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A Marca do Prazer por Naahdrigues

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Palavras: 5142
Acessos: 609   |  Postado em: 31/03/2026

CAPITULO 1 - ALÉM DA ROTINA

A manhã começou cedo para Camilla. O despertador tocou antes mesmo do sol surgir, com um som discreto, mas suficiente para fazê-la despertar de sua noite de sono já curta. Ela abriu os olhos lentamente, respirando fundo, sentindo a sensação familiar de responsabilidade pairando sobre seus ombros. A rotina a chamava, implacável e constante, e ela não podia se dar ao luxo de atrasos.

O apartamento, localizado em um dos bairros mais nobres da cidade, refletia a personalidade de sua dona: elegante, minimalista e funcional. Cada detalhe tinha seu propósito. A mesa de jantar cuidadosamente organizada, os livros de medicina alinhados na estante, as fotos emolduradas com familiares e amigos mais próximos. Camilla caminhou até a cozinha, preparando um café preto forte, absorvendo o aroma que sempre a ajudava a despertar de fato.

Enquanto mexia a colher na xícara, seus pensamentos já estavam no hospital. O dia seria intenso: consultas de rotina, cirurgias programadas e reuniões com investidores do hospital. Seu trabalho não era apenas uma ocupação; era uma extensão de sua vida, um legado familiar. Afinal, o hospital era propriedade de seus pais, e a responsabilidade de manter a instituição de pé pesava tanto quanto o bisturi em suas mãos.

Camilla se vestiu com precisão, escolhendo roupas confortáveis, mas que transmitissem autoridade e profissionalismo. Um blazer cinza sobre uma blusa branca, cueca de compressão e calça de alfaiataria e sapatos discretos, porém elegantes. No espelho, o coque impecável e o olhar determinado mostravam uma mulher segura, mas havia sempre um traço de insegurança que só ela percebia: aquele medo silencioso de não ser suficiente, de depender da herança familiar para ser valorizada.

O café da manhã com os pais era quase um ritual. Entre goles de café e torradas quentinhas, os assuntos giravam inevitavelmente em torno do hospital, finanças e os próximos passos da família.

— Camilla, você revisou o relatório financeiro antes da reunião com os investidores? — perguntou seu pai, firme, apoiando os cotovelos na mesa.

— Sim, pai. Está tudo conferido — respondeu ela, com um sorriso educado, tentando disfarçar a pontada de cansaço que sempre vinha com aquela pressão.

Sua mãe, elegante como sempre, olhou por cima do jornal:

— E não se esqueça da postura durante a apresentação. Lembre-se de que você representa não apenas a si mesma, mas toda a nossa família.

— Claro, mãe. Vou me certificar de que tudo saia perfeito — disse Camilla, balançando a cabeça enquanto sentia o peso das expectativas se misturar à rotina matinal.

— E não se sobrecarregue demais, filha — acrescentou seu pai, suavizando o tom, embora a preocupação ainda soasse rígida. — Sei que é capaz, mas cuide de você também.

Camilla respirou fundo, tentando internalizar aquele equilíbrio entre amor, cobrança e responsabilidade. Um silêncio confortável caiu sobre a mesa, quebrado apenas pelo tilintar de talheres e o aroma forte do café recém-passado.

Após o café, Camilla pegou sua bolsa de trabalho e saiu do apartamento, percorrendo as ruas tranquilas ainda vazias da cidade. O trajeto de carro permitia que ela refletisse sobre o dia, planejasse mentalmente as cirurgias e consultas, e organizasse cada detalhe. O trabalho era exigente, mas também gratificante. Havia uma satisfação silenciosa em ajudar pacientes, salvar vidas e tomar decisões críticas com precisão.

Ao chegar ao hospital, Camilla se transformava. O jaleco branco e a postura firme impunham respeito aos colegas, enfermeiros e pacientes. Cada passo pelos corredores parecia natural, mas carregava autoridade. Ela cumprimentava os colegas com um aceno discreto e um sorriso contido, suficiente para ser cordial, mas mostrando domínio do espaço.

— Bom dia, doutora Camilla — disse Mariana, uma das enfermeiras-chefe, ajustando o crachá.
— Bom dia, Mariana. Como está a equipe hoje? — respondeu Camilla, com voz firme, mas calma.

— Tudo pronto para a primeira cirurgia. O paciente está estável, mas a equipe de anestesia pediu para revisar alguns detalhes antes de iniciar. — Mariana olhou para Camilla com respeito.
— Ótimo, vamos revisar juntos na sala de reuniões antes de entrar. Quero que todos estejam alinhados — disse Camilla, enquanto caminhavam para a sala de reuniões, os passos ecoando levemente pelos corredores silenciosos do hospital.

Ao entrarem na sala, já estavam presentes o Dr. Rafael, cirurgião cardiovascular, e outros membros da equipe, incluindo residentes e enfermeiros. Camilla tomou seu lugar na mesa de conferências e abriu seu tablet com o relatório do dia.

— Bom dia a todos — começou Camilla, firme. — Temos três cirurgias programadas hoje e algumas consultas de acompanhamento. Vamos começar revisando o caso do paciente com apendicite complicada. Rafael, você poderia atualizar a equipe sobre os pontos críticos?

Dr. Rafael olhou para a equipe e começou:
— O paciente apresenta inflamação aguda com complicações. Precisamos decidir entre a laparoscopia ou uma abordagem aberta, considerando o risco de perfuração.

Camilla franziu levemente a testa, analisando os dados.
— Pelo histórico do paciente e considerando a inflamação intensa, minha sugestão é começar com a laparoscopia, mas mantendo a equipe preparada para converter para aberta caso seja necessário — disse, com convicção.

Uma residente levantou a mão timidamente:
— Dra. Camilla, e se encontrarmos aderências extensas durante o procedimento?

— Então faremos a conversão imediatamente — respondeu Camilla, mantendo a firmeza. — Não podemos correr riscos desnecessários. Segurança do paciente é prioridade.

— Concordo — disse Rafael, assentindo. — Sua avaliação é precisa. Mariana, garanta que todos os instrumentos necessários para a conversão estejam prontos.

— Sim, doutor — respondeu Mariana, já tomando notas e organizando a equipe.

Camilla olhou ao redor, certificando-se de que todos estavam atentos.
— Excelente. Quero que cada um saiba exatamente sua função antes de entrarmos na sala de cirurgia. Nenhum detalhe pode ser negligenciado. Qualquer dúvida, pergunte agora — disse, impondo autoridade sem ser ríspida.

Os residentes trocaram olhares, visivelmente impressionados com a segurança da jovem médica. Camilla continuou a reunião discutindo cada caso com clareza, analisando exames, sugerindo abordagens cirúrgicas e antecipando possíveis complicações. Cada palavra sua transmitia confiança, conhecimento e experiência, consolidando o respeito que a equipe já tinha por ela.

— Dra. Camilla, você acha que deveríamos revisar também o caso da paciente cardiopata antes da cirurgia abdominal? — perguntou um residente.

— Sim, mas de forma objetiva. Vamos verificar os sinais vitais, histórico e medicações. Não podemos deixar nada passar despercebido — respondeu Camilla, ajustando o jaleco. — Preparar o paciente é tão importante quanto executar a cirurgia corretamente.

Ao final da reunião, todos estavam alinhados e cientes de suas funções. Camilla levantou-se, conferindo rapidamente cada rosto da equipe.

— Ótimo trabalho, pessoal. Vamos colocar tudo em prática e garantir que o dia transcorra da forma mais segura possível. Qualquer imprevisto, comunique imediatamente. — Ela sorriu de leve, mas o olhar sério mostrava que não toleraria descuidos.

A equipe assentiu, visivelmente motivada e segura com a liderança de Camilla. Ela sabia que parte do respeito vinha da posição da família, mas também sabia que merecia cada conquista pelo próprio mérito, pela competência e pelo cuidado que dedicava aos pacientes.

Durante a primeira cirurgia do dia, um procedimento de apendicite complicada, a concentração máxima substituiu qualquer insegurança. Cada gesto era calculado, cada decisão tomada com segurança. A sala de cirurgia era seu reino, e ali não havia espaço para dúvidas. Mas, mesmo em meio ao trabalho, pensamentos íntimos surgiam inesperadamente. Ela se pegava imaginando situações diferentes de sua rotina rígida, pequenas fantasias de prazer e liberdade que nunca admitia nem para si mesma.

Entre uma cirurgia e outra, Camilla aproveitava breves momentos para conversar com suas amigas por mensagens. Sofia, a mais extrovertida do grupo, sempre incentivava Camilla a explorar a vida além do hospital.

Grupo: Amigas parceiras 😈 🫦

Sofia: Camilla! Cadê você hoje? 👀
Ana: Sumida! Tá viva ou virou fantasma do hospital? 😅
Laura: Sim, me conta! O que você anda fazendo além de salvar vidas?

Camilla: Oi meninas… só… correndo entre uma cirurgia e outra. 😓

Sofia: Corre não, Camilla! Você precisa viver um pouco! Não pode passar a vida inteira em sala de cirurgia e reuniões! 😜
Sofia: Você precisa sentir prazer, trans*r, se divertir… e quem sabe, até uma aventura.

Camilla: Hahaha… vocês sempre exagerando. 😅

Ana: Não tô exagerando! Eu sinto falta de ver você feliz de verdade. Além disso… seu “amiguinho” anda com saudade de entrar em alguém. 🫣

Camilla sorria discretamente, corando. Ela sabia que Sofia estava certa, mas admitir isso era difícil. O desejo de se permitir sentir, de experimentar algo fora da rotina, permanecia reprimido, escondido sob camadas de disciplina e timidez.
Laura: Gente… que brutalidade, Ana! 😳
Sofia: Hahaha, mas ela tem razão! Camilla, você precisa relaxar.

Camilla: Meninas… vcs são impossíveis! 😳

Sofia: Ok, vamos lá… então aqui vai a ideia do dia: você precisa de uma acompanhante. 💃
Laura: SIM! Uma profissional que saiba exatamente como fazer você se desligar da rotina.
Ana: Exatamente! Não é sobre precisar de homem, é sobre se permitir prazer. 😉

Camilla: Humm… não sei se isso é… sério. 😅

Sofia: Super sério! Você passa a vida toda sendo responsável, organizada, perfeita… tá na hora de se permitir sentir. Confia na gente! 💖

Camilla: 😳 Tá… talvez eu pense no assunto…

Ana: Isso já é um começo! 😏

Laura: E lembre-se: a vida não espera, Camilla. Não seja tão certinha o tempo todo…

Sofia: É isso aí! Agora volte pro hospital antes que seus pacientes estranhem sua ausência. Mas pensa nisso com carinho, hein? 👀

Camilla: Ok… prometo que vou pensar. 😅

 

O almoço era um momento de pausa, mas também de reflexão. Camilla se sentava sozinha no refeitório, folheando revistas médicas e artigos científicos, tentando equilibrar o prazer da leitura com pensamentos mais leves e íntimos que surgiam involuntariamente. Ela imaginava encontros, conversas e situações que nunca aconteceriam em sua vida cotidiana, mas que a faziam suspirar e sorrir discretamente.

Após o almoço, mais consultas e cirurgias preencheram seu dia. Cada paciente apresentava desafios diferentes, e Camilla se dedicava com afinco, mesmo que parte de sua mente ainda vagasse por pensamentos proibidos. Pequenos detalhes, como o sorriso de um colega, o toque acidental durante um procedimento, ou a maneira como alguém a observava, provocavam sensações inesperadas, despertando um lado de sua personalidade que raramente se manifestava.

No final do expediente, Camilla retornava para casa, cansada, mas com uma sensação estranha de vazio. A rotina era confortável, mas previsível. Havia uma necessidade não satisfeita de algo mais — uma conexão intensa, uma emoção que fosse só dela, algo que rompesse a monotonia da perfeição e da disciplina.

O jantar na sala de jantar do casarão dos pais de Camilla começou pontualmente às 20h. O aroma de risoto de camarão recém-preparado preenchia o ambiente, e o som do tilintar de talheres contra porcelana parecia acompanhar o ritmo das conversas.

— Camilla, os números do hospital deste mês mostram um crescimento interessante nos atendimentos de emergência, — disse o pai, mexendo a taça de vinho. — Mas precisamos analisar os custos das cirurgias eletivas. Acho que podemos otimizar mais.

— Concordo, pai, — respondeu Camilla, inclinando-se levemente para frente. — Alguns insumos têm tido aumento acima do esperado. Talvez possamos renegociar com os fornecedores ou rever contratos de equipamentos.

A mãe interveio, enquanto cortava delicadamente uma fatia de peixe:

— E os investimentos na ala pediátrica? Já definiu quanto pretende alocar do orçamento para modernização?

— Estou avaliando, mãe. Quero garantir que não apenas cumpramos as normas de segurança, mas também ofereçamos conforto para as crianças e familiares, — disse Camilla, com um leve sorriso, absorvendo a aprovação contida nos olhos da mãe.

Ela fez uma pausa, mastigando lentamente, pensando em como tudo ali era estruturado e calculado. Um pequeno suspiro escapou, mas ninguém notou.

— Aliás, Camilla, — continuou o pai, — você já pensou em expandir o projeto de telemedicina? Pode ser uma grande oportunidade de crescimento.

— Tenho pensado sim, pai. Talvez seja o momento de iniciar um piloto em alguns bairros. Podemos testar o fluxo e avaliar a aceitação antes de investir em larga escala.

O silêncio voltou por alguns segundos, apenas interrompido pelo som dos talheres. Camilla olhou para os pais, sentindo a segurança de estar entre eles, mas também o aperto de desejar algo mais espontâneo, fora de toda aquela formalidade.

— Às vezes eu queria que tudo fosse um pouco menos… estruturado, — murmurou baixinho, quase para si mesma, antes de voltar a focar na conversa.

Seus pais não perceberam, ocupados em discutir planilhas, números e decisões estratégicas. Camilla sorriu por dentro, absorvendo o mundo que conhecia tão bem, mas sonhando secretamente com algo diferente, mais imprevisível e intenso.

Mais tarde, no silêncio de seu apartamento, Camilla finalmente se permitia relaxar. Um banho quente, música suave e livros que não tinham relação com medicina a ajudavam a escapar por algumas horas de sua rotina rígida. Era nesses momentos que seus desejos e inseguranças se misturavam, provocando uma mistura de ansiedade e excitação. Ela refletia sobre sua vida, seus limites e o quanto desejava se libertar de expectativas e obrigações, mesmo que apenas por alguns momentos.

Camilla olhou pela janela do apartamento, observando as luzes da cidade refletindo nas ruas. A sensação de isolamento era paradoxalmente reconfortante e inquietante. Ela queria sentir mais, viver mais, experimentar mais. Mas o medo de errar, de se expor ou de ser julgada ainda pesava sobre suas decisões.

No silêncio da noite, enquanto a cidade lá fora respirava apressada e indiferente, Camilla permanecia em seu quarto, rodeada por uma ordem perfeita de livros, pastas e papéis médicos. Mas, dentro dela, o caos era outro. Pensamentos ousados surgiam sem aviso encontros roubados, conversas proibidas, toques que nunca houve, momentos de prazer que sua rotina disciplinada jamais permitirá. Cada ideia era como uma fagulha acesa em meio à frieza da rotina diária.

Ela sentia falta de uma presença, de alguém que atravessasse sua barreira de perfeição e previsibilidade, que desafiasse suas regras e despertasse sensações que ela nem sabia nomear. O vazio ao lado da cama, a ausência de uma parceira, de um toque, de risadas compartilhadas, tornava cada conquista profissional, cada elogio ou reconhecimento, ao mesmo tempo doce e vazio.

A curiosidade sobre aquilo que ainda não conhecia a assombrava de forma deliciosa. Havia um desejo latente de descobrir o prazer e a intimidade que até então permaneceram guardados, bem escondidos sob camadas de disciplina e autocontrole. Um desejo que misturava medo e coragem, recato e ousadia, insegurança e esperança.

Mesmo sozinha, Camilla sentia a presença de um anseio profundo, que parecia pulsar dentro dela como uma segunda respiração. Era difícil nomeá-lo, mas sabia que existia — uma fome silenciosa de conexão, de entrega, de sentir-se viva de formas que sua rotina nunca permitirá. A cada noite, esse desejo crescia, misturando-se a fantasias discretas, lembranças de encontros que nunca aconteceram e sonhos de experiências que ainda não ousara ter.

E, apesar do medo de ser rejeitada ou de se expor, havia esperança. Esperança de que, um dia, poderia se permitir sentir algo além do controle, da perfeição e da disciplina que moldavam sua vida. Algo que fosse apenas dela, compartilhado com alguém que a despertasse de sua casca impenetrável.

E assim, mais uma vez, a rotina de Camilla terminava: entre responsabilidades, disciplina e sucesso, mas também entre desejos reprimidos, fantasias secretas e uma vida emocional que ansiava por ser vivida plenamente. A cidade continuava seu ritmo frenético, mas dentro dela, um fogo silencioso começava a arder, preparado para experiências e emoções que a transformariam para sempre, mesmo antes de qualquer encontro real acontecer.

O sol ainda não tinha surgido completamente quando Julianne abriu os olhos. Ao contrário de muitos, ela não precisava do despertador: o corpo já estava acostumado à rotina intensa, repleta de compromissos e responsabilidades. Sua primeira preocupação, mesmo antes de pensar em si mesma, era a irmã caçula, Luísa, de 17 anos, que morava com ela desde que a mãe havia falecido e seu pai desaparecido anos antes. A vida das duas sempre fora um equilíbrio delicado entre amor, cuidado e responsabilidade.

Julianne se levantou com cuidado para não acordar a irmã, que ainda dormia profundamente no quarto ao lado. Caminhou até a cozinha pequena e organizada, preparando café e um pouco de pão para o café da manhã. Não havia luxo, mas havia conforto e ordem. A jovem se certificava de que Luísa tivesse tudo que precisava para ir à escola: material organizado, lanche preparado, roupas prontas e horários ajustados.

Enquanto mexia o café, Julianne não pôde evitar sentir uma pontada de culpa. Pensou nas escolhas que fizera para sustentar a irmã, em especial a vida dupla que levava. “Será que estou realmente fazendo a coisa certa?”, murmurou para si mesma. “Mas se eu não fizer isso, quem cuidaria de Luísa? Quem garantiria nosso futuro?”

Julianne entrou no quarto devagar, quase sem fazer barulho, para não acordar a irmã bruscamente.

— Bom dia, maninha — sussurrou, sorrindo ao ver Luísa ainda de olhos fechados.
— Ju… tô com sono — murmurou Luísa, virando de lado e se abraçando ao travesseiro.
— Levanta! Hoje tem prova de matemática, lembra? Não quero te ver atrasada — disse Julianne, sentando-se na beira da cama e passando a mão nos cabelos da irmã para bagunçá-los de leve, provocando um sorriso sonolento.

Luísa resmungou baixinho, mas começou a se espreguiçar e se sentar. Julianne pegou a mochila dela e conferiu rapidamente os cadernos e materiais.

— Obrigada, Ju… você sempre cuida de tudo — disse Luísa, com aquele sorriso tímido que fazia Julianne sentir uma pontada de orgulho e preocupação ao mesmo tempo.
— Claro, princesa. É meu trabalho garantir que você esteja pronta pra qualquer coisa. Mas, sério… confia em você hoje. Vai arrasar nessa prova.

Enquanto Luísa vestia o uniforme e calçava os sapatos, Julianne organizava os últimos detalhes da mochila, conferindo lápis, régua e cadernos. Ela suspirou baixinho, admirando a irmã por alguns segundos, antes de empurrá-la suavemente para a porta do quarto.

— Vamos lá, garota. Mostra pra todo mundo quem manda nas contas e equações.

Depois de deixar Luísa na escola, Julianne se preparou para as atividades do dia. De dia, era estudante de medicina, absorvendo aulas, práticas e estudos que exigiam dedicação extrema. De noite, trabalhava como acompanhante de luxo, uma escolha que fazia para custear os estudos e também manter as despesas da casa, além da escola e necessidades da irmã. Era uma vida dupla que poucos conheciam, mas que ela controlava com habilidade.

Enquanto caminhava pelo bairro em direção à faculdade, Julianne observava pequenas coisas: o sol começando a dourar os telhados, o cheiro de pão fresco nas padarias, o som distante de crianças indo para a escola. Por um instante, desejou poder viver uma rotina mais simples, sem mentiras, sem disfarces. Mas logo se lembrou do que estava em jogo e respirou fundo, forçando a determinação a substituir a nostalgia.

Julianne se olhou no espelho da cozinha da faculdade, ajeitando os cabelos castanho-escuros e verificando a maquiagem leve, suficiente para dar um ar sofisticado e confiante. Seus olhos verdes brilhavam de determinação, mas também carregavam uma inquietação secreta. Vestiu o jaleco branco da faculdade, ajustando os detalhes, mas já sentindo mentalmente o contraste com o que viria à noite: roupas sedutoras, perfumes marcantes e uma postura provocante que utilizava para seu trabalho.

Na faculdade, Julianne era dedicada e aplicada. Conhecia cada detalhe das aulas, participava ativamente das práticas e era respeitada pelos professores e colegas. Mas a atenção precisava ser dividida com tudo que ocorria em casa. Entre estudos e plantões, tinha que planejar a noite, os clientes, os encontros, sem jamais deixar que a irmã percebesse qualquer coisa fora do comum.

Enquanto caminhava pelos corredores da faculdade, cumprimentando colegas, Julianne se lembrava de que a vida que levava exigia disciplina e jogo de cintura. Cada passo era calculado, cada sorriso, medido. Mas no fundo, uma pequena faísca de curiosidade e desejo de algo inesperado insistia em surgir — algo que talvez ninguém imaginasse. “Será que algum dia alguém virá que me faça sentir mais do que apenas desejo ou necessidade?”, pensou.

— Julianne! — chamou Pilar, colega de classe e amiga de longa data, a única que sabia o segredo que ela guardava, a de ser acompanhante de luxo. — Vamos almoçar juntas hoje?
— Claro, Pilar. Só preciso revisar alguns apontamentos antes — respondeu Julianne, com um sorriso leve, mas já imaginando mentalmente os compromissos da noite.

No almoço, entre livros e anotações, Julianne conversava com amigas sobre medicina, aulas e trabalhos acadêmicos, mantendo a fachada de estudante exemplar. Mas pensamentos sobre a noite, sobre clientes e como se apresentar de forma atraente e elegante, não saíam de sua mente. Era um equilíbrio delicado entre dedicação, sobrevivência financeira e a necessidade de manter seu coração protegido.

Enquanto cortava o frango, pensava: “E se alguém me desafiar de verdade? Alguém que não queira pagar, mas queira entrar no meu mundo de verdade?” Um pensamento rápido, quase imperceptível, mas que provocava uma mistura de medo e excitação.

Ao final da tarde, após aulas e plantões, Julianne retornou para casa. A rotina doméstica incluía preparar o jantar, ajudar Luísa com deveres e estudos, e organizar tudo para a noite. Não era uma vida fácil, mas havia orgulho e propósito em cada tarefa. Ela sabia que estava construindo algo maior para ambas — para ela e para a irmã.

Enquanto cozinhava, pensava nos encontros que teria mais tarde. Cada cliente exigia atenção, cuidado, charme e jogo de cintura. Mas também havia uma liberdade que ela não encontrava em nenhum outro lugar: a sensação de controle absoluto sobre seu corpo, sua imagem e suas escolhas. Ela podia ser atrevida, provocativa e sedutora, sem ninguém questionar, e isso lhe dava poder e prazer.

— Luísa, quero que você termine os exercícios antes de dormir, tá? — disse, sorrindo para a irmã, que já terminava a lição.
— Pode deixar, Ju — respondeu Luísa, admirando a irmã com confiança e carinho.

Julianne sentiu uma pontada de cansaço e preocupação. Às vezes se perguntava se estava fazendo a coisa certa, se seus métodos de sustentar a casa e pagar os estudos eram adequados. Mas o amor pela irmã e a determinação de garantir um futuro melhor sempre a empurravam para frente.

Quando a noite caiu, Julianne se transformou novamente. As roupas mudaram: tecidos sedutores, sapatos altos, maquiagem mais marcante. Perfume que deixava um rastro de mistério e desejo. Cada detalhe era planejado para impressionar, seduzir e criar uma aura irresistível diante dos clientes. Ela entrava no carro, pronta para mais um encontro, mantendo sempre a mente alerta para qualquer situação inesperada, imaginando, mesmo que de forma furtiva, que talvez algum dia alguém surgisse e despertasse nela algo que nenhum cliente jamais conseguira.

Durante uma pausa entre um compromisso e outro, Julianne se encontrou com Carla, amiga de longa data e confidente, que conhecia bem sua vida dupla.

— Ju, como tá hoje? — perguntou Beatriz, sorrindo com aquele jeito que sempre parecia capaz de ler os pensamentos de Julianne.
— Ah, estou bem, — respondeu Julianne, ajeitando os cabelos e respirando fundo. — Só espero que a cliente seja tranquila. Às vezes cansa lidar com gente que acha que pode me mandar em tudo.

Carla riu baixinho, inclinando-se um pouco mais perto.
— Relaxa, você é ótima no que faz. Sempre sabe como conduzir a situação. Mas, sério, se algo passar do limite, me chama, tá?

Julianne sorriu, sentindo o conforto que só uma amiga verdadeira podia oferecer.
— Obrigada, Carlinha. É bom ter alguém pra dividir essas coisas, sabe? Nem sempre dá pra falar com qualquer pessoa…
— Eu sei, Ju. Mas você não tá sozinha. E, convenhamos, às vezes até dá pra rir de algumas situações, né? — disse Carla, piscando.

Julianne assentiu, deixando o peso de algumas horas de trabalho se dissipar. Era uma rotina intensa: cuidar da irmã, correr entre a faculdade, os estágios e os encontros com clientes. Mas momentos assim, breves e sinceros, davam a ela força para seguir.

— E depois? — perguntou Carla, já sabendo a resposta, mas querendo prolongar a companhia da amiga.
— Ah… depois só Deus sabe. — respondeu Julianne, sorrindo de canto. — Mas por agora, é bom poder respirar e conversar com você.

Entre encontros, aulas e tarefas domésticas, Julianne ainda encontrava tempo para refletir sobre seus desejos e anseios mais profundos. Era uma mulher que vivia dois mundos: um público, rígido e disciplinado, e outro privado, ousado e cheio de liberdade. Essa dualidade a fazia sentir-se viva, mas também provocava inquietações sobre o futuro e sobre os limites que precisava impor a si mesma. Pequenas faíscas de curiosidade sobre pessoas desconhecidas e inesperadas surgiam, quase como uma promessa de que algo maior poderia acontecer.

Enquanto dirigia de volta para casa, após mais um encontro noturno, Julianne pensava na vida. Será que um dia ela mudaria de vida? Será que algum dia alguém conseguiria atravessar suas defesas, ver a mulher além da acompanhante, do estudo e da responsabilidade?

Ao chegar em casa, encontrou Luísa já dormindo e deixou a mochila com cuidados. Sentou-se no sofá, exausta, mas satisfeita. Cada dia era um desafio, cada escolha carregava responsabilidade, mas também liberdade. Ela sabia que, apesar de tudo, estava construindo algo maior: segurança, independência e a possibilidade de um futuro melhor — para si mesma e para a irmã que tanto amava.

Julianne olhou para o teto, pensativa, imaginando que algum dia poderia cruzar caminhos com pessoas capazes de despertar algo além do desejo momentâneo. Pessoas que desafiassem sua coragem, despertassem sua timidez e fizessem seu coração bater mais rápido, mesmo em meio a toda sua ousadia e confiança.

E assim, a rotina de Julianne terminava: entre estudos, trabalho noturno, cuidados com a irmã e momentos de introspecção, ela se preparava para os desafios do próximo dia, sem nunca perder a determinação de ser quem era — atrevida, livre, responsável, mas agora com uma pontinha de expectativa de que algo ou alguém poderia mudar sua vida de forma inesperada.

No dia seguinte. Julianne acordou tarde naquela quarta-feira, o sol já filtrava preguiçoso pelas cortinas pesadas do apartamento. A ressaca leve da noite anterior não era apenas efeito do vinho caro servido em um jantar com um cliente fixo, mas também da exaustão emocional que sempre vinha depois de desempenhar o papel que vendia. Olhou para o celular na mesa de cabeceira: três mensagens de potenciais clientes, uma de sua melhor amiga perguntando sobre o próximo encontro, e duas notificações de Luísa.

Luísa...
A irmã mais nova sempre tinha sido seu ponto de luz, mesmo quando Julianne preferia se esconder na penumbra.

Depois de um banho longo e água quase fervente escorrendo pelos ombros, vestiu uma camiseta larga e short de algodão. Preparou café e ficou sentada no sofá, encarando o horizonte pela janela do 16º andar. Os carros lá embaixo pareciam miniaturas. Engraçado… de cima tudo parece menor, menos urgente. Mas aqui embaixo… tudo pesa.

O toque da campainha interrompeu seu devaneio. Era Luísa, sorrindo, com uma sacola de croissants na mão.

— Trouxe reforço pro seu café da manhã — disse, entrando sem pedir permissão.
— Você sabe que eu amo quando você faz isso — Julianne respondeu, beijando a testa da irmã. — Mas… o que aconteceu? Não costuma voltar tão cedo.
— Tive uma aula vaga, então vim embora. — Luísa a olhou de cima a baixo. — Você está pálida.
— É só cansaço. — Julianne tentou sorrir, mas sabia que não convencia.

Luísa se acomodou no sofá e começou a falar sobre a faculdade, projetos, professores exigentes… Julianne ouvia, mas a mente voltava e meio escapava para outra realidade — a noite passada, as mãos de um homem que não significavam nada, os olhares avaliativos, o perfume enjoativo que ainda parecia grudado em sua pele.

— Ju? Tá me ouvindo? — A voz de Luísa cortou o fluxo de pensamentos.
— Desculpa, estava longe. — Julianne respirou fundo. — É que às vezes sinto que minha vida tá indo pra um lado que… não sei se é o que eu queria.
— Você sempre foi forte. Seja lá o que estiver te incomodando, você vai dar um jeito. — Luísa sorriu e mordeu um pedaço de croissant. — E eu vou estar aqui.

Julianne engoliu o nó na garganta. Se ela soubesse… se soubesse onde eu estava ontem à noite, o que eu estava fazendo…

A tarde foi preenchida com pequenos compromissos: renovar o estoque de roupas para os encontros, responder mensagens filtrando clientes, negociar valores. O luxo de seu trabalho estava nos restaurantes cinco estrelas, nas viagens relâmpago, nas joias que ganhava — mas por trás, havia um desgaste que ninguém via.

No fim do dia, enquanto provava um vestido novo diante do espelho, a imagem refletida pareceu zombar dela. Não era apenas a beleza que sustentava aquela vida; era a mentira diária que se tornara rotina. Um dia, alguém vai atravessar essa barreira que eu criei. E quando acontecer… eu não sei se vou conseguir manter o personagem.

Era apenas um pensamento distante… mas, de algum modo, ela já sentia que esse “alguém” estava mais perto do que imaginava.

O celular de Julianne vibrou em cima da mesa de vidro da sala. Ela olhou o número desconhecido e, por um instante, pensou em não atender. O dia tinha sido longo, e tudo o que ela queria era um banho quente e um copo de vinho. Mas, na sua linha de trabalho, deixar uma ligação sem resposta podia significar perder um cliente — ou pior, perder um contato valioso.

— Alô? — sua voz soou controlada, porém fria.

— Julianne? — a voz masculina do outro lado era grave, seca e carregada de impaciência. — Aqui é o Sérgio Barreto. Imagino que já tenha ouvido falar de mim.

Ela conhecia o nome. O tipo de homem que acreditava que o mundo girava ao redor do próprio umbigo, famoso nos bastidores por tratar mulheres como troféus e, ao mesmo tempo, como descartáveis.

— Sim, senhor Barreto. — respondeu, mantendo o tom profissional.

— Ótimo. Não tenho tempo pra enrolação. Amanhã à noite, nove em ponto, no Hotel Montereau, suíte presidencial. Quero você impecável. Vestido preto, salto alto. E, por favor, nada de conversa fiada — não estou pagando pra ouvir opinião.

Julianne cerrou os dentes. A arrogância escorria pela voz dele como veneno. Respirou fundo antes de responder.

— Entendido. — disse, de forma neutra, engolindo o incômodo.

— Espero que entenda que sou um homem exigente. E não aceito atrasos. Ah... e traga uma boa disposição. Não quero frescura.

A ligação caiu antes que ela pudesse responder. Ela permaneceu ali, imóvel, com o celular ainda encostado ao ouvido.

Sentiu o peso do pedido e, principalmente, do tom. O dinheiro que ele pagaria seria suficiente para cobrir duas semanas de despesas, mas a sensação de se submeter àquele tipo de cliente deixava um gosto amargo.

Fim do capítulo

Notas finais:

Meus queridos leitores,

É com um sorriso no rosto e o coração acelerado que venho anunciar a chegada de uma nova história… e posso garantir: ela não é para os fracos. ??”?

Preparem-se para mergulhar em uma trama quente, intensa e cheia de tensão, daquelas que fazem o coração bater mais rápido a cada capítulo. Uma história envolvente, carregada de desejo, conflitos e emoções à flor da pele — perfeita para quem ama um romance picante e cheio de reviravoltas.

Se você gosta de personagens fortes, conexões proibidas e momentos que deixam aquele gostinho de “quero mais”… essa história foi feita para você.

Quero muito saber o que vocês vão sentir, pensar e, claro… se vão conseguir parar de ler. ?


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