Grande-Angular
Quando a manhã chegou, eu ainda estava no mesmo lugar.
O desconforto da cadeira se dissolvia na quietude que me envolvia.
Observá-la jamais seria um martírio.
Ainda mais quando o feixe de luz atravessou a fresta, como se implorasse para alcançá-la em seu repouso.
O brilho tomou a superfície ondulada, e uma aura cristalina reluziu, conduzindo sem cerimônias minha contemplação.
Olho-a, hipnotizada. Incapaz de desviar, sigo o caminho sugerido pela onda de fótons.
Obedeço sua direção, acolho cada ponto luminoso em sua pele.
Permito que meus olhos vejam, que sintam, que se tornem tato e sopro espalhando-se em todas as direções.
Retorno pelo mesmo caminho.
E o leve pulsar do ressonar matinal impõe-me um desvelo natural.
Suspiro ao experimentar esta pequena distância focal.
Então sorrio — e o sorriso alcança meus olhos.
Sinto-me em paz.
Eri Oli
Fim do capítulo

MirAlexia
25/02/2026 às 10:12
Gravar memórias ou gravar fotos? A grande angular varia conforme se vive ou se vê viver.