deslizei meus dedos pelo pescoço e ombros, ela era de verdade, meus olhos caíram sobre sua cintura, essa que ligava a uma linda calda que balançava sensual.
– Estou vendo, mas ainda custo acreditar.
– Naturalmente, deve estar achando que é um sonho.
– E é um sonho?
– Você é inteligente, usou três dos seus SENTIDOS mais importantes e ainda duvida?
– Três?
– Audição, quando me ouvir cantar... Está me vendo e acabou de me tocar. – sorriu lindamente, me deixando sem jeito, ainda assim disse:
– Mas isso é mesmo possível?
– Você quer que seja? – disse quase sussurrando, sorri sem jeito:
– Por longos dias eu procurei por você, desisti por achar que era fruto de minha imaginação, e agora você aparece e ainda assim, parece ser irreal.
– Eu estou aqui e você também, custa acreditar?
– O que quer comigo? – respondi com outra pergunta.
– Simples, estou encantada com você.
– Como isso é possível?
– Passei quase três anos observando você, sempre que vinha na praia, corria e brincava com seus amigos, namoradas... – olhei para ela, curiosa: – E depois de todo esse tempo olhando para você, finalmente me viu, pode imaginar a felicidade que isso me dá?
– Ainda estou confusa...
– Eu irei explicar. – me olhava ternamente, me sentei, sinceramente? Não estava conseguindo controlar as minhas pernas.

Continua... #Jornada
Pontos: 10
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A Última Missão - Parte I

Autora: Nay Rosário
Um alarme foi disparado na rua escura fazendo com que a mulher sobressaltasse. Já era o terceiro susto se contar o gato preto e o bêbado. Estava perto de alcançar seu intento e obter uma boa grana por isso. Ela trabalhava no ramo do comércio de artes. Era assim que ela se apresentava quando perguntado sobre sua profissão.

Anna Sophie Albuquerque Heroux era uma mulher marcante. Era impossível não notá-la, pois sua beleza era ímpar. Possuidora de estatura um pouco abaixo da média, sua pele bronzeada de praias e piscinas, o tom acobreado dos cabelos, os belos olhos verde esmeralda e o corpo descomunal fechava o conjunto da obra. Formada em História da Arte na University of Kent Paris School of Arts and Culture em Paris. Filha de diplomatas franco-brasileiros, é possuidora de dupla cidadania. O que lhe permite transitar livremente pelo país europeu.

Desde pequena, sua mãe a colocou para fazer diversas atividades como natação, aulas de etiqueta, artes marciais, balé e música. Por ser a menor aluna em sua turma de balé, sua professora a chamava carinhosamente de La Petit que traduzindo para o português seria A Pequena.

Sophie também se interessava por jogos de estratégia e aprendeu o xadrez nas inúmeras visitas ao avô paterno, quando passava parte de suas férias em Lyon. Antoine Heroux, além de xadrezista, era um exímio esgrimista e fez questão de ser o professor de sua única neta.

Petit cresceu tendo tudo que quisesse, mas ainda assim, sentia que algo lhe faltava. Por ocasião de um evento beneficente na casa de Hernando Guerilla, embaixador da Argentina no Brasil, a família Heroux foi convidada. Os jovens logo enturmaram-se. Dentre eles, Heloíse Dummas, filha do embaixador egípcio e desafeto de Anna. Aonde uma estivesse a outra não permanecia por muito tempo. Se ficavam juntas, era uma enxurrada de trocas de gentis elogios e silenciosas farpas.
Heloíse vangloriava-se de um anel que havia ganhado do namorado e aproveitou a ocasião para alfinetar a outra sobre não vê-la na companhia de nenhum rapaz de boa família. Sophie apenas sorriu. Deixando a todos intrigados.

A noite sucedeu de forma tranquila e os convidados retiraram-se para seus aposentos. De posse de silenciosos passos e dona de flexibilidade invejada, Anna adentrou o quarto de sua inimiga e surrupiou o anel da caixinha aonde fora guardado. Voltou ao seu quarto e dormiu o sono dos justos.

Acordou com os burburinhos pelos corredores a respeito do sumiço do anel. A polícia foi acionada e todos revistados. O anel não fora encontrado. No final da tarde desse mesmo dia, Anna Sophie arrumou um comprador para tal peça através de alguns conhecidos parisienses. Para não ser identificada usou o codinome La Petit.

Depois de muito andar chegou ao endereço. Um prédio de classe média com três andares onde se localizava o escritório de Martíni Velasques, o advogado de algumas famílias tradicionais da cidade interiorana. O homem guardava uma cópia do palacete de Madame Channel, uma figura excêntrica e milionária, portadora da Pedra Rainha. Uma ametista que tinha 35 cm de tamanho e valia, atualmente, no mercado informal cerca de $2,5 milhões de euros.

Entrar no prédio foi fácil devido a pouca segurança do local. De dentro do seu macacão, retirou um bisturi e um grampo posicionando-o na fechadura e girando-o até escutar o click característico. Sorriu. Com luvas de latex e uma lanterna infravermelha verificou se havia algum tipo de lazer para pegar ladrões. Tudo limpo. Ligou o computador e rapidamente os arquivos foram encontrados.

Quando já desligava o aparelho, passos se fizeram ouvir. Escondeu-se atrás da porta na penumbra e aguardou. Os passos cessaram e pouco depois uma porta bateu. Respirou fundo e saiu. Já havia chamado um motorista de aplicativo e marcado o ponto de encontro a duas quadras dali. Quando avistou o carro, entrou.


-Confirma o endereço, senhorita? - a voz feminina lhe perguntou.
-Confirmo.
Pontos: 23
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Autora: MissE
Aumentou a pressão do toque, imprimiu mais força e em sequência aliviou a pressão. Sentiu a maciez deslizando mais um pouco. Apertou com força e soltou. Fez isso novamente. Fez isso de forma ritmada continuamente. Olhou para baixo e viu a clara tomando consistência, uma espuma branca, não podia parar. Continuou com o movimento ritmado, precisava de bastante força em movimentos circulares. Em uma breve pausa colocou essência de baunilha, o cheiro desprendeu já só ao abrir a tampa do vidrinho. Olhou com as narinas embevecidas de doce do aroma e intuiu a maciez da textura daquela coisa branca e ouviu muitos suspiros. Suspiros profundos.
Pontos: 2
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Beijo paradisíaco

Autora: Arerê Souza
Naquela tarde fazia frio.
Mas ela amava aquilo tudo, o clima a deixava em constante êxtase.
Escolhera a cidade de Gramado para passar parte de suas férias que tanto desejava.
Sílvia, mulher de quarenta e poucos anos, cabelos ruivos e de rosto magro, tinha uma beleza que chamava atenção por onde passava. Era uma fotógrafa bem sucedida na profissão que escolheu para viver.
Havia dois dias que chegara naquela cidade encantadora e como gostava de registrar cada momento que passava, saiu do quarto do hotel em que se hospedava para conhecer a cidade, levando sua máquina fotográfica.
Depois de muito andar, decidiu parar em uma cafeteria e tomar algo bem quente para espantar um pouco do frio que gelava seu corpo.
Sentou numa mesa onde tinha uma visão ampla de todo salão. E ao percorrer o olhar pelo cardápio, escutou uma voz doce que a fez levantar o olhar numa curiosidade instantânea. À sua frente uma moça de vinte e poucos anos a fazia ter uma sensação que a muito não sentia, seu corpo reagia a algo que não entendia.
Como não havia compreendido o que aquela moça morena, de cabelos cacheados, olhos cor verde folha seca e lábios convidativos lhe perguntava, voltou a si fechando logo o cardápio, pedindo uma garrafa de vinho e queijo para acompanhar... já era quase noite.
A moça era Caroline, uma estudante de Jornalismo que trabalhava na cafeteria para pagar seus estudos. Personalidade forte mas carregava uma timidez nos olhos que encantava.
Sílvia não conseguia tirar os olhos dela, enquanto degustava aquele vinho, acompanhava a garçonete como quem desejava saborear aqueles lábios carnudos que a morena tinha. O tempo passou. O vinho acabou. Sentia que não poderia sair dali sem arriscar algo. Pediu a conta.
Quando Caroline se aproximou seus olhares se fixaram e sem pensar duas vezes, Sílvia a pediu uma caneta emprestada e anotou num guardanapo seus whats e escreveu: me mande um oi... Pôde ver no rosto da morena um meio sorriso. A química rolou.
Saindo dali, decidiu andar mais um pouco pela cidade e fotografar os segredos daquela noite. Percebendo que estava bem distante do hotel e que estava bastante cansada, chamou um carro pelo app e solicitou uma corrida compartilhada.
No trajeto, quando um dos passageiros saltou, adentrou ao veículo uma outra pessoa na qual não observou pois estava absorta em seus pensamentos e admirando a cidade pela janela do carro. Quando sente seu telefone vibrar com o toque do aplicativo de mensagens. Um número desconhecido. A mensagem: Oi.
Ela salva o número e sorri. Sorri. Sorri. Era ela, Caroline.
E de novo escuta a mesma voz que a pouco a fez perder os sentidos, que a fez sair da órbita, dizendo: o seu sorriso é lindo!
Coincidência. Única palavra que conseguiu dizer assim, de pronto!
Caroline então disse, eu mandei o "oi"...
Sílvia ainda viajava, estava fora de si mas tentava não demonstrar o nervosismo gostoso que aquele encontro a provocara.
A conversa fluiu. Decidiram descer do carro, se apresentaram num forte abraço. E no pensamento das duas, só uma coisa: que vontade de me perder nesse abraço, nesses braços...e o beijo ardente, quente, provocador, inevitável, aconteceu!

Aquele beijo durou tempo o suficiente para que ambas não conseguissem mais distanciar seus corpos, que naquele momento estavam febris pela sensação maravilhosa que a explosão do encontro dos lábios provocou.
Se olharam. Sorriram. Seus rostos ficaram vermelhos, pela excitação imediata causada pelo momento.
Bom - Caroline disse, tenho que ir agora...
E num súbito, sente Sílvia a envolver novamente pela cintura a encarar seus lábios e, como quase que desespero a puxou novamente para a profundeza de seus desejos. Inevitável recuar, recusar. Caroline foi.
Sílvia, tentava achar a palavra mais honesta e sincera possível para definir o sabor daquela boca que a fez viajar sem mesmo sair do lugar. Era besteria pensar nisso. Queria era mesmo aproveitar cada momento, sentir a respiração ofegante daquela menina que a fisgou só pelo fato de existir. Com seus corpos grudados podia sentir cada reação transmitida pelo corpo sensual de Caroline. O desejo pulsava. Era inegável.
A mulher mais experiente e atirada lançou um convite olhando naqueles olhos que se entregavam mais a cada beijo - não quero ser afoita nem incoveniente mas estou num hotel aqui próximo, vamos pra lá? Prometo não se arrepender...
Caroline, se afastou. Tentou dizer não mas na vontade de descobrir o que aquela ruiva tinha mais ainda de especial, aceitou.

Enquanto caminhavam, Caroline enviava uma mensagem para avisar que talvez não dormiria em casa e Sílvia fazia uma ligação para o hotel.
Em três quarteirões chegaram. Estava hospedada no décimo andar. Antes de subirem Sílvia foi até a recepção verificar se seu pedido tinha sido atendido a tempo.
Entraram no quarto, de mãos dadas.
Caroline mordia os lábios pela ansiedade pelo que poderia acontecer. Aceito o convite, estava disposta a tudo que aquela noite poderia oferecer. Enquanto admirava a vista pela janela do quarto, Sílvia as servia com o champanhe que tinha solicitado...
Brindaram a noite, presas em seus olhares. Sedutores e famintos.
Sílvia pegou a taça das mãos delicadas de Caroline e com suavidade e leveza a abraçou pelas costas, sentindo o perfume que aquela pele morena exalava. Beijava sua nuca, seu pescoço, mordiscava sua orelha sentido o arrepio na pele da morena. Sinal verde. Podia prosseguir.
Por sua vez, Caroline buscava as mãos de Sílvia a fim de prender-se cada vez mais. Mordia os lábios com o tesão que os toques da ruiva lhe proporcionava.
Ficaram frente a frente, desafiando os desejos, os olhares, os pensamentos. Se entregaram, sem culpa, sem medo. Haviam três horas que se conheciam, tempo suficiente...
Cada vez que se beijavam entravam numa dimensão desconhecida do prazer.
Caroline se soltava cada vez mais, passeava suas mãos pelo corpo da outra enquanto se despiam procurando descobrir seus segredos. Encontrou algo que desejava muito, que desejava possuir. Os seios de Sílvia. Os beijava, devorava com voracidade e a delicadeza de que mereciam. Escutou um gemido. Sílvia também dava ali, o sinal verde. Não pensou duas vezes, a puxou para cama macia e aconchegante.
A ruiva ficou entre suas pernas, buscando seus lábios enquanto uma das mãos passeava pela coxa no intuito de sentir a maciez do corpo da morena, enquanto a outra mão buscava sentir o vulcão em chamas que a morena tinha entre as pernas. Tesão puro e incandescente.
Sílvia, beijava o pescoço da morena, depois seus seios e descia por um caminho que sabia levaria até a felicidade. Sua língua passeava por aquele corpo num misto de encantamento e desejo, sentia o sexo da morena todo latente, ansioso!
A morena por sua vez, arqueava seu corpo cada vez que Sílvia desvendava seus mistérios com sua língua quente e atrevida. Gemidos ofegantes. Sussuros. Suspiros. Mais gemidos.
Decidiram de forma justa que chegariam ao ápice juntas, queriam isto! Uma com coragem e sem medo de se queimar chegou novamente junto ao vulcão enquanto a outra mergulhou sua mão numa cachoeira de água quente...
Suor.Delírio. Prazer. Foram ao céu várias vezes.
E perderam os sentidos.
Pontos: 19
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Teu corpo

Autora: Bel nobre
Foi com os olhos que te escolhi
É com o olfato te sequi pelo mundo
Como um cachorro a procura da dona
E como cega fui teu corpo tocando
Te lendo em braile
Na claro ou escuro
Ouvindo teus gemidos
Explodiu em cores de fogos de artifícios
E na boca teu gozo me enlouqueceu
Explodimos com os cinco sentidos
Bomba nuclear do prazer
Pontos: 16
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Para Juliana

Autora: keique
O mundo é tão cheio de surpresas
Que me atropelam ao dar o passo
Assim como esse acaso
De um dia te conhecer

Desconfiada, à espreita, amolada
Tola, fiquei triste por você
Depois veio a surpresa
Me emudecendo calada

Minha antecipação de medo
Não reconheceu tua nobreza
Teu sentido tão singular!

Perdida apelo aos sentidos
Pois só podes me escutar
Decerto, minhas banalidades...

Talvez minha suavidade
Te faça ouvir meus gestos
Te faça me querer por perto
Talvez te chame a atenção

Posso soprar em teu ouvido
Arrepios desconexos
Te tocar o canto da boca
Te dizer mais do que quero

Te mostrar que todo carinho
Pode ser bem mais sonoro
Indo além do próprio gesto

Que o meu pequeno som
Brinca na ponta dos dedos
Escorrega, espanta teus medos
Faz teu silêncio adormecer!
Pontos: 5
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Autora: MissE
Que falta de imaginação, trazer o trabalho para casa. Mas não tinha como não o fazer, tudo estava atrasado. Ela ficaria furiosa, já era mais uma noite sem nada de namoro. Fui para casa já prevendo o clima pesado de frustração.

Fui direto para a mesinha de trabalho, abaixei a cabeça e mergulhei no trabalho. Só lembro que acordei umas 3 da manhã, ela me levando para cama, levantou as cobertas, afofou os travesseiros, ajeitou meu corpo na cama e minha cabeça nos travesseiros. Então se deitou na cama, me abraçou e dormimos.
Pontos: Sem votos ainda
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Madrugada

Autora: Anne Kross
Adoro esses momentos em que o silêncio da madrugada, deixa somente nossas respirações no ar.
Aproveito essas acordadas pra poder admirá-la. Amo sem medida, ficar ali, entre o sonho e a realidade, entre nossos cheiros e meus delírios.
Me encanta ver como ela se entrega ao sono profundo tão rápido. Que inveja do canto da cama, que é sempre o mesmo, onde o corpo dela ocupa.
Não me mexo, pra que ela não acorde, fico ali quietinha, absorvendo, cada segundo.
Seus cabelos espalhados pelo travesseiro, são um capítulo a parte. Parece uma fotografia daquelas em que a gente olha mais de uma vez, e pensa, que cena mais linda! Como ela é linda!
Me ajeito mais uma vez, vou fechando os olhos, aos poucos.
Ela ali, ao meu lado, tranquila, segura, ao alcance das minhas mãos e dos meus sonhos.
Pontos: Sem votos ainda
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A Última Missão - Parte II

Autora: Nay Rosário
Cinco anos antes

Morélia - Michoacán - México


Silvia tentava agilizar a contagem do último carregamento de entorpecentes. O velho Navarro havia se aposentado de maneira forçada após um infarto e sua filha, braço direito da organização, assumiu a chefia tanto dos negócios ilicitos quanto da rede de hotéis luxuosos no México, Colômbia e Porto Rico. A família Sollis Navarro era influente em todo país e tinha alguns políticos e oficiais da polícia ao seu lado para encobrir seus eventuais rastros. Nem que para isso tenha que desembolsar alguns milhares de dólares.

-Señora! Pronto.
-Avante!

A van seguiria para o aeroporto e passaria para o hermano que era como eles apelidaram os policiais corruptos. Ao olhar o relógio, Silvia percebeu que estava atrasada para seu compromisso. Era aniversário de sua namorada e, para satisfazê-la, havia reservado um espaço na boate mais concorrida da Cidade do México.

Silvia era a cópia fiel da mãe fisicamente. Índia, cabelos negros cumpridos e presos, olhos negros e andar felino. A personalidade totalmente impulsiva e passional era herança genética paterna. Vestiu um terno de corte feminino na cor preta, sapato de salto alto e seu batom vermelho bordô nos lábios. Subiu para o último andar da mansão localizada no bairro de Guadalupe.

Sobrevoou a cidade em seu helicóptero. A noite deu um toque especial a paisagem com suas luzes. Enquanto aproximavam-se do destino, a mulher pensava no porquê de ainda manter essa relação. Sabia que já não eram mais um casal apaixonado. Leda insistia que deveriam viajar mais e se afastarem dos negócios familiares. A verdade era que a mulher queria titularidade e posse sobre Silvia. Havia chegado a conclusão de que era melhor terminar.

A casa noturna estava lotada, como sempre, e não foi difícil enxergar a aniversariante no palco. Silvia preferiu a distância. Seguiu em direção ao bar e pediu uma dose de sua bebida preferida. Olhando ao redor deparou-se com uma linda jovem de sorriso feliz e cabelo acobreado. A moça se divertia com duas amigas. Prestou atenção na mesa e viu quando a desconhecida pediu tequila. Chamou o garçom e pediu que ele lhe entregasse algo. Sorriu.

"Lamento molestarte, pero tu belleza eclipsó a cualquier otra. Me gustaría saber el nombre de la chica más hermosa de este lugar."

Silvia percebeu que a jovem havia interpelado o garçom e o mesmo apontou-lhe a direção do emissor do bilhete. Olhou rapidamente para o palco e viu Leda entretida. Ainda não tinha avisado de sua chegada e, talvez, fosse melhor assim. O garçom retornou com outro bilhete entregando-o a mexicana.

"Gracias por tan hermosas palabras. Mi nombre es Anna y eso es todo lo que tendrás de mí, porque sé que tienes un compromiso."

Ao olhar na direção do grupo, viu as moças saindo. Seus olhos encontraram os de Anna e por um breve instante apenas elas estavam no recinto. O transe quebrou com uma cabeleira loira surgindo em sua frente e a beijando de surpresa.

-Chegaste quando? Por que não me procurou?
-No mucho tiempo. Vamos?!

---

-Acabou! - ainda de costas para a outra, anunciou.
-Como? No creo! Por que isso agora? Estávamos tão bem.
-Não estamos bem e você tem ciência disso. Não quero mais.
-¿Como és ella? No me digas mentiras.

Leda se pôs a frente de sua namorada e aguardava uma resposta com os olhos umidos. Lágrimas desenhavam seu belo rosto e Sílvia não era insensível ao ponto de acompanhar o sofrimento da mulher que a ajudou em momentos críticos da sua vida inerte. Abraçou a mulher que chorava copiosamente até que cessasse a crise. Beijou a testa da moça e saiu. Leda acompanhou seus passos com ódio no olhar.

---

-Quer dizer que a senhorita é dona desse hotel.

Anna Sophie bebericava um coquetel sem coqueteno restaurante do hotel aonde havia se hospedado com suas amigas quando sentiu-se observada. Ao olhar na direção do bar, avistou a mulher da boate acenando. A outra se aproximou e conversavam quando o gerente chegou a mesa solicitando o auxílio da nativa.

-Sou filha do dono e, por motivos inquestionáveis, exerço a função de presidente interina dos negócios da família. Já teve a oportunidade de conhecer nossos pontos turísticos? - perguntou tirando o foco central de si.
-Conheci alguns, bem poucos, lugares. Mas o guia que temos é um pouco difícil de compreender.
-Posso ser dua guia se assim desejar.
-Com a condição de levar minhas amigas junto.
-Tiene miedo de mi? Jamais faria algo que não quisesses. Pode levar suas amigas.

O período que a jovem francesa passou na América central foi de passeios. Conheceu os pontos turisticos da cidade do México e outras cidadezinhas ao redor. Também houveram flertes e alguns jantares. Os jornais noticiavam que a herdeira da cadeia hoteleira mais luxuosa havia encontrado um novo affair e abandonado a modelo e Miss México, Leda Leal.

A última noite de Anna naquela cidade foi repleta de romance e, mesmo não admitindo, havia se encantado pela moça de pele morena, sorriso galanteador e voz inconfundível. As mulheres não firmaram compromisso, mas davam sempre um jeito de se encontrar. Até que em uma ida surpresa de Anna Sophie a Morélia flagrou Sílvia dormindo abraçada ao travesseiro que a moça vestira com uma peça de roupa sua e a ex-namorada dormindo com o braço circulando a cintura da outra. Roupas espalhadas sugeriam que a noite havia sido quente. Foi a última vez que estiveram no mesmo ambiente.


Atualmente


La Petit estava prestes a abrir o cofre de Madame Channel e obter sua recompensa. Digitou a senha e apreciou com prazer a porta se abrir. Pegou a caixa com o selo da coroa sueca, de onde vinha a pedra, e abriu assustando-se com a visão da caixa quase vazia se não fosse por um aparelho telefônico. Pegou o celular examinando-o. Quando tencionava o que fazer, o aparelho começou a vibrar. Na tela estava escrito Número Desconhecido. Atendeu silenciosa.

-Hola, cariño! Como estás?
-Sílvia?!
Pontos: 10
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Chrisálida

Autora: keique
Ao seu lado desvendo mais um dia
Depois de 15 anos ainda respiro
Suspiro a espiar seus lampejos
Ainda bem que somos criança!

Chris é sinônimo de vida para mim
Depois de achar que o mundo acabou
Renasço pronta para o nosso dia

Nosso caminho encontrou dunas,
Desertos secos de possibilidades
Depois chegou o oásis como recheio

Transitamos entre as lembranças
Saudade do que já foi vivido
Ansiedade e suspiros pelo que virá

Manias enroladas no anel
Borradas pelo som dos risos
Você às vezes é tão difícil!
Mas não vejo meu caminho sem ti
Pontos: 5
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A Sereia - Parte 5

Autora: Bia Ramos
– Anos atrás, eu me apaixonei por alguém, esse alguém não era quem eu imaginava que fosse. Depois de algum tempo convivendo com ela, descobri que eu não era realmente apaixonada, e sim, estava enfeitiçada.
– Eu... – tentei falar, mas ela levantou a mão e deixei que prosseguisse.
– Me libertei daquele encantamento, achando que estava livre realmente, segui meu caminho deixando-a para trás. Mas ela irada com isso, jogou outro feitiço, dessa vez mais forte, esse que ela gritou aos quatro ventos:
“Você irá vagar solitária pelos oceanos, e terá apenas alguns minutos por dia para sair dele como mulher, e nesse tempo, ninguém poderá te ver, a não ser que te enxergue realmente pelo que você é, jamais se apaixonará, porque não dará tempo disso acontecer, e se um dia esse feitiço se reverter, e ele enfraquecer, uma pessoa irá aparecer e dele lhe libertará, mas não conte com a sorte, porque você terá que se apaixonar primeiro, mas irá sofrer por um bom tempo até ela te notar, e sem medo vir te salvar.”
– Nossa... – olhei para ela, que olhava além das águas do oceano, quando me olhou vi o brilho em seus olhos, o sorriso se formar e dizer:
– Como pode ver, o feitiço é verdadeiro, mesmo assim, segui minha JORNADA até perceber que era você, sabia desde o primeiro momento que eu podia sofrer o quanto fosse, mas valeria a pena esperar.
– Como pode ter tanta certeza que sou eu?
– Porque eu me apaixonei, e sofri todos os dias por estar perto de você, e não poder me aproximar, não poder te contar, mas eu me contentava em saber que estava bem e feliz.
Levantei sorrindo, estava em choque, andei de um lado para o outro, não sabia identificar o que estava acontecendo dentro de mim, por um minutos eu fiquei sem ar, de repente tudo rodou e eu caí.

Continua... #TeAmar
Pontos: 12
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Autora: MissE
Não haveria um atalho? A alternativa de um caminho mais curto. A possibilidade de pegar uma carona? Não, a coisa não funcionava assim. A cada olhar lançado, a mente começa a percorrer um cipoal de situações. Por que seria diferente disso?

Por que é necessário o périplo do herói, ou melhor da heroína, com sua queda e redenção? Não se poderia ir para o final feliz diretamente?

Quantos monstros reais ou imaginários enfrentados e abatidos com a espada cravejada de pedras coloridas, quantos oceanos escuros atravessados em um barquinho de madeira, quantos castelos derrubados com a força dos próprios braços, quantos serão necessários para que você diga meu sim?

Pontos: 5
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A Sereia - Parte 6

Autora: Bia Ramos
– Ainnn... Minha cabeça... – abri os olhos confusa, sentei olhando em volta, estava escuro: – O que aconteceu? Porque eu... – olhei em volta e me levantei rápido: – Isso aconteceu de verdade.
– Você está bem? Perdeu a consciência por quase uma hora, estava preocupada...
– Você é real...
– Sim, sinto muito... – desviou os olhos dos meus, senti uma fisgada em meu peito, dei um passo em direção a ela, mas parei: – Não queria causar transtorno na sua vida, eu vou sumir, mas antes quero que saiba que TE AMAR, foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida... Adeus!
– Não... Espera... – ela mergulhou e sumiu.
Coloquei as mãos na cabeça olhando em volta, minha cabeça latejava com todos aqueles pensamentos, sorri ainda duvidando de que tudo aquilo fosse realidade. Alguém me chamou, saí do transe e fui em direção aonde estava os meus amigos.
– Você está bem? Está pálida?
Minha amiga perguntava, mas eu não queria falar nada... Não queria falar com ninguém... Saí correndo... Fui em direção ao meu apartamento, entrei e corri para o banheiro, arranquei minhas roupas e entrei no box deixando a água cair sobre meu corpo, como se aquilo lavasse tudo o que aconteceu naquela noite.

Continua... #Fugir
Pontos: 38
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Amor impossível

Autora: Arerê Souza
Amor impossível.
Hoje eu decidi me afastar, por te amar!
Por te desejar como não deveria!
Por te querer em meus braços...
Por querer sua boca na minha...seu corpo no meu!
Eu não posso te querer! Amor impossível...
Eu sonho com você...e nos meus sonhos você de mim se delicia e eu me lambuzo com teus abusos, totalmente consentidos!
Eu não posso te querer! Amor impossível...
Temos nossas vidas...
Você diz não querer mas me olha com olhar desejoso e nesse teu jogo bobo me jogo e nele me perco por inteira. Labirinto de sedução!
E quanto mais eu sei que não posso te amar, a realidade surge:
Eu com ela e você com ele!
Amor impossível...

Pontos: 36
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Nós somos

Autora: Anne Kross
### este é o texto correto###

Nós somos a escapada no meio da tarde que dá o frio na barriga.
Porque sabemos o que vai acontecer e queremos que aconteça.
Nós somos a novidade há tanto tempo aguardada e nem sabíamos de onde viria.
Nós somos a expectativa da dúvida, do será, do pode ou não, mas a maior certeza também.
Somos o que precisávamos para aliviar nossos dias. Nossas rotinas e chatices.
Somos o olhar que acalma, o abraço que aquece e o colo que renova.
Nós somos o sonhar acordadas, o pensamento que não para e os planos que achávamos que nunca mais fôssemos fazer com ninguém.
Nós somos a risada sem controle no meio da conversa, o choro de saudade e a vontade insana de se abraçar.
Nós somos o conselho, a falta de juízo e uma tarde comendo pipoca.
Nós somos a volta do brilho no olhar, querer namorar sem tempo pra acabar e escrever bilhetes cheios de corações.
Nós somos cuidados, surpresas e planos.
Nós somos descobertas, sensações e delícias.
Nós somos toques, olhares e pensamentos.
Nós somos amigas, parceiras e namoradas.
Nós também somos companheiras, confidentes e duas malucas.
Nós somos tantas.
Nos descobrimos muitas, em mim e em você.
Nós somos o que faltava nessa vida uma para a outra.
Pontos: 5
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Te amar

Autora: MissE
Como olhar para você sem que o coração perca o ritmo, desgovernado, batendo em todas as paredes nas curvas do querer? Como perceber os seus olhares sem que falte o ar e eu morra aos pouquinhos desse sufocamento que é a sua presença?
Como continuar de pé, não sucumbir aos tremores, ao sonho, à loucura, apenas por estar perto de você?
Apesar disso tudo, num conflito obscuro, como não deixar você ir, para que possa ser feliz?
Pontos: 2
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a gente é maior que o mundo lá fora

Autora: Paula Chiodo

tem aquele bar no centro que você ama e eu frequento, às vezes. lembro do dia de vento gelado e da festa que lotou a rua de paralelepípedos. você ria alto com um copo de cerveja na mão. e o céu estrelado anunciava boas novas.
eu me encolhia dentro do casaco, e sorria por perceber que ali durante poucos minutos atingimos a felicidade completa.
você comentava sobre política, os dias corridos, sobre a alegria de comemorar as pequenas coisas. você estava estupenda. o batom vermelho chamava atenção. e eu de longe mordia meus lábios com vontade de beijar os teus.
você distribuía abraços e afagos aos amigos que estavam por perto. você tem essa mania bonita de demonstrar afeto. e eu amo tanto isso em você, que deixa meu coração mais quente, mas mole, mais teu.
era noite de comemoração.
não sei ao certo o que comemorávamos. - coloca um casaco, vamos comemorar!
você disse que iríamos brindar aquela noite. era algo sobre como conseguimos viver em meio ao caos instaurando no país, de sermos a resistência de mulheres se amando. algo sobre sermos a revolução e fazer planos para o amanhã que será outro dia.
adoro como você inventa motivos para sermos felizes. seja porque o céu está mais azul ou porque o inverno está durando mais dias. contigo é sempre festa. peito aberto. risada e mãos dadas.
na rua de paralelepípedos eu te vi em câmera lenta. como se o mundo parasse. e eu pudesse registrar tudo, detalhe por detalhe. a saia que balançava com o gingado do teu quadril, teus cabelos escapando do coque no alto da cabeça, teus olhos que brilhavam feito luz incandescente. . - hey...
. - o quê?
você me borrou de vermelho. me abraçou forte e disse bem baixinho “a gente é maior que o mundo lá fora”. os tempos são sombrios, é fato. ser resistência cansa. dói. machuca. os últimos dias foram mais dolorosos, nosso país aos frangalhos, nosso amor sendo deslegitimado todos os dias, ofensas sendo proferidas contras as minorias.
ali, na rua de paralelepípedos, com seus braços em volta de mim, nossos amigos dançando, a música e a arte sendo a principal arma contra o estado fascista, me recarrega as energias.
a vida tem sido dura. e a gente, bonita, a gente tem sido ardente.
era mais uma reza-promessa que um sussurro: “agradeço o dia que ficou. que segurou forte minha mão, me beijo e disse que a vida seria mais fácil se fôssemos uma dupla de duas”. aquele dia a gente dançou. riu. sorriu. gargalhou. a gente se amou em público, sobre os olhares atentos dos nossos, que nos cuidam e que estão junto.
aquela noite, bonita. eu havia entendido o jogo de tarot.



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Pontos: 202
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Cachorra

Autora: MissE
Amestrada. De pelo curto, amarelado. Olhos vivos e atentos. Orelhas com as pontas caídas. A cauda movendo-se a 100 por hora. A boca aberta, a língua pendurada de ofegante. Atendia aos comandos: Vem, Deita, Finja-se de morta, Dá a mão e Não! A cada gesto obediente, uma recompensa gostosa. Era muito boa a vida de sua vira-lata!
Pontos: Sem votos ainda
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Superstições

Autora: MissE
Existe algo mais maravilhoso que gato preto? É muita ignorância acreditar que um gatinho tão fofo possa causar problemas, apenas por ser um gato preto. Estranhamente os de outras cores não passam por esse tipo de superstição. Apenas os gatos pretos. E pensar que a humanidade já acreditou em cada coisa ridícula, como usar calcinha vermelha na passagem do ano para finalmente ter um amor no ano que se inicia. Inacreditável, não é? Os amores serem vinculados a uma calcinha vermelha. Da mesma sorte que os gatos pretos, um bicho lindo que merece todo o amor que as pessoas podem lhe dar independentemente da cor da calcinha que usar.
Pontos: Sem votos ainda
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All Star

Autora: MissE
Um estilo, um look, um visual. Recomendava a nova influencer da plataforma. Eu olhava para os meus pés e via o par de tênis All Star, surrados, com os cadarços escuros e super confortável. Eles chegavam a ofender as novas tendências que chegavam lá de fora. Ela olhou para mim e disse, não deixa de ser um estilo. Cai na gargalhada. Mas para ela não havia nenhuma piada. Havia uma classificação para mim, para o meu "estilo". Fiquei atônita, não queria ser classificada, não queria fazer parte de nada, de coisa alguma. Ela então disse, você faz parte dos que não querem fazer parte de coisa alguma. Fiquei sem palavra alguma.
Pontos: Sem votos ainda
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Aprendizado

Autora: MissE
Já sei de que lado das camas você prefere ficar, consigo identificar suas frutas preferidas, as músicas que você provavelmente iria gostar. Depois de um tempo sei quantas colheres de açúcar colocar no seu café do jeito que você gosta. Depois de um bom tempo, sei das suas preferências, seus gostos, suas manias, suas reações, seu temperamento, seus discursos. O aprendizado requer um tempo. Quanto tempo ainda falta para que o aprendizado chegue ao fim?
Pontos: Sem votos ainda
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Língua estrangeira

Autora: MissE
No começo os sussurros diziam algo, parecia numa língua estrangeira, não entendia o que estava sendo dito, nem sentido fazia, mas eu achava que entendia tudo. Intuia os significados, afinal nossos corpos se encaixavam perfeitamente. Ela dizia e eu entendia. Eu escutava e ela sabia que eu tinha compreendido. Então, chegamos no nível mais avançado, quando sem dizer nada dizíamos tudo.
Pontos: Sem votos ainda
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Imaginação

Autora: Bia Ramos
"Fecha os olhos...
Imagina que estou atrás de você, vou colocar de leve minhas mãos sobre sua cintura... Beijar de leve seu ombro e deslizar lentamente minha língua levando meus lábios até seu ouvido...
Espalmar uma de minhas mãos em seu ventre trazendo seu corpo colando mais ao meu e subir a outra sobre seu seio apertando de leve e sussurrar em seu ouvido... Safada...
Sua respiração vai descompassar e deixar sua cabeça pender sobre meu ombro, virou de leve e capturou meus lábios mordiscando de leve eles, antes de buscar sua LÍNGUA com a minha... Gemer entre nosso beijo e se entregar..."
Pontos: 15
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Autora: MissE
Haveria risco de vida? Ou, só causaria um mal estar, mas depois ficaria bem. Ou ainda, faria mal mas não mataria, porém as sequelas seriam irreversíveis para todo o sempre. Não sabia qual seria o efeito, mas tinha certeza que aquilo era um veneno o que ela trazia. Eu sucumbiria mas não tinha como falar não.
Pontos: Sem votos ainda
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A Sereia - Parte 7

Autora: Bia Ramos
Por três meses tentei FUGIR de tudo o que aconteceu, não queria lembrar mais daquele olhar triste... Aquela mulher... Sereia... não sei, não saía da minha cabeça. Tive medo de contar a alguém, de falar o que aconteceu comigo. E quando pensava em fazê-lo mudava de ideia, eu mesma achava que era muita loucura, quem iria acreditar em mim?
Saí da cidade e fui para as montanhas, acampar com alguns amigos, na intensão de que minha mente voltasse ao normal e eu voltasse a pensar com mais clareza, mas sentia algo apertar meu peito como se esmagasse ele. Estava ausente de mim, como se eu estivesse em um lugar e minha alma em outro.
As pessoas reclamavam da minha ausência, perdi o gosto de fazer as coisas que eu gostava de fazer, fui chamada a atenção no trabalho, tudo estava perdendo a graça, eu me perdi dentro de mim. Tirei licença médica e fiquei em casa, precisava de um tempo para mim, me sentia culpada, mas porquê?
Maratonei minhas séries que estavam atrasadas, li alguns livros, assisti alguns filmes... Quase não saía de casa, não queria ver ninguém, e por causa disso, passei a pensar mais nela. Seu rosto triste estava sempre em minha mente, às vezes, podia ser imaginação a minha, mas escutava de longe aquela canção que me fazia viajar, estava começando a me perguntar, o que aquela mulher... Sereia havia feito comigo?
Calcei um sapato, peguei minha jaqueta e fui caminhar, estava cansada de ficar em casa, andei por horas, parei próximo a uma praça, tinha uma quadra a frente onde alguns garotos jogavam bola, um parquinho do lado onde as crianças brincavam em gangorras e balanços que tinha lá. Sentei próximo a uma árvore e fiquei olhando para eles.
– O que te atormenta minha filha?

Continua... #Nome
Pontos: 23
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Autora: MissE
Ah, não adianta fugir! Ah, não. Por mais que você resista, mais inútil se torna a fuga. É irresistível o laço, a corda, as amarras da conquista. Quanto mais você se debate procurando se soltar dessas amarras, mais percebe que na verdade não quer sair, sente o abraço forte, envolta por sentimentos incompreensíveis e sente que até é muito bom ficar. Mas, sente medo e quer fugir dessa coisa que pode ser muito boa. Tão boa que lhe dava um pavor.
Pontos: 4
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carregar o amor nas mãos

Autora: Paula Chiodo

eu estava deitada no chão da sala e você lia algum livro na poltrona ali perto. eu estiquei o braço e pedi que lesse minha mão. depois do tarot eu queria aprender a ler mãos como você.
você disse que eu precisava escrever o que batia em meu peito. você foi a primeira mulher. você segurou minhas mãos e disse que o mundo seria meu, se eu quisesse.
“essa sou eu, mas haverá outra mulher que fará do teu peito ninho também.”
e apontava paras as linhas. você ia explicando cada linha e tracinho que havia ali.
“as tuas mulheres é também tua escrita, teu trabalho e teu reconhecimento.”
eu nunca soube se você estava brincando ou falando sério. você beijou minhas palmas das mãos e disse alguma coisa sobre eu ter o amor na ponta dos dedos.
eu achei ridículo na época. você ria de mim.
uns meses depois, você mexia em meus cabelos e sussurrava bonitezas que me arrepiava..
“eu acho que você errou. não haverá outra.” você me virou de cara para você, pegou de novo minha mão, me olhou bem séria.
“estamos no fim, bonita. mais um tempo apenas. a outra que fará você ilustrar seu amor demorará para vir, mas você saberá quando for.”
“não brinca com isso.”
“eu não vou estar mais aqui, então ela vai aparecer e fazer o que faço contigo. ela vai te dar coragem de ir além, e você irá.”
“para com isso... você vai estar aqui, eu vou tá aqui. ninguém vai a lugar nenhum.”
“não vou. e você vai largar tudo. ela vai te devolver tudo o que você abandonou.”
“por que você tá falando essas coisas?”
“porque você tem o amor na palma da mão e tem medo, menina. me prometa, que não tentará me fazer presente, eu terei ido. serei ponto final. você terá sua segunda chance. aproveite, amor”.
eu briguei feio essa noite contigo.
até voltei para minha ex-casa para dormir.
você estava louca, se não for você, não seria mais ninguém. eu não teria coragem de escrever e me expor de novo. teria que ser contigo, somente.
passado anos, quase uma década, me pego lembrando dessa história. caio em um choro não contido, na real, nem tento conter.
eu olho para minhas mãos e tento enxergar tudo isso que um dia você me falou.
eu ainda falo de você no presente, me dói pensar que você virou supernova.
eu só escrevo para te contar que agora eu tenho o amor nas mãos, que o tarot me achou de novo, que minha caneta ilustra e que você preencheu o melhor de mim.


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Pontos: 156
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Autora: MissE
Um papel em branco, uma caneta, uma tinta azul eram tudo o que é necessário para construir mil mundos, mil pores de sol, mil sentimentos. Só assim, desenhando com as palavras a paisagem e todas as nuances de perspectivas, infinitas camadas de profundidade e se tudo der certo, deixar um rastro de emoções. Vejam o poder disso e basta um papel e uma caneta!

Miss E.
Pontos: Sem votos ainda
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Explosiva

Autora: Lauren Soza
Jéssica Kurt é uma delegada (delegata, melhor dizendo...). Morena, trinta e quatro anos, cabelos castanhos e lisos, olhos vivos e chamativos, um corpo de invejar...malhado, definido! Toda gostosa! Tem uma pose, uma postura que quem não a conhece, causa medo! É desejada por muitos...
Por trás de toda aquela armadura que a profissão exige, tem uma mulher aventureira, meiga, uma gatinha mansa e dengosa. Jéssica já havia se relacionado com vários homens (interessantes até!) mas foi nos meus lábios que decidiu fazer morada...
Nos conhecemos há dois anos, ela tinha acabado de assumir seu cargo na Polícia Civil, ia me substituir. Na época, precisei me afastar devido às ameaças que sofria por meu empenho, que não agradava muito a bandidagem!
Me lembro perfeitamente o dia em que a vi pela primeira vez. Caaaaara, que visão! Tentei não dar bandeira...Ela vestia uma calça social preta que entregava aquelas coxas malhadas e o bumbum perfeito (provavelmente fruto de muitos agachamentos), uma blusa branca que demarcava direitinho seus seios (affff delícia). Fomos apresentadas e passamos a trabalhar juntas por um tempo até que eu passasse alguns casos para ela dar continuidade. Que mulher che-i-ro-sa! Pqp! Até hoje não sei como consegui me concentrar...
Eu, tinha quarenta e um anos, tinha uma fama até boa entre a mulherada da delegacia...com os homens nem tanto (acho porque tinham uma invejinha). Eu não era fácil...mas também não me fazia de difícil (hehehhe)!
Aos poucos, a Jess e eu fomos criando uma intimidade, saíamos para tomar uma gelada depois do expediente de vez em quando. Ela era muito legal, nosso papo era bacana demais, fluía. Gostávamos das mesmas coisas, exceto o estilo musical: eu, um sambinha, pagode, MPB e ela, pop rock internacional, forró - nada a ver né?
Chegou o dia da minha despedida e a galera resolveu fazer uma festinha num barzinho, fiquei sabendo depois que foi ela quem organizou... é delegata não é a toa! Estava muito bom... Me pegava olhando pra ela e comecei a perceber que meus olhares eram timidamente correspondidos! Coração já deu uma leve acelerada...hehehe
A noite estava muito boa, e algumas pessoas começavam a ir embora e por fim, ficamos nós duas ali, tomando a saideira...
Conversa vai, conversa vem, tasquei-lhe um selinho. Deu medo do meu atrevimento que logo esperei um tapa na cara, que não veio...
Me afastei o suficiente para olhá-la e ela sorria, estava com as bochechas rosadas de vergonha.
A beijei de novo ali mesmo, no bar, sem me preocupar com as pessoas a volta. Fui mega correspondida...que delícia de boquinha!
Bora pra minha casa? Perguntou ela...(que sonho!)
Que furacão! Que mulher! Se eu soubesse, já tinha chegado junto a mais tempo mas ela era diferente! Merecia demais minha atenção...
Naquela noite foi eu que fui levada pra lua e a vista de lá é tão bonita...ela mexeu em todas as minhas gavetas com maestria! Me fez descobrir coisas em mim que eu-zi-nha desconhecia. Eu só me perguntava que mulher é essa? Explosiva, caliente e tesuda!!!
Aquela gatinha manhosa cada vez mais se mostrava uma tigresa indomável... E eu? Ahhhhh e eu só me deliciava!
Pontos: 10
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Autora: MissE
Granada, um lugar, uma pedra, uma bomba. Via da janela a paisagem andaluza, o casario com algum toque mourisco e medieval. A brisa vinha suave e delicada por aquela janela, atravessava a história intensamente vivida, as conquistas, os grandes feitos, as pequenas vidas das pessoas. Olhou para as mãos, em seus dedos anéis cravejados de pedras preciosas, algumas tinham a cor da romã. Presentes de passados que tinha agora ali, quase que na palma de sua mão. Não havia lugar para uma bomba.

Miss E.
Pontos: Sem votos ainda
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Autora: MissE
Parecia com o cinto de utilidades, aquele do Batman, tinha tudo o que poderia ser necessário um dia naquela mochila. O guarda-chuva para as tardes de verão, o chiclete de menta para os encontros inesperados, o canivete para cortar as amarras mais teimosas, uma garrafa de água para matar a sede de viver, entre muitas outras coisas. Ah, e não posso esquecer, uma foto sua para nunca, nunca me esquecer de você.

Miss E.
Pontos: 5
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Autora: MissE
Como é doce quando você olha para mim, diminuindo a distância a ponto de eu sentir você olhar dentro de mim. Aproximando os olhares, mundos e os quereres. Tudo que vem de você é doce. Você ri desse exagero, mas tudo em você me atrai. A calda doce de seu riso, sua respiração, as pupilas se dilatando, a boca entreaberta, as frases meticulosamente montadas... Falta alguma coisa? Tudo.

MissE
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Sorriso doce

Autora: Bia Ramos
Eu sei que é difícil compreender
Mas os sentimentos são assim, não são fáceis de entender
No momento estou pensando em aceitar
Mas só o tempo pode vir a me ajudar
O amor não é algo fácil de dominar
Compreendo que nunca irei saber fazer
Mas se você aceitar, juntas poderemos tentar

Outro dia estava me perguntando, como foi que aconteceu?
E sorrindo me lembrei que bastou apenas um sorriso DOCE seu
Para que a magia acontecesse, e finalmente eu entendesse
Que eu não precisava desvendar o amor, a única coisa que eu precisava
Era deixar o sentimento me dominar, porque só assim valeria a pena,
Ter você ao meu lado, pequena
E juntas deixar o amor nos guiar
Pontos: 20
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Autora: MissE
Não entende o que é o amor? Me chame pelo meu nome para entender. Mesmo que tal amor dure apenas um verão. Perceba quantos dias de sol, o céu imensamente azul sobre nossos chapéus, nossas braçadas no riacho cristalino e os poemas lidos ao ar livre. Haverão nossos risos e depois comeremos frutas maduras e doces.
Depois disso tudo você ainda pergunta se isso foi amor?

MissE
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A Sereia - Parte 8

Autora: Bia Ramos
Tomei um susto quando uma senhora perguntou ao meu lado, sorrindo ela sentou dizendo:
– Desculpa, não queria te assustar.
– Tu... Tudo bem... – disse apenas me recompondo, ainda sorrindo, insistiu:
– E então, o que te atormenta?
– Como assim?
– Ah minha filha, está na cara que alguma coisa está atormentando você. – desviei os olhos daquela senhora, não disse nada, fiquei olhando para os meninos que jogavam bola e depois de longos minutos disse apenas:
– Se eu contasse, não iria acreditar. – sorrindo ela pousou a mão em meu braço e disse apenas:
– Porque não tenta?
Inspirei fundo, não sei o que ela tinha, mas algo me dizia que podia confiar nela, no começo hesitei um pouco, mas acabei contando a história toda, sem omitir nada, e como se tirasse um peso enorme do meu peito, quando finalizei, estava calma e totalmente relaxada, ela era uma boa ouvinte, escutou até o fim e no final, disse apenas:
– E você está com medo do que pode estar sentindo. – não foi uma pergunta, olhei para ela apenas concordando, sorriu: – Já parou para pensar que isso pode estar predestinado para você?
– Você fala de destino?
– Sim, não acredita?
– Eu... E não sei mais em que acreditar.
– Eu acredito em você, acredito que o que me contou é verdade.
– Sério, não acha que estou louca?
– Você ouviu a moça cantar, tocou e viu ela. – sorriu, levantou e deu dois passos à frente: – E eu tenho quase certeza de que também gosta dela.
Olhei para a senhora na minha frente, ela estava falando sério, em momento algum vi traços de que estivesse curtindo comigo ou com as coisas que falei, fiquei pensando no que ela havia dito, e aquele calor tomou conta de meu corpo, senti meu coração mais leve, sorri, disse apenas:
– Eu gosto sim, mas tenho medo desse sentimento.
– Então você assume que sente algo por ela, está apaixonada?
– Também não é assim... – levantei, sem jeito, desviei os olhos dela dizendo apenas: – Sinto algo por ela, mas não chega a ser paixão.
– Está falando isso para mim, ou para você mesma? – como ela podia me conhecer tão bem? A olhei e perguntei:
– Qual é o seu NOME?
– Pode me chamar de Esperança.
– Sugestivo... – ela sorriu, se voltou em minha direção, colocou as duas mãos em meu rosto e disse apenas:
– Siga o seu coração, só ele pode te mostrar o caminho, confie nele, é o único conselho que te dou.
Sorriu e abaixou os braços, saiu andando lentamente com as mãos para trás, quando ela estava a uma boa distância, perguntei:
– Porque ela escolheu a mim?
– Procure a resposta dentro de você, e quando souber de verdade o que realmente sente por ela, diga em voz alta e verá a verdadeira magia acontecer.
Passei a mão na cabeça, aos poucos aquela senhora se afastou e logo sumiu, sorri, deveria ter imaginado aquilo. Sentei novamente e ali fiquei por muito tempo, quando olhei em volta, vi que todos tinham ido embora, o sono começou a bater, levantei e fui embora, andando sem pressa, seguindo dessa vez, pela orla da praia.

Termina em... #PortaAberta
Pontos: 13
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Momentos

Autora: Bia Ramos
Cheguei cansada, entrei e sentei
Dormindo eu estava, nem liguei
Ouvi um barulho, um olho abri
Quase fecho de novo, mas um som ouvi
Cantava “Momentos” da Isa Tavi
“Vou te caçar na cama, sem segredo, e saciar a sede dos desejos!”
Abri os olhos, me envolvi
Ela apareceu do nada, e eu já senti
O desejo aumentar, e aquela TOALHA tirar
Para o meu colo trazer, e sentir o prazer
No momento aproveitar
E assim ter certeza, que não a nada melhor
Do que cansada chegar, e ter alguém a me esperar
A mais bela das mulheres sem pressa eu amar.
Pontos: 14
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Autora: MissE
A mesa estava cuidadosamente posta. Queria agradar depois do terrível erro. Por que se deixava levar assim pelas emoções sem pensar exatamente nas consequências? Escolhera uma toalha de linho branco, tão alva que dava um ar solene àquele jantar. Depois o aparelho com motivos dourados e azuis. Os talheres simetricamente alinhados nas laterais dos pratos. Os copos de cristal, com desenhos geométricos deformam as imagens de tudo o que estava atrás. Dos mini vasos com astromelias intensamente coloridas aos castiçais, tudo estava muito bem planejado. Ela entrou na sala e observou a mesa arranjada. Eu comecei a falar, por favor me perdoe, eu cometi um erro, mas...
Foi então que ela caminhou em direção à mesa e num gesto brusco puxou a toalha alva com toda a fúria que sentia, lançando tudo para o ar e acabaram por se espatifar no chão, algumas em mil pedaços.

MissE
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Autora: MissE
Ah! Essa música, não! Não pode ser! Eu falava com o rádio, quer dizer, eu falava, mas o rádio não me respondia. Não exatamente como uma pessoa, supostamente, o faria. Mas, me respondia com músicas, com as falas dos locutores e até algumas propagandas. Essas conversas tocavam fundo em mim. Imaginem algumas músicas que parece terem sido feitas e cantadas só para dilacerar nossos corações, então ia lá no fundo da alma e do coração. O exemplo disso é eles tocarem bem agora a nossa música. Aquela que combinados sempre lembrar uma da outra, não importando onde estivéssemos. Só não imaginamos isso, quando tudo o que resta são só lembranças mesmo, pois vc já não está mais aqui.

MissE
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Pontos: 5
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Autora: MissE
Já conversávamos há algum tempo de forma virtual, no início era uma troca de impressões, pensamentos e informações sobre o universo literário, sobretudo a parte relacionada ao feminino: autoras e personagens. Com o tempo foi virando uma conversa mais intensa, havia defesas apaixonadas de pontos de vistas com concordâncias e assimetrias. Não me lembro bem, mas me parece que de um dia para outro, comecei a esperar o momento de teclar com ela, ficava esperando a mensagem de quando ela chegasse e as conversas começaram a incluir gradativamente pergutas para descobrir mais sobre a outra. Nós participávamos de um grupo de Livros Escritos por Mulheres numa rede social, foi assim que tudo começou. Um dia ela me disse que não aguentava esperar o momento do dia para falar comigo, aquilo me deixou sem fôlego e a partir daí, não eram mais conversas mas uma aproximação vertiginosa, estávamos em rota de colisão. Móravamos em cidades diferentes e um dia combinamos de nos conhecer, viajaríamos para uma cidade turistica. Sem contar o medo e a aflição de encontrá-la, como seria conhecer ela? E se ela não gostasse de mim na vida real como tinha sido até então? Aquilo me deixava passando mal, suava frio e tinha taquicardia.
Numa praça ao lado do hotel, ficamos frente a frente pela primeira vez. Ensaiei algumas palavras que saíram muito estranhas, ela também estava muito nervosa. A ansiedade corroendo tudo que podia, tanto que comecei a coçar os braços e quando olhei para eles, haviam manchas vermelhas pipocando e coçando muito. Fiquei muito constrangida e pensei em ir embora me coçando quando ela me segurou gentilmente e disse que iria cuidar daquilo, que iria cuidar de mim. Ela foi a causa e a minha cura ao mesmo tempo.
MissE
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Autora: MissE
- Quem está falando aí?
- Sou eu! Você não está me reconhecendo?
- Não é você, não. Você jamais falaria assim comigo!
- Mas, meu amor... É claro que sou eu! Você está me desconhecendo?
- Não conheço mesmo! Você nunca iria tentar entender o meu lado da história.
- Credo! Até parece que só penso em mim.
- Isso mesmo, por isso não é você!
- Escuta amor, olha... vamos fazer as coisas diferentes daqui pra frente...
- Ah! Não vai me enrolar com essa conversa mole. Já te conheço muito bem!
- Meu amor, estou tentando explicar...
- Quem é você afinal de contas?
- Sou eu, meu amor. Por favor, me escuta!
- Ha ha ha ha ha... Por favor? Você só pode ter clonado o telefone do meu amor
- Sou eu, sou eu, sou eu! Pelo amor de Deus!
- Ah, é clone sim. Invocou Deus, é clone sim. É clone. Vou te bloquear!
- Espera...

MissE
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A Sereia - Última Parte

Autora: Bia Ramos
Quando estava próxima ao meu apartamento, notei alguém sentada na areia da praia, aquela visão fez meu peito se alegrar, sorri e corri em direção a ela, mas ao me aproximar, alguém chegou até ela primeiro, sorriu e ela se jogou em seus braços. Senti uma pontada no peito, não gostei de ver aquela cena, me aproximei e puxei a pessoa, que sem entender me olhou confusa:
– O que pensa que está fazendo?
– Eu... desculpa. – olhei constrangida para os dois, não era ela, dei um passo para trás e disse apenas: – Eu achei que fosse alguém que eu conhecia, sinto muito.
– Da próxima tenha mais cuidado...
Me afastei do casal, o que aconteceu comigo? Estava com ciúmes? Sim, aquele sentimento esmagador, e depois o alívio de ver que não era ela lá. Os dois se afastaram de mim, ainda me olhando como se eu fosse uma doida. Olhei para a água que quebrava nas ondas, uma atrás da outra em sequência, sorri sussurrando:
– Como eu pude ser tão cega, e não ter percebido antes...
Balancei a cabeça, agora eu entendia, foi eu quem a escolhi, naquela noite há dois quando vi aquela estrela cadente e fiz um pedido, na ocasião estava brincando na água, lembrei de uma cena que eu vi no filme da Pequena Sereia, quando a Ariel salvou o príncipe, e no final eles ficaram juntos, mas antes disso, uma maldição quase os separou.
Um conto de fadas, mas o meu pedido foi realizado, sorri, lembrei do que aquela senhora havia dito. “Diga em voz alta, quando descobrir o que realmente sente!”
– Eu a amo... – gritei bem alto: – EU A AMO...
Começou a chover, levantei o rosto recebendo os pingos gelados, seria aquela a magia da qual a senhora havia dito? Olhei em volta e a mulher... Sereia, não apareceu, claro, estava magoada. Não vou dizer que não senti medo. Medo dela nunca mais aparecer, medo de tê-la perdido para sempre, abaixei a cabeça, sussurrei, mas pra mim do que para ela: – Eu sinto muito!!
Voltei para casa, teria que conviver com aquilo e seguir em frente. Quando saí do elevador que peguei as chaves em meu bolso, notei de longe que a PORTA do meu apartamento estava ABERTA, olhei em volta, passava da meia noite. Ia pegar o celular, mas lembrei que havia deixado em cima da cama, lentamente fui me aproximando da porta, minha cabeça dizia: “Vá pedir ajudar!” meu coração gritava: “Siga em frente!”
Entrei e não ouvi barulho, na sala não tinha ninguém, olhei em volta, a cozinha estava vazia... Meu quarto também estava com a porta aberta, olhei e não tinha ninguém, mas a luz do meu banheiro estava acesa. Um passo atrás do outro, segui em frente, tinha alguém tomando banho na minha banheira.
Um ladrão não entraria no meu apartamento para tomar banho, quando virei as costas para pegar meu celular que estava na cama, alguém falou lá de dentro:
– Pensei que você nunca fosse chegar. – reconheci a voz, virei e entrei no banheiro, disse apenas:
– Como? – sorriu, colocou uma das pernas sobre a borda da banheira e disse:
– Sempre me imaginei tomando banho em uma dessas.
– Como chegou aqui? Como sabia que era esse meu apartamento?
– Te observei por muito tempo, escutei conversas, desejei poder estar aqui com você a cada segundo desse tempo. – desviou os olhos, mas continuou: – Senti ciúmes das mulheres que trazia para cá, mas estava feliz, porque você se sentia feliz, e isso me inspirava a seguir em frente.
Me aproximei mais dela, notei suas pernas bem torneadas, não pude evitar, ela me olhou e sorriu, meus olhos cruzaram com os dela que se levantou, esticou a mão que peguei sem hesitar, disse emocionada:
– Você disse que me ama?
– Sim... Mas achei que fosse tarde demais...
– No momento em que disse essas palavras, o encanto se quebrou, e automaticamente fui transportada para cá, achei que podia realizar um de meus sonhos antes de você chegar.
– Eu ainda custo a acreditar... – ela se aproximou mais, seus lábios estavam próximos aos meus, sorriu sussurrando:
– Então me beije antes de você acordar e ver que tudo pode ter sido apenas um sonho.
Abri a boca para argumentar, mas ela foi mais rápida, seus braços enlaçaram meu pescoço, seus lábios colaram aos meus e sua língua entrou buscando a minha. Sem demonstrar resistência a beijei também... Minhas mãos foram de encontro a pele nua de suas costas, apenas a abracei colando nossos corpos e deixamos o momento nos guiar.

Fim
Pontos: 20
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Autora: MissE
O destino mudou o rumo de nossas vidas. Aquela trilha de areia que fizemos, de repente não pudemos mais seguir, quando o farol apagou. Não dava pra enxergar nada e nós tentávamos nos achar. Quando chegou a fase de acusações quando vc disse que a culpa era minha pelo farol ter se quebrado. Resolvemos nos separar, já não dava mais, não daquela forma. Choramos. Gritamos. E separamos. Às vezes, vejo aquele tempo que um dia foi feliz e me pergunto se deixamos alguma porta aberta.

MissE
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Pontos: 3
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sorbre superstições

Autora: Paula Chiodo
ao longo dos anos, eu me tornei uma mulher de superstições, manias excêntricas, e algumas tradições recém adquiridas. você não leva muito a sério meus incensos, banhos e meditações em lua cheia. às vezes, dá uma risadinha sobre alguma mania, como eu não passar por debaixo de escadas.
tudo bem, né? cada uma com suas loucuras.
tempo para trás, você abriu a porta da entrada do meu apartamento para sairmos. e eu tenho essa coisa que você não pode abrir a porta da casa dos outros se você tem a intenção de voltar. você sabe disso, já fiquei parada feito estátua na porta da tua casa, esperando você rir da minha cara, abrir a porta e me dar um beijo de tchau.
naquela manhã corrida, você abriu a porta e gelei. um arrepio percorreu meu corpo, e eu exclamei chateada que não era para você ter aberto a porta. .
- eu abro, você fecha. olha que bonitinho.
você sorria. eu, de fato, achei querido e bonitinho o “jeitinho” que deu para minha superstição. te beijei os lábios e seguimos os nossos dias.
só que o dito é claro “não abra a porta se você quer voltar”. e aconteceu o que era previsto.
você não voltou no fim daquele dia. nem no próximo, nem no outro. e assim, percorremos uma, duas, três semanas.
nessas alturas eu já nem sei se você vai voltar. é, eu sei. eu sou dramática, eu vivo tudo no extremo e tudo só para mim também. eu não falo. não sei transbordar para ti o que eu sinto. é medo, insegurança, e sei lá mais o que eu acumulei de corações doídos.
sei que apesar de querer culpar a porta, a superstição e até mesmo você, a culpa não existe. não tem falhas, erros e acertos. acho que estamos no prefácio dessa jornada e sendo apresentada à trama que virá.
eu escrevo para dizer que a porta que você abriu, segue aberta, bonita.
E S C A N C A R A D A.
os vizinhos e alguns amigos já me pediram para fechar. só que não fui eu que abri. foi você e é você que eu espero que venha fechar.
e quando vier, se vier, espero que queira voltar.
desejo que queira entrar também.
e se você entrar, eu prometo que vou falar de forma clara e sem ruídos: fica.


você pode acompanhar mais textos pela #contosdegin ou no @paula.chiodo no instagram
Pontos: 205
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Ela e eu

Autora: Lauren Soza
Ela chega silenciosa, me invade, me azucrina..
Ela chega eu piro, viajo, me liberto..
Ela chega e me aviva!
Eu por ela me derreto, me abro, me escancaro!
Eu por ela me dispo de toda minha fortaleza e a deixo fazer de mim, seu brinquedo...
Eu por ela nada nego, só me entrego!
Ela vasculha meu ser e me mostra suas descobertas...
Eu sou não e ela sim, sim, sim...
Ela é fogo, desejo e eu equilíbrio!
Eu me perco e nela me encontro, me encaixo e me acho!
Nós duas, somos uma, somos únicas!
Eu dela vivo, me alimento, me sustento...
Ela de mim se serve, se enobrece!
Eu quero, ela quer mais.
Ela deseja, eu realizo.
Eu peço, ela dá.
E assim a gente vai...
Deixo a porta aberta e ela silenciosamente todo dia, entra...
E assim a gente vai...
Pontos: 5
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Autora: MissE
Nunca vivi instantes como estes, a procura da palavra exata, do sentido, da frase que melhor diria o que vai pela mente, pelo corpo, pelo desejo. A cada tema, como uma provocação fazia disparar a imaginação.
A questão do tempo também, dias sem poder pensar na estória, os temas se acumulando, aflição de não conseguir atingir a linha de chegada. Tudo isso acabou criando algo como se fosse um vício e é muito difícil dizer adeus.

MissE
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Pontos: 5
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