Capítulo 24 - Pesadelos
Os dias que se seguiram no hospital, foram assustadores e deprimentes. O resultado dos exames saiu abalando as estruturas e expectativas das duas. O caso era grave. Kahty apresentava Leucemia Mieloíde Aguda (LMA) Grau II, e precisava começar a terapia de indução de remissão quanto antes. Iniciou a quimioterapia na mesma semana. Ela se sentia enjoada, perdeu peso rapidamente e estava mais abatida do que antes. Aquilo definitivamente parecia não ter fim. Enquanto a rotina do tratamento a consumia aos poucos. Angie não se conteve e várias vezes, chorava sozinha no banheiro, para que a morena não visse seu total desolamento. Ela se desdobrava entre o trabalho e o hospital, para não deixar Katherine sozinha num momento tão delicado como aquele.
Dr. Gabriel incluiu o nome de Katherine na lista de transplantes. Com a doação, as chances de sua paciente seriam maiores. Angie se submeteu aos exames para saber se era compatível para a doação e infelizmente os resultados não foram satisfatórios. Kathy passou a ser acompanhada por um especialista que de cara se estranhou com Angélica.
- Esse é o Dr. Caio, ele é especialista em casos como o seu Kathy, é o mais experiente nesse assunto.
- As notícias não são boas...- o médico começou com a cara amarrada. – Preciso que entendam que isso não é pessoal, a situação é muito grave.
- O que quer dizer? – Angie se adiantou franzindo o cenho.
- Desculpe, mas o que você é da paciente?
- Ela é minha namorada.
- Humm – o médico torceu o nariz com a informação, mas continuou com sua obrigação. – Srta Katherine, não vou ficar aqui dando explicações científicas porque acho totalmente desnecessário, uma vez que vocês não entenderiam, então o que tenho para dizer é "seu caso é grave", o tratamento é de alto custo e duvido que ajude muito.
- O. Que. Quer dizer com isso? - Angélica sibilou. O sangue sumindo em sua face. Kathy sentiu um nó na boca do estômago, um calor nauseante tomando seu corpo, enquanto a garganta fechava num sufoco e os olhos ardiam ameaçando chorar. Aquilo era um pesadelo com certeza e em breve acordaria no conforto de sua cama, esperou em vão, mas nada acontecia e as palavras do médico pareciam vir de outra dimensão.
- Que já vi outros casos parecidos com esse, e as chances de cura com o tratamento são mínimas, precisamos de um doador o quanto antes.
- O que o senhor está fazendo? Que espécie de profissional o senhor é?
- Não gosto de dar falsas esperanças aos meus pacientes.
- O senhor devia ter escolhido outra profissão... ela só tem 27 anos... como pode... - o choro convulsivo de Angie encheu o quarto, tirando Katherine do torpor em que estava.
- Calma Angie está tudo bem... - conseguiu dizer, mas mentia para si mesma, pois não estava nada bem, apenas queria terminar com aquela conversa nauseante e ir para casa.
- Calma nada – Angélica explodiu. - Por favor saia daqui... - ela viu o médico virar a costas e sair do quarto, então se voltou para Kahty.
– Olha, nós devíamos procurar outras opiniões, podemos ir para o exterior, procurar um tratamento adequado, não vamos ficar aqui e esperar acontecer... - Angélica estava descontrolada.
- Ei... não precisa ficar assim, está tudo bem... se acalme... - se abraçaram e o choro veio em profusão.
- Você é minha vida Katherine, não posso deixar que isso aconteça.
Katherine não sabia o que pensar e dizer alguma coisa parecia impossível para ela. Era como se estivesse ao lado da cena presenciando seu triste diagnóstico.
- Eu não vou te perder pra essa doença, Katherine, não vou!
Quinze dias depois elas deixaram o hospital. Katherine recebera uma dose de medicação paliativa, uma vez que entraram em acordo com Dr. Gabriel, que iriam optar inicialmente pelo tratamento, a fim de ver como o corpo de Kathy reagia as medicações.
Angie a convenceu de irem para sua casa.
- Vou fazer alguma coisa para a gente comer, você precisa se alimentar direito.
- Tereza não está?
- Não, ela pediu a conta, não trabalha mais aqui.
- Mas você me disse que ela trabalhava com você a anos, o que aconteceu?
- Bom... ela foi embora depois que percebeu que você dormiu em minha cama.
- Por que não me contou?
Angie balançou a cabeça num leve piscar de olhos.
– Por que isso não é importante, as pessoas precisam saber que eu te amo, e isso não muda quem sou, além disso, já contratei uma diarista. O que você quer comer?
- Eu posso escolher?
- Não temos muita coisa na geladeira, mas... – ela abriu uma gaveta do armário da cozinha com vários panfletos e colocou-os na mesa. – Temos disque comida italiana, mexicana, árabe...
Kathy segurou em sua mão, girou-a para si e olhando em seus olhos, beijou-lhe os lábios ternamente. Angélica retribuiu o beijo com paixão e deliciou-se quando as mãos de Kathy percorreram suas costas delicadamente.
- É melhor não começar... – Angie interrompeu o beijo quase sem fôlego.
- Por que? Ainda sente medo de me desejar?
- Por que você insiste nessa ideia?
- Eu percebo em seus olhos..., desde a primeira vez.
Angélica piscou embaraçada e segurou em sua face acariciando seus cabelos negros, tentando se controlar para não beijá-la loucamente, já que estavam tão próximas.
- É que nunca me senti assim com ninguém e isso me assusta. Além disso, estou cheia de saudades, mas você acabou de sair do hospital.
- E me sinto ótima - Katherine completou. – Essas bolsinhas de sangue, fazem mesmo um milagre.
Kathy não deixou Angie falar mais nada, e beijou-lhe intensamente com todo desejo que sentia. Angélica retribuiu, mergulhando enfim em seus lábios macios numa entrega total.
- Vem minha criança! - disse-lhe, levando-a pelas mãos ao aconchego de seu quarto.
Kahty se deliciou ao chamado da mulher que implorava pelo seu toque. Despiu-a com a precisão de uma artista ao tocar seu instrumento favorito, explorando cada pequeno detalhe de seu lindo corpo, enquanto observava com cuidado a expressão de seu rosto. Angélica copiou seus gestos deixando-a lindamente nua. Katherine deslizou as mãos com delicadeza pelas costas e nuca, antes de colar em seus lábios, puxando-a para si. Seus seios roçaram uma na outra, o contato dos corpos nus as enlouquecendo, tornando tudo mágico. A sintonia entre as duas era algo que vinha da alma. Kathy deitou Angie sobre os lençóis e percorreu as mãos pelo corpo delicioso a sua frente, numa provocação deliberada.
- Quero ouvir você pedir! – sussurrou ao seu ouvido, a voz rouca de desejos.
Angie sorriu docemente, mergulhando os dedos nos cabelos negros e aproximou sua boca da dela.
- Faça amor comigo – ela pediu antes de grudar em seus lábios, deixando Katherine completamente fora de si.
As mãos já pareciam ter vontades próprias e bailavam por seus corpos ardentes.
Beijaram-se, tocaram-se, amaram-se. Uma sensação alucinante tomando conta delas, e só o que ouviam eram seus gemidos de prazer.
Angélica estremeceu e gritou quando sentiu o corpo convulsionando em chamas, trazendo Kathy consigo, apertando-a mais contra si como se pudessem se fundir em um só ser. Permaneceram assim abraçadas, com as respirações ofegantes e os corpos trêmulos após as longas horas de prazer. Angie se encolheu na cama como uma menina. Katherine a aconchegou ao seu abraço, fazendo-a sentir o calor de seu corpo e acariciou os cabelos ruivos com ternura.
- Kahty! - ela se virou procurando seus olhos. – Promete pra mim que vamos procurar a opinião de outro médico?
Katherine olhou para ela ternamente, e permaneceu em silêncio pensando. Desde a notícia no hospital e de sua crise de choro, não haviam mais tocado no assunto. Preferia fingir que nada havia acontecido, e viver um dia de cada vez, quem sabe aquilo não seria apenas um sonho ruim que tivera. Por outro lado Angie queria gritar, precisavam tomar uma atitude, e aquilo a estava matando, literalmente, queria que Kathy lutasse enquanto ainda houvesse esperança, que pedisse aos pais e familiares que fizessem exames de compatibilidade, queria jogá-la em um avião e partir para o exterior procurando novidades em tratamentos, mas sabia que precisava ir com calma. Katherine estava assustada, e o pânico parecia lhe entorpecer.
- Sei que passou uma provação difícil no hospital, mas não pode simplesmente esperar acontecer - Angie insistia com a voz angustiada.
- Está bem meu anjo eu prometo que vou com você – permaneceram abraçadas por algum tempo até que Kathy adormeceu.
Angélica se levantou com cuidado, resolveu ir ao mercado, já que não almoçaram, faria o jantar e compraria algumas frutas. Deixou um bilhete e um lanche natural pronto, no caso de Kathy acordar com fome.
No caminho ligou para Cecília:
- Cecília? Sei que ainda está magoada comigo, mas por favor não desligue.
- Angie? Eu não estou mais magoada com você.
- Não?
- Não, se essa mulher te faz feliz, eu respeito sua decisão. Sempre tive amigos gays, e respeito todos eles, por que não iria te respeitar. Na verdade acho que te devo desculpas.
- Que bom ouvir isso.
- Também estou aliviada. Não sabia mais o que dizer a Lara, ela quer te ver, está morrendo de saudade.
- Eu também.
- Posso levá-la a sua casa amanhã então.
- Ceci, escute, Kathy está doente - a voz aflita de Angélica revelava a Cecília que o caso era grave, conhecia bem a irmã e essa entonação não soava nada bem.
- O que ela tem?
- Está com leucemia...
- Não precisa ficar assim Angie, sabe que existem muitos tratamentos, hoje em dia a medicina está muito avançada nesses casos.
- Eu sei Ceci, mas parece que o caso dela é grave.
Fim do capítulo
Comentar este capítulo:
Luh-Castro
Em: 07/04/2016
Que capítulo triste foi esse...Chorei...
Lindo o carinho e o cuidado q a Angie tem com sua morena.
Não deixe nada de ruim acontecer com a Kathy, por favor.
Vai Lara, acaba logo com o sofrimento delas e das sua leitoras tbém.
Bjos.
Resposta do autor em 08/04/2016:
Olá Luh! Oh Lord! estou ficando com peso de consciência com tantas moças falando que chorou... Desculpa minha querid@ e Obrigada pelo carinho que teve em todos os comentários.
Bjos
[Faça o login para poder comentar]
patypastel
Em: 07/04/2016
Já Imaginava q esse capitulo seria triste assim!! 😢 Espero que vc não a mate!! Não vou aguentar! A Angie não precisa aprender a dizer adeus!
Resposta do autor em 08/04/2016:
Oi Paty, não fique triste, é apenas uma história de ficção. Agradeço por comentar.
Bjos querid@!
[Faça o login para poder comentar]
fefe
Em: 07/04/2016
Ah mas você sendo uma autora MARAVILHOSA QUE ESCREVE DE UMA MANEIRA UNICA E PERFEITA não vai me fazer chorar vai? Por favorzinho não Mata ela 😢😢😢
Resposta do autor em 08/04/2016:
Oi fefe, muito feliz com os elogios , agradeço por acompanhar esse romance e pelo carinho em seus comentários.
Bjos querid@!
[Faça o login para poder comentar]
perolams
Em: 07/04/2016
Depois desse capitulo, o título "Me ensina a dizer adeus" me deixou com uma pulga de Itu atrás da orelha, será que Angie terá que dizer adeus ao amor da sua vida? Kathy tem que avisar sobre sua doença pelo menos a Gregório, pois ele é um bom amigo e pode ajudar as duas a passar por esse momento. Até a rainha do egoísmo deveria saber, vamos ver se ela faz algo que preste e mostre aos pais de Kathy o quanto a filha precisa deles todos no momento.
Resposta do autor em 08/04/2016:
Olá perolams, tô pra ver "pulga de Itu" rsrsrs então prefiro não comentar muito a partir desse ponto e somente agradecer todo o carinho nos seus comentários. Valeu por acompanhar esse romance.
Bjos querid@!
[Faça o login para poder comentar]
Mariliz Ramos
Em: 07/04/2016
Eita que esse capítulo foi muito emocionante, é lindo o Amor da Angélica essa proteção e segurança que ela transmite mesmo totalmente sem chão, cada dia mais apaixonada por essas duas Beijos
Resposta do autor em 08/04/2016:
Bjos Mariliz, Obrigado pelo carinho!
[Faça o login para poder comentar]
Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook:
[Faça o login para poder comentar]