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Decifra-me ou Devoro-te por KFSilver

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Capítulo 11

Amélia

 

“Se controla!”. Fechei os meus olhos, tentando ao máximo não me afetar por conta daquele contato insistente. “Esther é teimosa demais!”. Pensei, respirando fundo. Eu estava sentada entre as suas pernas, sentindo o calor do seu corpo em minhas costas, e suas mãos deslizando por elas. “Relaxa! Ela é rápida!”. Tentei me convencer, à medida que ela distribuía o protetor solar pela minha pele exposta.

– Ei, baixinha! – Manuela, chamou.
– Garota! Você já se mediu hoje? – Esther retrucou, era evidente a indignação em sua voz.

Mordi o meu lábio, segurando o riso, encontrando o olhar divertido de Daniele. Afinal, a diferença de altura delas, era praticamente nula.

– Como é que você deixou aquela megera, tomar partido da nossa festinha? – Falou aborrecida.

O sorriso em meus lábios morreu, com o que a linguaruda disse.

– Manuela! – Ralhei, estreitando os meus olhos em sua direção.
– O quê? – Olhou confusa – Você vive chamando ela assim! – Defendeu-se.

“Eu vou matá-la afogada!”. Prendi a respiração, sentindo o tapinha de Esther e o sorriso debochado de Daniele.

– Ei! – Esther riu.
– Mas, eu falo carinhosamente! – Emendei sem graça.
– Ah! Isso é muito consolador! – Retrucou, sorrindo divertida – Eu não tive escolha! – Deu de ombros – Mas, consegui convencê-la sobre o tema da festa! – Falou misteriosa com um olhar vitorioso.
– Que seria? – Manu, perguntou.
– Fantasias! – Esther respondeu.
– Oba! – Manuela jogou água sobre nós, com euforia.

Rimos e eu não contive a minha língua ferina:

– Pelo menos, ela já está a caráter! – Resmunguei.
– Eu ouvi isso! – Engoli seco, não conseguindo evitar o arrepio que causou em meu corpo pelo contato dos seus lábios em meu ombro – Está com frio? – Esther perguntou baixinho em meu ouvido.
– Um pouco… – Foi tudo o que eu consegui pronunciar, sentindo o olhar intenso de Dani sobre nós.

Envolveu o meu corpo em um abraço protetor, voltando a sua atenção para Manuela.

– Ela concordou com um preço! – Suspirou – A minha debutantes será do jeito tradicional! – Esther lamentou.
– Hmm… Festa à fantasia! – Manuela, não continha o sorriso travesso, sem dar atenção a Esther.
– Essa festa vai render… – Resmunguei, pressentido alguma malandragem de nossa amiga.
– Podemos chamar os meninos? – Manuela questionou curiosa.
– Sim! Vovó me deixou chamar toda a nossa classe para a festa! – Esther sorriu.

Estreitei os olhos, desconfiada.

– Que plano maligno ela tem? – Questionei com deboche.
– Nenhum! – Esther acariciou o meu rosto – Ela disse que quer conhecer os meus amigos. – Deu de ombros.
– Hmm… – Franzi a testa, incrédula.
– Ela está tentando, Mia!
– Eu não confio nela! – Falei com sinceridade.
– Eu também não! – Suspirou – Mas ela é a minha família… – Lamentou cabisbaixa.

Pressionei o meu maxilar, virando-me para ela, envolvi o seu rosto com as minhas mãos, beijando a pontinha do seu nariz.

– Nós somos a sua família! – Sorrimos em cumplicidade.

Foi apenas um segundo, mas sentir o seu hálito quente, o seu rosto tão próximo, engoli seco, sai gentilmente daquele contato, sentindo o olhar de Daniele sobre nós.

– Vamos? – Desconversei – Estou faminta!

Levantei, estendendo a mão para ela e chamando as meninas para lancharmos.

***

Faltando apenas duas semanas para entrarmos de férias, dedicamos ao máximo nos estudos, para não ficarmos de recuperação em nenhuma matéria. As provas finais, além de avaliar o nosso conhecimento adquirido naquele ano, definiria quais seriam as turmas para o próximo ano letivo.

– Anda, Manuela! Tenha foco! – Esther ralhou – Só depende de você, para passar nessa prova final de história! – Advertiu.
– Estou tentando… – Manuela resmungou.
– Então, me dá essa revista! – Esther exigiu, arqueando a sobrancelha.
– Mas, eu ainda não escolhi a minha fantasia! – Manu fez manha.
– Manuela! – Esther ficou séria.

Suspirou, inflando as bochechas indignada, Manuela, entregou a revista. Sorrimos.

– Tá bom, mãe! – Manuela fechou a cara, chateada.
– Agora você sabe como eu me sinto! – Provoquei a ruivinha, já que ela vivia rindo, quando eu era “vítima” desse jeito “autoritário” de Esther.

Esther revirou os olhos, sorrindo debochada. Estávamos em aula vaga, a professora de filosofia havia faltado e estava sendo substituída pelo treinador Luís, que nos deixou ler e conversar (desde que fosse baixinho, para não atrapalhar quem estivesse estudando para as provas daquele dia). Durante toda a semana, desde o beijo, eu tentei conversar à sós com Daniele, o que tinha se tornado impossível, já que Esther não nos deixava ficar sozinhas. Isso começou a me incomodar, me fazendo questionar o porquê daquele comportamento repentino. Sai dos meus devaneios, sentindo o calor da mão da loira na minha, por baixo da mesa. Retribui o sorriso, vendo ela indicar com o queixo para o treinador. Seguimos até o banheiro, depois de convencermos o treinador que precisamos ir, dando entender que estávamos “naquele período”, o que deixou ele corado, liberando a nossa ida.

– Finalmente! – Daniele suspirou aliviada.

Sorri, achando graça e fui verificar se estávamos sozinhas no banheiro. Barra limpa, peguei a loira pela mão, levando-a para o fundo, atrás das divisórias. Encostei na parede puxando a loira para perto, sorrimos.

– Enfim, sós! – Encarei o seu olhar, apreciando os traços do seu rosto sereno.

Daniele sorriu contida, encaixando o seu corpo no meu, acariciando o meu rosto e pescoço. Suspirei baixinho, arrepiando com o seu contato, sussurrei entre os seus lábios:

– Não íamos conversar? – Fechei os olhos, sentindo o seu hálito gostoso, acariciando-me.
– Depois… – Sussurrou, envolvendo a sua boca na minha.

O meu corpo arrepiava a cada contato com o dela, o chão parecia sumir aos nossos pés. Deixei as minhas mãos envolverem mais a sua cintura, colando nossos corpos, a sua boca era viciante! Não conseguíamos nos desgrudar e o calor aumentava. Suspirei baixinho entre seus lábios, recuperando o fôlego, a loira ficou com o seu rosto em meu pescoço, causando-me sensações que não saberia por em palavras, fazendo-me apertar mais a sua cintura, pedindo para ela parar, porquê alguém poderia entrar. A loira sorriu serena, concordando. Roçou a pontinha dos nossos narizes, deixando as nossas testas encostadas.

– Não sei o que você fez comigo, mas, eu não desejo parar! – Daniele confessou.

Rocei a pontinha do meu nariz no dela, antes de envolver mais uma vez a sua boca.

– Nem eu sei… – Murmurei, prestes a tomar novamente aqueles lábios, quando ouvimos alguém nos chamando.
– Meninas?

Assustadas, nós nos soltamos e tentamos nos recompor rapidamente, antes de Manuela se aproximar.

– O que vocês estão fazendo ai? – Olhou com curiosidade, indo lavar as mãos.

Engoli seco, ficando sem saber o que dizer, soltei a primeira coisa que veio em mente, para me arrepender em seguida:

– Procurávamos papel higiênico! – Respondi rapidamente.
– Ué, mas já acabou? – Questionou, após lavar a mão e entrar na divisória.
– Pois é, né… – Sentia o meu rosto ardendo – Mas, o que você veio fazer aqui? – Perguntei completamente desconcertada e cretina.

“Que pergunta idiota! Cala a boca, Amélia!”. Mordi o lábio, me recriminando e olhando de canto para Daniele que tentou ocultar o sorriso maroto.

– Além de usar o banheiro? – Retrucou, fechando a porta do banheiro – O treinador mandou vocês voltarem. – Ouvimos a descarga – Aliás, eu já estava achando que vocês tinham passado mal.

Abriu a porta, mas interrompi a sua saída, quando ouvi vozes alteradas se aproximando rapidamente, puxei Daniele para dentro da divisória com Manuela, espremendo-a contra a parede.

– Mas, o que você está fazendo? – Manuela reclamou com a cara contra os meus seios.
– Shh! – Pedi silêncio, reconhecendo as vozes.

Ouvimos a porta batendo, e som da torneira aberta.

– Vamos, Bruna! Pare de fugir e entregue logo a faixa de capitã! – Letícia exigiu.

Suspiro irritado, novamente a porta abrindo e fechando com certa violência.

– Não é por você ter a faixa, que isso te fará capitã! – Bruna retrucou – É preciso muito mais que isso!
– Sim! E por isso você será devidamente substituída! – Riu com vontade – Não consegue nem seguir simples ordens! – Debochou.
– Grande estratégia! Uma ideia genial! – Bruna ironizou – Executar um movimento com apenas intenção de impossibilitar o adversário de forma totalmente maldosa e antidesportiva! – Bateu palmas – Está de parabéns, hein! Vocês são excelentes atletas! – Riu contida.
– Fizemos muito mais do que você foi capaz! – Geyse retrucou.
– A diferença, é que eu fui obrigada! – Bruna respondeu ríspida.

Encarei Daniele, começamos a entender as atitudes de Bruna e isso nos preocupou. Tampei rapidamente a boca de Manuela, que deixou escapar um risinho nervoso, ela tinha essa terrível mania de rir em situações inoportunas.

– Pode tentar evitar ao máximo a treinadora, ela ainda está uma fera com você! – Geyse informou.
– E você acha que eu me importo? Aquela mulher é um monstro! – Bruna respondeu indignada.
– Pois você deveria! Afinal, ela conhece o seu segredinho sujo! – Geyse completou com desdém.
– Eu jamais devia ter confiado em você! – Lamentou – Achei que você gostasse de mim, pelo menos um pouco. – Murmurou.

Pude ouvir a voz de Bruna fraquejar.

– É, pode ter sido interessante… – Riso sarcástico – Mas, você nunca será um garoto!

Continuei encarando Daniele, sentindo os lábios de Manuela roçarem em minha mão.

– Querem saber? Fiquem com essa porcaria! Não vale a minha liberdade!

Ouvimos ela sair, e as meninas continuaram a falar, alheias da nossa presença.

– Finalmente terei a minha chance na liderança! Serei a pupila de Cássia! – Letícia falou com orgulho.
– Bruna é muito inocente! De qualquer maneira, Cássia ira falar com o pai dela, sobre a sua doença. – Geyse riu.
– Tenho pena dela… – Letícia debochou – Aquele homem parece ser violento.
– Quem mandou ela escolher ser sapatão? Assim ela aprende a gostar do que é bom! – Sorriram.

Ouvimos as vozes afastando e eu já tinha parado de sentir a resistência de Manuela, senti o seu corpo pesar.

– Manu? – Chamei, tirando a mão.
– Manuela! – Gritamos, acolhendo o seu corpo semiconsciente.

 

***
Esther

 

Suspirei, sentindo o cansaço mental e físico, afinal, mesmo sabendo que era errado, segui a minha intuição de tentar manter Daniele e Mia afastadas. O que no final acabou sendo uma ideia estúpida, devido ao meu desgaste evidente. Além disso, eu procurei fugir dos atentos olhos de Lúcia, me policiando para agir da maneira mais natural possível, perto dela.

– Que tal essa fantasia, Estherzinha? – Manuela perguntou.

Olhei desanimada para revista, já que Manuela precisava focar nos estudos, mas a todo momento, ficava dispersa com a ideia da sua fantasia para festa. Ajudávamos no que podia, estudando até mesmo no intervalo com ela, assim eu também poderia ficar de olhos nas outras duas. Suspirei, tentando não olhar para elas, estavam só sorrisos, isso me irritou e tomei a revista de Manuela, para ela finalmente se concentrar.

– Que saco! Já é passado! – Reclamou, remexendo-se na cadeira – Não sei porque é tão importante essa matéria! – Manuela fez muxoxo.
– Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la! (Edmund Burke) – Repeti as palavras que ouvi uma vez, para ela – Pense a respeito.

Nesse momento, Mia e Daniele se levantaram e foram até o treinador, trocaram algumas palavras e percebi que ele ficou sem graça, acenando com a mão, liberando a saída delas. Pressionei o meu maxilar, respirando fundo e voltando a minha atenção para uma Manuela entediada.

– Se concentre de uma vez, Manuela! – Falei séria.

A garota esbugalhou os olhos, sentando direito e focando no livro a sua frente, ela sabia que eu não estava mais para brincadeiras. Depois de um tempo, ouvi Manuela murmurando, sem tirar os olhos do livro.

– Onde será que foram o tico e teco?

Suspirei em resposta, tentando me concentrar na resenha do livro que eu teria que entregar.

– Termine logo isso, Manu! – Falei no mesmo tom.

Já estava na conclusão da resenha quando Manuela começou a se contorcer na cadeira.

– Tá com formiga? – Questionei, sem tirar os olhos do papel.
– Ai! – Gem*u agoniada.
– O que foi agora? – Suspirei irritada, encarando-a.
– Preciso ir fazer xixi e àquelas duas ainda não voltaram! – Fez beicinho.

Olhei para o relógio, dez minutos. “Que droga, Amélia!”.

– Será que elas estão cagando? – Sussurrou.
– Manuela! – Ralhei, já sabendo que o motivo era outro.
– O quê? – Olhou confusa – Você também cag… – Interrompi.
– Vai logo pedir para o treinador! – Cortei seca, o comentário desnecessário.
– Você é muito fresca! – Resmungou, levantando-se.

Manuela praticamente implorou para sair, foi quando ele se deu conta da demora delas, já que estava entretido lendo um jornal. Respirei fundo, concluindo o meu trabalho. Alguns minutos depois, as três retornaram, Manuela se aproximou um pouco abatida, enquanto as outras estavam sérias. Observei o treinador fazendo sinal, que estava de olho nelas, e Mia, gesticulou um pedido de desculpas.

– Você está bem, Manuela? – Toquei a sua face, preocupada.

Percebi a troca de olhares, antes dela responder:

– Estou sim, Estherzinha. – Se abanou – Só fiquei com um pouco de falta de ar. – Falou com certa ironia, olhando de relance para Mia.

Não entendi nada, menos ainda, com algumas frases que me pareciam dúbias de Manu para as meninas, e elas respondendo no mesmo tom. Na saída, não tive como impedir aproximação delas, já que infelizmente, Mia foi mais rápida no pedido para ir na casa de Daniele, me impossibilitando de chamá-la para almoçar comigo e meu pai, como estávamos fazendo durante toda semana. Resignada, me despedi delas e fui até o carro, dando carona para Manuela.

– Droga! – Exasperei, jogando a minha mochila no canto do quarto.
– Isso são modos, Esther? – Voz austera.
– Vó?! – Falei assustada, encarando-a.

Entrou no meu quarto, aproximando-se.

– Assim quis o destino. – Beatriz mantinha a expressão séria, avaliando-me.
– Desculpe. – Falei cabisbaixa – Não sabia que estava em casa.

Silêncio. O meu corpo havia ficado tenso com a sua presença, e ela deu alguns passos pelo ambiente, antes de falar:

– Pensei que poderíamos almoçar juntas.

Fiquei muda apenas um instante, afinal, normalmente estava almoçando com o meu pai em algum restaurante ou sozinha em casa.

– Sim, claro. Eu só preciso me lavar antes. – Pedi.

Torceu ligeiramente o lábio, um pouco contrariada, mas concordou, olhando com curiosidade.

– O que pretende vestir na sua festa? – Avaliando-me.

Engoli seco, desconfortável com aquele olhar minucioso.

– Ainda não sei.
– Precisa estar elegante! – Determinou, indo até o meu closet – Fernando ira apresentar Miriam a todos, independente dessa… festa – Falou com desdém – Como anfitriã, você tem obrigação de estar impecável! – Olhou minuciosa para as minhas roupas guardadas, encarando-me – Vista algo apropriado de uma Guillot! – Aproximou, tocando o meu rosto com a ponta dos dedos – Seja uma princesa. – Afastou a mão, esfregando os dedos, indo para a porta – Não demore! É deselegante deixar alguém esperando. – Saiu.

Assenti atordoada, esfregando os braços, tentando afastar o calafrio que percorreu o meu corpo.

***

Finalmente tocou o último sinal, encerrando assim aquele ano letivo. Esperamos a multidão debandar um pouco, antes de Manuela respirar fundo, soltando um:

– Estamos de férias! – Sorriu marota, rodopiando sobre os calcanhares com os braços esticados.
– Menos, Manuela! – Daniele riu, tentando não ser atingida pelo “pião” ruivo.

Manuela soltou uma risada cristalina, segurando-se na loira, tentando se manter em pé, por conta da tontura.

– Dessa vez foi por um triz, que eu não peguei recuperação em história! – Desdenhou a matéria – Eu tenho é que comemorar a minha doce liberdade! – Sorriu.
– Você tem é que estudar! – Fingi seriedade, abrindo um sorriso e abraçando-a – Férias! – Nos livramos das mochilas, rodopiando pelo pátio.

Riamos, sabendo que estávamos sendo observadas pelas meninas e pelos demais estudantes que ainda estavam se retirando.

– Vou fingir que nem conheço essas duas! – Mia balançava sutilmente a cabeça em negação, sorrindo.
– Venha, morena! – Manuela chamou – Junte-se a nós! – Esticou a mão – Eu sei que você não resiste ao meu charme! – Piscou malandra.
– Férias, uhu! – Mia falou contida, sorrindo sarcástica.

O sorriso se desfez, quando teve a cintura envolvida pela loira, que puxou a morena para a nossa roda. Estávamos rindo; pulando e girando, pela sensação de liberdade. Caímos de bunda no chão, sem parar de rir, até ouvirmos a voz de meu pai.

– Vejo que as mocinhas estão se divertindo! – Sorriu para nós.

Ainda um pouco tonta, porém, feliz. Levantei e fui abraçá-lo.

– Papai! – Recebi um beijo em minha testa.
– Oi, minha princesinha! – Acariciou o meu rosto – Vim buscá-las para levá-las para o shopping, e comemorarmos essa doce liberdade temporária. – Piscou – Claro, se vocês concordarem e seus pais liberarem. – Avisou.
– Eu topo! – Adiantou, Manuela, que estava sendo erguida pelas meninas.
– Eu também! – Mia respondeu, olhou para Daniele – Vamos Dani? – Incentivou, entrelaçando os seus mindinhos.

Sorri sem graça, desviando o olhar.

– Claro. – Respondeu tímida.

***

Procurei receber atenção do meu pai e de Manuela, que falava pelos cotovelos. Evitei olhar para as demais, aquilo já tinha se tornado uma tortura. Papai emprestou o celular para as meninas avisarem os seus pais, e conversou rapidamente com cada um, assegurando levar todas para suas devidas casas. Passamos por várias lojas, e o shopping estava um pouco cheio, por conta da época do ano. Fomos direto para uma churrascaria, Manuela amou o lugar.

– Podem comer à vontade. – Papai piscou cúmplice para Manu – Eu também sou um grande degustador de carnes.
– É hoje eu tiro a barriga da miséria! – Manuela falou, salivando pela picanha oferecida.

Rimos, comemos e conversamos. Após o almoço, pedi para ficarmos mais um pouco, pois eu precisava comprar a minha fantasia.

– Com tanto que não demore muito. – Advertiu – Vou esperar vocês na praça de alimentação, enquanto tomo um café. Aceitam sobremesa, meninas? – Perguntou.

Antes que Manuela abri-se a boca, puxei pela mão para irmos atrás das nossas fantasias e evitar uma possível indigestão na minha amiga.

– Poxa, você está me devendo um sorvete! – Fez muxoxo.

Olhei de relance, sorrindo. Caminhamos por várias lojas e nada me agradava, até que Manuela chamou a minha atenção.

– Estherzinha, vamos olhar aquela loja? – Apontou, sorrindo.
– Achei que você já tinha comprado a sua fantasia. – Respondi, notando o estilo da loja com temática infantil de contos de fadas.
– É para você! – Sorriu marota – Afinal, você é toda menininha! Óbvio que é a loja certa! – Implicou.
– Ei! – Cutuquei, aborrecida pela imagem que tinham de mim.
– Mas é verdade! – Me virou para a vidraça da loja – Olha para esse rostinho de boneca Barbie. – Colocou as mãos na cintura.

Bufei, franzindo o cenho. Olhando ao redor.

– Até com cara fechada, você é toda… – Interrompi os seus disparates, sorrindo.
– Boneca Barbie, é?! – Fui em direção a loja, adorando a ideia que eu tive.

 

***

Amélia

 

– Sinto muito, Manu! – Olhei preocupada – Eu não vi que estava tampando o seu nariz junto! – Ajudei abanar o seu rosto, que estava ligeiramente pálido.

Daniele molhou as mãos, umedecendo os pulsos e nuca de Manuela.

– Poxa, Mia, eu já tinha pedido desculpas por soltar a língua no clube. – Falou, sentada no chão, encostada na parede.

Sentei ao seu lado, envolvendo o seu corpo em um abraço acolhedor.

– Mas, o que foi aquilo tudo? – Manuela, questionou.
– Bruna estava sendo chantageada esse tempo todo. – Daniele respondeu.
– Por quê? – Olhou confusa – O que a treinadora sabe de tão sério para fazer isso com uma aluna? – Perguntou perplexa.

Ficamos em silêncio, encontrei o olhar de Daniele, sabendo a resposta.

Assim que entramos na sala de aula, encontramos o treinador nenhum pouco feliz, acenei um pedido de desculpas, e fomos sentar. Esther questionou preocupada quando viu Manuela, a mesma para não perder o costume e tentar afastar o pensamento assustador sobre o que ouvimos, começou a ironizar.

 

– Posso ir na sua casa, Dani? – Pedi, fugindo de um possível convite de Esther.
– Claro! – Sorriu, olhando para a minha boca.

Nos despedimos das meninas e seguimos caminho, lado a lado. A sua casa não era longe, caminhamos devagar, aproveitando o contato das nossas mãos se tocando.

– Mãe? – Chamou – Ela ainda não chegou.

Sorrimos, a loira pegou a minha mão, guiando-me até o seu quarto. Só tive tempo de por a minha mochila no chão, depois que a loira trancou a porta atrás de nós, me surpreendendo, empurrando-me contra a parede e buscando a minha boca.

– Dani… – Sussurrei entre os seus lábios – Precisamos… – Outro beijo – conversar. – Fisgou o meu lábio, sorrindo.
– Depois! – Determinou.

Colou o seu corpo no meu, presenteando-me com a sua língua. Suspirei em seus lábios, envolvendo forte a sua cintura, retribuindo as caricias. O meu coração podia ser de Esther, mas a loira estava fazendo descobrir sensações que nunca imaginei sentir. Já estávamos em sua cama, curtindo o nosso momento, quando o telefone tocou e Fernanda avisou que chegaria a tarde, pois estava em reunião com os professores. Aproveitei e liguei para casa, avisando mamãe que estava com Daniele, corei com a risada que ouvi dela, e para ajudar, a loira estava me observando. Senti as minhas faces queimarem mais, quando ouvi: Tenha juízo, filha!

– Também te amo, mãe! – Desliguei.
– Você está bem? – Ofereceu uma limonada bem gelada, virei num gole.
– Estou sim! – Respondi, recuperando o fôlego.
– Os lanches estão prontos. – Chamou, sorrindo serena.

Suspirei baixinho, encarando os seus lábios rosados, o que foi percebido pela loira que me deu um sorriso lindo, senti a minha garganta secar novamente. Fomos até a cozinha.

– Acha que devemos contar para a diretora o que ouvimos? – Daniele abordou o assunto.

Mastiguei, pensando a respeito.

– Não temos provas. – Franzi a testa – Também não gosto do que ouvi, mas como vamos provar a chantagem? – Questionei.
– Teríamos que expor, Bruna. – Bebericou o suco.
– Não me parece nada bom. – Concordamos – Podemos tentar falar com ela. – Sugeri um pouco contrariada, afinal, mesmo sobre chantagem, ela me perseguiu e assediou.
– Sim. Posso sugerir uma situação hipotética para a minha mãe, para saber qual melhor medida podemos tomar.

Concordei, era o melhor que poderíamos fazer a respeito naquele momento, ainda tínhamos que conversar com Bruna. Terminamos de lanchar e falamos sobre outros assuntos, para quebrar o clima tenso. Era notório a ansiedade nos olhos da loira, ainda tínhamos que conversar sobre nós.

– Bom, e agora? – Perguntou tímida.

Olhei para a loira que estava sentada em sua cama, uma timidez acometeu o seu corpo, deixando-a ressabiada. Mordi o meu lábio, pois também era uma questão pendente em meus pensamentos. Aproximei, envolvendo as suas mãos nas minhas, procurando passar uma tranquilidade que eu não tinha.

– Dani, você é a minha melhor amiga! – Sentei ao seu lado – Você sabe o que sinto por Esther, mas também sabe o que eu quero. – Pensei – Eu não posso perder vocês duas! – Encarei o azul profundo – E não desejo te magoar! – Fui sincera.
– Eu sei. – Suspirou – É tudo tão diferente! – Sorriu contida – Jamais pensei que poderia gostar tanto de beijar uma garota! – Confessou.
– Eu sei que beijo bem! – Pisquei, descontraindo.

Sorrimos.

– O que vamos fazer agora? – Perguntou receosa.

Entendi a confusão em seu olhar, eu sentia o mesmo. Fiz carinho em sua mão com o meu polegar.

– Sinceramente, eu só quero aproveitar cada minuto com você! – Pediu, aproximando o seu rosto, encarando os meus lábios.

O meu coração acelerou com o sorriso que recebi. Acariciei o seu rosto, tocando a covinha em seu queixo.

– Sinceridade, sempre? – Sussurrou.

Fechei os olhos um momento, sentindo hálito quente e fresco. Encarei aquele azul cristalino, sorri, beijando a pontinha do seu nariz, dizendo:

– Sempre! – Prometi, roçando os nossos lábios.

Sorrimos, selando a nossa promessa com um beijo carinhoso. Iríamos aproveitar ao máximo as novas descobertas.

 

***

 

Bocejei, esfregando os olhos, sentindo o cansaço em meu corpo, estava ajudando a minha mãe com as notas de compras da loja em que ela trabalhava. Como não havia mais competições, e não tinha mais trabalhos para entregar e com Esther dormindo na casa dela, resolvi acompanhar a minha mãe naquele final de tarde. Em seu escritório, ajudei no que podia. Organizando documentos e ajudando ela revisar alguns cálculos. Vez ou outra, Norah, uma das gerentes de vendas, vinha nos ver e oferecer algo. Confesso que algo nela chamava a minha atenção, porém, não soube definir o que era. Já havíamos nos vistos algumas vezes, mas nunca chegamos a trocar mais que alguns cumprimentos. Norah, era muito educada e atenciosa, sentia leveza nas conversas dela com mamãe. Havia gostado dela, ela tirava sorrisos fáceis de mamãe, mesmo com assuntos banais. O pouco que conversamos, descobrimos muito em comum. Passamos uma tarde tranquila.

– Filha, já comprou a sua fantasia? – Perguntou, desligando o computador.
– Ah, mãe… – Fiz careta – Você sabe que não curto essas coisas. – Cocei o meu queixo – Mas, já sei o que irei vestir! – Sorri.
– E o que seria? – Arqueou a sobrancelha, trancando a porta do escritório.
– Será uma surpresa. – Falei misteriosa.

Caminhamos até o estacionamento, conversando a respeito de como estavam as coisas com Daniele. Não tinha como não sorrir ao falar da loira, os nossos momentos juntos, estavam sendo maravilhosos.

– Boa noite, Lúcia! – Norah sorriu – Boa noite, Mia! – Piscou, se despedindo.
– Boa noite, querida! – Mamãe respondeu, olhando-a entrar no seu carro.
– Boa noite! – Franzi ligeiramente a testa, observando a troca de olhares.

“Não!”. Sorri contida, balançando a cabeça e ignorando o pensamento absurdo que tive a respeito de Norah. “O mundo não é um arco-íris, Amélia!”. Relaxei o meu corpo no banco do passageiro.

– Mãe… Tem como adiantar a minha mesada do mês que vem?
– Por? – Parou no sinal, olhando-me.
– Quero comprar o presente de Esther.
– É muito caro? – Voltou a sua atenção para o trânsito.
– Não muito. Mas preciso completar a grana, já que usei parte para comprar os meus livros e cordas novas para o violão. – Liguei o rádio, deixando a música preencher o carro.

Olhou-me de relance, voltando a guiar o carro.

– Assim que chegarmos, você me lembra. – Trocou a marchar – Você me ajudou bastante hoje. – Piscou, sorrindo.
– Não foi nada demais. Os cálculos são fáceis, fiz pelo prazer de ajudá-la. – Comentei distraída com o movimento da rua.

Senti o seu olhar, e vi o seu sorriso pelo reflexo do vidro.

– Acho que já sabemos que faculdade você ira cursar.

***

Senti o peso em meus ombros sumir com o som do último sinal. Aquela sensação de euforia pela liberdade. Manuela, como sempre, dramatizada tudo. A sua energia nos envolveu, quando caímos sentadas depois de rodopiar que nem idiotas pelo pátio. Não quis dar o braço a torcer, mas foi divertido. Fernando veio buscar Esther e nos convidou para almoçar, para comemorar o fim de mais um ano letivo. Antes que Daniele recusa-se o convite, envolvi a sua mão, incentivando-a. Fomos o caminho todo com nossos mindinhos entrelaçados.

– Nossa! Eu comi demais! – Falou, Manuela, alisando a barriga.
– Que novidade! – Falamos juntas, deixando a ruivinha emburrada.

Saímos do restaurante e Esther pediu um tempinho para poder ir olhar as lojas, afim de encontrar alguma fantasia. Pensei em acompanhá-las, mas aproveitei para ir comprar o presente dela. Chamei Daniele, dispensando a sobremesa oferecida.

– Tio Fernando – Chamei – Vou aproveitar a deixa, e ir buscar uma encomenda. – Adiantei – É rapidinho!
– Tudo bem, meninas. – Sorriu – Estarei esperando ali na praça.
– Vamos? – Ofereci a mão, que foi aceita de bom grado.

Seguimos para o andar superior, sem nos importar se alguém iria estranhar o fato de andarmos de mãos dadas, afinal, não tinha nada demais naquele gesto singelo. Daniele era muito carinhosa e companheira. Ela sempre foi atenciosa, mas como amiga, agora como namorada (sim, eu ainda corava com o significado e importância dessa palavra para nós), era tudo mais… intenso, sabe? Ainda que o meu coração se abalasse toda vez que Esther estava próxima, Dani dava um jeitinho para não deixar nada me abater. Conversávamos sobre tudo, principalmente sobre o presente que eu pretendia dar a Esther.

– Que lindo! – Dani sorriu, tocando com ponta dos dedos – Esther, vai adorar!

– Flagrei ela namorando ele faz algum tempo. – Fiquei feliz por poder comprá-lo.

Enquanto aguardávamos o embrulho, andamos pelo lugar. Havia várias joias caras, mas também simples e mais em conta. Daniele envolveu o meu braço, descansando o seu queixo em meu ombro, enquanto olhávamos os artesanais. Um anel preto, chamou a minha atenção.

– Mais alguma coisa? – Perguntou a balconista, parando a nossa frente – Estão na promoção. – Mostrou – Compre um par de brincos e você pode escolher qualquer um desses anéis. – Indicou a fileira de diversos anéis.

Ficamos encantadas com os detalhes dos brincos de pena com madeira. Pedi para Dani provar um, enquanto eu provava o outro. Resolvi fazer um mimo, e comprei eles para nós. Daniele estava tão feliz, que nem cogitou em recusar. Sobre o anel, Daniele ficou na dúvida, escolhi o preto.

– Eles formam um par. – Comentou, mostrando o conjunto de anéis de tucum entrelaçado.
– São lindos! – Daniele falou encantada.
– Sim, muito! – Olhei para a loira que concordou – Vamos levar!

Estávamos na escada rolante, indo encontrar com Fernando. Daniele estava admirando o anel em seu dedo anelar e eu tentava manter no meu, mas o meu dedo era um pouco mais fino, fazendo o anel ficar um pouco frouxo, acabei colocando no meu polegar, com medo de perdê-lo.

– Em qualquer dedo, ele fica lindo em você! – Daniele falou em meu ouvido, abraçada a minha cintura.

Sorri, olhando para a sua boca, ela estava tão próxima que me deixava louca de vontade de beijá-la. Resolvi não arriscar um selinho, já que o lugar estava lotado. Daniele por outro lado, pareceu ler os meus pensamentos, virando o meu rosto para ela, beijando demoradamente o canto da minha boca.

– Depois! – Piscou, sorrindo.

Suspirei, estreitando os olhos, sabendo o quanto ela gostava de me provocar. Ouvimos a voz de Manuela, e vimos elas se aproximando, cheias de sacolas. Por um momento, Manuela parecia querer fofocar algo, porém, se calou, depois que recebeu um olhar feio de Esther. Achamos graça e fomos encontrar com Fernando. Recebemos elogios pelos brincos e anéis, fazendo Manuela ficar com invejinha, por querer um par também. Esther ficou em silêncio, sorrindo contida.

***

Passei o perfume, olhando novamente para a leve maquiagem que fiz em meu rosto, nada demais. Um lápis nos olhos e um brilho labial. Ajeitei os meus cabelos por baixo da bandana, passando a mão pelo meu corpo, conferindo tudo. Peguei o óculos escuro, colocando-o.

– Pronto! Agora eu sou uma estrela do rock! – Sorri charmosa, para o meu reflexo.

Desci para encontrar com mamãe para podermos ir a festa, papai e Edu, nos encontrariam mais tarde. Sorrimos.

– Uau! Estou na presença de quem? – Avaliou a minha “fantasia”.
– Axl Rose! – Ajeitei os meus óculos, presentando-a com um sorriso safado – Você está linda, mãe! – Admirei – Papai vai ficar babando!
– Obrigada, e menos, Amélia! – Balançou a cabeça, estreitou os olhos – Me diz que isso no seu braço não é de verdade?
– Relaxa, é de henna! – Olhei para o símbolo da banda – Foi o amigo do Edu que fez. – Mostrei melhor a tatuagem – Não sou fã para fazer uma loucura dessas, e nem pretendo ficar de castigo até me formar na faculdade. – Brinquei.
– Eu tenho orgulho do seu bom senso! – Sorrimos – Vamos?

 

***

Estava encostada na porta do motorista, esperando Daniele. Seus pais já tinham compromisso, então a loira iria dormir em casa depois da festa. Vimos Fernanda se despedindo da filha e acenando para nós.

– Olha só! Quem diria que a minha norinha ficaria tão linda, vestida com aqueles véus. – Comentou, cutucando-me para sair da inércia, e ajudar a loira com a mochila.

Senti as minhas pernas fraquejarem um momento com a visão que tive dela. Daniele estava linda como dançarina do ventre. Engoli seco, recebendo um beijo em meu rosto quando abri a porta do carro para ela entrar, ajudando-a com os véus. Fiquei tão encantada que acabei sentando atrás com ela, só percebendo depois que minha mãe saiu com o carro e comentou:

– Para onde as donzelas querem que a motorista as leve? – Sorriu sarcástica.

Corei, entrando na brincadeira.

– Para onde poderemos mostrar a nossa felicidade! – Encontrei o seu olhar surpreso pelo retrovisor, sorrimos – Você está linda! – Virei para a loira.
– Obrigada. – Envolveu a minha mão – Você também! – Acariciou o meu dedo, sobre o anel preto que estávamos usando – Fazia muito tempo que eu não usava essa roupa, achei que não caberia. – Sorriu tímida.
– Você fazia aulas? – Mamãe perguntou, atenta ao trânsito e ao nosso papo.
– Há muito tempo. Fiz balé por uns cinco anos e depois uns três anos de dança do ventre. – Me olhou de relance – Larguei, quando peguei gosto por outros esportes e por competições. – Piscou discretamente, sorrindo por debaixo dos véus.

Podia sentir os olhares de mamãe, mas não me importei, continuei sorrindo e admirando a beleza a minha frente. Chegamos e ajudei novamente Daniele, e avisei para minha mãe que Beatriz reservou o andar superior para os adultos. A verdade era que ela queria nos olhar de cima, observar um monte de adolescentes se divertindo e fazendo alguma “anarquia”, sem se misturar. Encontramos com Carla, a organizadora de festas e amiga de longa data de mamãe, que indicou o caminho para o segundo andar para ela. Mamãe piscou para nós, seguindo para a escadaria enquanto conversava com Carla. Peguei a mão de Daniele, e fomos abrindo caminho, já que o pessoal já estava empolgado lá dentro. Procuramos pelas meninas, cumprimentando algumas amigas e colegas, senti o toque de Dani que indicou com o queixo, estreitei os olhos em direção a silhueta familiar. “Não pode ser?!”. Arregalei os olhos surpresa, caindo na risada com a loira, enquanto a nossa amiga se aproximava.

– Que fantasia é essa, Manuela? – Me abanei, tentando parar de rir.

Ergueu a espada de papelão (que estava um pouco dobrada na ponta), e tentou fazer movimentos circulares com a mesma, enquanto cantarolava a música tema da série.

– Eu sou Xena! A princesa guerreira! – Fez pose, dando um gritinho agudo.

Gargalhamos muito, tentei não borrar a minha maquiagem, secando com o canto do dedo a lágrima que teimava em cair.

– Você está parecendo muito com a Minya com essa peruca preta! – Tentei ficar séria, mas não aguentava.
– Ah, Mia! – Daniele se apoiou em mim – Ela leva jeitinho de Gabrielle! Olha para esses olhinhos verdes! – Riu.

Manuela cruzou os braços, balançando o corpo, esperando o nosso acesso de riso passar.

– Muito engraçadinha vocês duas! – Estreitou os olhos – Zombando da poderosa princesa guerreira! – Nos rodeou, erguendo os dedinhos em nossa direção – Vou precisar aplicar os pontos de pressão em “bacantes?!” – Falou ameaçadora.
– Oh, poderosíssima princesa guerreira, perdoe o nosso desatino. – Curvei suavemente em gracejo – Não fazíamos ideia de todo o seu poder! – Mantive a reverência.
– Dessa vez, eu irei relevar, afinal você não tem culpa de ser uma simples camponesa. – Fingiu desdém – Estou a procura do meu Deus da guerra! – Sorriu maldosa.

O sorriso desfez quando tentou colocar pela terceira vez, a espada no encaixe em suas costas para prendê-la, só que a ponta dobrada a impedia. Gargalhei novamente, enquanto Daniele ajudava a nossa amiga atrapalhada a voltar ao personagem.

– Recapitulando! – Pigarreou – Estou a procura de Ares, o Deus da guerra! – Olhamos sem entender – O Felipe, gente! Nós combinamos as fantasias. – Sussurrou em confidência.

Não demorou muito para avistarmos o garoto, que conseguiu ficar ridículo com uma barbicha falsa, e os seus braços branquelos e magros à mostra, vestia um tipo de regata de couro e um calça colada, que deveria estar bem desconfortável.

– Olha ele lá! – Manuela acenou – Meu Deus da guerra! – Sorriu para o garoto.

Troquei olhares com a loira, e caímos na risada novamente.

– Ares ou Joxer? – Apoiei em Daniele – Que barbicha ridícula é aquela? Parece que colocou um pedaço de Bombril no queixo! – Gargalhei.

Nem mesmo Manuela aguentou, e caiu na gargalhada. Ficamos zoando eles, enquanto aguardávamos a chegada da princesinha da festa. Fiquei sem ver Esther durante toda a semana, conversamos apenas por telefone, estava com saudades daquela baixinha briguenta.

– Esther está demorando. – Manuela comentou, bebericando o refrigerante.

Concordei, olhando para o piso superior, afim de vê-la.

– Beatriz deve estar segurando ela lá em cima… – Indiquei com o queixo.

Ouvimos um pequeno alvoroço e um dos comentários entusiasmados dos meninos.

– Yo-ho pirata! Quero ser o ser marujo! – Fábio falou, sorrindo.

Observei cada passo dado por aquelas botas de cano alto em minha direção. Usava uma calça justa preta, com um cinto caveira; havia duas bainhas de espadas, presas nele, uma em cada lado do seu corpo. O corpete negro destacava a sua silhueta, acompanhando a camiseta branca com os botões abertos no início de seu colo. Em seu pescoço repousava o seu fiel pingente. O sobretudo vermelho sangue, parecia dançar a cada movimento dela. Em sua cabeça, um chapéu de couro com uma pena negra. Parou em minha frente, levantou suavemente o seu queixo. Nossos olhos se encontraram, engoli seco, sentindo o meu corpo inteiro arrepiar. A maquiagem destacava seus olhos cor de mel.

– Entregue-me os seus tesouros! – Sorriu discretamente.

 

“O amor é formado de uma só alma, habitando em dois corpos.” 

Aristóteles

Continua…

Fim do capítulo

Notas finais:

Para quem não entendeu as referências das fantasias (né Jésy) procure pela série Xena ;)


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Comentários para 11 - Capítulo 11:
Runezinha
Runezinha

Em: 13/06/2018

Jogo alto ... Isso " Entregue-me os seus tesouros" Sim Captan!!! Ao seu dispor!!! 

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rhina
rhina

Em: 13/06/2018

 

Mia e Dani resolvem continuar. ....alguém vai sofrer.

Rhina

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Ana_Clara
Ana_Clara

Em: 10/12/2015

Ah, e eu amo Guns N' Roses! E o Axl era lindo,  realmente ele era. Kkkkkk


Resposta do autor em 10/12/2015:

kkkkkkkkkkk nem me fale, maior decepção agora :'(

Mas e a versão feminina dele? Aprovada? ~~

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Ana_Clara
Ana_Clara

Em: 10/12/2015

A primeira vez da Mia será com a Dani? Será?! E gente, essa Manu é uma comédia. Essa menina é a parte mais engraçada da história. rsrs Baixinha peralta!


Resposta do autor em 10/12/2015:

Rsrsrs né? convivo diariamente com uma versão dela xD

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jake
jake

Em: 24/11/2015

Oie Parabéns  amei a história. ...pelo que estou percebendo as duas  se amam  ,soh nao se encontraram....comecei ler ontem goste mto...principalmente  das frases que vc add no final de cada capítulo. ...estou  amando msmo Parabéns 


Resposta do autor:

Obrigada! Fico feliz por estar agradando a tantas pessoas :)

 

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graziela
graziela

Em: 23/11/2015

Maravilhosa a Esther. 

👏 👏 👏 


Resposta do autor:

Muito ♥

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paulaOliveira
paulaOliveira

Em: 23/11/2015

Esthezinha arrasou hein !!
Essa festa promete
Resposta do autor:

Hahaha né? ótima semana ;)

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