Os passarinhos começavam a cantar serelepes, trazendo o sol logo depois. Com o amanhecer arroxeado, ainda com algumas estrelas e sem nuvens, o canto parecia anunciar mais um dia quente, como é esperado de acontecer no verão há mais de um século. Por sorte – ou não só sorte–, Valeã está localizada em uma série de vales que se estendem por quilômetros, rodeada por uma mata reflorestada relativamente jovem, mas já velha o suficiente para dar sombra e frutos. Nos seus limites, muralhas em vários estados de construção, às vezes de madeira, de pedra, uma cerca simples de arame farpado, outras vezes uma casinha de barro que revezavam patrulhas e delimitavam certo limite imaginário.
No entanto, a entrada leste-oeste que atravessavam o caminho horizontal do mapa tinha uma atenção especial: no meio do vale, vários afluentes montanhosos se juntam como num rio que flui em direção ao mar, que está há pouco mais de uma hora dalí, se as estradas estiverem boas e os carros preservados. Se não, uma hora pode se tornar um dia. Foi justamente ali, enfiados nas rachaduras de montes onde um dia já passou um córrego, que um grupo de refugiados encontrou abrigo.
As tempestades tóxicas de 2078 tomaram tudo.
Quando as primeiras bombas foram lançadas em países de “terceiro mundo”, não houve muita comoção.
O genocídio e propaganda eugenista já não tinham mais censura em prol da liberdade de expressão, mas quem tinha poder também controlava quem era escutado ou silenciado. Quando não tinham mais o que perder, células terroristas reagiram com outro 09/11, e outro, e mais um após o outro. Os poderosos não sabiam em quem confiar mais, se viam cercados de trabalhadores que poderiam ser revolucionários anti-governo, e se isolaram em suas seitas cada vez mais exclusivas. Ficaram paranóicos. Diziam em construir casas em Marte, em fugir para abrigos all inclusive, em fundar seus próprios países em ilhas que apenas eles poderiam acessar… Mas isso seria se acovardar diante de seus subalternos. Mostrar que estão com medo e fugir? Não, claro que não. A colônia em Marte seria apenas uma demonstração de seus poderes divinos, como uma estátua em praça pública.
Claro, eles fizeram tudo isso mesmo: a vizinhança em marte – falida e desnecessária, um fracasso como foi o caso de puro ego da visita ao Titanic com um submarino –, as ilhas particulares, abrigos all inclusive, bunkers de luxo e satélites-cruzeiros tripulados. Podiam fazer tudo isso e ainda sobrava grana: os governos eram apenas fachadas, maestros que conduziam a melodia que eles ordenavam. A população nunca esteve mais livre e conectada, e não há nada mais ilusório do que acreditar que a liberdade tem relação com permissividade.
Foi nesse contexto que a primeira grande bomba estourou no Oriente Médio. Apenas um sustinho, pequena, menor que a de Hiroshima, com o mesmo toque de patriotismo e fazendo um sacrifício sofrido para manter uma paz maior – ou talvez quiseram economizar para as colônias de refúgio que estavam construindo em cada região do mundo e não viam sentido em lançar uma bomba mais cara e potente para matar pessoas que nem comida tinham. Porém, esse sustinho ventou para a Europa e voou para Turquia, Grécia, Itália, até a França. Tudo por ali adoeceu e alguns estudiosos mais alarmistas chegaram a dizer que foi “a maior contaminação radioativa desde Chernobyl ”. O prejuízo de safras, animais e pessoas estremeceu o continente e as organizações enlouqueceram de vez, perdendo todo o pudor de quem já estava por um fio. Um país pediu providências ao outro, seus líderes inaptos disputavam por poder e recursos, precisavam salvar sua moeda, mas um interesse contradizia o outro, uns mais malucos chantageavam e roubavam.
Até que caiu a segunda bomba, na Ucrânia. Mais toxicidade levada pelos ventos, mais doenças, mortes e colheitas perdidas. Claro, acusaram a Rússia, mas foi desmentido cinco anos depois após um “vazamento” de informações de um jornal chinês de que na verdade a bomba era de origem americana. Cinco anos de tensão constante, de instauração de estado de sítio e ditadura em torno do globo inteiro, que culminou em mais uma bomba nuclear, dessa vez nada econômica, no seio de Washington. Ninguém sabia quem havia lançado, e não se sabe até hoje.
Já sem qualquer diplomacia, a resposta foi para não haver dúvidas: lançaram quase tudo que tinham em seus inimigos principais ou não. Bombas de todos os tipos de forma generalizada, mas as duas na China e na Rússia foram as mais especiais. O norte estava acabado, suas estruturas e seus espíritos. Onde não estava morto, estava doente, e o que não estava doente, estava com fome e sede. Quase toda a água estava envenenada, por mínimo que fosse. A solução foi buscar abrigo no sul global, e foi assim que mais algumas explosões foram ouvidas por esses lados. Pelo menos foi menos letal que no norte, já que precisavam preservar as terras e ter onde plantar. A estratégia teve que mudar, bomba tem limite e terra também, mas o passado sempre faz questão de arrombar a porta só para não ser esquecido. Como resultado desses bombardeios generalizados, grandes tempestades de areia radioativa começaram a circular pelos continentes sendo carregadas pelas mudanças climáticas extremas.
Pelo menos hoje o dia nascia rosa e os pássaros cantavam forte.
Moarã sabia que ia ser um dia quente como qualquer dia de verão no país tropical, com temperaturas beirando os 45ºC. Estava na guarita da entrada principal oeste, esperando cumprir a última tarefa do turno: receber uma importante figura de autoridade de uma cidade-poço importante que quer fazer alguma descoberta científica importante na sua muito-importante terra. Já tinha ouvido falar há uns anos sobre esse pedido de colaboração, mas que só agora foi concedido pelos anciãos. E, sinceramente? Moarã não gostava de nada disso, e menos ainda de ter que finalizar fazendo um serviço que qualquer aprendiz poderia fazer. Mas os anciãos insistiram e, bem… seus dois aprendizes estavam ali também.
Deveriam ter chegado antes do amanhecer, mas o grande cubo de metal branco só começou a enfeiar a paisagem quando o céu já estava azul. Um caminhão que parecia novo puxava um contêiner branco e comprido serpenteava lentamente a estrada até estacionar a alguns metros do grande portão principal. Finalmente a tal pessoa importante apareceu: desceu do caminhão usando roupas claras e soltas, acompanhada de mais dois colegas.
Moarã avaliou antes de sair. A figura esguia não devia passar de 1,70m, a pele tão clara que chegava a arder o olho com o reflexo do sol. Talvez fosse efeito do sol, mas seus olhos eram castanhos de um jeito que não era muito comum, chegando quase a um dourado, mas o que chamava atenção mesmo era aquela cabeça redonda raspada há poucos dias. Realmente, pensou, deve ser uma pessoa que tem pensamentos importantes dentro daquela cuca toda.
– Saudações – ela e seus colegas se aproximaram do portão – Sou Naiovi Sareth de Kohr, Herdeira do Conselho Cinzento, Primeira Linha de Ommar, Engenheira da Seca, Filha da Reconstrução, Diplomata das Fronteiras. Vim como foi acordado. – Curvou-se numa reverência sutil.
Uma breve pausa. Moarã olhou Naiovi de cima a baixo.
— Sou Moarã.
E direcionou seu olhar aos outros colegas que ficaram mais perto do caminhão logo atrás.
– E vocês?
– Eles são meus motoristas, apenas eu irei ficar.
– O que tem na caixa?
– É um laboratório móvel. Trouxe tudo o que preciso para conduzir a pesquisa.
– Tem tóxicos?
– Produtos químicos de laboratório, sim.
– Radiação.
Naiovi levantou o canto da boca num quase sorriso – O que não é radioativo hoje, afinal? – soltou um riso fungado – mas não, nada que represente risco para Valeã. Pelo contrário. Nossa prioridade é interferir o mínimo possível e não causar qualquer dano. Fiquem à vontade para fazer uma inspeção, por favor.
– Trouxe plantas, sementes ou animais vivos?
– Nada vivo.
Moarã acenou com a cabeça e chamou seus aprendizes – Diana, Lúcio, vão chamar Ethel. Avise a ela que chegaram e que é pra trazer os instrumentos. Ajudem ela e tentem aprender alguma coisa. – voltou seu olhar para a estrangeira – Isso vai ficar aqui fora até ser liberada pela fiscal. Seja bem-vinda a Valeã, a Casa da Memória é por aqui.
Moarã virou as costas sem esperar resposta. Naiovi ajustou a bolsa e a acompanhou. Atravessaram o portão pesado de madeira reforçada por chapas metálicas reaproveitadas, exageradamente reforçadas para uma área que parecia tão rural e pacata. As casas eram espaçadas, com árvores entre uma e outra, sem ter exatamente um limite preciso de lote ou território, parecia tudo compartilhado. O sol já começava a esquentar a cabeça, mesmo ainda sendo cedinho, e Naiovi levantou o capuz para se proteger. Afinal, em Kohr não bate muito sol e, ao contrário de Moarã com seus dreads, sua pele não estava acostumada a um calor que às oito da manhã lembrava o meio-dia do mundo antigo. Toda aquela geografia, plantas e umidade em volta dava a sensação de que estava dentro de uma sauna.
Olhou a guarda andando à sua frente: alta, forte, com cara de poucos amigos e um passo leve inversamente proporcional ao seu tamanho. A capa preta, surrada e empoeirada de terra vermelha protegia seus braços do sol enquanto dava um tom um tanto caricato à sua carranquice. Naiovi não conseguia identificar se ela estava armada – é possível saber muito de uma sociedade a partir da arma que ela usa e como ela usa –, mas definitivamente Valeã não parecia ser um lugar perigoso.
Após alguns minutos de caminhada pareciam estar chegando mais perto do centro. A movimentação aumentou, algumas pessoas pareciam preparar as ruas para uma festa, haviam crianças correndo brincando de uma casa a outra, casas com grandes sistemas de captação de água da chuva, algumas com telhas solares enferrujadas, um… poço?
– Aquilo é um poço? – Naiovi não conseguiu conter a pergunta, fazia anos que ela não via um poço.
– É sim.
– E funciona?
– Às vezes.
Os olhos dela brilharam com tremenda informação. Olhou para o topo do vale, cheio de árvores com copas grandes e dando frutos.
– Aquelas árvores parecem ser antigas.
– Não são.
– Vocês cultivaram tudo isso?
– Não tudo.
Ok. Para a frustração de Naiovi, Moarã certamente era alguém que poderia dar uma resposta útil, só não queria. Respirou fundo.
– Não parece que vocês recebem visitantes recorrentemente.
– Vivemos bem do jeito que estamos – E parou subitamente, fazendo Naiovi interromper o passo no meio dele – Chegamos.
A Casa da Memória se erguia no centro da vila, larga e circular. As paredes eram de cobogós de barro terracota que formavam desenhos geométricos e deixavam o ar atravessar. A luz da manhã entrava filtrada pelas garrafas verdes, laranjas e azuis integradas às paredes, desenhando formas no mosaico colorido do chão. Lá dentro, um incenso queimava lentamente no canto ao lado da porta de entrada. Uma mesa de café da manhã montada no fundo, rodeada pelos anciãos que papeavam baixo entre si. Manturã, Sebastião, Venâncio, Adão e Conceição formavam o conselho de Valeã, representando cada um um pilar do conhecimento reformulado. Homens e mulheres que dedicaram a vida à consolidação da Nova Comunidade, que viram tudo começar ou o recomeço de tudo.
Naiovi estava tão distraída com o entorno que nem tinha percebido essa construção toda aparecer bem na sua frente, o que mais parecia uma obra-prima arquitetônica. O cheiro de café recém passado misturado com o de bolo de fubá e incenso suave melhorava o humor de qualquer um. Moarã cumprimentou os anciãos e apresentou Naiovi.
– Aqui dentro você pode conseguir algumas respostas.
Manturã, a mais calma, se aproximou de Naiovi.
– Seja bem vinda, menina de fora. Toma, pega um prato, deve estar faminta depois dessa viagem toda. As estradas estavam inteiras ainda?
– Ahm… Obrigada. Infelizmente teve outro deslizamento de terra na rota amarela, o que acabou nos atrasando algumas horas.
– Ethel está indo inspecionar o veículo, assim que ela liberar será transportado para perto do posto oito. – Moarã informou aos anciãos.
– Obrigada pelo serviço, querida. Paz ao que te habita. – Manturã a respondeu dando um tapinha em seu ombro com delicadeza.
– E força ao que te move – Deu meia-volta e saiu.
Naiovi demorou um instante para perceber que aquilo era uma despedida.
– Ela não vai ficar?
– Não, não. Ela está no fim do turno, deve estar cansada. – Adão, um barbudo de cabelos grisalhos, se aproximou com uma xícara de café meio cheia, oferecendo-a para Naiovi. – Venha, sente-se aqui. Temos algumas coisas para conversar.
Enquanto Naiovi se reunia com os anciãos, Moarã caminhava para casa.
Era noite de lua minguante. Para Valeã, cada fase da lua inaugurava uma semana diferente, marcando estágios que unia Valeã inteira em um só ritmo. Nada muito espiritual nem místico, só uma festa que convida todo mundo a se juntar numa energia ou intenção. Funcionava, e por funcionar sempre dava briga que acabava em reconciliação. Coisa linda, mas não para a guarda: eles sim tinham dor de cabeça com bêbados teimosos ou desesperançosos, independente da lua. Para a sorte de Moarã, aquela noite ela estava livre para dar trabalho e não para trabalhar. Mas, agora, com a estrangeira entregue e o expediente encerrado, só queria um banho bem gelado e a sua cama.
Acordou ao anoitecer com o som da festa começando lá fora. Vestiu uma camisa leve e deu um gole na bebida que fermentava no canto da sala, dentro de um pequeno barril de madeira. Famílias inteiras moviam-se num compasso alegre. Crianças de rostos pintados corriam com folhas nas mãos; mulheres trançavam cabelos, homens ajeitavam tambores e cordões de frutas, jovens carregavam cestos com goiabas maduras, raízes assadas, potes de fermentado.
Logo que Moarã chegou, os atabaques começaram a bater tão forte que dava pra sentir vibrar dentro do peito, quase como se o coração pudesse descansar e só a batida da música fosse o suficiente para bombear o sangue para o corpo. Avistou Ethel do outro lado da multidão, acenando freneticamente para ela.
– Se balançar mais, vai sair voando igual uma galinha! – gritou Moarã.
– Num me encha, soldada! – retrucou Ethel, sem parar de acenar – Tô assim porque tenho novidade! Sabe a gringa que chegou mais cedo? É ela que vai trabalhar comigo! E aquela caixona de metal que trouxeram?! É um laboratório de ponta, nunca vi igual! Nem sei pra que precisam de tanto treco, sempre me virei bem sem aquilo tudo.
– Pelo visto a inspeção foi boa.
– Foi. Já colocaram no lugar e já conheci a menina nova. E vish…
– Vish o quê? – Moarã estreitou os olhos.
– A garota. É boa. Mas cabeça dura igual. Quer fazer tudo sozinha, arruma os vidrinhos toda hora, organiza a bancada toda…
– Hunf – Moarã soltou uma risada fechada – isso vai ser engraçado.
– Não sei se vou aguentar…Sabe a minha relação com o método científico…
Moarã assentiu devagar, mas seus olhos já varriam o entorno, atentos mesmo fora de serviço. A multidão começava a se mover em espiral, acompanhando as batidas e um círculo se abria no centro da praça. Entre as tochas, Moarã avistou Naiovi: parada, sozinha, o olhar vagando com atenção e estranhamento, às vezes encantamento. As pessoas ao redor pareciam instintivamente manter distância, mas Naiovi não parecia deslocada. Conversava naturalmente trivialidades, uma senhora curiosa insistia para que experimentasse um pedaço de doce de mamão enquanto explicava uma receita, que Naiovi escutava com atenção.
– Ei! – chamou Ethel, cutucando Moarã com o cotovelo. – Tá me ouvindo?
– Tô sim.
– Mentira. Tá com a cara de quem tá tramando.
Moarã sorriu de canto.
– Quem, eu? Não sou eu quem tá metida com o submundo de Valeã.
Ethel bufou.
– Se for implicar com a menina, espera ela me ajudar a organizar as coisas primeiro. Aquele lab tem coisa demais e não vou dar conta sozinha!
– Dá sim, te conheço.
– Isso não significa que eu queira. E a propósito, o “submundo de Valeã” tem objetivos plenamente científicos.
Moarã não respondeu. Seus olhos estavam cravados em Naiovi.
– Ela é esquisita, mas é bonitinha, né?
– Demorou.
– Ah, você pensou o mesmo, vai. É um conjunto estranho que no fim deu certo.
Então, pela primeira vez, Naiovi cruzou seu olhar. Os olhos de Naiovi tinham algo incomum: no castanho-mel de sua íris, pequenas faíscas douradas apareciam como pepitas escondidas no barro sob a luz das lamparinas. Um arrepio subiu pela espinha de Moarã.
Não se falaram naquela noite.
No dia seguinte, Moarã foi acordada com quatro batidas ritmadas na porta de casa: dessa vez, os anciões queriam falar com ela.
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Moarã vestiu a primeira coisa que encontrou, prendeu os dreads e saiu. Sua casa ficava estrategicamente perto de tudo, no coração de Valeã. Em poucos minutos já atravessava a porta da Casa da Memória, onde os cinco anciãos já a aguardavam à mesa, como sempre cercados por café recém-passado e alguma coisa para comer. Sentou-se e logo Adão foi direto ao ponto:
– Achamos que você deveria acompanhar a nossa nova convidada.
– Acompanhar? Isso quer dizer escoltar, proteger ou vigiar?
– A lua minguante trouxe consigo uma visitante que não é comum – Manturã continuou – Apenas acompanhar, do jeito que achar melhor.
– Mas… – Não era de questionar os sábios, mas seu trabalho na muralha era fundamental e não queria deixar Valeã desprotegida para ser babá de gringa. Permaneceu imóvel, mas o silêncio dela já falava – Diana e Lúcio estão quase prontos para a cerimônia do inverno. Se eu sair das patrulhas agora, eles perdem semanas de treinamento.
– Eu ainda posso servir de alguma coisa – Sebastião se aproximou, ele era o ancião da patrulha. Foi professor de Moarã e um renomado líder da segurança interna e externa. – Já cuidei de coisa pior do que dois aprendizes afoitos.
– Ela apresenta alguma ameaça?
– É o que também queremos saber – respondeu Adão – Suas intenções parecem ser boas, porém…
– Apenas por precaução – completou Venâncio, o conselheiro espiritual – e acreditamos na sua intuição.
– Faz tempo que não recebemos alguém capaz de nos ensinar alguma coisa que ainda não sabemos – Conceição, a sábia gerente, deu um passo à frente – Valeã só cresceu porque nunca recusou conhecimento.
– E quem vai ficar no meu lugar nas patrulhas?
– Quem você quiser. Pensei em chamar o Silva – Respondeu Sebastião.
– Há dois ciclos o Sopra-Sangue anda diferente. Os suprimentos ainda precisam ser revisados, metade dos arcos está sem calibrar e as cordas novas nem chegaram. Se eu me afasto agora...
– Não pedimos exclusividade, só atenção. Continue fazendo o que é necessário e mantenha os olhos nela.
– Certo – Moarã respirou fundo – Se vocês estão pedindo, vou acreditar que há uma razão. – levantou-se e ajeitou a manta sob os ombros. – Mas me digam… vocês confiam nela?
– Confiamos em você – Manturã sorriu. – Seu julgamento faz parte dessa decisão.
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Fim do capítulo

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