Capítulo 3 - Mudanças
Após o casamento, Lizzie viajou em lua de mel, iria morar na fazenda dos pais de Afonso quando voltassem da viagem o que para Kathy significava um contato cada vez menor com sua amada. Diante das perspectivas ela procurou se refazer, se assumir. Decidiu que para isso precisava jogar as cartas na mesa em vez de se esconder e finalmente criou coragem para contar a verdade sobre sua sexualidade aos pais. A mãe que sempre desconfiou, mas nunca quis acreditar, desabou em lágrimas, seu pai por sua vez não conseguiu emitir uma palavra. Após o impacto da revelação, eles praticamente a intimaram para que saísse de casa, o que foi um choque para Katherine. Por sorte a joalheria em que trabalhava iria abrir uma filial em um shopping numa cidade próxima e ela acabou por comunicar seu interesse pela mudança. Não demorou muito para que seu pedido fosse acatado e em menos de um mês ela já estava de mudança, trabalhando como gerente na nova joalheria do shopping.
A cidade era pequena e as pessoas acolhedoras. Conseguiu alugar um apartamento próximo ao local de trabalho, o que facilitaria sua vida, assim poderia ir caminhando ao Shopping. O local não era o ideal, mas Katherine tinha planos de decorá-lo de forma que refletisse sua identidade. Ela não estava feliz, mas ao menos se sentia em paz.
Na primeira semana de trabalho, foi convidada para um “happy hour” após o expediente, tentou recusar de todas as formas, uma vez que ainda não havia colocado sua mudança em ordem, mas foi quase arrastada pelos funcionários e amigos de amigos da loja.
Por ironia do destino no local eleito, havia uma espécie de “karaokê”, e após alguns chopes não conseguiu evitar de segurar o microfone e cantar uma música, uma vez que todos da mesa se revezavam em cantar alguma coisa. A noite seguia agradável e todos pareciam se divertir.
Estava sentada sozinha na mesa quando foi abordada por uma mulher a tocar-lhe os ombros. -Oi!
Kathy se assustou com a ruiva bonita de expressivos olhos verdes que se aproximou da mesa. Os cabelos cacheados eram na altura dos ombros, e tinha um sorriso delicado quando falava:
-Ahh, Oi!
- Sou Angélica, posso me sentar um pouco? – a ruiva lhe estendeu a mão.
- Claro, sou Katherine, Kathy.
- Desculpe o atrevimento, é que não pude deixar de notar que tem uma voz maravilhosa, eu tenho um pub, no final desta rua, você toca também não?
- Sim eu toco. Violão. - Kathy respondeu um pouco tímida.
- Eu percebi - ela balançou a cabeça. – Quando segurei suas mãos.
Kathy franziu a testa.
- Por causa dos calos.
- Ahh sim... são inevitáveis para a alma do artista. - Angélica riu da observação.
- Então, estou sempre contratando pessoas para cantar, e...
- Não... me desculpe - Kathy interrompeu. - Eu não canto em público, acredite hoje fui forçada.
Na verdade os funcionários da loja quase obrigaram Katherine a cantar, se divertiam em colocá-la a prova.
- Por que? Você devia tentar.
- Sou tímida demais para isso, prefiro cantar para as paredes de meu quarto. - Angélica riu novamente. As pessoas que acompanhavam Kathy se aproximaram da mesa e ela rapidamente apresentou Angélica.
- Nós já estamos indo Kathy. - Avisou um de seus funcionários - Você vem com a gente?
Katherine observou melhor a ruiva a sua frente e a pressa em voltar para casa se acabou. - Acho que vou ficar mais um pouco.
- Tudo bem então a gente se vê na segunda.
Eles partiram e Kathy e Angélica ficaram conversando por algum tempo. Ao se despedirem Angélica a convidou:
- Amanhã vou receber alguns amigos para uma festa reservada, aparece por lá, assim você conhece a casa, eu lhe ofereço uma bebida e prometo que não vou obrigá-la a cantar. Pode levar alguém se quiser.
- Está bem, então..., a gente se vê.
Mal chegou em seu apartamento, Kathy entrou no chuveiro, tomou um banho morno e demorado, pensando um pouco em Angélica, parecia que se tornariam grandes amigas, essa palavra lhe trouxe a mente a imagem de Elizabeth. O que estaria fazendo? Será que já voltara de viajem? A dor da perda ainda era recente em seu coração. Precisava tocar sua vida e esquecer isso. Logo Lizzie estaria com uma criança nos braços. Tomara que esteja bem! Pensou consigo mesma. Se jogou na cama ainda sem roupa e caiu num sono profundo.
****
O dia seguinte passou rápido, já que Kathy não tinha nada para fazer a não ser arrumar a casa. Saiu para umas compras e aproveitou para descansar o máximo que podia, queria estar disposta para a noite.
Não foi difícil para ela encontrar o pub conforme Angélica lhe havia explicado. O local era pequeno e aconchegante, a mobília era rústica e a decoração inspirada na cultura inglesa, com diversas gravuras na parede e havia poucas pessoas.
- Oi, você veio? - Angélica se aproximou e a abraçou assim que a viu.
- É eu vim.
- Fico feliz, então o que achou? - Angélica olhou ao redor
- É muito agradável.
- Trabalhamos a meia luz, mas hoje é diferente, estou apenas recebendo amigos, e prefiro a claridade. - Angélica estava radiante, com um vestido floral e os cabelos levemente cacheados presos num coque muito bem feito que revelavam os traços delicados de seu rosto. – Vem vou lhe apresentar alguns amigos.
A maioria de seus amigos eram músicos, ou pessoas que trabalhavam para ela. De repente foram surpreendidos por uma criança que se aproximou gritando seu nome e a agarrando pelas pernas. Angélica a pegou no colo e recebeu um beijo gostoso no rosto.
- Feliz aniversário Lily! - ela disse, enquanto lhe entregava um pequeno embrulho.
- Oh obrigada! Onde está sua mãe?
- Está estacionando o carro. Quem é essa moça bonita?
- É minha amiga, Katherine. Kathy essa é Lara minha sobrinha.
- Lily?
- A Lara gosta de me chamar assim, mas a maioria me chama de Angie.
Kathy sorriu para a pequena dizendo:
– Olá Lara. Ahhh e obrigado pelo bonita, você também é uma linda criança.
- Não diga isso a ela, vai ficar convencida, e não vai te deixar em paz - Angie olhou em direção a porta antes de completar. - Kathy pode me dar licença por alguns minutos.
Saiu com a criança no colo e foi até a porta para receber a irmã, quando voltou Kathy já estava tomando um drink com alguns dos amigos recém apresentados de Angie. A noite foi agradável, Angélica foi uma perfeita anfitriã e Katherine se divertiu.
****
- Obrigado pelo convite - ela disse ao se despedir. – Devia ter me dito que era seu aniversário.
- Pra que? Não gosto de lembrar que estou ficando velha.
- Não está velha. Trinta e seis anos não é velha?
- Quem te disse isso?
- Eu perguntei... a sua irmã.
Angélica inspirou fechando um pouco os olhos. E pediu sorrindo.
- Promete que vai esquecer?
- O que?
- Minha idade? - ela tentou parecer séria, mais acabou rindo ao ver a cara de Kathy. – Está fazendo essa cara porque deve ter apenas uns vinte e cinco.
- Tenho vinte e seis.
- Ta vendo? Por isso não liga, é uma criança.
- Ahh, você é uma boba, está jovem ainda, e é linda.
Kathy observou que o rosto de Angie corou, parecia tão segura, mas ficara encabulada com o comentário.
- Eu preciso ir - ela falou quando o táxi que havia chamado chegou.
- Tudo bem obrigado pela presença, e apareça quando quiser.
- Eu vou virar freguesa.
Trocaram um beijo rápido no rosto e Kathy seguiu para o carro.
Fim do capítulo
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preguicella
Em: 11/03/2016
Ai, ai, minha ruivinha linda apareceu! 😍😍
Resposta do autor em 15/03/2016:
Pregui... que saudades dos seus comentários garota. Pelo jeito já vai querer tomar conta da moça... hehehe
Abs querid@
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Luh-Castro
Em: 11/03/2016
Adorei a Angie d84;
Quero mais.....rsrs
Bjos Lara ;)
Resposta do autor em 15/03/2016:
Oi LuH!, satisfação te encontrar por aqui. :) A Angie costuma fazer sucesso mesmo, mas tbm tem seus problemas pessoais, vamos ver o que vai acontecer.
Bjs querid@
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Pryscylla
Em: 11/03/2016
Como na maioria dos casos o preconceito começa em casa,e está na hora dela seguir em frente.
Bjus :)
Resposta do autor em 15/03/2016:
Olá Pryscylla, que bom que fez esse comentário, eu sempre procuro abordar os problemas que enfrentamos no dia a dia durante o conto, é bom saber que algumas pessoas tbm notam esse detalhes. Abs querida
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