Capítulo 9

Capítulo IX - CENTROS DE TREINAMENTO

de A ASSASSINA QUE NUNCA SE TOCOU, por Zanja45

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“É melhor ser temido do que amado, se não pode ser os dois” (O Príncipe, Maquiável)

Centro de treinamento Sibéria - Grupo extremista

Alexa Leboc


A primeira ilha que fomos, foi a de Bolotny Ostrov, conhecida pelo nome de “Balchug”, localizada entre o Rio Moscou e o Canal Artificial, ficando bem no centro da cidade. — É famoso por seus espaços de lazer e cultura. — E se destaca por possuir museus, entre uns pontos mais marcantes está a GES-2, a Casa de Cultura.

Depois, o nosso destino foi conhecer o Parque Nacional de Losiny Ostrov, também chamado de “ilha dos Alces”, um Santuário Ecológico bem em meio a cidade, oferecendo uma jornada incrível bem próximo a natureza, ideal para quem almeja um contato maior com a vida selvagem, pois é possível avistar alguns animais, dentre eles, Alces.

No entanto, nosso objetivo por ali, era tipicamente reconhecimento de terreno, abrangendo o formato deles, como se apresentavam. — Estávamos sendo treinados para sermos os melhores na finalidade a qual serviríamos, por isso era essencial o mapeamento das possíveis rotas de fuga e consequentemente a topografia dos terrenos.

Então, nos levaram para conhecer a primeira trilha — ideal para caminhadas e passeios de bicicleta, sendo possível serem feitas através de vários tipos de trilhas. Oferecendo uma chance incrível de relaxar e respirar ar puro bem longe da agitação do trânsito. — Todavia nosso intuito por ali seria tipicamente mapear o solo daquele local, pois para o trabalho ao qual estávamos sendo iniciados, cabia esse tipo de atividade, de sondagem e reconhecimento.

Fomos inseridos em dificuldades graduais de treinamentos. No Parque Losiny Ostrov, primeiro enfrentamos algo mais leve, com o que as trilhas de Elk Island Trail podem oferecer de melhor. — Um passeio bem relaxante, ideal para caminhadas leves e fáceis. Porém, depois já nos introduziram em algo mais intermediário, com o propósito de nos tornarmos ágeis e resistentes nos deslocamentos. E as trilhas de Yauza River Loop se tornaram perfeitas para esse tipo de treinamento.

Nessa época era apenas uma criança, tinha 10 anos de idade, era uma garota órfã de pai e mãe. Criada nos orfanatos mais devastados da Rússia, pela fome e escassez. — Em que para se conseguir um pedaço do tão sonhado pão teria que batalhar muito para isso. — E o momento que mais temíamos enfim chegou, porque como os recursos ficaram escassos nos abrigos, fomos meio que vendidos como escravos, para que servisse a uma finalidade muito maior e escusa — Que só fomos a descobrir nos porões dos navios clandestinos e quando chegássemos ao destino.

Ao que tudo indicava íamos para uma ilha no fim do mundo, sem acesso a nada, ficaríamos em isolamento por um bom período. E quem conseguisse completar o treinamento estaria liberado para retornar a cidade de origem.

Eles nos alimentávamos como se fôssemos animais, jogavam a comida no chão do porão do navio — E quem “rugisse” com maior intensidade conseguia para si um pedaço do tão disputado alimento, “o pão que o diabo amassou”.

Éramos um bando de crianças famintas de tudo, lutando para sobreviver em meio a um terreno hostil e completamente desconhecido.

Podia sentir o gosto de sangue em meus lábios, depois de sermos colocados em uma arena como gladiadores, para lutar uns contra os outros. Ousei agir de maneira respeitosa diante de meu oponente e isso foi o fim pra mim, porque fui surpreendida por ele, me acertando em cheio.

E a partir daí ficou claro pra mim o quanto ainda precisava aprender para não cometer erros primários —, notei a necessidade de melhorar, para não me tornar uma presa fácil — Não me deixar levar pelas emoções, pois aqueles que pensávamos serem nossos amigos, quando estão do outro lado do ringue, não levam em consideração, isto — Só querem se darem bem, não se importando se são ou não pessoas que mantêm uma relação bem próxima de uma amizade.

A vida me ensinou a duras penas o quanto uma amizade pode nos colocar em descoberta. E como qualquer forma de vida pode se tornar um alvo. No entanto, apesar dessa lição, ainda assim tive a capacidade de decidir que nem todos merecem um final trágico. — Só devem morrer quem realmente representar uma ameaça ou fizer parte de algum trabalho que não tenha como recusar a fazê - lo.

A Rússia com sua maior extensão de fronteiras terrestres do mundo, fazendo divisa com 14 países diferentes, na Ásia e na Europa. Os nossos recrutadores aproveitaram dessa grandeza territorial e nos levaram aos extremos de cada região — Apesar de ter vários países que fazem fronteira com ela, nos levaram para a ilha Bolshoi no lado asiático, localizado no extremo oriente. — Fizemos diversos treinamentos nas florestas densas e parques ecológicos existentes naquela região.

E apesar de a Rússia fazer fronteira com a Geórgia, Azerbaijão, Cazaquistão, Mongólia, Coreia do Norte e China. Mas, nós, especificamente, embarcamos para a China, com quem a Rússia faz fronteira, são 4000 quilômetros quadrados de extensão.

E nossa jornada rumo ao novo mundo se deu através de rios importantes, como o Amur, e as tarefas por ali se desenrolaram com muita intensidade, pois as paisagens variadas serviram para aprimorar a experiência, por conta de inúmeras formações de florestas densas, de estepes e montanhas.

Por meio dessa vasta extensão de fronteiras foi possível manter uma relação histórica, rica, com muita troca cultural, comercial e de transportes. — E os diferentes tipos de paisagens se tornaram devastadoramente perfeitas para alcançar os propósitos almejados, por nossos recrutadores.

E chegando à ilha Bolshoi Ussuriysky, também chamada de Ilha “Heixiazi”, localizada no Rio Amur. Em que tem o seu território dividido entre os dois países. — Que fora motivo de disputa por décadas, mas hoje em dia é símbolo de cooperação e até de desenvolvimento conjunto. — Essa região fica no Extremo Oriente russo, fazendo fronteira com a China. Sobre a ilha, ela tem uma parte administrada pela Rússia e outra pela China.

No lado chinês, o foco é transformar a ilha em um polo de ecoturismo, com grandes áreas verdes, de lazer, hotéis e infraestrutura voltada para visitantes. Esse cenário de construção e desenvolvimento facilitou a nossa entrada naquele lado da ilha sendo uma ponte para alcançar os propósitos do grupo. Já do lado russo, as discussões também envolvem o desenvolvimento de rotas de trânsito e corredores logísticos, embora ainda esteja em um estágio diferente de implementação em comparação com o lado chinês.

Entre os vizinhos da Rússia, europeus, destacam-se a Finlândia, Noruega, Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia, Bielorrússia e Ucrânia. Eles possuem uma diversidade de culturas e paisagens incríveis ao longo de todas essas divisas. — Dentre todos esses países, um dos selecionados para dar andamento aos treinamentos, foi a Polônia.

Pertencente ao Leste Europeu, apresenta uma região fascinante, repleta de contrastes históricos, riquezas culturais e uma variedade de línguas e tradições. Ele inclui países como Polônia, República Tcheca, Hungria, Romênia e muitos outros, cada um com sua própria identidade e charme. É uma região com uma história marcada por eventos notáveis e um patrimônio arquitetônico riquíssimo.

A Polônia faz fronteira com a Rússia, especificamente com o enclave de Kaliningrado.
De modo geral, as características marcantes do Leste Europeu incluem uma mistura fascinante de culturas eslavas, germânicas e magiares, além de paisagens que vão de planícies montanhosas a centros históricos medievais e florestas profundas.

A Polônia é um país admirável, repleto de história e cultura. Ela tem cidades incríveis como Varsóvia, a capital, que foi reconstruída após a Segunda Guerra, e Cracóvia, com seu centro histórico medieval e o impressionante Castelo de Wawel.

Geograficamente, a Polônia faz fronteira com vários países, incluindo a Federação Russa, através do enclave de Kaliningrado. É uma nação que mistura influências ocidentais e orientais, com uma rica tradição de música, literatura e culinária.

E finalmente retornamos ao território Russo, depois de muitos anos fora. E a nossa experiência se desenrolou com maior intensidade na Sibéria. — O território gelado, inóspito — Sendo uma região fascinante e gigante. Para chegar lá, a forma mais rápida é de avião, com voos partindo das principais cidades russas em direção aos grandes centros siberianos como Novosibirsk ou Irkutsk.

A Sibéria é uma terra de contrastes, cobrindo cerca de 77% do território russo. Apesar do clima rigoroso, ela guarda uma riqueza cultural incrível e uma biodiversidade fascinante, com uma vasta taiga e ecossistema oferecem vistas deslumbrantes e muitas atividades ao ar livre.s únicos. É interessante notar que, apesar de ser uma área enorme, a Sibéria é pouco povoada, com diversas comunidades indígenas que mantêm suas tradições e modos de vida.

Passamos uma quantidade de tempo necessário para estarmos prontos para enfrentar quaisquer adversidades relacionadas ao clima, tipicamente gelado das terras da Sibéria. Foram dias intensos, com trabalhos de resgate e técnicas de sobrevivência num lugar inóspito e praticamente desabitado. Podia contar a dedos, os dias de declínio de minha alma, podia sentir a dureza do clima, e o aumentar da gelidez em meu coração. — Me tornei uma pessoa inquebrantável, distante e muito fria nos meus sentimentos.

Combati em muitas guerras que não eram minhas, apenas para pegar seus espólios de guerra. — E como recompensa que após isso poderíamos voltar para casa com muito dinheiro no bolso, porém com a alma devastada.

E a esperança de alguns que eu fizesse amigos quando retornasse. E aqui estou, de amizade com uma escritora, que me deixa pensar de outra forma que não pela mentalidade para a qual fui treinada —, para destruir tudo quanto é forma de vida, mesmo aquelas que não representassem ameaça alguma. — Tiellen Santa Maria Dideroit é minha maior surpresa, está se tornando minha amiga.

Ela tem furado o bloqueio que por muitos anos interpus ao meu coração. — As vivências, os treinamentos densos, me afastaram um pouquinho de minha humanidade, as experiências colocaram uma couraça gelada ao redor de meu órgão vital, o coração.

Depois de muitos anos em que fiquei fora da Rússia, pois fomos negociados para servir de soldados em combates de guerras. — Grupos independentes de combatentes com diversas finalidades. Desempenhamos vários tipos de serviços, inclusive o de matar para quem oferecesse o maior preço.

O retorno para Moscou não significava que estava desimpedida de continuar as atividades de antes. Mesmo que quisesse levar uma vida normal, não poderia, pois estava presa a negócios ilegais, que era impossível me desligar mesmo que o quisesse. — Estava envolvida de uma maneira que me dissolver do grupo pelo qual fui treinada, era uma realidade até distante. — Era irreversível.

No entanto, há algo no ar, surgindo em meio às névoas de minha vida. — “As Brumas de Avalon “ insistem em mostrar fissuras em meio às manchas escuras de meu ser. — Algumas rachaduras começaram a aparecer. Eu que me sentia tão distante, agora vejo a proximidade de algo. — Consigo avistar o navio fantasma do capitão Jack Sparrow, através do nevoeiro.

Nessa minha volta a Moscou, procurei o disfarce perfeito para esconder meus reais desígnios. A primeira coisa que fiz com todo dinheiro que obtive nesses anos inteiros em que estive viajando pelo mundo, foi montar um antiquário de peças antigas, pois ali seria a minha fachada perfeita para o meu ramo principal, que era a de mercenária, assassina de aluguel ou algo mais perto disso.

Uma das minhas clientes mais presente era a escritora Tiellenn Santa Maria Dideroit, uma mulher de grande expressão Nacional, escritora talentosa, casada com um homem muito feroz na arte de negociar, ele trabalhava nos ativos de Bolsas de Valores, filho de família muito aclamada socialmente, com ênfase na política do país. Tiellen parecia não saber que o marido dela a traía com várias mulheres, inclusive a melhor amiga dela, Violet Vlaslov, era uma das suas, entre muitas amantes.

Tiellenn se tornou uma cliente fiel de meu antiquário, que foi o jeito de fidelizar ela como minha cliente VIP- VERY IMPORTANT PERSON, porque sempre comparecia na minha galeria em busca de alguma novidade, peças antigas e muito raras para que pudesse adquirir. Nisso ela foi criando proximidade comigo, a tal ponto, que não queria mais me deixar. — Ela era um pouco intrusiva, achava que podia se tornar minha amiga, por isso se empenhava ao máximo para que isso acontecesse.

Eu, uma mulher singular, misteriosa, taciturna que queria a todo custo o anonimato, porque tinha muito a esconder. Só que com Tiellenn era impossível passar despercebida, por conta de sua percepção inigualável para captar aspectos das pessoas no ar. E por ser escritora nada passava despercebido a ela. — Era atrativo, um prato cheio para a imaginação dela. — Não conseguia segurar essa mulher, mesmo se o quisesse.

Na concepção dela, eu necessitava de alguma benfeitoria por parte dela para conseguir escapar da justiça, e por ser uma pessoa bem benevolente, humanitária, buscando acima de tudo ajudar ao próximo. E custo acreditar, mas cai nas graças dela, ela sem nem mesmo saber que eu sou realmente, estendeu as mãos para mim. Me sinto até mal por ter que ocultar minha verdadeira natureza dela, por conta de uma prova que tive que ocultar dos investigadores. — Ela se achava minha salvadora de alguma maneira. — Ela tem um carisma muito especial que aos poucos está derrubando as minhas barreiras.

Certa feita, quando ela descobriu que a amiga dela a estava traindo, ela buscou abrigo na minha casa. Só que não dei muita trela a ela, pois tinha muita coisa no oculto, meu lado sombra, e não queria ela transitando pela minha casa. — Só que Tiellenn era tão entrona, achando só porque eu era fã dos livros que ela escrevia, ela se achava no direito de ficar bisbilhotando minha vida.

Essa mulher era muito sem noção, querendo passar a noite na minha casa sem que eu quisesse permitir. Ela insistiu tanto que foi o jeito deixar ela passar a noite no sofá. Mas como tenho uma vida dupla. — Minha casa possuí diversos pontos de segurança instalados, porque nunca se sabe o que pode acontecer. — E com essa mulher querendo se hospedar na minha casa, tenho que me policiar em dobro, pois minha casa está cheia de armadilhas. — Um verdadeiro alçapão — para quem não conhece pode se tornar muito perigoso e até mesmo fatal.

Fim do capítulo

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