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A volta do amor que nunca se foi por priskelly

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Palavras: 3133
Acessos: 372   |  Postado em: 09/07/2026

Capitulo 42

Por Bárbara

Alguns dias depois

 

Após receber uma proposta de Marcela, para ficar no Brasil e me tornar chefe do departamento de segurança da sua empresa, os últimos dias tinha sido de muitas análises e questionamentos internos. Parte de mim, queria aceitar a proposta, afinal de contas, eu tinha sido bem recebida por todas ali, e tinha me adaptado bem no país. No entanto, outra parte tinha receio do que poderia acontecer… Ou melhor, do que já estava acontecendo com meu coração.

Eu estava esperando Marcela chegar em meu apartamento, pois tínhamos combinado de nos encontrarmos a sós para que eu pudesse comunicar minha decisão.

A verdade é que nos últimos dias eu pensei muito sobre minha vida que tinha ficado de cabeça para baixo no quesito “emoção”. Daniela entrou na minha vida e bagunçou tudo que levei anos para consertar, e agora eu estava novamente perdida em meus sentimentos, pior ainda era aquela incerteza do que de fato eu estava vivendo com aquela baixinha insuportável. Nos últimos dias, nós estávamos basicamente vivendo um romance de adolescentes. Ficávamos sem qualquer compromisso, e para falar a verdade, nem falávamos sobre isso. Eu me sentia bem na companhia de Daniela, mas sentia também que vivíamos uma relação sem estabilidade alguma, e isso me fazia temer as possíveis dores que meu coração poderia sofrer, afinal, Daniela não demonstrava querer compromisso sério, e não seria eu que iria cobrar isso dela. Por essa razão, eu resolvi recusar a proposta de Marcela. Eu não queria correr o risco de sofrer novamente por amor. 

A campainha tocou e fui atender sabendo que seria Marcela.

– Desculpa a demora Bárbara. Eu fiquei presa em uma reunião, por isso atrasei. – Marcela falou enquanto me cumprimentava.

– Tudo bem, Marcela. Eu entendo perfeitamente. Quer beber alguma coisa? 

– Uma água apenas. Estou dirigindo e não posso beber nada com álcool. 

Começamos conversar animadamente sobre coisas aleatórias. Eu não podia negar que a companhia de Marcela era sempre muito agradável.  Com ela eu conseguia ser eu mesma sem precisar esconder meus fantasmas e emoções. Se não fosse para fugir dos meus próprios sentimentos, eu até arriscaria a começar uma nova vida no Brasil, ao lado da minha amiga, já que em Portugal eu não tinha nada que me prendia e vivia na maioria dos dias sozinha desde que Marcela retornou ao Brasil.

– Ei, estou te achando um pouco chateada. Aconteceu alguma coisa? 

– Não! Claro que não. É apenas impressão sua. 

– Bárbara, eu te conheço. Eu sei que algo está acontecendo. Me fala!

Sustentei o olhar da minha amiga sabendo que ela não desistira enquanto eu não resolvesse contar tudo o que se passava dentro do meu coração.

– Marcela, eu agradeço muito sua proposta, confiança e especialmente sua amizade, mas eu não vou poder ficar no Brasil, e trabalhar com você. 

– E eu poderia saber o motivo da recusa? Não me leve a mal Bárbara, mas eu sei que em Portugal você não tem nada nem ninguém que te prenda por lá, então realmente não consigo entender o que te faz recusar. Aqui você me tem, tem as meninas… O que te impede de ficar?

Respirei fundo sem ter muita coisa a dizer à Marcela. Eu sabia que qualquer coisa que falasse não seria o suficiente para que ela acreditasse em mim. Marcela era uma das poucas pessoas que deixei me conhecer de verdade, e se tinha uma coisa que ela saberia naquele momento é que eu estaria mentindo para ela.

– Vamos lá, Bárbara. Pode se abrir comigo. É a Dani, não é? – Olhei para Marcela e respirei novamente.

– Estou perdidamente apaixonada por aquela anã, e não sei o que fazer a respeito do que sinto, pois sei que ela não quer nada sério.

– Uau! Acho que agora eu preciso de um vinho para me ajudar processar todas essas informações. 

Marcela falou e eu sorri sem qualquer emoção enquanto fui buscar uma garrafa de vinho para servi-la. Quando retornei à sala minha amiga estava com uma expressão indecifrável. Fiquei me questionando o que estaria se passando em sua cabeça naquele momento.

 – A notícia foi tão ruim assim a ponto de te deixar sem palavras? – Perguntei meio nervosa enquanto a servi com uma taça de vinho.

– Não é que tenha sido ruim, mas confesso que me surpreendi com essas palavras. Não que eu já não soubesse que de alguma forma vocês estavam envolvidas, mas te ouvir falar assim com tanta convicção é muito surpreendente.

– Eu não esperava que isso acontecesse. Eu juro que tentei fugir. – Tomei um pouco do vinho tentando organizar minhas ideias – Mas ela parece ter um imã que me atrai, ao mesmo tempo em que quero matá-la quero também amá-la. Os melhores momentos dos meus dias aqui, são quando estou ao lado dela.

– Quem diria, hein? Bárbara De Veiga, apaixonada. Essa se alguém me contasse eu não acreditaria. 

– Isso, fica me zoando sua amiga da onça. – Joguei uma das almofadas em Marcela que Gargalhou. 

– Mas me conta, vocês estão mesmo ficando?

– Sim! Nós temos ficado e céus... Marcela, aquela mulher me enlouquece na cama, mas quando estou sozinha percebo que nunca vamos passar disso entende? Eu não quero e não posso sofrer de novo.

– Bárbara, não quero tomar uma posição entre vocês duas, ambas são minhas amigas e não quero vê-las machucadas, mas conheço a Dani há anos, e uma coisa posso te garantir, ela nunca ficou com uma pessoa por muito tempo, nunca se apegou a ninguém, mas com você vejo que existe uma diferença, entende? Mesmo ela tendo aquele jeito estabanado, mas com você ela se preocupa e talvez essa preocupação seja o que a impede de tomar alguma decisão a respeito de vocês. Se bem conheço a Dani, ela tem medo de machucá-la. 

– É, talvez. Mas não posso arriscar, Marcela. – O gosto amargo da tristeza invadia meu coração.

– E o que pretende fazer? Acha que fugir vai ser a melhor saída? Eu fugi durante anos, e você sabe perfeitamente como foram meus dias. Agora olha só como estou hoje. Se for amor que você tem por ela, não importa para onde você vá, esse sentimento vai acompanhar você. 

Me surpreendi quando lágrimas escorreram pelo meu rosto. Depois de muitos anos sem deixar minhas emoções serem maior que a razão, pela primeira vez eu estava chorando novamente como uma adolescente apaixonada. Eu sabia que Marcela tinha razão, mas eu não me sentia pronta para lutar sozinha por uma relação novamente.

– Sinto muito, Marcela. Mas minha decisão está tomada. Embarco em poucos dias para Portugal, mas não quero que ninguém saiba. 

– Você vai embora sem se despedir de ninguém? A Dani pode sofrer com isso sabia? – Marcela estava incrédula. – Desculpa Babi, mas isso eu não posso concordar. Todas elas vão ficar muito tristes. 

– Quando eu chegar lá, envio mensagem para todas. Vai ser melhor assim, Marcela.

– Você pode estar cometendo o maior erro da sua vida, mas se é assim que prefere, vou respeitar sua escolha mesmo não concordando. – Marcela falou com tristeza o que acabou me fazendo sentir a pessoa mais egoísta do universo.

 

Por Marcela

Dias depois

 

Faltava apenas um dia para Bárbara ir embora e como não consegui fazer com que ela mudasse de ideia em relação a contar para as outras sobre sua decisão, resolvi fazer um almoço para todas nós e nossos familiares. Eu queria de alguma forma que as meninas pudessem desfrutar de um último momento ao lado da portuguesa, afinal, eu sabia o quanto todas tinham se apegado a ela. Além disso, eu tinha um plano muito importante para esse almoço também e queria que ela participasse do momento. 

– Meu bem, você está tão linda. – Hanna falou no meu ouvido quando chegou por trás encaixando seus braços em volta da minha cintura. 

– Posso garantir que não mais que você. Já disse que eu te amo, hoje? 

– Adoro quando fala isso. Então se eu disser que não, você vai repetir muitas vezes?  

Sorri com aquele jeito sapeca da minha namorada e me virei ficando de frente para ela colocando uma mecha do seu cabelo atrás da orelha. 

– Posso repetir isso quantas vezes você quiser. – Beijei sua testa e fui repetindo vários eu te amo enquanto distribuía beijos pelo seu rosto. 

– Ei, casal. Vocês nos convidaram para ficar vendo essa saliência em plena tarde de domingo? – Daniela provocou nos fazendo sorrir.

– Essa baixinha abusada tem razão. Nossa glicose está aumentando. – Robson que estava jogado no chão da minha sala brincando com Gabi, falou entrando na brincadeira da Daniela.

– Eu acho muito fofo quando vejo as duas juntas. – Meu sogro entrou na conversa e depois disso tudo virou uma bagunça.

Olhei para um canto da sala e percebi que Bárbara estava olhando intensamente para Daniela, que estava alheia àqueles olhares. Eu sentia que minha amiga estava agindo completamente pelo o impulso e de forma errada. Eu a conhecia o suficiente para ter certeza que Bárbara estava indo contra seu coração, mas não sabia o que fazer para ajudar. 

– O que foi, amor? – Hanna perguntou analisando meu rosto. – Você ficou séria do nada. 

– Eu sinto que estou sendo cúmplice de um erro, e não sei o que fazer para impedir.

– Está falando do que exatamente? 

Sustentei o olhar preocupado de Hanna. Talvez fosse errado contar o segredo da Bárbara para ela, mas eu sabia que podia confiar plenamente na minha namorada, e talvez ela pudesse me ajudar a pensar em algo. 

Contei tudo para Hanna vendo suas expressões mudarem conforme a narração.

– Então é isso, eu não sei o que fazer para conseguir abrir os olhos da Bárbara. Ela está decidida, mas veja só como ela parece estar triste.

Hanna olhou em direção onde Bárbara estava e então falou...

– Eu posso imaginar o conflito que está se passando dentro de você, mas talvez não seja você que tenha que agir. – Olhei sem entender o que ela dizia. – Talvez quem precise agir seja a Daniela. Eu sei que ela também está apaixonada pela Bárbara, todo mundo vê, mas ela é cabeça dura demais para tomar uma posição. 

– Você tem razão, mas agora não tem mais tempo para isso. 

– Amor, sempre existe tempo para tomar uma atitude. No nosso passado, eu errei demais por não tomar uma atitude e ir atrás de vocês para concertar as coisas. Eu deixei que você acreditasse que eu te amava, quando tudo o que eu mais queria era te pedir perdão e pedir uma chance para recomeçarmos. Mas talvez hoje eu possa fazer algo para que a Dani não cometa o mesmo erro que eu cometi.

– E o que você pretende fazer? – Perguntei curiosa para Hanna que estava com cara de quem iria aprontar.

– Só confia em mim e você vai ver. – Ela piscou o olho e saiu em direção onde os outros estavam conversando.

 

Por Hanna

 

Desde que Bárbara chegou ao Brasil, eu via que Daniela, mesmo sem perceber, estava mudada. Não totalmente, é claro, mas de alguma forma minha amiga simplesmente não era mais a mesma. Daniela estava mais caseira e menos “farofeira” e por mais que ela tentasse não demonstrar, estava mais que nítido sua paixão pela portuguesa, mas dava para perceber também que a insegurança era ainda maior que o sentimento naquele momento. 

Depois que Marcela me contou que Bárbara iria embora por medo de sofrer pelo o amor que sentia por nossa amiga, tomei a decisão que precisava ajudar Daniela a enxergar o erro que iria cometer se não impedisse Bárbara de ir embora. Eu não poderia ver ela deixar que a única mulher que mexeu com seu coração, fosse embora sem fazer nada para impedir. Definitivamente eu não iria ver ela cometer o mesmo erro que eu cometi no passado. 

O almoço que Marcela organizou para nossos amigos e familiares estava muito agradável e divertido. Aproveitei a interação de todo mundo e me aproximei de Daniela pretendendo ter um momento a sós com ela. 

– Dani, será que você poderia me acompanhar ao quarto e me ajudar com uma coisinha? – Minha amiga pareceu confusa.

– E por que não chama sua namorada? 

– Para de ser rabugenta, mulher. Não está vendo que ela está ocupada conversando com a Bárbara?

– Tudo bem, vamos logo. 

Daniela deixou sua bebida no centro da mesa e seguimos em direção ao quarto. 

– E então, quer ajuda com o que? – Daniela perguntou se jogando na cama de Marcela igual uma criança.

– Se Marcela vir a bagunça que você está fazendo na cama dela, eu tenho até pena de você. 

– Sua namorada é uma chata às vezes. Eu acho que você não comparece muito bem, sabe?! 

– Pobre Daniela, como você é iludida. Mas não te trouxe aqui para falar do meu desempenho sexual com minha namorada. Estamos aqui para falar sobre você! – A expressão de diversão de Daniela foi substituída por uma expressão interrogativa.

– O que quer dizer com isso? Estou começando a me sentir em uma emboscada. 

Respirei profundamente e sentei em uma poltrona que tinha ali no quarto.

– Qual é, Daniela. Você está falando comigo, e eu te conheço há anos. Eu sei exatamente o que anda acontecendo nesse seu coração bandido. Você sabe que nós duas sempre fomos muito ligadas, e entre todas, você sempre foi a que mais buscava me entender e estar ao meu lado quando o assunto era Marcela. Por que não me deixa fazer o mesmo com você?

Daniela ficou me olhando por um tempo como se estivesse decidindo o que iria fazer, mas logo relaxou os ombros e respirou antes de começar a falar.

– Você tem razão, talvez seja bom ter com quem falar sobre isso. 

– Ótimo! Por que não começa me falando como se sente?

– Não é uma coisa tão fácil. Falar sobre meus sentimentos nunca foi fácil, e por isso me tornei o que você conhece hoje. Esconder o que sentimentos nos dá a impressão que é mais fácil do que viver. 

– Eu sei, Dani. Esqueceu que eu já vivi isso? Você esqueceu de como eu era nos meu 19 anos? Mas hoje somos mulheres adultas, e a diferença entre nós duas, é que eu tinha medo da minha sexualidade e você pelo visto tem medo do sentimento.

– Você deixou de ser aquela pirralha maluca e tornou-se uma mulher que me mata de orgulho. Olha só para você hoje… uma mulher linda, mãe responsável, namorada incrivelmente trouxa. Hanna, você é maravilhosa! Mas e eu? Sou apenas a Daniela, que não consegue se envolver com ninguém por medo de amar. 

Sorri com a declaração da minha amiga. Eu sabia que aquele jeito maluco que Daniela costumava ter não era cem porcento o que de fato ela era. Daniela sempre foi muito extrovertida e até meio irresponsável, mas sabia falar sério quando necessário.

– Você tem razão! Eu me tornei tudo isso. Mas precisei apanhar muito da vida para ser quem sou hoje. Eu sempre tive escolhas Dani, e costumei tomar as piores decisões em alguns momentos. Somente quando conheci o inferno foi que pude perceber o quanto errei, e por isso te chamei aqui, para não permitir que você cometa o mesmo erro. Você é uma mulher incrível, sempre busca ajudar as pessoas, tem um coração bondoso e sua alegria contagia a todos ao seu redor, e eu tenho certeza que se você não fugir, vai ser uma ótima namorada. 

– Está tão na cara assim o quanto a quero? – Ela me perguntou meio sem graça.

– Está sim, minha amiga. – Sorri para ela que me olhava assustada – Mas isso não é ruim. 

– Como não pode ser ruim? Eu a quero, mas não sei o que fazer a respeito. – Daniela parecia frustrada e perdida.

– Vocês já estão envolvidas, não é? – Ela nem precisou responder nada, sua expressão tímida falava mais que mil palavras. – Já conversou com ela sobre como se sente em relação a vocês duas? 

– Já tivemos momentos bacanas juntas, e até conversamos sobre nosso passado e também sobre a confusão que estamos vivendo, mas nunca tivemos uma conversa mais aprofundada sobre o que vamos fazer a respeito disso tudo. Na verdade, só deixamos ir acontecendo sem rotular nada. Eu não queria pressioná-la a tomar uma decisão, entende? Bárbara não é do tipo que se apega.

– Talvez seja hora de você pensar em resolver isso. Já pensou que ela pode ter esperado por uma iniciativa sua para tentarem entrar em uma relação mais séria? 

– O quê? Claro que não! Ela me daria algum indicio se esse fosse o caso, né? Por que está me falando tudo isso?

– Daniela, sua tonta. Nós estamos falando da mulher maravilha. Acha mesmo que ela pintaria a testa para você perceber que ela quer algo sério com você? – Daniela ficou pensativa por um momento e então eu avisei... – Ela está para embarcar de volta à Portugal essa madrugada.

Daniela me olhou com confusão nos olhos, mas logo foi transformando para tristeza e raiva, enfim eu não sabia definir exatamente o que se passava nos olhos de Daniela naquele momento. 

– O quê? Como assim? Por que ela não contou nada disso para mim? 

Expliquei a Daniela tudo o que Marcela tinha me falado. Ela me ouvia com atenção sem dizer uma só palavra, o que considerei como uma evolução muito grande. 

– Ela não pode simplesmente ir embora sem se despedir de ninguém, sem me falar nada, sem a gente conversar. 

– Daniela, ela está fugindo. Está fugindo de você e do que sente, mas você pode resolver isso, basta uma iniciativa sua. Por isso eu estou falando com você… é para você não cometer o erro que eu cometi. Dani, não deixa sua felicidade escapar. Você ainda tem tempo para impedir isso. 

Me surpreendi quando vi Daniela chorando silenciosamente. Fui em sua direção e a abracei compartilhando da sua dor como tantas vezes ela havia feito comigo. Se existia alguém ali que entendia completamente seu conflito, esse alguém era eu. 

– Se é o que ela quer, eu não vou impedir. Isso apenas mostra que para ela, o que vivemos esses dias não significou muita coisa.

Foi o que ela disse por último antes de sair do quarto sem me dar tempo de falar mais nada. 

Daniela não tinha muito tempo para reagir, mas naquele momento tempo era tudo o que ela precisava para processar.


Fim do capítulo


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