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O Reflexo do Que Restou do Horizonte de Eventos por Lady Texiana

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Palavras: 1636
Acessos: 45   |  Postado em: 03/05/2026

O Horizonte de Eventos

A reentrada na atmosfera não foi um mergulho pacífico, aliás, nunca era, todos os cinco astronautas daquela missão sabiam disso. Quando a cápsula Odyssey atingiu a ionosfera, o escudo térmico não enfrentou apenas o atrito com o a atmosfera ionizada; uma fenda de distorção temporal, uma espécie de ranhura no tecido do espaço-tempo, vazando antimatéria de outra dimensão - restos da missão de cinco meses em solo lunar -  envolveu a nave.

Por cinco minutos do blackout, do silêncio absoluto no rádio, quando a capsula estivera envolta em chamas plasmáticas, Selena não estava apenas caindo, atraída pela gravidade da Terra; ela estava estagnada em um ponto onde o passado, presente e o futuro colidiam e misturavam-se, para depois se quebrarem em mil pedaços.

O impacto do splashdown no Oceano Pacífico foi brutal, um dos paraquedas de frenagem apresentou defeito e não abriu corretamente. Com a entrada quase balística, a desaceleração de 8g comprimiu seus pulmões e a carne contra seus ossos, mas foi o súbito deslocamento temporal que estilhaçou sua mente; quando a cápsula atingiu a água, a realidade vibrou como cordas de um violino.

Selena não sentiu o balanço familiar das ondas, mas o peso de um invólucro vazio, escuro e frio na sua mente. O resgate a encontrou em choque, mas o verdadeiro horror começou logo na quarentena. A anomalia a seguira, uma distorção residual temporal como vagalhões de anacronia, transformando seu retorno ao lar em uma descida espiralada e vertiginosa ao submundo da sua consciência.

O apartamento 555 cheirava a poeira estelar e a alguma mistura metálica e acre. Selena atravessou a sala, ainda sentindo a vertigem da reentrada. Sarah não estava lá para recebê-la. No centro do tapete azul índigo, jaziam jogados os óculos dela, as lentes estilhaçadas como se tivessem sofrido uma descompressão súbita e destrutiva no vácuo.

Ao tocar a delicada armação retrô, a anomalia temporal em seu córtex sensorial disparou. O vidro quebrado agiu como um prisma de eventos, dispersando as cenas em flashes difusos, coloridos, nauseantes. Através das lentes trincadas, Selena viu a sala se desdobrar em múltiplas linhas do tempo.

Em uma delas, Sarah sorria vibrante; em outra, ela cantava uma canção de ninar e embalava ternamente a filha de ambas; nas outras duas, fragmentos dos momentos passados juntas; na quinta - a que a anomalia destacava os detalhes horrendos - Sarah gritava, devorada por estranhas entidades compostas de pura entropia, absolutamente sem nexo algum, sem começo, meio ou fim.

Eram sombras feitas de tempo puro e estático, seres que se alimentavam de momentos não vividos. Selena percebeu que a distorção na reentrada havia substituído sua Sarah por um vácuo escuro, vazio e inerte. A mulher que ela amava fora apagada pelo tempo, substituída por um borrão cinzento que ela agora tentava assimilar.

Cambaleando, Selena foi até o quarto, a bile prestes a subir pela garganta; o desespero fazia brotar gotas de suor em sua testa, apesar da sensação do frio sentido no Pacífico quando fora resgatada - que agora retornava com tal intensidade que parecia congelar seus ossos, enquanto a força gravitacional voltava a esmagar seus pulmões com tanta força, que ela perdeu o fôlego.

A anomalia criou um novo loop sensorial: de repente, o frio do Pacífico desapareceu, substituído pelo calor de um domingo bom, desses das memórias boas que ficam para sempre. O aroma de café fresco e torradas com manteiga e geleia de morango era tão denso que parecia palpável, mas sob a análise técnica de sua mente científica, o cheiro tinha um sabor metálico, o ruído da estática da radiação cósmica de fundo, o velho Big Bang impondo sua presença em decibéis agora muito desconfortáveis.

Na cama, uma projeção em espiral de Sarah apareceu, segurando uma bandeja.

- Você demorou tanto na Lua, Selena... tome seu café, meu anjo. Agora o tempo não importa mais.

Selena estendeu a mão, mas hesitou. As xícaras de café na bandeja não fumegavam com vapor de água, mas com partículas de luz branca que vibravam na frequência exata daquela anomalia de reentrada, resquícios de radiação cósmica. Era uma espécie de "assombração de felicidades passadas" - uma armadilha temporal e uma ilusão mortal. Se Selena aceitasse o café e se deitasse naquela cama, ela se tornaria parte do loop, presa para sempre em uma memória, enquanto seu corpo físico desaparecia no presente.

- Isso é como o horizonte de eventos na borda de um buraco negro - sussurrou Selena, a voz trêmula. - Se eu entrar, nunca mais poderei sair, nunca haverá um amanhã!

O quarto começou a sofrer uma mutação súbita sob o efeito da distorção temporal. As paredes de gesso tornaram-se azulejos brancos e frios; a luz do sol tornou-se o brilho clínico das lâmpadas brancas de uma ala de isolamento. O chão transformou-se em metal gradeado, idêntico ao convés do navio de resgate da capsula. No centro, uma cama de hospital de ferro, com marcas visíveis de deterioração, rangia sob uma pressão invisível.

Sarah estava lá, presa pelos pulsos por algemas que pareciam ser feitas das sombras de um eclipse, mas que cintilavam com o mesmo azul elétrico da ionosfera. Aquilo era o trauma da espera manifestando-se: o aprisionamento de quem fica em terra, acorrentada à incerteza da volta segura do espaço da pessoa amada.

Uma voz feminina, distorcida e aguda, emanando de uma das mulheres na foto do grupo de amigas (as quatro que Sarah sempre mencionava como seu porto seguro, sua rede de apoio e suporte), ecoou pelas paredes, enquanto uma folha de papel com letras vermelho brilhantes pairava suspensa no ar sobre a cama:

- Não a deixe sofrer, Comandante. Assine esta rendição. Admita que é um erro. Admita que o espaço a roubou de nós e aquelas algemas cairão.

Nas paredes de azulejo, arranhões profundos começaram a formar palavras: NÃO ACREDITE NELA. Era a consciência de Selena lutando contra a alucinação temporal.

O ar ao redor pareceu sofrer uma ondulação, espalhando partículas cortantes como lâminas, de poeira de regolito - a poeira lunar -  que cobriram o espaço com um silêncio agoniante. Do meio desta ondulação, surge a materialização do " Cavaleiro Cambaleante da Gravidade" - a personificação amorfa da falha na reentrada. Era a entidade etérea de outra dimensão, que estava usando a imagem familiar da foto para induzir Selena a um colapso mental e a negar a si mesma.

O monstro, composto de antimatéria, a impelia a aniquilar a tudo: carreira, as longas horas de estudos, o treinamento, a própria sanidade, absolutamente tudo. Aquele era um personagem de culpa: a culpa que a assolava a cada longa hora que passava longe de casa, quando Sarah mais precisara dela, de seu apoio e suporte na maternidade, quando a filha de ambas nascera. Ela sempre estava longe, sempre ocupada com algum outro novo projeto.

- Eu não sou um erro ou uma anomalia! - Selena gritou com aquele monstro, lutando para não sucumbir ao desespero paralisante, segurando a foto das quatro amigas contra o peito. - E meu amor por Sarah e nossa filha não é uma falha crítica na inserção orbital!

As algemas de umbra total explodiram em fagulhas elétricas azuis. O hospital começou a se fragmentar em minúsculos pedacinhos brilhantes, psicodélicos, as paredes voando como estilhaços de uma nave estelar em desintegração na imensidão cósmica gelada e sem vida da morte térmica do Universo. No fim do corredor escuro, surgiu uma porta que emitia uma luz branca cegante - a mesma luz do sol refletida no oceano no momento do splashdown.

Era o ponto de saída da anomalia. Selena correu, sentindo a força da gravidade tentando esmagá-la novamente. Ela soube que precisava sair por aquela porta para realinhar sua linha do tempo com a de Sarah. No auge do desespero, ela invocou a imagem da amada, gravada no subconsciente como uma chave de frequência ultrassônica. Aquele momento de conexão pura, teve o poder de ancorar Selena à realidade através do amor sentido por sua amada e sua filhinha.

Ao atravessar a porta, Selena não encontrou o vácuo, mas o corredor da área de quarentena da agência espacial onde deveria estar. A luz branca diminuiu, revelando médicos e rostos conhecidos, que a conduziram novamente para dentro do quarto. Ela sentiu o impacto tardio do oceano em seus ossos, a umidade do mar ainda persistente, entranhada em seus poros, os dentes batendo de pura exaustão.

A porta do quarto de isolamento se abriu novamente. Não era uma assombração ou a anomalia temporal. Sarah entrou, os olhos vermelhos de choro e alívio, segurando a filha nos braços e firmemente apoiados sob o nariz, a mesma armação de óculos que Selena vira quebrada - mas agora, eles estavam inteiros, refletindo apenas a luz das lâmpadas fluorescentes.

- Você finalmente voltou para casa... pensei que nunca mais acordaria - Sarah soluçou, abraçando-a. Selena chorou no ombro da esposa, sentindo o pulso firme da realidade. Acariciou os cabelos macios da filha.

- Por quanto tempo fiquei inconsciente? Foram apenas algumas horas... talvez umas cinco, não foram? - Selena perguntou, a voz um sussurro contra o pescoço de Sarah.

- Foram cinco longas semanas, realmente longas... - respondeu a amada, beijando-a com delicadeza nos lábios. - Mas agora está tudo bem, você voltou para nós.

A anomalia passara, mas enquanto olhava para a porta aberta, a Comandante sabia que uma parte dela sempre estaria em guarda. 

Uma vez que você navega pelas dobras do tecido do espaço-tempo e sobrevive ao que restou, depois de passar pela dilatação gravitacional no horizonte de eventos de onde nem mesmo a luz consegue escapar, você entende que a maior distância a ser vencida não é o vácuo entre a Terra e a Lua, mas os poucos parsecs de incertezas que separam o colapso de sua consciência do calor do primeiro "eu te amo" nos braços da pessoa amada.

 

Fim do capítulo

Notas finais:

O que seria mais difícil: resistir à tentação de viver em um loop eterno em uma memória perfeita ou encarar uma realidade que pode estar quebrada e cheia de traumas e culpas?


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Comentários para 1 - O Horizonte de Eventos:
Minh@linda!
Minh@linda!

Em: 03/05/2026

Acredito que resistir a tentação de viver um loop perfeito, seja mais difícil. Seria como viver, eternamente, um sonho perfeito! Mas não passaria disso e, não seria real.

Já, voltar pra realidade, mesmo com toda problemática existente, não seria menos difícil... Porém teria a satisfação de ter momentos de felicidade reais, superando dificuldades e "Eu te amo" atualizados.

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