O encontro
Aproximei-me devagar. Ela arregalou os olhos ao dar por mim… a sua postura mudou num instante, como se o corpo denunciasse algo que tentava a custo esconder. Endireitou-se na cadeira, inquieta, e desviou o olhar enquanto prendia uma madeixa de cabelo rebelde atrás da orelha. Depois, inclinou ligeiramente a cabeça e voltou a encarar-me. Quando me aproximei, ficámos presas numa troca de olhares tão profunda que o ar entre nós parecia desaparecer.
Segurei-lhe no queixo, guiando-lhe o rosto com delicadeza. Ela fechou os olhos, à espera do beijo… mas os meus lábios apenas lhe tocaram no rosto, num gesto lento e sentido. Estremeceu. Sorri e murmurei ao seu ouvido:
— És tão linda quando ficas assim, sem jeito, toda atrapalhada.
Os seus olhos brilharam com as minhas palavras. Um sorriso tímido desenhou-se nos seus lábios, e as bochechas ganharam um rubor suave. Respirou fundo, recompôs-se e, por fim, encarou-me com uma ousadia inesperada.
— Não vais mesmo beijar-me?
Fiquei sem graça com a firmeza das suas palavras. Sempre a tinha visto como uma pessoa frágil, tímida; mas aquela súbita rebeldia deixou-me a tremer por dentro; como se por um instante eu fosse ela, delicada, hesitante, surpreendida por mim mesma. Ainda assim, a mudança divertiu-me. O meu sorriso abriu-se e, sem conseguir evitar, comecei a rir. Ela acompanhou-me, e ali ficámos, rindo juntas. Nervosas, loucas.
Quando, finalmente, o riso se dissipou, recuperamos do embaraço. Peguei-lhe na mão, estava fria, e puxei-a para um canto mais resguardado. Naquele pequeno refúgio improvisado abraçamo-nos com força, num abraço cheio de significado, como se o mundo lá fora tivesse deixado de existir.
Olhei para ela. Passei os dedos pelo seu rosto, apreciando a suavidade da pele, o calor que lhe aquecia as bochechas. Ela sorriu, aconchegou-se na palma da minha mão, como quem encontra conforto num gesto simples. Depois murmurou, quase num sopro:
— É agora que me vais beijar?
Aproximei-me devagar. Os meus dedos deslizaram pelos seus cabelos sedosos, entrelaçando-se neles, e puxei-a com delicadeza para mim. Quando os nossos lábios se tocaram, o tempo pareceu parar. O beijo começou suave, aveludado, e foi ganhando intensidade, como se cada segundo acrescentasse mais desejo, mais entrega, mais fome de estar ali.
A minha língua procurou a dela, enquanto uma das minhas mãos lhe segurava a cintura e a outra puxava suavemente os seus cabelos. A minha mão desceu da cintura, passou pela lateral da anca e foi descendo mais e mais; arranhava de leve por cima do seu vestido e, já sem fôlego, soltei-me do seu beijo. Ofegante, olhei para ela, que continuava de olhos fechados e lábios entreabertos, respirando de forma pesada.
“Que lábios lindos ela tem.”
Ela abriu lentamente os olhos. Pude vê-la com atenção, admirando os seus olhos castanhos, rasgados e luminosos. Sorriu-me, e eu voltei a aproximar-me dela; fiz a minha mão deslizar pela sua coxa e senti a sua pele arrepiar com o meu toque. Nesse instante, fui beijando o seu pescoço e subindo devagar; a minha mão massajava-lhe o couro cabeludo, e ela, com isso, inclinava a cabeça para trás, rendida ao momento. Eu tremia… tê-la ali, assim, entregue, era demais para mim. Inspirei profundamente, sentindo o seu perfume suave e adocicado; ela arrepiou-se inteira, gem*ndo mais e mais.
Os meus beijos tornavam-se cada vez mais intensos; a minha mão continuava a deslizar pela coxa da minha amada e, sendo um pouco mais afoita, arranhei-lhe levemente a pele e apertei-lhe a nádega. Ela não aguentou e soltou um gemido mais alto, grave, quase desesperado.
Senti as minhas cuequinhas humedecerem e, não aguentando mais, sussurrei ao ouvido da minha menina linda:
— Vem comigo, vem… preciso de ti, não consigo esperar mais…
Ela arregalou os olhos e sorriu para mim, um sorriso tão bonito que me deixou completamente doida. Ficámos a olhar-nos por instantes e eu, puxando-a pela mão, fui abrindo caminho por entre o emaranhado de pessoas, seguindo apressada para as traseiras do bar. Ela apertava com força a minha mão e seguia-me; notava na sua expressão surpresa, mas também um brilho malandro que me incendiava.
Entrámos aos tropeções na casa de banho. Duas moças viraram-se para nós com ar de espanto. Abraçámo-nos e, como duas loucas, começámos a rir. Elas saíram… eu, afastando-me um pouco do seu abraço, olhei nos seus olhos, beijei delicadamente os seus lábios e, pousando as mãos na sua cintura, puxei-a com força para mim. O beijo tornou-se mais ardente, mais quente, carregado de desejo. Entre beijos, ch*pões e abraços, encaminhámo-nos para uma das divisórias da casa de banho e trancámos a porta.
Lá dentro, só nós as duas existíamos.
A intensidade entre nós crescia como uma onda prestes a rebentar. Sentia o seu corpo colado ao meu, o calor que emanava, a respiração que se acelerava sempre que os meus dedos lhe tocavam a pele. Havia algo de quase sagrado naquele instante, como se cada gesto fosse uma promessa silenciosa, cada aproximação um convite para nos perdermos uma na outra.
Ela olhava-me com um desejo tão vivo que parecia incendiar o ar. A forma como me seguia com os olhos, como se oferecia ao meu toque, deixava-me sem chão. A minha vontade de a sentir, de a descobrir, de a envolver por completo, tornava-se quase avassaladora. E ela correspondia, puxando-me, guiando-me, deixando claro que me queria ali, inteira, entregue.
Aproximei-me mais, percorrendo-lhe o corpo com uma lentidão que a fazia suspirar. O seu rosto inclinou-se para trás, revelando vulnerabilidade e poder ao mesmo tempo. As minhas mãos deslizavam pela sua pele em plena veneração. Ela tremia sob o meu toque, e eu tremia com ela, como se estivéssemos ligadas por um fio invisível que puxava uma de nós sempre que a outra respirava.
Quando ergui o rosto para a olhar, vi nela algo que me desarmou: entrega absoluta. Desejo sem filtros. Uma fome que me chamava pelo nome.
— Amor… tu és tão louca… — Murmurou, com a voz trémula.
Sorri, sentindo o coração bater descompassado
— Amorzinho… estou prostrada a teus pés. Ajoelhada perante ti. Dou por mim a venerar-te. Tu encantas-me. Sim… qualquer lugar serve, porque eu te quero sempre. Tu és minha.
Aproximei-me dela com uma fome que já não conseguia esconder. As minhas mãos pousaram-lhe nos joelhos, puxando-a para mais perto, abrindo-lhe as pernas como quem desvenda um segredo. Ela seguiu os movimentos, entregue, respirando fundo, como se cada gesto meu lhe incendiasse a pele.
O ar entre nós tornou-se denso, quase palpável. A forma como me olhava, como se eu fosse a única coisa que existia, deixava-me à beira de perder o controlo. A minha respiração misturava-se com a dela, quente, urgente, e o meu corpo reagia-lhe como se o prazer que lhe dava, fosse dado a mim também.
Desci devagar, sentindo-lhe o tremor, ouvindo-lhe os suspiros que se soltavam sem que ela os conseguisse conter. As minhas mãos percorriam-lhe as coxas com uma lentidão que a fazia arquear o corpo, como se cada centímetro de pele tocado fosse um pedido silencioso por mais. Ela puxava-me pelos cabelos, guiando-me, implorando sem palavras, e eu deixava-me levar por aquela entrega tão absoluta.
O desejo entre nós crescia num ritmo quase selvagem. Ela tremia, desfazia-se, perdia-se nos próprios sons, e eu sentia-me arrastada com ela, como se estivéssemos presas na mesma onda, prestes a rebentar. O corpo dela reagia ao meu toque com uma intensidade que me deixava sem fôlego, e o meu reagia-lhe com igual violência, como se estivéssemos ligadas por algo mais profundo do que o simples querer.
Uma explosão de sensações apoderou-se de nós. Era como se o epicentro de um terramoto nos abalasse, de dentro para fora.
Quando finalmente ergui o rosto para a olhar, vi nela um descontrolo tão belo que me deixou prostrada. Ela tremia, respirava em soluços, e os olhos brilhavam como se tivesse acabado de atravessar um limite invisível.
— Amor… fiquei tão… — Murmurou, ainda sem forças para terminar a frase
Sorri, ainda ofegante.
— Eu sei, eu sei amor… Eu Também… — Respondi, porque naquele momento nada no mundo parecia capaz de nos envergonhar.
Ela levantou-se devagar, recompôs-se como pôde, e mesmo assim estava deslumbrante. Corou ao puxar a roupa para o lugar, mas os olhos… os olhos continuavam incendiados.
Aproximou-se, abraçou-me com força e beijou-me com uma doçura que contrastava com tudo o que acabara de acontecer.
— Vamos, amor. — Disse, puxando-me pela mão. — Estou a precisar de um banho…
— Eu também. — Murmurei, sorrindo. — Mas tens de ser tu a dar-mo.
Ela riu-se, cúmplice, e saímos de mãos dadas, ignorando os olhares curiosos à nossa volta. Lavamos o rosto, respiramos fundo, e antes de sairmos do bar, beijei-a outra vez, um beijo lento, cheio de promessas.
Depois, apressadas, seguimos para o carro, como duas mulheres que sabiam exatamente o que ainda estava por vir.
Fim do capítulo
Apesar deste ser um conto que pode ser lido de forma única, ele terá a sua continuação num outro conto com o nome: Expurgação.
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MirAlexia Em: 08/03/2026 Autora da história
O prazer e o gosto, é todo meu. :)
A tua escrita me trouxe até aqui e fico muito feliz por poder partilhar algo, que já tem muitos anos , com a comunidade. Beijo